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        <article-title><italic id="italic-1">DEEPFAKE</italic> E VIOLÊNCIA VERBAL NOS COMENTÁRIOS DE INTERNAUTAS NO <italic id="italic-2">FACEBOOK</italic></article-title>
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      <pub-date date-type="pub" iso-8601-date="10/11/2021" />
      <volume>2</volume>
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      <issue-title>Desafios da Linguística na Ciência Aberta</issue-title>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">O objetivo deste trabalho é analisar a violência verbal em comentários de <italic id="italic-1fe1256f3bb74141f8282d807293d74f">deepfake </italic>no Facebook<italic id="italic-b8141a701f54facbd4a349965a5b3c2b">.</italic> Partimos da hipótese de que o discurso satírico e tendencioso de uma <italic id="italic-3">deepfake</italic> provoca um confronto violento entre os internautas no qual cada polo se posiciona axiologicamente como dono da verdade, o que reforça o cenário de descortesia e ódio presente no ambiente discursivo da política brasileira. O nosso <italic id="italic-4">corpus</italic> é constituído pelos comentários da publicação de uma <italic id="italic-5">deepfake </italic>sobre o pronunciamento do Presidente Jair Bolsonaro no dia 22 de setembro de 2020 na Organização das Nações Unidas. Produzida e publicada no perfil do jornalista e <italic id="italic-6">videomaker</italic> Bruno Sartori, a <italic id="italic-7">deepfake</italic> gerou 12 mil reações, mil comentários e 9,7 mil compartilhamentos. No vídeo, o presidente Harris, interpretado por Leslie Nielsen, de um filme de comédia americana, aparece com a voz e as falas de Bolsonaro, discursando para líderes mundiais e pronuncia uma sequência de enunciados controvertidos, ditos em situações reais pelo presidente Bolsonaro em alguns momentos do seu governo. Para a análise dos comentários, mobilizamos noções de relações dialógicas, contexto, auditório e entonação da obra de Mikhail Bakhtin, Pável Medviédev e Valentin Volóchinov. A análise mostra que, no confronto entre diferentes posicionamentos valorativos, os internautas desqualificam, insultam, usam linguagem grosseira e, em disputas acirradas por suas convicções, produzem enunciados de ódio e disseminam violência na esfera comunicativa e pública das redes sociais digitais. </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-b1f78b6399ed3e5f204e8c85d5ae9d2c">The aim of this paper is to analyze verbal violence in Facebook’s deepfakes comments. We start from the hypothesis that the satirical and tendentious discourse of a deepfake, a violent confrontation between internet users begins, in which each pole axiologically positions itself as the owner of the truth, which reinforces the discourtesy and hateful scenario present in the discursive environment of Brazilian politics. Our <italic id="italic-6160d6d057dbe975054905da2f5b0209">corpus</italic> is made up of comments from the publication of a deepfake on President Jair Bolsonaro's speech on September 22, 2020 at the United Nations. Produced and published on the profile of the journalist and videomaker Bruno Sartori, that deepfake generated 12,000 reactions, 1,000 comments and 9,700 shares. In the video, President Harris, played by Leslie Nielsen, from an American comedy film, appears as if he was Bolsonaro, speaking to world leaders and uttering a sequence of controversial statements made in real situations by President Bolsonaro in some moments of his government and campaign. For the analysis of the comments, we mobilized notions of dialogical relationships, context, audience and intonation of the work of Mikhail Bakhtin, Pavel Medvedev and Valentin Volochinov. The analysis shows that, in the confrontation between different evaluative positions, internet users disqualify, insult, use coarse language and, in fierce disputes for their convictions, produce hateful statements and disseminate violence in the communicative and public sphere of digital social networks.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Comentários</kwd>
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          <italic id="italic-7e049b6b3ac83619c8731701633a798d">D</italic>
          <italic id="italic-fe76ef9cf2b8842b8dd0c7e5096b6ba4">eepfake</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">Redes sociais digitais</kwd>
        <kwd content-type="">Análise Dialógica do Discurso</kwd>
        <kwd content-type="">Violência verbal</kwd>
      </kwd-group>
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    <sec id="heading-ac5b9ebaf5848a2aebfab7263fa7a046">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-01f66404d0fc76bc2524de62beb30549">Este trabalho resulta dos nossos estudos sobre a desinformação, a polarização discursiva na <italic id="italic-a7220432f5964f7ce54e77fd5029459b">Internet</italic>, mais especificamente nas redes sociais digitais, onde se verificam embates crescentes, marcados por enunciados que vão da ironia à violência, passando pela descortesia, a ridicularização, o rebaixamento, o sarcasmo, o ódio, a violência. Fenômenos discursivos evidentes nos comentários dos internautas que derivam de um outro, a polarização, fruto das “guerras culturais”: conflitos enunciativos típicos de momentos de crises e disputas políticas acirradas como as que o mundo e o Brasil têm enfrentado<ext-link id="external-link-72c2c1e771425adbcb6f9132f005f1a3" xlink:href="#_ftn1"><sup id="superscript-fb53bdb85d240f44b90c9d8788955400"><sup id="superscript-2">[1]</sup></sup></ext-link>. Com a (re)emergência da direita brasileira instituiu-se no país uma espécie de “normalização” de discursos extremistas, fundamentalistas, moralistas de ultraconservadores que atacam supostos “inimigos”, que os diferenciam dos discursos da esquerda justamente no ataque a instituições que garantem a democracia de direito (ABRANCHES, 2019, p.27). </p>
      <p id="paragraph-02754805e5019d9bfafab59ecdc9165d">A necessidade de se integrar neste novo mundo, de interagir e vivenciar novas experiências, características dessas novas condições tecnológicas, tem levado multidões a se inserir (no vocabulário da <italic id="italic-753d88a8bff32b60ee139b32123e94cf">internet</italic>, “cadastrar seus perfis”) em muitas interfaces de comunicação como o <italic id="italic-eb183bc404d34cf94e0b94ed5297734b">Facebook</italic>, o <italic id="italic-6cdae87f4d3f61952611ba9080bedadc">Instagram</italic>, o <italic id="italic-6b96210c3425e3779f09d948b8625ead">Twitter</italic>, o <italic id="italic-8b9262e542f9d878d6a06c6c4a4a0954">Snapchat</italic> e o <italic id="italic-d2926a0150b1d286ed025a0186c99277">WhatsApp<sup id="superscript-3"><ext-link id="external-link-e96233c7d6744122f39cddf81336f411" xlink:href="#_ftn2"><bold id="bold-d797c0cdee18962a76281a14b1550911"><sup id="superscript-4">[2]</sup></bold></ext-link></sup></italic>. Essas plataformas evoluíram a tal ponto, que deixaram de ser apenas um meio de comunicação verbal e hipertextual e passaram a ser, também, verbo-visuais e em tempo real. Com todos esses recursos à disposição, Recuero (2016, p. 18) afirma que as redes sociais se transformaram efetivamente nas novas esferas públicas, pois, além de permitirem o compartilhamento de conteúdos pessoais, proporcionam a circulação de notícias locais e mundiais e a discussão de temas relevantes na sociedade. </p>
      <p id="paragraph-f086e5223ea9aa59617f4428d5dd6625">Essa amplitude de possibilidades, ao despertar a adesão dos internautas, multiplica as interações e torna as redes sociais um gigantesco suporte na influência das decisões e de posicionamentos ideológicos. Porém, as interações <italic id="italic-1242b7b7a480aded340454912b534f3e">on-line</italic> são sempre representações das reações dos internautas, publicadas e compartilhadas no ambiente virtual, já que não há um contato face a face entre os envolvidos. Em muitas situações, inclusive, eles estão expostos ao contato com perfis inventados com o objetivo exclusivo de defender uma ideologia. Não raro, por enunciadores pagos que não medem esforços para publicar conteúdos que alicercem um dado ponto de vista ou que difamam quem pensa diferente.</p>
      <p id="paragraph-5d8ba8c45a99a4bf81a6d07ae8f844ec">Nesses casos, confirma-se que as relações nas redes sociais na <italic id="italic-9945100058f02456f3843dda864a9e53">internet</italic> se resumem à “construção de perfis de atores” (RECUERO, 2014a, p. 131) em torno das quais surge um complexo universo de fenômenos comunicativos, sociais e discursivos que merecem atenção pelos novos elementos e dinâmicas que apresentam em sua “(re)inscrição no ciberespaço”(RECUERO, 2009, p.61). Especificamente os elementos da linguagem são analisados a partir do contexto, da hierarquia criada entre os participantes da interação, que determinam a escolha das palavras utilizadas e, principalmente, a entonação, ou seja, o processo de (re)acentuação dos discursos circulantes. </p>
      <p id="paragraph-e01ebf8301a819bd8c5bce4d48e02a9c">Esses elementos aparecem de forma explícita nos comentários de internautas a respeito de informações e desinformações como aquelas produzidas pelas <italic id="italic-1d4b63ec16b9a83b3b63801b9669586e">deepfakes</italic>, cuja tradução do inglês se encontra no site do Projeto Draft (especializado em conteúdo falso na <italic id="italic-c93d79ed74ad3cf21d4ffa5718ed431e">internet</italic>), como “falsificações profundas” (termo proveniente da junção de <italic id="italic-36f5fe8bcae3da9e3fa79c5fe5fc4f97">deeplearnig</italic> e <italic id="italic-13da1a9f02ea1e68376cd2f3067727a0">fake news</italic>). Segundo Isabela Mena (2018), o termo <italic id="italic-25a7d728e89b42e266cabf8e871da24a">deepfake </italic>corresponde a vídeos que manipulam a realidade por meio de tecnologia sofisticada que sobrepõe ou emula as vozes de uma pessoa sobre a de outra. As “falsificações profundas” alavancam “técnicas de aprendizado de máquina (ML) e inteligência artificial (IA) para manipular ou gerar conteúdo visual e de áudio com alto potencial para enganar” (KIETZMANN; LEE; MCCARTHY &amp;KIETZMANN, 2021, p.2).</p>
      <p id="paragraph-328e7d33044896bdcf9ea69381ec0920">O <italic id="italic-c82ed610ff45f3d759a392ad75e32bbe">corpus</italic> deste trabalho é constituído pelos comentários em uma publicação de uma <italic id="italic-7de8bd07568c216effc54da4c3e9b7af">deepfake </italic>no perfil de Bruno Sartori no<italic id="italic-17"> Facebook: </italic>autointitulado “Bruxo dos Vídeos”, o <italic id="italic-18">videomaker </italic>é pioneiro na criação de sátiras com emprego das tecnologias de<italic id="italic-19"> deepfakes </italic>no Brasil<italic id="italic-20">. </italic>Tinha 153 mil seguidores no <italic id="italic-21">Facebook</italic>, quando tiramos o <italic id="italic-22">print</italic> do perfil e coletamos o <italic id="italic-23">corpus</italic> para a nossa análise. Escolhemos um conteúdo do <italic id="italic-24">Facebook </italic>em função da plataforma se manter em primeiro lugar entre as redes sociais mais usadas no mundo, com 2,7 bilhões de usuários ativos, segundo dados de um estudo realizado em 23 de março de 2021<sup id="superscript-5"><ext-link id="external-link-92a2ce8e6c6b9a799bec4e1970bf72f0" xlink:href="#_ftn3"><sup id="superscript-6">[3]</sup></ext-link></sup>. </p>
      <p id="paragraph-0e4fa82aae3876d874f4f547a1c9fb89">De acordo com o levantamento do <italic id="italic-25">Propmark</italic> – instituto de pesquisa com mais de 50 anos de trabalho especializado nos campos da indústria, comunicação, <italic id="italic-26">marketing</italic> e mídia - a rede social de Mark Zuckerberg também segue na liderança no Brasil com 51% do total de usuários brasileiros de redes sociais. Bruno Sartori tem 217 mil seguidores no <italic id="italic-27">Twitter, </italic>e 302 mil inscritos no canal do<italic id="italic-28"> Youtube, </italic>no qual o “Bruxo dos Vídeos” se apresenta como jornalista, humorista e influenciador digital brasileiro. A maioria das suas publicações são críticas ao atual Presidente da República, Jair Bolsonaro, o que faz dele alvo de <italic id="italic-29">haters<sup id="superscript-7"><ext-link id="external-link-93e650800fe75b6b4a55c30e2835cdd7" xlink:href="#_ftn4"><sup id="superscript-8"><bold id="bold-8da69d10062be2355eb7194dd1271672">[4]</bold></sup></ext-link></sup></italic>. Tanto que, em 23 de junho de 2021, por razões de segurança, Bruno Sartori havia suspendido a divulgação do número de seguidores do seu perfil no<italic id="italic-30"> Facebook</italic>.</p>
      <p id="paragraph-8">A publicação que gerou o <italic id="italic-31">corpus</italic> é uma sátira ao discurso do presidente do Brasil pronunciado em 22 de setembro de 2020 na Organização das Nações Unidas (ONU). Nos dois minutos de vídeo, o personagem que representa Bolsonaro no púlpito da ONU pronuncia falas do presidente em alguns momentos do seu governo, como: “Boa noite ao presidente <italic id="italic-32">Trump</italic> e aos nova-iorquinos, menos a essa raça de comunistas”; “Não vai ter nem um centímetro de terra para os indígenas. Índio gosta é de celular com uma boa câmera frontal”; “Na questão da economia, eu não entendo nada, mas isso não impediu de eu ter o que tenho hoje”; “O pobre no Brasil só tem uma utilidade: votar”; “Ou as minorias se adequam, ou simplesmente desaparecem”; “Ninguém gosta de <italic id="italic-33">gay</italic>, tolera e eu tenho imunidade para falar disso”; “Meu deus acima de tudo, <italic id="italic-34">Trump</italic> acima de todos”. Essa publicação gerou 12 mil reações, mil comentários e 9,7 mil compartilhamentos. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-c335e211b9c9c3930a3b07faef45dd97">
      <title>1. Marco teórico</title>
      <p id="paragraph-273d11223ca756e048959d7d7d47cd4d">Com base nos escritos de Bakhtin, Medviédev e Volóchinov, podemos dizer que os internautas, que se revezam como enunciadores e destinatários na <italic id="italic-192d88cbc27eb4b1cb32c40da9eadbfb">Internet</italic>, são sujeitos situados no tempo, no espaço, responsáveis por seus enunciados bem como pelas possíveis respostas ao seu ato de enunciar. Sujeitos que não têm um “álibi para sua existência” (BAKHTIN, 2017 [1919-1921]) e, portanto, são responsáveis por suas cosmovisões.</p>
      <p id="paragraph-592e24901716e4668c067aa14096db52"> Em confronto, esses internautas não têm álibi (ou desculpas) para suas entonações de superioridade, agressividade e violência adotadas em seus enunciados em relação aos enunciados contrários e aos sujeitos discordantes; nem por suas escolhas lexicais e composicionais correspondentes a essas entonações. Contudo, na perspectiva dialógica, esses sujeitos enunciadores não são fonte isolada dos enunciados nem dos sentidos por eles produzidos, como veremos a partir da noção de dialogismo. </p>
      <p id="paragraph-37eda7440bbc75501ba81386bb215af9">De antemão, é importante frisar a diferença entre a noção de dialogismo da noção da “prática do diálogo na busca por um entendimento ou por um consenso”, como fica claro nos primeiros escritos de Bakhtin e Volóchinov. O dialogismo envolve muitos aspectos, a começar pelo próprio funcionamento da linguagem que, para os criadores dessa abordagem teórica, constitui-se a partir da interação, isto é, todo enunciado é um ato social e histórico (MEDVIÉDEV, 2016 [1928], p. 183) que vive e morre no processo de interação social (VOLÓCHINOV, 2019 [1926], p. 128). </p>
      <p id="paragraph-07dd22b1d7fb87af0b91b9199bcaa84d">Assim, cada enunciado é uma resposta e faz parte de uma teia formada por fios discursivos. Dialógicas são justamente as relações, a orientação desses fios que os constituem, pois “cada enunciado isolado é um elo na cadeia da comunicação discursiva” (BAKHTIN, 2016 [1979], p. 60). Na Teoria do Romance, Bakhtin (2015 [1934 -1935]<ext-link id="external-link-016fdd0725892ce550a6730fa199a998">)</ext-link>descreve duas dimensões do dialogismo: 1. todo enunciado se constitui pelo já dito. 2. todo enunciado é voltado para uma resposta (BAKHTIN, 2015 [1934 -1935], p. 52 - 54). Além desse dialogismo constitutivo do sentido do discurso, há aquele que se revela na incorporação, pelo enunciador, do discurso de outrem, insurgente de duas maneiras: (1) marcada, quando o enunciador cita abertamente o discurso alheio; (2) não marcada, quando não há uma separação nítida entre o discurso do citante e aquele do citado (CUNHA, 2009, p. 26)<ext-link id="external-link-0695b7ff3b703462ac3cf6d7b7df6e3d" xlink:href="#_ftn1"><sup id="superscript-82013944f4400e2b21f31d4180e67e03"><sup id="superscript-3a4d31bd62f8843312cd8e0b9db0db49">[1]</sup></sup></ext-link>.</p>
      <p id="paragraph-ea84dddb7b9284c79831f04857b2347d">Na circulação dos discursos, este ou aquele aspecto podem ser contrapostos, associados a outros, acentuados, negados ou afirmados, pois, como escreve Bakhtin, “na vida, reagimos com um juízo de valor a todas as manifestações daqueles que nos rodeiam” (BAKHTIN, 2011 [1974], p.3). Esta visão é expressa de forma semelhante por Volóchinov, para quem o enunciado tem uma orientação apreciativa: “Toda palavra serve de expressão ao ‘um’ em relação ao ‘outro’. Na palavra, eu dou forma a mim mesmo do ponto de vista do outro e, por fim, da perspectiva da minha coletividade” (VOLÓCHINOV, 2017 [1929]). </p>
      <p id="paragraph-3c4b61ffcadf774ca964ff5ad62481e8">Nessa perspectiva, as relações dialógicas são relações de sentidos, inseparáveis do conteúdo axiológico. Sendo assim, “ponto de vista” pode ser concebido como “modo de perceber, considerar, interpretar e tomar posição de cada sujeito em relação aos enunciados do discurso, posição esta dialogicamente constituída e constitutiva dos sentidos e inseparável do tom emotivo-volitivo empregado pelo sujeito no ato da enunciação” (CUNHA, 2015, p. 7). Cunha (2015) explica que diferenças de ponto de vista são talvez mais evidentes quando se trata de objetos complexos como a política, a religião, os direitos sociais, o aborto, dentre outros. Nesses casos, é comum haver embates e até confrontos mais violentos nos quais a inter-relação entre os discursos outros está intrinsecamente ligada aos pontos de vista (CUNHA, 2015). </p>
      <p id="paragraph-ddb7898df0b1a0702ab18ff0b67e28b5">Já os fenômenos de discurso como ameaças, censuras, ofensas, maldições (igualmente as bênçãos, os elogios), para Bakhtin (2017[1970-1971]), estão vinculados a uma entonação acentuadamente expressa, podem modificar ou reafirmar enunciados circulantes (BAKHTIN, 2017 <ext-link id="external-link-78a3bce36a06a313a6a14cdfe3d52c1a">[1970-1971]</ext-link>, p. 70). Portanto, este tom é o que produz a (re)acentuação apreciativa dos enunciados (CUNHA, 2009; 2012).</p>
      <p id="paragraph-89dd25f70761b6c238acafb686c9cdfa">Além do caráter axiológico, inerente à linguagem, outro ponto central da abordagem dialógica do discurso é a arquitetônica e a escolha das palavras dos enunciados. Bakhtin, Volóchinov e Medviédev foram talvez os primeiros a formularem uma definição de gêneros baseada em critérios não-linguísticos, mas enunciativos, ligados às condições sociais de produção, das interações sociais. Essa definição tornou-se referência justamente por introduzir as instâncias reais de uso da língua, o contexto da enunciação (CUNHA, 2007, p. 8) e é muito útil à análise dos comentários na <italic id="italic-5e5bfc28bc102178dc328f97aed0c47c">internet</italic>.</p>
      <p id="paragraph-7b4f935c72dc319b2f65069e2af9e703">Dentre outras novidades, segundo Bakhtin, “o gênero possui sua lógica orgânica, que em certo sentido pode ser entendida e criativamente dominada a partir de poucos protótipos ou até fragmentos de gênero (BAKHTIN, 2018 [1963], p.181). Podemos definir o gênero comentário como práticas discursivas com o seguinte propósito e regras: a partir de um texto fonte, o internauta constrói novos discursos, reacentuando diferentemente os aspectos temáticos, com sentidos múltiplos, explícitos ou subentendidos, ou introduzindo deslocamentos e mudanças de tema em função do seu ponto de vista (CUNHA, 2012, p. 28). </p>
      <p id="paragraph-10">Para Recuero (2014), os comentários são uma ação que não apenas sinaliza a participação, mas traz uma efetiva contribuição para o diálogo (RECUERO, 2014, p. 120). Logo, ao comentar uma publicação, o internauta contribui para o diálogo, interagindo com o perfil, com o autor da publicação e com os outros usuários em rede.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-7777bcbc27b7f06ec9bbbe4855b9583b">
      <title>2. Discurso de ódio na internet</title>
      <p id="paragraph-b2738e4d98d0f1ab12544dd5e3350fa8">Estamos em um momento de polarização que caracteriza o cenário discursivo no Brasil, no qual se identificam as narrativas liberais conservadoras, antipetistas e aquelas progressistas, defensoras de políticas distributivas de direitos sociais. As narrativas do ódio e da violência se dão como conflitos de uma guerra de enunciados: “As narrativas que estruturam o debate sugerem uma dinâmica em que cada grupo se define pela negação da caricatura que faz de polo oposto” (RIBEIRO, 2018, p. 90).</p>
      <p id="paragraph-09f7989299eec4e86e4d42132c331ac1"> No <italic id="italic-37c26c40fa2f2e5c76f3ae106ad51856">Facebook,</italic> mas também em outras redes sociais, os internautas expressam seus pontos de vista com mais contundência, seguramente pelo anonimato que lhe propicia maior liberdade de expor seus argumentos e agredir. Protegidos atrás da tela, livres de reações de ordem física e com a identidade protegida, em muitos casos, os internautas se sentem potencializados na sua condição de expor e tentar impor seus posicionamentos, desferir seus golpes enunciativos (CABRAL; LIMA, 2018, p. 43).</p>
      <p id="paragraph-081adce23899a8d5de90cbadd366e747"> Para Cunha (2013), “a violência verbal é interpretada de um lado pelo contexto enunciativo e de outro pelo contexto social, midiático, ético” (CUNHA, 2013, p.243). O contexto de polarização entre grupos com visões de mundo opostas tem se agravado no Brasil nesses anos de crise da democracia e do liberalismo econômico. Discursos extremistas entram em confronto e produzem faíscas de ódio, com insultos e difamações que tendem a viralizar nas redes. Cunha (2013) define violência verbal como o conjunto de palavras, enunciados axiologicamente negativos na situação em que são usados (CUNHA, 2013, p. 241).</p>
      <p id="paragraph-c7650b4f01ccbe81c2ce6aa5993683ff"> Dessa forma, quando consideramos a tensão de vozes entre internautas, que não se intimidam em expressar seu posicionamento, vemos que “o discurso não está apenas no enunciado e em sua construção, ele está sistematicamente imbricado como conjunto ideológico que se reflete no corpo de presenças e ausências de elementos de falas dos usuários”(RECUERO, 2016, p. 19-20). Então, o lugar social de cada internauta é essencial na compreensão dos discursos violentos, bem como o tom que esse tipo de discurso assume nos enunciados em comentários nas redes sociais. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-38dc42604e6b5a491fceecd03a12631d">
      <title>3. Confrontos em análise </title>
      <p id="paragraph-ecbb4b7e83cf31a00074bda1b2f80562">O nosso <italic id="italic-8053b61f00cd53e33887063fa27256c2">corpus</italic> foi extraído do perfil no Facebook do <italic id="italic-e2ed35536638c588c79b8dfc847ee182">videomaker</italic> Bruno Sartori que explora a tecnologia <italic id="italic-5cd3d5f7ee06867783725c7cf21245dd">deepfake</italic> desde 2017 e posteriormente acrescentou a técnica na confecção dos conteúdos humorísticos, envolvendo a <ext-link id="external-link-c788fc3647170c30d65024974b2424ec" xlink:href="about:blank">política nacional</ext-link>. Ganhou notoriedade depois que seu vídeo “Chapolin Bolsonaro” viralizou nas <ext-link id="external-link-13cbfa99b73bbd834d2f08e2c41571ab" xlink:href="about:blank">redes sociais</ext-link> em maio de 2019. Nesse vídeo, que teve milhões de visualizações, o presidente <ext-link id="external-link-90753ba06de06f5f802ae674637836f1" xlink:href="about:blank">Jair Bolsonaro</ext-link> aparece caracterizado com a clássica roupa do personagem <ext-link id="external-link-2984a433f3bea1871467a626ebea065a" xlink:href="about:blank">Chapolin Colorado</ext-link> e pronuncia alguns enunciados ditos por ele em <ext-link id="external-link-4311cffe0b704886c8e4cbb06b790339" xlink:href="about:blank">Dallas</ext-link>, nos <ext-link id="external-link-75eb855803d968e014eea2964f3daec0" xlink:href="about:blank">Estados Unidos</ext-link>. </p>
      <p id="paragraph-d50321d646e7b3c65e331adc7cb78969">O perfil de Bruno Sartori se tornou pioneiro na produção de <italic id="italic-daaff9077b3c0cb5ebe631c5d67223a7">deepfakes</italic> com paródias e vídeos de humor. <italic id="italic-762767df20114e51b4533b55c508a2ad">Deepfake</italic> é a resultante de uma modificação em vídeo, foto ou outras imagens de pessoas reais, produzida para parecer real, por meio de computadores. Por se tratar de uma manipulação dos perfis existentes, a <italic id="italic-0f859e8e4f200cb49cdbd7ba513db084">deepfake </italic>geralmente é usada para disseminar mentiras, calúnia e ódio contra figuras conhecidas, famosas, “midiáticas”. Modificadas em determinado contexto, as <italic id="italic-e01de9e7d0c7f78ae4e77b4763a41296">deespfakes </italic>geram outros discursos – com informações verdadeiras ou falsas. No caso da nossa análise, em forma de comentários postados no perfil de Bruno Sartori, com reações contra ou a favor à <italic id="italic-60035221f22299ddad31dadc21b627cf">deepfake </italic>que faz uma paródia audiovisual com falas instigantes do presidente Jair Bolsonaro. Alguns dos trabalhos mais famosos de Sartori- usando a técnica de síntese de imagens ou sons humanos com inteligência artificial - envolvem a renderização de vídeos de seriados famosos como Chaves e Chapolin Colorado; de cenas clássicas de telenovelas; e de clips de artistas como Whitney Houston e Mariah Carey. <italic id="italic-b4cf53b022e7ae51d1cbba9b1f7e8060"/></p>
      <p id="paragraph-a2d494d60d6ef0a941c2b21ca279105d">Dentre os comentários extraídos da <italic id="italic-a675eb8032dbbeca409a3a5d5a8a1052">deepfake</italic><ext-link id="external-link-7" xlink:href="#_ftn1"><italic id="italic-7044c22371c5abfdf37293ec0d955c41"><bold id="bold-bf3a32bfa678fd490c071a25b66f25c5">[1]</bold></italic></ext-link> no dia 22 de setembro de 2020, alguns <italic id="italic-c4f1cd58661b52764384b9d946631730">GIFs</italic> não puderam ser transcritos, por causa do formato, de modo que privilegiamos a análise dos textos e emojis (símbolos já dicionarizados). No momento de coleta do <italic id="italic-06683b12d12fb3daf67ca2b6542259fc">corpus</italic>, a opção “Mais relevantes” estava selecionada pela própria plataforma, portanto, os comentários coletados, são os quatro que mais receberam visibilidade no perfil de Bruno Sartori no dia 22 de setembro de 2020 no <italic id="italic-74bf99b3c8fa906632c00d49e828d2f3">Facebook</italic>. </p>
      <p id="paragraph-63b69a8555e3fa3e4c17e971f23bb193">Para efeito de uma melhor compreensão da análise, apresentamos os quatro primeiros comentários e suas réplicas. Para preservar a identidade dos enunciadores, optamos por colocar somente as iniciais dos nomes dos comentadores, mesmo se o <italic id="italic-a855a6d3f5548bcfe582659615f041d9">corpus</italic> foi extraído de uma página de rede social de domínio público. </p>
      <fig id="figure-panel-2a1e7a8c94389e4d3ad915a96eb87c62">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-582677b843687030d5330f036ba5fe0f" />
        </caption>
        <graphic id="graphic-98f747e59cb432b4a8267369595f6745" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="1_2.png" />
      </fig>
      <p id="paragraph-2063201553b648c905c202eb57df994b">Nesses quatro comentários, a interação se dá de forma difusa em torno da <italic id="italic-a22c975f2525c46cb53ad5b3e7d8a25e">deepfake</italic>, ou seja, os discursos são motivados inicialmente pelo vídeo, porém, abrem espaço para outros temas relacionados à polarização entre os dois posicionamentos axiológicos e políticos: a favor e contra o governo vigente; a favor e contra os governos petistas (“esquerdistas”). Os enunciados ora são voltados para o texto fonte (para criticar ou concordar), ora para os comentários de outros internautas, o que demonstra o funcionamento do dialogismo, no qual os integrantes da interação, neste caso, não estão direcionados ao consenso, nem mesmo à compreensão recíproca. Tanto que as réplicas, muitas vezes, sequer se referem ao outro enunciado; apenas marcam a posição contrária do enunciador e a conversação se reverte em um confronto de pontos de vistas. </p>
      <p id="paragraph-2ce405ae86c881c0f326f5174166cad6">No comentário <bold id="bold-f9c94bc5155d9a78242969403811e5d5">1</bold>, o internauta <bold id="bold-9d279e6d7b0acaf4167de8bac0b391cd">VM </bold>é o primeiro a comentar o discurso ficcional da montagem que se confunde com as falas reais do presidente, em alguns momentos do seu governo. Sobre essas falas, uma reportagem da Revista IHU<ext-link id="external-link-6273e6c98d415c866ace17b4f936816f" xlink:href="#_ftn1"><sup id="superscript-02855153c7aae2588933ddd11fefd7cb"><sup id="superscript-968729898dac92a410a9793a9e7bcf19">[1]</sup></sup></ext-link><sup id="superscript-4e3347956588d32f63ae9f65927a108d">,</sup> em 09 de fevereiro de 2018, por exemplo, traz alguns pronunciamentos de Jair Bolsonaro, ainda pré-candidato à Presidência. Após um encontro com ruralistas em Dourados (MS), Bolsonaro disse aos repórteres sul-mato-grossenses: “Se eu assumir como presidente da República, não haverá um centímetro a mais para demarcação”. Dentre as inúmeras declarações de Bolsonaro contra a comunidade LGBTQIA+, destacamos algumas publicadas no <italic id="italic-dec70d2e54bfdbc8b687c94b04db7848">site</italic> da revista Carta Capital<sup id="superscript-3382376bfcab7519c47dcfdcaeffec29"><sup id="superscript-68ca400d7d59098efc814ef7ce9d028f"><ext-link id="external-link-60c70b11f012d6fc008c155dfe1491ab" xlink:href="#_ftn2">[2]</ext-link></sup></sup>. O então candidato disse, por exemplo, que preferia ter um filho morto a ter um filho <italic id="italic-89efccc669854adb898275dc6594cc99">gay;</italic> que se o filho ficasse meio “gayzinho”, com uma surra passaria; e que crianças adotadas por casais <italic id="italic-e308ded931fad26d64c0b6b1d20ab21f">gays</italic> vão ser “garotos de programa”. </p>
      <p id="paragraph-19fd4c71166a3014a470097d0331cd7b">A mistura das falas ficcionais com as verdadeiras confere à <italic id="italic-436fd5fe38334ded340e1149af0da389">deepfake </italic>um tom de denúncia, pois os enunciados são reacentuados pela semelhança do contexto em que foram introduzidos com aquele real. Contudo, as réplicas respondem ao comentário <bold id="bold-b2814297bfe6c9ae7adb59cea44fcf0e">1</bold> e não mais ao texto fonte, em uma demonstração clara de que o comentário é um gênero de caráter mobilizador e, de imediato, provoca a contraposição. No comentário <bold id="bold-5ed72531fd8d22bc1b20f2d5fe23af87">1.1</bold><ext-link id="external-link-bbe9c098d0146a100cb5057434740336" xlink:href="#_ftn3"><sup id="superscript-95512b15b118dda10f95da97743d84c6"><sup id="superscript-9eaf9cb5c4042fcf2fae6221d3c26f4e">[3]</sup></sup></ext-link>, o internauta <bold id="bold-404edbb34fe3450c3fc15b7404640204">PS </bold>desqualifica o discurso da ex-presidenta Dilma Rousseff, do PT, em uma tentativa de deslocar a atenção e a posição dos demais internautas contra os petistas. Inferioriza o discurso da ex-presidenta que ao menos pode ser enquadrado como racional e técnico, enquanto o de Bolsonaro é emocional, preconceituoso, violento e agressivo às minorias hegemônicas, às políticas de preservação da Amazônia e aos cidadãos mais pobres.</p>
      <p id="paragraph-585e042890e36999ac2be43a9181999e"><bold id="bold-b657ea7f19f81cf71e21e08b6badfcc0">PS</bold> ataca Dilma, faz alusão negativa ao fato dela ter falado em “estocar vento” (em uma entrevista coletiva realizada em Nova Iorque, em evento organizado pela Organização das Nações Unidas). Talvez o internauta não soubesse e se soubesse certamente não destacaria que a tecnologia para estocar vento já existia. Na época do pronunciamento da ex-presidenta, pesquisadores da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, trabalhavam com um sistema de ar líquido para estocar energia proveniente de fontes intermitentes, como a solar e a eólica. E nos Estados Unidos, um consórcio de empresas, reunidas no <italic id="italic-e5b127a0e99d6d03303ce5b7debf817e">Iowa Stored Energy Park</italic> anunciou o armazenamento do próprio vento, a ser utilizado para gerar energia quando fosse necessário<sup id="superscript-0b9ebaf78d178893b3982a8e671e6782"><ext-link id="external-link-c722e7ce42fa66724cf962cb93063614" xlink:href="#_ftn4"><sup id="superscript-9">[4]</sup></ext-link></sup>. <bold id="bold-af01bb94f11fc427c36742721d415fa8">PS </bold>zombou da fala da ex-presidenta também com os emojis às gargalhadas. </p>
      <p id="paragraph-09430a7546e737fde130dbeba594fb13">Quanto aos emojis, (“e” representa imagem e emoji/caractere), eles podem funcionar como pictogramas ou ideogramas, como explica Sternbergh (2014). Eles foram codificados por um consórcio denominado Unicode, mas seu significado é variável de acordo com a cultura e o contexto. Do ponto de vista morfológico, os emojis podem substituir palavras. No nível sintático, aparecem predominantemente ao final de um enunciado completo, precedidos ou não de sinais de pontuação e transmitem mais sentido de forma mais econômica. No nível discursivo, expressam ações, demonstram afetos, emoções (PAIVA, 2016). </p>
      <p id="paragraph-4c86fb26d05742c49f86a77fcd4c438b">Em <bold id="bold-48d5e308347d7c65d21ddbed52c9ff89">1.1.1</bold><ext-link id="external-link-8d50a89b0694bc22858d9c2f46673f5f" xlink:href="#_ftn5"><sup id="superscript-10"><sup id="superscript-11">[5]</sup></sup></ext-link><bold id="bold-07e1cd7e7e40f7f507f08ed519ce1f77">, VM </bold>se diz indiferente ao ponto de vista de <bold id="bold-367654128388b05a1b1dc5f026333445">IM</bold>, mas demonstra muito mais sobre o tom do seu comentário, de deboche e desprezo, quando usa os emojis às gargalhadas. Vale observar que, nesse bate-rebate, os internautas defendem e promovem seu ponto de vista em um jogo quase monológico, no qual praticamente não há escuta do argumento do outro, quando o tema dos discursos não são injúrias, insultos e palavrões. A opinião contrária à do perfil é mais rechaçada, em uma demonstração de como o “espaço” (o <italic id="italic-9ffb4ab638c6252a77c2a5b980fb3d8b">topo</italic>) “a casa” é dos internautas cuja opinião coincide com a do perfil. E eles se sentem “autorizados” (apoiados) a defender os argumentos ali colocados e insultar quem deles discorda. </p>
      <p id="paragraph-14a39d0f95d5eb5dab5ef98744a4e3c1">Em <bold id="bold-cde5f06c90702fb144304680d8a32ff0">1.2</bold><ext-link id="external-link-c679e329bef2787b6e97b4518258e229" xlink:href="#_ftn6"><sup id="superscript-12"><sup id="superscript-13">[6]</sup></sup></ext-link>, o internauta <bold id="bold-a75122f83e862d081e5d5ed39deb788e">JL</bold> reage e (como representante da comunidade discursiva de Bruno Sartori) acusa <bold id="bold-50025e54b738b39ca676c92258a8dff2">VM </bold>de ser “branco”, “de elite”, que “fala merda”, o que, para ele, é “normal”, ou seja, <bold id="bold-d8d73e020d1cfe264aacbd3e03cc840c">VM</bold> é um representante médio daquela classe social. Há o subentendido de um estereótipo: homem branco e de terno. Para o internauta <bold id="bold-94189c2e286b569b9aff1e871d55e1a8">JL</bold>, pessoas com esse perfil são ignorantes; não se aproveita o que falam. Por outro lado, o estereótipo “homem branco e de terno” também pode ser associado a quem é conservador, dita as regras sociais, “manda no pedaço”, o que também pode ser julgado como “normal”, usual. </p>
      <p id="paragraph-430a75bd2f62a701fba797f2549257e7">No comentário <bold id="bold-b5c93d6889fb6ceb3b4438b69beaf174">2</bold><sup id="superscript-14"><sup id="superscript-15"><ext-link id="external-link-a8c313157348816ffa5bb4ad267e443d" xlink:href="#_ftn7">[7]</ext-link></sup></sup>, o internauta <bold id="bold-17">LAV </bold>chama o Presidente da República de palhaço, reacentuado pelo termo “bozo”, apelido para Bolsonaro que já circula há algum tempo nos enunciados “de esquerda” e também em referência a um famoso palhaço, levado à tv brasileira em 1980 e que ficou no ar durante 12 anos<ext-link id="external-link-8" xlink:href="#_ftn8">[8]</ext-link>. O termo é usado de forma pejorativa, o que deixa claro o ponto de vista contra os atos de Bolsonaro. Esse ponto de vista fica mais evidente quando <bold id="bold-1cd860be53979b221f24249fab4f1663">LAV</bold> diz que os discursos do presidente não têm importância ou utilidade, que ele os considera duvidosos. Além de exprimir o seu desconforto por ter um líder como Bolsonaro, que leva o país a viver entre altos e baixos, em um <italic id="italic-ccf36ed00771bedeeaa279276e33bd11">looping</italic>, acrobacia radical aérea feita com movimentos circulares em um plano vertical. Com essa metáfora, o internauta <bold id="bold-340168aab7286287464cfa5b799f314f">LAV</bold> associa o desempenho do presidente ao pânico e à apreensão, possivelmente, uma referência a série de filmes norte-americana “Todo mundo em pânico”<ext-link id="external-link-9" xlink:href="#_ftn9"><italic id="italic-f0c8012069453961fd88790f25572fef"><bold id="bold-0bd8c1058db7afe9f82d2d9d42d2e87c">[9]</bold></italic></ext-link>, do gênero comédia de terror do ano 2000, dirigido por Keenen Ivory Wayans; trata-se de uma paródia de diversos filmes de terror de sucesso dos anos 1990 como <italic id="italic-2e65d293a7e347bfd8169409c7671f33">Scream</italic> e <italic id="italic-4a0eba1695499fc1628573b40099896a">I Know What You Did Last Summer</italic>. </p>
      <p id="paragraph-3d2ff2eee3d12584c5e06060b20834e7">No comentário <bold id="bold-bd14c12845db7c4b58fb164d8fb8cf84">2.1</bold><sup id="superscript-16"><sup id="superscript-17"><ext-link id="external-link-10" xlink:href="#_ftn10">[10]</ext-link></sup></sup>, o internauta afirma que a publicação é real, por causa da semelhança com os fatos reais. Sabemos que a <italic id="italic-85c073f8e84c33f37e0485800b42b9a1">deepfake</italic> é um vídeo de uma pessoa com a face de outra, criada digitalmente e com falsas informações. Com este estilo satírico, a credibilidade de uma das maiores autoridades do país é nitidamente posta em cheque. <bold id="bold-79ec9fe7dfe22f36b060a32f81bff7a7">PS</bold>, em <bold id="bold-e8dcbc7a1852bcadb74569c40794795f">2.2</bold><sup id="superscript-18"><ext-link id="external-link-11" xlink:href="#_ftn11"><sup id="superscript-19">[11]</sup></ext-link></sup> ao retomar a comparação que fez em <bold id="bold-729a3599d6d1902688cb2cedd8b0fb9e">1.1,</bold> responde a <bold id="bold-750c229518d4dd5ca6baa237cd5fede2">LAV</bold>, minimizando o peso do comportamento e das falas de Bolsonaro, classificadas por ele como “bobagens”, que ele usa como deixa para retomar as que a ex-presidenta Dilma teria dito ao falar sobre o estoque do vento. <bold id="bold-fd9fd597cfe65c86b20ef5941d67b817">PS</bold> usa a repetição como modo de reforçar e fixar os argumentos antipetistas, em defesa do seu líder político. Retoma os emojis com as gargalhadas e reforça o riso com o “Kkkkkk” que representa risadas em conversas pela <italic id="italic-660bbd0e6db30957acfcaea622aff23f">internet<sup id="superscript-20"><ext-link id="external-link-12" xlink:href="#_ftn12"><bold id="bold-b13534aefe08fe4f7876fbc5fff1e4ef"><sup id="superscript-21">[12]</sup></bold></ext-link></sup></italic>. </p>
      <p id="paragraph-cd415cc64c47a48f9c2b95784272954c"><bold id="bold-3317397fa5ad26d10e22fa6e5c55230f">EP</bold>, como no comentário <bold id="bold-f59cf53c5004de7ae2bbad9b8dfd4301">2.3</bold><ext-link id="external-link-13" xlink:href="#_ftn13"><sup id="superscript-22"><sup id="superscript-23">[13]</sup></sup></ext-link>, também responde ao comentário de <bold id="bold-e4c51c0a7af9e2234105414b5e2b5f2a">LAV,</bold> com o discurso que ataca o ex-presidente Lula, do PT; chama o ex-presidente de “ladrão”, amparado pelas condenações por corrupção que a Justiça posteriormente reviu (sobre a revisão das condenações, o portal do G1<ext-link id="external-link-14" xlink:href="#_ftn14"><sup id="superscript-24"><sup id="superscript-25">[14]</sup></sup></ext-link> publicou, por exemplo: “Defesa de Lula diz que STF concluiu que Moro 'agiu de forma parcial e com motivações políticas' ao condenar ex-presidente”). Antes dessa revisão, os internautas antipetistas usavam frequentemente o argumento de que o PT é responsável pelos maiores casos de corrupção da história do Brasil. Logo, <bold id="bold-26c4abbe78c8804ed7c6db82278e121a">EP</bold> dialoga com outros discursos que associam Lula à corrupção, para mostrar que os antipetistas estão do lado certo, do lado de Bolsonaro, e com a verdade. Na linguagem, a repetição é um artifício básico para enfatizar e fixar um conteúdo: “Lula igual a ladrão”; “Dilma igual a sem noção”. Para os internautas antipetistas e seguidores de Bolsonaro. </p>
      <p id="paragraph-0f8c887e236bbd2a3b9c9b184802d76b"><bold id="bold-32">IM</bold>, em <bold id="bold-ca34b81abb1b4a6d17c6dde67ab48aab">2.4</bold><sup id="superscript-27"><ext-link id="external-link-15" xlink:href="#_ftn15"><sup id="superscript-26">[15]</sup></ext-link></sup>, ataca <bold id="bold-44eed3ffa19ee1e718c61cbd34f49ee8">LAV</bold> desqualificando sua opinião com um emoji representado fezes, excremento. Ou seja, não faz diferença o que <bold id="bold-6542cfc04e550214a6c1654a8f6ba16d">LAV</bold> diz na discussão sobre o comportamento do presidente. Os três próximos comentários <bold id="bold-36">2.5</bold>, <bold id="bold-37">2.5.1</bold> e <bold id="bold-38">3</bold><sup id="superscript-28"><ext-link id="external-link-16" xlink:href="#_ftn16"><sup id="superscript-29">[16]</sup></ext-link></sup> demonstram atitudes responsivas agressivas, por parte de seguidores de Bruno Sartori que reagem aos xingamentos com mais xingamentos. E tentam desmascarar o perfil populista de Bolsonaro e alertar seu seguidor identificado com a gíria “Minion”, alusiva aos “<italic id="italic-9f6c4b68f29a8cc904b18a91b4bf10f0">minions</italic>”, termo em inglês que pode se traduzir em português como “capanga”, “criado”, “servo” ou “lacaio”<sup id="superscript-30"><ext-link id="external-link-17" xlink:href="#_ftn17"><sup id="superscript-31">[17]</sup></ext-link></sup>. Para o internauta <bold id="bold-39">VM </bold>que se dirige a <bold id="bold-40">JL</bold> no <bold id="bold-41">2.5</bold>, o engano é acreditar em um político que absoluta e verdadeiramente não se preocupa com o povo; só que ele usa a expressão baixa: “tá cagando pra ele”; e ele aqui é o “representante médio” da população em geral. A entonação agressiva desses discursos reverbera junto ao auditório e o internauta <bold id="bold-42">VS</bold> chama os seguidores de Bolsonaro de “gente medíocre”, “baba ovo” e “bozolóide” (talvez uma junção de Bolsonaro com “debilóide”). Acrescenta mais ódio no diálogo. E, nesses termos, encerra com um , traduzido no dicionário dos emojis como “irritado/a/e”<sup id="superscript-32"><ext-link id="external-link-18" xlink:href="#_ftn18"><sup id="superscript-33">[18]</sup></ext-link></sup>.</p>
      <p id="paragraph-12">No comentário <bold id="bold-43">4</bold><ext-link id="external-link-19" xlink:href="#_ftn19"><sup id="superscript-34"><sup id="superscript-35">[19]</sup></sup></ext-link>, o internauta <bold id="bold-44">ALM </bold>retoma o fio da crítica a Bolsonaro e usa o termo “excrementissimopresidanta”, neologismo criado pelo enunciador para exprimir um grau muito elevado de “excremento” mais “presidente” mais “anta”, ou seja, “anta”, que é um animal muito raro de se ver na natureza e, na linguagem cotidiana, é uma definição para pessoas “burras” ou “idiotas”. Ou seja, a expressão é pejorativa e demonstra o modo agressivo e negativo como <bold id="bold-45">ALM</bold> enxerga o Presidente Jair Bolsonaro. A sequência termina com a reafirmação desta vez do internauta <bold id="bold-46">BI</bold> sobre a semelhança da <italic id="italic-acc8c42f7dc0e9ae2d3882a8380fbd18">deepfake</italic> com os discursos reais do presidente, em tom de lamento: “Pior que eu acredito que esse é o discurso original”.</p>
      <p id="paragraph-d44a9599c313e10da04936d82c053ec2">No comentário <bold id="bold-47">4.1</bold><sup id="superscript-37"><ext-link id="external-link-20" xlink:href="#_ftn20"><sup id="superscript-36">[20]</sup></ext-link></sup>, <bold id="bold-48">CW </bold>responde a <bold id="bold-49">ALM</bold> comparando o presidente Bolsonaro a Mônica Lewinsky, a estagiária da Casa Branca envolvida em um escândalo após a divulgação de informações de que ela teria mantido relações sexuais com o então presidente Bill Clinton. Na alusão, fica evidente o rebaixamento do presidente brasileiro à condição de “caso amoroso” e secreto (amante) da presidência norte-americana (à época exercida por Donald Trump). E o internauta LAV(seguidor de Bolsonaro) é de novo xingado e rebaixado. Os pontos de vistas de CW e ALM elevam o termômetro da provocação na interação e com a ênfase dos recursos verbo visuais. No caso, os emojis ilustram o riso, com a carinha às gargalhadas, e faz alusão à comparação entre Bolsonaro e Mônica, com a laranja (que pertence à categoria Comidas e Bebidas, logo, subcategoria fruta, e, neste caso, faz alusão a “comer” ou “ser comido”, expressão de baixo calão relativa a “fazer sexo”<ext-link id="external-link-21" xlink:href="#_ftn21"><sup id="superscript-38"><sup id="superscript-39">[21]</sup></sup></ext-link>, em uma referência ao Caso de Mônica) . No comentário<bold id="bold-50">4.1.1</bold><sup id="superscript-40"><ext-link id="external-link-22" xlink:href="#_ftn22"><sup id="superscript-41">[22]</sup></ext-link></sup><bold id="bold-51">,ALM</bold> chama Bolsonaro de “burro” ao dizer que se “ele souber vai achar que é elogio”, ou seja, que o presidente vai tomar como positiva a comparação dele com a estagiária, ex-amante (que muitos podem ver como “prostituta”) do presidente norte-americano. E <bold id="bold-52">CW</bold> repete os emojis dos risos e das laranjas. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-dbbd3dd6a58c2f6b72383d0ab01cf406">
      <title>4. Considerações finais</title>
      <p id="paragraph-72d015f9d36edca14fdef20e03b8f1f6">Neste trabalho, analisamos comentários de internautas em torno de uma <italic id="italic-51e6c4c17a04428d8d161a4905945c6e">deepfake</italic>, vídeo montado com tecnologias que dificultam a percepção das distorções nas imagens e sons empregados. Na nossa análise, chegamos a algumas constatações que confirmam a nossa hipótese inicial de que a disputa axiológica entre os participantes deste tipo de interação tem reproduzido o clima de polarização e extremismo característicos do ambiente político-cultural no Brasil. </p>
      <p id="paragraph-a6a2d3a39f6a0928fd5176b607b51096"> No caso em análise, confrontam-se os seguidores do dono Bruno Sartori (crítico do governo Bolsonaro) e os seguidores do Presidente da República satirizado na <italic id="italic-087c01c17ec8fb5523d21ff7c7bf3c33">deepfake</italic>. Ou seja, o polo conservador de direita e extrema direita (que elegeu e apoia o Presidente Jair Bolsonaro) e o progressista de esquerda (que elegeu e apoia os governos e candidatos do PT, como Dilma e Lula). Na disputa de quem está com a “verdade”, não falta o tom de superioridade típico dos debates nas redes sociais digitais. E como o caso analisado é de um perfil sem restrições de acesso, todos se sentem à vontade para discordar inclusive do “dono” do perfil e autor da publicação ou do outro internauta, protegidos também pelo anonimato assegurado pela <italic id="italic-a9d4ceda2e1c8d264131c17149399b89">internet</italic>.</p>
      <p id="paragraph-5a1b954c60ae4a1678e062dca4cf0a01">Na defesa do seu ponto de vista, em vez de dialogar, cada internauta prefere ironizar, xingar, rebaixar e agredir o outro que pensa diferente. Ainda com mais frequência e força, aqueles que se sentem “em casa”, por serem seguidores e apoiadores do perfil onde a <italic id="italic-c2dcc706d8df4bc23eed5b97222ffa14">deepfake</italic> é publicada. Nos comentários, de um modo geral, encontramos pouca colaboração para uma reflexão mais ampla sobre as questões relacionadas ao conteúdo da <italic id="italic-84f33477e7c363be3e86289f943387d0">deepfake</italic>, que aborda, os direitos das minorias hegemônicas e as garantias necessárias à continuidade da democracia no País, entre outras. Os internautas preferem se manter entrincheirados nos seus polos discursivos e atirarem contra o polo oposto os “mísseis de suas verdades”. </p>
      <p id="paragraph-4">De modo quase programático, os antipetistas demonstram ódio ao PT e às minorias por ele apoiadas e apoio irrestrito ao governo Bolsonaro, cujo comportamento e discursos violentos têm sido sistematicamente denunciados e criticados por instituições e entidades de peso e com influência no cenário internacional. Nos comentários analisados neste artigo, a violência verbal é empregada por ambos os lados do <italic id="italic-f3c6421e38f6f9c168d35be6b0d7d577">front</italic> de batalha, com xingamentos, provocações, ironia, neologismos, recursos visuais como os emojis, fotos e imagens, enfim, intensificações passionais de variados tipos e gradações. </p>
      <p id="paragraph-3172fea28e09eb0833cee3dae6bfa2a3">A interação desses comentários com a <italic id="italic-5d98a92bb3322d6232098c171ac102bb">deepfake</italic> se dá de forma difusa, abrindo espaço para o debate de outros temas relacionados à polarização entre os dois posicionamentos axiológicos identificados, bem como para respostas que se dirigem mais diretamente a outros comentários que à postagem primeira.</p>
      <p id="paragraph-6">Interrogamo-nos se o discurso satírico e tendencioso de <italic id="italic-9a9dcf60d7f3d91bef5ab88d67e8c080">deepfakes</italic>, de forma igualmente dialógica, não são um estopim para os comentários violentos subsequentes. Esta hipótese nos instiga a desdobrar este artigo em uma análise posterior dessa questão.</p>
      <p id="paragraph-9986e376e146955b5f620909fb32fb92">Por hora, é possível inferir ainda que, ao adotar o tom de “dono da verdade”, o enunciador reforça, no mínimo, a descortesia e o ódio no ambiente discursivo da sociedade. Do contrário, ao escolher uma entonação reflexiva e respeitosa, talvez possa injetar paz e concórdia nas arenas discursivas e existenciais da vida.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-d60b1a7e4513a2d00c48aba2365fa903">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-0f7065adf02a5e54f7a927bbf656325a">
        <bold id="bold-841e412ab3ec84121098d302240ce4d0">Livros</bold>
      </p>
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      <p id="paragraph-5">BAKHTIN, Mikhail. <bold id="bold-4">Para uma filosofia do ato responsável.</bold> Trad. Valdemir Miotello e Carlos Alberto Faraco. São Carlos – SP: Pedro e João editores, 2017.</p>
      <p id="paragraph-7">BAKHTIN, M. <bold id="bold-5">Problemas da Poética de Dostoiévski</bold>. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2018.</p>
      <p id="paragraph-9">BAKHTIN, M. <bold id="bold-6">Notas sobre literatura, cultura e ciências humanas</bold>. São Paulo: Editora 34, 2017.</p>
      <p id="paragraph-11">BAKHTIN, M. <bold id="bold-7">Teoria do Romance I. A Estilística</bold>. São Paulo: Editora 34, 2017.</p>
      <p id="paragraph-13">CASTELLS, Manuel. <bold id="bold-8">A era da informação: </bold>economia, sociedade e cultura. 8. Ed. São Paulo: Paz e Terra, 2005. </p>
      <p id="paragraph-15">CASTELLS, Manuel. <bold id="bold-9">A sociedade em rede.</bold> São Paulo: Paz e Terra, 1999.</p>
      <p id="paragraph-17">FIORIN, José Luiz. <bold id="bold-10">Introdução ao Pensamento de Bakhtin</bold>. São Paulo: Editora Contexto, 2018. </p>
      <p id="paragraph-19">MEDVIÉDEV, P. N. <bold id="bold-11">O método formal nos estudos literários: introdução crítica a uma poética sociológica.</bold> Trad. Sheila Camargo Grillo e Ekaterina Vólkova Américo. – 1ª Ed., 1ª reimpressão. – São Paulo: contexto, 2016.</p>
      <p id="paragraph-21">VOLÓCHINOV, V. <bold id="bold-12">Marxismo e Filosofia da Linguagem</bold>. São Paulo: Editora 34, 2017.</p>
      <p id="paragraph-23">RECUERO, Raquel. <bold id="bold-13">Redes Sociais na Internet</bold>. Porto Alegre: Sulina, 2009. </p>
      <p id="paragraph-24">RECUERO, R. <bold id="bold-14">A conversação em rede: comunicação mediada pelo computador e redes sociais na internet</bold><italic id="italic-a9244f388097337a39076f8f91811fee">.</italic> Porto Alegre: Sulina, 2ª ed. 2014a.</p>
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        <bold id="bold-16">Capítulos de livros</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-28">BAGNO, Marcos. Dicionários, variação linguística e ensino. <italic id="italic-7c81295c036efd337f1b1d2ce07be9cc">In</italic> CARVALHO, Orlene L. de Sabóia; BAGNO, Marcos. <bold id="bold-18">Dicionários escolares:</bold> políticas, formas e usos. São Paulo: Parábola, 2011.</p>
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      <p id="paragraph-31">CUNHA, D. A. C. Linguagem, diálogo, ponto de vista, interpretação: uma leitura de artigos de opinião.<italic id="italic-1c05fa9bc157e06ac36ef2ae4e085984">In</italic>: Beth Brait; MariaHelena Cruz Pistori; Pedro Farias Francelino (Orgs.) <bold id="bold-20">Linguagem e conhecimento (Bakhtin, Volóchinov, Medviédev)</bold>. São Paulo: Pontes Editores, 2019, p. 153-181.</p>
      <p id="paragraph-32">RECUERO, R. Discurso mediado pelo computador nas redes sociais. <italic id="italic-374ba0ccf0b9da3539912204fce3c0c1">In</italic>. <bold id="bold-21">Redes sociais e ensino de línguas: o que temos de aprender? </bold>Júlio Araújo e Vilson Leffa (Org.). 1ª Ed. São Paulo: Parábola editorial, 2016. </p>
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        <bold id="bold-31">Papéis eletrônicos</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-50">GALLEGO; ORTELLADO; MORETTO, 2017.“Guerras culturais” e “populismo anti-petista” nas ruas de 2017. Disponível em: <ext-link id="external-link-7a6b42d3a096a9f735064fb3a54f431a" xlink:href="about:blank">http://library.fes.de/pdf-files/bueros/brasilien/13540.pdf</ext-link>. Acesso em 19 de maio de 2021. </p>
      <p id="paragraph-52">MENA, Isabela. Verbete Draft: o que são Deepfakes. Disponível em: <ext-link id="external-link-7292e4e426b552c52d2b1e46d04935e8" xlink:href="about:blank">https://www.projetodraft.com/verbete-draft-o-que-sao-deepfakes/</ext-link>. Acesso em: 23 de junho de 2021. </p>
      <p id="paragraph-54">MOREIRA, Marcelo Sevaybricker. <bold id="bold-33">Democracias no Século XXI</bold>: Causas, Sintomas e Estratégias para Superar sua Crise. New York News &amp; Politics. Disponível em: <ext-link id="external-link-45d0014e50e334d11a0fa0bee5dc046f" xlink:href="about:blank">https://www.scielo.br/j/ln/a/ZWqZBqWKH5Mk5kP6SgvwKcT/?lang=pt# </ext-link>Acesso em 31 de maio de 2021.</p>
      <p id="paragraph-57">PAIVA, Vera Lúcia de Oliveira. <bold id="bold-34">A Linguagem dos Emojis</bold>. ARTIGOS • Trabalhos de linguística aplicada. 55 (02) • Maio-Agosto 2016. Disponível em: <ext-link id="external-link-6bebee4bdc80ada6b2bdcfd31696f6af" xlink:href="about:blank">https://www.scielo.br/j/tla/a/hnGPy5pRNFgBwKJ8JjHTjgF/?lang=pt</ext-link> Acesso em 12 de julho de 2021.</p>
      <p id="paragraph-59">STERNBERGH, Adam. Smile.You’re speaking emoji.The rapid evolution of a wordless tongue. Disponível em <ext-link id="external-link-4693bb534abd48b775bfd2244cbf4cbf" xlink:href="about:blank">https://nymag.com/intelligencer/2014/11/emojis-rapid-evolution.html</ext-link><underline id="underline-cc242070677e7e2e2f9f3efbe5568029">. </underline>Acesso em 12 de julho de 2021.</p>
      <p id="paragraph-61">VIGNOLI &amp; MONTEIRO, RicheleGrenge e Silvana Drumond. <bold id="bold-35">Deep Web e Dark Web:</bold> similaridades e dissiparidades no contexto da Ciência da Informação.Disponível em: <ext-link id="external-link-6" xlink:href="about:blank">https://www.scielo.br/j/tinf/a/8QrnXfB7VXrG4G6ywmhZngK/?lang=pt&amp;format=pdf</ext-link>. Acesso em 31 de maio de 2021. </p>
    </sec>
  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-f0ecd757fd7fc925aa874771fae4684f">
        <p id="paragraph-06f6f820d598643591d92fdf66ddfbdc">James Davison Hunter usou o termo “guerras culturais” no livro <italic id="italic-05f1733bb52e24f38b4fb5b5311c6075">Culture Wars</italic>, em 1991, para descrever o embate entre uma visão conservadora (ortodoxa ou tradicionalista também são termos empregados), associada à direita, e outra progressista. No início restrito às questões morais, aos poucos, o termo passou a abranger o debate público também em torno de outras variáveis, ligadas à ordem econômica e jurídica.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-17f7e586bd78f334c68f87e44d6d7845">
        <p id="paragraph-56959809818b180cce9994a4f248a7d8"><italic id="italic-9758dfb60a3cbf439e740077a75930e7">Facebook </italic>- rede social gratuita que conecta pessoas de várias partes do mundo. Disponível em: <ext-link id="external-link-1" xlink:href="about:blank">https://www.facebook.com/</ext-link><underline id="underline-1">. </underline><italic id="italic-b32276d71838589561ecff17baf72a4b">Instagram</italic> - rede social <italic id="italic-c6bde935880dfcedc3abb936d86f08c0">online</italic> de compartilhamento de fotos e vídeos entre seus usuários, que permite aplicar filtros digitais e compartilhá-los em uma variedade de serviços de redes sociais, como o <italic id="italic-01a3d78039e3216f93ee7e4a329ca0df">Facebook, </italic>o <italic id="italic-96f07a79fe4bf84053e3da517a80062b">Twitter, </italic>o<italic id="italic-d6a5af586080d0169d10579dfcb90a8e">Tumblr e </italic>o <italic id="italic-2c27346350d1a8b2408bd1cac663b1c6">Flickr</italic> (esses dois últimos, redes sociais de fotos). Disponível em: <ext-link id="external-link-2" xlink:href="about:blank">https://www.instagram.com/</ext-link><italic id="italic-8">Twitter</italic> - rede social e servidor para <italic id="italic-9">microblogging</italic>, que permite aos usuários enviar e receber atualizações pessoais de outros contatos, por meio do <italic id="italic-10">website</italic> do serviço, por SMS e por <italic id="italic-11">softwares</italic> específicos de gerenciamento. As atualizações são feitas em, no máximo, 140 caracteres. Disponível em: <ext-link id="external-link-3" xlink:href="about:blank">https://twitter.com/login?lang=pt</ext-link>. <italic id="italic-12">Snapchat</italic> – aplicativo de mensagens com base de imagens e mensagens instantâneas voltada a celulares <italic id="italic-13">Android</italic> e iOS. Disponível em: <ext-link id="external-link-4" xlink:href="about:blank">https://www.snapchat.com/l/pt-br/</ext-link><underline id="underline-2">. </underline><italic id="italic-14">WhatsApp</italic> - aplicativo multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz para <italic id="italic-15">smartphones</italic>. Além de mensagens de texto, os usuários podem enviar imagens, vídeos e documentos em PDF, além de fazer ligações grátis por meio de uma conexão com a <italic id="italic-16">internet</italic>. Disponível em: <ext-link id="external-link-5" xlink:href="about:blank">https://www.whatsapp.com/?lang=pt_br</ext-link><underline id="underline-3">. </underline>Acessos em 18 de maio de 2021.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-73b050596c5db5678ee673d22b428e4b">
        <p id="paragraph-905a93aa7aa5b07a8a4431b00f35f6b5">Facebook se mantém como a rede social mais usada no mundo. Estudo realizado pelo portal CupomValido em parceria com o Statista mostra que a plataforma de Mark Zuckerberg possui 2,7 bilhões de usuários ativos globalmente. Disponível em: <ext-link id="external-link-530b6b989086edf2726a5679455e124d" xlink:href="about:blank">https://propmark.com.br/digital/facebook-se-mantem-como-a-rede-social-mais-usada-no-mundo/</ext-link> Acesso em 23 de junho de 2021.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-bc919393d0d90d5a00c12d3474214b40">
        <p id="paragraph-96f9732c2eba872bbef91e96ad39f4ca">Pessoa que publica conteúdos ofensivos a alguém na <italic id="italic-21f81bbbb34e07962422c2f4c5c03c57">internet</italic>. Disponível em <ext-link id="external-link-bed38ad665efe844a71cb92282e99f6b" xlink:href="about:blank">https://dictionary.cambridge.org/pt/dicionario/ingles/internet</ext-link><underline id="underline-a89567581b02b06399b1ef83df5f55a0">. </underline>Acesso em 31 de maio de 2021.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-48bae69c07821cba2fd848470b591892">
        <p id="paragraph-29463cabc2670ee41d4d52eba78f7cb5">Esses modos de apresentar o discurso do outro são abordados por Bakhtin e Volóchinov. Aparecem detalhados em Marxismo e Filosofia da Linguagem – Problemas fundamentais do método sociológico na ciência da linguagem (2017 [1929]), de Valentin Volóchinov; Teoria do Romance I – A estilística (2017 [1934-1935]), de Mikhail Bakhtin. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-d7c8a725e5fdc2fd76172bf8df6ca39e">
        <p id="paragraph-8d865a50c1ed5ea1acad40b531821d46"><bold id="bold-1">Transcrição da <italic id="italic-b242749811e7f08f311157775a9b8721">Deepfake</italic>: [00:00] Apresentador: </bold>Ladies and Gentlemen. Please welcome. Presiden of Brazilkistan: Jair Messias Bolsonaro. <bold id="bold-2">[00:13] Bolsonaro: </bold>Boa noite! Principalmente aos nova-iorquinos e ao presidente <italic id="italic-8c1020472822210dc4dcf18d8efdfc6a">Trump,</italic> menos pra essa raça de comunistas que querem o nióbio de nossas florestas no tocante da Amazônia. O brazilkistão não está preocupado apenas com o meio ambiente, estamos preocupados com o ambiente inteiro [gargalhadas]. Essa foi boa, gostaram? Estamos trabalhando para um país melhor. Por exemplo, meus apoiadores precisam de paz, então não vai haver um centímetro de território demarcado para os indígenas. Índio gosta é de celular com boa câmera frontal. Conclamo a todos os líderes mundiais que não apenas nos cobrem, mas também nos ajudem na preservação da natureza, incentivando os seus povos a fazerem cocô <italic id="italic-c4ba7393a0c320e70fb246c451a8fd8b">dayyes</italic> e <italic id="italic-4dd9721fe17335e81d6859fec50166d1">dayOther</italic>[gargalhadas]. Na questão da economia, eu não entendo nada, mas isso não impediu de ter o patrimônio que eu tenho hoje. Eu sonego tudo que for possível. Mas vamos acabar com pobre no braziquistão, que aliás tem uma única utilidade: votar! É título de eleitor na mão e diploma de burro no bolso. Acabamos com a ideologia de gênero nas escolas para proteger a inocência das crianças, mesmo que elas estejam morrendo com bala perdida. Se vai morrer alguns inocentes, tá tudo bem, morreu! Quer que eu faça o quê? Meu nome é “Messias”, mas eu não tenho como fazer milagres. Ou as minorias se adequam ou simplesmente desaparecem. Quer um exemplo: ninguém gosta de <italic id="italic-076fb94003c21f60cabcf0badb20755b">gay</italic>, apenas tolera. Se houver dois homens na rua se beijando, eu vou bater, sim! Eu tenho imunidade pra falar que sou homofóbico, sim! Com muito orgulho. Aos que sentem pena do brasilquistão, eu não estupraria porque não merece. Meu deus acima de tudo, Trump acima de todos Irruuuu... [grito]. Disponível em: <ext-link id="external-link-3147a92135bc860773a5e5ad24fba8be" xlink:href="about:blank">https://www.facebook.com/permalink.php?story_fbid=668979070396640&amp;id=381764735784743</ext-link> . Perfil de Bruno Sartori no Facebook – <italic id="italic-3fad05c435073f8f5046766313f14f22">Deepfake</italic> sobre o pronunciamento de Bolsonaro na ONU em 22 de setembro de 2020. Acesso em 09 de junho de 2021.<sup id="superscript-1"/></p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4437534fac1709979fd62570687eb3c7">
        <p id="paragraph-c67ca57a73965fed0fd6820587cfeacb">Disponível em: <ext-link id="external-link-ebe9f44982c3cd51d100950101673d5f" xlink:href="about:blank">http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/575956-nem-um-centimetro-a-mais-para-terras-indigenas-diz-bolsonaro</ext-link>. Acesso em 25 de junho de 2021. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-ce07e71cbcfc7ef2e6700bc739630241">
        <p id="paragraph-4ce815a9b17781adc2d4c8d4e9449bdc">Disponível em: <ext-link id="external-link-348a63b0bbf53963623545f6c10f1577" xlink:href="about:blank">https://www.cartacapital.com.br/politica/bolsonaro-em-25-frases-polemicas/</ext-link>. Acesso em: 25 de junho de 2021. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7b715523bd9a1817d6b20ae879c6accf">
        <p id="paragraph-ffd941c46f7cac71c0f1b212c878e802">1.1 - <ext-link id="external-link-5d0bd317fb851bd484865de16dbf168d" xlink:href="about:blank">PS</ext-link> - <ext-link id="external-link-825aafae166f4a55252148e064c3151f" xlink:href="about:blank">VM</ext-link><bold id="bold-4476b336909cb41a5d8200e7d507fbeb"> </bold>lindo foi a Dilma Rousseff que falou em estocar e deu explicação de tecnologia que ainda não foi inventada.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-8ae824520506609037bc955831998528">
        <p id="paragraph-e2da7ba473a41a2573581a416fe1a188">Disponível em <ext-link id="external-link-206cf770a68b3f943c16755e553c9a5b" xlink:href="about:blank">https://www.dm.jor.br/opiniao/2019/09/dilma-esta-certa-ciencia-mostra-que-ja-e-possivel-estocar-vento/</ext-link> Acesso em 27 de junho de 2021.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c77fa598e49c501826c9ffeec73847dd">
        <p id="paragraph-ae36a021f3a121e7dec82f30884fba86">1.1.1 - <ext-link id="external-link-3a81a45812bfe0a027f6a8f0cdce9d32" xlink:href="about:blank">VM</ext-link> - <ext-link id="external-link-63c3de4a8fbdf0d6e081171ecebffe97" xlink:href="about:blank">PS</ext-link> Sua opinião se mostrou insignificante o suficiente para não merecer qualquer resposta.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-c7bdd2cbb0a0dbcb7fea2ecb5082ac81">
        <p id="paragraph-22d0f495eda7c867ef7ea69ce21f4b01">1.2 - <ext-link id="external-link-b0b6f25f91823b17556d7b65efb9b0f2" xlink:href="about:blank">JL</ext-link> olha o <underline id="underline-973462a370b77abf3aaf43e2005f9fda">V</underline>, vulgo branco de terninho falando merda, normal ne kkkk. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-28a051adf793e52af7c86c07f2318b03">
        <p id="paragraph-bc2063b982e9b6182d96fbc6e3df5e42">2 <bold id="bold-197d540a06eff0ed59f17a42c85ef350">-</bold><ext-link id="external-link-e9b19fff6b5aadcb8a29cc51fd12232b" xlink:href="about:blank">LAV</ext-link> O bozo é o único me faz ter dúvida de quando ele tá mandando a real ou quando é zueira do Sartori, é tanta bosta que ele fala que eu acho que estamos presos num eterno <italic id="italic-dd2efc17634cf8a86e5747944a7f0008">looping</italic> do Todo Mundo em Pânico</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-bd1e9fbec5925bcad797e9a943bf73bf">
        <p id="paragraph-c0a21cb2bb43a4d4a012dfc5aae40773">Disponível em: <ext-link id="external-link-570153550057599eddaa4c90bc464146" xlink:href="https://vejasp.abril.com.br/blog/memoria/todos-os-bozos-brasileiros/">https://vejasp.abril.com.br/blog/memoria/todos-os-bozos-brasileiros/</ext-link> . Acesso em: 05/09/21.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4d38d30452d0ad2e2038b04870e51cc3">
        <p id="paragraph-4d503642c776b95655a86c9d89cea7b0">Estrelado por Marlon Wayans, Shawn Wayans e Anna Faris.Scary Movie tornou-se um grande sucesso comercial, arrecadando mais de duzentos e setenta milhões de dólares mundialmente. O filme originou uma franquia com quatro sequências: Scary Movie 2 (2001), Scary Movie 3 (2003), Scary Movie 4 (2006) e Scary Movie 5 (2013). Disponível em: <ext-link id="external-link-3635e87898549d6e78a5ecb5c70b3ab8" xlink:href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-26077/">https://www.adorocinema.com/filmes/filme-26077/</ext-link>. Acesso em: 05/09/21.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-5e74eb96324e98c417d3f2a2a15b4ccb">
        <p id="paragraph-e06925c3efba09b9d4843544b5e62ccb">2.1 - <ext-link id="external-link-3593fff94b97c17a25cc52473aa2d3bd" xlink:href="about:blank">AT</ext-link> - <ext-link id="external-link-7622bb632a9a9ee01df29555044000e8" xlink:href="about:blank">LAV</ext-link> então, todas as falas desse discurso são reais.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-76a2b3f56cff27ec726b78b53e39c8e1">
        <p id="paragraph-2366158c1c7c4bee6190a682fe64b3f1">.2 - <ext-link id="external-link-5c7b3366979f2f835a0b546436a5b3c1" xlink:href="about:blank">PS</ext-link> - <ext-link id="external-link-280dadce4f66352853f42bd64a7ff4bc" xlink:href="about:blank">LAV</ext-link> verdade, mas lindo e maravilhoso foi o discurso de Dilma Rousseff que falou em estocar vento e tecnologia que ainda não foi inventada  , disse que a água era de graça e também bobagens kkkkkkkkkk </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-4e2433dfee2c0e68949eb26c22763d47">
        <p id="paragraph-3bcf07dfc932ff1abf65ef2c403018bf">Disponível em <ext-link id="external-link-07c61e8baaaeec357df576dfb54d3690" xlink:href="about:blank">https://www.dicionarioinformal.com.br/kkkkkkk/</ext-link> Acesso em 28 de junho de 2021.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-adab624fd1a1789cec7dd81a422aa0d1">
        <p id="paragraph-f7c0872bd1e3ce8aee86220f1d0cec23">2.3 - <ext-link id="external-link-3a44bcd1983bda52e0e749ca47195e07" xlink:href="about:blank">ÉP</ext-link> - <ext-link id="external-link-281e9a24d8c9e09fbc28da3073d55d42" xlink:href="about:blank">LAV</ext-link> se vc gosta de apoiar vagabundo e ladrao como o lula é problema seu agora é melhor falar bosta do q roubar o país como o seu pt fez</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-755353d114e73a2863c23c646d2ef755">
        <p id="paragraph-3dfa2029460d356967bd7a93fc88d106">Disponível em: <ext-link id="external-link-96194a47eb93ad572c96fb2e59c275df" xlink:href="about:blank">https://g1.globo.com/politica/noticia/2021/06/23/defesa-de-lula-diz-que-stf-concluiu-que-moro-agiu-de-forma-parcial-e-com-motivacoes-politicas-ao-condenar-ex-presidente.ghtml</ext-link>. Acesso em 27 de junho de 2021. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-f871b2d7a57147b71576337108f96c9b">
        <p id="paragraph-6363c5013737e664659cea42d5c5652f">2.4- <ext-link id="external-link-c39c09b4f86045174bb3c947cc597c67" xlink:href="about:blank">IM</ext-link> - <ext-link id="external-link-9d520018a4dc3ed52601da8206005b8c" xlink:href="about:blank">LAV</ext-link> a tua opinião é isso. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-6992f87b7249e9ee10ccae0de0696843">
        <p id="paragraph-9d45842d9078243856107f26e146686e">2.5 - <ext-link id="external-link-6e34a16d4009835fd545e4e058c57d7c" xlink:href="about:blank">VM</ext-link> - <ext-link id="external-link-4615481bc37c997ace68e9021a03d418" xlink:href="about:blank">JL</ext-link> olha o Minion... Defendendo um político que tá cagando pra ele. / </p>
        <p id="paragraph-2">2.5.1<bold id="bold-17fb1cee8e9dd97642557a46f53933e9"> -</bold><ext-link id="external-link-7386cda7a760050dbb17c30e6788ff55" xlink:href="about:blank">VS</ext-link>-<ext-link id="external-link-33f884e4c098a948ac46608d42d4312a" xlink:href="about:blank">I</ext-link> BOZOLÓIDE...aqui é a página do Bruno...saia daqui e vá na página presidencial babar no ovo...gente medíocre… / 3 - <ext-link id="external-link-baaa3f5231c7d1aed787eacd1cd5f8e1" xlink:href="about:blank">BI</ext-link> Pior que eu acredito que esse é o discurso original.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-063c8766011eebfaa47ebda5f4501e03">
        <p id="paragraph-fa9baad8233527c77d46e2e0f48a7069">Este termo é normalmente utilizado para descrever os servos, escravos ou subordinados que são atrapalhados ou incapazes de executar as ordens comandadas pelo seu superior ou chefe. A palavra “<italic id="italic-7072b574736ed7f2a3dcf0cf2f451855">minion</italic>” ganhou notoriedade mundial graças a franquia de filmes “Meu Malvado Favorito” (<italic id="italic-e2d57ec571ed68432b000b1da8e66cda">Despicable Me</italic>, em inglês), que apresentou um grupo de seres amarelos que serviam ao super vilão “Gru, o Malvado”. Disponível em: .<ext-link id="external-link-724230f6e044526eaddec4848ab2303c" xlink:href="about:blank">https://www.significados.com.br/minion/</ext-link>. Acesso em 09 de junho de 2021.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7c76f6d2d79249f8ba21eb5e9e86719a">
        <p id="paragraph-281fb1ec83e09a07ebcf8636dc41aa46">Disponível em <ext-link id="external-link-1f98e791fed5e290b8e2bdcb8eff3fc5" xlink:href="about:blank">https://www.techtudo.com.br/noticias/2019/06/o-que-cada-emoji-usado-no-whatsapp-significa-veja-principais-explicacoes.ghtml</ext-link>. Acesso em 28 de junho de 2021.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-52d6ec3a1abb896e77564f34e039fa3a">
        <p id="paragraph-9029a888d8bf776b2c999ed9dcf05f5a">4 - <ext-link id="external-link-0fd333c5eec07d15288285df3476d265" xlink:href="about:blank">ALM</ext-link> Bem isso....nossoexcrementissimopresidanta fala tanta atrocidade que não dá pra saber quando é vídeo do Bruno Sartori.....a diferença é que o Bruno tem talento e faz as coisas direito. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-3c4f07ab885a0ecfc33b4dddf4cf68a8">
        <p id="paragraph-af7587a1a7812316ed7f4bc66d11b59b">4.1 - <ext-link id="external-link-a5943ba041dbebbe7dd53da787ca3a88" xlink:href="about:blank">CW</ext-link> - <ext-link id="external-link-51bbf95f94046a0d0edd235de5bf68bb" xlink:href="about:blank">ALM</ext-link> Dizem que o apelido do Bolsonaro na Casa Branca é Monica Lewinsky.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-130bf08987382f140fbf45ab97bfdfeb">
        <p id="paragraph-53b14696a9404bd3bbb8e1732d043a59">Disponível em <ext-link id="external-link-1ed4b4969a6faa0a269f54e9b27f5056" xlink:href="about:blank">https://www.dicionarioinformal.com.br/diferenca-entre/comida/sexo/</ext-link>Acessso em 28 de junho de 2021. </p>
      </fn>
      <fn id="footnote-7f4c04ebb9586a487ab566ae2906d845">
        <p id="paragraph-c2fc81b5cc3cd257103952d1392dc8f3">4.1.1 <ext-link id="external-link-69642b17a4dcd080d8ff988d7e0a2a12" xlink:href="about:blank">ALM</ext-link> - <ext-link id="external-link-66e05e70b8fabc41517487b24649eb19" xlink:href="about:blank">CW</ext-link> se o burro souber vai achar que é elogio..</p>
      </fn>
    </fn-group>
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