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        <article-title><bold id="bold-a8837df0568d8f0be410e5a605f274b5">TOPONÍMIA DE INFLUÊNCIA INDÍGENA</bold> NOS BAIRROS DE BELO HORIZONTE</article-title>
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      <issue-title>Linguística na Contemporaneidade: Desafios, Debates e Propostas</issue-title>
      <elocation-id>10.25189/2675-4916.2020.V1N2ID149</elocation-id>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Os estudos toponímicos na cidade de Belo Horizonte oferecem interessantes possibilidades de pesquisa pelo fato de a capital mineira ter sido inicialmente planejada e construída em um curto período de tempo e, posteriormente, ter apresentado grande crescimento territorial e demográfico, desenvolvendo-se sob distintas influências ao longo das décadas seguintes. Na toponímia, uma dessas influências é a do léxico de origem indígena. Neste trabalho, investiga-se, a partir<bold id="bold-1"> </bold>de uma perspectiva léxico-toponímica, a influência de línguas indígenas brasileiras na adoção dos nomes dos bairros belo-horizontinos. Foram analisados os nomes atuais de todos os 512 bairros da capital mineira, identificando aqueles que possuem algum elemento lexical de origem indígena em sua formação. Realizaram-se, então, análises etimológica e morfológica desses topônimos, os quais foram classificados de acordo com uma proposta de taxonomia toponímica. Efetuou-se ainda uma análise da representatividade dos topônimos com influência indígena no território da cidade, por meio da qual se demonstrou que cerca de um sétimo da cidade de Belo Horizonte está em bairros cujos nomes possuem pelo menos um item lexical de origem indígena. Este trabalho contribui, assim, para as pesquisas sobre a toponímia belo-horizontina e, de maneira mais geral, para os estudos em toponímia de origem indígena no Brasil.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-834aed79f4892d22d0ae60f1a8f731f4">Toponymic studies in the city of Belo Horizonte offer interesting possibilities of research because the capital of Minas Gerais was initially planned and built in a short period of time and, subsequently, it presented great territorial and demographic growth, developing itself under different influences over the next decades. In its toponymy, one of these influences is the lexicon with indigenous origin. In this work, we investigate, from a lexical-toponymic perspective, the influence of Brazilian indigenous languages ​​in the adoption of the names of Belo Horizonte neighborhoods. The current names of all 512 neighborhoods of the capital of Minas Gerais were analyzed, and those that include some lexical element with indigenous origin in their formation were identified. Then, etymological and morphological analyses of these toponyms were carried out, and they were classified according to a proposal of toponymic taxonomy. We also analyzed the representativeness of toponyms with indigenous influence in the territory of the city, and we demonstrated that about one seventh of the city of Belo Horizonte lies in neighborhoods whose names have at least one lexical item with indigenous origin. This work thus contributes to the research on the toponymy of Belo Horizonte and, more broadly, to the studies on indigenous toponymy in Brazil.<bold id="bold-2"/></p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Toponímia Urbana</kwd>
        <kwd content-type="">Léxico Indígena em Português</kwd>
        <kwd content-type="">Belo Horizonte</kwd>
      </kwd-group>
    <pub-date pub-type="epub"><day>03</day><month>11</month><year>2020</year><volume>1</volume></pub-date></article-meta>
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    <sec id="heading-ac5b9ebaf5848a2aebfab7263fa7a046">
      <title>Introdução</title>
      <p id="heading-1d0c6692faff8766ec7536204e1ea5c6">Por meio da toponímia – isto é, “a parte da lingüística que se ocupa da origem dos nomes de lugares, de suas relações com a língua do país, com as línguas de outros países ou com línguas desaparecidas” (DUBOIS et al., 1986, p. 590) – é possível analisar as influências de diversas línguas e culturas na nomeação dos territórios, contribuindo, assim, para a compreensão e a ampliação da consciência coletiva acerca dos processos etnolinguísticos e histórico-culturais referentes às localidades em questão. Embora grande parte dos estudos toponímicos se dedique à investigação de nomes atribuídos a acidentes geográficos, como rios e montanhas, ou ainda ao estudo de nomes dados a assentamentos humanos, como povoados e cidades, a crescente urbanização tem tornado cada vez mais relevante a pesquisa toponímica no âmbito interno de grandes metrópoles. Nesse contexto, diversos trabalhos têm se dedicado à análise sobretudo de nomes de ruas, mas também de outros elementos do território urbano, como edifícios, praças e bairros.</p>
      <p id="paragraph-de355f459f8092066af6a9568d823988">A capital do estado de Minas Gerais, Belo Horizonte, oferece interessantes possibilidades para os estudos em toponímia urbana no Brasil. O fato de ter sido uma cidade planejada e construída em um curto espaço de tempo, ao final do século XIX, motivou a necessidade de adoção de uma grande quantidade de nomes de ruas e bairros em um período muito reduzido, refletindo diretamente os interesses da época. No entanto, a maior parte da área atualmente coberta pela metrópole mineira não corresponde ao traçado planejado inicialmente, mas a etapas posteriores de expansão, com ruas e bairros tendo seus nomes atribuídos em diferentes momentos e sob distintas influências ao longo dos séculos XX e XXI. A influência do léxico indígena, uma daquelas percebidas na toponímia belo-horizontina, é claramente identificável, por exemplo, a partir da análise dos etnotopônimos (topônimos relativos a povos e grupos étnicos) em um grande número de ruas que compõem a região central, planejada, da cidade – como é o caso, por exemplo, da Rua dos Carijós, da Rua dos Goitacazes e da Rua dos Tupis. Entretanto, essa influência é aparentemente menos evidente nos topônimos referentes aos bairros da cidade.</p>
      <p id="paragraph-26cbbc7b5bdbf7192bac14ab1b7e90ce"> Este trabalho possui como principal objetivo contribuir para a compreensão da influência do léxico de origem indígena na toponímia de Belo Horizonte, demonstrando, a partir de uma pesquisa linguística de caráter léxico-toponímico, a influência de línguas indígenas brasileiras na adoção dos nomes dos bairros belo-horizontinos. Foram analisados os nomes atuais de todos os bairros da capital mineira, obtidos por meio de fontes oficiais e desconsiderando o fato de que alguns bairros tiveram seus nomes alterados com o passar do tempo. Aqueles com algum item lexical de origem indígena foram então selecionados e analisados sob as perspectivas etimológica e morfológica. Finalmente, a partir desse levantamento e do cruzamento com dados de distribuição populacional e territorial, foi possível fornecer informações relativas à fração da população residente em bairros cujos nomes possuem influência indígena e à área da cidade compreendida por esses bairros, permitindo tecer reflexões acerca da representatividade dessa influência na toponímia de Belo Horizonte.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-3f96e6ccac72087cf933ae72fa0db02b">
      <title>1. Fundamentação teórico-metodológica e trabalhos relacionados</title>
      <p id="heading-03e85b97ceb02056027dad81d2982412">Este estudo baseia-se, sobretudo, no aparato teórico-metodológico apresentado por Dick (1990a, 1990b, 2006, 2007) e por Seabra (2004). Segundo Dick (2007), os estudos toponímicos permitem a identificação de características físicas e de influências socioculturais dos locais que nomeiam. Além disso, “o designativo toponímico [isto é, o topônimo propriamente dito] (...) passa a incorporar, ele próprio, as características do espaço que nomea (<italic id="italic-2aaef698533fc73beb6c36012dcebe06">sic</italic>)”, de forma que “<italic id="italic-2">nome e coisa nomeada</italic> passam a significar o mesmo dado, do ponto de vista semântico” (p. 144, grifo no original). Mesmo após um processo de esvaziamento semântico dos topônimos, que pode ocorrer “pela distância entre o uso da forma e do local e a época do aparecimento ou de sua criação” (DICK, 2007, p. 145), é trabalho do pesquisador a busca pela recuperação da origem desses topônimos – ainda que esteja, muitas vezes, “perdida no tempo”. Seabra (2004) acrescenta que “a língua se evidencia como parte da cultura de uma sociedade e que é através do sistema lingüístico, mais especificamente do seu léxico, que os indivíduos se expressam e expressam seus valores, construindo a sua história” (SEABRA, 2004, p. 28). A autora certifica ainda que, ao se contemplar a dimensão social da língua, o léxico pode ser considerado um “patrimônio cultural de uma comunidade” e que</p>
      <p id="paragraph-19a43a1d1f35f505fcb8cd096bfb0eca"/>
      <p id="paragraph-2f57ceb05d8223414eeb5faf7168e0a7">o patrimônio lexical de uma língua constitui um arquivo que armazena e acumula as aquisições culturais representativas de uma sociedade, refletindo percepções e experiências multiseculares de um povo, podendo, por isso, ser considerado testemunho de uma época, <italic id="italic-8b9083203bcb92b69a1f5011c7a01e9e">mots-témoins</italic>. (SEABRA, 2004<xref id="xref-2934798506c3b75b830bbcb8fcd4f0c6" ref-type="bibr" rid="thesis-ref-f38427d1df8c354a2ea5f2807da55fdc">[1]</xref>, p. 29, grifo no original)</p>
      <p id="paragraph-fdeeb66cc672bdc5cf09a8296928913b"/>
      <p id="paragraph-2b9056f636b0ce39d278d37bca98fce5">Os estudos toponímicos possibilitam resgates históricos e culturais acerca dos locais que nomeiam – o que ocorre, segundo Cordeiro e Seabra (2017), devido à intencionalidade no processo de atribuição de nomes a lugares. Na mesma linha, Curvelo-Matos (2014) explicita que o estudo dos topônimos pode apontar elementos reveladores de aspectos sociais, políticos e religiosos de quem os nomeou e da época em que foram nomeados. Com este trabalho, pretende-se, assim, contribuir não apenas para o enriquecimento do conhecimento linguístico acerca dos nomes dos bairros de Belo Horizonte, mas também como suporte para o fortalecimento das identidades e de sentimentos de pertencimento locais.</p>
      <p id="paragraph-fcec8456bdc387c478034570d41da20e">Uma série de trabalhos já abordou temas relacionados aos considerados neste artigo. Dentre o elevado número de estudos que se debruçaram sobre a toponímia de influência indígena no Brasil, destacamos as publicações de Cordeiro e Seabra (2017) sobre a litotoponímia de origem indígena em Minas Gerais; os artigos de Melo (2013) e de Siqueira e David (2014), que estudam topônimos de origem tupi, respectivamente, nos estados de Alagoas e Goiás; a tese de doutorado de Andrade (2006), que apresenta um atlas contendo topônimos de origem indígena no estado do Tocantins (Projeto ATITO); a dissertação de mestrado de Santos (2012) sobre a toponímia colonial em Sergipe Del Rey nos séculos XVI e XVII, que analisa a dinâmica de nomeação e de aceitação de topônimos indígenas em um contexto de contato entre colonos portugueses e nativos; e o artigo produzido por Saraiva, Carvalho e Diniz (2006) acerca dos topônimos indígenas em ruas do centro de Belo Horizonte. Por outro lado, o número de trabalhos sobre topônimos referentes a bairros de cidades brasileiras é consideravelmente menor. Dentre eles, salientamos as teses de doutorado de Di Tizio (2009) e de Curvelo-Matos (2014), que analisam, respectivamente, nomes de bairros de Santo André (SP) e de São Luís (MA); e a dissertação de mestrado de Misturini (2014), na qual se investiga a toponímia dos bairros de Bento Gonçalves (RS).</p>
    </sec>
    <sec id="heading-b200c5d8b0269c49f07a630b43c5ccc1">
      <title>2. Metodologia</title>
      <p id="heading-c42529d04c3bdb4a4a2a10d99dab6f42"> Para a realização deste trabalho, foram analisados os nomes atuais de todos os 512 bairros de Belo Horizonte listados na tabela “População residente e densidade demográfica por bairro, território de gestão compartilhada e regional” (PBH, 2010), fornecida pela Prefeitura de Belo Horizonte e que toma como fonte dados do IBGE. A pesquisa prosseguiu com a execução das seguintes etapas: (a) identificação dos topônimos contendo itens linguísticos de origem indígena; (b) análise etimológica e morfológica dos topônimos contendo elementos de origem indígena; (c) preenchimento de fichas lexicográfico-toponímicas referentes aos topônimos com influência indígena; (d) análise da representatividade da influência indígena na toponímia de Belo Horizonte.</p>
      <sec id="heading-8bb781b4aa3b3d4eee01b9ed63157abb">
        <title>2.1. Etapa (a): identificação dos topônimos contendo itens linguísticos de origem indígena</title>
        <p id="heading-2498fc0609529a96dcacba20dd75af93">O critério empregado para a definição de “influência indígena” nos topônimos estudados foi a presença de qualquer elemento linguístico que tivesse como origem uma língua indígena brasileira<xref id="xref-a589c7a728796566ea71a6c7862d7028" ref-type="fn" rid="footnote-72f69fcc1f5cec7d68cf04654357bdaf">1</xref> – excluindo-se, assim, topônimos como Copacabana (provavelmente de origem aimará, língua falada na região andina) do corpo de análise. A admissão de topônimos que possuíssem qualquer elemento de origem indígena significa que foram incluídos na análise não apenas topônimos cuja etimologia fosse integralmente indígena (como Acaiaca), mas também aqueles gerados a partir de derivação sobre raiz indígena (como Mangabeiras [raiz tupi <italic id="italic-4c293f10b31556268388936c257af70c">mangaba</italic> + sufixo português <italic id="italic-cb32c3dd5af9a983a625133427acfa13">-eira</italic> + desinência de plural <italic id="italic-3">-s</italic>]), ou até mesmo topônimos compostos híbridos (como Jardim Guanabara, que possui um elemento de origem portuguesa e outro de origem indígena).</p>
        <p id="paragraph-2">Em uma primeira análise dos 512 nomes de bairros listados pelo IBGE, foram já descartados todos aqueles que claramente não possuem influência indígena em sua composição (por exemplo: Centro, Cruzeiro, Olhos d’Água, União etc.). Em seguida, foi realizada a verificação da possível influência indígena nos topônimos restantes por meio de pesquisa lexicográfica em dicionários de língua portuguesa, dicionários etimológicos, dicionários de tupi antigo e enciclopédias<xref id="xref-9d75b5ac9a01a2c15f8b9ef17b6e0ff4" ref-type="fn" rid="footnote-85ed67e673393f5f0049b0c433d83a41">2</xref>. Aqueles topônimos em que a influência indígena se confirmou foram incluídos no corpo final de análise.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-d8a4cae4f78b258dde6d02a41c4062fa">
        <title>2.2. Etapa (b): análise etimológica e morfológica dos topônimos</title>
        <p id="heading-473f1461fece4f35baa9a756399cb528">Os topônimos selecionados na etapa (a) foram, então, analisados nos âmbitos etimológico e morfológico. Do ponto de vista etimológico, buscou-se identificar o significado, em língua indígena, dos itens linguísticos de origem indígena contidos nos topônimos investigados. A identificação desses significados permitiu ainda que fosse realizada a categorização taxonômica desses topônimos de acordo com a proposta classificatória apresentada por Dick (1990b, p. 31-34), que toma a natureza semântica dos elementos que compõem os topônimos como referência de classificação, e conforme descrição posterior de Seabra (2004). Do ponto de vista morfológico, o objetivo foi o de evidenciar as estruturas morfológicas dos topônimos, fossem eles simples ou compostos.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-212144f0a7e8795f01b8023ecd5185a7">
        <title>2.3. Etapa (c): preenchimento de fichas lexicográfico-toponímicas</title>
        <p id="heading-2505ce5a48129d82743f57f3ec897247">A partir das informações obtidas na etapa (b), procedeu-se ao preenchimento de fichas lexicográfico-toponímicas de todos os nomes de bairros que compõem o corpo de análise. Segundo Seabra (2004), “[a] ficha lexicográfica pode ser descrita como um conjunto estruturado de informações sobre um topônimo, objetivando explicitá-lo e classificá-lo” (p. 47). São úteis, portanto, para organizar os dados obtidos, facilitando seu arquivamento e sua posterior recuperação. As fichas lexicográfico-toponímicas elaboradas no âmbito deste trabalho seguem a configuração apresentada no Quadro 1 e incluem informações de natureza taxonômica, geográfica, etimológica e morfológica.</p>
        <fig id="figure-panel-c20b99ca91af13cc2dd153acb8102313">
          <label>Figure 1</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-108f2385a590209440ee030fcf67ebc8">Quadro 1</bold>. Exemplo de ficha lexicográfico-toponímica utilizada no âmbito deste estudo. O item “Regional” refere-se à administração regional de Belo Horizonte em que o bairro se localiza.</title>
            <p id="paragraph-acc2610aabd32063eb9685a083e63206"/>
          </caption>
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        </fig>
        <p id="paragraph-96dbdb1fbcfeaa836e62e6e05b2f565b">O significado e a etimologia dos itens de origem indígena contidos nos topônimos foram consultados, em primeiro lugar, no “Dicionário Houaiss da língua portuguesa” (HOUAISS; VILLAR, 2001), que traz informações etimológicas; no “Dicionário histórico das palavras portuguesas de origem tupi” (CUNHA, 1998); e no “Dicionário tupi (antigo)-português” (CARVALHO, 1987). Houaiss e Villar (2001) tomam como uma de suas referências Cunha (1998), motivo pelo qual as informações contidas nessas duas obras são, em geral, muitos semelhantes entre si ou até mesmo idênticas. Por essa razão, foram incluídas, nas fichas lexicográfico-toponímicas, apenas as informações de Houaiss e Villar, omitindo as de Cunha. Sempre que disponíveis, as informações fornecidas por Carvalho (1987) também foram adicionadas. Nos casos em que o verbete não foi incluído por Carvalho, ou então quando há divergências entre as informações fornecidas por Carvalho e aquelas fornecidas por Houaiss e Villar, foram incluídas também informações obtidas em duas edições da obra “O tupi na geografia nacional” (SAMPAIO, 1901, 1987 [1901]), quando disponíveis, e/ou em outras fontes. Informações de Sampaio foram incluídas também quando julgou-se que elas complementariam de maneira relevante os dados anteriormente fornecidos.</p>
        <p id="paragraph-d8098fd70eeeecb41720f0eb90d7a2b8"> No campo “estrutura do topônimo”, cada topônimo foi classificado como simples (“que se faz definir por um só formante (...), podendo, contudo, se apresentar também acompanhado de sufixações” (DICK, 1990b, p. 13)) ou composto (“que se apresenta com mais de um elemento formador” (DICK, 1990b, p. 13)). Complementarmente, o topônimo pode ainda ser classificado como híbrido (“que recebe em sua configuração elementos linguísticos de diferentes procedências; a formação que se generalizou no país é a portuguesa + indígena ou a indígena + portuguesa” (DICK, 1990b, p. 14)).</p>
      </sec>
      <sec id="heading-9a9df277cc2c2fabf47bb3849da878de">
        <title>2.3. Etapa (d): análise da representatividade da influência indígena na toponímia</title>
        <p id="heading-518fe8f9762d02e89f2ea293448b4694">Por fim, avaliou-se a representatividade da influência indígena na toponímia belo-horizontina por meio da análise de dados referentes aos bairros identificados na etapa (a). Baseando-se nas informações disponibilizadas pelo IBGE, foram consideradas tanto as áreas que esses bairros ocupam no território de Belo Horizonte quanto suas populações.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-680d138144e6b76f8c8aaffcb66852d4">
      <title>3. Resultados e discussão</title>
      <sec id="heading-ef839f7d50fb60a99dca428994e7f5df">
        <title>3.1. Análise dos topônimos</title>
        <p id="heading-2631a4cdc3cea0227a2ce8a3e06f7bda"> Após a execução da etapa (a) (Seção 3.1), o tamanho do corpo de análise passou de 512 para 57, indicando que os nomes de bairros com influência de línguas indígenas brasileiras correspondem a 11,1% do total de bairros de Belo Horizonte. No Quadro 2, estão elencados esses 57 topônimos, agrupados de acordo com o item lexical de origem indígena neles contidos (exemplo: os topônimos Sumaré e Vila Sumaré foram ambos reunidos junto ao item “Sumaré”). No quadro, constam ainda informações resumidas das fichas descritas na Seção 3.3, que não puderam ser inteiramente reproduzidas aqui por limitações de espaço.</p>
        <p id="paragraph-b01ee864b53af458adda392f075a73fc">É importante ressaltar que, no caso dos topônimos compostos, as classificações taxonômico-toponímicas adotadas aqui levam em consideração todas as lexias presentes nos topônimos – isto é, a classificação não é feita apenas a partir da análise do primeiro elemento, tampouco a partir da análise do (provável) elemento mais significativo do ponto de vista sócio-histórico (conforme realizado em diversos outros trabalhos), mas a partir da análise de todos os elementos que compõem o topônimo em questão. Ao discutir a problemática relacionada à taxonomia de topônimos, Aguilera (1999) explica a proposta, adotada aqui, de se utilizar um sistema classificatório que contemple todos os elementos do topônimo:</p>
        <p id="paragraph-4313976115d298b894912696711d2d15"/>
        <p id="paragraph-ca16bd81e0b88b389391cc0fc4283b59">Outra sugestão seria propor uma taxe especial que contemplasse todos os elementos do nome (Lima, 1998) e então teríamos taxionomias do tipo geomorfo-hagiotopônimo (para Porto Natal), geomorfozootopônimo (para Barra do Jacaré) e numerogeotopônimo<xref id="xref-f2e618ced4323b4596d2414c81d21d2a" ref-type="fn" rid="footnote-10494f711ad987f549e6a1a9d753b16f">3</xref> (para Quatro Barras). (AGUILERA, 1999<xref id="xref-9020ba38f0f9bff0211c9a5218c4d6da" ref-type="bibr" rid="magazine-article-ref-67684a7460155ba5b3ef3c74c34f950a">[2]</xref>, p. 131-132)</p>
        <p id="paragraph-e1680b4396106db42426dbe37a863bd3"/>
        <fig id="figure-panel-d389a67bc86254cc627eb2005da78347">
          <label>Figure 2</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-19d8a31d5dc9a11ce696d6b50759de72">Quadro 2</bold>. Informações lexicográfico-toponímicas acerca dos nomes de bairros de Belo Horizonte contendo itens lexicais de origem indígena. As referências às principais fontes consultadas são: [1] Houaiss e Villar (2001) (frequentemente baseada em Cunha (1998)); [2] Carvalho (1987); [3] Sampaio (1987 [1901]); e [4] Sampaio (1901).</title>
            <p id="paragraph-747a07fe5455644ce84784a45a2a190d"><bold id="bold-17a713ccfde09a7198deabab41632603">Quadro 2</bold> - Parte 1</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-46402a02b3467707af55eb8aa08940eb" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="1_3.jpg"/>
        </fig>
        <fig id="figure-panel-8788b0073d02a2e4d4c3870519b8d776">
          <label>Figure 3</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-deb45e04aaaabcea93d6e9e7d5383182">Quadro 2</bold>. Informações lexicográfico-toponímicas acerca dos nomes de bairros de Belo Horizonte contendo itens lexicais de origem indígena. As referências às principais fontes consultadas são: [1] Houaiss e Villar (2001) (frequentemente baseada em Cunha (1998)); [2] Carvalho (1987); [3] Sampaio (1987 [1901]); e [4] Sampaio (1901).</title>
            <p id="paragraph-ac2641fe150b6d76715235bf86c183c6"><bold id="bold-483a28382e8247acfdff2f34fdbf6c50">Quadro 2</bold> - Parte 2</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-003b9cd9b9ac272a213cc56abea3ca12" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="2_2.jpg"/>
        </fig>
        <fig id="figure-panel-1aeb877d3dbfb2e2e74ddb206048caae">
          <label>Figure 4</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-f97624f5ce4345d2a4b8189e26cb1a39">Quadro 2</bold>. Informações lexicográfico-toponímicas acerca dos nomes de bairros de Belo Horizonte contendo itens lexicais de origem indígena. As referências às principais fontes consultadas são: [1] Houaiss e Villar (2001) (frequentemente baseada em Cunha (1998)); [2] Carvalho (1987); [3] Sampaio (1987 [1901]); e [4] Sampaio (1901).</title>
            <p id="paragraph-2c39e7d883ca71707881fc7a091e1209"><bold id="bold-fb4e03c1aa60d7ec6cb91fa11f57d8e7">Quadro 2</bold> - Parte 3</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-a29b773b1b6e2cbc116bdd3aed08cb6c" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="3_2.jpg"/>
        </fig>
        <fig id="figure-panel-09b4a72bbb5d379485fd09ae9af29529">
          <label>Figure 5</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-062ecbb3357fe841f0f2f61fa0d48242">Quadro 2</bold>. Informações lexicográfico-toponímicas acerca dos nomes de bairros de Belo Horizonte contendo itens lexicais de origem indígena. As referências às principais fontes consultadas são: [1] Houaiss e Villar (2001) (frequentemente baseada em Cunha (1998)); [2] Carvalho (1987); [3] Sampaio (1987 [1901]); e [4] Sampaio (1901).</title>
            <p id="paragraph-f13b206c4e03f753a074692b459b35a1"><bold id="bold-c3a9332607b84a0610fdee7a899d331f">Quadro 2</bold> - Parte 4</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-c5b62a8bbab2ce967086d11a3e65290c" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="4_2.jpg"/>
        </fig>
        <fig id="figure-panel-9e3c290e83cba4ff52dfb07633c0c0e7">
          <label>Figure 6</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-73e1e9fb437f04a1eb4e61254ecd2002">Quadro 2</bold>. Informações lexicográfico-toponímicas acerca dos nomes de bairros de Belo Horizonte contendo itens lexicais de origem indígena. As referências às principais fontes consultadas são: [1] Houaiss e Villar (2001) (frequentemente baseada em Cunha (1998)); [2] Carvalho (1987); [3] Sampaio (1987 [1901]); e [4] Sampaio (1901).</title>
            <p id="paragraph-1d01d27c8dad166a6a4224fa5a6bd35e"><bold id="bold-27815918f0afc9c2d65fc5f14bf39359">Quadro 2</bold> - Parte 5</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-ae53e09992a404b7fd4845f36ee44af1" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="5_2.jpg"/>
        </fig>
        <p id="paragraph-396a1976c41aa5c22cd4817b04e73296">É importante observar que, naturalmente, a classificação taxonômica toponímica proposta na tabela diz respeito ao topônimo como um todo, o que em muitos casos não corresponde diretamente ao significado do item lexical de origem indígena. Dois exemplos são os topônimos: Mala e Cuia, classificado como um dirrematotopônimo devido à existência dessa expressão fixa em língua portuguesa<xref id="xref-3a06f08575d18d41b66c5af7fc0c22af" ref-type="fn" rid="footnote-e415178ce510c3fbcc38687b6fd3162e">4</xref>, não diretamente relacionada ao significado do termo “cuia”, quando tomado isoladamente; e Goiânia, classificado como um corotopônimo pois refere-se à cidade de Goiânia e não ao grupo indígena dos guaiás/goiás.</p>
        <p id="paragraph-cfc5e399a8fbb6e889e4b8383770fb30">Dentre os 38 itens lexicais de origem indígena contidos nos topônimos avaliados, é notável a preponderância de referências a elementos da natureza. Destes, ao menos 14 (36,8%) certamente<xref id="xref-19e5fce7193f6054f59e8c263aef1221" ref-type="fn" rid="footnote-a070efc14c3535a0e1f857844c2cb80d">5</xref> possuem alguma referência a vegetais (acaiacá, andiroba, braúna, buriti, cuia, imbaúba, indaiá, ipê, jatobá, manacá, mangaba, pindorama, sumaré, taquari) e ao menos 8 (21,1%) certamente possuem alguma referência a animais (araguaia, bacurau, grajaú, jacuí, paquetá, pirajá, piratininga, sabiá). Há ainda aqueles que se referem a elementos hidrográficos, geomorfológicos, do solo etc. São menos comuns os itens lexicais de origem indígena de natureza antropocultural – sendo mais frequentes, entre estes, os que se referem a grupos étnicos (corumbiara, goiás, guarani, tupi) e a elementos do mundo material ou a construções (caiçara, cuia, maloca, pirajá<xref id="xref-5849a74124ff1a2eab40ec32fff75182" ref-type="fn" rid="footnote-5e9b5ef031086c518f04f958581732f6">6</xref>).</p>
        <p id="paragraph-889f9ac0bfe0f32cef4caa6ce0a0760b"> No que se refere à estrutura morfológica dos topônimos, 33 (57,9%) deles são classificados como simples e 24 (42,1%) como compostos. Dentre os simples, oito (24,2%) são híbridos, isto é, possuem em sua estrutura morfológica não apenas a lexia de origem indígena, mas também pelo menos um elemento de origem não indígena. Nestes, em sete casos (87,5%) há a presença da desinência de plural típica do português, o ­<italic id="italic-5686def1f55165f36bed7beb0befa123">-s</italic>; em dois casos<xref id="xref-73ad2aa3394b8dba48e98b72e7103b4c" ref-type="fn" rid="footnote-5bc2a3755e575f350bdcd1d61161c90d">7</xref> (25%) está presente, além do <italic id="italic-7234c95cf31f05b0f36431625936b9d2">-s­</italic>, também o sufixo <italic id="italic-a4cf4dd9aa3521edde6cac46e16ec6e8">-eira</italic>, que exprime a ideia de árvore que produz determinado fruto; e em um caso (12,5%) há o sufixo <italic id="italic-4">-ânia</italic>, utilizado com a ideia de ‘terra de’. Já entre os topônimos compostos analisados, todos são híbridos, pois são formados pelo elemento de origem indígena e por um ou mais itens lexicais de origem não indígena. Dentre esses itens lexicais de origem não indígena, o principal destaque é o substantivo “vila”, que surge em dez (41,7%) dos topônimos compostos; em seguida, “conjunto” e “jardim” aparecem, cada um, em dois (8,3%) dos topônimos compostos analisados.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-8b5656c961b454a11be4bb54ff02d0c1">
        <title>3.2. Análise da representatividade dos topônimos com influência indígena em Belo Horizonte</title>
        <p id="heading-c77e366ad152b185920bf199ea774d9d">Belo Horizonte cobre uma área correspondente a 331,4 km², com uma população estimada de 2.512.070 habitantes em 2019 (IBGE, 2019). A partir do levantamento realizado neste trabalho e do cruzamento com os dados disponibilizados pela Prefeitura de Belo Horizonte (2010), constatou-se que os bairros cujos nomes possuem algum item de origem indígena ocupam cerca de 46 km² do território da capital mineira – isto é, aproximadamente 13,9% da área total da cidade. Além disso, o número total de habitantes desses bairros ultrapassa 320 mil pessoas, correspondendo a 13,6% da população da metrópole.</p>
        <fig id="figure-panel-92e3c0b8e221fd3f25ec7fd6b0a6fb96">
          <label>Figure 7</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-0af0b53e06abd1e1635baef93d234457">Tabela 1</bold>. População e área (km²) dos bairros cujos nomes possuem influência indígena, separados por regional</title>
            <p id="paragraph-8ffc80e22a19ca39b5cfa6fd3779519b"/>
          </caption>
          <graphic id="graphic-cf7c60a8df0e202493727de6edb4a2e1" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="t1_2.jpg"/>
        </fig>
        <p id="paragraph-42d8c1a58a5963e505bac88e3969affc">Esses dados demonstram que cerca de um sétimo (tanto do território quanto da população) da cidade de Belo Horizonte está em bairros cujos nomes possuem influência indígena. A Tabela 1 detalha essas informações, destacando a população total por bairro e a área ocupada por cada um deles. A organização da tabela inclui a divisão dos bairros em suas respectivas regionais<xref id="xref-c5cab25c24e621cf820ae35d9aabb108" ref-type="fn" rid="footnote-9b445df923b60c5608be209683bdabb8">8</xref>.</p>
        <p id="paragraph-e557b47ca8b60d3d22ee9440a789443d">Dentro da área planejada e construída no final do século XIX – delimitada, de maneira aproximada, pelo perímetro da atual Avenida do Contorno –, não se encontra nenhum dos bairros em cujos nomes foram identificados elementos de origem indígena. A presença periférica desses bairros em relação à região central da cidade fica evidenciada por meio da observação do mapa exibido na Figura 1, que destaca, em vermelho, os bairros cujos nomes possuem influência indígena e indica, por meio de uma linha tracejada, a zona inicialmente planejada da cidade – correspondente, na atualidade, à área central.</p>
        <fig id="figure-panel-1f14e5894fb0d4e009ffabcf75f7c729">
          <label>Figure 8</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-af1e829c7cf507bacb9ba6052eb50291">Figura 1</bold>. Mapa de Belo Horizonte (gerado utilizando o software QGIS) com a identificação de suas regionais e destacando, em vermelho, os bairros cujos nomes possuem influência indígena. A linha tracejada indica, de maneira aproximada, a zona inicialmente planejada da cidade.</title>
            <p id="paragraph-df82af1d6edba71cadb00327950a1512"/>
          </caption>
          <graphic id="graphic-6e8210daa836263f82d439d0097ef6f5" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="f1_2.png"/>
        </fig>
        <p id="paragraph-6eebe06aada71569cfff303f80c7443f">O Gráfico 1 complementa as informações da Figura 1 e apresenta o percentual de bairros, por regional, em cujos nomes foram identificados itens linguísticos de origem indígena. Observa-se que a proporção de topônimos com essa característica é menor na regional Centro-Sul<xref id="xref-4e4fbe0eef24141966f46a0feaebda4b" ref-type="fn" rid="footnote-c4f090d7dc3b5de9dbdb506dd780dfaa">9</xref> – onde se encontra a zona inicialmente planejada da cidade e, de maneira geral, boa parte dos bairros com perfil socioeconômico mais alto –, na regional Oeste e na regional Leste<xref id="xref-719644aa09fb9b3432c052f7b32aaf3b" ref-type="fn" rid="footnote-1ca16197cc59d8fdabb5ef48b77e9ad7">10</xref> – que, apesar de se situar fora do perímetro da Avenida do Contorno, “é composta por bairros cujas histórias se encontram intimamente ligadas ao início de Belo Horizonte, podendo ser considerada uma das mais antigas da cidade” (SOUZA, 2009). Ao contrário, regionais mais afastadas da área central da capital mineira contam com uma proporção mais elevada de bairros cujos nomes possuem influência indígena – como é o caso das regionais Pampulha e Barreiro. Entretanto, é importante ressaltar que, em alguns casos, o número elevado de topônimos com influência indígena em uma determinada zona corresponde a um agrupamento de bairros cujos nomes são pequenas variações do nome de outro bairro, geralmente maior ou mais antigo, que ocupa aquela zona. Alguns exemplos: na regional Barreiro, cinco nomes de bairros próximos compartilham a lexia <italic id="italic-68044ddaa01ecc210f880037d8fa19f9">jatobá</italic> (CDI Jatobá, Conjunto Jatobá, Distrito Industrial do Jatobá, Jatobá e Vale do Jatobá); na regional Leste, três nomes de bairros vizinhos compartilham a lexia <italic id="italic-f6f189a72c6fdc746e49487daffc5810">taquaril</italic> (Cidade Jardim Taquaril, Conjunto Taquaril e Taquaril); e na regional Noroeste, três nomes de bairros adjacentes compartilham a lexia <italic id="italic-8d12e49abe9bf88486f9d700f329af13">caiçara</italic> (Alto Caiçaras, Caiçara-Adelaide e Caiçaras); entre outros.<bold id="bold-29d2ec2b530ffb80614c54306178a03b"/></p>
        <fig id="figure-panel-2d3d545826af43a7ae25933190beae97">
          <label>Figure 9</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-7b860890e9f86c20af5ea9ddc9df76b1">Gráfico 1</bold>. Percentual de bairros belo-horizontinos, por regional, cujos nomes possuem influência indígena. A barra em destaque indica o percentual para toda a cidade (11,1%)</title>
            <p id="paragraph-0fa833eb0f6d74e7263e8665e4d97aee"/>
          </caption>
          <graphic id="graphic-31510b4568e3f2112c5e054d06666c98" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="g1_2.png"/>
        </fig>
        <p id="paragraph-69536859a2b7fe3191503c311caf42a4">Apesar da inexistência de bairros cujos nomes possuem itens linguísticos de origem indígena na região originalmente planejada da cidade, há, nessa mesma região, diversos nomes de ruas com esse atributo. A presença da influência indígena nesse contexto é demonstrada por Saraiva, Carvalho e Diniz (2006), que analisaram os etnotopônimos de origem indígena no centro de Belo Horizonte, abrangendo as ruas com essa característica e evidenciando os interesses presentes na época do planejamento e construção da capital mineira.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-b9fd56730d3345eb9d99f4f2f326d019">
      <title>4. Conclusão</title>
      <p id="heading-420f5bc5df1df96c5b622cf794566c7d">Neste artigo, é analisada a presença de elementos lexicais oriundos de línguas indígenas brasileiras na toponímia dos bairros da cidade de Belo Horizonte. Os nomes de todos os 512 bairros da capital mineira foram examinados e identificou-se que 57 deles possuem alguma influência indígena em suas construções. A partir daí, procedeu-se às análises etimológica e morfológica desses topônimos, bem como à sua classificação taxonômica de acordo com a proposta de Dick (1990b). Por fim, foi explorada a representatividade dos nomes de bairros com itens linguísticos de origem indígena no contexto territorial e demográfico da cidade.</p>
      <p id="paragraph-8f6d00bb70674854b566938bd9c5900c"> O levantamento evidenciou que os bairros cujos nomes possuem influência indígena abrangem cerca de um sétimo da área e da população de Belo Horizonte. Além disso, foi possível identificar que nenhum desses bairros se encontra na região inicialmente planejada da cidade, o que estimula a realização de pesquisas futuras acerca das motivações para a nomeação dessas regiões. Seria enriquecedor, por exemplo, se alguns dos bairros contemplados neste artigo fossem selecionados para um estudo mais aprofundado, com a finalidade de se compreender suas histórias e, eventualmente, suas conexões com culturas indígenas – considerando que, por vezes, a toponímia está intrinsecamente ligada a fatores culturais e identitários. Outras oportunidades de prosseguimento deste estudo incluem a comparação dos resultados aqui obtidos para a cidade de Belo Horizonte com aqueles referentes a outras cidades de Minas Gerais e do Brasil, sobretudo em áreas metropolitanas cuja formação urbana seja similar, verificando até que ponto os índices de representatividade do léxico indígena na toponímia urbana variam ao redor do estado e do país.</p>
      <p id="paragraph-441e5fc91f483fbfbe395624d1db9ad7">Este estudo, de acordo com nosso entendimento, fornece subsídios para que pesquisadores e a própria comunidade (re)contem as histórias dos bairros estudados, promovendo, assim, novas possibilidades de construção do passado. Afinal, essa construção carrega consigo um grande poder político e social – um poder identitário que afeta, no presente, a todos, devido às relações simbólicas que podem formar-se entre pessoas, seus meios sociais e os ambientes físicos que elas ocupam.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-097821b71693c86e0528890199b41b6f">
      <title>Avaliação</title>
      <p id="paragraph-19f1c540e1db093f1e879894e2002b1d">AVALIADOR 1: Rogério Vicente Ferreira</p>
      <p id="paragraph-6f90a7cc7958f6c44a98fbae267b4df0">ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4308-6735</p>
      <p id="paragraph-21f341b612c587164d82405602fb320e">FILIAÇÃO: Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso do Sul, Brasil.</p>
      <p id="paragraph-0891aed0ef804a1c9347f71192e5f8e0">.</p>
      <p id="paragraph-a284dddcd85e131d959a93c06282a060">AVALIADOR 2: Cezar Alexandre Neri Santos</p>
      <p id="paragraph-ab5fdf81ec86f0c9e69cf38481b090c7">ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1021-2459</p>
      <p id="paragraph-89968c22c1ca20458c6eb626cf4b484e">FILIAÇÃO: Universidade Federal de Alagoas, Alagoas, Brasil.</p>
      <p id="paragraph-4a7ca398b84dd24bdcd903277a178737">.</p>
      <p id="paragraph-8775a6ba29c6dadb3de477c7edb8db98">
        <bold id="bold-27f65246973d8c138177b76e5e5a4957">RODADA 1 </bold>
      </p>
      <p id="paragraph-c378147f797e08c2e88469ed04f1f513">AVALIADOR 1 </p>
      <p id="paragraph-372d7ac32a2560beb1d089e6d13bb88e">2020-02-03 | 05:24</p>
      <p id="paragraph-3cca91f89eade49a2191c6ed2e1f244b">O artigo "Toponímia de influência indígena nos bairros de Belo Horizonte " nos tras uma reflexão agradável sobre o tema em questão, apresenta um levantamento muito bom com relação às palavras  toponímicas. Dessa forma é possível obsrevar a influência dos nomes indígenas em Belo Horizonte, como ocorre em várias outras localidades do país. Como era de se esperar, a influência totalmente tupi-guarani, apesar de nesta localidade ter sido um lugar dos povos Macro-Jê, como o Neengatu foi uma língua de total influência por todo país é de se esperar que as denominações seguissem palavras de base guarani. Não posso concordar que tais palavras possam levar a comunidade entender sua história relacionada com os indígena da localidade, mas podemos inferir a forte influência das palavras indígenas por todo o território nacional. O artigo é bem escrito, correstponde com as pesquisas toponímicas desenvolvidas no Brasil.</p>
      <p id="paragraph-4ea28d5296656259c097f80936e0fd6c">Com relacão ao mapa figura 2, faz necessário indicar a fonte de tal mapa.</p>
      <p id="paragraph-4c1aa3c9e691d95cfa779a6706e91e69">.</p>
      <p id="paragraph-fa79ab2fca4e6a427df46ec2491290d3">AVALIADOR 2</p>
      <p id="paragraph-179f85f8836aaa492075b0dd6e7fc379">2020-02-19 | 17:06</p>
      <p id="paragraph-e2f3ec0940f16ec779bc0aaf9e0dd61d">O artigo 'Toponímia de influência indígena nos bairros de Belo Horizonte' se apresenta coerente com as diretrizes estabelecidas para um estudo científico acerca dos nomes de lugares. As recomendações do parecerista encontram-se em arquivo anexo, de modo que se espera que a versão final do trabalho se aproprie de parte dos comentários.</p>
      <p id="paragraph-06ecabaa350b1c5eda349499e33975da">.</p>
      <p id="paragraph-48f8b5c7e65c142741c8878e638231f4">
        <bold id="bold-00b15ebb9a148bb4bb2d7e14087a1b81">RODADA 2</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-636b18c80fe178afe1cf0ff1eddae194">AVALIADOR 1 </p>
      <p id="paragraph-e3c7925985a8f69260efd854a8bbe1d0">2020-04-08 | 10:49</p>
      <p id="paragraph-1ab0ce54ce7b56dfa2eccfd8976058e6">O artigo trata com propriedade o tema abordado, discute com acuidade os dados sobre a influência da toponímia indígena em Belo Horizonte. Por ser um artigo de relato de pesquisa, o trabalho está bem fundamentado e apresenta com propriedade os passos da pesquisa, a metodologia teória e tem uma relevância fundamental no aporte teórico utilizado. O resultado apresentado é muito interesante e condiz com a pesquisa desenvolvida. </p>
      <p id="paragraph-82134be751a32d0cd04c4c75d0c497ee">.</p>
      <p id="paragraph-fe67bcd0ed2d04a9b0c4e2da105a59f3">AVALIADOR 2</p>
      <p id="paragraph-b9e493a30ded521450c2ceeb06ea68be">2020-04-09 | 13:10</p>
      <p id="paragraph-5f36aea8cbe98c6aff032b63150ec6a4">Os autores do trabalho em questão devem ser parabenizados pela consideração das sugestões feitas na primeira rodada.</p>
      <p id="paragraph-71b79041d9c8a88aeb1df27cb52de782">Fiz raras sugestões de redação nesta segunda rodada, mas nenhuma que inviabilize o aceite do trabalho na sua versão atual.</p>
      <p id="paragraph-3">Parab´éns pelo salto qualitativo que o trabalho deu nessa última versão!</p>
    </sec>
  </body><back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-72f69fcc1f5cec7d68cf04654357bdaf">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-b1051326875459c912a82ae8e2b8a995">Na maioria dos casos, a etimologia dos topônimos de origem indígena no sudeste do Brasil remonta ao tupi e à língua geral paulista/meridional. Entretanto, como há uma minoria de casos em que a etimologia remonta a outras línguas indígenas faladas no território brasileiro (especialmente ao guarani), preferimos utilizar, aqui, o termo genérico “língua indígena brasileira”.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-85ed67e673393f5f0049b0c433d83a41">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-bedf44147bf27e4b41709d7fcc7f6dd3">Nesta etapa, um exemplo de caso que gerou dúvidas foi o topônimo Barroca. Seabra (2004, p. 125) cita a interpretação de Nelson de Senna, segundo o qual este seria um hibridismo luso-indígena (português “barro” + tupi “oca”). Entretanto, a própria autora descarta essa hipótese ao mencionar outras fontes, mais seguras, as quais demonstram que Barroca não possui nenhuma influência de língua indígena brasileira em sua formação. Aqui, seguimos a orientação de Seabra (2004) – isto é, não incluímos Barroca no nosso corpo de análise.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-10494f711ad987f549e6a1a9d753b16f">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-5df3bc2cd7112adac0108c9588952a1e">Segundo nosso entendimento, a classificação do exemplo dado (Quatro Barras) deveria ser numerogeomorfotopônimo e não numerogeotopônimo (ver a descrição de “geomorfotopônimo” na nota 6).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0477a8ee030bca401dbff370d3f596dd">
        <p id="paragraph-a20dcf9dac7614865dfaef382b1a67a8"><bold id="bold-6e59926f5a4105b9428d8c35e5d3d7e6">Quadro 2</bold> <bold id="bold-ab1d7093366e7d7adcd27d13a3ee5681">-</bold> As classificações presentes no material analisado são: acronimotopônimo (referente a acrônimos e siglas); antropotopônimo (referente a nomes próprios de pessoas); corotopônimo (referente a nomes de outros locais, como cidades, países e continentes); cromotopônimo (referente a cores e à escala cromática); cronotopônimo (referente a indicadores de tempo); dimensiotopônimo (referente a características dimensionais e de tamanho); dirrematotopônimo (construído a partir de frases ou enunciados linguísticos); ecotopônimo (referente a habitações); ergotopônimo (referente a objetos e a elementos da cultura material); etnotopônimo (referente a povos, etnias ou grupos étnicos); fitotopônimo (referente a vegetais); geomorfotopônimo (referente ao relevo e a formas do terreno); hagiotopônimo (referente a figuras religiosas católicas); hidrotopônimo (referente a cursos d'água e elementos hidrográficos); hodotopônimo (referente a vias de comunicação); litotopônimo (referente a elementos do solo e minerais); meteorotopônimo (referente a fenômenos atmosféricos); poliotopônimo (referente a conjuntos e aglomerados populacionais); sociotopônimo (referente a atividades profissionais e locais de trabalho); e zootopônimo (referente a animais) (cf. DICK, 1990b, p. 31-34; SEABRA, 2004, p. 55-59).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-dc9544f5557b31be7a0cb8759841a41e">
        <p id="paragraph-946a761f3f5762e7536c93754d696a8e"><bold id="bold-bf4c95cef098b6bd0a6940027800a463">Quadro 2 - </bold>Optou-se aqui por desconsiderar os elementos A e B na classificação taxonômica de Tupi A e Tupi B. Outra opção igualmente válida, no nosso parecer, seria considerá-los como numerais, tendo em vista que fazem as vezes de 1 e 2, ou I e II, ou “primeiro” e “segundo”. Nesse caso, tanto Tupi A quanto Tupi B poderiam ser classificados como etnonumerotopônimos.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e415178ce510c3fbcc38687b6fd3162e">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-c563fef2eced10aaedaa6275b0958662">Utilizada para indicar mudança definitiva ou enfatizar a leva de todos os pertences consigo: “ir de mala e cuia”.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-a070efc14c3535a0e1f857844c2cb80d">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-160debf539b7b9bb160967b6aa270e59">Nesta análise, não foram incluídos aqueles itens que geram alguma dúvida de interpretação etimológica. No caso dos itens referentes a vegetais, por exemplo, não foi contabilizado “guaratã” (que pode ter sua etimologia proveniente do nome de uma ave, como demonstra o Quadro 2).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-5e9b5ef031086c518f04f958581732f6">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-5cdb5c777798f07c0741ba2e77d9bef5">Note que “pirajá” está incluído tanto entre os itens que se referem a animais quanto entre aqueles referentes a elementos da cultura material. Isso ocorre porque, como indica o Quadro 2, pirajá significa ‘viveiro de peixes’, estando, portanto, relacionado tanto a animais (peixes) quanto a um elemento da cultura material (viveiro).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-5bc2a3755e575f350bdcd1d61161c90d">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-004d19f5951da2da3cc6b27616c740a4">Note-se que esses dois casos são coincidentes: Mangabeiras (reg. Centro-Sul) e Mangabeiras (reg. Leste). Interessante observar também que, apesar de conter a terminação <italic id="italic-1">-eira</italic>, Mantiqueira é um topônimo simples: nesse caso, a terminação não corresponde ao sufixo homógrafo, pois já é parte do vocábulo indígena.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-9b445df923b60c5608be209683bdabb8">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-123a9712a21cecfa98c91713fb6e7c8c">A cidade de Belo Horizonte é subdividida em nove administrações regionais: Barreiro, Centro-Sul, Leste, Nordeste, Noroeste, Norte, Oeste, Pampulha e Venda Nova.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c4f090d7dc3b5de9dbdb506dd780dfaa">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-6d5a48892f707b870e2fbef2b8c5b1bc">Na regional Centro-Sul, apenas dois nomes de bairros possuem elementos de origem indígena: Mala e Cuia e Mangabeiras. O bairro Mala e Cuia, porém, apesar de constar da lista do IBGE, não parece ser sequer reconhecido pela maior parte da população da região, pois se trata de um pequeno “enclave” no bairro Sion, contando com poucas habitações e uma população de apenas sessenta pessoas. De acordo com fontes informais consultadas, seu nome teria como origem o nome de um antigo restaurante que se localizava nas proximidades.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-1ca16197cc59d8fdabb5ef48b77e9ad7">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-266c45ffbaee8c83a5012cc6b77354c6">De acordo com a lista de bairros consultada, um dos quatro bairros localizados na regional Leste cujos nomes possuem influência indígena é o bairro Mangabeiras. Na verdade, trata-se de uma pequena área verde, sem população, que se estende a partir do bairro Mangabeiras (regional Centro-Sul). Como se observa na Tabela 1, entre os 57 bairros analisados, há ainda outros dois que são meramente segmentações sem população: Guanabara (regional Nordeste) e Sumaré (regional Noroeste). Neste estudo, decidiu-se por mantê-los na análise por razões de fidelidade à fonte de dados original fornecida pela Prefeitura de Belo Horizonte e pelo IBGE.</p>
      </fn>
    </fn-group>
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