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          <bold id="bold-1">DETERMINANTES PROSÓDICOS EM</bold>
          <bold id="bold-2">MUDANÇA SINTÁTICA</bold>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="15/05/2021" />
      <volume>2</volume>
      <issue>1</issue>
      <issue-title>Linguistas Online</issue-title>
      <elocation-id>10.25189/2675-4916.2021.V2.N1.ID350</elocation-id>
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        <date date-type="accepted" iso-8601-date="26/02/2021" />
        <date date-type="received" iso-8601-date="15/01/2021" />
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">O presente trabalho relata uma trajetória de estudos das presentes autoras sobre a mudança no Português Brasileiro (PB), no que diz respeito ao Parâmetro do Sujeito Nulo. Na fase em que esse Parâmetro incluía a inversão livre como uma de suas propriedades, verificou-se que a inversão românica, ou inversão do predicado no PB, era uma regra prosódica, aparentemente independente da perda parcial do sujeito nulo. Verificou-se que, embora a inversão tenha passado a ser restrita no PB, um elemento dêitico ou locativo pré-verbal favorecia a inversão. Além disso, assumindo o sujeito nulo referencial como resultante de elipse do pronome, verificou-se que o apagamento era favorecido quando o verbo era precedido de algum elemento leve. A partir de resultados de diversas pesquisas sobre a fala e a escrita brasileiras, além de dados recolhidos de forma não sistemática, propomos aqui, então, que a ocorrência parcial do sujeito nulo no PB pode ter a ver com uma demanda prosódica<bold id="bold-f226371a760af3db9c62f66e408e159b"> </bold>parcial, de rejeição a um padrão prosódico sentencial V1, demanda essa não existente no século XIX. Nossa proposta é que, na interface com PF, as línguas têm filtros em relação ao seu ritmo. Para dar conta da preferência de certas formas nesse estágio da mudança, em curso no PB, uma condição do tipo “Evite V1” está sendo proposta. O trabalho não entra, porém, nos aspectos técnicos e formais da prosódia, deixando esta parte para um futuro trabalho<xref id="xref-4499333bd7be1d37f10d7b6062ff18d0" ref-type="fn" rid="footnote-f0ecd757fd7fc925aa874771fae4684f">1</xref>. </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-b1f78b6399ed3e5f204e8c85d5ae9d2c">This paper reports a trajectory of studies carried out by the authors about a change in Brazilian Portuguese (PB) related to the Null Subject Parameter. When free inversion was included among the properties associated with this Parameter, our research showed that romance inversion, or inversion of the predicate in BP, was a prosodic rule, apparently independent of the loss of null subjects. Although it became more restricted in BP, VS was still possible, particularly when a pre-verbal deictic or locative element appeared in first position. Assuming that null referential subjects were a consequence of ellipsis of the referential pronoun, we observed that such ellipsis was also favored by the presence of some light element in first position. Using results from several analyses of Brazilian speech and writing, and data collected from spontaneous conversations, we propose, in conclusion, that the partial occurrence of null subjects in BP can be explained in terms of a prosodic demand, which rejects a V1 sentential pattern, non-existent in the 19th century BP. Our proposal is that, in the interface with PF, languages have filters related to their rhythm. In order to account for the preference for certain forms in the present stage of the change in course in BP, a condition such as “Avoid V1” is being proposed here. The paper doesn’t , however, enter into the technical and formal aspects of prosody, which will be the object of future work. </p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Sujeito nulo</kwd>
        <kwd content-type="">Inversão livre</kwd>
        <kwd content-type="">Português Brasileiro</kwd>
        <kwd content-type="">Opcionalidade</kwd>
        <kwd content-type="">Prosódia</kwd>
      </kwd-group>
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    <sec id="heading-ac5b9ebaf5848a2aebfab7263fa7a046">
      <title>Introdução</title>
      <p id="heading-1d0c6692faff8766ec7536204e1ea5c6">O presente trabalho relata uma trajetória de estudos sobre a mudança no Português Brasileiro (PB), no que diz respeito ao Parâmetro do Sujeito Nulo (PSN), tópico exaustivamente tratado, formal e empiricamente<bold id="bold-7c2d97c846c3099f4c3bf5293512953a">, </bold>pelas autoras do presente artigo, além de outros autores brasileiros<sup id="superscript-1"> </sup>que mencionaremos oportunamente (Cf. entre outros, Duarte (1995, 2000, 2018, 2019 e.o.); Kato (1999, 2000a, 2002a, 2003 e.o.) Kato &amp; Tarallo (2003); Kato &amp; Duarte (2003; 2014; 2017, 2018); Cyrino, Duarte &amp; Kato (2000); Barbosa, Duarte &amp; Kato (2005); Duarte &amp; Kato (2008). De uma perspectiva macro-paramétrica, o projeto caminha para uma visão micro-paramétrica (Cf. Kayne, 1996), com vistas ainda à proposta de ser o PB uma língua de Sujeito Nulo Parcial (SNP) como o finlandês (cf. Holmberg &amp; Sheehan 2010)<xref id="xref-b4cc131d6c20bda8bd6cd05a1751ef64" ref-type="fn" rid="footnote-27ad976ef55e9152e6307f0d0d0badaf">2</xref>.</p>
      <p id="paragraph-3ff96bcba40a696fdff8e0e196b0b99a">No meio dos linguistas romanistas é hoje bem conhecido o fato de que o PB vem perdendo parcialmente as propriedades de uma língua de sujeito nulo desde a virada do século XX, com a inserção de <italic id="italic-6d21716b09724fce6f2a0e2e3f829232">você</italic> (em competição com <italic id="italic-0b303a53310729340d6c2b1de83ef885">tu</italic>) no sistema pronominal do PB, a partir dos anos 1930, seguida da implementação de <italic id="italic-a289b924a6bf9a68aa4747323d8f6373">a gente</italic>, em competição com <italic id="italic-36db4687e0afa12aca67ab431684c7be">nós</italic>, que se intensifica a partir dos anos 1970, como empiricamente demonstrado em Duarte 1993, 2018.</p>
      <p id="paragraph-288201eba60e45bf4060675408f43609">Duas explicações podem ser dadas por esta parcialidade:</p>
      <p id="paragraph-ca0b338b3d3617eca90bb94743a743f4" />
      <p id="paragraph-4">a) A mudança encontra-se ainda em progresso e a existência parcial dos sujeitos nulos, ainda atestados em todos os padrões sentenciais, como veremos, e da inversão livre tem a ver com o fato de que as mudanças não estão completas ainda (cf. Cyrino, Duarte &amp; Kato 2000)<xref id="xref-bc10935521b528cdb8133d5426906042" ref-type="fn" rid="footnote-63018590db6f4d3a26ae9ef1f5c11a23">3</xref>. </p>
      <p id="paragraph-6">b) Os aspectos aparentemente parciais da mudança resultam na inclusão do PB entre as hoje denominadas línguas de SNP, de acordo com o qual essas línguas exibem sujeitos nulos referenciais opcionais, além de expletivos nulos ou expressos e também sujeitos nulos de interpretação genérica.</p>
      <p id="paragraph-72b224980a55082369a7ed5732b0156d" />
      <p id="paragraph-7">O objetivo final deste trabalho é mostrar que a variação/opcionalidade das propriedades do Sujeito Nulo Referencial (SNR) no PB atual é de ordem prosódica/estilística, sendo definida na interface com a PF. </p>
      <p id="paragraph-8">Veremos inicialmente que a opcionalidade dos sujeitos nulos referenciais tem a ver com fatores estilísticos de dois tipos: a) o primeiro tem a ver com uma gramática conservadora adquirida via instrução, em alternância com a gramática inovadora nuclear da criança, e b) o segundo tem a ver com a preferência do brasileiro no século XX por uma prosódia linear V2. </p>
      <p id="paragraph-9">Em seguida, veremos que a inversão livre, atribuída ao Parâmetro do Sujeito Nulo (PSN), também tem a ver com restrições de peso prosódico, tendo o PB uma preferência pelo padrão linear V2.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-99e6149f45ed4464b0b77c3885625697">
      <title>1. A variação/opcionalidade na diacronia</title>
      <sec id="heading-6f9b9ba38cc395af02b79b16a4248111">
        <title>1.1. A variação no indivíduo</title>
        <p id="paragraph-c250f8b0c4e8b7a5b4359c474a3cbcbf">Vejamos inicialmente o que dizem dois mestres diacronistas sobre variação e/ou opcionalidade na sintaxe e/ou na morfologia:</p>
        <p id="paragraph-f2ee630d880a374b154a6dfaa8c6a761" />
        <p id="paragraph-a126c7a80fd8ae129c22eff8282e8ac7">The spread of a new parameter setting through a speech community is typically manifested by categorically different authors rather than by variation within the usage of individuals, although the data are sometimes not as clear as that idealization would suggest, because a writer often commands more than one form of a language (Lightfoot, 1991, p. 162).</p>
        <p id="paragraph-72dc81b7fff8cd458bf5d8d6fa960f36" />
        <p id="paragraph-ee5c210b7cdc0a0460e08ebff86dc629">“Syntactic heads, we believe, behave like morphological formatives generally in being subject to the well-known “Blocking Effect”<bold id="bold-786092ca65425074d155b36a1af3cd84"> </bold>(Aronoff 1976), which excludes ‘morphological doublets’, and more generally, it seems, any coexisting formatives that are not functionally differentiated…This exclusion, however, does not mean, either for morphology or for syntax, that languages never exhibit doublets. Rather it means that doublets are always reflections of<bold id="bold-bda358d42b6b694cb6729c096f4290e7"> </bold>unstable competition between mutually exclusive grammatical options.” (Kroch, 1994, p. 181)</p>
        <p id="paragraph-5e9b1db08d9dbec9b62cfd64583cc3ea" />
        <p id="paragraph-76d2f491e76e37bb6199d0944c501cac">O que fica claro nesses autores é que a opcionalidade morfossintática dentro de uma mesma gramática, de um mesmo indivíduo, não deveria ser possível. A variação pode ser encontrada entre indivíduos numa mesma comunidade, ou dentro de um mesmo indivíduo quando este domina mais de uma gramática em competição. </p>
        <p id="paragraph-e96b24f6bd2debb2088570f2ecf09dc5">Aqui, entretanto, defenderemos que variação estilística pode existir no mesmo indivíduo uma vez que esta tem a ver com a Forma Fonética (PF) e não com o componente computacional<xref id="xref-2194cc6b820492e94d892750efb64bae" ref-type="fn" rid="footnote-e147e04dd7530950a10348d88a21213e">4</xref>. Defenderemos que a variação atestada na escrita e na fala do PB tem caráter prosódico e não constitui <italic id="italic-e593ee364ff2b7539db95e097490b8fe">doublets </italic>morfológicos ou sintáticos no sentido de Aronoff (1976) e Kroch (1994).</p>
      </sec>
      <sec id="heading-65dccb880c22f18ce5ba2e85a449cd2a">
        <title>1.2. O que dizem os dados empíricos </title>
        <p id="paragraph-c64ce899a905493a0c121d3ea115b2f7">A perda do princípio <italic id="italic-577dfe60ee2896eb5f831f3d1e95f027">Avoid pronoun</italic> (Chomsky, 1981) encontra evidência em autores do século XX em oposição aos do século XIX, como mostra o estudo de Duarte (1993; 2018). </p>
        <p id="paragraph-5ebcd4fe49801ad7165fb901c31acfb9" />
        <p id="paragraph-b6e5a2a3446fd4f94b0eaae3afa88d20">(1)</p>
        <p id="paragraph-82c78ca83cc50ed7f454e4f9d6d5e354">a. <bold id="bold-8c0cb6c7e7beb8cfcba7f386ba3b4954">Ø</bold> <bold id="bold-e0ebff10051342c51ae476338abc419c"><sub id="subscript-f1c6c78a7f8e758c2b47bc407688a332">2ps </sub></bold>terá o cavallo que <bold id="bold-feec25bde614e18f07241f2742e085f9">Ø </bold><bold id="bold-2343bae79dfeb8dbe20a1f3622345c2a"><sub id="subscript-2">2ps</sub></bold> deseja</p>
        <p id="paragraph-caa0e3de93a03a5b98170cfbe0c574f5">b. já ontem <bold id="bold-29549cad900fbf842367d79bec59fd62"><underline id="underline-d687cda90828a206618f6c658888e7b2">Ø</underline> </bold><sub id="subscript-3"><bold id="bold-5f93451a5f74cdee7fe4aa3b9f220a68">1ps </bold></sub>comprei-lhe<sub id="subscript-4">i</sub> o hábito com que <bold id="bold-f6266fc662ddf91df8214da452e8bba4"><underline id="underline-3468c5ce658de295e13d7ea7b4f09fde">Ø</underline> <sub id="subscript-362f2e0ef0b946c7e882bc1f7e0ad5ff"/><bold id="bold-77b6ff283c9895745fb1bc8101e34031"/></bold><sub id="subscript-5"><bold id="bold-9a5ae8079a24006bd3ccf257a8c88976">i 3ps </bold></sub>andará vestido.</p>
        <p id="paragraph-1fc8bc405ab2b0a36a87b06387ac7041"> (“O noviço”, Martins Pena, 1845, séc. XIX)</p>
        <p id="paragraph-634abc76d29c549c923a4d1afaf78277" />
        <p id="paragraph-630090105bfddbb4d9237a91e937d46d">(2)</p>
        <p id="paragraph-4d95af3972cc024c80c06256de9cc1f2">a. Se <bold id="bold-1800e37822a58f8593ea0b40e6c2ea82">eu</bold> ficasse aqui <bold id="bold-cba7f9b2557b5dd2a759f0747ba199e0">eu</bold> ia querer ser a madrinha. </p>
        <p id="paragraph-0e41bce64d11d407968b43ac23bb4964">b. <bold id="bold-fce523902058959706ee5c9bb2e88766">Você</bold> não entende meu coração porque <bold id="bold-916c6eeb273f26ad872415a1d342d49f">você</bold> ‘tá sempre olhando pro céu e procurando chuva.</p>
        <p id="paragraph-ecf4ee877fc1db59aa646c8a19201ff3">c. Agora <bold id="bold-b78e724768896317259fe6b31e1347e1">ele</bold> não vai mais poder dizer as coisas que <bold id="bold-3eb3a827ec6a78b6e2584b6bdc58105d">ele</bold> queria dizer.</p>
        <p id="paragraph-a815c22e80287078be75d3d521813c8a">(“No coração do Brasil”, Miguel Falabella, 1992, séc. XX)</p>
        <p id="paragraph-9b78dc0643e29c2a6fb516869a904f7c" />
        <p id="paragraph-9a90ed19021c4a136b0e0f78e497039e">Contudo, veremos que, ao contrário dos exemplos acima, os dados revelam a forma velha (sujeito nulo) e a nova (o pronome expresso) em variação no indivíduo da mesma época, o que reforça, à primeira vista, a hipótese de uma língua de sujeito nulo opcional e, portanto, da existência de línguas de Sujeito Nulo Parcial, ainda que o caso do PB não se mostre como um sistema estável. Os exemplos em (3) e (4) mostram essa opcionalidade em dados de fala espontânea de amostra recente (Duarte, 2019). Enquanto os sujeitos nulos no padrão ilustrado em (3), com c-comando, já chegam a 41%, sendo, pois, superados pelo pronome expresso, os nulos em (4), no padrão sem c-comando alcançam 11,5%, o percentual mais baixo nos cinco padrões considerados na análise de Duarte (2019)<xref id="xref-fb370375aa5b3a89cc9003eae28bbac5" ref-type="fn" rid="footnote-29bfae3043b6cf9a8980ba6483425300">5</xref>.</p>
        <p id="paragraph-761237231f156b169ed89b11f756211f" />
        <p id="paragraph-8bdcd851ae34990e219eb32e2a9fce27">(3)</p>
        <p id="paragraph-a8c049210cc26241cc2a3abba3f9492c">a. [Os pais eles]<sub id="subscript-afa1a96c515851527ad84a87b0a07f12">i</sub> passam aos filhos o que <bold id="bold-58620dfda210b18092bac266bf90e0a1">eles<sub id="subscript-b40d3e5dece16646d1640a1abf632d96">i</sub></bold> têm, né? </p>
        <p id="paragraph-f97b4dec6e9c3b5ca35329e398a64da0">b. [Meu marido]<sub id="subscript-314a79d1c516c3dc6b01321652ea3a93">i</sub> foi quase preso aí no forte porque <bold id="bold-22a17aff1f178f3b61c71ef52f36d15c">Ø<sub id="subscript-124d57e0888d11a42a97b4f3fd1e3cba">i</sub></bold> foi mergulhar.</p>
        <p id="paragraph-c7d8386d381d28968603b900cf568d65" />
        <p id="paragraph-05729f1b2c5d7254d428655b1c01d5ce">(4)</p>
        <p id="paragraph-278a382ebcfdef0840a0f4b9bda1efbe">a. Se <bold id="bold-3a5b88c774011781a12664fa18e2a374">ele<sub id="subscript-96afa84c26ca5ea507b27b2e5c55005d">i</sub></bold> tem medo, alguma coisa <bold id="bold-6c8f0c22c5b836fe3900ffafc7abae03">ele<sub id="subscript-20194ab210409fec66371fc0dba9010b">i</sub></bold> fez.</p>
        <p id="paragraph-f9d9c4c73dea9c91723dd107e68cfa44">b. Se [o aluno]<sub id="subscript-8d1dfd38d4ae56e783a6c03bdeeeeadf">i </sub>tem problema, <bold id="bold-ba158113d9d82cef2bec4584410ae3af">Ø<sub id="subscript-a6a24d16514078334684d97247f41662">i</sub> </bold>vem pra gente conversar. </p>
        <p id="paragraph-e9747a4d800690e979af4b885bea0224" />
        <p id="paragraph-d8b2085d1f77d5ff2ef24b74c83a83fb">Na análise de Barbosa, Duarte e Kato (2005), os dois padrões com e sem c-comando, não tiveram análise à parte. Na realidade, no PE, o comportamento dos dois padrões é idêntico, com alto favorecimento do sujeito nulo (94% e 93%, respectivamente. Portanto, no PE, a adjacência e função idêntica se sobrepõem ao padrão sentencial. Os três outros padrões, propostos na análise de Barbosa, Duarte e Kato – antecedente em período adjacente, com a mesma função (5), antecedente com função diferente da de sujeito (6) e antecedente distante (7), continuam a exibir opcionalidade no PB, embora com índices inferiores ao padrão com c-comando (38%, 21% e 14,5% de sujeitos nulos respectivamente (DUARTE, 2019).</p>
        <p id="paragraph-768e48e842292f8f9072ccce11a117c3" />
        <p id="paragraph-5771b1f565fca596dce957ddf62d4fe2">(5)</p>
        <p id="paragraph-ea1228e6bc8e6966fc27f07cc481e93c">a. [César Maia]<sub id="subscript-179de9bbc39e1082cd83b72ab3354f7a">i</sub><italic id="italic-bd356d9063f793da569c2c31b0e94d9f"> </italic>era mais tranquilo. <bold id="bold-a70840c7afcb86eab9f959addfcbd6c0">Ele<sub id="subscript-a366c43dfdc9f5003ef61459d1830868">i</sub></bold> investia mais.</p>
        <p id="paragraph-06c6ac66c6ede45fae34be7112855cfd">b. <bold id="bold-a5536f28d22b17e367bed73a18d4a0d4">Ele<sub id="subscript-8c9c8400a4861d8c7b3bf1d0632fe420">i</sub></bold> era bem mais novinho. <bold id="bold-d5142e76d6581417dace95a4ceb57145">Ø<sub id="subscript-e65d72eb4d5e57d21acf320f9d7aa86f">i</sub> </bold>Trouxe o dinheiro no bolso. </p>
        <p id="paragraph-4163711c08dfb013c6b3c708c7fadd40" />
        <p id="paragraph-07fd675d7833af8d9d4f1fcf901193c8">(6)</p>
        <p id="paragraph-ef93d2dd9171ddf193781e9b6ccadaee">a. Eu não posso ter sentado do lado de [um cara bonitinho]<sub id="subscript-431c30cff9644930213ed38d34f0bfe8">i</sub> e tal sem perceber que ele<sub id="subscript-65d60065439c7308d6df11c5aa02acc0">i</sub> era superperigoso.<bold id="bold-d4c393b67fc745804d3b6b322338ff5f"/></p>
        <p id="paragraph-72cc6a284c8c05219e4ef071612c98ce">b. Porque eu preciso ter a minha linguagem formal com [meu cliente]<sub id="subscript-f5d759258e23d3b8817436db5d328e1d">i</sub>. De repente, <bold id="bold-7a4aa13cfb0d164832de053e19cee04e">Ø<sub id="subscript-9d95176d64f3f5236a2a6c5398d63b92">i </sub></bold>é um cara que tem uma condição, ou um cara que usa daquele jeito. </p>
        <p id="paragraph-15257010cf3e4731d4cdd605f3bd37d6" />
        <p id="paragraph-63d13da2ad73edc8726b8a0e689be608">(7)</p>
        <p id="paragraph-741a3e4ecdb6e57c5c86ead9a6c1a930">a. [O meu filho]<italic id="italic-bfa768156e922c746d1673e41b01876a"><sub id="subscript-586d4e1af5f9c64fcd810c57610fc58f">i</sub> </italic>tava chegando em casa - que nós trabalhamos com festa, como eu te falei, né - e <italic id="italic-94421f090e3230b3713d0512cae5400a">ele<sub id="subscript-6">i</sub></italic> tinha ido comprar bolas. <underline id="underline-07805647d097600ce121657147b6cb56">Aí, não tinha as bolas que nós queríamos</underline>. <bold id="bold-a443ce51bbfaeb5a6c6646645bbf3cb5">Ele<sub id="subscript-7">i</sub></bold> trouxe o dinheiro de volta. </p>
        <p id="paragraph-1f1ec62bcacf92e6a2d878b2850bba17">b. <bold id="bold-916b71a3f0179feaa41551ec7d5ee394">Ø<sub id="subscript-8">i</sub></bold> <italic id="italic-a731bdd77cc97feae183d237c1705f36">c</italic>asaram e foram morar em Ipanema, num apartamento na Joana Angélica - uma gracinha! <underline id="underline-2">O prédio ainda existe até hoje. Depois, quando eu nasci, mamãe tava grávida</underline>. <bold id="bold-ea132d5a036dd03c58fb78d53969f15d">Ø<sub id="subscript-9">i</sub></bold><italic id="italic-64090f527925535dcf5a241d58828b70"> </italic>foram pro andar de cima.<bold id="bold-10c79b2a06061090301194b53d1f8e2d"/></p>
      </sec>
      <sec id="heading-8ae374ece6e066f20cc2708c8481b701">
        <title>1.3. A variação/opcionalidade do brasileiro na escolarização</title>
        <p id="paragraph-e142a148bbe674c4aa89517e9967568e"> Assumimos que a gramática nuclear (<italic id="italic-2a29973e1c75b3027605121398dbc3d0">core grammar</italic>), que se adquire via assentamento de parâmetros, não tem <italic id="italic-32084af2cc10ec919b8e7bf094724f61">doublets</italic>. Gramáticas nucleares contêm sempre a variante inovadora (Lightfoot, 1999).</p>
        <p id="paragraph-c215a82652ab0e53ae029fc7d3a82b67"> Simões (2000) dá evidências dessa afirmação ao constatar que, nas crianças em fase de aquisição do PB<xref id="xref-508d78dc6379cca162f91a8282e8cfbd" ref-type="fn" rid="footnote-98c446ceac90c68ec0d7283c27725867">6</xref>, no que diz respeito ao Parâmetro do Sujeito Nulo (PSN), o sujeito referencial é sempre um pronome, enquanto o sujeito nulo é sempre um expletivo.</p>
        <p id="paragraph-c793ca84a08779008859bd51b7197d67" />
        <p id="paragraph-e8ee32bf7d3a41a9fd2d8a9700267f07">(8)</p>
        <p id="paragraph-a92bc8a02971df0055585c3dd764ad4c">a. <bold id="bold-663fc5391927f1ddfed879e0e3f60808">Eu</bold> tô botando </p>
        <p id="paragraph-5307fc92672189eef377478592ba00d0">b. Não quer,<bold id="bold-2e10972b9091e193207441413e3287cf"> tu</bold> não quer <bold id="bold-01a3ff5338fc94886bbb4e7c2b0c097e">Ø<sub id="subscript-8a721560961931aa003c2e0fc22659c9"/></bold>?</p>
        <p id="paragraph-f3d81ed201944806aba50b8e8ad8d79c">c. <bold id="bold-34bf865e845028344fe6d7160c0784e5">Ela</bold> anda a cavalo, anda de moto, <bold id="bold-fa383288b88f718c40b0453f8708feb9">ela</bold> anda.</p>
        <p id="paragraph-4de688d6a6a5981fc056bee6c0b578a4"> (André, 2;4) (exs. de Simões, 2000)</p>
        <p id="paragraph-3b5957a70dc575c737e93b3f397f5e0b" />
        <p id="paragraph-b49e9820ed08f4cdb7365d7bfe565623">(9)</p>
        <p id="paragraph-1674547e71dc37d5da6ff1d448772f32">a. <bold id="bold-def49b704d06540e90b86ab3b5e60acd">Ø<sub id="subscript-fcf05d6769d4ae862e3ae83c1d27bd72"/></bold><bold id="bold-efe0bf00bafda539381a0c13cb220e5b"><sub id="subscript-d27a32711bcf4b41c5c54649bb1b60a0">expl</sub></bold> Tem dois aviões.</p>
        <p id="paragraph-2156a67a9cb2b5bce75f3a5cea006efb">b. <bold id="bold-fc9d6dd5ce2c5233c3b7d43dae261d6a">Ø<sub id="subscript-322c40129513eb7c0d0da03ad8f902e3"/><sub id="subscript-43386a0ee38563273bce03f542e89241"/><bold id="bold-a60e51a8e4176f89d6d6a7360e229552"/><sub id="subscript-59fe6af81c02e5db5440dffb4c3b684f"/><bold id="bold-47a051a34c85fcc18541a585ccc9bd14"/></bold><sub id="subscript-1a6c8670daf91a3127bb0c13ddc6a191"><bold id="bold-6793fcb1b8be9a904c6ac59ce2f64287">exp</bold></sub><sub id="subscript-6e096de9e059c8e2d7b21082ed148bd5">l</sub> É esse que cabe.</p>
        <p id="paragraph-b51d4402e99671e54271d98fca31556a">(André, 2;4) (exs de Simões, 2000)</p>
        <p id="paragraph-aeb2adb5aa3a9ca3cde789e7a23519f2" />
        <p id="paragraph-6464ea7e3707defa8279b668de78ebfe">Mas, como se verá no estudo de Magalhães (2000), as Gramáticas Nucleares são adquiridas antes da idade do letramento. A Tabela 1, a seguir, com resultados do processo de letramento, mostra que, no 1º grau, o escolar apresenta quase 100% de pronomes expressos, com 2% de nulos referenciais, o que atesta que estes não estavam presentes na sua gramática nuclear. No final do Ensino Fundamental 1, a criança revela 22% de nulos e chega ao final do Fundamental 2, com uma competição entre pronomes nulos e expressos na sua escrita<bold id="bold-4e10696545a0c30ede2e30cec7562c5c"/></p>
        <table-wrap id="table-figure-90f0d9e6e7fb825b6805f4cc23b1d78a">
          <label>Table 1</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-386620e3459a4b8d72de6f466118e81f">Tabela 1. </bold>Sujeitos referenciais durante o processo de letramento (<italic id="italic-d89cfc8039fe205e98f52cb9800c23c3">apud</italic> Magalhães, 2000).</title>
            <p id="paragraph-4cee02a671ff2ed96cb0f2a58dcf0815" />
          </caption>
          <table id="table-21f3bb72a41be04b6476fe0bc6f90eeb">
            <tbody>
              <tr id="table-row-44cbaa126629efebec4fc201935cfc99">
                <th id="table-cell-f4c0b232863c13811411cfe24b250fd7">
                  <bold id="bold-7ab41fbdd9dca4fd5e507dbfa7c83817">Sujeitos referenciais</bold>
                </th>
                <th id="table-cell-53dc7d8ba78647defbca611b9fcbd2e8">1º grau</th>
                <th id="table-cell-94cbd376b353db4470ae5a2457941c96">3º e 4º graus</th>
                <th id="table-cell-2dc33d19db7bbef176f744e77160c8a8">7º e 8º graus</th>
              </tr>
              <tr id="table-row-eee17f86ada3cf9533821590e08d40d1">
                <td id="table-cell-b815849aa7f7c24cb904691a0533eec6">Sujeitos Pronominais </td>
                <td id="table-cell-e309569aced59edab273c38b6e220b76">
                  <bold id="bold-d48f0edd1e5f3238ba157552a70d0bf2">97,89%</bold>
                </td>
                <td id="table-cell-8f83b9d691ad0ac88c34eef3710b60eb">78,0%</td>
                <td id="table-cell-cf972184b4b9655078676ba41b871cf6">50,38</td>
              </tr>
              <tr id="table-row-fbd6e4907073f1900bdbecfa5ce53ed2">
                <td id="table-cell-eda0433d2da155219733c9098a988889">Sujeitos Nulos</td>
                <td id="table-cell-c4dbd339841b841c8a8e9d9fd2fad922">
                  <bold id="bold-f64b26674307ff1400428d6a397ec58b">2,11%</bold>
                </td>
                <td id="table-cell-1b5bf58436491dd7d23054e1b576ccd7">22,0%</td>
                <td id="table-cell-e728a5fced75fd2af82c798295c2b78e">49,62%</td>
              </tr>
            </tbody>
          </table>
        </table-wrap>
        <p id="paragraph-66f6782d36d9ad64dc77f231e4e14c82">É então que se observam os casos de variação, ou <italic id="italic-df833c668b0e071dd44afa1feec1375f">doublets</italic>, confirmando o papel da escolarização, como mostram os exemplos de Magalhães (2000) em (10). </p>
        <p id="paragraph-e3f44cb3a5eaccbeca8f0f0bd972302b" />
        <p id="paragraph-aff9bbe3d64b07212079a8ad646f1a02">(10)</p>
        <p id="paragraph-d9c2d7506b10f900aac1f407400e0f8c">a. <bold id="bold-c25fc16230d6501ca4fae7de341d5787">Ø<sub id="subscript-687a053bed0d017a2dc9ec9eb5f4784a"/><bold id="bold-75112ac06ed4245602d659c0b67121da"/><sub id="subscript-03b6e724a8639c20c6e56eecceaf4e05"/><bold id="bold-ea870fe6b563d645969257a67a8d68be"/><sub id="subscript-19b9db0421a55ecac153fb97c327a10a"/><bold id="bold-2cea0d09d5259a4330646bb9e47231ae"/><sub id="subscript-71c3ef5ab27b120540bf5ec52fda2d12"/></bold><bold id="bold-c3eff53c6f1ce83757e714ca0bf5101f"><sub id="subscript-2398b12322acb2c71ecba76f9d43e4f6">1ps</sub></bold> vou pedir uma ordem ao médico porque <bold id="bold-594f5d2420cc8ddb1fc4b14f5056f090">eu<sub id="subscript-7b272ed2f8c15029d5cb46a6df718488">1</sub> </bold>não agüento ver você sofrer mais. (7<sup id="superscript-7b735b651ab782c662c00ad229502c5d">ª </sup>série) </p>
        <p id="paragraph-2f49fee7d0dfc39c8cb05bc9d84d0762">b. <bold id="bold-ade4f52ebaa7875a86b0c87a5eeebe64">Eu<sub id="subscript-6a1528674d30b82628c1dc9492a30f33">1</sub></bold> estou de castigo, porque <bold id="bold-664d1079e335730d59002a51ba706590">Ø<sub id="subscript-1eaf6fea4c14413e9993f90d8f32bd61"/><bold id="bold-7d3a00d8811f20c312f3c502d21ad753"/><sub id="subscript-4b363a40ff1cb282e18582ea5ceeac7a"/><bold id="bold-5c80d202927fcffb74529caddf0c9810"/><sub id="subscript-82eade2007d920337476cd69f343e4d2"/><bold id="bold-5407833774b88ef3048e92b605ea7173"/><sub id="subscript-d5242cde9dcfd7079fa1cff62731d2fa"/></bold><bold id="bold-35a93442dd1fbb4bed1bbc268495f0d1"><sub id="subscript-e1a3195a1d36144884c21ae007b1b949">1ps</sub></bold> briguei com minha irmã e <bold id="bold-cfa306f2e70eab40d22c7139c9d32cb7">Ø<sub id="subscript-b75d3e0702a7d7963bb34de2aa758663"/><sub id="subscript-224dc6196cc7d03f0b6cf97001d02588"/><bold id="bold-20f89698d4d5b8e4b5481be1fa0389a3"/><bold id="bold-aa006d5439833169cd7b035b7ffabadc"/><sub id="subscript-4512e1c45b299eab46ac7df691711fe2"/><bold id="bold-e7a275ca52d2e6b67b29d31a29846536"/><sub id="subscript-4afe8649c6a25a8f0609c5e5d20bbc59"/></bold><sub id="subscript-c5378885371ca45539ffcef1afab6559">1ps</sub> não vou poder jogar futebol hoje. (7<sup id="superscript-2">ª. </sup>série)</p>
        <p id="paragraph-dde32c4277c9eeb524746c01843a5cc2" />
        <p id="paragraph-6ee6526dd9c0db59d5133d69f08df556">Note-se, porém, que no exemplo (10a) a oração principal vem com o sujeito nulo, c-comandando o pronome expresso na subordinada, enquanto o exemplo (10b) apresenta o contrário, o que mostra que a variação não envolve c-comando. O que esses <italic id="italic-be234ea7886d7a6c55177e6bbd3fc389">doublets</italic> evidenciam são reflexos da competição instável entre gramáticas. Segundo Kato (1994), a variação/opcionalidade que vemos nos estudantes e no adulto letrado constitui um fenômeno de <italic id="italic-95b228b0b9185ef25465232d5ff6f6d4">code-switching</italic> (alternância de códigos) do falante bilíngue, e o efeito é estilístico<xref id="xref-f2f38bacd9f6bef0b67c09c2fe109992" ref-type="fn" rid="footnote-afb45ee77476490a581ab09ae9abb5ea">7</xref>.</p>
        <p id="paragraph-81ffe459f49766ea8ea85d2c497c34d2">Quanto à língua-E do adulto letrado<bold id="bold-8bc2bc430e03625325ebf84e02f5669e">, </bold>podemos considerar que o índice de sujeitos nulos seria similar ao do escolar da 7ª e 8ª séries. A análise de Duarte (2007), que compara os resultados para sujeitos nulos de 3ª pessoa na fala espontânea de PE e PB (1995) com a escrita jornalística (editoriais, reportagens e crônicas) das mesmas variedades, não deixa dúvidas de que o PE é um sistema estável de sujeitos nulos, enquanto o PB revela uma diferença pouco significativa entre fala e escrita, embora os índices atestados para a escrita <italic id="italic-66fea478ed89d2ec575ad6ddd143cac1">standard</italic> se igualem aos encontrados por Magalhães em crianças no final do curso Fundamental.<bold id="bold-ece22e879f1ea0514e18a6a1e4ef8d1d"> </bold>O PE mantém um índice alto na fala e faz uso quase categórico do sujeito nulo na escrita do adulto letrado.</p>
        <fig id="figure-panel-3eeb3b02e835e38f2ac62fbf6172cf6f">
          <label>Figure 1</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-6560cdb28c2fdd17d923a0d7a0d8ce74">Tabela 2.</bold> Sujeitos nulos de 3ª pessoa na fala e na escrita de adultos portugueses e brasileiros.</title>
            <p id="paragraph-9ccb3737fec2ea77670e119751cc726c"><bold id="bold-746ad6c25ec9e9489e5c7da6f0a5ab2b">Fonte:</bold> Adaptada de Duarte, 1995, 2007.</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-0a05b3aa05543ece2f4ab6bc460e4d53" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="t2.jpg" />
        </fig>
        <p id="paragraph-66a8911598db6c0315c6caac23eb03ba">Nos exemplos que seguem, retirados de Duarte (2007), apresentamos exemplos de instabilidade na escrita de jornais brasileiros. Note-se, em primeiro lugar, a opcionalidade nos contextos com c-comando (11) e com antecedentes em outra função (12). </p>
        <p id="paragraph-4647992f883358eecc29de6193e90c60" />
        <p id="paragraph-02bf3203e0f25edda316cf6ebbd37e04">(11)</p>
        <p id="paragraph-d6c078e13d0b16f1856e023fd2dc6178">a. Durante a solenidade, <bold id="bold-89b1285582d36036bb162a85788486fd">César Maia<sub id="subscript-3d292b416455ee45d1149ae69b847e2d">i</sub></bold><sub id="subscript-9f23305d3176c3cb31c9d79baa1a16cd"> </sub>anunciou um pacote de obras que <bold id="bold-88a56617885d6d6f38a87371bb8e5125">Ø<bold id="bold-1e12d6e2555e0a5394590942cea589f9"/><sub id="subscript-f668757168e3518e77d6705fed20e5f0"/><bold id="bold-262d072660454f16c0438785deebefcf"/><sub id="subscript-59cacefcb5f5ab90639c1796db544cdd"/><sub id="subscript-a2b55973db5c5c44b5eb6b8ed7de8d07"/><bold id="bold-3e71a7f29cc660c7e68864425c8b8aef"/><sub id="subscript-fa3d63f7f54862f1840778285ff436c0"/><bold id="bold-162889ae5b0bd3ea29dfaef0d89fc7b3"/><sub id="subscript-f9a50e09084bc6cfb5f3a92c9e7d70d4"/></bold><sub id="subscript-cf2d632fcd620a60efb759c5847e7820"><bold id="bold-d11eaac3a02e52daa13599b050f5ea34">i</bold></sub><bold id="bold-b991115852fa9cca64198cbb3c192158"> </bold>autorizou para a Barra e o Recreio, já pensando na realização dos Jogos Pan-Americanos.</p>
        <p id="paragraph-e9cf6068fcb28d3b581f9775a4f95f77">b. <bold id="bold-42fd31e02f582dbcb6453b9907f5e80c">Ele<sub id="subscript-e6f2cbb7171490c91cde2754f12cc93a">i</sub> </bold>explicou que à tarde <bold id="bold-b4298beccb21e5b14ec977881dc08c9a">ele</bold><sub id="subscript-d22297bd01fb7043fc6f070642cb1b7e">i</sub> vai se dedicar a fazer uma avaliação de todas as alternativas de perguntas</p>
        <p id="paragraph-14b6fd315ebfbcef09dcf433c314017b"><bold id="bold-6a73dce6381541e7016810651d03e683"/>(12)</p>
        <p id="paragraph-1b0498a47443c6768c9ada53205ac584">a. Ninguém precisa levar <bold id="bold-75adead611b4cc380a012423608c4ee0">um gato<sub id="subscript-20d0eb6a58a140c3bc6bb66bdfb49920">i</sub></bold> à escola, conferir os <bold id="bold-d916a176c0b143a8abe2e55264cd12fe">seus</bold><sub id="subscript-b1680f6b2fe9231136871b261f3eeeb2">i</sub> deveres de casa, checar se <bold id="bold-4e3d39b01d0034b2a39c717d6f3c132a">Ø<sub id="subscript-6e02d59d2948d03ef0bd751683675ca3"/><sub id="subscript-a24b0079fc72c26568597dff5c18927a"/><sub id="subscript-8201c7631433ed3dbf0689d14e3e817c"/><bold id="bold-eec1cfc6e02e8ae342b323bc733fb7fa"/><sub id="subscript-caab13ee7419a3485c28b9d45d9724cc"/><bold id="bold-7d5993d139bb7eb34f9816dbe9a0f81a"/><sub id="subscript-572e8d7135830bc9b2f09b9addaae4c3"/><bold id="bold-b5ab5aee7d667908db97722f320fb185"/><bold id="bold-b6012fa35123085341560b4285206176"/></bold><sub id="subscript-07814cb54ef092ba8f603b226f87966c"><bold id="bold-5d3182893dea4328227888f133ce11a0">i</bold></sub><bold id="bold-12ad3e084c7b4987353a8c8a23dbe766"> </bold>escovou os dentes antes de ir para a cama (...)</p>
        <p id="paragraph-354168bd90a1698e4b9c44aa9d4f6d2d"><bold id="bold-72cda4e2c445a38acf5c11e1db7fafb5"/>b. A França se prepara para o ataque <bold id="bold-b562db5532569b4e23fd729eb2b1ee29">ao inimigo<sub id="subscript-79a80cb019e4cd1ea027bd5f2cc01b5f">i</sub></bold>. Sabe que <bold id="bold-b9093069985481991ca8eb91437c5ca7">ele</bold><sub id="subscript-10">i</sub> se aproxima, mas não sabe exatamente quando <bold id="bold-3a9b44ba09bcf793a5f951f83418e7db">Ø<bold id="bold-8b538f1f8c4877da1e490a8f6c36d220"/><sub id="subscript-32f518bfb18ed842f87f09805fb6276d"/><sub id="subscript-0374a0cb351fb6290dcfcb457b3c4c25"/><bold id="bold-da6b309e7759e1e372e413ac61edf637"/><sub id="subscript-d318a5d0be9b57e8b45c7accbbd6f7a0"/><bold id="bold-da3d7e208db217574c8908a7459f598f"/><sub id="subscript-a8cdbecf32f3d4dfa1e71c08c4f9bc77"/><bold id="bold-e6027d6cb09a6d40bce42d41768f2286"/><sub id="subscript-dfd404c1a25f084c899cef6189db67c6"/></bold><bold id="bold-37d87a7854149bda41751dbd6d559e75"><sub id="subscript-11">i</sub> </bold>aparecerá<italic id="italic-29bfb8d1e2d578d5fa14c143e1b6240e">.</italic></p>
        <p id="paragraph-5d1651edb8f0fdbe45c1639fd3d0e6d4" />
        <p id="paragraph-1e347615820d0460f3fadd3463769624">Note-se ainda que o paradigma de pronomes pessoais fracos para referentes não humanos, desenvolvido a partir da perda do caráter pronominal da flexão (Kato 1999) e já avançado na fala, se encontra plenamente implementado na escrita:</p>
        <p id="paragraph-2459395eef7f62ba94a7a8a4bca58b8a" />
        <p id="paragraph-c8c9f79e4b0508830d7844f633886bab">(13)</p>
        <p id="paragraph-9c541aeba6e9befdbce9d715fa316f8b"><bold id="bold-3f043954c521c07808440742e770ab9f">a. </bold>[O governo]<sub id="subscript-5ffcb04cb07dbb7454ffac0fad0b833c">i</sub> não considera nem o fato de que os possíveis desvios, injustiças e exageros de que <bold id="bold-86ab4ad91af1329ca176f3ecd1590b15">[ele]</bold><sub id="subscript-a952f63678873d402e3a4f50cb919b8d">i</sub> tanto se queixa são criticados na própria imprensa (...).</p>
        <p id="paragraph-1">b. Ainda não se falava [na incrível sorte que acompanha Felipão]<sub id="subscript-a713182de6b09c7e5e4869b1d3623701">i</sub>. <bold id="bold-ea5ca2e011a02b034dfa202a7680dc33">[Ela]</bold><sub id="subscript-9f3427910cec21c529904d247cc6d6e3">i</sub> só ficaria evidente para os portugueses no jogo contra a Inglaterra.</p>
        <p id="paragraph-2c6f440f4b7b9dd11cb6ad1d27b984b2" />
        <p id="paragraph-3172891f1e66acdacefedd282e8b7293">Em suma, a análise de Duarte (2019), com base em amostras gravadas em Lisboa e Rio de Janeiro, disponíveis em www.comparaport.letras.ufrj.br), confirma o progresso da mudança no PB (24% de sujeitos nulos de 3ª pessoa) e a estabilidade do PE (67%). Ao mesmo tempo, os resultados mostram que o sujeito nulo no PE, em estruturas com e sem c-comando é quase categórico com referentes com o traço [-humano] (em torno de 98,25%), enquanto o PB já exibe 50% de sujeitos nulos com esse traço. Estamos, pois, a meio caminho do não-apagamento de pronomes pessoais [-humanos], um traço que as línguas de sujeito nulo “consistente” do grupo românico (Roberts &amp; Holmberg, 2010) não exibem. Em resumo, enquanto o PE se mantém como um sistema estável de sujeitos nulos (apesar de exibir raros pronomes com o traço [-humano], o PB caminha em direção aos sujeitos pronominais expressos em todos os contextos.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-2a5e36330932a30ccb2d2324184337ff">
      <title>2. A perda da inversão livre no PB</title>
      <sec id="heading-f6b1558700f0be3a1f0ee571b94d1505">
        <title>2.1. O papel da prosódia na existência da inversão</title>
        <p id="paragraph-2379b5932181a9139b9382a0a78a8d18">Conscientes da mudança no PB, no que toca à perda parcial do sujeito nulo, Kato e Tarallo (1989, 2003), levantam a hipótese da perda da inversão “livre” no PB, como parte do mesmo macro-parâmetro. Mas os autores verificam que a inversão livre é ainda possível com verbos inacusativos<xref id="xref-994e8f915adcbb5ac0f1b47d33947695" ref-type="fn" rid="footnote-b9d496258937e766eaff2e2d1e05215b">8</xref>:</p>
        <p id="paragraph-7c21a640e087ed8da382136f410af66c" />
        <p id="paragraph-9d0d0a665ca652a3f0687a1efcbc55c3">(14)</p>
        <p id="paragraph-e470efefad82734f1e1a749a1a4c4375">a. Chegou <bold id="bold-d2df527fa344ef5dcd39f2df9301e388">o trem</bold>.</p>
        <p id="paragraph-d7e65b3cdd207a16fe7f4be072a2af3b">b. ?Dormiu <bold id="bold-feab36970223942dba3b1a4bac04fa35">o bebê</bold>.</p>
        <p id="paragraph-2c1de7452d4325de1c547fdd1ef3f999">c. ??Assinou a carta <bold id="bold-2ebd3d4678f180f3af02292fccabffdd">o chefe do departamento</bold>.</p>
        <p id="paragraph-9ee3bcdb7e71d103b4b7ea26819fe1e4">d. ???Enviou a carta a todos <bold id="bold-99d74e01204ce3c3d8a47953ec5ebe97">o presidente da empresa</bold>.</p>
        <p id="paragraph-0dd2cc8e3dd66e2d38ec5b637a1eaf20" />
        <p id="paragraph-206ef3db18555982be0f21721fb6c2c0">Kato (2000a), em pesquisa sobre inversão livre nas línguas românicas, identifica o motivo que está por trás da perda da inversão no PB. Estudando as ocorrências da inversão no espanhol e no italiano, a autora verifica um fato empírico interessante. Bentivoglio &amp; D’íntrono (1978), para o espanhol, e Benincá &amp; Salvi (1988), para o italiano, atestam que a inversão livre é mais bem aceita quando os complementos são clíticos e concluem que a inversão livre é propriedade de línguas que têm clíticos.</p>
        <p id="paragraph-0e4fa7cb8cd3800374051e21e10acc5e" />
        <p id="paragraph-7b1f476c1afc48a0e6014ef8cf6799d0">(15)</p>
        <p id="paragraph-1ac2aa40a34729dfc16747e8d35327d7"> a. <bold id="bold-e66717b292e489f6f56ed5f42eb197d3">Lo</bold> instaló <bold id="bold-e804457748b67462629da65cfdc46670"><underline id="underline-6b9323eb1b90c0d1ba5270e88357839f">Esteban</underline></bold>.</p>
        <p id="paragraph-523dc844310e12a3d074e990b50baf3e"> b. Quería hacer<bold id="bold-7421ee5f82b4272fc9d25decb70bb358">lo</bold> <bold id="bold-974fd423f174f4194f5adee0ec654325"><underline id="underline-fc75a6a212a8394192436d13bc881209">Juan</underline></bold>. </p>
        <p id="paragraph-041de049daad07a9de4c067ff85c29d3" />
        <p id="paragraph-54360dc03677b3872fb4a1b985653b96">(16)</p>
        <p id="paragraph-768756a167d144d5919d013648cd8715"> a. L'<bold id="bold-e9c64657e45bb6df5d75c025e0e9081e">há</bold> mangiata <bold id="bold-46bb3e63a4fcc32c6acb6aab2dc11c0d"><underline id="underline-3">la mamma</underline></bold><underline id="underline-4">.</underline></p>
        <p id="paragraph-7ece1b04a760a9f97fe2fd8be0663ef9"> b.?<bold id="bold-cb627747480f1f15b82b5253948abb66">Há</bold> mangiato la torta <bold id="bold-8ff69441701f3975a23df3e27c0c20d1"><underline id="underline-5">la mamma</underline>.</bold></p>
        <p id="paragraph-f13fe61af9c286c01b466464ce81d550" />
        <p id="paragraph-5be1a9a6264f4b9a249f9346cd68371d">Kato conclui que, no PB, a restrição vista para o espanhol e o italiano foi agravada pela perda de parte do paradigma dos clíticos <xref id="xref-e35556215cd4bb2269679af04cd90fb2" ref-type="fn" rid="footnote-019a8d2854afe8be07bb8c7a658ad187">9</xref>, perda essa que fez o lado do complemento mais pesado.</p>
        <p id="paragraph-e9a742314b3de99e1fd681ee770e1a95" />
        <p id="paragraph-38a7d6e4110a74b5930eee816a6a315b">(17)</p>
        <p id="paragraph-d8fe2fb9592cd4e6d9de2fa4882cbd03"> a. Comprou-<bold id="bold-46efebaa96d08a2309cd0f8a23f8a671">lhe</bold> uma joia o Pedro. (PE e PB Século XIX)</p>
        <p id="paragraph-de9274f93f3e30f7e97cfbd6f871fbe9"> b. Comprou-<bold id="bold-e42c5a8a357c40d65bf72669ef12475f">lha </bold>o Pedro.<bold id="bold-38a9f38dfaa074c8a3b1bc54a228a16d"> </bold>(PE e PB Século XIX)</p>
        <p id="paragraph-5119ee365d419e67a3b49a445f21ad72"> c. *Comprou <bold id="bold-ae0ab0d28c37b42f33db041a6ea88246">pra ela</bold> uma joia o Pedro. (PB Século XX)</p>
        <p id="paragraph-eb5fab35e02284083d0230315feabe49"> d. *Comprou uma joia <bold id="bold-d8c51c9e1e47976f648e012880dbbcc4">pra ela </bold>o Pedro. (PB século XX)</p>
        <p id="paragraph-db67bced8a0aed4cb3c17fdd847f74c9" />
        <p id="paragraph-00358103eb5aad6ae9253f331beac821">Zubizarreta (1998) vem ao encontro do achado empírico de Kato, propondo que a inversão livre resulta de uma regra geral de movimento condicionada pela prosódia, que ela denomina P-movement<xref id="xref-91aace32c842dc16d1e45c3c0969b442" ref-type="fn" rid="footnote-3c96975f953e5706f2c4071ecf5bc9b3">10</xref>. A existência de clíticos e sua natureza leve, explicam por que a inversão livre é encontrada em línguas românicas com um sistema robusto de clíticos, enquanto no PB a perda dos clíticos acabou por reduzir a inversão do predicado apenas a verbos inacusatios. Sendo, pois, a impossibilidade de inversão livre relacionada à ausência de clíticos, particularmente os de 3ª pessoa, é possível cogitar que a inversão livre seria um fenômeno independente do licenciamento de sujeitos nulos.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-33a49ec1806e1fa0192639b92c7b0cb5">
        <title>2.2. Elementos leves pré-verbais na inversão livre </title>
        <p id="paragraph-6966c53bcd02e306b880549370185ae2">Kato (2002a) e Kato &amp; Duarte (2003), em um projeto sobre o PB falado, concluíram que esta variedade do português rejeita estruturas com verbo em posição inicial (V-inicial) na inversão livre, com verbos transitivos e intransitivos, mas que a adição de um elemento leve em posição inicial tornava as sentenças possíveis. Esses elementos podem ser adjuntos, complementos ou até mesmo elementos discursivos. As autoras associaram essa restrição ao novo ritmo prosódico da língua, uma consequência do reassentamento do PSN. </p>
        <p id="paragraph-3625cfe7e1c30f4d04b7cb6e6e83f38e" />
        <p id="paragraph-c0013db9e88e8042d2b351bfb0e6ceda">(18)</p>
        <p id="paragraph-490dfe01de0de8eeb884be4d03d81999">a. <bold id="bold-ba8b025d72f2b480482da9a95cfe2659">Ali</bold> <underline id="underline-7cd870d345e0016f7f7450c04cd46df1">dorme</underline> <bold id="bold-6b053d6eb2f743a73fac06fd5c5f7582">o meu gato</bold>. </p>
        <p id="paragraph-0c92b3ce8f5aac31a8a1b98575375ca1">b. <bold id="bold-1f3a4ded10d9533adab8ea5e3f382efb">E</bold> <bold id="bold-2d497144920e967c546313542fdeeaf1">se</bold> impôs <bold id="bold-2f4e3478a9b0b1a8053cb6a4630ce807">essa atitude sua</bold>. </p>
        <p id="paragraph-927de0e399cffee93d03cf8e41cf7776">c. <bold id="bold-5c1f4504a1d439d893e5b90db87c64ba">Depois do direto</bold>r, <underline id="underline-a9303d4bc35da4255a012fc73578a64d">assinou</underline> a carta <bold id="bold-d9b279c846cfed1d8aacb74b9e9dcb85">o chefe do departamento</bold>.</p>
        <p id="paragraph-5691b4a040b392108beb8d43576e3409" />
        <p id="paragraph-0cfaf997a67a44b6fb220ae688cbad1b">Em 2006, Pilati propôs que a inversão livre se obtém mais facilmente quando um elemento dêitico ou locativo satisfaz o EPP (18), com a ocupação da posição V-inicial<xref id="xref-9f0217c95adcb83a9371f38de5409c8d" ref-type="fn" rid="footnote-0aed578d4de69bb72cea3d4f72d23227">11</xref>. Em (16c), a autora mostra que o locativo pode controlar o sujeito da encaixada:</p>
        <p id="paragraph-50bad7b53354c2919f78abc353d6565e" />
        <p id="paragraph-c3c8aef1494daa646b3bd483faabbdae">(19)</p>
        <p id="paragraph-01bdfbffdffb480f00cbdda014edce7c"> a.* <underline id="underline-fa03996bcd94fa1b9277bb19d0fa9fea">Dormem</underline> <bold id="bold-b86f59d45d777476c99c83cd9a5751c4">aqui as crianças</bold>.</p>
        <p id="paragraph-438c016852f0b149128f7caf8ad1a9e0"> b. <bold id="bold-772d64156362bfcaecd7e93ec8d2a5a4">Aqui</bold> dormem as crianças</p>
        <p id="paragraph-cc2cd1916408d2f6fad029be50607304"> c. <bold id="bold-b10ac4e3f99140bdd05d20a0fe747e75">Aqui</bold><sub id="subscript-90698af24ca383d7f626755116335501">i</sub> dormem as crianças porque <bold id="bold-20c7770bb51cb7104d40b8152f229891">Ø<sub id="subscript-1fa817ecdea22eaae31dad5b6c4a687c">i</sub> </bold>é mais quentinho.</p>
        <p id="paragraph-7d764e4a965dcdda06e97307316291c6" />
        <p id="paragraph-065f5de82fe2b00c118df6b40bcc1353">Mais recentemente, Buthers &amp; Bonfim Duarte (2012) propõem que, à medida que o PB se torna uma língua de sujeito nulo parcial<xref id="xref-ec29caa111a7b120179e5ba466981bf4" ref-type="fn" rid="footnote-6339f4a45970f1c9d5890fb193b4c784">12</xref> - com pronomes referenciais expressos, mas com expletivos nulos – constituintes locativos podem se gramaticalizar como expletivos, tal como o <italic id="italic-3eaed623409c453f39e90f571adb56d3">there</italic> do inglês. Com isso, o padrão XP V (YP) também a aumenta.</p>
        <p id="paragraph-67c4dc71bd194d79cae4954aafdbff3f" />
        <p id="paragraph-ef22b8990c00a4d0987fbca3535e8b73">(20)</p>
        <p id="paragraph-1f331504f132324acb559449c1e70a3b"> a.<bold id="bold-b8840ca966cb49bdb3f4e95c81779166"><italic id="italic-805997971063fa207fae7d62d6635302"> </italic>Lá</bold> <underline id="underline-0048a9dbe54aa8ab48f15916a34b3762">vai</underline> <bold id="bold-26770d0ebd451acd3613408e5d995b4a">o time de futebol. </bold></p>
        <p id="paragraph-e94317020c678e8628609a46271c3b7c"> b. <bold id="bold-651ce8301e565ce2f75abe10bf45ef66">Ali</bold> <underline id="underline-af30325ecc6ae25edc7f2558d641e584">fica</underline> <bold id="bold-ccd9c2d2dbb40aabecfe39551940d83d">a mesa.</bold></p>
        <p id="paragraph-c60b846d1c2e943c2c7456f768d431f0">
          <bold id="bold-a2feabcd6f91a33f3410864922ef6c01">c. Na praia </bold>
          <underline id="underline-1116888aa994eac3b06fbc0ef1f9e223">tem </underline>
          <bold id="bold-0a551f7d4f08e6cdc3dbb7fbbca36991">muita gente.</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-208a0fc4fe4e53a0aa555affffd608e8">
          <bold id="bold-9e9eb6fa085aa3bf3ff12bf82f0e3bea">d. A praia </bold>
          <underline id="underline-93cf892ce31729abdbe88948557afd4d">tem</underline>
          <bold id="bold-8fe77071e77549ee7c33dc547e12cb0d">muita gente.</bold>
        </p>
      </sec>
      <sec id="heading-1f48c8c0182c7ddce2d1fce1d508eac3">
        <title>2.3. A função da ordem VS/SV com inacusativos</title>
        <p id="paragraph-19fe843a34558c97680d7a1b4186ba7d">Nas línguas românicas de sujeito nulo as ordens VS/SV coexistem, em geral, para codificar os juízos tético (apresentativo) /categórico (predicacional), independentemente do tipo de verbo<xref id="xref-439251df63d52b395a5833589b65eb2d" ref-type="fn" rid="footnote-832e2250d437cb8711af0a0da2fe6da9">13</xref>. Com os verbos inacusativos, o PB mantém ainda essa distinção, mas, para muitos falantes, o inacusativo já está seguindo a tendência dos demais verbos, a de codificar juízos téticos com a ordem SV<xref id="xref-17dc53b39da818b929c9f93a9707d224" ref-type="fn" rid="footnote-2d3760c2f3a1f9b162dce46f75cea22d">14</xref> como em (21b).</p>
        <p id="paragraph-8af2daa13e8d1384d0d9bd2f134ecb7f" />
        <p id="paragraph-3bb89a537b7055fe22c7b3ec87db3244">(21)</p>
        <p id="paragraph-1e997c88a15230c32662f8be8c084888"> a. Chegou <bold id="bold-046db9aa5f1f83e67b63ff6b7c4166b5">uns ovos estragados</bold>. (tético)</p>
        <p id="paragraph-545b2c280e71aa8eee48d324b7109e59"> b. <bold id="bold-df822329c5880678066f56048d20f3f2">Uns ovos que você encomendou</bold> chegaram estragados. (tético)</p>
        <p id="paragraph-126d068f6fbfa5882035ccca71973de7"> c. <bold id="bold-af3940f9b2156bd065f638055e5e89d8">A Maria</bold> chegou. (tético ou categórico)</p>
        <p id="paragraph-3ee34acc34f80c1b0901aca166ddec94"> d. <bold id="bold-5aedbe3ea6ba703c124cb6375457539b">A Maria</bold>, <bold id="bold-36ff45c72618bdc3db56350255e568cb">ela</bold> chegou. (categórico)</p>
        <p id="paragraph-8ce6f52acf60570ab6d8bf4dae800327" />
        <p id="paragraph-d6c9d56ccddcca8844a91e3ccaafb952">A falta de concordância com o argumento interno dos inacusativos na ordem VS, como ilustrado em (21a), levou Kato (2002b) a propor que essa construção teria sido resultado de reanálise dos inacusativos como um verbo existencial com um sujeito expletivo nulo do tipo dêitico como <bold id="bold-ba7493e9f3776744eb51a646b4c543a8">aqui</bold>, <bold id="bold-f7a97c9f5e097a3047684d49f597f312">aí</bold>, <bold id="bold-dbe617a05cd7e5bf4a975871b33dde1e">agora</bold><italic id="italic-3a5133e092912b492675815fad94ffc4">. </italic>Daí a não concordância entre verbo e argumento interno.</p>
        <p id="paragraph-306ffa59f035b36b755170ebd03406ec">A ordem SV dos inacusativos apresenta, por outro lado, uma novidade no PB: alçamento de um genitivo ou dativo para atender ao EPP<xref id="xref-15b37032eaf90daa305a7d92c3b160dd" ref-type="fn" rid="footnote-098be66365503a7a48869cb9bf16b331">15</xref>. A construção categórica genitiva como (22b), com a perda do genitivo de 3ª pessoa, passa a exibir, em seu lugar, uma construção que se denominou <bold id="bold-74e71da1571c3075b019ff64d99936bc">tópico-sujeito</bold><italic id="italic-fbaa54bd34573ea0223e3cd26f78a22d">. </italic>Por outro lado<italic id="italic-fff097b84e929c6cf0a12366a87ba339">, </italic>com a perda do clítico dativo <bold id="bold-0461ab6fc6dffd929fb02edbfef4db7f">lhe/lhes </bold>de terceira pessoa,<italic id="italic-cfc336c38be85ecb94c1dd7fc0d0ea80"> </italic>perdemos o CLLD (Deslocamento Clítico à Esquerda), como em (23b), e passamos a ter uma construção de tópico-sujeito.</p>
        <p id="paragraph-8cb9fc215496cb3df5d6e3517daed1a1" />
        <p id="paragraph-629f59cae287b17ec95031a7306f23d2">(22)</p>
        <p id="paragraph-a954bbbe90c35390cb85bfdad751bb71"> a Quebrou os ponteiros dos relógios. (tético) PB </p>
        <p id="paragraph-f83af64c9cfc123724cc1f90f067d44e"> b. Os relógios tiveram <bold id="bold-0547cf782e4fc2530ca7be4b7e245127">seus </bold>ponteiros quebrados. (categórico) PE</p>
        <p id="paragraph-5e1d3c0306282bcae89f57d28f9a21e6"> c. Os relógios <bold id="bold-02148aa39d3c70736d3b07be9314d3dd">quebraram</bold> o(s) ponteiro(s). (categórico) BP Tópico-sujeito</p>
        <p id="paragraph-8aca1720513890baff966274926e89fb" />
        <p id="paragraph-de15b6e1d95d8bfbc6daec91e252159c">(23)</p>
        <p id="paragraph-0e104bcbabf7141e5dfc0be9fda561e5"> a. Faltou sorte aos meus times. (tético) BP PE</p>
        <p id="paragraph-6486257bbbd2ede899be95470850eb34"> b. <bold id="bold-7f119a9160d60f5ee208fbb509f4e801">Aos meus times</bold>, faltou-<bold id="bold-2c3454c010e99145d9d36a5f945c7142">lhes</bold> sorte<italic id="italic-ed48eb5a8a5653140783ee569348c3a1">. </italic>(categórico) <italic id="italic-116fe05655f35cdd588ef8ad6b5797f4"/>*BP<italic id="italic-28d7d53caa302c95c3106dc95e74831a"> </italic>PE CLLD</p>
        <p id="paragraph-a3699f8c1615ea6b89730fe4a23b89d6"> c. <bold id="bold-fbda4cacb285ad877a396a1da790ecde">Os meus times</bold> faltaram sorte.<italic id="italic-9b9f399374f48092ba0e92bd37001ed3"> </italic>(categórico)<italic id="italic-c96610a05161991433fe38e387f56d8f"> </italic>BP *PE Tópico-sujeito</p>
        <p id="paragraph-2a5b1f22e87c1a1cb29325b389ccbd2d" />
        <p id="paragraph-3a33b2a1a051d1b10175b0d50fc36626">Para Duarte e Kato (2008) essas construções apareceram em função da perda do sujeito nulo referencial no PB e sua passagem de uma língua de proeminência do sujeito para uma língua de prominência de tópico, visão partilhada por outros linguistas brasileiros<xref id="xref-72d9c85154c1d3ddfa8067c0d6db5c2b" ref-type="fn" rid="footnote-bf0ae067827c6d8ef590b26e66be9ec9">16</xref>. Para Kato &amp; Ordoñez (2019), porém, o aparecimento da construção de tópicos-sujeitos se deve não só ao empobrecimento do paradigma de concordância, mas também às perdas ocorridas no sistema de clíticos dativos do PB e da perda do possessivo de terceira pessoa, que afetou, como consequência, a construção de CLLD (Clitic Left Dislocation) e as construções genitivas com <bold id="bold-c1f55d4f88ab3398f8e4b5022efa27c5">seu/seus/sua/suas</bold><italic id="italic-98e1239a842981b500ea889c08bb0187"> </italic>para referência à terceira pessoa em construções categóricas do PB, o que não ocorre no PE. </p>
        <p id="paragraph-b07534e3d62839fff13cf40724b5d46b">Sentenças locativas constituem outra classe que vem sofrendo mudança semelhante, com alçamento do locativo para formar um padrão de tópico-sujeito. Um jornalista anunciando o tempo pode usar tanto (24a) como (24b) ao começar um noticiário. Mas, se ele acrescentar “Rio” à mesma notícia, deverá usar a variante (24c.)</p>
        <p id="paragraph-7a1be05b6fe467cac117017f19c094bc" />
        <p id="paragraph-a1681237ae4c4f6e0e9256921d48be78">(24)</p>
        <p id="paragraph-77218778d071bb2becc2bdae7685aaf6"> a. Chove em São Paulo. (tético) </p>
        <p id="paragraph-4196acc7ed9b614e156094432022d283"> b. São Paulo chove. (tético ou categórico).</p>
        <p id="paragraph-22d6b7a54264066183612cefc488b98a"> c. Chove em São Paulo; no Rio faz sol. (tético; categórico)</p>
        <p id="paragraph-0778548f0b58f4f20dc1d483b48e1539" />
        <p id="paragraph-3afa29364ff4414f9cf4bed36f54d6b2">Há, entretanto, uma tendência hoje à preferência por SV para expressar o juízo tético, o que possibilita evitar o padrão linear V1<xref id="xref-9dfa01bc0b8addb6dc6b7cd3d0a80608" ref-type="fn" rid="footnote-106c15b2a84181aaca0afb4523bfcf30">17</xref>. Nos dados recolhidos de maneira não sistemática, o exemplo que ilustra (24c) foi ouvido no início do noticiário sobre o tempo em São Paulo tal como mostramos em (25d).</p>
        <p id="paragraph-587266448636d638d89e33efa6bece79" />
        <p id="paragraph-3ff5fef848ebc224954e634d8d895c31">(25) d. São Paulo chove; o Rio faz sol.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-a4be621f0846e2a335ab1ec0f0fff3d4">
      <title>3. Desencadeador morfológico e consequência prosódica</title>
      <p id="paragraph-dd06de1454e07aded5d664098b74e491">Até recentemente, assumia-se que a perda parcial dos sujeitos nulos referenciais tinha a ver com a perda da riqueza morfológica do nosso paradigma de flexões de pessoa (DUARTE 1995, e.o.) e a sua substituição por pronomes fracos livres (CARDINALETTI; STARKE, 1999; KATO 1999).</p>
      <p id="paragraph-f9e9d060674109187d58ecf97e4aad85">Sem ignorar a perda da riqueza morfológica em virtude da mudança no paradigma pronominal e a proeminência de tópico no PB, aqui propomos que, no nível da Forma Fonética, passamos a ter uma mudança paralela na prosódia sentencial. Da possibilidade de V-inicial das línguas prototípicas de sujeito nulo, passamos a ter preferência pelo padrão linear V2. Também com a inversão livre, há uma rejeição inicial dessa construção V1, sanada parcialmente com a presença de elementos dêiticos iniciais, resultando em construções lineares V2.</p>
      <sec id="heading-63981e7d6eebc23fcfe30f71a763b207">
        <title>3.1. Sujeitos nulos são sujeitos elípticos</title>
        <p id="paragraph-afa0a031f07307715c023213092ae81e">Ao invés da clássica análise de sujeito nulo como <italic id="italic-18c9419e1b441f394b3a6ba054850512">pro,</italic> adotamos o conceito de sujeito nulo como elipse de pronome (cf. PERLMUTTER, 1971; HOLMBERG, 2005; ROBERTS, 2010). Evidência para essa concepção pode ser vista na série de exemplos abaixo. </p>
        <p id="paragraph-4c7959a22c6ddad96a34c53af9f7f48f">Embora V2 tenha se tornado o padrão sentencial preferencialmente com sujeito expresso, o apagamento do sujeito pode ocorrer quando ocorrem elementos leves preverbais como a negação, clíticos, locativos em primeira posição (DUARTE, 1995; KATO; DUARTE, 2018a), que preservam o padrão V2.</p>
        <p id="paragraph-4dc5fc36be17ec510af32c581b0a909f" />
        <p id="paragraph-1dca45530cb1d407a35649f488cdae44">(26)</p>
        <p id="paragraph-667dfaa0631b63f2742f35a38cbef783"> a. <bold id="bold-fcdf138a6fea6c15a012c61c60bb0529">(Eu) Já </bold>trabalhava naquela época.<italic id="italic-ac1ff77802b1a1cfe52b07c316a93e51"> </italic></p>
        <p id="paragraph-b5984a5e88bff968d53dc5b1a1039a64"> b. (<bold id="bold-538ce10863092560908053d8e3dfda1a">Cê</bold>)<sub id="subscript-cebf729f06835dab3b9da66479dcf0a8"> </sub><bold id="bold-5839d8a889d9b0869350fc18390f23cf">Nunca</bold> ouviu falar nele?<italic id="italic-6d4caa0330b815be276775bea20a1b08"> </italic></p>
        <p id="paragraph-3147400702f16f1240f0116ad2e88fef"> c. <bold id="bold-0ca99bdadf22d9e1282ee3cbf0882808">(Ele</bold>)<sub id="subscript-0d0e691e919da72c58420e054288bd26"> </sub><bold id="bold-ef530c2d9d5f237c7705d8ba76a9d184">Não</bold> aguentou o tranco.<italic id="italic-0750dc76340447a5d47273db4662e8fe"> </italic></p>
        <p id="paragraph-ea0801bd55f9ff007621d5e6c8fca4f9"> d. (<bold id="bold-3452cdd4013ff903f69a908a42ee4d9f">Eu</bold>) <bold id="bold-801b4f91c1c5ce494302d0311d0a8110">Me</bold> tornei independente.</p>
        <p id="paragraph-fd64d30a6ab0798868ae2978768a5ab8"> Exemplos de Duarte (1995)</p>
        <p id="paragraph-73285468c2f8aefc0f941720b45da633" />
        <p id="paragraph-c210bd8d90d85eccc2e1babff946326d">Veja ainda o seguinte contraste:</p>
        <p id="paragraph-abfce1de36a6c70f9ab1488cd9048b19">(27)</p>
        <p id="paragraph-159832f19ad30039eab5fdd8e803ee11"> a. %* como cenouras cruas.</p>
        <p id="paragraph-c5a8bc36da8af4e7c1b12fd3db6a13d2"> b. <bold id="bold-f0d0425f5ea804ec619be50b2da47e53">Não</bold> como cenouras cruas.</p>
        <p id="paragraph-4f134971fbcc5b1a946020943a7752c1"> c. <bold id="bold-a88a123a5a600c1fafca4a14d5c71569">Só</bold> como cenouras cruas.</p>
        <p id="paragraph-10"> d. <bold id="bold-bae93234ea022609ba713aaabefd393b">Eu</bold> como cenouras cruas.</p>
        <p id="paragraph-cf1b2126e173e3101bde80ec30dd6124" />
        <p id="paragraph-7a74528fc1231bd7c9f8d7d15debd714">Até mesmo a criança citada acima por Simões, com três anos de idade, que distribui os nulos apenas para expletivos (28), apresenta uns poucos exemplos de nulos referenciais quando o verbo é precedido de algum elemento:</p>
        <p id="paragraph-37a3b71aaac18197dcbe11abaf82b15e" />
        <p id="paragraph-08a13b8836c3b2852d198fc72ff1e034">(28)</p>
        <p id="paragraph-c0e99099e170ee5c142eb6bbc00c05f7"> a. <bold id="bold-b67df049c51e618084c59ebda6e9ab48">Não</bold> tô conseguindo. (Andrés, 3,0)</p>
        <p id="paragraph-08167c6c6b4ed2831357031dae5516ad"> b. <bold id="bold-e9d8700529b2243a48cfa2728624eb07">Também</bold> são assim. (Andrés, 3,0)</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-0a2bd19b88863256cbfc3d5a166e25e9">
      <title>4. Conclusão: de “Evite pronome” (Chomsky 1982) para “ Evite V1”</title>
      <p id="heading-35fc72495a219f70c19c0ec08713a5ad">Concluindo, podemos afirmar que uma regra estilística prosódica afeta tanto a inversão livre quanto a sentença com sujeito nulo no PB:</p>
      <p id="paragraph-f1ef3970d6d523f6361de62365103942" />
      <p id="paragraph-a446d0f2d3394a0ea39aad42d1af8df3">(29) a. <bold id="bold-19bc3b8f18a3930e58032cea84afa61a">Lá</bold> vem a Maria.      (V2)   b.*Vem lá a Maria. (V1) </p>
      <p id="paragraph-666a1ad7682c92a3a8c35e3881ad32a2">(30) a. <bold id="bold-b345bc8dc4b5971fa326b6569327b6ba">Você</bold> é americano?<italic id="italic-f28559f6e4bfe79f09d329ac8c0b2900"> </italic>(V2)   b.* É americano?<italic id="italic-0a6dfaf9f7ee2ff981d6747db3f6edf8"> </italic>(V1)</p>
      <p id="paragraph-5">
        <bold id="bold-3" />
      </p>
      <p id="paragraph-ecb2808f56c0bb8449db77528a475ce0">Logo, embora o sujeito nulo e a inversão sejam independentes quanto ao que motiva a mudança, a perda da riqueza morfológica de pessoa, no primeiro caso, e a perda parcial dos clíticos, no segundo, os dados aqui apresentados permitem concluir que o resultado da mudança é uniformemente atingido pelo ritmo prosódico, que favorece um padrão linear V2. </p>
      <p id="paragraph-341dd99eb23c3aee79f3b96340b07d16">Nossa proposta é, portanto, que, na interface com PF (Forma Fonológica), as línguas têm filtros em relação ao seu ritmo. Para dar conta da preferência por certas formas nesse estágio da mudança em curso no PB, essa proposta pode ser traduzida numa condição do tipo “Avoid V1”. </p>
      <p id="paragraph-bb6472134074af0b91e4b226285a9d1c">A sequência V2 que resulta dessa condição, entretanto, nada tem a ver com o que acontece com a ordem V2 das línguas germânicas, cuja motivação é estrutural, com um XP que se move para Spec, C a fim de satisfazer o EPP. Esse contraste mostra que, no caso do PB, o elemento preverbal pode ser um X (um núcleo) ou um XP (uma projeção máxima). Podemos conjeturar que o padrão rítmico entra como um tipo de Parâmetro, tal qual a morfologia. No estágio atual da mudança em curso, a criança provavelmente seria sensível à prosódia antes da morfologia.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-be8f638b0c666b73814952b6b977e91e">
      <title>Referências</title>
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      <p id="paragraph-9157f5b6b9080a17246cf8e2def4b143">________;  KATO, Mary A. <bold id="bold-d2f713718f516999ba2faf8b36db65ac">Português Brasileiro: uma viagem diacrônica.</bold><italic id="italic-3cffe688cd3e027e7dcd6cb95dab108e"> </italic>Campinas, Editora da UNICAMP, 1993.  São Paulo: Editora Contexto 3ª. Edição, 2018. </p>
      <p id="paragraph-09c8b857f0e5a5a2335bd3ed331dfe8a">SIMÕES, Luciene. J. Null subjects in Brazilian Portuguese: developmental data from a case study. In <italic id="italic-2893a3f4150c72418139d5c2efa55e91">In: </italic>KATO, Mary A.; NEGRÃO, Esmeralda V. (eds.), 2000:75-104. </p>
      <p id="paragraph-aea55d54b8147e8fe59b9849f0c41bb2">ZUBIZARRETTA, Maria Luísa. Prosody, Focus and Word Order. Linguistic Inquiry Monographs, 33, 1988, The MIT Press. </p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-f0ecd757fd7fc925aa874771fae4684f">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-06f6f820d598643591d92fdf66ddfbdc">Agradecemos a um dos pareceristas que nos indica dois itens bibliográficos que podem ser úteis para esse futuro trabalho, a saber, Mara Frascarelli e Tania Stortini (2019); levaremos também em conta o trabalho de Adams (1988), que tratou da mudança na passagem do francês antigo para o médio, para língua sem sujeitos nulos, levando em conta o efeito da prosódia.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-27ad976ef55e9152e6307f0d0d0badaf">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-349414acd34b93e7ff01f2b05bbaa547">Segundo os autores, línguas de sujeito nulo parcial permitem controle do sujeito de terceira pessoa da principal sobre os sujeitos nulos do complemento de verbos como <italic id="italic-1">dizer, pensar </italic>e<italic id="italic-2"> perceber, </italic>entre outros<italic id="italic-3">: </italic></p>
        <p id="paragraph-2">(i) O João<sub id="subscript-1">1</sub> disse que<italic id="italic-4"> </italic>(ele1)tinha comprado uma casa.<italic id="italic-5"/></p>
        <p id="paragraph-3">No PB, embora seja este o padrão mais resistente para a ocorrência de sujeitos nulos, ilustrado em (3), outros padrões ainda licenciam nulos, como mostraremos em (5)-(7). A perda do sujeito nulo no padrão com anti c-comando (exemplo 4) com o sujeito da adjunta anteposta licenciando um nulo na principal posposta), uma propriedade crucial das línguas românicas de sujeito nulo, é quase categórica no PB, mostrando-se o contexto mais facilmente vencido no processo de mudança em curso, nos dados da Língua-E (Cf. DUARTE, 2019). </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-63018590db6f4d3a26ae9ef1f5c11a23">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-a27d416bc9b17cbef13e8ac3e7eb2ed5">Segundo as autoras, o PB vai se tornando gradualmente uma língua de sujeitos expressos e de objetos nulos, processos que parecem ocorrer independentemente, mas seguem uma mesma hierarquia referencial, que contém num ponto mais alto itens de maior referencialidade, com o traço [+humano], como os pronomes de 1ª e 2ª pessoas; num ponto mais baixo, vemos os pronomes de 3ª pessoa, em que os traços [+/-específico] interagem; mais abaixo temos as proposições e, finalmente, os itens não argumentais. Como constatam as autoras, a hierarquia proposta é altamente relevante nos casos envolvendo pronominalização. Quanto mais referencial um item, maior a possibilidade de um elemento expresso, o que explica, o avanço mais rápido do sujeito pronominal expresso de 2ª e 1ª pessoas, bem como os indeterminados (arbitrários ou genéricos), que trazem igualmente o traço inerentemente [+humano]. Seguem mais lentamente, apesar de em estágio já avançado, os itens de 3ª pessoa, especialmente quando interagem os traços [-humano/-específico]. No ponto mais baixo da hierarquia estão os expletivos, que se mantêm nulos no PB, embora já em competição com uma serie de estruturas de alçamento (Duarte &amp; Kato, 2008; Kato &amp; Duarte, 2017; Duarte 2017, e.o.). O objeto nulo segue direção oposta, a partir dos itens proposicionais ou neutros. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e147e04dd7530950a10348d88a21213e">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-0710d3217582cf8e18997f7d29ebf6cc">Para Chomsky &amp; Lasnik 1977 regras estilísticas se localizam na Forma Fonética (PF) e não no componente computacional.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-29bfae3043b6cf9a8980ba6483425300">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-3954c2f592dce5d601dbe137fbd8b905">Na amostra do PE, o sujeito nulo é quase categórico nos padrões com e sem c-comando ilustrados em (3) e (4).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-98c446ceac90c68ec0d7283c27725867">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-3935e53d9819e8f95b0435ae233c2919">A autora é do Rio Grande do Sul, onde se preserva o pronome ‘tu’, embora este pronome tenha perdido a flexão de concordância correspondente.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-afb45ee77476490a581ab09ae9abb5ea">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-5807f8608c1233319c6e316e9116e48c">Para Chomsky (1988) a língua-I do adulto pode conter uma periferia estendida com formas antigas, ou até mesmo uma segunda gramática, o que acontece com a língua-I de filhos de imigrantes. Ver ainda Kato (2013).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-b9d496258937e766eaff2e2d1e05215b">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-f203b569aa574581bae39d47107d50ea">A mesma restrição é atestada na ordem VS em interrogativas-Q por Duarte (1992).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-019a8d2854afe8be07bb8c7a658ad187">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-df48d6b1b2b82745e81fb2a58306fdad">Sobre perda de clíticos no PB ver Duarte 1986; Cyrino 1993, 2019; Nunes 1993, 2019; Pagotto 1993i.a.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3c96975f953e5706f2c4071ecf5bc9b3">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-7eac4f24f45f8962ff77951ea7c8492e">Ver resenha dessa obra de Zubizarreta em Kato (2000c).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0aed578d4de69bb72cea3d4f72d23227">
        <label>11</label>
        <p id="paragraph-9071e05adb2d8a10e95f62170b660d30">Muitos exemplos de Pilati são de narração de jogo de futebol – uma tradição discursiva que vai cada vez menos mostrando VS.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6339f4a45970f1c9d5890fb193b4c784">
        <label>12</label>
        <p id="paragraph-04219882fdf074948e73e8dea797af1e"><underline id="underline-1">U</underline>ma classificação, que, como vimos, não se conforma para o PB com o rótulo que tem sido usado para línguas que admitem um sujeito nulo em condições muito restritas.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-832e2250d437cb8711af0a0da2fe6da9">
        <label>13</label>
        <p id="paragraph-d40d54a2d20b5dc8de29eba5ca9ceb6e">Cf. a distinção entre tético <italic id="italic-a572b8b5efb6dac17e46ee97643d3aab">vs</italic> categórico em Kuroda (1972). Ver também Kato &amp; Martins (2016) e Kato &amp; Duarte (2018b). </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-2d3760c2f3a1f9b162dce46f75cea22d">
        <label>14</label>
        <p id="paragraph-4ce40b6a81a710cbc2c7f86745e9e568">Cf. Britto (2000) para quem a perda da ordem VS levou SV a assumir o caráter tético e o deslocamento `esquerda a função categórica. </p>
        <p id="paragraph-77cef44442cba4badc25e8a930c69726">(i) O bebê sorriu. (tético) (ii) O bebê, ele sorriu. (categórico)</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-098be66365503a7a48869cb9bf16b331">
        <label>15</label>
        <p id="paragraph-ca968a7149a131989da4154afebf3012">Fenômeno introduzido por Pontes (1981, 1987) e estudado por muitos linguistas brasileiros, entre eles Kato 1989; Galves 1998; Modesto 2008; Negrão 1999, Duarte &amp; Kato 2008, Kato &amp; Duarte 2008; Kato &amp; Duarte 2017; Kato &amp; Ordoñez 2019 e. o.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-bf0ae067827c6d8ef590b26e66be9ec9">
        <label>16</label>
        <p id="paragraph-1bf17722723e38b5f91890b745332ef9">Cf. entre outros os autores citados na nota 11. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-106c15b2a84181aaca0afb4523bfcf30">
        <label>17</label>
        <p id="paragraph-5f7d245581e9bdd20924f282bd6f3501">Para Kato &amp; Ordoñez (2019), o padrão SV pode ser já uma construção antiga desde o desaparecimento do clítico <bold id="bold-0a8c7489350a80912037e6737032aa23">hi </bold>(Chove <bold id="bold-5f3c4807025b05db4788f6da0388640a">hi</bold> em São Paulo)<italic id="italic-5d46eec047e5879925f3d9b838a49d1a"> </italic>no período clássico (cf. Castilho 2007).</p>
      </fn>
    </fn-group>
  </back>
</article>