<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.2 20190208//EN" "JATS-archivearticle1.dtd">
<article xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:ali="http://www.niso.org/schemas/ali/1.0">
  <front>
    <article-meta>
      <article-categories>
        <subj-group>
          <subject content-type="Tipo de contribuio">Relatório de Pesquisa</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title>Predicação Secundária Depictiva</article-title>
        <subtitle>Small Clause, Concordância e Derivação</subtitle>
      </title-group>
      <contrib-group content-type="author">
        <contrib id="person-b68e7d0293efe3c318fa7a652445a8e8" contrib-type="person" equal-contrib="yes" corresp="no" deceased="no">
          <name>
            <surname>FERREIRA </surname>
            <given-names>Elisabete Luciana Morais</given-names>
          </name>
          <email>elisabete.morais.ferreira@gmail.com</email>
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-e94276164830252c356df6ab6f92570b" />
        </contrib>
        <contrib id="person-fee4574c49d234a241273692c306015a" contrib-type="person" equal-contrib="yes" corresp="no" deceased="no">
          <name>
            <surname>VICENTE </surname>
            <given-names>Helena da Silva Guerra</given-names>
          </name>
          <email>helenaguerravicente@gmail.com</email>
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-e94276164830252c356df6ab6f92570b" />
        </contrib>
      </contrib-group>
      <aff id="affiliation-e94276164830252c356df6ab6f92570b">
        <institution content-type="orgname">Universidade de Brasília (UnB)</institution>
      </aff>
      <volume>2</volume>
      <issue>4</issue>
      <issue-title>predicação secundária depictiva: small clause, concordância e derivação</issue-title>
      <fpage>1</fpage>
      <lpage>26</lpage>
      <page-range>1-26</page-range>
      <history>
        <date date-type="accepted" iso-8601-date="30/08/2021" />
        <date date-type="received" iso-8601-date="17/08/2021" />
      </history>
      <permissions id="permission">
        <license>
          <ali:license_ref>http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/</ali:license_ref>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Este artigo relata os principais resultados de Ferreira (2017), dissertação que investiga construções de predicação secundária no português brasileiro (PB), como “O João leu a carta cansado” e “O João comeu a carne crua”, caracterizadas pelo fato de um mesmo argumento ser partilhado por dois predicados: o predicado da oração matriz e o adjetivo, predicado secundário depictivo (cf. <ext-link id="external-link-1">HIMMELMANN; SCHULTZE-BERNDT, 2005</ext-link>). Há na literatura um intenso debate sobre essas construções, voltado especialmente a determinar se o depictivo e seu sujeito formam ou não um constituinte <italic id="italic-1">small clause</italic> (SC) e se, havendo uma SC, seu sujeito seria PRO (cf. WINKLER, 1997). Outra questão importante, mas menos explorada na literatura, refere-se ao mecanismo de concordância operante nessas sentenças. Diante desse cenário, abordaremos neste artigo: (i) argumentos apresentados em Ferreira (2017) em defesa de uma SC adjunta; (ii) a proposta minimalista de derivação dessas construções apresentada pela autora, que assume não haver PRO na SC, e sim o movimento lateral do DP (NUNES, 2004) da SC para uma posição-θ na oração matriz, sendo o núcleo da SC um Asp φ-incompleto, que estabelece com o DP uma relação de <italic id="italic-2">Agree</italic> (CHOMSKY, 2000, 2001). Tal proposta, entendida como uma consequência da teoria de controle como movimento (HORNSTEIN, 1999, 2001), tem a vantagem de dispensar PRO e unificar o tratamento de concordância no âmbito das predicações primária e secundária. A dupla atribuição de papel-<ext-link id="external-link-2">θ</ext-link> ao DP partilhado pelos dois predicados também é abordada no trabalho.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-74ba6729a35f943f850ac575e3754d2d">This paper reports the main results of Ferreira (2017), a master’s thesis that investigates constructions of secondary predication in Brazilian Portuguese (BP), such as<italic id="italic-9311765249bd5d3e31301e22561df659"> O João leu a carta cansado</italic> (‘João read the letter tired’) and <italic id="italic-56e28bbe06fb92937f1418bc3805ee91">O João comeu a carne crua</italic> (‘João ate the meat raw’), characterized by the fact that the same argument is shared by two predicates: the matrix clause predicate and the adjective, the depictive secondary predicate (cf. HIMMELMANN; SCHULTZE-BERNDT, 2005). There is an intense debate in the literature about these constructions, aimed especially at determining whether the depictive and its subject form a small clause (SC) constituent or not and whether, if there is a SC, its subject would be PRO (cf. WINKLER, 1997). Another important issue, but less explored in the literature, refers to the agreement mechanism operating in these sentences. Given this scenario, we will address in this paper: (i) arguments presented in Ferreira (2017) in defense of an adjunct SC; (ii) the minimalist proposal for the derivation of these constructions presented by the author, who assumes that there is no PRO in the SC, but the sideward movement of the DP (NUNES, 2004) from the SC to a θ-position in the matrix clause, being the core of the SC an Asp φ-incomplete, which establishes an Agree relationship with the DP (CHOMSKY, 2000, 2001). Such proposal, understood as a consequence of the movement theory of control (HORNSTEIN, 1999, 2001), has the advantage of dispensing with PRO and unifying the agreement treatment in the scope of primary and secondary predications. The double assignment of a θ-role to the DP shared by the two predicates is also addressed in the work.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Predicação secundária depictiva</kwd>
        <kwd content-type="">s<italic id="italic-475aa7885ab37268024b31e225e5d4b0">mall clause</italic></kwd>
        <kwd content-type="">concordância</kwd>
        <kwd content-type="">minimalismo</kwd>
      </kwd-group>
    </article-meta>
  </front>
  <body id="body">
    <sec id="heading-1e318202a9975903b8f7b1d5f388e402">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-4b32e917045a7a99b5d10306836ec1c3">Este artigo tem como objeto de estudo as chamadas construções de predicação secundária depictiva, como as que se encontram em (1). Embora esse seja um fenômeno verificado em muitas línguas do mundo, nosso foco neste trabalho reside no português brasileiro (PB). </p>
      <p id="paragraph-5c8e5e5323bd18b1532fd5e3f247dd60">.</p>
      <p id="paragraph-85c1007eb8eb9bafb39f5c030500c7b2">(1) a. [O João]<sub id="subscript-1">i</sub> leu a carta [cansado]<sub id="subscript-2">i</sub>. (depictivo orientado ao sujeito)</p>
      <p id="paragraph-2">b. O João comeu [a carne]<sub id="subscript-3">i</sub> [crua]<sub id="subscript-4">i</sub>. (depictivo orientado ao objeto direto)</p>
      <p id="paragraph-453b782591d06cedf888cc78cd185e95">.</p>
      <p id="paragraph-4b47bb79ee6297ad284b22895d80dd42">Nesse tipo de sentença, um mesmo argumento recebe dois papéis temáticos, uma vez que participa de duas relações de predicação distintas: a relação de predicação primária, estabelecida com o verbo da oração matriz; e a relação de predicação secundária, estabelecida com o adjetivo depictivo. O argumento partilhado pelos predicados primário e secundário é também denominado controlador (SCHULTZE-BERNDT; HIMMELMANN, 2004) ou sujeito do depictivo. Em casos como (1a), diz-se que a predicação secundária se orienta ao sujeito porque o controlador do depictivo desempenha a função de sujeito da oração matriz, ao passo que em (1b) o depictivo se orienta ao objeto direto da oração matriz.<xref id="xref-c8474add209f59449733af9ebedd4cee" ref-type="fn" rid="footnote-943b4f2552393f34e5457f4108f3f045">1</xref></p>
      <p id="paragraph-b6ebb3c11e84756bd8bf4e636854ab1a">Semanticamente, o adjetivo que aparece nessas construções, classificado como “depictivo” inicialmente por Halliday (1967, p. 63), expressa um estado de um participante da oração matriz, de modo que esse estado se mantém durante todo o tempo em que perdura o evento denotado pelo predicado primário (ROTHSTEIN, 2006, p. 210; <ext-link id="external-link-7d520a03b3c225bfa15b359a8f83311f">HIMMELMANN; SCHULTZE-BERNDT, 2005</ext-link>, p. 4), havendo, nos termos de Bisol (1975, p. 30 e 41), uma relação de “contemporaneidade” entre a eventualidade expressa pelo predicado primário e a expressa pelo predicado secundário.<xref id="xref-e16855351b36ecae71a3cccb04cfa134" ref-type="fn" rid="footnote-3d185b1646a93dc04fac0004c66fc3f7">2</xref> Tipicamente, o depictivo exprime um estado transitório, identificado por alguns autores como uma propriedade <italic id="italic-6be6fdb45da4e3acfb32bff8a93b5a65">stage-level</italic> (propriedade de estágios), na terminologia de Carlson (1977).<xref id="xref-04e8b80276258e77140db8cda326d6f4" ref-type="fn" rid="footnote-d4c1b30fcd0261d039d62bdf47e082a1">3</xref> Assim, as paráfrases apropriadas para as sentenças em (1a) e (1b) são, respectivamente, as que se encontram em (2a) e (2b), construídas com o conectivo “quando” e a cópula “estar”.</p>
      <p id="paragraph-083487e6d2ac8cbaed6b33d1555614b2">.</p>
      <p id="paragraph-39eaa8883a9c467b018b38c5404908d3">(2) a. O João estava cansado quando leu a carta.</p>
      <p id="paragraph-c38c46e9dc3f1066c67fd4e7319c743c">b. A carne estava crua quando o João a comeu.</p>
      <p id="paragraph-645781415f82f1c8468dd34c92ffd871">.</p>
      <p id="paragraph-b6847b6067355f91d1e70f47642b875f">As construções de predicação secundária têm sido objeto de intensa discussão na literatura gerativa, inserindo-se em um amplo debate a respeito da noção de predicação — vide os trabalhos seminais de Stowell (1981, 1983), Williams (1980) e Rothstein (1983), bem como Chomsky (1981), Hornstein e Lightfoot (1987), Legendre (1997), Winkler (1997), Bowers (1993, 2001), Himmelmann e Schultze-Berndt (2005) e Irimia (2012), para citar alguns. No caso do português brasileiro, destacam-se os importantes trabalhos de Foltran (1999), Carreira (2008, 2015), Lobato (2016 [1990]) e Bisol (1975), por exemplo. </p>
      <p id="paragraph-42525a27dd30801de564c2fca4f026a5">No que se refere à sintaxe, muitos desses trabalhos debruçam-se sobre a questão de como representar estruturalmente a relação de predicação firmada entre o predicado secundário depictivo e o argumento a que ele se refere. Uma linha de análise defende que uma relação de predicação é estabelecida no âmbito de uma projeção predicativa XP, em cuja posição de especificador se encontraria o sujeito (STOWELL, 1981, 1983). Como argumenta Ferreira (2017), essa linha de análise fundamentou a proposta de que um predicado secundário forma uma <italic id="italic-f3e9e93d564c4fbcd878f1e91cadd000">small clause</italic> (SC) adjunta, com a categoria PRO como seu sujeito, i.e., uma estrutura de controle, como exemplificado em (3).</p>
      <p id="paragraph-7223cb7ae117f547ef68ab4c48c0d7f4">.</p>
      <p id="paragraph-b2cd0f69e2b430b87ba8fd054c972bc7">(3) a. [O João]<sub id="subscript-9fdf4175e5ca332d117cf2dc31d66482">i</sub> leu a carta [<sub id="subscript-0ebf3b1b5bca44614b7fcbae27c7c642">SC</sub> PRO<sub id="subscript-9c962f545ea9263ec5b9b8c7791dff1c">i</sub> cansado<sub id="subscript-6e13efc95f466f5971fc47d66fc41b04">i</sub>].</p>
      <p id="paragraph-714e71c84c6419edc580a9af2103db06">b. O João comeu [a carne]<sub id="subscript-5">i</sub> [<sub id="subscript-6">SC</sub> PRO<sub id="subscript-7">i</sub> crua<sub id="subscript-8">i</sub>].</p>
      <p id="paragraph-0618757b5bff78f966758ca71ba3d258">.</p>
      <p id="paragraph-e4dc9d6420ec79cdb58b36ac8832666f">Há, no entanto, trabalhos que defendem que o depictivo e seu sujeito não formam um constituinte <italic id="italic-fa7c582ac814adc3f26c3b8b02a88d1c">small clause</italic>. É o caso dos proponentes da simples adjunção do adjetivo, como Lobato (2016 [1990]), Foltran (1999) e Carreira (2015), que defendem que o depictivo se adjunge a alguma projeção da oração matriz, sem formar uma mini-oração. Outras análises contrárias à formação de uma SC incluem a proposta de formação de um predicado complexo pelo predicado secundário e pelo verbo da oração matriz (e.g. IRIMIA, 2012; ROTHSTEIN, 2004a). </p>
      <p id="paragraph-1dc30ea512470137743cfd94b6454fbb">Uma segunda questão a ser pontuada, relativa à sintaxe da predicação secundária, diz respeito à concordância observada entre o depictivo e seu sujeito. Nas línguas românicas, como o português brasileiro, o francês e o italiano, a concordância se evidencia morfologicamente, diferentemente de línguas como o inglês. Os dados em (4) fornecem mais exemplos do português brasileiro, em que ficam claros os traços-φ compartilhados pelo DP e pelo depictivo.</p>
      <p id="paragraph-d9ad1f77cda51847a30572b663de2fbe">.</p>
      <p id="paragraph-7890f9e431ce219aea3aff43784e5530">(4) a. [A garota]<sub id="subscript-f48d4bd48c17ea686e9b1c71efaa171b">i</sub> trabalhou [irritada]<sub id="subscript-032d7e2e698b892eac3ea7bb2fe5d675">i</sub>. Traços-φ: [fem., sg.]</p>
      <p id="paragraph-f31d9316f267ece0dc971e03e4e97612">b. A menina comeu [os pastéis]<sub id="subscript-fc6996b63bf60633ad566d158adc5ca6">i</sub> [frios]<sub id="subscript-d9ca5581871b18cbade29e681f5bc21f">i</sub>. Traços-φ: [masc., pl.]</p>
      <p id="paragraph-0577cc5b1cc5be95b04546ac49115851">A concordância verificada na predicação secundária depictiva em diferentes línguas do mundo é um fato bastante conhecido e descrito na literatura, mas, ainda assim, menos explorado que outros temas, como constituência, aspecto/<italic id="italic-f379844be8133d28563cfee1d5d07111">aktionsart</italic> e predicação, no sentido de que não são muitos os trabalhos que A concordância verificada na predicação secundária depictiva em diferentes línguas do mundo é um fato bastante conhecido e descrito na literatura, mas, ainda assim, menos explorado que outros temas, como constituência, aspecto/<italic id="italic-cef4f94e361f9c0040ee08605196bced">aktionsart</italic> e predicação, no sentido de que não são muitos os trabalhos que se dedicam a explicar, em detalhes, o mecanismo de concordância atuante nessas construções.<xref id="xref-857cdb3ae8d2d25b835e850d10ea1626" ref-type="fn" rid="footnote-6acba91fb13d223590cd9cc82c626a82">4</xref> Propostas que são mais explícitas quanto a esse quesito incluem: Legendre (1997), que defende que a predicação secundária (no francês) constitui uma projeção funcional de categoria GenderP (GenP); Ikawa (1995), para quem essa predicação constitui um sintagma predicativo AgrP; e Asada (2012), que assume que a concordância se estabelece em um sintagma PredP (cf. BOWERS, 1993). Esses três trabalhos têm em comum o fato de assumirem uma estrutura de <italic id="italic-1672d1cb5bcc481e2cb29938e411a237">small clause </italic>cujo sujeito é PRO, categoria que, de alguma forma, serve de intermediária para a relação de concordância entre o depictivo e o DP. No entanto, essas propostas tornam-se pouco atraentes caso se adote uma abordagem teórica minimalista que deseje eliminar o módulo PRO (HORNSTEIN, 1999, 2001) e unificar a concordância que se estabelece no nível da oração primária e na predicação secundária.<xref id="xref-90fed9dccb6b2bae67f63e375083fd51" ref-type="fn" rid="footnote-014599eb075582499d61f34966c4ac80">5</xref></p>
      <p id="paragraph-ca12d3ed7d117136f86229d5b4a26648">Considerando-se o cenário descrito, Ferreira (2017) se insere nessa discussão como um trabalho de viés minimalista que lida com esses dois quesitos, buscando: (i) definir se tais construções contêm ou não uma <italic id="italic-4864aa6b891ebbea555739216ffa0a7a">small clause</italic>; e (ii) apresentar uma proposta de derivação para essas sentenças, detalhando o mecanismo de concordância nelas operante. Em resumo, Ferreira (2017) propõe derivações como as esquematizadas em (5), defendendo a formação de uma <italic id="italic-f6b82ac8c81db2926039278fc13158ef">small clause </italic>adjunta, de categoria Asp, sem PRO como sujeito. Assume que o sistema permite o movimento lateral do DP (cf. NUNES, 1995; HORNSTEIN, 1999; entre outros) e que o movimento de um argumento para posições-θ é lícito (HORNSTEIN, 1999; entre outros). </p>
      <p id="paragraph-70ade49e2a2cfafdf1394c290ef1a814">.</p>
      <p id="paragraph-2488cc53f54c11c8dc0130fd73a30b2e">(5) a. [<italic id="italic-878e6448029b7c1f7623cb7da2cb398a"><sub id="subscript-15567c2063783c435d6ba17a8dcf9c11">v</sub></italic><sub id="subscript-18c50d5874222b2d3d1fa5e11c5d346d">P</sub> [<italic id="italic-969db00906e42b3860afa831a5e39ee0"><sub id="subscript-75c24a2f480547e42ce04de94576bd61">v</sub></italic><sub id="subscript-c4c9a2fc8ee41de26ef543b4955caba8">P</sub> João<sub id="subscript-151a4d75a98d0809e1fb027d8d7c69f5">i</sub> leu a carta] [<sub id="subscript-dcf656eddf5339b18cfb9b26ae109102">AspP</sub> [<sub id="subscript-07c5b1c41a77dbf4443861fe8ad5eafa">DP</sub> João]<sub id="subscript-94f7f115825eaed81f6ab2955fabdf13">i</sub> [<sub id="subscript-9">Asp’</sub> Asp [<sub id="subscript-10">AP</sub> [<sub id="subscript-11">DP</sub> João]<sub id="subscript-12">i</sub> cansado ] ] ] ]</p>
      <p id="paragraph-db38d2b436fe49cce469ebbf132ad98e">b. [<sub id="subscript-13">VP </sub>[<sub id="subscript-14">VP</sub> comeu a carne<sub id="subscript-15">i</sub>] [<sub id="subscript-16">AspP </sub>[<sub id="subscript-17">DP</sub> a carne]<sub id="subscript-18">i</sub> [<sub id="subscript-19">Asp’ </sub>Asp [<sub id="subscript-20">AP</sub> [<sub id="subscript-21">DP</sub> a carne]<sub id="subscript-22">i </sub>crua ] ] ] ]</p>
      <p id="paragraph-89d33625164a401ce09940c3a0f650c6">.</p>
      <p id="paragraph-cfb3282733a9f30f14e8f0628035ca49">Nessa análise, o DP partilhado estabelece uma relação de concordância via <italic id="italic-8b4ec2bd5e2e62110a68fa60bbd05d6a">Agree </italic>(CHOMSKY, 2000, 2001) com Asp na SC, valorando os traços-φ dessa sonda. Sendo Asp φ-incompleto, esse núcleo é incapaz de valorar o traço de Caso desse DP, o que permite que ele continue ativo para mover-se para [Spec, Asp] e posteriormente para a oração matriz (para [Spec, <italic id="italic-06eb6a5e9c629269a872260140da3108">v</italic>], no caso da SC de sujeito, e para a posição de complemento de V, no caso da SC de objeto) e participar de uma nova relação de <italic id="italic-33678e53c3fb0a02ef8d68619c09e13e">Agree </italic>com outra sonda. Vê-se, com isso, que essa proposta dispensa PRO e utiliza um mesmo mecanismo, <italic id="italic-6320eeef459a3e0e243fba521a78e44e">Agree</italic>, para explicar as duas relações de concordância de que participa o DP partilhado.</p>
      <p id="paragraph-578f208115a491e41e5135391e120867">Este artigo se dedica a reunir argumentos apresentados no trabalho de Ferreira (2017) em favor de uma estrutura <italic id="italic-0f959c10edf693e53f7eb1bfb65b115a">small clause </italic>e apresentar a proposta de derivação aludida anteriormente, dividindo-se da seguinte forma. A seção 1 realiza uma rápida caracterização de construções depictivas, conforme descrito no referido trabalho. Na seção 2, discutimos a representação sintática dessas sentenças, apresentando argumentos para uma análise de <italic id="italic-7e0f8cdab76b6318317e18f788ff6def">small clause</italic>. Abordamos brevemente, na seção 3, o local de adjunção da SC. Na sequência, na seção 4, detalhamos a proposta de Ferreira (2017) para a derivação dessas construções. A última seção apresenta considerações finais do trabalho, pontuando questões em aberto.<xref id="xref-b8dcb9b2423cb0d7118760a822105365" ref-type="fn" rid="footnote-ea88e98a2991820c6734ce10ccb2964c">6</xref></p>
    </sec>
    <sec id="heading-56c1bf7705989d4fec22ef7916fc66e3">
      <title>1. Características das construções de predicação secundária depictiva</title>
      <p id="paragraph-7706ce7b9b9cb22a6fb738ec4d011ec7">Nesta seção apresentamos uma breve caracterização de sentenças com predicação secundária depictiva. Objetivamos, com esse percurso, abordar as principais propriedades dessas sentenças, com foco nos aspectos sintáticos, distinguindo-as de outras estruturas similares como recurso para ilustrar melhor suas propriedades, bem como isolar nosso objeto de estudo. </p>
      <p id="paragraph-7ee461c2ef60b5c11c11d5d8031af620">Uma das características mais notáveis das construções em apreço, além das propriedades já descritas anteriormente, é a opcionalidade, isto é, o fato de que um depictivo pode ser retirado da sentença sem que haja modificação na relação estrutural entre os demais constituintes (cf. SCHULTZE-BERNDT; HIMMELMANN, 2004, p. 65) e sem prejuízo para a boa formação da sentença (FOLTRAN, 1999, p. 43). Isso está ilustrado nos dados em (6) e (7).</p>
      <p id="paragraph-f5d4ff8eed9306cd598a55d51b6e73a0">.</p>
      <p id="paragraph-946f36f5b3374d885bb908232c30af92">(6) a. A Rita dirigiu o carro bêbada.</p>
      <p id="paragraph-12a2814c639f08a5d4b28aa3636ebdd9">b. A Rita dirigiu o carro.</p>
      <p id="paragraph-3"> .</p>
      <p id="paragraph-4">(7) a. O Pedro comprou as cenouras cruas.<xref id="xref-2016befa456d69841b98db9dfdca5dd1" ref-type="fn" rid="footnote-c56f9e52a52f66d3970bd06ee0b8ef6f">7</xref></p>
      <p id="paragraph-5">b. O Pedro comprou as cenouras.</p>
      <p id="paragraph-23a7f81cf1117d1e28d85b55b46726f1">Esse fato a respeito de predicados secundários indica que eles não integram a grade argumental do predicado primário, o que tem sido levado em consideração na literatura para analisá-los como adjuntos. O DP que controla o depictivo, por outro lado, é selecionado como argumento do verbo da oração matriz. Relações de acarretamento contribuem para essa constatação: a sentença em (7a) acarreta (7b); isso demonstra que (7ª) possui como objeto direto somente um DP (“as cenouras”), e não toda a sequência [as cenouras cruas]. Tal observação é utilizada por Rothstein (2004a) para distinguir as predicações secundárias das chamadas construções de <italic id="italic-2fb0659e12275f1d09135422b19e1342">small clause </italic>complemento, como a apresentada em (8a).<xref id="xref-a6a0d524215c6791c0570dd7322c57aa" ref-type="fn" rid="footnote-d5e638d729ba8132bf8c8e8a0dcc9c67">8</xref> Conforme o raciocínio da autora, vê-se que a retirada do adjetivo “interessante” de (8a) afeta a interpretação da sentença, ou seja, (8a) não acarreta (8b). Conclui-se, com isso, que o verbo “considerar” não seleciona o DP “esse problema” como objeto em (8a), mas toda a sequência [esse problema interessante].</p>
      <p id="paragraph-9e00257777c7e292b0ca7e5c8d4477e3">.</p>
      <p id="paragraph-bb5ccf6bfe4cb22212af63caa27a61c5">(8) a. Nós consideramos esse problema interessante.</p>
      <p id="paragraph-f8c2d46d7b151f1473be0a38104dc422">b. Nós consideramos esse problema.</p>
      <p id="paragraph-afdb2b40f61926a027b6818abcc6e15d">.</p>
      <p id="paragraph-6">O comportamento observado quanto às sentenças em (8) se relaciona com a análise, defendida por autores como Stowell (1981, 1983), de que o verbo “considerar” pode subcategorizar uma <italic id="italic-011fba7d8f4a53a9d8d89cf0e07b69a3">small clause</italic>, irmã de V — daí a denominação <italic id="italic-8e32ac3dce6e1e01247cad8518b37bf7">small clause </italic>complemento. O DP fica na posição de especificador da SC, conforme representado em (9), sendo estabelecida uma relação de predicação entre o DP e o adjetivo. </p>
      <p id="paragraph-297ba1cb3119ded2060e164e0c4fa7ac">.</p>
      <p id="paragraph-fd0b9c448de49726da0faa20a6988b7a">(9)<bold id="bold-1"> </bold>Nós consideramos [<sub id="subscript-3030a8d1832b82441d58d1899e911b7c">SC</sub> esse problema interessante].</p>
      <p id="paragraph-25919de8c585fa229caaa3d124518618">.</p>
      <p id="paragraph-0e47db10ba39d70c03a1df8188993ffb">Nesse caso, toda a SC complemento é marcada tematicamente pelo verbo que a seleciona, e, dentro da SC, o DP recebe somente um papel-θ, do adjetivo. Os predicados secundários depictivos, diferentemente, tomam como sujeito um elemento marcado tematicamente por outro núcleo lexical, de modo que um único DP, o argumento partilhado, recebe mais de um papel temático. Isso é o que leva os predicados depictivos a serem chamados de “secundários”.<xref id="xref-6058a98ea3e0d9c8343dd9a7d649a1a1" ref-type="fn" rid="footnote-996f9344acd94cb72c0ae9a75d4d6589">9</xref></p>
      <p id="paragraph-5a3b223348341329e5a295e9fbb313c5">Outro aspecto que difere as construções depictivas de construções de SC complemento é a possibilidade de substituição por uma oração encaixada com tempo finito. Conforme argumenta Foltran (1999), podem aparecer orações finitas no lugar das <italic id="italic-9071291e6d07a3f372fc6609efa68c2b">small clauses </italic>complementos (vide (10)), mas isso não acontece com as construções de predicação secundária depictiva (vide (11) e (12)).</p>
      <p id="paragraph-13d100b124ba2a7a2e872518b469157c">.</p>
      <p id="paragraph-685e059e1fa386e5c1fc0c72f5c10ba5">(10) a. Eu considero Maria inteligente.</p>
      <p id="paragraph-bca3db2aa41522414b229b632a071bcb">b. Eu considero que Maria é inteligente.</p>
      <p id="paragraph-6f47947e2289948d61acbf2b1d5620f2">(FOLTRAN, 1999, p. 44 e 45)</p>
      <p id="paragraph-22a6dabadbfb82a7fd0edfe9916bbd4f"> .</p>
      <p id="paragraph-357589f71d991086a7af3ccee9b761ae">(11) a. João chegou cansado.</p>
      <p id="paragraph-052976aab9c80271986ee219f2c68eab">b. *João chegou que é cansado.</p>
      <p id="paragraph-7">(FOLTRAN, 1999, p. 35 e 45)</p>
      <p id="paragraph-8"> .</p>
      <p id="paragraph-9">(12) a. Pedro encontrou Maria doente.</p>
      <p id="paragraph-10">b. #Pedro encontrou Maria que é doente.</p>
      <p id="paragraph-11">(FOLTRAN, 1999, p. 41 e 45)</p>
      <p id="paragraph-45949aed7a1146931020af4dbdfcc566">.</p>
      <p id="paragraph-248ccca1ebda889e7d6d7be5b7923528">Como dito anteriormente, os predicados secundários depictivos geralmente exprimem propriedades do tipo <italic id="italic-c02f25f098d76c308ee2dc6d76075422">stage-level</italic> (atributos transitórios) e denotam uma eventualidade que está sempre ancorada no tempo expresso pela predicação primária (HIMMELMANN; SCHULTZE-BERNDT, 2005, p. 4). Nesse sentido, em (13a), o adjetivo depictivo indica que Pedro estava zangado durante o momento em que ocorreu o evento de assistir à cena, e o adjetivo depictivo em (13b) indica que as maçãs estavam frescas no momento em que se deu a eventualidade de colher as maçãs. </p>
      <p id="paragraph-6e70cda24a98952fcbdc839073867856">.</p>
      <p id="paragraph-61d47b18b155692a955eade01c4a65bc">(13) a. Pedro assistiu à cena zangado.</p>
      <p id="paragraph-0be40eb952a3314bb636f7179048aa6c">b. Ana colheu as maçãs frescas.</p>
      <p id="paragraph-9336158a6450e3a03cfa55662d9ed504">.</p>
      <p id="paragraph-06aafbf5415ca40e6883dde4e3ce196d">A tentativa de construir sentenças de predicação secundária depictiva com adjetivos que prototipicamente veiculem uma leitura <italic id="italic-eb86d71dfafeefc2a257a4b79fef5556">individual-level </italic>(não transitória) geralmente leva à formação de sentenças agramaticais, como argumenta Foltran (1999, p. 42), vide (14a) e (14b).<italic id="italic-ee843eba39ac36691d6eaa1b2fea937f"/><xref id="xref-ad95f615f5679490d45d5ec38fd915c2" ref-type="fn" rid="footnote-4b95b3111879fa90d49e42adf6e6629b">10</xref></p>
      <p id="paragraph-4df150db62934a34a824d9b725c9fedf">.</p>
      <p id="paragraph-726eccf9f0e8252abb2451a2f6c65bba">(14) a. *Pedro assistiu à cena inteligente.</p>
      <p id="paragraph-dc606eeb55eb30f47df1831b02674f5a">b. *Ana colheu as maçãs vermelhas.</p>
      <p id="paragraph-79f735b9b20e49ad12a4a799e7656527">.</p>
      <p id="paragraph-f8356be62d7c23a10a5bef977ef188fc">Construções de SC complemento, por outro lado, tipicamente apresentam predicados <italic id="italic-e486925a059b0e4835584d0004dccb4a">individual-level</italic>, como mostra o contraste entre (15a) e (15b). Além disso, pode-se afirmar que a relação de dependência temporal observada no caso dos depictivos não se verifica nas sentenças com SC complemento.<xref id="xref-deb4815a478c19dc8f5b9a97c9a5372d" ref-type="fn" rid="footnote-ed39765e8562d21c7262f7e3ef9556f9">11</xref></p>
      <p id="paragraph-1de1f2436faec1fa56e34d4f52385b00">.</p>
      <p id="paragraph-3e92ba2fbf93b10cfd2d6db8fb918685">(15) a. *Maria considera o livro rasgado.</p>
      <p id="paragraph-6df903cc15e697d43b490c3dad0e71fd">b. Maria considera o livro difícil.</p>
      <p id="paragraph-730c38bfbc4f0b424f2e9eca9e1700f3">(FOLTRAN, 1999, p. 45) </p>
      <p id="paragraph-5909963609af2dcc039e7dd4dda5c9f6">.</p>
      <p id="paragraph-651bba780e7e80c28bf785c81a411c55">O fato de um predicado depictivo geralmente denotar uma propriedade transitória tem sido relacionado com a categoria desse predicado secundário. Segundo Foltran (1999, p. 45), esses predicados são preferencialmente APs, não sendo normal a ocorrência de DPs como predicados depictivos (vide (16a)), visto que DPs veiculam propriedades <italic id="italic-96bd33206482ea7c31110ddfeb325b05">individual-level</italic>. Segundo a autora, exemplos como (16b) são casos isolados no PB. Ainda conforme a autora, é possível a ocorrência de gerúndio, forma neutra não flexional, como predicado secundário (vide (16c)).</p>
      <p id="paragraph-3bcfbe981b4ddef5856033a936df2614">.</p>
      <p id="paragraph-043ece5ae21a23cdebae2c80acbdc9c5">(16) a. *Pedro chegou um médico.</p>
      <p id="paragraph-c64f21030b31fa8f8791d8ad2d9f81a7">b. Ele voltou um herói.</p>
      <p id="paragraph-877eca02c90e469f694f0ae58a556ea8">c. Ela gosta de café fervendo.</p>
      <p id="paragraph-9a5174c2fada148a6606ea1e13dcfa1c">(FOLTRAN, 1999, p. 33, 42 e 43)</p>
      <p id="paragraph-1e581e914a681c8d8ee77e1bba780542">.</p>
      <p id="paragraph-f4314e806b5734c0a12f2e8dcf1b7d1b">Outro ponto a ser mencionado nesta seção refere-se à distinção entre predicados secundários depictivos e outro tipo de predicado secundário, o chamado predicado secundário resultativo, muito produtivo em línguas como o inglês (vide (17)) (cf. ROTHSTEIN, 2006).<xref id="xref-c80438efaeea50124550c458c3783d8e" ref-type="fn" rid="footnote-6cfa9c264a613dedfeb871e383a8ff7d">12</xref> Os predicados resultativos também marcam tematicamente um DP que participa de outra relação de predicação, sendo por isso classificados como “secundários”, mas a leitura que veiculam é diferente da veiculada por um depictivo: eles atribuem ao seu sujeito não uma propriedade que coincide temporalmente com a eventualidade do predicado primário, mas, sim, uma propriedade que é resultado do processo denotado pelo verbo matriz (HALLIDAY, 1967, p. 63).</p>
      <p id="paragraph-5c85c103edfb4a4df8ae59faa155ee22">.</p>
      <p id="paragraph-c32d5b278ff602e3fc8b6b5103154a9f">(17) a. Jane painted the house<sub id="subscript-6d18f477304ef1a6507ca761484e1327">i</sub> <italic id="italic-fef0b5c98b6e6c1b0e6b76f1d4c54649">red</italic><sub id="subscript-dce039d67dac6af9efbafd58f7c391e2">i.</sub></p>
      <p id="paragraph-23145c5af30385b82aa1a822a3198b9b">‘Jane pintou a casa até ela ficar vermelha’.</p>
      <p id="paragraph-5f774864efda4ad3c6fd08775c694b2a">b. Bill wiped the table<sub id="subscript-88e990213ca782ddfa47e37a92ab6afa">i</sub> <italic id="italic-38af31b4d49c95333291691ad445f825">clean</italic><sub id="subscript-61e44df4b37f51b290739669a8c8bb53">i</sub>.</p>
      <p id="paragraph-97087f9b879e058b8e0766c283867109">‘Bill flanelou a mesa até ela ficar limpa’.</p>
      <p id="paragraph-f6e76aceda6e34ab82d1d2ccded94267">(ROTHSTEIN, 2006, p. 210)<sub id="subscript-69fff2eb07460be5730718c12abc4c06"/></p>
      <p id="paragraph-4c85360d248c38e06ec23d7b70048432">.</p>
      <p id="paragraph-d456067976048105b1fdbb0f69071601">Os predicados depictivos e resultativos também se distinguem quanto às possibilidades de orientação do predicado secundário. Os depictivos podem orientar-se para sujeito e para objeto direto, em línguas como o inglês (vide (18a) e (18b)) — sendo muito mais livre sua distribuição em outras línguas, como o esloveno (MARUŠIČ; MARVIN; ŽAUCER, 2003).</p>
      <p id="paragraph-0a92552e5b5dd282cd8be476d65b737d"> .</p>
      <p id="paragraph-670d6414649e67b86d3fd927188c16d9">(18) a. John<sub id="subscript-183db3ef3f4aeaf9f1ec634c8d777c9e">i</sub> drove the car drunk<sub id="subscript-7a830285bfff426fbbedbef17c6fd5b1">i.</sub></p>
      <p id="paragraph-492a6c267e28ef743c6cb3130525a62d">‘John dirigiu o carro bêbado’.</p>
      <p id="paragraph-a45ee81fea340fb2eb65dd4fad76d9e7">b. Mary ate the carrots<sub id="subscript-9f0308ed2f015933d1abdba9afee6825">i</sub> uncooked<sub id="subscript-0a34f24219aed0553bd4e48e7210121c">i.</sub></p>
      <p id="paragraph-8f049d154cb1be46a8f6bbaef8a7f1d4">‘Mary comeu as cenouras cruas/não cozidas’.</p>
      <p id="paragraph-bf38d2fe60ceb74d95149b79e131e947">(ROTHSTEIN, 2006, p. 210)<sub id="subscript-c4ff5f228310c74781d98c107aedb7d4"/></p>
      <p id="paragraph-53687bbd140064a09d072a4c9f0ca2db">.</p>
      <p id="paragraph-ed0c66a6eb59b36447d8ea0a8956b352">Os predicados resultativos, por outro lado, somente podem orientar-se para o objeto direto, como exemplificado pelo contraste em (19).</p>
      <p id="paragraph-c358692bec2ad0b0ba961264534b4c66"> .</p>
      <p id="paragraph-4db014d0734f07702ecd23836ab296c9">(19) a. John painted the house<sub id="subscript-17b289a7b7fe8fd4780d6ced58eae2f2">i</sub> red<sub id="subscript-1749e0f7442f7c37c1def4125fef6dc5">i.</sub></p>
      <p id="paragraph-90013e21b09920ea9d1158369c14bc55">‘John pintou a casa até ela ficar vermelha’ / ‘A casa ficou vermelha como resultado de John tê-la pintado’.</p>
      <p id="paragraph-c217bc8a72bec3eac24e316035960438">b. * John<sub id="subscript-7ef291453995d98d57b4128ddfa49d81">i</sub> painted the house tired<sub id="subscript-9781611b3e98f08785f656493fced1a6">i</sub>.</p>
      <p id="paragraph-d5cb0a920ce97503d01c77a8e64296e9">Leitura pretendida: ‘John pintou a casa até ele (John) ficar cansado’.</p>
      <p id="paragraph-7ab67c7e9794d767c471df2ab4ce6814">(ROTHSTEIN, 2006, p. 223)</p>
      <p id="paragraph-e8bb43ef3b48f6b4c42c565e14cd20ab">.</p>
      <p id="paragraph-227ec42e2e0f7ec87efab3b5e9adfd71">Outra característica que diferencia os predicados depictivos dos resultativos é o fato de estes poderem tomar como sujeito um DP que não integra a grade argumental do verbo da oração matriz, como ilustra (20). Trata-se de resultativos não temáticos, de acordo com Rothstein (2006), pois o DP nesses casos não recebe papel temático do verbo da oração matriz.</p>
      <p id="paragraph-2d8cfdd0651a5355fccad5bb9a92c88e"> .</p>
      <p id="paragraph-8486ce6d74aca0d19dbc54996a7944de">(20) The audience laughed the actors<sub id="subscript-9ec24d3fd38b47f91857b398f744233b">i</sub> off the stage<sub id="subscript-a513bc8a155407b0261c1b70f3585230">i</sub>.</p>
      <p id="paragraph-06a1ff2d467b3865af27bf17f0685080">Literalmente: ‘A plateia riu os atores fora do palco’.</p>
      <p id="paragraph-71ea940070edbfce0faf26506a08a6c0">‘A plateia riu até tirar os atores do palco’. / ‘A plateia riu e, como resultado, os atores saíram do palco’.</p>
      <p id="paragraph-bd31ab1716cfff2a33bdea7107be5780">(ROTHSTEIN, 2006, p. 223)</p>
      <p id="paragraph-abfc6c56dc9154a5aa3b90a01508d957">.</p>
      <p id="paragraph-52bec9bc63feaf2a21373849b125462e">Predicados depictivos, por sua vez, devem sempre tomar como sujeito um DP que seja argumento do predicado primário, não podendo predicar um DP que não seja partilhado com a oração matriz. Essa restrição descarta a possibilidade da existência de sentenças intransitivas como (21) no inglês, de acordo com Rothstein (2004b).</p>
      <p id="paragraph-fdfc874972885e0415ee9d313ced1895"> .</p>
      <p id="paragraph-a8f20ac7ff3f6123b2b647d1e5ce4b72">(21) a. *John ran Mary<sub id="subscript-a89752aa8912c6f084e03896d58d3fea">i</sub> drunk<sub id="subscript-f7d8ef22d472cc7824dfd1a34fad10fa">i</sub>.</p>
      <p id="paragraph-51b7a943c316518d18daeb4994d93f58">Leitura pretendida: ‘John correu quando Mary estava bêbada’ (Mary estava bêbada durante o evento denotado por “John correu”).</p>
      <p id="paragraph-3ed60dde58adc34505be4adcac0d84c6">b. *John drove Mary<sub id="subscript-b15ebb76034f63f3e30ebd5ec69f24d3">i</sub> drunk<sub id="subscript-a4c12e668a9f3403d3111c0c2a5d95e3">i</sub>.</p>
      <p id="paragraph-9062f7885af8e43921de42bc2cd75bc2">Leitura pretendida: ‘John dirigiu quando Mary estava bêbada’ (Mary estava bêbada durante o evento denotado por “John dirigiu”).</p>
      <p id="paragraph-447ea06bec1f38671a86e800664db3e5">(ROTHSTEIN, 2004b, p. 60 e 70)</p>
      <p id="paragraph-81cba8e172b2b5cf6c63d1e0913b52c8">.</p>
      <p id="paragraph-2660fe78681cd90e55665863c2883ebb">Por fim, outra propriedade importante a respeito dos predicados secundários depictivos é o fato de que eles não formam um constituinte nominal com o argumento que eles predicam, o que os distingue dos chamados adjetivos modificadores atributivos. Para ilustrar esse ponto, tomemos como exemplo a sentença em (22a), extraída de Carreira (2008). De acordo com o autor, tal sentença é ambígua no português brasileiro, havendo uma leitura depictiva, equivalente a “Pedro contratou a mulher quando ela estava grávida”, e uma leitura atributiva, equivalente a uma interpretação restritiva, que veicula a ideia de que, entre um grupo de mulheres, Pedro contratou a grávida. Na primeira leitura, a depictiva, apenas o sintagma [a mulher] pode ser pronominalizado (vide (22b)); na segunda leitura, a atributiva, pode-se pronominalizar todo o sintagma [a mulher grávida] (cf. CARREIRA, 2008, p. 12 e 13). Essas considerações indicam que o adjetivo, quando é um predicado depictivo, não faz parte do sintagma nominal.<xref id="xref-69867a821aa212901d162ef81543c0bd" ref-type="fn" rid="footnote-5bbd4290732fd1a784f3a70bf746e588">13</xref></p>
      <p id="paragraph-e587ea92eb776df46348d53ab9da3657" />
      <p id="paragraph-d3dd820a351d045f366a191188010cb7">(22) a. O Pedro contratou a mulher grávida.</p>
      <p id="paragraph-20101125b98656d7b2e6214a1de7364d">b. O Pedro contratou ela grávida. (leitura depictiva)</p>
      <p id="paragraph-0c2113dfaf35e402e6064d3d1d4a1895">c. O Pedro contratou ela. (leitura atributiva)</p>
      <p id="paragraph-f1bae75e17bb5de0b8a19873e120185d">(Dados (22a) e (22b) de Carreira (2008, p. 6 e 13))</p>
      <p id="paragraph-0b774c342a18f2d4df6ff3251531c286">.</p>
      <p id="paragraph-1e3f24191247b08c24937f00dd3e7ad2">Em resumo, vimos nesta seção as principais propriedades de uma construção depictiva: o predicado secundário depictivo é opcional, isto é, não integra a grade argumental do verbo da oração matriz, o que fundamenta análises que o tomam como adjunto; o sujeito do depictivo deve, necessariamente, fazer parte da grade argumental do verbo da oração matriz, recebendo dois papéis-θ; o depictivo veicula geralmente uma leitura <italic id="italic-335505c2301d95af23d827d2732dd89c">stage-level</italic>; o depictivo pode orientar-se para sujeito e para objeto direto, sendo possíveis outras possibilidades de orientação translinguisticamente; o depictivo é um predicado não finito e expressa uma eventualidade ancorada no tempo denotado pela predicação primária; o depictivo não é um modificador atributivo de seu sujeito, não formando um constituinte nominal com ele. Essas propriedades os distinguem de construções de SC<italic id="italic-aad0e7be1c2704dcac61298768f71c3d"> </italic>complemento, construções resultativas e modificadores atributivos.<xref id="xref-5db9de4b874531af84494139d0d22546" ref-type="fn" rid="footnote-906191661d54cc14cf11ea7341dd70b9">14</xref></p>
    </sec>
    <sec id="heading-099d174805ff8da0de42d60480b70f5f">
      <title>2. Representação sintática da predicação depictiva: argumentos para uma análise de SC</title>
      <p id="paragraph-1e52cd8ae25882bcfc9e9faec22a2d14">Uma vez apresentadas as principais características das construções depictivas, discutimos, nesta seção, a sua representação sintática. Os questionamentos relevantes a esse aspecto são os seguintes: (i) essas estruturas envolvem a formação de um constituinte <italic id="italic-854c8e9eae920b9d52c30e459b3f9855">small clause </italic>que engloba o depictivo e seu sujeito estrutural? (ii) se ocorre a formação de uma <italic id="italic-ddd80e03a9ed1c66eac280cc55f4c817">small clause </italic>e se ela se adjunge à oração matriz, a que categoria ela se adjunge? Esta seção dedica-se ao primeiro questionamento, respondendo a ele afirmativamente e concluindo que, no português brasileiro, a SC compreende uma categoria vazia como sujeito estrutural (rotulada provisoriamente como <italic id="italic-b0a53820533edd823511880f4722698e">ec</italic>, de <italic id="italic-c3becb283b44771872d08a0b8a5d2870">empty category</italic>) e o predicado adjetivo depictivo. A questão da adjunção da SC é abordada na próxima seção. Utilizamos provisoriamente o rótulo “SC” no lugar da categoria da <italic id="italic-671ba2c39daa73c655fa2217f4bbbdcc">small clause</italic>, deixando para detalhar sua categoria e estrutura interna na seção 4, bem como a natureza daquilo que estamos chamando de <italic id="italic-6">ec</italic>.</p>
      <p id="paragraph-fc0255acc6fbf379781d885a0d18117e">As evidências de Ferreira (2017) em favor da constituição de uma SC<italic id="italic-2e14eaf6ca7ae131fe87353722ed7ba7"> </italic>pelo depictivo e seu sujeito estrutural (uma categoria vazia) no PB baseiam-se principalmente na argumentação e em evidências utilizadas por Legendre (1997) para o francês. Apresentamos primeiramente evidências de que o depictivo e o DP manifesto não formam um constituinte (i.e., o depictivo não é um subconstituinte do DP), sendo tais evidências advindas de sentenças na voz passiva, clivagem e inversão de ordem dos constituintes. Em seguida, apresentamos evidências, ligadas a fatos da Teoria de Ligação e a sentenças com o quantificador “ambos”, de que o depictivo forma um constituinte com uma categoria vazia, seu sujeito estrutural — [<italic id="italic-bd5351e3d835c2e86d5726149ca229f5">ec</italic> AP].</p>
      <p id="paragraph-fc9a231e2cec77d524e023bffb0da4b9">Na seção anterior, já concluímos, por meio de evidências de pronominalização, que o DP manifesto que controla o predicado depictivo não forma um constituinte com ele. O teste da voz passiva é outra estratégia que corrobora esse entendimento. Como se pode observar, quando um adjetivo atributivo modifica um objeto direto (vide (23a)), todo o sintagma que contém o NP modificado por esse AP deve ser movido para a posição de sujeito na voz passiva (vide (23b)), de modo que o adjetivo não pode ser deixado para trás (vide (23c)). A agramaticalidade de (23c) indica que a sequência “nominal + AP<sub id="subscript-449a415eee2a610febec4b9c93590b09">atributivo</sub>” forma um constituinte, de modo que não se pode mover apenas subparte do DP.</p>
      <p id="paragraph-3f1d0b69fa29f82539b8f918eaa53956"> .</p>
      <p id="paragraph-8dd7cb85d877f1457e8f05670fdda1a6">(23) a. O Fábio comprou o carro azul. (leitura atributiva)</p>
      <p id="paragraph-50b559a4980982e117dcf978cc893f55">b. O carro azul foi comprado pelo Fábio.</p>
      <p id="paragraph-a27e8eef4f66935f831efe49021f569c">c. *O carro foi comprado azul pelo Fábio.</p>
      <p id="paragraph-21a0c2e117ede3d004d81dd247054d14">(FERREIRA, 2017, p. 89)</p>
      <p id="paragraph-d73430d18e95bde1c45cb350c22a8ecd">.</p>
      <p id="paragraph-50ec123ef6ce166a0ffc6e89c90f585f">Quando se trata de construções com um adjetivo depictivo (vide (24a)), no entanto, observa-se que o adjetivo tem de ficar encalhado (vide (24b)). A tentativa de mover toda a sequência “nominal + AP<sub id="subscript-698b51accb714ba21bd44bf8101977c6">depictivo</sub>” para a posição de sujeito resulta em uma frase agramatical (vide (24c)). Conclui-se desses dados que a sequência formada pelo DP manifesto e pelo adjetivo depictivo não forma um constituinte no PB.<xref id="xref-ed3f7506a9626f388786b74c2f47a221" ref-type="fn" rid="footnote-4e0aadd24e03cb295cb5c33ada34ae27 footnote-d185a764b35a4882901b66228ae63011">15,16</xref></p>
      <p id="paragraph-4e0808f92be7b1f6c7c4c96bba4deea6"> .</p>
      <p id="paragraph-4250e21204482bbf17270f35fe8854ab">(24)a. O Fábio comeu a carne crua. (leitura depictiva)</p>
      <p id="paragraph-53853b889d9cab8c3ecb5efae49d974f">b. A carne foi comida crua pelo Fábio.</p>
      <p id="paragraph-aa77ec365cd69caf0834b8729711d71f">c. *A carne crua foi comida pelo Fábio.</p>
      <p id="paragraph-405bb76971372d6bccee05fee4423c0d">(FERREIRA, 2017, p. 90)</p>
      <p id="paragraph-f2380e38cb944ecfeddcaa36e9948dd4">.</p>
      <p id="paragraph-b6613bde4eb8a578a19eb9a46cd72f36">Outra evidência a favor dessa mesma conclusão advém da possibilidade de clivagem, que pressupõe que apenas constituintes podem ser clivados, e não apenas parte de um sintagma (cf. MIOTO; SILVA; LOPES, 2013, p. 50). Com base nesse pressuposto, conclui-se dos dados em (25) que a sequência “nominal + AP<sub id="subscript-1cd82e60b351c56e3b651f5cd9ed2c15">atributivo</sub>” forma um constituinte, pois todo esse constituinte deve ser movido em uma estrutura de clivagem. O adjetivo, quando é um modificador atributivo, funciona como um adjunto do nome, por isso deve mover-se com ele em testes de constituência (cf. FOLTRAN, 1999, p. 27 e 28).</p>
      <p id="paragraph-ae81743fae977c1e9943b5b449bf6c19"> .</p>
      <p id="paragraph-2570e6eb5b95251a1bf1ed8900676c21">(25) a. Foi o carro azul que o Fábio comprou.</p>
      <p id="paragraph-c85f96a6c487fac8dbbcfb1cfdda48c1">b. *Foi o carro que o Fábio comprou azul. (leitura atributiva)</p>
      <p id="paragraph-e91eab416aad1d713104f169e1bebc11">c. Foi o professor cansado que deu aula.</p>
      <p id="paragraph-87fbf4b0e59b178a365113fb9eceaf22">d. *Foi o professor que cansado deu aula. (leitura atributiva)</p>
      <p id="paragraph-8ca616da73aadcd6639af1865b1e6be6">(FERREIRA, 2017, p. 91)</p>
      <p id="paragraph-a094e71f055986f6914ba9bdf482e350">.</p>
      <p id="paragraph-3afd8dcb629761dbcd94e852d20a51ee">Por outro lado, no caso de construções depictivas, a tentativa de clivar toda a sequência DP + AP<sub id="subscript-fc461fc61eeb3f6049d74883c5b0799c">depictivo</sub> gera sentenças agramaticais (vide (26a) e (26b)), o que indica que essa sequência não forma um constituinte no PB. No entanto, quando o DP é isolado do adjetivo depictivo na sentença clivada, o resultado são frases gramaticais (vide (26c-f)), em que não apenas o predicado secundário pode ser clivado sozinho, mas também o DP pode ser clivado, deixando para trás o adjetivo. Isso corrobora o entendimento de que o DP manifesto e o depictivo pertencem a constituintes distintos.<xref id="xref-5a8bfd03f5d0638cfd36403c3b17ac49" ref-type="fn" rid="footnote-d5223af13155692d2c29fc6ff20fbec4">17</xref></p>
      <p id="paragraph-e6eca79e59825db3a25655e5a3bdef72"> .</p>
      <p id="paragraph-fbf75077d3e68c9973b08ea671fbb2de">(26)a. *Foi a cenoura cozida que o João comeu.</p>
      <p id="paragraph-02680d1b7b1679e339f2f524f58cb7e8">b. *Foi o Pedro zangado que trabalhou.</p>
      <p id="paragraph-c934bde1115617ec2681a77812813686">c. Foi a cenoura que o João comeu cozida.</p>
      <p id="paragraph-40eb9adce3c09eb9db290ecddad78549">d. Foi cozida que o João comeu a cenoura.</p>
      <p id="paragraph-2f46f44e90c4d90a7be7138ba3b6b76d">e. Foi o Pedro que trabalhou zangado.</p>
      <p id="paragraph-4ed58a573a85c9934a4be0a2f1283bb6">f. Foi zangado que o Pedro trabalhou.</p>
      <p id="paragraph-1f84badd6bcbabd8c9249149ebb552ff">(FERREIRA, 2017, p. 91 e 92)</p>
      <p id="paragraph-5fc6edbe0aa96600c0bcd90f4220bb74">.</p>
      <p id="paragraph-8c103c742a5e87ff194af7df6158bb8c">Por fim, a possibilidade de inversão da ordem dos constituintes fornece mais uma evidência para o que estamos argumentando nesta seção. Os dados em (27) mostram que não é possível mover isoladamente um adjetivo atributivo para fora do DP que ele integra (vide (27b)); a única mobilidade aparentemente permitida para o adjetivo é quando ele aparece entre o determinante e o nome (vide (27c)).</p>
      <p id="paragraph-fc62859a6360cb77516673dfbcf23be7"> .</p>
      <p id="paragraph-a1ab6bccd69f1756f83fb764420cc646">(27) a. A Maria comprou o carro lindo.</p>
      <p id="paragraph-54920d1e355966d6cbe19d1dbdc1312a">b. *A Maria comprou lindo o carro.</p>
      <p id="paragraph-85f0ebc8cb4a7150fe7b977fa8770a99">c. A Maria comprou o lindo carro.</p>
      <p id="paragraph-68b2920e9ff672aed400c9a62ec9f54a">(FERREIRA, 2017, p. 93)</p>
      <p id="paragraph-fab1b97e0cf8f5d80429294004ff7d35">.</p>
      <p id="paragraph-b62508bfe0a4e231feefa0d9e06bcd69">No caso das construções depictivas, por sua vez, observa-se que, no PB, são possíveis as duas ordens mostradas em (28a) e (28b), o que é compatível com o entendimento de que o DP e o depictivo são constituintes distintos. Contudo, o adjetivo não pode aparecer entre o determinante e o nome, o que sugere que o adjetivo nesses casos é autônomo e está fora do constituinte nominal.</p>
      <p id="paragraph-74f74849a74c6e64122fde7970a95160"> .</p>
      <p id="paragraph-8546ebb08ac1027f1dfaed124b0a6a40">(28)a. O Fábio comeu a carne crua.</p>
      <p id="paragraph-11b488597c11d7cfe55c79b5ad44eba0">b. O Fábio comeu crua a carne.</p>
      <p id="paragraph-a6c7beb08f12d2a60158116fc1bbea4d">c. *O Fábio comeu a crua carne.</p>
      <p id="paragraph-8cd012b00af3e4e4d184804dac9821cc">(FERREIRA, 2017, p. 93)</p>
      <p id="paragraph-75e60d33c5f921640174e1de79a3ec5a">.</p>
      <p id="paragraph-44637604d1306c6f7aea97af598dceca">Com essa evidência, encerramos a argumentação de que o DP manifesto não forma um constituinte nominal com o adjetivo depictivo.</p>
      <p id="paragraph-94709c1f655188f0b5618fe1c0f32def">Uma vez concluído que o depictivo não é subparte do DP controlador, passamos a argumentar que esse adjetivo, na verdade, forma um constituinte com uma categoria vazia, que ocupa a posição de seu sujeito estrutural — em suma, uma <italic id="italic-d9ea361d7202d2c9933046e1e7373a50">small clause </italic>do tipo [<italic id="italic-986ee9f85da70278f8ed724fc53b8eb5">ec</italic> AP]. A primeira evidência que apresentamos, baseada na argumentação de Legendre (1997) para o francês, tem relação com fatos da Teoria de Ligação, que se associa ao estudo do comportamento de anafóricos, pronomes e expressões referenciais (ou expressões-R) em relação a determinados princípios (cf. HORNSTEIN; NUNES; GROHMANN, 2005).<xref id="xref-4576d413683df58dc748a197e95f01d1" ref-type="fn" rid="footnote-175616c731269016cdef3ddfc64b6a0f">18</xref></p>
      <p id="paragraph-e7f7d28d38d76fa8f6b5420297c97d17">Os exemplos em (29) e (30) ilustram construções de predicação secundária depictiva orientada para objeto direto, o que se evidencia pela concordância entre o depictivo (“satisfeita”) e o DP objeto (“a Maria”). Observa-se, em (29), que o anafórico somente pode ser correferencial com o DP objeto (vide (29a)), não com o DP sujeito da oração matriz (vide (29b)). As sentenças em (30), por sua vez, mostram que o pronome inserido no predicado secundário depictivo somente pode ser correferencial com o DP sujeito da oração matriz, não com o objeto direto.</p>
      <p id="paragraph-598b794cadef2717b47484f95e2cf23a">.</p>
      <p id="paragraph-9598ac7b274c352b0ef911015485da5e">(29)a. O João contratou a Maria<sub id="subscript-8a58b1bbe8b1ed04ff52d9b1cf43a39e">i</sub> satisfeita consigo mesma<sub id="subscript-647c17b689a27dfbf151b48234003dab">i</sub>.</p>
      <p id="paragraph-fbd426cb62e32a19d94f44ec8fd9923d">b. *O João<sub id="subscript-8b05dd1bfe3348bae494625d20b3e1ad">j</sub> contratou a Maria satisfeita consigo mesmo<sub id="subscript-d952bad8bf87ccbfa77803b5992ae870">j</sub>.</p>
      <p id="paragraph-a1a8670860d32bc0643e3ab2b67fb0b0">(FERREIRA, 2017, p. 108)</p>
      <p id="paragraph-a8c510bb6a8d5f65992b2537aa220bfe">.</p>
      <p id="paragraph-2f7d0e5ca1bed507e4e27fbc2a04547a">(30)a. *O João contratou a Maria<sub id="subscript-09ba760460295b60398da0debee2a015">i</sub> satisfeita com ela<sub id="subscript-0a4af71321b56d1250ad87cd2619389a">i</sub>.</p>
      <p id="paragraph-c419dc3fb05c62a340d6f50faf0faa25">b. O João<sub id="subscript-b604c56ccae2708fa33c4de2500ac811">j</sub> contratou a Maria satisfeita com ele<sub id="subscript-2af7652a97211a056f27b76df3f57629">j</sub>.</p>
      <p id="paragraph-c32562d2ac9975c96fd811ef3aaeb32d">(FERREIRA, 2017, p. 108)</p>
      <p id="paragraph-30889515fdc7bd895593c593f0f49eac">.</p>
      <p id="paragraph-8b3fb15eee1ad155515b2c9ce805a151">De acordo com a argumentação de Legendre (1997, p. 53 e 54), propostas de representação sintática que prevejam o IP/TP como único domínio para sentenças como (29) e (30) — como a de Roberts (1988) e propostas de simples adjunção do adjetivo — não são capazes de explicar a distribuição complementar observada em sentenças como essas: se o IP/TP for o único domínio, o esperado é que os anafóricos em depictivos gerem apenas sentenças gramaticais quando ligados a algum elemento dentro desse domínio (em decorrência do Princípio A da Teoria de Ligação) e que os depictivos com pronomes gerem apenas sentenças agramaticais quando ligados a algum elemento dentro desse domínio (em decorrência do Princípio B da Teoria de Ligação).<xref id="xref-84656b71626f9c6ea6502b6a4f12ca26" ref-type="fn" rid="footnote-a7cebff6f9d0cfe6d842d73d0b07e94c">19</xref> Esse tipo de proposta, portanto, não explica por que o anafórico é barrado em (29b) e o pronome, permitido em (30b), de acordo com esse raciocínio.</p>
      <p id="paragraph-428a1c2d9b80b6f1b89f23c7fd258362">Contudo, a proposta de formação de uma <italic id="italic-1ef60299c3b96d67ed9b45a7925a8f29">small clause </italic>que compreenda o depictivo e uma categoria vazia como sujeito, como as mostradas em (31), explicaria os fatos observados em (29) e (30), desde que se considere a <italic id="italic-099600b7f5e1b8715d1ec706765b6bb8">small clause </italic>como um domínio de ligação para anafóricos e pronomes.<xref id="xref-317c2af4e7cd5a0ec9ed5cfdbb2f9d35" ref-type="fn" rid="footnote-439d79e52faf0460035d7c5a5744daf7">20</xref> Nesse caso, estipulando-se a coindexação da <italic id="italic-63637ed2283340338d5db9a96654525a">ec </italic>com o DP objeto, vemos que a sentença em (31a) é agramatical com o pronome porque dessa forma há violação do Princípio B — uma vez que o pronome estaria ligado dentro do domínio — e é gramatical com o anafórico pela razão contrária — o anafórico está ligado em seu domínio, respeitando-se o Princípio A. Em (31b), a sentença com o pronome é gramatical, porque aí ele não está ligado em seu domínio (respeitando-se o Princípio B), mas a sentença com o anafórico é agramatical, porque este não está ligado em seu domínio, o que causa violação do Princípio A.<xref id="xref-825d00985df3e7e206e798f6cda95587" ref-type="fn" rid="footnote-c8b3e77a89e72f870fcfe25ac952b175">21</xref></p>
      <p id="paragraph-0deeee1385f07968e2d3323b92149cea"> .</p>
      <p id="paragraph-a6e7f405d22dc33baf0b900b01ae8359">(31) a. O João contratou a Maria<sub id="subscript-21033d1689cec28d044c3bbdc97edb77">i</sub> [<sub id="subscript-885883e01743f9962860f03b7e37daf7">SC</sub> <italic id="italic-0a3dc3ddd6084ad86f5df22d510539a5">ec</italic><sub id="subscript-904c3db8c1fc197ef7b885cfae5122c5">i</sub> satisfeita consigo mesma<sub id="subscript-8293fa5e50e58916adbc81718085ec26">i</sub> /*com ela<sub id="subscript-637b84486adcecf50c1f1ce684d4f921">i</sub>].</p>
      <p id="paragraph-74e10df6820e6743e2377bab7da505b5">b. O João<sub id="subscript-0fd9501132309bef93a12b9737226255">j</sub> contratou a Maria<sub id="subscript-ac870a47ecc6416b6ab845d50a1cbc49">i</sub> [<sub id="subscript-ed9c3f81b34c56f1fc398e54303828ea">SC</sub> <italic id="italic-6508317659704d661ae95d298c67015d">ec</italic><sub id="subscript-3f7388ab3c8dbf140adacb5c7c504e98">i</sub> satisfeita com ele<sub id="subscript-f70d1b64ee3a44d9e80146f0f1c1dd60">j</sub> /*consigo mesmo<sub id="subscript-5fd9aeaef43f1a454a37304004977de1">j</sub>].</p>
      <p id="paragraph-2833f0cc845eac8ce9caa9c7fcf0c6c3">(FERREIRA, 2017, p. 108)</p>
      <p id="paragraph-c9e68f6e18bc9c8622cd45a611e53c5d">.</p>
      <p id="paragraph-022f96be0642a066f4cc1622ede0abd9">Outra evidência a favor de uma SC com uma categoria vazia como sujeito nas construções depictivas advém do comportamento da expressão anafórica “uns... os outros” inserida em predicados depictivos, aplicada por Ferreira (2017) ao português brasileiro a partir das considerações de Legendre (1997) sobre essa expressão no francês (<italic id="italic-52ddde79cb85265bbffc4fb705092787">les uns...</italic> <italic id="italic-eda565ca9bd1255782b01772c82108e9">les autres</italic>). Primeiramente, assume-se, com Legendre (1997, p. 55), que o fato de essa expressão concordar com o seu <italic id="italic-2babb2d77c557b6da710817243487430">binder </italic>em gênero e número revela morfologicamente se os princípios da Teoria de Ligação estão sendo violados ou não. A partir disso, consideremos os dados em (32) e (33): neles verificamos que a expressão anafórica deve concordar em gênero e número com o predicado secundário e com o DP ao qual o predicado secundário se orienta; quando não há concordância, a frase resulta agramatical (vide (32b) e (33b)).</p>
      <p id="paragraph-09195a0a3f6bb0644b6164157ae44bd1">.</p>
      <p id="paragraph-925057688fb9321b0b8418bf14424df0">(32) a. As meninas vão comer os feijões sentadas umas atrás das outras.</p>
      <p id="paragraph-148879c33ba7fea87ace0ebc32b41f4d"><bold id="bold-ef0c0a68fd0955e28a8b1d19b1ef9cac">b.</bold> *As meninas vão comer os feijões sentadas uns atrás dos outros.</p>
      <p id="paragraph-cdce7d1ae047ca8a652f7697bea2026f">(FERREIRA, 2017, p. 115)</p>
      <p id="paragraph-0d5b46be6056909d941457e41ec6a92b"> .</p>
      <p id="paragraph-93a76ebaa0240235ff339410d86d1ceb">(33) a. As meninas vão comer os feijões crus uns após os outros.</p>
      <p id="paragraph-c9f9a6e5961295289aedc212a755611a">b. *As meninas vão comer os feijões crus umas após as outras.</p>
      <p id="paragraph-bd27b9d8c753cdffb4a33fa139bcec2f">(FERREIRA, 2017, p. 115)</p>
      <p id="paragraph-f7f783123ab45cb5c32d209ab7fb03b7">.</p>
      <p id="paragraph-bd26f1546627684af8794c6c74e96f41">Novamente, observa-se que esse tipo de diferença não é explicado por análises que considerem o IP/TP como o único domínio para os <italic id="italic-f9622a33a5a12f0efac5292b7cacebff">binders </italic>“as meninas” e “os feijões” e os respectivos anafóricos, como propostas de simples adjunção do depictivo (cf. LEGENDRE, 1997, 56). Mais especificamente, se os <italic id="italic-77d77662ba3be86c8fd8eeaebc4a94a0">binders </italic>e os anafóricos estão no mesmo domínio, não deveria haver problemas de ligação, de acordo com Legendre (1997). Por outro lado, o contraste estará explicado se considerarmos as estruturas em (34) e (35), em que a SC, com uma categoria vazia como sujeito, constitui um domínio para o anafórico.<xref id="xref-c83edfe428bdf135c10eacb81af40ec4" ref-type="fn" rid="footnote-0e231f2cc4dfded500a6f76a8d4f0f59">22</xref></p>
      <p id="paragraph-6d107aee73706e115ab3e438ef3563d8"> .</p>
      <p id="paragraph-05594a16c72582198f77fe57dc734cf4">(34) a. [As meninas]<sub id="subscript-fddc12843d35aa96db13677c26539d44">j</sub> vão comer [os feijões]<sub id="subscript-05c1564350f7c9982efce0072d9a1c87">i</sub> [<sub id="subscript-678873aeec95db5c15f740416d7c1a03">SC</sub> <italic id="italic-dd0a10483ef7b01a252a20038d6f6407">ec</italic><sub id="subscript-ad6e6c6ece3e0f48e05959158bd401ae">j</sub> sentadas<sub id="subscript-0c43cc065312c1f1b500b5ae4ecb8194">j</sub> [umas atrás das outras]<sub id="subscript-66900b34ee15e88e152501dffec46da0">j</sub>].</p>
      <p id="paragraph-79e356af8eb55521173f9540a7d381f3">b. *[As meninas]<sub id="subscript-1ef54c5ef5ea1556fd0a1e7f3025190c">j</sub> vão comer [os feijões]<sub id="subscript-ce3be9d24c2576c82da7edd4fdc2a5ea">i </sub>[<sub id="subscript-69869747cee781fcb6ba041492f58a73">SC</sub> <italic id="italic-fdc0d4c84717048da7a36c5f2443c4e2">ec</italic><sub id="subscript-34398b095b057f5c6b3fda4aadd9bb44">j</sub> sentadas<sub id="subscript-d2730be2e0cbf0338b7dd2e99f7623a5">j</sub> [uns atrás dos outros]<sub id="subscript-f823d0bb0d905d9bbfe0758676c6af56">i</sub>].</p>
      <p id="paragraph-c0fee90ac10de451836f3781397ca33a">(FERREIRA, 2017, p. 115)</p>
      <p id="paragraph-cbbdc49841a33f6ebed117d940a2ec25"> .</p>
      <p id="paragraph-ad609012d5f1ddcf005f18be6f550632">(35) a. As meninas vão comer [os feijões]<sub id="subscript-0e6ed2e39b74de91222678e06a676c64">i</sub> [<sub id="subscript-c05872b140e5697f71243b3c44a01587">SC</sub> <italic id="italic-ee4c03f39b5928ded74102169b78be19">ec</italic><sub id="subscript-fccf720bc38ee221db28f10127dd7843">i</sub> crus<sub id="subscript-4fb11749d74a2d827acd6d8bc62a74fc">i</sub> [uns após os outros]<sub id="subscript-ab0ca81bcb1cf85f0a127c0298438b62">i</sub>].</p>
      <p id="paragraph-379f7a376dee066222dcee09ea45a7ec">b. *[As meninas]<sub id="subscript-eeb723a034f7909d73c439cddc0ff65c">j</sub> vão comer [os feijões]<sub id="subscript-ae3f0d703c95524b69217849a856e500">i</sub> [<sub id="subscript-b392e14f6157c336b24203b238099445">SC</sub> <italic id="italic-b4ddea598ae1228a3b14d7b2c322fb08">ec</italic><sub id="subscript-83f1ea723bd4f6a58100631376b8bee2">i</sub> crus<sub id="subscript-4e6f49efd347922eeaeb011db14ecf99">i</sub> [umas após as outras]<sub id="subscript-54621c824fe69512f86cc53ce80d3933">j</sub>].</p>
      <p id="paragraph-c2c00875b53553ec841c74627ba5eb15">(FERREIRA, 2017, p. 115)</p>
      <p id="paragraph-897a057f11249657f80bed0c957ea007">.</p>
      <p id="paragraph-5ee11ec9f45d003c8eef7301847a337d">Nesse caso, a agramaticalidade de (34b) e (35b) se explicaria devido à hipótese de a SC constituir um domínio, isto é, um Complexo Funcional Completo (cf. CHOMSKY; LASNIK, 1995) que pode satisfazer as condições de ligação da expressão anafórica e que contém um <italic id="italic-77cec7cd0eb74e2f4b9e86d420707b4b">binder</italic> potencial para esse anafórico, a <italic id="italic-96f7a619a266826efcc553ed55591e0e">ec</italic>. Uma vez que, nessas sentenças, os <italic id="italic-8a1b9e0429abd676f464e14dd0b3f6f7">binders </italic>dos anafóricos estão fora do domínio (fora da SC), ocorre a violação do Princípio A da Teoria de Ligação, do que resulta sua agramaticalidade.</p>
      <p id="paragraph-28f7c58b7293f306b967dd35e5a270fe">A última evidência que apresentamos aqui diz respeito ao comportamento do quantificador “ambos” no português brasileiro. Como se observa nos dados em (36) e (37), o chamado fenômeno da flutuação à direita pode ocorrer quando o quantificador se refere ao sujeito da sentença — podendo “ambos” ficar encalhado, nos termos de Sportiche (1988), nesse contexto (vide (36b)) —, mas não quando em referência ao DP objeto (vide (37b)).<xref id="xref-01d4ae1d938b1ce527585d1fb523b3ee" ref-type="fn" rid="footnote-fc525e3d99cf0d8125ceebd017321005">23</xref></p>
      <p id="paragraph-c7ca3c60490440c60d9dc5c8281a7beb"> .</p>
      <p id="paragraph-f727526f81dd41a29ffbc03707973902">(36)a. Ambos os alunos fizeram perguntas interessantes.</p>
      <p id="paragraph-f1fb518f0978d37a1a91160b928c9c9b">b. Os alunos fizeram ambos perguntas interessantes.</p>
      <p id="paragraph-c3954f79ba56410362263f648dc1330c">((36a) de Ferreira (2017, p. 123) e (36b) de Lacerda (2012, p. 51))</p>
      <p id="paragraph-9cd77365a1ccc251847750aaf659938b"> .</p>
      <p id="paragraph-77e9166f0935d11f35332b71d145935f">(37) a. O João comeu ambas as carnes.</p>
      <p id="paragraph-df917b104d838b6d3153f808c57626b3">b. *O João comeu as carnes ambas.</p>
      <p id="paragraph-101a1e8968cebb148ce073639da39d2f">(FERREIRA, 2017, p. 123)</p>
      <p id="paragraph-3b1db8057690f6f46ba8261abfcb255b">.</p>
      <p id="paragraph-06673c9ced138bdec55218027e8c80cd">No entanto, em contexto de predicação secundária depictiva orientada para objeto direto, a aparente flutuação à direita de “ambos” gera uma sentença gramatical (vide (38b)).</p>
      <p id="paragraph-f8f7203607341961b21b4426d7acea43"> .</p>
      <p id="paragraph-7147bb4aa02e10a5219e9efa0d40b10e">(38) a. O João comeu ambas as carnes cruas.</p>
      <p id="paragraph-12">b. O João comeu as carnes ambas cruas.</p>
      <p id="paragraph-13">(FERREIRA, 2017, p. 123)</p>
      <p id="paragraph-62d7fabdd6f79a3c73942b83feb8ae76">.</p>
      <p id="paragraph-bd8aea5f677ae3febba73e6447b80e2f">O contraste entre (37b) e (38b) é explicado em Ferreira (2017) assumindo-se a hipótese, nas linhas do proposto em Legendre (1997, p. 59 e 60) para sentenças similares com o quantificador <italic id="italic-c2fad242505c6dbc2abea0d2d0f9bbfe">tous </italic>(‘todos’) no francês, de que não ocorre o movimento de “ambas” à direita do objeto em (38b), mas um encalhe do quantificador, nos termos de Sportiche (1988), sendo a “flutuação” à direita do quantificador apenas uma ilusão. Tal análise é possível se assumirmos que (38b) tem a estrutura mostrada em (39), na qual se supõe uma <italic id="italic-c6a56c049f32a556db0e6a7dadaf6ea1">small clause </italic>adjunta com uma categoria vazia como sujeito, de modo que o quantificador “ambas” fica encalhado nessa <italic id="italic-9f5e1b7af0a411b4d55b810e3e100821">small clause </italic>em que é gerado. Nesse caso, assumindo-se que a categoria vazia represente um vestígio ou uma cópia apagada, ocorreria, na verdade, um movimento à esquerda do DP aí originado.<xref id="xref-d4f1209fc4f1163d00384418a4fa823b" ref-type="fn" rid="footnote-f8afb978045d5412e8bdcc797734d5c9">24</xref></p>
      <p id="paragraph-801b3edec575eea85cbe3a8c763a1772">.</p>
      <p id="paragraph-e7c39fb8cc650433db299902c66ad852"> (39) O João comeu as carnes<sub id="subscript-cf9facb66dc44319b78500c81825cc13">i</sub> [<sub id="subscript-89969dee474321e749ce557ffc6b425a">SC </sub>ambas + <italic id="italic-30192febeb88e5436b24467b5fede1dd">ec</italic><sub id="subscript-72d021aaf92e2457bbefbfdf8e61a8ca">i</sub> cruas].</p>
      <p id="paragraph-67830ae1ff00aebcd89a6cd0bdb56fc9">(FERREIRA, 2017, p. 124)</p>
      <p id="paragraph-b724f6908216d37d0307fd1d6d6a2643">.</p>
      <p id="paragraph-c939ea0f0cb64164769651e1993bc1a7">A estrutura em (39) indica haver um constituinte formado pelo quantificador, pelo sujeito <italic id="italic-89870f5dfff368d5fbb8f1dd5161d2a8">ec</italic> e pelo depictivo, o que é corroborado pelos dados em (40). Observa-se, por fim, que, se a categoria <italic id="italic-4aed787e854eaa0d3b8c501193eb24f5">ec </italic>for um vestígio ou cópia do DP, isso estará em conformidade com a generalização de Sportiche (1988) de que um quantificador flutuante deve poder aparecer adjacente a uma posição de vestígio do DP (cf. GUERRA VICENTE, 2006, p. 5).</p>
      <p id="paragraph-ceb0cff413e9378565299017a6656857"> .</p>
      <p id="paragraph-c51dcdd4e516c4d845f244f1ec77347e">(40)a. Os meninos<sub id="subscript-839082346f95b076ba1d7ed1424fd56e">i </sub>fizeram a tarefa [<sub id="subscript-2b9574735189406e32eeb08fdd98fa3f">SC</sub> ambos + <italic id="italic-8d62719d61cfe700407ce347dc084edd">ec</italic><sub id="subscript-75cb148a694ce6446ffd216596c05c81">i </sub>cansados].</p>
      <p id="paragraph-804ddca942905b106e6ef8c753704276">b. As pizzas<sub id="subscript-33343fbde03b9128ba0bb952f97fecb3">i </sub>foram comidas [<sub id="subscript-b1c33aa9411d9a2eb08cf72ad567a371">SC</sub> ambas + <italic id="italic-7d8b695e843c76816f05f57d6c12d400">ec</italic><sub id="subscript-70e92deadf4fdb313ef533803314c32c">i</sub> cruas].</p>
      <p id="paragraph-c0edfaf237751e21b45194bb7f90b86d">(FERREIRA, 2017, p. 124)</p>
      <p id="paragraph-28ccd410cf3784980e9e48f6fc167b4f">.</p>
      <p id="paragraph-658af752d81b50a86b88cf7674ff19b0">Com isso, conclui-se a argumentação de que as construções depictivas contêm uma <italic id="italic-c8a259b0bde52114b1c45f1d933c730a">small clause </italic>adjunta formada por uma categoria vazia como sujeito e pelo depictivo. Essa hipótese permite explicar os fatos do PB discutidos nesta seção. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-f18754f9582772fc1114cbb58a703e1a">
      <title>3. Sobre o local e a adjunção da <italic id="italic-e5c2f97784584e52afbc463b6e7fec2d">small clause</italic> depictiva</title>
      <p id="paragraph-4b7bfd8697343d5642b873c3cb7a630b">Como dito anteriormente, uma outra questão a ser respondida a respeito da representação sintática das construções depictivas diz respeito ao local de adjunção da <italic id="italic-44f4421d63041968fb8fa7c7f0700f93">small clause </italic>depictiva — isto é, se ela se adjunge ao CP, ao TP, ao <italic id="italic-b4264cc25963e827112a74c764c0f3f6">v</italic>P ou ao VP, considerando-se as projeções delineadas em Chomsky (2000). Por razões de espaço, não vamos nos estender aqui em nossa argumentação, limitando-nos a indicar brevemente que, em Ferreira (2017), as SC<italic id="italic-7c5572ffe5ff419ac9d03be5ab8e3a66"> </italic>de objeto direto adjungem-se ao VP da oração matriz, ao passo que as SC<italic id="italic-05cd5a096976fa4b5231b0d6d6fcf17a"> </italic>de sujeito se adjungem ao <italic id="italic-0db1fabf30aab22aafece9757afb17de">v</italic>P.</p>
      <p id="paragraph-dca4c20a3686879faa3496aedbaf2750">Quanto à SC de objeto, uma das evidências de que ela se adjunge ao VP no PB advém do fato de que o depictivo de objeto acompanha o verbo quando ocorre anteposição do VP, conclusão extraída de Foltran (1999, p. 86). Quanto à SC de sujeito, discutem-se em Ferreira (2017), a partir de Foltran (1999), evidências de que o depictivo de sujeito não se adjunge ao VP, advindas de testes de anteposição do VP, pseudo-clivagem, fatos referentes à extraposição de objeto e considerações sobre a posição de advérbios de modo. Apesar de Foltran (1999) concluir que o depictivo de sujeito se adjunge ao IP, assume-se, em Ferreira (2017), que a adjunção destes depictivos ocorre no nível de <italic id="italic-db9f51b23f192d677d7a7d679050d986">v</italic>P, projeção imediatamente acima do VP.<xref id="xref-accb02bc40d939b35c8ec740d3c0dfdf" ref-type="fn" rid="footnote-65c24f40821ef60f930f945ec1ad324d">25</xref></p>
    </sec>
    <sec id="heading-c89acca80435f2d3d75e29fec5298902">
      <title>4. Dericação das construções depictivas de sujeito e de objeto direto no PB</title>
      <p id="paragraph-c9374b350d6c19035ca55c0945651de5">Passamos agora a detalhar a estrutura interna da <italic id="italic-b8d1d5e36316c335b7bd37d18958415a">small clause</italic> depictiva e a derivação das construções depictivas de sujeito e de objeto, conforme Ferreira (2017). Essa proposta está inserida dentro do quadro minimalista proposto a partir de Chomsky (2000, 2001), especialmente quanto ao mecanismo de <italic id="italic-a01fe47c0c15fb2538b8d5c831b399ce">Agree</italic>, mas com algumas modificações essenciais com relação ao entendimento acerca de movimento de DPs e atribuição de papel-θ, como veremos adiante.</p>
      <p id="paragraph-bfc37a59920f48380a808ce021b85269">Primeiramente, observamos que Ferreira (2017) assume que, nas SC<italic id="italic-e2daf318c4f6cc74b7aa7d752912091a"> </italic>depictivas, o DP é gerado no interior de uma projeção lexical AP, recebendo nessa projeção um papel-<ext-link id="external-link-b966b4d2a56ed0082a142c6c5b71dd88">θ</ext-link> do adjetivo, via <italic id="italic-53dd8c9ffc0c1be17650216662387ea3">Merge</italic>. Esse sintagma adjetival é, então, selecionado por um núcleo aspectual Asp, categoria considerada defectiva por ser φ-incompleta, nos termos de Chomsky (2000, 2001), por possuir apenas traços de gênero e número, e não de pessoa. Supõe-se que Asp possui um traço [EPP], que alça para seu Spec o DP gerado no AP. A estrutura que resulta dessa combinação entre uma projeção lexical AP e uma projeção funcional AspP está ilustrada em (41).</p>
      <fig id="figure-panel-1111c7a3dc9fed6bc84a92c22601dbfb">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-d108df2b5b446b9bdb6468ca2cce7cf7" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-3de49285562e0dc0245ce9d554c5a241" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-12-03_18-04-54.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-27caeb359e91d449a5d78455331a1db3">No que se refere à estrutura em (41), cabe destacar que a hipótese de a <italic id="italic-c8241731dd5b9ddf99c1e0ea9ad6e115">small clause </italic>— aqui entendida como toda a projeção AspP — conter uma categoria aspectual Asp teria relação com a propriedade, descrita anteriormente, de que a eventualidade denotada pela predicação secundária se ancora na eventualidade denotada pela oração primária, o que, por sua vez, teria relação com a hipótese de que a predicação secundária prescinde de um TP.<xref id="xref-5a42b500d38d439afbe962f2a0daa1c9" ref-type="fn" rid="footnote-fea82c265d5dffe32f202ef109e98c53">26</xref> Acrescenta-se também que aquilo que vínhamos chamando de <italic id="italic-c4c32e20e9a64a8591370ee339827ed8">ec </italic>até o momento, o sujeito estrutural da SC, é entendido como um DP que eventualmente irá mover-se e deixar uma cópia nessa posição.</p>
      <p id="paragraph-6372f0ea5fcc45d641da14e12d437ac5">Além disso, Ferreira (2017) assume que os movimentos de DPs nas construções depictivas, como o do DP em [Spec, A] para [Spec, Asp] em (41), são entendidos como simples aplicações de <italic id="italic-ba513cf5a1f30aca6554c9bcf631e718">Copy</italic> + <italic id="italic-600ce7be252b56c5c61a5c7cd1218580">Merge</italic> (BOECKX; HORNSTEIN; NUNES, 2010), e não como fruto de uma operação independente <italic id="italic-f72170aea4e8464ce55603d45f6fcd5d">Move </italic>(CHOMSKY, 2000). Isso possibilita instâncias do chamado movimento lateral (NUNES, 1995; entre outros), isto é, cópia de um elemento α de determinado objeto sintático K e <italic id="italic-fd3a7590e764c1533a8c2ee0e5f99637">Merge </italic>desse elemento em outro objeto sintático, independente e separado de K (BOECKX; HORNSTEIN; NUNES, 2010, p. 86). É esse tipo de movimento que ocorrerá quando o DP sair da <italic id="italic-dc7b13c3b98ff2c5d9c48352434819af">small clause </italic>para ocupar uma posição na oração matriz.<xref id="xref-1fd6cb04db2073c8f717d9a2119e929b" ref-type="fn" rid="footnote-e9ba8a1b576fb37ca945dc730f5544c5">27</xref></p>
      <p id="paragraph-faa8fc8fc98126950073bfc03bb00889">Ademais, com relação a papéis temáticos, Ferreira (2017) assume, com Hornstein (2001), a hipótese de que um argumento pode receber mais de um papel-θ e que papel-θ é um traço formal a ser checado, de modo que um DP pode mover-se para uma posição-θ com o intuito de checar esse traço (HORNSTEIN, 1999, p. 79; HORNSTEIN, 2001, p. 79). No caso das construções em apreço, o DP partilhado receberá seu segundo papel-θ quando mover-se para uma posição temática na oração matriz. Esses pressupostos são coerentes com a hipótese de que movimento se reduz a aplicações de <italic id="italic-28b831adad7152fc1f5890406913245f">Copy</italic> + <italic id="italic-1044a8c5c3417f7aa73ee7a54f200ef0">Merge</italic>: conforme Nunes (2009, p. 5), se papéis-θ são atribuídos durante a derivação mediante <italic id="italic-9cd1f057f445dc35fae44be3f74f2a31">Merge</italic>, e se movimento envolve <italic id="italic-a3db40a2c4bd923f0f94bf5e1f0ddf34">Merge</italic>, então a possibilidade de atribuição de papel-θ por meio de movimento decorre naturalmente dessas assunções.</p>
      <p id="paragraph-25199cca8d6b1656dec63e7e23c2fe96">Feitas essas considerações, tratemos do passo a passo da derivação das sentenças com predicado secundário depictivo. Comecemos pela construção depictiva de sujeito em (42).</p>
      <p id="paragraph-0061b072d89b471b44d736419dfb1bd0"> .</p>
      <p id="paragraph-6e8040f9a71a428c401bd4af1de6e90a">(42) O João leu a carta cansado.</p>
      <p id="paragraph-d8b3bee51f0626afcd0237ec362bef9f">(FERREIRA, 2017, p. 184)</p>
      <p id="paragraph-61ef97a04017251aaa49dff0f89ad80d">.</p>
      <p id="paragraph-511d5d95cd605c3e4f24b32363a85496">Como dito anteriormente, a derivação começa com a formação da <italic id="italic-e2a6b5a53faa318700beccac04a6c59d">small clause</italic> depictiva. O DP [O João] é retirado da Numeração e ocorre <italic id="italic-a41b26d3aaf7741e2b3793610d74370b">Merge</italic> entre ele e o adjetivo. O DP recebe do adjetivo um papel-θ e, depois disso, forma-se o AP. O núcleo Asp, então, é retirado da Numeração e faz <italic id="italic-56aa63dcea529e311237c8505fb07b9e">Merge</italic> com o AP. Observa-se que o DP possui um traço não interpretável de Caso e entra na derivação com um conjunto de <ext-link id="external-link-07c9fe45672c373d48438c61377d4956">traços-</ext-link><ext-link id="external-link-09ca159fc386eb3631681e5c10793b81">φ</ext-link> interpretáveis (para gênero, número e pessoa), enquanto Asp entra na derivação com um conjunto incompleto de traços-φ e com um traço [EPP]. Os traços-φ não interpretáveis de Asp e os traços-φ interpretáveis compatíveis do DP estabelecem, assim, uma relação sonda-alvo, uma vez que os traços relevantes do DP (alvo) estão no domínio de c-comando dos traços-φ de Asp, que constituem uma sonda, o que garante que <italic id="italic-9feaa556b1e47d7ff7a7a6bf9a41ff96">Agree </italic>ocorra (CHOMSKY, 2000, 2001). Essa relação sonda-alvo está indicada em (43a). Asp, no entanto, é uma sonda defectiva, pois tem um conjunto incompleto de traços-φ, porque não possui o traço de pessoa. Isso significa que Asp é incapaz de valorar e apagar o traço não interpretável de Caso do DP (CHOMSKY, 2000, p. 125); contudo, na relação de concordância com os traços-φ do DP (masculino, singular, 3ª pessoa), o conjunto de traços-φ de Asp é valorado (como masculino e singular). O DP, então, move-se para [Spec, Asp], satisfazendo o traço [EPP] de Asp e deixando uma cópia em sua posição de origem, representada aqui como vestígio apenas por uma questão de comodidade. Nesse momento, a derivação atinge o ponto ilustrado em (43b).</p>
      <fig id="figure-panel-5a39fcadb3bda60c07870375c510cd88">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-c825b7ac44c9b552e4488a4eed2e1dd0" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-e04233845807667623fe3c0b527f1700" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-12-03_18-12-14.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-3f99b90a44da35b7eb3c3e3e0ea6fc7c">A derivação prossegue com o movimento e a adjunção do adjetivo (melhor dizendo, sua raiz) para o núcleo Asp, momento em que, de acordo com Ferreira (2017), o adjetivo adquire a morfologia de concordância relevante mediante os traços-φ valorados de Asp (masculino, singular); nota-se que, nesse sentido, a relação entre o adjetivo, núcleo lexical, e Asp, núcleo funcional, é semelhante à que ocorre no ato de movimento e adjunção de V-para-T na derivação de uma oração.<xref id="xref-2f2d22a20d1d85eb8b70584d54c8eb38" ref-type="fn" rid="footnote-6e086fd8c9e7f9d2366f90cc07936b93">28</xref> Observa-se que, nesse momento, o traço de Caso do DP ainda não foi valorado, o que permite que ele continue ativo para realizar movimento para uma posição-A e participar de outras relações de concordância (CHOMSKY, 2000).</p>
      <p id="paragraph-63b1c8fcf73b949992d0585662b04469">Enquanto a <italic id="italic-0a663d5d7eabda127074a8412e2e0d6b">small clause </italic>depictiva é construída, forma-se paralelamente a oração matriz, que contém o verbo “ler”. A derivação segue normalmente: ocorre <italic id="italic-b0ac5cdab53e0ba5581e63f3fedaecba">Merge </italic>entre o DP [a carta] e o verbo “ler”, e esse DP, argumento interno, recebe um papel temático; forma-se o VP, que, então, faz <italic id="italic-c4642b61f33c3036f84b6aaca8f929e9">Merge </italic>com <italic id="italic-2a6ed73b5a73b67527352ed78855b5e4">v</italic>; o conjunto completo de traços-φ de <italic id="italic-d0934ca12c4969e723220ea047bcb077">v </italic>constitui uma sonda que se relaciona com o conjunto de traços-φ interpretáveis do DP, compatíveis com a sonda. O DP e o <italic id="italic-ca28789b2ea663dc439e25903244b65e">v</italic>, então, entram em uma relação de <italic id="italic-209aa3adc5fc1d72646932ceacc2e664">Agree</italic>, de modo que os traços não interpretáveis da sonda são valorados, bem como o traço de Caso do DP (valorado como acusativo), o que o torna inativo para movimentar-se novamente. O núcleo <italic id="italic-8cddacc479c09ef359a5327983ee874c">v </italic>tem também outro papel temático, que deve atribuir a um argumento externo, em [Spec, <italic id="italic-e979a1cadeb62546cf890c17e34b6f40">v</italic>]. Contudo, o DP argumento interno não pode se mover para receber outro papel; nesse momento, então, a necessidade de <italic id="italic-ac5085454c6143dc53b82efb1d6b77b4">v</italic> atribuir/checar papel-θ motiva o movimento do DP [O João] de dentro da <italic id="italic-6311b51875a1bc29037db9342d6cc771">small clause</italic> AspP para a posição de [Spec, <italic id="italic-12">v</italic>] — uma instância de movimento lateral, como exemplificado em (44).</p>
      <fig id="figure-panel-aabe16f2e376e22b585efe3ec858d01e">
        <label>Figure 3</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-e3d21eb370653d3d388bfa21fbac57a2" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-8036f0efc4dd99a8e41e790bd5c44ae7" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="image_2021-12-03_18-13-35.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-297073a46b6f2d97d328bca8e2a7f1d6">Após o movimento do DP [O João] de dentro da <italic id="italic-822a41fe8b18ca2a8f6a86419f07631a">small clause </italic>para [Spec, <italic id="italic-13bb5bbb032586e1bd5415ea8d426724">v</italic>], local onde ele recebe o segundo papel-<ext-link id="external-link-4c33f91e3ee01d831a8afa6b48c339c9">θ</ext-link>, forma-se o <italic id="italic-61cd89e3c7d425420083f830414ef7ec">v</italic>P da oração matriz e ocorre o <italic id="italic-67be72f6617ebc530d4d3fcb49e5fc6c">Merge </italic>de AspP com <italic id="italic-3043af319337f0d3f75cf44215e98e8f">v</italic>P: por meio desse <italic id="italic-e8503ee09995acec254148e9caeb7149">Merge</italic>, a <italic id="italic-4eeaf579ee88b2b2ae7a577fb5d299f6">small clause </italic>torna-se um adjunto de <italic id="italic-b20ff163c06a28316a5c9daf2838b6d4">v</italic>P. É importante ressaltar que o <italic id="italic-792d57c41ade6b024a50cf0920090877">Merge </italic>de AspP ocorre depois do movimento do DP [O João] para fora da SC, ou seja, antes de a <italic id="italic-88c76ffb5300cec6c2250986479dbee5">small clause </italic>se tornar um adjunto, pois isso garante que não haja violação de extração de adjuntos, entendidos como ilhas (cf. BOECKX; HORNSTEIN; NUNES, 2010, p. 93). Após a adjunção da <italic id="italic-97eefca472ad38074775162ac2ca3082">small clause</italic>, a derivação continua normalmente: ocorre <italic id="italic-bec8cd7ff136685a15c32711fe9c01e9">Merge </italic>entre T e <italic id="italic-13">v</italic>P; o conjunto de traços-φ de T atua como uma sonda que estabelece <italic id="italic-14">Agree </italic>com o conjunto de traços-φ interpretáveis do DP [O João], que atua como alvo; os traços-φ de T são valorados; como T é φ-completo, o traço de Caso desse DP é valorado (como nominativo); o movimento do DP [O João] para [Spec, T] satisfaz [EPP] de T; a derivação termina com a formação do CP.<xref id="xref-fd5fb591e7353cdaa5784d5df72e33f4" ref-type="fn" rid="footnote-8a29c524b220b003c3606021a55edbf3">29</xref></p>
      <p id="paragraph-f7bb75653b14eacab8f84c41d78337b8">Passemos agora à derivação das construções depictivas de objeto direto, vide (45) (cf. FERREIRA, 2017, p. 193).</p>
      <p id="paragraph-035d62623ca04910929a0bb0d05574c3">.</p>
      <p id="paragraph-be4c53ed06561ca8d9979455d6fc3aa6">(45)O João comeu [a carne]<sub id="subscript-c63d9546f29e27d2230b0092ff26f2fa">i</sub> [crua]<sub id="subscript-10b5f4ec708501e3e5830950613384e0">i</sub>.</p>
      <p id="paragraph-a45c17f85fa691eb719296dcfe692ef6">.</p>
      <p id="paragraph-df20c8bb80062b2cd4e7688b5aed4388">A derivação dessa sentença começa da mesma forma que a derivação anterior: com a formação da <italic id="italic-82c5bf660de7cee22dce4d70784c03e0">small clause</italic>. O DP [a carne] recebe um papel-θ do adjetivo por meio de <italic id="italic-62e4fe8d4180949611a681c8319c726d">Merge</italic>, formando-se o AP. Ocorre, então, o <italic id="italic-b49041bf87391c5177f3c0dbb7b420c4">Merge </italic>entre o núcleo Asp e o AP, o que resulta no passo em (46a). O conjunto de traços-<ext-link id="external-link-de939b0c0a2a0e45f3779a335a3570dd">φ</ext-link> não interpretáveis de Asp atua como uma sonda para o conjunto de traços-φ interpretáveis do DP, o alvo, ocorrendo <italic id="italic-056780dd3e438d0890c6303865a3c427">Agree</italic> entre eles. Os traços-φ de Asp são valorados, mas Asp, por ser φ-incompleto, não valora o traço de Caso do DP, então o DP pode mover-se para [Spec, Asp] para apagar o [EPP] de Asp. O adjetivo se adjunge a Asp e a derivação atinge o ponto em (46b).</p>
      <p id="paragraph-b10730b08f31a8deb31eb7108cc0b633"> .</p>
      <p id="paragraph-a55e37faaffc6a35e22131a4c6dc3dd4">(46)a. [<sub id="subscript-cd942e63cf0797761b77dae5f54a0701">AspP</sub> Asp [<sub id="subscript-d373ac185ad590fc6595856e0664f7f2">AP</sub> [<sub id="subscript-e394debc895cd821b6a67a5a2675a78e">DP</sub> a carne] [crua] ] ]</p>
      <p id="paragraph-a0ab9da9c52117221e98275046b6ba07">b. [<sub id="subscript-44abbca5ab89cc0331b2bcc962e001b1">AspP</sub> [<sub id="subscript-dcf41347b6cb00eee920582ffa934f40">DP</sub> a carne]<sub id="subscript-90e91f988b9280d894254e91c18fad1a">j</sub> [<sub id="subscript-e68bd31beb505fd1269514b1ed89d2d7">Asp’</sub> crua<sub id="subscript-bc5908307fa9108b610ad55b4977dcc2">i</sub> + Asp [<sub id="subscript-e1192886d0b3a3f7a38308728cb75912">AP</sub> t<sub id="subscript-f66613b50d63f0c3313fb8ca447b5fee">j</sub> t<sub id="subscript-078bd6be82a1bb895fa3f5ea5c5af5b0">i</sub> ] ] ]</p>
      <p id="paragraph-ce8a0d06089cd990a468137ce30bc65b">(FERREIRA, 2017, p. 193)</p>
      <p id="paragraph-78713dfe80465aefc24737dc634e5a1a">.</p>
      <p id="paragraph-c0b05db26623a7604c3157a647e3f2ee">Enquanto isso, a derivação da oração matriz ocorre paralelamente. O verbo deve atribuir um papel temático interno, o que pode ser feito pelo <italic id="italic-7a671dc248f9e93332b57de01de05896">Merge </italic>de um elemento novo na Numeração ou pelo movimento de um elemento. No caso dessas sentenças, ocorrerá o movimento (cópia) do DP [a carne] de dentro da SC para a posição de complemento de V, uma instância de movimento lateral.<xref id="xref-5eb4746d27cbc48e815f842e110487f6" ref-type="fn" rid="footnote-be4ad4606db91872995e8ded46770059">30</xref> Nessa posição, o sintagma [a carne] recebe o seu segundo papel-θ. Depois disso, a <italic id="italic-3f4e6eb1253ae49f4e39a4219d0e215a">small clause </italic>atinge o passo em (47a). Em sequência, ocorre o <italic id="italic-40fffb9445418fa4157062ac640590f5">Merge </italic>de <italic id="italic-7de489d141a43309ccaffa32bd3e1989">v </italic>com o VP formado, com a subsequente relação de <italic id="italic-1a7b8279ec0aa72e68a4999286b15ded">Agree </italic>entre os traços-φ não interpretáveis de <italic id="italic-48b9d0f56cfc1ce776e48fdb6deb3521">v </italic>(sonda) e os traços-φ do DP alvo. Em seguida, ocorre o <italic id="italic-863983a2371c3727d2654aae64811230">Merge </italic>de [O João] em [Spec, <italic id="italic-64995ff7b443a3cb8fcb1cbd94fe48c8">v</italic>], posição em que esse DP recebe um papel-θ externo. Atinge-se o estágio apresentado em (47b).</p>
      <p id="paragraph-9bceeb37a346507d3ae8c415f05e8cdc"> .</p>
      <p id="paragraph-b9b851a4cee67b1f37579d3474dc8e7d">(47) a. [<sub id="subscript-93ab3eb244be6c9fb208f9c47846095d">VP</sub> [<sub id="subscript-56c1aaa49727c7b071070c4af0b5c6e0">VP</sub> comeu a carne<sub id="subscript-0c6485c8e4eb9bad193a0289fe14aaa1">j</sub> ] [<sub id="subscript-abb45acdbb8a64d516be23d8476e3e70">AspP</sub> t<sub id="subscript-55c5264d862cb54431152a14b66ebc81">j</sub> crua ] ]</p>
      <p id="paragraph-213ebebe42c50d2a93441030c8b200a3">b. [<italic id="italic-1f82c67342a19e3ebacf9c76e1c61a1e"><sub id="subscript-5ebe984e16c8626cabf174af97dcec4d">v</sub></italic><sub id="subscript-697985c59d32dd4a9ae82f9b3c0ae750">P</sub> O João [<italic id="italic-683d56090922fd0dfb35fe315f697e4f"><sub id="subscript-5d3f52de9276944eebd2ab45f6856408">v’</sub></italic> <italic id="italic-795c0e63899b3f46a2366d12dbb3bbdc">v</italic> [<sub id="subscript-ddbc856719d6c067a946e59ad28dac21">VP</sub> [<sub id="subscript-aae5d7996d931476b9886a0338a86b85">VP</sub> comeu a carne<sub id="subscript-54459afb6932f3c571b09f0213048cc3">j</sub> ] [<sub id="subscript-3fa75551b9b773f909fc1a0991a3ba9f">AspP</sub> t<sub id="subscript-9816ead60bcb87a9bc9335e5a6dd5910">j </sub>crua ] ] ] ]</p>
      <p id="paragraph-7101c178025c685f53915ba8328d22f5">(FERREIRA, 2017, p. 194)</p>
      <p id="paragraph-66900291629384ba2f944d649865ee39">.</p>
      <p id="paragraph-52be01309089898b567838cc9b065c51">Após isso, a derivação prossegue normalmente, com o <italic id="italic-330e6a199d59734ba68db37cf99a1971">Merge </italic>de T com <italic id="italic-fdb2ad5acb06feeffb9f4d8dbcdcfc57">v</italic>P, a relação de <italic id="italic-7eb1d6d7049594f4cc67079de212dfa4">Agree </italic>entre os traços-φ de T e os traços-φ do DP [O João], a valoração do traço de Caso do DP [O João] (nominativo), a valoração dos traços-φ não interpretáveis de T e o movimento de [O João] para [Spec, T], satisfazendo-se [EPP] de T. A formação do CP conclui a derivação.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-9922741418a39960dfeb32b03bf22203">
      <title>5. Considerações finais</title>
      <p id="paragraph-da0f415f3aa69e8d1e366eb05ea03c5e">Como vimos neste artigo, a proposta de derivação das construções depictivas no PB apresentada em Ferreira (2017) e aqui resumida possui a vantagem de dispensar PRO e unificar o tratamento da concordância verificada no âmbito da predicação primária e da predicação secundária por meio de um único mecanismo, <italic id="italic-d5ff545c2aaf740c074250d6543126b6">Agree</italic>. Os passos futuros da pesquisa incluem investigar o impasse identificado quanto à derivação das SC de objeto (a violação do princípio <italic id="italic-69cce48b56864961b7e8c63296729beb">Merge-over-Move</italic>) e estender a análise para outras possibilidades de orientação do depictivo no português brasileiro.</p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-943b4f2552393f34e5457f4108f3f045">
        <label>1</label>
        <p id="paragraph-3a98421bf5505f5dba5c46c2fdea493c">Outras possíveis orientações do depictivo no PB são discutidas em Ferreira (2017).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3d185b1646a93dc04fac0004c66fc3f7">
        <label>2</label>
        <p id="paragraph-540c78ab3d2b252174fb62ac2427ac40">O termo “eventualidade” aparece empregado neste texto conforme a terminologia introduzida por Bach (1986) e refere-se tanto à noção de estados quanto à noção de eventos. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d4c1b30fcd0261d039d62bdf47e082a1">
        <label>3</label>
        <p id="paragraph-9b598dbdef22b29c7ef2442659b32958">Embora o predicado secundário depictivo geralmente veicule uma propriedade <italic id="italic-4e6082d40b39704c00b30bcc8dcab67d">stage-level</italic>,<italic id="italic-3"> </italic>transitória, também podem aparecer nessas construções propriedades <italic id="italic-4">individual-level</italic>, não transitórias, conforme discutido por McNally (1993). A esse respeito, remetemos o leitor a Ferreira (2020), que discute, com base em McNally (1993), as condições que licenciam a ocorrência de predicados secundários do tipo<italic id="italic-5"> individual-level</italic>.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6acba91fb13d223590cd9cc82c626a82">
        <label>4</label>
        <p id="paragraph-ef32b0d95f191d76df155399e04aa6b7">Remetemos o leitor a Schultze-Berndt e Himmelmann (2004) para um excelente panorama a respeito do comportamento de depictivos <ext-link id="external-link-4">translinguisticamente</ext-link>, especialmente quanto à possibilidade de uma língua expressar em sua estrutura morfológica a relação de concordância entre o depictivo e o seu sujeito.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-014599eb075582499d61f34966c4ac80">
        <label>5</label>
        <p id="paragraph-b5e9ceb5db82926c324dd6de61af9710">Cabe acrescentar a essa lista de trabalhos que abordam a concordância o de Ardid-Gumiel (2001), que será comentado mais à frente.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ea88e98a2991820c6734ce10ccb2964c">
        <label>6</label>
        <p id="paragraph-fc7aed43c23e5ceaaaf03446b3fe0327">A divisão de seções deste artigo segue a organização apresentada em Ferreira (2017).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c56f9e52a52f66d3970bd06ee0b8ef6f">
        <label>7</label>
        <p id="paragraph-b138b399ad4d4743e2ca3210bad3f1f9">A ordem linear da sentença (7a) é ambígua no português brasileiro, podendo veicular tanto a leitura atributiva quanto a leitura depictiva, como explicaremos mais à frente. É esta última interpretação que temos em mente ao tratar de dados como (7a).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d5e638d729ba8132bf8c8e8a0dcc9c67">
        <label>8</label>
        <p id="paragraph-788dc334afa05e81234c6402e35d7345">Rothstein (2004a, p. 51) refere-se ao contraste observado nos seguintes dados do inglês, extraídos do texto da autora: <italic id="italic-95ccd3d6bae92fa3bdf47b838b28d8c0">I considered that problem uninteresting</italic>. / <italic id="italic-daed3d4de14d83e876812fd09b032bff">I considered that problem</italic>. vs. <italic id="italic-51aef524477457b53749f8610b8ad33d">John drank coffee black yesterday</italic>. / <italic id="italic-95d96815389ba12d81f1caa2be77a3e7">John drank coffee yesterday</italic>. O inglês e se comporta como português brasileiro quanto a esse aspecto.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-996f9344acd94cb72c0ae9a75d4d6589">
        <label>9</label>
        <p id="paragraph-034ea06ee4f7c518f7efa8f5a0010d44">As SC complemento, por sua vez, têm sido classificadas como instâncias de predicação primária. A esse respeito, ver discussão no Capítulo 1 de Ferreira (2017).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4b95b3111879fa90d49e42adf6e6629b">
        <label>10</label>
        <p id="paragraph-14270b08225705cb48a7d9128e9da471">Reforçamos, no entanto, que predicados que denotam uma propriedade <italic id="italic-aa422c7b2ab55ab7f53e5972a3236f14">individual-level </italic>também podem ser licenciados como predicados secundários em certas circunstâncias, conforme argumenta McNally (1993), como nos exemplos “Elas saíram do Exército não intervencionistas” e “Joe foi para a prova despreparado, ele foi para a prova cansado, ele foi para a prova sem uma calculadora. <italic id="italic-de1a6b6d30c78ee50e8f31c01564bf60">Mas ele não foi para a prova burro</italic>”, extraídos e traduzidos do texto da autora. Em todo caso, o ponto é que esses predicados secundários <italic id="italic-f3995fce738afe498cece4b4116c2f6f">individual-level</italic> também se ancoram temporalmente no predicado primário, de modo que ocorre uma coincidência temporal entre as duas eventualidades. Ver Ferreira (2020) a respeito das razões pragmáticas que podem licenciar a ocorrência de sentenças como (14a) e (14b).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ed39765e8562d21c7262f7e3ef9556f9">
        <label>11</label>
        <p id="paragraph-cf92b0946ab6afcd8cae176dc21caca7">Isto é, paráfrases adequadas para sentenças com SC<italic id="italic-80e929239da4daa19c7ceecb1c667804"> </italic>complemento como (15b) (“Maria considera ser o livro difícil”, “Maria considera que o livro é difícil”) não são feitas com o conectivo “quando” e a cópula “estar”.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6cfa9c264a613dedfeb871e383a8ff7d">
        <label>12</label>
        <p id="paragraph-b178230841be75178167caf461a365cf">A questão da existência de construções resultativas no PB é controversa e matéria de debate na literatura (cf. MARCELINO, 2007; BARBOSA, 2008; entre outros), por isso os exemplos trazidos de resultativas são do inglês. As traduções de exemplos para o português brasileiro neste trabalho foram retiradas de Ferreira (2017), que, por sua vez, segue a tradução de Barbosa (2008) para alguns casos (como (17b)).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-5bbd4290732fd1a784f3a70bf746e588">
        <label>13</label>
        <p id="paragraph-ab6175d613690e658f8e360925c14d65">Esse ponto será retomado na próxima seção.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-906191661d54cc14cf11ea7341dd70b9">
        <label>14</label>
        <p id="paragraph-94f8504e478b9f13f46e62fdd67f181b">O Capítulo 1 de Ferreira (2017) discute, ainda, a diferença entre depictivos e advérbios, diante de possíveis alegações, consideradas incorretas pela autora, de que o adjetivo que ocorre na predicação depictiva equivaleria a um advérbio.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4e0aadd24e03cb295cb5c33ada34ae27">
        <label>15</label>
        <p id="paragraph-c7268bebd8238bdc7db7590d18dab812">Essa evidência da voz passiva foi importada de Legendre (1997), que apresenta a mesma conclusão para o francês, a partir do contraste entre as sentenças <italic id="italic-76d8d4f30507faf81a04f9044ec37e00">*Les voitures ont été achetées étrangères par les ouvriers</italic> (Literalmente: ‘Os carros foram comprados estrangeiros pelos trabalhadores’) e <italic id="italic-79926c68d16eead0be418f59de6253a4">La viande a été mangée crue</italic> (‘A carne foi comida crua’) e entre as sentenças <italic id="italic-16e2f4a4ae94a2fe8a142ce6981d18b2">Les voitures étrangères ont été acheteés par les ouvriers</italic> (‘Os carros estrangeiros foram comprados pelos trabalhadores’) e <italic id="italic-6efe111b94371f7909b072d107bfc2c8">*La viande crue a été mangée</italic> (Literalmente: ‘A carne crua foi comida’ (agramatical na leitura depictiva)) (cf. LEGENDRE, 1997, p. 48).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d185a764b35a4882901b66228ae63011">
        <label>16</label>
        <p id="paragraph-7855792beacd6def9918fcf242e67f38">Outros autores já chegaram a essa conclusão quanto ao comportamento de depictivos na voz passiva (cf. FOLTRAN, 1999, p. 27; FRANCHI, 2003, p. 45).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d5223af13155692d2c29fc6ff20fbec4">
        <label>17</label>
        <p id="paragraph-358c0c109e7d57817b41b3ffb317df65">A evidência da clivagem também foi importada a partir das considerações de Legendre (1997) sobre o francês, que não detalharemos neste trabalho por limitações de espaço. Outros autores abordam o comportamento de predicados depictivos em sentenças clivadas no português brasileiro e chegam a conclusões semelhantes às nossas (cf. FOLTRAN, 1999, p. 27; FRANCHI, 2003, p. 45; MIOTO; SILVA; LOPES, 2013; CARREIRA, 2015, p. 32; entre outros).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-175616c731269016cdef3ddfc64b6a0f">
        <label>18</label>
        <p id="paragraph-ff2f709be585ca16441f56a842ba3af0">Resumidamente, os princípios da Teoria de Ligação (CHOMSKY, 1981; entre outros) enunciam que um anafórico deve estar ligado em seu domínio (Princípio A), um pronome deve estar livre em seu domínio (Princípio B) e uma expressão referencial deve estar livre (Princípio C), sendo o domínio de β definido como o menor TP que contém β e o regente de β, e sendo ligação entendida em termos de c-comando e coindexação, isto é, α liga β  se, e somente se, α c-comanda β e está coindexado com β (cf. HORNSTEIN; NUNES; GROHMANN, 2005, p. 248).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-a7cebff6f9d0cfe6d842d73d0b07e94c">
        <label>19</label>
        <p id="paragraph-859e52c0b2b0a84d9f273cb2e80490de">Legendre (1997, p. 53) se refere ao comportamento de dados do francês: <italic id="italic-41a14b4513fa844d769d3690692c1615">Pierre a vu Marie<sub id="subscript-8d104ecd5ba2cbdfdc0c3a35b7f4505c">i</sub> satisfaite d’elle-même<sub id="subscript-5c7312abf6913e4420510a4f3d177529">i</sub> /*d’elle<sub id="subscript-edcf90da21516f628d17ebba4f2d1963">i</sub></italic> (‘Pierre viu Marie<sub id="subscript-4b2fb8e4c7938ba28d8c443dba8e67f9">i</sub> satisfeita consigo mesma<sub id="subscript-2ef6205690d907318cd791815b706f94">i</sub> /*com ela<sub id="subscript-33f98ffe201d3e13d9af2226046b8eee">i</sub>’) e <italic id="italic-cd8f6cf1a1d733cad0d58effe86afd93">Pierre<sub id="subscript-9ba58829b9c02346e083474c2c10a5e2">j</sub> a vu Marie<sub id="subscript-56c85ad321d7c7a61851bb2bc87ec12a">i</sub> satisfaite de lui<sub id="subscript-460e9affc9e768554fc91c5de6832108">j</sub> /*lui-même<sub id="subscript-95d840484de74f03e6887a98c9397df1">j</sub></italic> (‘Pierre<sub id="subscript-59035a64213a3c7d5a2be15d8cd534d7">j</sub> viu Marie<sub id="subscript-f72bd9029cf5292063f8ca269a114e89">i</sub> satisfeita com ele<sub id="subscript-60eca8067d29e603a384a38436fb58a8">j</sub> /*consigo mesmo<sub id="subscript-0d3bd0495924de4b7cf842cd0f93e2d6">j</sub>’), que serviram de base para a construção dos dados do PB em (29) e (30).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-439d79e52faf0460035d7c5a5744daf7">
        <label>20</label>
        <p id="paragraph-c9fdea53b4dba6113748085b8ed5ea45"><italic id="italic-30161301ee2c8f30c7505b9194add238">Small clauses</italic> em predicações secundárias são ambientes não finitos, portanto prescindem de uma projeção TP, por hipótese. Contudo, elas podem ser consideradas domínios caso consideremos a definição de domínio apresentada por Chomsky e Lasnik (1995, p. 102), que tomam o domínio de α como o “Complexo Funcional Completo (CFC) mínimo que contém α e um regente de α e no qual a condição de ligação de α poderia, em princípio, ser satisfeita” (tradução nossa). Observamos que a ideia de assumir a SC como um domínio de ligação, em Ferreira (2017), foi baseada em Legendre (1997) e, sobretudo, em Carreira (2008), trabalho que discute com propriedade essa possibilidade a partir de Chomsky e Lasnik (1995).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c8b3e77a89e72f870fcfe25ac952b175">
        <label>21</label>
        <p id="paragraph-81214f099e4c39b388a0e61164f184d2">As representações em (31) são baseadas em Legendre, com a diferença de que esta autora propõe um PRO na posição de sujeito estrutural da <italic id="italic-b361fd737e08a85f187ea3a92e6aaf9f">small clause</italic>, hipótese não assumida em Ferreira (2017): <italic id="italic-ec2a11f451711b59be5ca50c2d89c5bf">Pierre a vu Marie<sub id="subscript-d08e85342edd4590250abacb06f079dc">i</sub> [<sub id="subscript-6aefaa8a641d2c1833f2369fda5632c6">SC</sub> PRO<sub id="subscript-05ef2233cf140cf4fca41cd15f28f77e">i</sub> satisfaite d’elle-même<sub id="subscript-c818f472ad51c138e01b8ba430fa9be3">i</sub> /*d’elle<sub id="subscript-41f1c3bcc4ea5a1952190843873f243f">i</sub>] </italic>(‘Pierre viu Marie<sub id="subscript-9759f5b69aad8f049e254388906bf57b">i</sub> satisfeita consigo mesma<sub id="subscript-a099f21431f5faae3372f31bc9200966">i</sub> /*com ela<sub id="subscript-0db17477f78d5422233db78e5a69936f">i</sub>’) <italic id="italic-7">e Pierre<sub id="subscript-6ced8b02d99b0ff7e24950cdb83d984a">j</sub> a vu Marie<sub id="subscript-d2846be5dcef3995804da536ee18c235">i</sub> [<sub id="subscript-8b62f42d4f80e9ad6c81d759410da67e">SC</sub> PRO<sub id="subscript-b1ceb771c22164f6fbd8e1177aef4f6e">i</sub> satisfaite de lui<sub id="subscript-acbb826cb9b19a87ffb809f401942b13">j</sub> /*lui-même<sub id="subscript-10785b6e2c204f5afefcb07e98f5079c">j</sub>] </italic>(‘Pierre<sub id="subscript-9630ce40490ef27dbcf111d6cd5d12f1">j</sub> viu Marie<sub id="subscript-7857f1043769b5729b9e22fc086a2c26">i</sub> satisfeita com ele<sub id="subscript-759f396a027cf0241cfc30ec562e90b3">j</sub> /*consigo mesmo<sub id="subscript-2e1a7f1b53be4036dad05e34e14fa207">j</sub>’) (LEGENDRE, 1997, p. 54).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-0e231f2cc4dfded500a6f76a8d4f0f59">
        <label>22</label>
        <p id="paragraph-4d94716dd54c3d1e3beeed6d0dfbcb2a">Os dados em francês utilizados por Legendre (1997), a partir dos quais foram elaborados os dados em português, são os seguintes, ressaltando-se novamente que a autora considera que o sujeito estrutural do depictivo é PRO: <italic id="italic-1279f46bb202fcc1307869a72557240d">Les filles<sub id="subscript-5ef3e7a52bb80c1cb333e81e2dcc6ad2">j</sub> mangeront les légumes<sub id="subscript-71acae5f433a2374ec278f38acc04e26">i</sub> [<sub id="subscript-2e8ae6e187b7eae7aa9008601d3ce8a2">SC</sub> PRO<sub id="subscript-f466d68d181c07e0da3611b9954f9e4d">j</sub> assises<sub id="subscript-a3364ab085ea8ee5262ef433920b6e71">j</sub> les unes<sub id="subscript-9df28982c55038fceec2596944233faf">j</sub> derrière les autres] </italic>(‘As garotas comerão os legumes sentadas umas atrás das outras’), <italic id="italic-ce713a3c32ccbdc7a2498d7308d4fd57">*Les filles<sub id="subscript-585491e258d46938aea70e9b65109ea8">j</sub> mangeront les légumes<sub id="subscript-3706c7973a5a77d1d5513bef038fd9fb">i</sub> [<sub id="subscript-71da81271f4ea5c24f1c7921704a9a54">SC</sub> PRO<sub id="subscript-c648eb8411b6c030ae439aa29bcbc195">j</sub> assises<sub id="subscript-51edad6c625f57e3c0d2b30aacddd029">j</sub> les uns<sub id="subscript-e09774171fd148505b094755364fcbaa">i</sub> derrière les autres]</italic> (‘*As garotas comerão os legumes sentadas uns atrás dos outros’), <italic id="italic-1927bdd38874d30fc824039e9fdf5ddb">Les filles<sub id="subscript-402277368476bb925302f3440d53eacb">j</sub> mangeront les légumes<sub id="subscript-e6021d254e0372799058f04e6365ff46">i</sub> [<sub id="subscript-535251ff90b6edf2a4fbc5dbed533aaa">SC</sub> PRO<sub id="subscript-89413fec36cb7be48f9206f8473a4b12">i</sub> crus<sub id="subscript-14b23cf3f070f2c70095fb861c49bc27">i</sub> les uns<sub id="subscript-5c3be96e9a433027e5bc0ba24dd1410f">i</sub> après les autres]</italic> (‘As garotas comerão os legumes crus uns após os outros’) e <italic id="italic-f6f90be8f6096c635ca1dc013125a6d1">* Les filles<sub id="subscript-141ec3b54d8b0b9cb7492073abe6f5e6">j</sub> mangeront les légumes<sub id="subscript-18ada14ff872ce6f20aa27e09e21dd58">i</sub> [<sub id="subscript-c535d2529888a8fe96e44bc15e703c35">SC</sub> PRO<sub id="subscript-b98566712d29f37f4ed8958e3d348e91">i</sub> crus<sub id="subscript-23">i</sub> les unes<sub id="subscript-24">j</sub> après les autres] </italic>(‘*As garotas comerão os legumes crus umas após as outras’).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-fc525e3d99cf0d8125ceebd017321005">
        <label>23</label>
        <p id="paragraph-2721992ad04de16bd132acaccf449b94">Lacerda (2012, p. 51) apresenta o seguinte dado em contraste à sentença em (36b), que evidencia que “ambos” não pode se deslocar internamente: *[Os alunos<sub id="subscript-62d73137a1dd7ac3b3d2d3af2ff34503">i</sub> ambos t<sub id="subscript-9df43cf9d31d5e575a0168ed8a2fff69">i</sub>] fizeram perguntas interessantes.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f8afb978045d5412e8bdcc797734d5c9">
        <label>24</label>
        <p id="paragraph-7c2a5ea32db266b2ea3af00aa6eec4f6">Como dito, essas considerações a respeito do comportamento de “ambos” no PB são baseadas na conclusão de Legendre a respeito do quantificador <italic id="italic-8679d0ebe3d884fa00be46c00a76f554">tous </italic>(‘todos’) no francês, a partir dos seguintes dados: <italic id="italic-0c09c1ff69ae2c54313433bf3410ad2a">Pierre a mangé tous les legumes</italic> (‘Pierre comeu todos os legumes’), <italic id="italic-4795d563e0a010e0e2acb9b5d7d2d11b">*Pierre a mangé les légumes tous</italic> (‘Pierre comeu os legumes todos’, agramatical no francês) e <italic id="italic-6b05020838f1b7dc2d204bd2a6298014">Pierre mangera les légumes tous crus</italic> (‘Pierre vai comer os legumes todos crus’) (LEGENDRE, 1997, p. 58 e 59). A autora assume a hipótese de uma SC com PRO como sujeito, aliada à análise de Sportiche (1988) do quantificador <italic id="italic-8">tous</italic>, para explicar o contraste entre estes dois últimos dados: <italic id="italic-9">Pierre mangera les légumes [<sub id="subscript-668f018a28ac5c78a6f7b670a434aadc">SC</sub> tous + PRO crus] </italic>(LEGENDRE, 1997, p. 60). O motivo de Ferreira (2017) utilizar o quantificador “ambos” ao aplicar as evidências de Legendre ao PB, em vez do item “todos”, que corresponde à tradução literal de <italic id="italic-10">tous</italic>, resulta da observação de que a inversão da ordem “todos” + DP é permitida na ausência de um predicado secundário no PB, diferentemente do que ocorre no francês: (i) “Marcos comeu todas as carnes” / (ii) “Marcos comeu as carnes todas”. Com isso, não verificaríamos um contraste entre esta sentença e “Marcos comeu as carnes todas cruas”, que, por si só, não constituiria evidência para a existência de uma categoria vazia como sujeito da SC. Além disso, pesa o fato de que o item “todo” é ambíguo no PB entre uma interpretação de quantidade e uma interpretação de intensidade em sentenças como “Marcos comeu as carnes todas cruas” (cf. GUERRA VICENTE; QUADROS GOMES, 2013), o que dificultaria a tentativa de isolar a interpretação relevante. O quantificador “ambos”, por outro lado, comporta-se no PB como o item <italic id="italic-11">tous </italic>se comporta no francês quanto aos aspectos que interessam para a argumentação de Ferreira (2017).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-65c24f40821ef60f930f945ec1ad324d">
        <label>25</label>
        <p id="paragraph-9274b1b4e583b5eda170bc8a75fd0cdb">Remetemos o leitor a Ferreira (2017) para um detalhamento dos testes. Ressaltamos que Foltran (1999) não supõe a formação de uma <italic id="italic-927091b5fa3f3f2f6a009803bb727385">small clause </italic>nas construções depictivas, mas apenas a simples adjunção do depictivo.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-fea82c265d5dffe32f202ef109e98c53">
        <label>26</label>
        <p id="paragraph-f77a345f273cc47205600a381b7ce2ff">Ressaltamos que <italic id="italic-9b35d20cc71970a4d254938deb8a0382">small clauses </italic>depictivas são ambientes não finitos.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-e9ba8a1b576fb37ca945dc730f5544c5">
        <label>27</label>
        <p id="paragraph-423a18a6035a75bb3000a818e94a0f30">Diferentemente do proposto em Chomsky (2000, 2001, 2004), a noção de c-comando não está incluída na definição de movimento assumida aqui e, portanto, não é pré-requisito para o movimento de um objeto sintático. Também se dispensa a estipulação de que somente se pode fazer <italic id="italic-f50ad3a4cf5aa72281b2699df99f0989">Merge </italic>de um elemento copiado com um objeto sintático que contenha o elemento original (NUNES, 2004, p. 6). </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6e086fd8c9e7f9d2366f90cc07936b93">
        <label>28</label>
        <p id="paragraph-4c3e9262ad3fc8c157e0535e51f21afb">Observamos que, em Ferreira (2017), ainda se aventa a hipótese de que o adjetivo recebe a interpretação <italic id="italic-25531b10188f3f50bbc81b2a06333b22">stage- level </italic>por meio da adjunção a Asp, mas Ferreira (2020) rejeita esse entendimento, reinterpretando a relação entre Asp e o adjetivo em termos de compatibilidade de traços semânticos na seleção e assumindo que Asp pode entrar na derivação com um subconjunto de traços [+pers], que denota persistência temporal, ou com um subconjunto de traços [-pers], que denota eventualidade temporária. Remetemos o leitor a Ferreira (2020) para mais detalhes.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-8a29c524b220b003c3606021a55edbf3">
        <label>29</label>
        <p id="paragraph-cbb3e9c265d90087e19785073a871c8a">A proposta de derivação apresentada por Ardid-Gumiel (2001) é bastante similar à proposta de Ferreira (2017), no sentido de que ambas as autoras dispensam PRO e utilizam o mecanismo de <italic id="italic-15">Agree</italic> no âmbito da predicação secundária. No entanto, a proposta de Ardid-Gumiel (2001) não inclui a formação de um sintagma AspP; a autora supõe que o alvo (o DP) está no Spec da sonda (o adjetivo), o que depende da hipótese de se assumir o Spec como integrante do domínio de procura da sonda, em uma espécie de <italic id="italic-16">Agree </italic>às avessas. A proposta de Ferreira (2017) não depende dessa hipótese, uma vez que, em sua análise, a sonda (Asp) c-comanda o alvo (o DP), em conformidade com o mecanismo de <italic id="italic-17">Agree </italic>previsto em Chomsky (2000; entre outros).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-be4ad4606db91872995e8ded46770059">
        <label>30</label>
        <p id="paragraph-b749736b4bfc596b32c70a5f4aaf5dbf">Estamos cientes de que essa opção viola o princípio <italic id="italic-2a090d7599c1f7328f9a08aac6c9f76d">Merge-over-Move</italic> (cf. NUNES, 2014, p. 83), pois o esperado era que o sistema realizasse primeiramente o <italic id="italic-ab546c4c3ae8e69b29cf6409d575b7ea">Merge</italic> do DP na Numeração, por razões de economia.</p>
      </fn>
    </fn-group>
    <ref-list>
      <ref id="journal-article-ref-1acd047ef908b815e82b92362c0662cf">
        <element-citation publication-type="journal">
          <volume>26</volume>
          <year>2001</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>ARDID-GUMIEL</surname>
              <given-names>Ana</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>ZHANG</surname>
              <given-names>Nina</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>ZAS Papers in Linguistics </source>
          <article-title>The syntax of Depictives, Subjects, Modes of Judgements and IL/S-L Properties</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="conference-paper-ref-32e063adb7ff1d3ef33dbd6b56b90355">
        <element-citation publication-type="confproc">
          <conf-name>ConSOLE XVII</conf-name>
          <fpage>53</fpage>
          <lpage>76</lpage>
          <year>2012</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>ASADA</surname>
              <given-names>Yuko</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Proceedings</source>
          <article-title>Against the complex predicate analysis of secondary predication</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-b495fed840ef62e654de8af1744ff69a">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>5</fpage>
          <lpage>16</lpage>
          <volume>v. 9</volume>
          <year>1986</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>BACH</surname>
              <given-names>Emmon</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Linguistics and Philosophy</source>
          <article-title>The Algebra of Events</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-0ed846cd8d9b5af3b70eca83c19d4956">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
          <publisher-name>Universidade de São Paulo</publisher-name>
          <year>2008</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>BARBOSA</surname>
              <given-names>Julio</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title>
            <italic id="italic-50f88c8a2db46ed5dc2c04b2b27b7ce2">A estrutura sintática das chamadas ‘construções resultativas em PB’</italic>
          </article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-218f46f204c108af68fc3cdaf38b9f6e">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Porto Alegre</publisher-loc>
          <publisher-name>URGS</publisher-name>
          <year>1975</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>BISOL</surname>
              <given-names>Leda</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source><italic id="italic-a61b6b2d8729987b3a4caf6460053a6b">Predicados complexos do português:</italic> uma análise transformacional</source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-757634bb2399add3a73a3171242506d1">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Cambridge</publisher-loc>
          <publisher-name>Cambridge University Press</publisher-name>
          <year>2010</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>BOECKX</surname>
              <given-names>Cedric</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>HORNSTEIN</surname>
              <given-names>Norbert</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>NUNES</surname>
              <given-names>Jairo</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-f2e7521ec30a32d9745bfd9cbcf18766">Control as Movement</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-0139d2e0d858cfec6194fe71ec69774e">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>591</fpage>
          <lpage>656</lpage>
          <volume>v. 24</volume>
          <year>1993</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>BOWERS</surname>
              <given-names>John</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Linguistic Inquiry</source>
          <article-title>The syntax of predication</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-e4c984126c5e26675f06678d6432a81d">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-loc>Cambridge</publisher-loc>
          <publisher-name>Blackwell</publisher-name>
          <year>2001</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>BOWERS</surname>
              <given-names>John</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>BALTIN</surname>
              <given-names>Mark</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>COLLINS</surname>
              <given-names>Chris </given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>The Handbook of Contemporary Syntactic Theory</source>
          <chapter-title>Predication</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-74143ef26092b9528c22d486dbcab34b">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>413</fpage>
          <lpage>457</lpage>
          <volume>v. 1</volume>
          <year>1977</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>CARLSON</surname>
              <given-names>Greg</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Linguistics and Philosophy, Dordrecht</source>
          <article-title>A Unified Analysis of the English Bare Plural</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-09c5a3bfc404aca9f6bec06ab44a864d">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-loc>Curitiba</publisher-loc>
          <publisher-name>Universidade Federal do Paraná</publisher-name>
          <year>2008</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>CARREIRA</surname>
              <given-names>Marcos</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title>
            <italic id="italic-e9876f111e653b2090f3e2a95362a5e4">Diagnósticos de Constituência para Construções Predicativas Adjetivais</italic>
          </article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-5ee7a757d1e88d7c52b7f26a800fe771">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-loc>Curitiba</publisher-loc>
          <publisher-name>Universidade Federal do Paraná</publisher-name>
          <year>2015</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>CARREIRA</surname>
              <given-names>Marcos</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title><italic id="italic-aa83262e55922c0b0eb7d0dc16799bc6">Predicação e ambiguidade de projeção</italic>: uma teoria unificada</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-657490fb903c4cd92368e8625083529a">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Dordrecht</publisher-loc>
          <publisher-name>Foris</publisher-name>
          <year>1981</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>CHOMSKY</surname>
              <given-names>Noam</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-30fc39154d70f83ce6ed0f5382e7c89c">Lectures on Government and Binding</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-1b37f42adfde10a289d9f93b1cf620c6">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <fpage>89</fpage>
          <lpage>115</lpage>
          <publisher-loc>Cambridge, MA</publisher-loc>
          <publisher-name>MIT Press</publisher-name>
          <year>2000</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>CHOMSKY</surname>
              <given-names>Noam</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>MARTIN</surname>
              <given-names>Roger</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>MICHAELS</surname>
              <given-names>David</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>URIAGEREKA</surname>
              <given-names>Juan </given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Step by Step: Essays on Minimalist Syntax in Honor of Howard Lasnik</source>
          <chapter-title>Minimalist inquiries: The framework</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-354019182e77c4f441470c21d3dd615b">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <fpage>1</fpage>
          <lpage>52</lpage>
          <publisher-loc>Cambridge, MA</publisher-loc>
          <publisher-name>MIT Press</publisher-name>
          <year>2001</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>CHOMSKY</surname>
              <given-names>Noam</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>KENSTOWICZ</surname>
              <given-names>Michael </given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Ken Hale: A Life in Language</source>
          <chapter-title>Derivation by phase</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-4fb12beae9645862c2b8791d0a0fa597">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <fpage>104</fpage>
          <lpage>131</lpage>
          <publisher-loc>Oxford</publisher-loc>
          <publisher-name>Oxford University Press</publisher-name>
          <year>2004</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>CHOMSKY</surname>
              <given-names>Noam</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>BELLETTI</surname>
              <given-names>Adriana </given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Structures and Beyond</source>
          <chapter-title>Beyond explanatory adequacy</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-c9db74fb3389f05deb686fa1c6cfcbd5">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-loc>Cambridge, MA</publisher-loc>
          <publisher-name>MIT Press</publisher-name>
          <year>1995</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>CHOMSKY</surname>
              <given-names>Noam</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>LASNIK</surname>
              <given-names>Howard</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>CHOMSKY</surname>
              <given-names>Noam</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>The Minimalist Program</source>
          <chapter-title>The theory of principles and parameters</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-6b5486a951303974818f28f8c54441b7">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-loc>Brasília</publisher-loc>
          <publisher-name>Universidade de Brasília</publisher-name>
          <year>2017</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>FERREIRA</surname>
              <given-names>Elisabete</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title>
            <italic id="italic-b1cfbc53101608069ed598b6818dbd7f">Considerações sobre a sintaxe das construções de predicação secundária depictiva no português brasileiro</italic>
          </article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-e3393666418d16fd0e10baf3be4d2257">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>1</fpage>
          <lpage>19</lpage>
          <volume>v.62</volume>
          <year>2020</year>
          <pub-id pub-id-type="doi">DOI: 10.20396/cel.v62i0.8657999</pub-id>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>FERREIRA</surname>
              <given-names>Elisabete</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Cad. Est. Ling., Campinas</source>
          <article-title>Adjetivos <italic id="italic-3b1c37325ccd01e976a53efaed81ad62">stage-level</italic> e <italic id="italic-a9043ee73cfeb5c1abd4386cbf29f6ef">individual-level</italic> em construções depictivas</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-3d2bb44c66ede04480cad0d38fda20b0">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
          <publisher-name>Universidade de São Paulo</publisher-name>
          <year>1999</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>FOLTRAN</surname>
              <given-names>Maria José</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title><italic id="italic-43c6b107fe63dee39a295d8550660216">As Construções de Predicação Secundária no Português do Brasil</italic>: Aspectos Sintáticos e Semânticos</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-0832cdb64bb25ff9093042793add25bd">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>17</fpage>
          <issue>n. 2</issue>
          <lpage>82</lpage>
          <volume>v. 11</volume>
          <year>2003</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>FRANCHI</surname>
              <given-names>Carlos</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Revista de Estudos da Linguagem. Belo Horizonte</source>
          <article-title>Predicação</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-fb54e81d4fd0f0777b1dbf3d748a4ee0">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-loc>Universidade de Brasília</publisher-loc>
          <publisher-name>Brasília</publisher-name>
          <year>2006</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>GUERRA VICENTE</surname>
              <given-names>Helena</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title><italic id="italic-f76a0e706278caa9be65a7a2c4fb1ace">O quantificador flutuante "todos" no português brasileiro e no inglês</italic>: uma abordagem gerativa</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-ed2cd7a440c27eedca63b5bc5b784d06">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>112</fpage>
          <issue>n.1</issue>
          <lpage>132</lpage>
          <volume>v. 9</volume>
          <year>2013</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>GUERRA VICENTE</surname>
              <given-names>Helena</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>QUADROS GOMES</surname>
              <given-names>Ana Paula</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Revista Linguíʃtica</source>
          <article-title>Um tratamento unificado de grau para o quantificador flutuante e o intensificador todo</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-b191cefaa35eace1b107ae94d735a10f">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>37</fpage>
          <lpage>81</lpage>
          <year>1967</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>HALLIDAY</surname>
              <given-names>Michael</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Journal of Linguistics</source>
          <article-title>Notes on transitivity and theme in English, Part I</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-d11ebfb21322ed1709a6386c6e195e79">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <fpage>1</fpage>
          <lpage>67</lpage>
          <publisher-loc>Oxford</publisher-loc>
          <publisher-name>Oxford University Press</publisher-name>
          <year>2005</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>HIMMELMANN</surname>
              <given-names>Nikolaus P</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>SCHULTZE-BERNDT</surname>
              <given-names>Eva</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>HIMMELMANN</surname>
              <given-names>Nikolaus P</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>SCHULTZE-BERNDT</surname>
              <given-names>Eva </given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Secondary Predication and Adverbial Modification: the Typology of Depictives</source>
          <chapter-title>Issues in the syntax and semantics of participant-oriented adjuncts: an introduction</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-33988bbfa2b970a595e673dab9b10e2c">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>69</fpage>
          <lpage>96</lpage>
          <volume>v. 30</volume>
          <year>1999</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>HORNSTEIN</surname>
              <given-names>Norbert</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Linguistic Inquiry</source>
          <article-title>Movement and control</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-60e3e2d6b29597ec3bfd2bd700f8850e">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Oxford</publisher-loc>
          <publisher-name>Blackwell</publisher-name>
          <year>2001</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>HORNSTEIN</surname>
              <given-names>Norbert</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source><italic id="italic-1d4128c753074c902f84b26a3ee859be">Move!</italic> A minimalist theory of construal</source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-c7b6deb1c8ff5ba460bac11c3e349282">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>23</fpage>
          <lpage>52</lpage>
          <volume>v. 63</volume>
          <year>1987</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>HORNSTEIN</surname>
              <given-names>Norbert</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>LIGHTFOOT</surname>
              <given-names>David</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Language</source>
          <article-title>Predication and PRO</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-b579e8dff9e355657a3222b2bcfc9fd1">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-name>Cambridge University Press</publisher-name>
          <year>2005</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>HORNSTEIN</surname>
              <given-names>Norbert</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>NUNES</surname>
              <given-names>Jairo</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>GROHMANN</surname>
              <given-names>Kleanthes</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-ccb895aa360109188873582a6dcdfb39">Understanding Minimalism</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-c5433bcbe4477b2f527be3d168119fa9">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-loc>University of Arizona Linguistics Circle</publisher-loc>
          <year>1995</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>IKAWA</surname>
              <given-names>Hisako</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Coyote Papers: Working Papers in Linguistics from A-Z</source>
          <chapter-title>"PRO Analysis" for Subject- Oriented Secondary Predicates</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-f58f295b2b5f5900295c7cc39750a520">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-name>Universidade de Toronto</publisher-name>
          <year>2012</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>IRIMIA</surname>
              <given-names>Monica-Alexandrina</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title>
            <italic id="italic-e69daec9da3ef5741a4643f4a10d87e4">Secondary Predicates</italic>
          </article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-b69a5a258b2bb8745f2c45dd32e30a11">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
          <publisher-name>Universidade de São Paulo</publisher-name>
          <year>2012</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>LACERDA</surname>
              <given-names>Renato</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title>Quantificadores flutuantes no português brasileiro</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-e59047db0ed79e7d798e76a393e69e30">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>43</fpage>
          <lpage>87</lpage>
          <volume>v. 15</volume>
          <year>1997</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>LEGENDRE</surname>
              <given-names>Géraldine</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Natural Language and Linguistic Theory</source>
          <article-title>Secondary predication and functional projections in French</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-39d52ee298198d808b8da08fcfa07f9f">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>69</fpage>
          <issue>n. 2</issue>
          <lpage>79</lpage>
          <volume>v. 2</volume>
          <year>2016 [1990]</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>LOBATO</surname>
              <given-names>Lucia</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Caderno de Squibs: temas em estudos formais da linguagem</source>
          <article-title>Por que não existem pequenas orações em posição de adjunto?</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-902100958b086216939eb8754e10dd67">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-loc>Campinas</publisher-loc>
          <publisher-name>Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP)</publisher-name>
          <year>2007</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>MARCELINO</surname>
              <given-names>Marcello</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title>
            <italic id="italic-61d649075996570ac0bf695cae721feb">O parâmetro de composição e a aquisição/aprendizagem de L2</italic>
          </article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="conference-paper-ref-d6436be187aa20f24ba9f9275a9845b0">
        <element-citation publication-type="confproc">
          <conf-name>Formal Descriptions of Slavic Languages 6</conf-name>
          <conf-loc>Leipzig</conf-loc>
          <year>2003</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>MARUŠIČ</surname>
              <given-names>Franc</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>MARVIN</surname>
              <given-names>Tatjana</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>ŽAUCER</surname>
              <given-names>Rok</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Trabalho apresentado</source>
          <article-title>Depictive Secondary Predication with no PRO</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-e4ca7de0e7ed34a2f140d99599526b33">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <year>1993</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>MCNALLY</surname>
              <given-names>Louise</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>The Proceedings of WCCFL 12</source>
          <chapter-title>Adjunct Predicates and the Individual/Stage Distinction</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-b8e60315315775e976fe502aa8b1004e">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>São Paulo</publisher-loc>
          <publisher-name>Contexto</publisher-name>
          <year>2013</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>MIOTO</surname>
              <given-names>Carlos</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>SILVA</surname>
              <given-names>Maria Cristina Figueiredo</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>LOPES</surname>
              <given-names>Ruth</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-8f047676a961beedd608897c587623c6">Novo manual de sintaxe</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-3ac8f4ad5516f121bab31ce119c64c55">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-loc>College Park</publisher-loc>
          <publisher-name>Universidade de Maryland</publisher-name>
          <year>1995</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>NUNES</surname>
              <given-names>Jairo</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title>
            <italic id="italic-0602a924e8bf1315fbffc44272e86fac">The</italic>
            <bold id="bold-250b92cffddbd8711ef3c33f31dc8970" />
            <italic id="italic-338f78bd8cc53fcc91eaaedaacfd7d98">Copy Theory of Movement and Linearization of Chains in the Minimalist Program</italic>
          </article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-a23002b540cb6dffb71afff0862a9c2d">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Cambridge, MA</publisher-loc>
          <publisher-name>MIT Press</publisher-name>
          <year>2004</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>NUNES</surname>
              <given-names>Jairo</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-32a2e41ba21d8b97b19591592222ac27">Linearization of Chains and Sideward Movement</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-fe8ec6730fdcf767b0e6f9f7b015d538">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <fpage>3</fpage>
          <lpage>14</lpage>
          <publisher-loc>Amsterdam/Philadelphia</publisher-loc>
          <publisher-name>John Benjamins</publisher-name>
          <year>2009</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>NUNES</surname>
              <given-names>Jairo</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>NUNES</surname>
              <given-names>Jairo</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Minimalist Essays on Brazilian Portuguese Syntax</source>
          <chapter-title>Brazilian Portuguese under minimalist lenses</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-08a4fca2252639b0628b9ccda4d662d0">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <edition>1. ed</edition>
          <fpage>79</fpage>
          <lpage>108</lpage>
          <publisher-loc>Amsterdam/Philadelphia</publisher-loc>
          <publisher-name>John Benjamins</publisher-name>
          <year>2014</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>NUNES</surname>
              <given-names>Jairo</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>KOSTA</surname>
              <given-names>Peter</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>FRANKS</surname>
              <given-names>Steven</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>RADEVA-BORK</surname>
              <given-names>Teodora</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>SCHÜRCKS</surname>
              <given-names>Lilia </given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Minimalism and Beyond: Radicalizing the Interfaces</source>
          <chapter-title>Adjunct Control and Edge Features</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-f6733fe071eb84a0545d55f44c8275f8">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>703</fpage>
          <issue>n. 4</issue>
          <lpage>710</lpage>
          <volume>v. 19</volume>
          <year>1988</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>ROBERTS</surname>
              <given-names>Ian</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Linguistic Inquiry</source>
          <article-title>Predicative APs</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-d2af9bf66b833b4cb168ef63f3a75c09">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-loc>Cambridge (MA)</publisher-loc>
          <publisher-name>Massachusetts Institute of Technology</publisher-name>
          <year>1983</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>ROTHSTEIN</surname>
              <given-names>Susan</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title>
            <italic id="italic-ba881fb7e3d6c639a2dc20969d8e3aa0">The syntactic forms of predication</italic>
          </article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-f13f9a9a9d2f8e3a8a776263bf200378">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Dordrecht</publisher-loc>
          <publisher-name>Kluwer Academic Press</publisher-name>
          <year>2004a [2001]</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>ROTHSTEIN</surname>
              <given-names>Susan</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-50db0b7c94bace538e3a5a0e9df7b2d1">Predicates and their Subjects</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-2226f502cf83d169ee5864b2815078a9">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Oxford</publisher-loc>
          <publisher-name>Blackwell</publisher-name>
          <year>2004b</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>ROTHSTEIN</surname>
              <given-names>Susan</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source><italic id="italic-b04b8d8e90aafbdcec6cca432e5c48dd">Structuring Events:</italic> A Study in the Semantics of Aspect</source>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="chapter-ref-7406563ce5f76b29440850343a00e0b0">
        <element-citation publication-type="chapter">
          <publisher-name>Blackwell Publishing</publisher-name>
          <year>2006</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>ROTHSTEIN</surname>
              <given-names>Susan</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <person-group person-group-type="editor">
            <name>
              <surname>EVERAERT</surname>
              <given-names>Martin</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>RIEMSDIJK</surname>
              <given-names>Henk van</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>The Blackwell companion to syntax</source>
          <chapter-title>Secondary Predication</chapter-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-4339a59ddb98b0b0750bf4952ec50e34">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>59</fpage>
          <issue>n. 1</issue>
          <lpage>131</lpage>
          <volume>v. 8</volume>
          <year>2004</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>SCHULTZE-BERNDT</surname>
              <given-names>Eva</given-names>
            </name>
            <name>
              <surname>HIMMELMANN</surname>
              <given-names>Nikolaus P</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Linguistic Typology</source>
          <article-title>Depictive secondary predicates in crosslinguistic perspective</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-93a06db530dc9e41813ed20160d010cb">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>425</fpage>
          <lpage>449</lpage>
          <volume>v. 19</volume>
          <year>1988</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>SPORTICHE</surname>
              <given-names>Dominique</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Linguistic Inquiry</source>
          <article-title>A Theory of Floating Quantifiers and Its Corollaries for Constituent Structure</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="thesis-ref-04abbb66ff19132706aceff4d51fed4f">
        <element-citation publication-type="thesis">
          <publisher-name>Massachusetts Institute of Technology</publisher-name>
          <year>1981</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>STOWELL</surname>
              <given-names>Timothy</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <article-title>Origins of Phrase Structure</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-0afc1d21370d4a3a16b4f64d64635c31">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>285</fpage>
          <lpage>312</lpage>
          <volume>v. 2</volume>
          <year>1983</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>STOWELL</surname>
              <given-names>Timothy</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>The Linguistic Review</source>
          <article-title>Subjects across categories</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="journal-article-ref-7eca7558dfda539f85da3c14714295f2">
        <element-citation publication-type="journal">
          <fpage>203</fpage>
          <issue>n. 1</issue>
          <lpage>238</lpage>
          <volume>v. 11</volume>
          <year>1980</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>WILLIAMS</surname>
              <given-names>Edwin</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>Linguistic Inquiry</source>
          <article-title>Predication</article-title>
        </element-citation>
      </ref>
      <ref id="book-ref-c27cdcd2d134cd34dbbd1a88e8f5fb8a">
        <element-citation publication-type="book">
          <publisher-loc>Berlin</publisher-loc>
          <publisher-name>Mouton de Gruyter</publisher-name>
          <year>1997</year>
          <person-group person-group-type="author">
            <name>
              <surname>WINKLER</surname>
              <given-names>Susanne</given-names>
            </name>
          </person-group>
          <source>
            <italic id="italic-3d44332b1a6968ce072c2c9a73eeb983">Focus and Secondary Predication</italic>
          </source>
        </element-citation>
      </ref>
    </ref-list>
  </back>
</article>