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        <article-title>DICIONÁRIO ONLINE DO KHEUÓL DO UAÇÁ, VARIEDADES KARIPUNA E GALIBI-MARWORNO</article-title>
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      <volume>4</volume>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">O kheuól do Uaçá é uma língua indígena ameaçada falada e compartilhada por dois povos de origens bastante distintas, os Karipuna e Galibi-Marworno, que habitam a Terra Indígena do Uaçá, situada no município de Oiapoque, Estado do Amapá, na fronteira franco-brasileira. O kheuól do Uaçá deriva do guianense, língua que surgiu em Caiena, atual Guiana Francesa, no contexto colonial dos séculos XVII-XVIII, a partir do francês. Consolidou-se como língua franca de uma região com fronteira disputada por quase duzentos anos entre Portugal (posteriormente Brasil) e França, de 1713 até 1900. No século XX, com a consolidação da fronteira norte brasileira, firmou-se como língua de identidade desses dois povos. O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados parciais do processo de construção do Dicionário Online do Kheuól do Uaçá (DOKH), um dos subprojetos do Projeto de Documentação de Línguas do Museu do Índio (FUNAI/UNESCO). A produção do DOKH, nas variedades Karipuna e Galibi-Marworno, insere-se no contexto de revitalização linguística operado nos últimos anos por professores indígenas dos dois povos, que inclui a formação de pesquisadores indígenas em nível de graduação e pós-graduação (mestrado) em métodos e técnicas de documentação linguística voltados para a produção de materiais didáticos e paradidáticos em kheuól. A confecção do DOKH, aplica como metodologia uma abordagem participativa e formativa voltada pata a autonomia. O trabalho buscará refletir sobre os impactos desse processo na revitalização, documentação e descrição dessa língua. </p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-b1f78b6399ed3e5f204e8c85d5ae9d2c">Kheuól do Uaçá is an endangered indigenous language spoken and shared by two peoples of very different origins, the Karipuna and Galibi-Marworno, who inhabit the Uaçá Indigenous Land, located in the municipality of Oiapoque, State of Amapá, on the Franco Brazilian border. Kheuól do Uaçá derives from Guianese, a language that emerged in Cayenne, present-day French Guiana, in the colonial context of the 17th and 18th centuries, based on French. It established itself as the lingua franca of a region with a disputed border for almost two hundred years between Portugal (later Brazil) and France, from 1713 to 1900. In the 20th century, with the consolidation of the northern Brazilian border, it established itself as the language of identity of these two peoples. The objective of this work is to present the partial results of the construction process of the Online Dictionary of the Kheuól do Uaçá (DOKH), one of the subprojects of the Museu do Índio Language Documentation Project (FUNAI/UNESCO). The production of DOKH, in the Karipuna and Galibi-Marworno varieties, is part of the context of linguistic revitalization operated in recent years by indigenous teachers from both peoples, which includes the training of indigenous researchers at undergraduate and graduate levels (master's degree) in methods and techniques of linguistic documentation aimed at the production of didactic and educational materials in kheuól. The making of DOKH applies a participatory and formative approach focused on autonomy as a methodology. The work will seek to reflect on the impacts of this process on the revitalization, documentation, and description of this language.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">: Documentação de línguas</kwd>
        <kwd content-type="">Línguas indígenas</kwd>
        <kwd content-type="">Kheuól do Uaçá</kwd>
      </kwd-group>
    <pub-date pub-type="epub"><day>31</day><month>12</month><year>1969</year></pub-date></article-meta>
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    <sec id="heading-808dfe8354559c448eb49c15dea0211c">
      <title>Resumo para não especialistas</title>
      <p id="paragraph-6a04504366732ca2b315f8ff977b1cf9">O kheuól do Uaçá é uma língua indígena ameaçada falada e compartilhada por dois povos de origens bastante distintas, os Karipuna e Galibi-Marworno, que habitam Terra Indígena do Uaçá, situada no município de Oiapoque, Estado do Amapá, na fronteira franco-brasileira. O Kheuól do Uaçá deriva do guianense, língua que surgiu em Caiena, atual Guiana Francesa, no contexto colonial dos séculos XVII-XVIII, a partir do francês. Consolidou-se como língua utilizada no comércio de uma região com fronteira disputada por quase duzentos anos entre Portugal (posteriormente Brasil) e França, de 1713 até 1900. No século XX, com a consolidação da fronteira norte brasileira, firmou-se como língua de identidade desses dois povos. O objetivo deste trabalho é apresentar os resultados parciais do processo de construção do Dicionário Online do Kheuól do Uaçá (DOKH), um dos subprojetos do Projeto de Documentação de Línguas do Museu do Índio (FUNAI/UNESCO). A produção do DOKH, das formas que os Karipuna e Galibi-Marworno falam como língua-mãe, inserem-se no contexto de revitalização linguística operado nos últimos anos por professores indígenas dos dois povos, que inclui a formação de pesquisadores indígenas em nível de graduação e pós-graduação (mestrado) em métodos e técnicas de documentação linguística voltados para a produção de materiais didáticos e paradidáticos em Kheuól. A confecção do DOKH, aplica como metodologia uma abordagem na qual a comunidade indígena contribui ativamente. O trabalho buscará refletir sobre os impactos desse processo na revitalização, documentação e descrição dessa língua. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-ac5b9ebaf5848a2aebfab7263fa7a046">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-0d016efaa59c6508168ddc19a881ba3b">A documentação das línguas indígenas brasileiras – entre 150 e 180 línguas – ainda é uma tarefa emergencial. No entanto, observa-se que esta é uma área de pesquisa e tecnologia em ascensão, juntamente com diversas áreas de estudo (como antropologia, etnografia, história, entre outras), acompanhada de equipamentos modernos para produção de acervos digitais multimídia (gravações de áudio e vídeo). Tais acervos são constituídos de materiais preciosos e que devem estar acessíveis às comunidades indígenas e demais interessados, possibilitando a salvaguarda do patrimônio cultural linguístico dos povos indígenas. </p>
      <p id="paragraph-2">Visando a preservação do patrimônio cultural linguístico dos povos indígenas e a promover o seu acesso, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas – FUNAI, através do Museu do Índio, assinou acordos de cooperação internacional (Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores – ABC/MRE e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – UNESCO) e com associações indígenas, para a realização do <bold id="bold-1">Projeto Salvaguarda do Patrimônio Linguístico e Cultural dos Povos Indígenas Transfronteiriços e de Recente Contato na Região Amazônica</bold> que objetiva: (i) documentar aspectos de línguas e culturas de povos indígenas em situação de alta vulnerabilidade através de projetos colaborativos; (ii) salvaguardar herança linguística e cultural para futuras gerações; (iii) oferecer treinamento em pesquisa e documentação a jovens indígenas promovendo protagonismo na construção de conhecimento; (iv) constituir acervos digitais estruturados no Museu do Índio com materiais de qualidade e seletividade acessíveis.</p>
      <p id="paragraph-3">O projeto encontra-se em sua terceira fase formado por onze subprojetos: cinco estão dando continuidade às etapas anteriores (Sanöma, Taurepang, Korubo, Povo do Xinane e Moré-Kuyubim) e seis foram recentemente incluídos (Ye’kwana, Arutani/Ninam, Kheuól Karipuna e Galibi-Marworno, Baniwa – Koripako, Kawahiva e Guató). O mapa do Brasil, a seguir, mostra a localização dos povos que fazem parte dos onze subprojetos.</p>
      <fig id="figure-panel-b228d1ad0a1a82b0b5dbae122090d2d2">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-5b60aec38c31734917b1d75fff937e9e">Mapa 1.</bold> 3ª fase do Projeto Salvaguarda do Patrimônio Linguístico Cultural de Povos Indígenas Transfronteiriços e de Recente Contato na Região Amazônica.</title>
          <p id="paragraph-3bac8d61cb55c9e48ead36fcbac38f7a"> Fonte: Chang Whan, 2019. </p>
        </caption>
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      </fig>
      <p id="paragraph-0338fbbbe9d46405f4fbabaed79c78ac">Como pode ser observado no Mapa 1, um dos subprojetos tem como <italic id="italic-1">locus</italic> o Estado do Amapá, especificadamente no município de Oiapoque, contemplando a língua kheuól falada pelos povos Karipuna e Galibi-Marworno na Terra Indígena Uaçá. </p>
      <p id="paragraph-f8cd0d0036eff342a51e6803cf4537ab">O subprojeto Kheuól nasce em um contexto de construção de identidade, visto que a língua kheuól foi assumida como fator de distintividade cultural para ambos os povos. Esse processo vem consolidando-se com a crescente formação de professores indígenas na Universidade Federal do Amapá, que oferta o curso em nível superior de Licenciatura Intercultural Indígena desde 2007, e a conquista do direito de ensinar a língua materna nas escolas indígenas (cf. Campetela et al., 2017).</p>
      <p id="paragraph-13ea8241791df5dd7b6df8ce34456fae">Neste sentido, o artigo em questão objetiva apresentar o relato das atividades desenvolvidas desde a primeira etapa do projeto Kheuól do Uaçá. Para isso, o trabalho foi dividido em duas partes. A primeira aborda os trabalhos anteriores sobre o kheuól do Uaçá. A segunda mostra os objetivos para a construção do dicionário e o método utilizado. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-65e0ae3f896c924677908ccf0684f591">
      <title>1. O Kheuól do Uaçá: projetos</title>
      <p id="paragraph-7bbd096140fff3c76bbb28b6ba6d44e5">Nos últimos anos, o Curso de Licenciatura Intercultural Indígena da UNIFAP impulsionou maior consciência sobre a identidade linguística dos povos Karipuna e Galibi-Marworno. A total consolidação desse processo esbarrava principalmente na falta de uma ortografia (ou ortografias) consolidada que atendesse às demandas técnicas para uso prático, além dos anseios políticos de representatividade de ambos os povos, falantes de variantes dialetais distintas. </p>
      <p id="paragraph-1cbfa9dd84ab4b559d80f642c46ba31d">Até então, a única proposta explícita de ortografia remontava a um trabalho do Conselho Indigenista Missionário – CIMI, realizado em 1983, com foco na variedade falada pelos Karipuna (cf. Montserrat &amp; Silva, 1984). Outras ortografias, com algumas alterações foram utilizadas em publicações esparsas sobre a língua (cf. Tobler, 1983).</p>
      <p id="paragraph-da7468a30c5e6ed52eccb494b9243ec3">A respeito desses trabalhos, os Karipuna se diziam insatisfeitos pois afirmavam que a ortografia não refletia as mudanças ocorridas na língua nas últimas três décadas. Os Galibi-Marworno evidenciavam um problema ainda maior: adotar uma ortografia baseada em uma variante dialetal distinta que gerava estranheza e dificuldades nas crianças em fase de letramento, cuja primeira língua é o kheuól Galibi-Marworno. Além disso, a adoção, por falta de opção, pelos Galibi-Marworno de material produzido para os Karipuna, vinha sendo potencial gerador de conflitos políticos por conta da insatisfação causada pela ausência de material específico. Essa ausência reforçava o cenário de desprestígio do uso da língua em seu domínio escrito, mesmo em falantes de Kheuól como língua materna.</p>
      <p id="paragraph-2c4ae47f0518d8a2704ad4f04f8b6b98">Motivados por tal necessidade linguística, o projeto <bold id="bold-0fd5a04f76f6d43ee977097a6d3ac34f">Valorização das Línguas Crioulas do Norte do Amapá<ext-link id="external-link-87fa38e04804bafa78d88d27a19673c1" xlink:href="#_ftn1"><bold id="bold-c3168e1398158c6bd0495f92ceb0d0f3">[1]</bold></ext-link></bold>, coordenado pela linguista Gélsama Mara Ferreira dos Santos, proporcionou, através de oficinas nas aldeias Karipuna e Galibi-Marworno, que professores de ambos os povos discutissem e atualizassem as questões centrais das duas ortografias. As imagens 1 e 2 destacam algumas reuniões que aconteceram nas aldeias Karipuna e Galibi-Marworno.</p>
      <fig id="figure-panel-f1c22ecc86fdebaa193888c0e54c179a">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-4a902994ea7ffee4b1e117d04bfadcfd">Imagem 1.</bold> Discussão sobre a organização do material didático Karipuna em reunião na aldeia Santa Isabel.</title>
          <p id="paragraph-4e658d66cbcce1d44dd3d89f9e689ac7">Fonte: Projeto de Valorização das Línguas Crioulas do Amapá, 2017.</p>
        </caption>
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      </fig>
      <fig id="figure-panel-1500501e68ba24699146501abf9bd594">
        <label>Figure 3</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-75b9a7e0fc90c94b884285107f4aa77e">Imagem 2.</bold> Professores, participantes da oficina, trabalham nos exercícios e textos do livro didático Galibi-Marworno na aldeia Kumarumã.</title>
          <p id="paragraph-6ae6c9f2a1f51e55e85216a385867111">Fonte: Projeto de Valorização das Línguas Crioulas do Amapá, 2017.</p>
        </caption>
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      </fig>
      <p id="paragraph-af8b1975b97151edc5fc647d6262a953">Como produtos do trabalho do projeto de <bold id="bold-9e3db148823a968c728bc4805bf00c0c">Valorização das línguas Crioulas do Norte do Amapá </bold>há materiais paradidáticos publicados em 2019 que contemplam as duas ortografias recentemente atualizadas, representativas para os Karipuna e Galibi-Marworno. Entre os produtos há livros paradidáticos com narrativas tradicionais e dois manuais simplificados de escrita. Apresentamos abaixo a arte utilizada para os livros Karipuna e Galibi-Marworno:</p>
      <fig id="figure-panel-ccef5c63c0d42bf026a4cfaf05613f93">
        <label>Figure 4</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-3b6b76a59527e583a2bcece9568df85e">Imagem 3</bold>. Livro didático Galibi-Marworno “Nate Konétmã dji Thavai: jidatk dji Methés-iela”</title>
          <p id="paragraph-b9e308270f86effe9eb53e405fdde340"> Fonte: SILVA et al., 2019.</p>
        </caption>
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      </fig>
      <fig id="figure-panel-8086d844374ccf1041ae9e2f123f840c">
        <label>Figure 5</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-baac571766db232f35071c5a33e8ee7d">Imagem 4</bold>. Livro didático Karipuna “Xime dji konetmã: Liv Djidatxik dji Methes-iela”</title>
          <p id="paragraph-6e7e527279a6e65ce95c2bc98a8ce3cb">Fonte: FORTE et al., 2019. </p>
        </caption>
        <graphic id="graphic-97a4e7f06837881069631972a44bd620" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="i4_2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-6ab8b4a911b8b8157e926db8562a3798">Outro projeto realizado é <bold id="bold-1ff1c6d389d0817129c6ebf6299ba75e">Atualização da Base de Dados Linguísticos da Língua Kheuól do Uaçá: uma Abordagem Bidialetal</bold>, coordenado pelo linguista Glauber Romling da Silva. Esta pesquisa vem trabalhando desde 2018 a implementação da Base de Dados Linguísticos da Língua Kheuól do Uaçá (doravante a BASE) para que possa servir de fonte para rápida produção de materiais didáticos com as devidas atualizações ortográficas já disponíveis. </p>
      <p id="paragraph-6abbcb9f39d04665745ae1a25792c37b">Na continuidade dos projetos que têm como objetivo fomentar as identidades linguísticas dos povos Karipuna e Galibi-Marworno, o dicionário multimídia visa fornecer os primeiros materiais didáticos que reifiquem a recente atualização. </p>
      <p id="paragraph-95328c29e4c229d107b83c2db9e93962">Para se entender a construção dos dicionários multimídia da língua kheuól e suas variedades faladas pelos Karipuna e os Galibi-Marworno, na seção seguinte serão destacadas as duas etapas de produção, incluindo trabalho de campo e metodologia utilizada. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-eb9d59403fbb711a195c62bd07459f21">
      <title>2. Dicionário online do Kheuól (2019-2023, Museu do Índio, FUNAI/UNESCO)</title>
      <p id="paragraph-b46b0d0f1c83d54f60a7538b1dc6fc2e">Em parceria com a FUNAI através do Museu do Índio em cooperação internacional com a UNESCO, juntamente com as associações indígenas, tem-se, desde 2019, a construção de dois dicionários multimídias: um para o povo Karipuna e outro para os Galibi-Marworno. </p>
      <p id="paragraph-33e986c35e2cc871b6c15a46a4a1c496">A equipe responsável pela produção dos dicionários é formada por duas linguistas indígenas, sendo uma Karipuna, a Janina Forte, professora da Universidade Federal do Amapá – UNIFAP, e outra Galibi-Marworno, a Jaciara Santos, professora do Governo do Estado do Amapá. Há a presença no grupo de três linguistas não-indígenas: Amanda Carvalho (coordenadora do projeto), professora do Instituto Federal do Amapá – IFAP e consultora do Museu do Índio; Glauber Romling, professor da UNIFAP; Mara Santos, professora da UNIFAP. Em um primeiro momento também houve a colaboração de outros pesquisadores indígenas: João Bertiliano, Sônia Aniká e Davi Marworno. Atualmente conta-se também com dois bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq: Davi Felisberto (Galibi-Marworno) e Rodinaldo dos Santos (Karipuna). A imagem 5 mostra a equipe em reunião de anuência na aldeia Kumarumã, durante trabalho de campo realizado em 2019.</p>
      <fig id="figure-panel-755afa3f9f9a6294cfce572a638c8418">
        <label>Figure 6</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-87dc4b3b576575208c7544387ce9ce74">Imagem 5</bold>. Parte da equipe durante reunião de anuência do Projeto Kheuól na aldeia Kumarumã (Galibi-Marworno) em 2019.</title>
          <p id="paragraph-d4fc65f4282a91c3e7db90611dd56d72">Fonte: Acervo da equipe. </p>
        </caption>
        <graphic id="graphic-1b92aa75d7463334ac6b2526bc7dfbd1" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="i5_2.jpg"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-bfe1938e4d15a7b26c6bc75feb4a4ded">O grupo busca produzir para cada um dos dicionários mais de 1400 entradas (600 na primeira etapa e 800 na segunda) lexicais kheuól-português contendo:</p>
      <p id="paragraph-00297520b45dbd5f2e6a013a4c294e6b">(i) Palavra em kheuól escrita na variante ortográfica correspondente Galibi-Marworno ou Karipuna;</p>
      <p id="paragraph-0c4d85adb05f541c443766ac19ed3165">(ii) Tradução da entrada lexical para o português;</p>
      <p id="paragraph-5ec4b92a763ae3d98ae1b004783413b2">(iii) Categoria lexical da entrada;</p>
      <p id="paragraph-a6044b2042210ccd782f12642fa1ce4b">(iv) Áudios em kheuól da entrada lexical, pronúncia Galibi-Marworno ou Karipuna;</p>
      <p id="paragraph-7bb347459b67df84cc367c32d1087c99">(v) Ilustrações/fotos na entrada lexical;</p>
      <p id="paragraph-82d022b34eb1c27d3590e0ba14d820eb">(vi) Exemplos de sentença em kheuól;</p>
      <p id="paragraph-b7239a12ed392b6e8c8ba22297a1a063">(vii) Tradução do exemplo de sentença para o português;</p>
      <p id="paragraph-bc756f80ad7c0e136821ffd87592aa3a">(viii) Campo semântico.</p>
      <p id="paragraph-e58bb7c129f89f23975d094fd686934b"> Acrescenta-se ainda que o subconjunto de “palavras culturais” deverá conter, além dos itens das demais entradas, também foto ou desenho representativo obrigatoriamente. Definimos como “palavras culturais” aquelas que encerram ideias, conceitos ou artefatos próprios dos grupos indígenas envolvidos intraduzíveis para o português e cuja tradução pouco ou nada explicaria sobre as suas respectivas especificidades. Um exemplo é a palavra <italic id="italic-1929d4545e0185127fc3a8c6a853f0e5">Turé</italic>, ritual central para os povos indígenas do Uaçá, que ocorre na lua cheia do mês de outubro, como agradecimento aos espíritos ancestrais (karuan) e de pedido de fartura para as novas roças recém-plantadas.</p>
      <p id="paragraph-29bc1d360d1e6f205e67778dae3d38f9">Ao final do projeto, esperam-se os seguintes impactos:</p>
      <p id="paragraph-8b1168fcee6642e9837dd7c31d77597f">(i) A produção de material didático com ortografias representativas ajudará a pensar e a servir de apoio para resolver problemas de letramento causados pela adoção de material inadequado;</p>
      <p id="paragraph-08da5a00050d33d4f737d2980e550ff5">(ii) A existência de material bibliográfico em ortografia convencionalizada e representativa pode prover segurança para seu uso e fortalecimento em domínios de uso cada vez mais preenchidos pelo português;</p>
      <p id="paragraph-2993a6b1a4f550d86ee33ae95e7bf454">(iii) A iniciativa visa suprir materialmente uma demanda legal constante no <italic id="italic-2">caput</italic> do artigo 231 da Constituição de 1988, que é, a saber: “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”;</p>
      <p id="paragraph-bcaa3e8c6c38cac247ff2770a548409b">(iv) Demanda concernente à educação e aos direitos linguísticos foi detalhada posteriormente na lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, em seu artigo 32, inciso IV, parágrafo § 3o: “O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurando às comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem”.</p>
      <p id="paragraph-05dcc0d81a310912028766fe27afc735">Dessa forma, com o intuito de alcançar esses resultados, o projeto Kheuól foi divido em duas etapas, sendo a primeira de 2019 a 2022 e a segunda de 2022 a 2023. Na subseção seguinte será destacada a metodologia utilizada na produção do dicionário.</p>
      <sec id="heading-cd30c48a2d3abe063bb58535030d992e">
        <title>2.1. Metodologia e base de dados já existente</title>
        <p id="paragraph-54803df95321901f5045f5df663e7707">A dinâmica básica de trabalho consiste no aperfeiçoamento e checagem da base de dados linguísticos já existentes para a formatação do dicionário por intermédio de oficinas com os pesquisadores e/ou professores indígenas, como pode ser observado nas imagens 6 e 7. Subsequentemente ao final de cada etapa das oficinas, os linguistas fazem os ajustes técnicos necessários na BASE, que incluem a revisão do material trabalhado e a reavaliação das demandas para a produção dos produtos técnicos. </p>
        <fig id="figure-panel-ef6b883af76e8ddb4f7d5d24d4bf8e31">
          <label>Figure 7</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-78f523a1d10606a1dd5da7188cce4d0f">Imagem 6</bold>. Pesquisadores indígenas durante oficina sobre a BASE</title>
            <p id="paragraph-0195e4e8ca68a1313831b680a65341d2">Fonte: Acervo da equipe. </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-1f0570121b361abf5286bd682865638a" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="i6_2.jpg"/>
        </fig>
        <p id="paragraph-b02e7f0fc122826d176e415805b3d717">A BASE está em formato <italic id="italic-7de12ed917183b3092bcc42825ea98aa">Fieldwork`s Language Explorer</italic> – FLEx, uma plataforma livre disponível na <italic id="italic-47370e95ab766daca23f342abddb5aa4">internet</italic>. Essa plataforma, além de organizadora de dados linguísticos, também formata e gera dicionários bilingues. </p>
        <p id="paragraph-50dea1b13136e8f0a7039d5cf647a8f2">Na imagem 7, exibimos um exemplo do FLEx com o lexema <italic id="italic-3">lekól</italic> em destaque. À direita da imagem 7, há uma prévia do formato de entrada proposto para os dicionários. O lexema <italic id="italic-4">lekól</italic> possui 6 significados. Para cada um deles, há o indicativo sobre a categoria lexical abreviada em vermelho, “n” para nomes e “v” para verbos; também foi conferida uma sentença como exemplo de uso (em azul) e sua respectiva tradução livre para o português. Ao final do último significado adicionou-se uma nota que explicita detalhes sobre esse significado. As entradas em áudio são registradas em formato de arquivo WAV, 44.100Hz, 16 bits, e editados nos <italic id="italic-5">softwares </italic>livres Audacity e PRAAT.</p>
        <fig id="figure-panel-8cdeca0ba1c54f60b7dc57f19ce244ae">
          <label>Figure 8</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-1b85932abc63ded507806e41048b0d39">Imagem 7</bold>. Lexema <italic id="italic-1dd0c03b3725051b9a19fe6bdf9c066b">lékol</italic>, variante Galibi-Marworno.</title>
            <p id="paragraph-52456660d70386e2d1f1611e2ef87cff">Fonte: Acervo da equipe.</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-cbae3f8cab6f44b4d3b8dc286cf7db3f" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="i7_2.png"/>
        </fig>
        <p id="paragraph-1d4800b0dc25f28b9d4bd02baedb81c6">A produção dos dicionários ocorreu tanto em campo como também online. A imagem 8 registra o único trabalho de campo realizado pela equipe completa em 2019, pois, poucos meses depois, o coronavírus se alastrou por todas as comunidades trazendo consequências irreparáveis. Logo de imediato as atividades do projeto precisaram ser paradas, porém, com o passar tempo, deu-se continuidade através do envio online dos arquivos por e-mail e pelo aplicativo de mensagens instantânea, o <italic id="italic-e601ce90f11a9bcea47502897aec4522">WhatsApp, </italic>através do auxílio dos bolsistas.</p>
        <fig id="figure-panel-3c8cc2c59afaa3abb40f4f37eecd4afa">
          <label>Figure 9</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-74dc3999547b2569a470c6eb8a5f7745">Imagem 8</bold>. Pesquisadora indígena Janina Forte durante aplicação de questionário em trabalho de campo</title>
            <p id="paragraph-4593a0cfd22166752cbbe0730936f009">Fonte: Acervo da equipe. </p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-fc46c9e2128dc0078c7e162f76709a08" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="i8.jpg"/>
        </fig>
        <p id="paragraph-2af46d677f55433d14292bbc3e933b3b">Atualmente o subprojeto Kheuól encontra-se na produção de documentos técnicos referentes à segunda etapa do projeto de Salvaguarda. Para esse segundo momento, tem-se como objetivo o acréscimo de dados na BASE. </p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-504dad5356662046b5e98b047eadbb14">
      <title>3. Considerações Finais</title>
      <p id="paragraph-60cf988b1ca6b9198d312dc5e0ccfc38"> Apesar das dificuldades encontradas, o projeto Kheuól produziu, durante a primeira etapa, o total de 1.211 palavras – 606 verbetes Galibi-Marworno e 605 Karipuna -, contemplando 14 campos semânticos, sendo eles: partes do corpo, alimentação, plantas, animais, fenômenos naturais, cultura material, verbos de ação, verbos de movimento, espaço e tempo, propriedades, cores básicas e derivadas, parentesco, categorias sociais, números e quantificadores. </p>
      <p id="paragraph-98e401d6a2c1e08f06bb366a21fbcc7a">Contabilizaram-se também a produção de 2 diagnósticos sociolinguísticos, aproximadamente 700 fotos relativas ao cotidiano dos povos Galibi-Marworno e Karipuna, 148 ilustrações, mais de 1 hora e meia de gravação de áudio – referente às entradas (20:58 de gravação Galibi-Marworno e 19:51 Karipuna) e 01:24:42 de entrevistas durante trabalho de campo – e 2 horas de vídeo sobre a história e estilo de vida dos povos.</p>
      <p id="paragraph-8a4526a54e4ef683a10fdff8374d9d0a">Além disso, a primeira etapa do dicionário já está sendo utilizada pelas comunidades, principalmente nas aulas de língua materna e está disponível no Portal Japiim &lt; <ext-link id="external-link-1" xlink:href="https://japiim.museudoindio.gov.br">https://japiim.museudoindio.gov.br</ext-link>&gt;, do Museu do Índio. </p>
      <p id="paragraph-4">A segunda fase está em processo de finalização e em breve teremos mais de 800 verbetes inseridos à Plataforma Japiim em cada uma das variedades. Acrescentamos que o projeto Kheuól fez parte da exposição “Nhe’re porã – Memória e Transformação” no Museu da Língua Portuguesa, em parceria com o Instituto Cultural Vale, em outubro de 2022.</p>
      <p id="paragraph-5">A equipe agradece a colaboração de todas as comunidades envolvidas, além dos pesquisadores e bolsistas indígenas. Esses dicionários estão sendo realizados em memória de todos os colaboradores das comunidades que infelizmente não conseguiram sobreviver à pandemia do coronavírus.<bold id="bold-cc6f57b0ca4812b81b1998312cc3e0ed"/></p>
    </sec>
    <sec id="heading-b20215e7a7fdc36844d18267e348e041">
      <title>Informações Complementares</title>
      <p id="paragraph-4d77b68b016f0fb637eb7311220149f6">
        <bold id="bold-41cc9557a6109bfb553c96e8ad4a86b6">Conflito de Interesse</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-54b304e10589b3deb4ba187caf5cdf71">Os autores não têm conflitos a declarar. </p>
      <p id="paragraph-cfab9b818fbfc50e62f831eeba8befd5">
        <bold id="bold-2">Declaração de Disponibilidade de Dados</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-7">O compartilhamento de dados não é aplicável a este artigo, pois nenhum dado novo foi criado ou analisado neste estudo.</p>
      <p id="paragraph-8">Os dados, códigos e materiais que suportam os resultados deste estudo estão disponíveis apenas para consulta no Portal Japiim através do link [https://japiim.museudoindio.gov.br/index.php].</p>
      <p id="paragraph-10">
        <bold id="bold-3">Pesquisa com Seres Humanos</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-12">Esta pesquisa foi realizada conforme os princípios delineados pelo Relatório Belmont, além de terem registro de anuência das comunidades indígenas Karipuna e Galibi-Marworno, assim como das associações representativas deles. </p>
      <p id="paragraph-14">
        <bold id="bold-5">Fonte de Financiamento</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-16">Projeto 914BRZ4019 – UNESCO – Contrato AS-1021-2022 – Consultora – Coordenadora do Subprojeto Kheuó Amanda da Costa Carvalho.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-ef908ce5688792bd1fef9a8d4102ffa8">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-816c8d392f8a35353503f6e70afc81a7">CAMPETELA, C.; SANTOS, G. M. F. dos; SILVA, E. B. da; SILVA, G. R. da. Documentação linguística, pesquisa e ensino: revitalização no contexto indígena do norte do Amapá́. <bold id="bold-de65f0e4ea0e50ab47879cb83c16b25a">Revista LinguíStica / Revista do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Rio de Janeiro</bold>. Volume 13, n.1 jan de 2017, p. 151-167.</p>
      <p id="paragraph-8daa05286be23926f60de39526880f35">FORTE, J.; SANTOS, M.; SILVA, G.; CAMPETELA, C.; COSTA, I. (Orgs.). <bold id="bold-6e7425fc0de0aa693e735ff81ca47a92">Xime dji konetmã</bold>: Liv Djidatxik dji Methes-iela. Macapá: UNIFAP, 2019.</p>
      <p id="paragraph-7d4e9bdb067b6e7d02f1edddb1bbfd3b">MONTSERRAT, R.; SILVA, M. <bold id="bold-c4032e026e1263ca7f9083eee551e3a0">Gramática Pedagógica do Kheuól Karipuna</bold>. CIMI, 1984.</p>
      <p id="paragraph-bfc5c9b6eeb6c85404d4903da7cb5e54">SANTOS, M. <bold id="bold-4">Projeto de Valorização das Línguas Crioulas do Norte do Amapá – 1ª Oficina</bold>. Projeto Línguas Crioulas Karipuna Galibi-Marworno, 2017. Disponível em: <ext-link id="external-link-d9816283734a77a48c615327f21dc5e7" xlink:href="http://projetolinguascrioulas.blogspot.com/2019/12/projeto-de-valorizacao-das-linguas.html">http://projetolinguascrioulas.blogspot.com/2019/12/projeto-de-valorizacao-das-linguas.html</ext-link>. Acesso em: 24 de novembro de 2022.</p>
      <p id="paragraph-9">SILVA, J.; dos SANTOS, N.; CHARLES, J.; SANTOS, M.; SILVA, G.; CAMPETELA, C.; COSTA, I. (Orgs.). <bold id="bold-3f0b6106b2f8d0c3e06c8061872f5ac2">No Liv dji Ixtwa Galibi-Marworno</bold>: Liv Paradjidatk dji Methés-iela. Macapá- UNIFAP, 2019.</p>
      <p id="paragraph-1c5c22d5c7cfbb7bea6559b95d917051">TOBLER, S. J<bold id="bold-6">. The grammar of Karipúna Creole </bold>[Série Lingüística 10]. Brasília: SIL, 1983. </p>
      <p id="paragraph-fa6138b576307efa913f75d81b833197">WHAN, C. Oficina de Orientação do Prodoclin. Oficina. 2019. <bold id="bold-7">Handout</bold>, Rio de Janeiro, 2019. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-4af611fdc9d4b24b08c5e75d1c0a5c66">
      <title>Avaliação</title>
      <p id="paragraph-d1b922294c520ee67706e310b86632c7"><bold id="bold-16b6df8fe79d54d398b717750483b40f">DOI:</bold> https://doi.org/10.25189/2675-4916.2023.V4.N2.ID685.R</p>
      <sec id="heading-ee9fb74bd93a11eddd691becbadbd6c0">
        <title>Decisão Editorial</title>
        <p id="paragraph-6877ab9e199a54b50463fe458bf797f9">EDITOR 1: Ana Vilacy Moreira Galucio</p>
        <p id="paragraph-61c94e6c06c14b677fafc65bf2e942bd">ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0168-1904</p>
        <p id="paragraph-38ee555c741a719727f8d5cd0164b572">FILIAÇÃO: Museu Paraense Emílio Goeldi, Pará, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-800009d9750b2fc6e0bb62adc7d0a4a7">-</p>
        <p id="paragraph-cc0f754208f443bfbde581995ed84511">EDITOR 2: Ângela Fabíola Alves Chagas </p>
        <p id="paragraph-6">ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4925-1711</p>
        <p id="paragraph-569a3b6351b79f2cc0789b1afa4d5556">FILIAÇÃO: Universidade Federal do Pará, Pará, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-b703e08406315f74390c89d9a170292e">-</p>
        <p id="paragraph-e5f28fe6097fa68a4841c1c903efd0e6">CARTA DE DECISÃO: O artigo apresenta uma importante iniciativa de grupo de pesquisadores indígenas e não indígenas para documentar e descrever a língua Kehuol, falada e compartilhada por dois povos de origens bastante distintas, os Karipuna e Galibi-Marworno, que habitam Terra Indígena do Uaçá (Oiapoque-AP), na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa. O artigo trata do processo de construção do Dicionário Online do Kheuól do Uaçá (DOKH), um subprojeto do Projeto de Documentação de Línguas do Museu do Índio (FUNAI/UNESCO), que pode servir como modelo para outras iniciativas semelhantes, por isso, recomendamos fortemente a sua publicação nos Cadernos de Linguística.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-2ac61bb44e1108ff376902b04fb02d70">
        <title>Rodadas de Avaliação</title>
        <p id="paragraph-22991e14ad0aa9f712fd9c1878ea2e45">AVALIADOR 1: Sâmela Ramos da Silva Meirelles</p>
        <p id="paragraph-c44a64d6576088d67126f3c7294f6b90">ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7134-9355</p>
        <p id="paragraph-cc297acb1506fe406266e2fd7d0390f9">FILIAÇÃO: Universidade Federal do Amapá, Amapá, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-2af3a9ed01b524d35dc183a85ffca517">-</p>
        <p id="paragraph-544d75795cf4e7890b20e9f8586f865f">AVALIADOR 2: Isabella Coutinho Costa</p>
        <p id="paragraph-f4c2b5cbcae665d84ec54da9432f4ebc">ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2586-8928</p>
        <p id="paragraph-69187b25503a4a88f23fb5cf7642e6bb">FILIAÇÃO: Universidade Estadual de Roraima, Roraima, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-4a7ca398b84dd24bdcd903277a178737">-</p>
        <p id="paragraph-8775a6ba29c6dadb3de477c7edb8db98">
          <bold id="bold-a9448d79f8eb1422fd63a6871afe3811">RODADA 1</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-1f105f706179b1afad8d251c88d22972">AVALIADOR 1 </p>
        <p id="paragraph-3c39f011a006820d707dcbafb37bec68">2023-09-07 | 15:15</p>
        <p id="paragraph-483c634608b46bb28a86ed04fc8e6c15">Apresento aqui parecer ao texto “DICIONÁRIO ONLINE DO KHEUÓL DO UAÇÁ, VARIEDADES KARIPUNA E GALIBI-MARWORNO”. O objetivo do texto é apresentar os resultados parciais do processo de construção do Dicionário Online do Kheuól do Uaçá (DOKH), um dos subprojetos do Projeto de Documentação de Línguas do Museu do Índio (FUNAI/UNESCO). Essa temática se mostra fundamental para a defesa das línguas indígenas brasileiras, principalmente no cenário que estamos de grave ameaça, e também porque estamos na Década Internacional das Línguas Indígenas, momento crucial para construirmos políticas linguísticas que garantam a sobrevivências das línguas ancestrais. </p>
        <p id="paragraph-40de98a7c974b0c77b004dfe51085466">O artigo tem qualidade textual, boa progressão e desenvolvimento coerente da sua argumentação. Descreve com objetividade os percursos metodológicos da pesquisa, e faz uma discussão coerente dos dados. Desse modo, concedo parecer favorável à publicação. </p>
        <p id="paragraph-e53af1ad7ebad2d82b74885d3ce957c1">-</p>
        <p id="paragraph-f5bbcbf899e80555343fb7827d82c836">AVALIADOR 2</p>
        <p id="paragraph-aebf09b656e56f86b0ffd0c8ee8f9d02">2023-07-27 | 10:27</p>
        <p id="paragraph-186deb9194eeb64d35e953eba8aca84c">O artigo apresenta informações de grande valor para a área de documentação de línguas indígenas e de realização de projetos em parceria com a comunidade. Recomendo para publicação mediante adoção das sugestões no corpo do texto. </p>
        <p id="paragraph-06ecabaa350b1c5eda349499e33975da">-</p>
        <p id="paragraph-48f8b5c7e65c142741c8878e638231f4">
          <bold id="bold-34eac206234558b4d27d0c0d26d84e60">RODADA 2</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-97f278d06c9cba7cc6d050003ebcfb74">AVALIADOR 1 </p>
        <p id="paragraph-3bac81eab8d10a9abbd425a68e637e39">2023-10-03 | 22:21</p>
        <p id="paragraph-3f43fff15ae2616650949c7d2ec74564">O trabalho “Dicionário Online do Kheuól do Uaçá, variedades Karipuna e Galibi-Marworno” tem como pano de fundo uma preocupação urgente com a sobrevivência e fortalecimento da língua Kheuól. Trata-se da comunicação de resultados parciais do processo de construção do Dicionário Online do Kheuól do Uaçá (DOKH), um subprojeto do Projeto de Documentação de Línguas do Museu do Índio (FUNAI/UNESCO). No contexto da Década Internacional das Línguas Indígenas (DILI), esta iniciativa se configura como uma ação colaborativa extremamente relevante, pois têm os pesquisadores indígenas como protagonistas, manejando técnicas de documentação e pensando a produção de materiais escritos em suas línguas, enquadrando-se ao lema “Nada para nós sem nós” da DILI. Destacamos que o trabalho de formação de pesquisadores indígenas, a partir de métodos e técnicas de documentação, tem como princípio uma metodologia participativa que aponta para o desenvolvimento da autonomia dos professores/pesquisadores indígenas. Neste sentido, conseguimos refletir também sobre os impactos que essas ações podem ter em línguas que precisam ser revitalizadas e fortalecidas, trazendo contribuições para outros povos indígenas, e seus parceiros, interessados na revitalização e fortalecimento de suas línguas.</p>
        <p id="paragraph-e2324e90fe27603a15dd012113c79d77">-</p>
        <p id="paragraph-89043bc34f93e8a06534cd29ab7cdf31">AVALIADOR 2</p>
        <p id="paragraph-2416c67d68289a304830e69b9558f0e5">2023-10-16 | 10:15</p>
        <p id="paragraph-7560d2118c09e4240c75bc9db9a47775">O trabalho, na esteira do que se discute atualmente sobre documentação e revitalização linguística, apresenta grande impacto entre os povos Karipuna e Galibi Marworno, servindo inclusive de referência para outros povos indígenas do Oiapoque, do Amapá e do Brasil. As iniciativas citadas são de grande interesse de professores, linguistas e pesquisadores indígenas e, por apresentar especificamente o envolvimento destes últimos, demonstra a responsabilidade do trabalho desenvolvido pela equipe.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-be7778a031b69c2562d42b51be5f3d88">
      <title>Resposta dos Autores</title>
      <p id="paragraph-bd508eb340f5c9470fae860887f2f340"><bold id="bold-a8efd5cb6516bfba6ec58a7c5ac23e56">DOI:</bold> https://doi.org/10.25189/2675-4916.2023.V4.N2.ID685.A</p>
      <p id="paragraph-497ee1184286de9a70b94e0a3eb9082e">RODADA 1 </p>
      <p id="paragraph-ea12e2041d6a29e172a2560926d353d1">2023-11-08</p>
      <p id="paragraph-68684f72f6a337094838c1c8b74f2861">Estamos reenviando o manuscrito com as revisões solicitadas. Agradecemos as ponderações e acrescentamos que todas foram atendidas na nova versão.</p>
    </sec>
  </body><back/></article>
