<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.2 20190208//EN" "JATS-archivearticle1.dtd">
<article xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:ali="http://www.niso.org/schemas/ali/1.0">
  <front>
    <article-meta>
      <article-categories>
        <subj-group>
          <subject content-type="Tipo de Contribuição">Apresentação</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title>Compartilhamento de dados linguísticos</article-title>
        <subtitle>da prática à infraestrutura</subtitle>
      </title-group>
      <contrib-group content-type="author">
        <contrib id="person-3c3c60556173f8d573eb113c2d6e07bd" contrib-type="person" equal-contrib="no" corresp="yes" deceased="no">
          <name>
            <surname>Barbosa</surname>
            <given-names>Juliana Bertucci</given-names>
          </name>
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-59e5a1663c487e892bc737b74328acd6"/>
        </contrib>
        <contrib id="person-38f11dde62e72881046faecc5ab46f7d" contrib-type="person" equal-contrib="no" corresp="no" deceased="no">
          <name>
            <surname>Vieira</surname>
            <given-names>Marcia dos Santos Machado</given-names>
          </name>
        </contrib>
        <contrib id="person-99b5dc46cd282d725f3f24a008325e05" contrib-type="person" equal-contrib="no" corresp="no" deceased="no">
          <name>
            <surname>Ko. Freitag</surname>
            <given-names>Raquel Meister</given-names>
          </name>
        </contrib>
      </contrib-group>
      
      <volume>7</volume>
      <issue>2</issue>
      <elocation-id>e1012</elocation-id>
      <history>
        <date date-type="accepted" iso-8601-date="16/06/2026"/>
        <date date-type="received" iso-8601-date="15/03/2026"/>
      </history>
      <permissions id="permission">
        <license>
          <ali:license_ref>http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/</ali:license_ref>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Este dossiê reúne trabalhos originados do <italic id="italic-1">Abralin em Cena 17 - Dados Linguísticos</italic> (2023), evento online promovido pela ABRALIN, pelo GT de Sociolinguística da ANPOLL e pelo Projeto Plataforma da Diversidade Linguística Brasileira. Os textos abordam compartilhamento, preservação e reutilização de corpora linguísticos; metodologia de metadados e comparabilidade entre bancos de dados; e processamento automático de linguagem. Os artigos integram e exemplificam a cultura de Ciência Aberta que motivou o evento, e convergem para demonstrar a necessidade de uma infraestrutura nacional de dados linguísticos para a soberania digital do Brasil.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-b1f78b6399ed3e5f204e8c85d5ae9d2c">This dossier brings together works originated from <italic id="italic-a7db8d793e2472d41506f7a4d5d2e4b0">Abralin em Cena 17 — Linguistic Data</italic> (2023), an online event organized by ABRALIN, the Sociolinguistics Working Group of ANPOLL, and the Brazilian Linguistic Diversity Platform Project. The texts address sharing, preservation, and reuse of linguistic corpora; metadata methodology and comparability across databases; and natural language processing. The papers both integrate and exemplify the Open Science culture that motivated the event, converging to demonstrate the need for a national linguistic data infrastructure for Brazil's digital sovereignty.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">dados linguísticos</kwd>
        <kwd content-type="">Ciência Aberta</kwd>
        <kwd content-type="">repositórios</kwd>
        <kwd content-type="">compartilhamento</kwd>
        <kwd content-type="">diversidade linguística brasileira</kwd>
      </kwd-group>
    <pub-date pub-type="epub"><day>16</day><month>03</month><year>2026</year><volume>7</volume></pub-date></article-meta>
  </front>
  
  
<body id="body">
    <sec id="heading-808dfe8354559c448eb49c15dea0211c">
      <title>Apresentação</title>
      <p id="paragraph-db39f4b66e8efc4da838ab94af0f39de">O <italic id="italic-efdef0d3f2032464821102dc2412184f">Abralin em Cena</italic> é um evento científico itinerante, organizado pela Associação Brasileira de Linguística (ABRALIN) desde 2008, cujo objetivo é promover o intercâmbio acadêmico, dialogar sobre linguística em diferentes regiões do Brasil e destacar pesquisas locais, conectando especialistas brasileiros e estrangeiros. Na sua 17ª edição, <italic id="italic-2">Abralin em Cena 17 – Dados Linguísticos</italic> (https://abralin.org/abralin-em-cena-17/), realizado entre os dias 26 e 28 de junho de 2023 na modalidade remota e gratuita, a temática transversal foi a abordagem de dados linguísticos em interface com Ciência Aberta, Humanidades Digitais, ética e conformidade legal, patrimônio cultural, processamento de linguagem natural e políticas públicas. O evento foi promovido pela Comissão de Sociolinguística da ABRALIN, pelo Grupo de Trabalho de Sociolinguística da ANPOLL, para dar suporte ao projeto Plataforma da Diversidade Linguística Brasileira.</p>
      <p id="paragraph-f02f3385d2ecdd7901bfba7e76b37a50">O que fazer com os dados que a pesquisa linguística brasileira acumulou ao longo de décadas? Projetos como o NURC, o VARSUL e o ALiB constituíram, entre as décadas de 1960 e 1990, acervos que moldaram gerações de pesquisadores e subsidiaram descrições do português brasileiro em múltiplos níveis (Freitag, a sair). Entretanto, esses acervos permanecem, em sua maioria, fragmentados em repositórios institucionais isolados, sem protocolos comuns de documentação, sem metadados padronizados e sem interoperabilidade (Freitag, 2022). O esforço de curadoria que sua constituição demandou é, paradoxalmente, invisibilizado na literatura: a referência à metodologia de um banco de dados costuma ocupar “duas a três linhas, quando muito um parágrafo” nos artigos, sem que o real dispêndio de tempo e recursos seja registrado (Freitag, Martins, Tavares, 2012). O Abralin em Cena 17 teve o papel de colocar esse diagnóstico na ordem do dia e de propor caminhos.</p>
      <p id="paragraph-6c86f401d8c16432cc86e9f9aaacbfdb">A programação do evento refletiu essa agenda de forma articulada. Na Mesa-redonda 1, Isabel Monguilhott, autora de um dos artigos deste dossiê, integrou o debate sobre planejamento, governança e curadoria das grandes tradições de documentação linguística brasileira. A Mesa-redonda 2, mediada por Juliana Bertucci Barbosa, aprofundou as boas práticas de organização e reuso de dados. A Mesa-redonda 3, mediada por Marcia dos Santos Machado Vieira, discutiu o conceito de ecossistema de dados segundo os princípios FAIR, com a participação de Raquel Meister Ko. Freitag, que apresentou evidências sobre a sub-representação do português brasileiro nas infraestruturas digitais (Freitag e Gois, 2024, Freitag 2024). A Mesa-redonda 4 confrontou os desafios éticos e legais decorrentes da disponibilização de dados de fala. A Mesa-redonda 5 projetou as interfaces transdisciplinares da sociolinguística com computação e ciência da informação. Além disso, a sessão de comunicações, também na modalidade remota, reuniu trabalhos e ações relacionados à coleções de dados linguísticos. As mesas foram transmitidas pelo canal do YouTube da ABRALIN:</p>
      <p id="paragraph-20b19e86fb780678b5fa7041f42cda37">● Sessão de Abertura e Mesa-redonda 1 – Bancos de dados linguísticos brasileiros: planejamento, construção, governança e curadoria de coleções de dados &lt;https://www.youtube.com/live/YDeKCxw-p-A?si=ahtNXfG9lJvKpV0q&gt;</p>
      <p id="paragraph-2">● Mesa-redonda 2 – Boas práticas de documentação, organização, tratamento, gestão, exposição e (re)uso de dados linguísticos &lt;https://www.youtube.com/live/KGsbta72bG4?si=Qz51M4ZHqxgVqN33&gt;</p>
      <p id="paragraph-3">● Mesa-redonda 3 – Ecossistema de dados sociolinguísticos: conceito, tipologia, segurança e impacto de banco de dados linguísticos em Ciência e Educação abertas e cidadãs guiados por princípios FAIR &lt;https://www.youtube.com/live/_97maExD1vE?si=71nQz-CJOU5GSzTY&gt;</p>
      <p id="paragraph-4">● Mesa-redonda 4 – Direitos, Conformidade legal, Ética, Etnossensibilidade, Cidadania: Ciência e Educação &lt;https://www.youtube.com/live/7kZ4TgUkcgY?si=2Sti6oveh7QGl5Q2&gt;</p>
      <p id="paragraph-5">● Mesa-redonda 5 – Saberes e fazeres transdisciplinares: Sociolinguística(s) em ação com (repercussão em) outras áreas do conhecimento &lt;https://www.youtube.com/live/QdLBMYsC0KQ?si=L9vVKiE09qGqng9c&gt;</p>
      <p id="paragraph-98c74c5b086d3930d6ee3705bdef406f">Por ter sido realizado na modalidade online e ter ficado registrado em canal de acesso público, o evento teve alcance e capilaridade amplamente expandidos, permitindo que pesquisadores de diferentes regiões do Brasil e de outros países assistissem e interagissem com o conteúdo para além do período de realização. Esse alcance se refletiu na composição deste dossiê: além dos trabalhos apresentados no evento, outros foram incorporados com o objetivo de fortalecer a discussão, ampliando o escopo temático para envolver, de forma articulada, três grandes campos do conhecimento sobre a linguagem: a Sociolinguística, com sua tradição de documentação de variedades e construção de bancos de dados; a Psicolinguística, com seus estudos sobre aquisição e processamento de linguagem a partir de corpora naturalísticos; e o Processamento de Linguagem Natural (PLN), com suas ferramentas de análise automática de dados de fala e texto.</p>
      <p id="paragraph-fe1a18ee63f2a48bb677c2e9c6434e0a">Os artigos deste dossiê mostram desde o problema concreto de abrir dados existentes até a infraestrutura que tornaria possível fazê-lo em escala nacional.</p>
      <p id="paragraph-2582452155f41e9adf163c8b7a4aec3e">Em <bold id="bold-1">Os desafios para disponibilização e compartilhamento de dados linguísticos da Amostra Base VARSUL, </bold>Isabel de Oliveira e Silva Monguilhott, Izete Coelho e Claudia Brescancini relatam os desafios para a disponibilização da Amostra Base VARSUL, com 288 entrevistas sociolinguísticas coletadas entre 1989 e 1996, hoje em processo de anonimização para conformidade com a Lei Geral de Proteção aos Dados (LGPD) e com as diretrizes da Ciência Aberta. Os desafios relatados neste artigo ecoam o que outros acervos também constatam: temos dados valiosos, mas abri-los é difícil, exige curadoria ativa, protocolos éticos e infraestrutura tecnológica. O VARSUL é um caso emblemático, e sua trajetória ilustra o desafio que outros repositórios já constituídos de dados linguísticos precisará enfrentar.</p>
      <p id="paragraph-c787b55b38ccba9e227e2d4c7277cc96">Em contraponto, em <bold id="bold-2">Linha verbal infantil: 21 meses de expressão verbal de uma criança brasileira,</bold> Pedro Perini-Santos apresenta vinte e um meses de registros longitudinais da expressão verbal de uma criança brasileira integrante do corpus CIL (Corpus Infantil Longitudinal). A disponibilização de dados naturalísticos de aquisição desde a concepção do projeto relatada no artigo mostra como um dado pode nascer já planejado para o compartilhamento, com contribuição à psicolinguística e aos estudos de aquisição de linguagem pela via do reuso.</p>
      <p id="paragraph-e60c8744b3919b169272a1d6800dd3bc">Em <bold id="bold-3">Construindo o Carolina: Metadados de Proveniência e Tipologia em um Corpus do Português Brasileiro Contemporâneo</bold>, Marcelo Finger, Maria Clara Paixão de Sousa, Cristiane Namiuti, Vanessa Martins do Monte, Aline Silva Costa, Felipe Ribas Serras, Mariana Lourenço Sturzeneker, Miguel de Mello Carpi, Mayara Feliciano Palma e Gabriela Alves Lachi descrevem o processo de construção do Carolina, grande corpus aberto de português brasileiro em desenvolvimento desde 2020, pela via do PLN. O artigo detalha os desafios de proveniência, tipologia e metadados segundo padrões internacionais, uma lição metodológica que outros repositórios nacionais também precisam aprender, e posiciona o projeto como resposta direta ao problema da escassez de recursos textuais representativos do português em sistemas de IA.</p>
      <p id="paragraph-7ee135211b177b1703b83c2c41afe09f">A perspectiva internacional é trazida em <bold id="bold-4">Sharing and Preserving Sociolinguistic Corpora on the U.S.-Mexico Border</bold>, de Katherine Christoffersen, Isabella Calafate, Julio Ciller, Ana Carvalho, Ryan Bessett, Brandon Martinez, Hannia Rojas Barreda, William Flores e Richard Quiroz, que apresentam dois corpora do espanhol na fronteira EUA-México – o CESA e o CoBiVa – como estudos de caso de compartilhamento por colaboração. O artigo mostra que os desafios da pesquisa brasileira são globais, e que a abertura de dados sociolinguísticos impacta diretamente acessibilidade, reprodutibilidade e democratização do conhecimento. A solução colaborativa que os autores propõem ecoa o modelo de articulação interinstitucional que a Plataforma da Diversidade Linguística Brasileira busca implementar.</p>
      <p id="paragraph-c807b1e3083c5c62dafb72c16f83ed73">Do plano da disponibilização, o dossiê passa para o plano do reuso e da comparabilidade. Em <bold id="bold-5">Meta-análise dos estudos de negação verbal nas Regiões Nordeste e Sudeste: investigação da relevância dos condicionamentos sociais</bold>, Pedro Henrique Sousa dos Santos e Elyne Giselle de Santana Lima Aguiar Vitório apresentam um estudo de uma meta-análise de trabalhos sobre negação verbal nas regiões Nordeste e Sudeste do Brasil. O artigo expõe as dificuldades de realizar este tipo de análise em função da falta de padronização metodológica entre os bancos de dados sociolinguísticos, o que limita as comparações regionais. No escopo do dossiê, o artigo mostra que, sem interoperabilidade entre coleções, a sociolinguística brasileira continuará produzindo ilhas de conhecimento. Ainda sobre a negação, em <bold id="bold-6">Negativas: um protótipo para a busca e classificação de negação sentencial em dados de fala, </bold></p>
      <p id="paragraph-6">Túlio Sousa de Gois e Paloma Batista Cardoso, que descrevem o negativas, ferramenta para identificação automática das três posições da negação verbal no português brasileiro em dados de fala transcritos, aplicada ao banco Falares Sergipanos com taxa de acerto de 93%. Apesar da alta taxa de acerto, o artigo evidencia que o avanço do PLN em língua portuguesa depende de dados linguísticos curados por especialistas; a contribuição da Sociolinguística ao PLN revela-se bidirecional e necessária.</p>
      <p id="paragraph-7">O dossiê se encerra com a apresentação da <bold id="bold-7">Plataforma da Diversidade Linguística Brasileira</bold> como proposta submetida à chamada do CNPq para Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs). A proposta assume a diversidade linguística do Brasil como patrimônio científico e cultural – mais de 250 línguas, além do português e de suas variedades – à necessidade de dados estruturados e etiquetados por linguistas para modelos de língua em larga escala (LLM) representativos, e o papel de uma infraestrutura nacional integrada para transformar o esforço disperso de documentação em recurso estratégico para a soberania digital. A Plataforma da Diversidade Linguística Brasileira é a resposta institucional a uma demanda formulada desde as décadas de 1960 a 1990 (Freitag, a sair) e construída coletivamente desde 2018 pelo GT de Sociolinguística da ANPOLL e pela Comissão de Sociolinguística da ABRALIN, com marcos no 1º Fórum Internacional em Sociolinguística (2019), no 12<sup id="superscript-1">o</sup> InterAb (Machado-Vieira et al., 2022), no Festival de Conhecimento da UFRJ (2021) e no Abralin em Cena 17 (2023) que deu origem a este dossiê.</p>
      <p id="paragraph-8">Tomados em conjunto, os artigos deste dossiê mostram que a abertura, o compartilhamento, a salvaguarda e a reutilização de dados linguísticos são condições para que a diversidade linguística brasileira não seja invisibilizada na era dos algoritmos. A relevância deste dossiê transcende os limites da comunidade linguística.</p>
      <p id="paragraph-9">O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024-2028 define como uma de suas metas estratégicas o desenvolvimento de LLMs em português, “com dados nacionais que abarcam nossa diversidade cultural, social e linguística, para fortalecer a soberania em IA”. Assim, os dados linguísticos produzidos pela pesquisa científica brasileira são insumos estratégicos para o desenvolvimento tecnológico nacional. A linguística, com sua longa tradição de documentação rigorosa da diversidade linguística, tem a responsabilidade de liderar a curadoria especializada sem a qual nenhum LLM representará adequadamente o Brasil.</p>
      <p id="paragraph-10">O protagonismo das associações científicas é central nesse processo. A ABRALIN e o GT de Sociolinguística da ANPOLL se posicionam como agentes institucionais que articulam a comunidade, pautam a agenda científica e constroem pontes com órgãos governamentais, agências de fomento e redes de infraestrutura de pesquisa. A trajetória que levou ao <italic id="italic-35f3ac77c991af3a21f65b7d9657acfe">Abralin em Cena 17</italic>, desde o 1º Fórum Internacional em Sociolinguística (2019) à proposta à chamada CNPq/SECTICS/CAPES/FAPs Nº 46/2024 – Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia – INCT (aprovada no mérito, mas fora da faixa de financiamento), é o resultado da organização coletiva da comunidade científica para enfrentar um desafio que nenhuma instituição isolada poderia resolver. Sem iniciativas como essa, os dados linguísticos brasileiros continuarão dispersos; a Plataforma da Diversidade Linguística Brasileira estrutura um projeto nacional de salvaguarda e compartilhamento de dados. É esse protagonismo associativo, ainda raro no cenário científico brasileiro, que este dossiê também registra e celebra.</p>
      <p id="paragraph-11">Por fim, este dossiê cumpre também uma função formativa. Grande parte da comunidade linguística brasileira ainda não está familiarizada com os procedimentos e protocolos da Ciência Aberta, que envolve planos de gestão de dados, esquemas de metadados, licenças de uso, identificadores persistentes, pré-registro de análises e repositórios abertos. A publicação na revista <italic id="italic-52363409dac858795db7e0fa55011b7d">Cadernos de Linguística</italic> também cumpre um papel educativo, contribuindo para a formação de uma cultura de Ciência Aberta na área de Linguística, e preparando pesquisadoras e pesquisadores para as exigências crescentes das agências de fomento, dos editores científicos e das políticas de dados de pesquisa. Assim, publicar sobre compartilhamento de dados linguísticos em um periódico que é, ele mesmo, um exemplo de prática aberta é uma escolha propositiva: os artigos reunidos neste dossiê não apenas discutem a Ciência Aberta, como também a colocam praticam. A Plataforma da Diversidade Linguística Brasileira é o projeto que propõe tornar esse caminho infraestrutura permanente.</p>
    </sec>
  </body><back/></article>
