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        <article-title><italic id="italic-1">TAKÃRA</italic>: CENTRO DE DIFUSÃO DA LINGUAGEM RITUALIZADA</article-title>
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            <surname>Galucio</surname>
            <given-names>Ana Vilacy Moreira </given-names>
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            <given-names>Ângela Fabíola Alves</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Escola Estadual Indígena Tapi’itãwa</institution>
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        <institution content-type="orgname">Museu Paraense Emílio Goeldi</institution>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Pará</institution>
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      <volume>4</volume>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">O presente trabalho tem como propósito apresentar os resultados da pesquisa sobre a importância da <italic id="italic-1bf58737140882e47ed9b6f9d9df6239">Takãra</italic> (casa cerimonial) como espaço central de difusão da linguagem ritualizada que ocorre nos rituais e está presente nas regras de organização de eventos culturais. O conhecimento dessa linguagem é fundamental para a manutenção e o fortalecimento da epistemologia sociocultural do povo, já que a <italic id="italic-2">Takãra</italic> é a casa de sapiência Apyãwa. Segundo nossos sábios, a <italic id="italic-3">Takãra </italic>é essencial desde a sua ancestralidade, centro de espiritualidade para as práticas culturais, de atualização de saberes Apyãwa. Como um dos resultados, tecemos reflexões importantes para que se possa valorizar e fortalecer ainda mais a <italic id="italic-4">Takãra</italic>, oportunizando esse conhecimento especializado às lideranças cerimoniais das novas gerações. Nesse sentido, esperamos que a pesquisa possa contribuir também com reflexões das novas gerações Apyãwa<italic id="italic-5">, </italic>fundamentando a iniciativa das práticas socioculturais milenares da comunidade. Para a realização desse trabalho, contamos com parcerias valiosas dos (as) anciões (ãs), “bibliotecas vivas” do meu povo Apyãwa, que têm muito conhecimento sobre o tema, além das pesquisas bibliográficas e etnográficas sobre o povo Apyãwa. Os principais métodos utilizados foram: participação nas atividades culturais nas aldeias, atividades escolares, participação das conversas noturnas na <italic id="italic-6">Takãra </italic>e entrevistas semiabertas com anciãos/anciãs.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Maragetã Maatorejxeãwa</title>
        <p id="paragraph-b1f78b6399ed3e5f204e8c85d5ae9d2c">Ywyrape xe’apeãwa a’e ramõ akwaamatarete Takãra wi teka kwaapãwa. A’eete ramõ a’ewi xerexekaxeka wetepe kwaapãwa ramõ, xerexojãwa gy rekareka maxywatyãwa. Aoxekato raka’e xanewe Apyãwa ramõ kwewiwe, maryn maryn xane kaãwa ramõ, tarywa rerekaãwa ramõ, xepaanogãwa rerekaãwa ramõ.<italic id="italic-40cfe0a16ab2ea7799be2a2938976727"> </italic>‘A te’omara ekwe werot xanewe wetepe xe’aranowetykãwa, Takãra rekareka maxywaatyãwa re, a’epe xerexe’ega xerexamamamata tarywa kwaapãra gy ma’yaoãwa re. Niwaxaj tanã ka akaxỹma aawo xanewi akawo xanerekareka. A’epe ro’õna imaxerekakatowo xerexeka xerexymyminõ agy we. Ywyrape xe’apeãwa a’e ramõ awaema awa’yawera gỹ xema’eãwa ramõ, gỹ xe’exe’egãwa pe, gy xe’aranowetykãwa ramõ. A’e ramõ xe imamamata xepe xerexeka rerekaãwa re. Te’omara xe’apeãwa a’e ramõ, aparama’e ma’e agy iparawo aparama’eãwa ramõ, a’epe pitywera, awa’yawera gy, koxamokowera gy, axema’ewo ee. Emanyn ro’õna imaxywatyetewo xerexeka re, xere’aranowa re parama’eãwa. ‘A te’omara apaãwa re a’e ramõ wetepe ipakaki xenerojãwa gy. A’egy ro’õna kwakaj wetepe werot wemikwaakwaãwa te’omara apaãwa ramõ, Apyãwa reka re, takaripe iparopyra. A’e ramõ aoxekatoete emigã xanewe, xerekawo maryn teka ramõ axema’ema’e ramõ ikwaãpa ixowi xerexeka. A’eete ramõ kwakaj te’omara ixeapa xerexojãwa gy remikome’o ropi. A’egy kwakaj wetepe amot wemipoenowa te’omara we. A’egy mi ka werakwap wetepe xerexewe Apyãwa reka kato.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Povo Apyãwa-Tapirapé</kwd>
        <kwd content-type="">
          <italic id="italic-f53d05fdc2cd605307ffaccd71cf36e6">Takãra</italic>
        </kwd>
        <kwd content-type="">Linguagens espirituais</kwd>
        <kwd content-type="">A sapiência Apyãwa.</kwd>
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    <pub-date pub-type="epub"><day>31</day><month>12</month><year>1969</year></pub-date></article-meta>
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    <sec id="heading-808dfe8354559c448eb49c15dea0211c">
      <title>Resumo para não especialistas</title>
      <p id="paragraph-6a04504366732ca2b315f8ff977b1cf9">O presente trabalho tem como propósito apresentar resultados da pesquisa sobre a importância da <italic id="italic-e975595f04b15579c2fb571d3038417d">Takãra</italic> (casa cerimonial) como espaço central de difusão da linguagem ritualizada que ocorre nos rituais e nas regras de organização de eventos culturais. Além disso, a pesquisa traz reflexões importantes para que se possa valorizar e fortalecer ainda mais a <italic id="italic-0eb2358dcd5c44b883701aedac9a0116">Takãra</italic>, oportunizando esse conhecimento especializado às lideranças cerimoniais das novas gerações. O conhecimento dessa linguagem é fundamental para manutenção e fortalecimento da epistemologia sociocultural do povo, já que a <italic id="italic-78294dcd2053fd81afdcad4c8eeb6d3e">Takãra</italic> é a casa de sapiência Apyãwa. Para a realização dessa pesquisa, contamos com parcerias valiosas dos (as) anciões (ãs), “bibliotecas vivas” do meu povo Apyãwa, que têm muito conhecimento sobre o tema, além das pesquisas bibliográficas e etnográficas sobre o povo Apyãwa. Os principais métodos utilizados foram: participação nas atividades culturais nas aldeias, atividades escolares, participação das conversas noturnas na <italic id="italic-051eab2ba429d3339729bef1d6e17925">Takãra </italic>e entrevistas semiabertas com anciãos/anciãs.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-ac5b9ebaf5848a2aebfab7263fa7a046">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-0d016efaa59c6508168ddc19a881ba3b">O povo Apyãwa<italic id="italic-d385380e36b7f953c584c0a9b7d8ceb3">, </italic>mais conhecido como Tapirapé<italic id="italic-5b96eedafb11b88fb0070474483fdd15">,</italic> habita em duas áreas Indígenas denominadas Terra Indígena Urubu Branco e Terra Indígena Tapirapé /Karajá, que, geograficamente, localizam-se na região nordeste do estado de Mato Grosso, abrangendo porções territoriais dos municípios de Confresa, Porto Alegre do Norte, Santa Terezinha e Luciara, no médio Araguaia. Os Apyãwa<italic id="italic-c82e0d7d22f55cc4a7eb97e47e4f9141">,</italic> atualmente, somam, aproximadamente, 1.000 indivíduos incluindo as populações das nove aldeias/comunidades. O povo é falante da língua Tapirapé, da família Tupi-Guarani do Tronco Tupi (RODRIGUES, 1986). </p>
      <p id="paragraph-2">Nesse trabalho trago um tema muito relevante para o nosso povo, intitulado: “Takãra: Centro de Difusão da Linguagem Ritualizada”<bold id="bold-1">. </bold>A Takãra<italic id="italic-1737834738913bb8b21ace08fe475131"> </italic>é uma grande casa cerimonial localizada no centro da aldeia Tapi’itãwa, a maior aldeia dos Apyãwa. Ela se constitui como um espaço central de aprendizagem, manutenção e fortalecimento da sabedoria sociocultural que acontece durante as atividades ritualísticas do povo <italic id="italic-218cc568026b65bc99d8872a1ae28789">Apyãwa</italic>. É o principal espaço da difusão dos saberes e da linguagem especializada, importantes para a formação intelectual de novas lideranças cerimoniais. Este trabalho faz parte da pesquisa que foi desenvolvida junto aos <italic id="italic-e57cf0e0ae54bcd5a050690436e71ba9">Apyãwa</italic> no Programa de Pós-Graduação em Ensino em Contexto Indígena Intercultural – (PPGECII –UNEMAT), intitulada: “<italic id="italic-7">Takãra</italic>, a casa da sapiência<italic id="italic-8"> </italic>Apyãwa<italic id="italic-9">”.</italic> </p>
      <p id="paragraph-3">Como foi dito acima, a<italic id="italic-10"> </italic>Takãra<italic id="italic-11"> </italic>é<italic id="italic-12"> </italic>o espaço fundamental para interação e aquisição da sabedoria Apyãwa<italic id="italic-13">. </italic>Os rituais que acontecem neste espaço são<italic id="italic-14"> </italic>estratégias de manutenção e fortalecimento da sabedoria milenar do povo Apyãwa. </p>
      <p id="paragraph-4">Esta é uma pesquisa de cunho qualitativo e auto etnográfico, uma estratégia inovadora que veicula o protagonismo do pesquisador indígena, que vivencia ou participa diretamente na construção dos saberes do cotidiano da comunidade, especificamente, nos momentos dos rituais. </p>
      <p id="paragraph-5">Foi trabalhada diretamente com sábios que são referências vivas da sapiência milenar do povo Apyãwa. Os anciãos (ãs) são conhecedores das histórias, dos rituais e saberes que são difundidos através da prática e da oralidade. Eles são especialistas da oralidade, meio essencial que vem sendo utilizado há milhares de anos para a formação espiritual e intelectual do ser Apyãwa. A tradição oral constitui identidade material e imaterial indispensável para a manutenção da vida dos Apyãwa.</p>
      <p id="paragraph-6">Espero que esta pesquisa contribua com a reflexão, valorização e fortalecimento da língua e dos saberes do povo Apyãwa. Ela traz reflexões relevantes sobre o conhecimento que consideramos como o centro das atividades ritualísticas dos Apyãwa. Essas linguagens especializadas e espirituais são fundamentais na condução de saberes que asseguram as práticas dos rituais.</p>
      <p id="paragraph-7">Esperamos também que esse trabalho sirva de material de pesquisa para os estudantes das escolas Apyãwa, para os acadêmicos e para todos os membros da comunidade na discussão de seminários da comunidade educativa sobre o fortalecimento da língua materna e suas especificidades ritualísticas, pois, a linguagem especializada dos rituais são aspectos essenciais que enriquecem a existência Apyãwa.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-65e0ae3f896c924677908ccf0684f591">
      <title>1. <italic id="italic-c3bc956b5434b2ebce2cfdd098e680f5">Takãra</italic></title>
      <p id="paragraph-7bbd096140fff3c76bbb28b6ba6d44e5">Como já disse, a <italic id="italic-f14dc350088ff4651cb54542eec1debc">Takãra</italic> é a casa cerimonial do povo Apyãwa-Tapirapé que fica no centro da aldeia. Culturalmente, ela só pode ser construída no centro da aldeia. Esta casa é construída de acordo com a orientação do sol, ou seja, duas portas estão direcionadas para o lado nascente e outras duas portas direcionadas para o lado poente. Neste caso, <italic id="italic-7c59682d4e506997e92b2dcc611f4696">Takãra rakopi’ã</italic><ext-link id="external-link-1" xlink:href="#_ftn1">[1]</ext-link>, baseada na orientação da ciência dos <italic id="italic-e5068c8cce8cc65d370bb1d6c05be8f2">maira</italic> ‘não indígena’, fica sob a orientação da direção norte/sul. </p>
      <p id="paragraph-b7b905cd9c39172bd5dbf9585c9403e3">Cosmologicamente, a casa é dividida em duas metades que pertencem aos sub-grupos de <italic id="italic-f0c3e3143c2b8c1d63e3fdfe52fc4145">Wyrã </italic>‘grupos sociais’, os quais são: <italic id="italic-59595b01aa3d191e69c0b9e36b9ffaf5">Wyraxiga</italic>, <italic id="italic-bfdf0c250fa4cc961f44ba8e49464568">Wyraxigio </italic>e <italic id="italic-3c6665ff0842fb4a3f8a478a8c127871">Wyraxigoo</italic> para o lado Sul; e para o lado Norte: <italic id="italic-72193c7d4c96a2131bd9a050f6e919a7">Warakora</italic>,<italic id="italic-7f7d8bdc91d700ff95b12bc2fe9b2acc"> Araxã,</italic> <italic id="italic-4e41b69f4aa3457ff626d3f35a51c5c0">Tarawe</italic>. Esses dois grupos denominam-se <italic id="italic-a632bb0a83a9d93e35dc5aa4375aa695">Wyrã</italic>, Associações Pássaros, como diz Wagley (1988). A palavra <italic id="italic-94f2d182c85db59d294cc6fa5c5857af">Wyrã </italic>significa ave em português, o que, certamente, contribuiu para a denominação utilizada pelo antropólogo. </p>
      <p id="paragraph-9f305a29ec802cf63f4094c420145d74">Wagley (1988, p. 116-117), na sua obra, referiu que a <italic id="italic-992cc54f252f0afc67daeea30bd06202">Takãra</italic> se localizava no meio da aldeia. Considerou a <italic id="italic-6420f0b09db42486fa99d839789b1bfd">Takãra</italic> como centro de atividades das Associações de Pássaros que ali se constituíam, ou seja, a sede das sociedades<italic id="italic-15"> Wyrã,</italic> compostas por grupos de idades de jovens, homens maduros e homens mais velhos.</p>
      <p id="paragraph-b0c949bc320a903af0ac1ea631dd9669">Cada grupo designado pertence a uma parte da <italic id="italic-16">Takãra</italic>, sendo que estes grupos são responsáveis pela construção de sua parte. Todos os homens trabalham juntos, mas, sempre dando atenção maior para a sua parte, como por exemplo, na minha idade de 48 anos, pertenço à <italic id="italic-17">Wyraxigio</italic>. Eu contribuo, neste grupo, na parte intermediária da metade da <italic id="italic-18">Takãra</italic> que pertence a ele.</p>
      <fig id="figure-panel-f5db04209ad26af20c48da8b6531ea9d">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-12c2d505d18a17296bcbb8db6d0c3737">Figura 1.</bold> Divisão das duas metades cerimoniais e subdivisão por faixa etária</title>
          <p id="paragraph-d1ae96e577e5607b268d3a508e276f0c"><bold id="bold-43c6dea698160a495208d4c98be7b561">Fonte:</bold> Okario’i Magno Tapirapé, 2022.</p>
        </caption>
        <graphic id="graphic-74f635555883ccb0b0b9d83662eba31c" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="f1_2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-aa7e5ac9fc45bd0c2d83ba14a4c519de">Os homens das duas metades vão juntos na busca de materiais, como <italic id="italic-658e9910f97ad80afd3c88adb47d4c28">ywyrayja’yra, </italic>‘pequena forquilha’<italic id="italic-8f86de028d5822c9a9d8517492e719b2">, pinaanywa</italic>, <italic id="italic-e6eb7d0daced4c0b1b752bd3e00761ab">pinawa</italic>, <italic id="italic-ec2960c912d3fff6f4ea50f151e0df9e">‘</italic>folha de bacaba’<italic id="italic-ec07934133866ca58558cc1070829cf4">,</italic> <italic id="italic-17f065e83504b77b1bef894ddb879249">ka’ã ‘</italic>folha de banana-brava’<italic id="italic-bf0e1b47782699284f4010f8411a8dea"> </italic>e até mesmo <italic id="italic-da6ea899cb0175deb2699eb6d6851848">xorao ‘</italic>travessa grande’ e <italic id="italic-97c424c234dcb51bec6f599097aaa380">ywyrayjoo</italic> ‘forquilha grande’ </p>
      <p id="paragraph-453a3feeeb12feb59c39a5c8a0189443">Os sábios consideram importante a <italic id="italic-42dd82ae949ac3f3a8be2d223872888e">Takãra </italic>como um dos espaços mais apropriados para aprendizagem dos conhecimentos próprios dos Apyãwa. Muita sabedoria se aprende só na <italic id="italic-ce6cce0d97d910e8b2f748a03d99ea1c">Takãra.</italic> Como diz Korako, no seu depoimento sobre a importância da <italic id="italic-6253fcf1aeb91511453f39de8d97348b">Takãra</italic> para os <italic id="italic-0f0b8dcc6242d27dea14bb06e201c15a">Apyãwa</italic>: “<italic id="italic-bc5dd89c5531728a4d71410f44b9acc3">Takãra aoxekato raka’e xanewe Apyãwa ramõ kwewiwe. Ma’era ta’e? Maryn maryn xane kaãwa ramõ, tarywa rerekaãwa ramõ, xepaanogãwa rerekaãwa ramõ Takãra”.</italic> Para ele, <italic id="italic-62087941ad9d268b532667fd7eb8e23e">“</italic>A <italic id="italic-ed90cd993f83691d4a454cec2a83820d">Takãra</italic> é uma casa indispensável, essencial desde a sua origem para vitalização das práticas culturais, dos rituais, de saberes tradicionais e religiosos do povo Apyãwa. A <italic id="italic-53499013648cd21e1940f8506e4d553a">Takãra</italic> é importante para a realização das festas rituais, em especial, para <italic id="italic-ed27a0d3fde2dae3e26d3626692b5a70">Xepaanogãwa</italic> que é uma cerimônia essencial para os <italic id="italic-19">Apyãwa</italic>”.</p>
      <p id="paragraph-5d1cabf63ad41f7f1a376e36cbda9827">O grupo Wyra é composto somente por homens e se subdivide em dois grupos, a saber <italic id="italic-20">Wyraxiga</italic> ‘garça’ e <italic id="italic-21">Tarawe</italic> ‘papagaio’. As idades desses homens variam desde <italic id="italic-22">Awa’yao’i</italic>, que são os rapazes que passaram pela iniciação recendente até <italic id="italic-23">Awaxewete</italic> os mais idosos, os anciões. Para mapear o número de participantes de cada grupo foram coletadas informações como o nome de cada participante e sua respectiva aldeia. Esse mapeamento foi realizado conforme a contagem cultural, ou seja, a partir do grupo mais novo passando para a fase adulta e, pôr fim, a fase dos idosos. Apresentamos a seguir a tabela da organização do <italic id="italic-24">Wyrã </italic>de acordo com as distribuições dos grupos no interior da Takara. Observe que, consonante a figura 1, os mais jovens ficam nas extremidades (<italic id="italic-25">Wyraxiga</italic> e <italic id="italic-26">Warakorã</italic>), enquanto os anciãos ficam ao centro (<italic id="italic-27">Wyraxigoo</italic> e <italic id="italic-28">Tarawe</italic>). </p>
      <fig id="figure-panel-cb72af715934cc355c7fa6dd38a5fc3e">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-1237f5faeb47eac2206bc6aeb5e05de9">Tabela 1.</bold> Levantamento dos grupos de <italic id="italic-0b12aff87ac229062dc61460215631df">Wyrã </italic>conforme classificação das metades e subdivisões por aldeias.<italic id="italic-5c2e9949b49365c987b3d548c5895624"/></title>
          <p id="paragraph-464b4bab1af45fbe82d499fe30a96940"><bold id="bold-4afbaf125f171e1482026c5140397d06">Fonte:</bold> Nivaldo Korira’i Tapirapé, 2021.</p>
        </caption>
        <graphic id="graphic-66a1ea795db410246b32b6286145b36b" mimetype="image" mime-subtype="jpeg" xlink:href="t1_2.jpg"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-a6c170ffe14becd270285ae4915a6d2b">Esse levantamento foi realizado conforme a subdivisão das duas metades das oito aldeias da Terra Indígena Urubu Branco e Majtyritãwa, da Terra Indígena Tapirapé/Karajá. Nesta tabela apresento os dados conforme a classificação de participação nos grupos de <italic id="italic-9396d4fda7dce3cbd1f6f08b1c5f1bd6">Wyrã</italic> nas três subdivisões, da coluna de esquerda para o centro, <italic id="italic-793c33b3dc7f0414aaa30f49576e3db3">Wyraxiga</italic>, <italic id="italic-d0577ce4b4c565b08c1e811007f15097">Wyraxigio</italic> e <italic id="italic-1c664a5a9e0ac8f9ed2bc89ae0202fcc">Wyraxigoo</italic>. Da mesma forma da direita para o centro, começando do mais jovem, <italic id="italic-56e7b7be32ef444fe13a041742279394">Warakorã</italic>, depois <italic id="italic-7400e3f8ea7a0d62ac3725eb6c9e9c78">Araxã </italic>e por último grupo do idoso <italic id="italic-5adfeb4495913b0326a435bed5393eae">Tarawe</italic>. Essa tabela também representa a mesma organização social dentro da <italic id="italic-bc28c12acac72d1cd3a1310115ddd9cf">Takãra</italic>.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-eb9d59403fbb711a195c62bd07459f21">
      <title>2. Conexões espirituais e linguagens ritualizadas no espaço da <italic id="italic-4160165adb2de582b5fa1025c31a1e2b">Takãra</italic></title>
      <sec id="heading-45d2b29dbf71e80ab7f03287411b9d45">
        <title>2.1. <italic id="italic-d32476e191cffabf673feaa70a1341b8">Xepaanogãwa</italic></title>
        <p id="paragraph-8ae8e6337131134572df6a6dba22173c"><italic id="italic-ccaf636749f34542b337d52ae06393bd">Xepaanogãwa</italic> é ato de comer, culturalmente celebrado com as duas metades de <italic id="italic-dc23763280bfef115687af1810b46c98">Wyrã</italic> que acontece no <italic id="italic-307236ca7205b4e3aa2918bb88c5ebae">Takawytera </italic>‘pátio da <italic id="italic-548ef6d6cb90293aa01e4167d9b7e3bf">Takãra</italic>’ envolvendo os subgrupos de <italic id="italic-5208a95b9de5a055d113d274bd3773bb">Wyrã</italic>. Neste ritual, só os homens podem participar da refeição, sendo que no primeiro dia é servido peixe e, no segundo, <italic id="italic-469d1d5a909969d747d9204ffd19bd45">kawi</italic> ‘cauim’ adoçado com mel. </p>
        <p id="paragraph-4f2388b31bb27e12484aee53745b9537">Segundo os sábios, este ato é para celebrar a harmonia com <italic id="italic-8b147c8c099931762f05f6b925769e39">Axyga </italic>‘os espíritos’ que moram na <italic id="italic-3ce4ac0e8c20f8e2f5da8b7109d99e6c">Takãra </italic>ou que virão a morar durante os rituais. Essa cerimônia, geralmente, acontece no início das atividades ritualísticas, antes mesmo da construção da <italic id="italic-cd3293f90884795bfd38dda3fa4f7ffa">Takãra.</italic> </p>
        <fig id="figure-panel-31ee19d35b426e4bd3599dbfbdee3e53">
          <label>Figure 3</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-7dfd500abbd6d3ce3f79a3fb6056cb61">Figura 2.</bold> <italic id="italic-3a442f9f3d0f04457d720ec0faebcf45">Takãra</italic>.</title>
            <p id="paragraph-7d2f22c369e4b0389ebd5198b9d38351"><bold id="bold-1117856f06ca7582d7a38541aa19e023">Fonte:</bold> Serge Guiraud, 2017.</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-bb0e2a2490bf2ba1eafc821d9ccf8904" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="f2.png"/>
        </fig>
        <p id="paragraph-7805154f0b7ed0f7e63d6881cb69591e"><italic id="italic-c0dd97f7a0cd14d546efdf984c35cac5">Xepaanogãwa </italic>é um ritual importante para dar alegria para os espíritos que moram na <italic id="italic-06d441bf267f3caebf6be43c41a1d1e2">Takãra</italic> no período das cerimônias ou, então, mesmo quando estão na sua moradia quando não ocorrem rituais. Realizando a atividade de comer, os <italic id="italic-d7e5cdde0d4bd0b0787181f127109ec1">Wyrã</italic>, simbolicamente, estão dando de comer para os espíritos – <italic id="italic-3596d08e28c2f9600ccea2ea6271376e">Axỹga</italic> ‘espíritos dos rituais’ ou <italic id="italic-5eb90313ba7b35048315edb696929f46">Xane’yga</italic> ‘espíritos ancestrais’, como dizem os mais velhos. Com isso, os <italic id="italic-f873e5dcc0fa6630525f56b4207b3a88">Axỹga </italic>ficam alegres e, em contrapartida, oferecem alimentos como animais, pássaros, peixes com abundância para os <italic id="italic-2f35f9b643e7765b104c199f9e18dc00">Wyrã</italic> ‘grupo social’. Oferecem também proteção espiritual aos <italic id="italic-d2ffc10ca0e0da177b050eeca0da5017">Wyrã</italic>, nas atividades coletivas ou familiares. O <italic id="italic-b4768134fa748f87786b992b075e5b5b">Xepaanogãwa</italic> mais significativo acontece antes da construção da <italic id="italic-b82c427d156b555b87ca61e1874119b7">Takãra</italic>. Este momento é para convocação dos <italic id="italic-4f40584d93e7393c067e56fc2f541335">Wyrã</italic> para construir a <italic id="italic-5c1849c18bd94824e064f4ade8678614">Takãra</italic> e simboliza o novo ciclo festivo do ano. No decorrer deste ritual, também são alimentados <italic id="italic-4f5380870da16ef35e8a912d71b2c4b5">Xere’yga</italic> – espíritos de nossos antepassados e <italic id="italic-b74d80fbb106827c66312c685fd824be">Xerexowiãwa </italic>‘nossa origem’. Vamos trazer um exemplo de <italic id="italic-e3034a0a8b4adc058664377d3bf2c6bf">Axyga</italic> que mora na <italic id="italic-aa9f16348442ceac571da2c560b70249">Takãra </italic>durante o ritual.</p>
        <p id="paragraph-3c15cfd73c42a6d6bd08aad76227a993">Para manter os espíritos ativos no ritual, <italic id="italic-afd00f4e29c6dbc702116d0e0c027ba9">Wyrã</italic>, as Associação Pássaros, <italic id="italic-ba31a3ee328d4d0b666bd57e3c094525">Wyraxiga</italic> e <italic id="italic-fdfdfb185fde061e24426ec72a6fe5f7">Araxã</italic>, plantam muita banana comprida (<italic id="italic-ae2ee294947f9e05b03f6d843fd979c3">Musa paradisíaca</italic>) para alimentar os espíritos de <italic id="italic-463e2787f3cee4dd7c70e1d51f2680c2">Tawã</italic>. Os alimentos especiais dos espíritos são a banana comprida e a carne do porco queixada (<italic id="italic-71bab1a5644cd448d3313e439eca54e2">Tayassu pecari</italic>). Da mesma forma, os homens das duas metades de <italic id="italic-438b6c7c6d99e851e0ac2928fd4653d7">Wyrã</italic> precisam caçar para alimentar as comunidades de todas as aldeias e os espíritos de <italic id="italic-fa35ef4bf8fab61c8d60eafb95c02df0">Tawã</italic>. Existem caçadas especiais só para a realização deste ritual que, geralmente, acontece entre os meses de maio a junho. Todos os homens se deslocam para o mato para uma caçada coletiva que pode durar de uma ou duas semanas. A carne das caças serão assadas e trazidas para a festa de <italic id="italic-de244c7bad707ffa8d639b9236404d95">Tawã</italic>, ficando sob a responsabilidade dos donos e das donas de <italic id="italic-c35597312c7db5830610f692c729a18a">Tawã</italic>.</p>
        <p id="paragraph-34c0d3aca7482a86b7611bcdf81184d1">O povo Apyãwa considera este ritual como a presença de um espírito mais importante e mais perigoso. O povo acredita muito no espírito, porque ele pode causar maldade para as pessoas, principalmente para os donos e para aqueles que se vestem com as roupas e ornamentos sagrados para sair com ele durante a festa. Segundo os sábios, as pessoas que saem com ele, em algum momento, têm que assumir o <italic id="italic-35495e329515b9f2aa6ecfdce9394b5c">Xepaanogãwa</italic>. Este ato de oferenda serve para alegrar os espíritos de <italic id="italic-caa9cc9e37bfcef4f5d476d6f2dc4cc5">Tawã</italic>. <italic id="italic-29">Segundo o Paxẽ, se, por acaso, não se cumprem determinadas regras, os Axyga sentem-se menosprezados e podem atingir com seus males os integrantes dos rituais. </italic>(TAPIRAPÉ, G. I., 2020).</p>
        <p id="paragraph-fca89a67f4d22728fb956af658073055">Há um canto convocatório para se comer peixe que os homens pescaram numa pescaria coletiva. Todos os homens vão para o lago e o rio. Quando chegam de volta na aldeia, o líder cerimonial faz este grito para todo mundo ouvir. O líder cerimonial diz:</p>
        <p id="paragraph-36210526ff92d7268de9e42d8356e850">
          <italic id="italic-9d5d3f13a99dc818a264596acc81949a">Ipirã pe'oooooooo!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-2ffc5f431282ca7fa6fa8c5069cf5b67">
          <italic id="italic-489eeb5fc9798c088068656d25fb9b9a">Taraweeeeeeeee!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-3ad7759545b6ca1e9e18de5a67d8cf51">
          <italic id="italic-45145518e877f5457a34daedced8edf2">Wyraxigiooooooo!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-8995929ded06c3f490b0bebd8d97484f">
          <italic id="italic-3a49663e80ef0af6608630564d5c1203">Araxaaaaaaaa!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-d32056abca425f7c090cdf489fc3ebc7">
          <italic id="italic-04522718db3e6fa5821b6c401c290ae9">Wyraxiiiiií!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-75f7fd9b1fcd0db12fe575ee028eb1f2">
          <italic id="italic-04431ddde7281cc80817e1cde3dddd7a">Warakoraaaaaaaa!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-dffe8a480ba89395a85e8dc78a30f7ec">
          <italic id="italic-6c6beadb1a94028c44bebb2e5c29884a">Wyraxigoooooo!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-596a4fe940b0b88b2e8e9e7a24793ab8">
          <italic id="italic-080fb1f30c8713b88f6079b593098eb6">Ipirã pe'ooooooo!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-4f76307b740af1e0ef1465dd838a5e94">
          <italic id="italic-73c67e43b4d8132c2282cca9010de419">Ipirã pe'ooooooo!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-737b904087b99ea000b89e1fef79ca55">
          <italic id="italic-9630772bc0d52c9de890775df3e2bd45">Ipirã pe'ooooooo!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-728803b88fffdb4d56448797e921f089">
          <italic id="italic-ea1453dcbed14f741f5fdad8d6735334">Ipirã pe'ooooooo!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-efe22d285c9edb93a23f331ba0730d0f">
          <italic id="italic-4bfe076976270669bafa4a7d7486ca5f">Koooooooooooo!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-d34b9fee9df8d5ae59e4860e043449e7">Neste canto convocatório, o líder diz<italic id="italic-f1d14ff564a9efc410f085b6e584a8d3"> Ipirã pe’oooooo! </italic>‘comam peixe’ (comam muitos peixes), ou seja, está convocando todos os <italic id="italic-6c2a6970c59360c5ed8b74074e876067">Wyrã</italic> para comer peixe. Como pode ser observado no canto, são aclamados os nomes dos seis grupos do Wyra (ver tabela 01). No final diz Ipirã pe’ooooooo, ou seja, comam muitos peixes. Novamente, cita todos os nomes dos três sub-grupos no final do canto convocatório. Feito o grito, todos os <italic id="italic-5374b3cd66218dbfccfa38119e594797">axyga</italic> ‘espíritos’ são convidados.</p>
        <p id="paragraph-ede8e091da5811c1e0521876d670d0b5">Após o convocatório os homens dispersam indo para suas casas, onde as mulheres preparam peixes para levar para o pátio. Antes de escurecer o dia, todos se dirigem para <italic id="italic-c827315533eeb2a64e051a95a0a09f22">Takawytera </italic>‘pátio da <italic id="italic-416e0ed5d2090823ac24d9ebd6e5adc1">takãra</italic>’ para comer peixe. Neste momento, as mulheres não participam de <italic id="italic-dfe8b263e3cd376ef257246efa02cd2c">Xepaanogãwa. </italic>As mulheres apenas preparam a comida.</p>
        <p id="paragraph-1cbf084ff619c7e162b6ef3b3ebd7b7e">No outro dia, os homens vão para o mato buscar mel para adoçar <italic id="italic-af5fd7302af809b348f530606f93f6b3">kawi</italic> ‘cauim’. Neste momento, as mulheres fazem <italic id="italic-5153405b3b770a306c60afa182b08901">kawi</italic> para seu marido que foi caçar mel<italic id="italic-382af4104adbc1250ac6d2271551c6f1">.</italic> Quando os homens chegam, acontece novamente o ritual de convocatória para comer <italic id="italic-285e27a661771c9dd139f4e25e185d6b">kawi</italic>. Todas as mulheres casadas fazem <italic id="italic-1f7fa23eed60bd0e3f75a35209061eef">kawi </italic>enquanto os homens vão para o mato. Assim, a tardezinha, os homens vão novamente para <italic id="italic-c4f0287271e40c8dff2109484d136461">Takawytera </italic>para saborear <italic id="italic-591ddbee70a0f37d2e4960cbe0de4d32">kawi</italic> com mel.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-8691834de414727e24940fe26d191811">
        <title>2.2. A relação entre os <italic id="italic-4e73b9a83d566c6a883cd7a4daf9bd35">Wyrã</italic> e a <italic id="italic-0d06ef77e7a9d117a77b5d56648a5f4e">Takãra</italic></title>
        <p id="paragraph-e1ca49fd739f4ce98ee6c0f76bd97bb7">Os idosos sempre insistem em repetir que, sem a <italic id="italic-875855a38bd99b6e802b7f25e7ae73f2">Takãra,</italic> não acontecerá mais a transmissão dos saberes dos Apyãwa para as futuras gerações, uma vez que essa casa cerimonial é um dos mais importantes espaços nos quais se aprendem conhecimentos tradicionais próprios dos Apyãwa. </p>
        <p id="paragraph-5dca1c81557b6f64abf3fbe7f27b272f">Xakareo’i diz que <italic id="italic-9fa513675b19cd6a22ce70b6d93037dc">Takãra</italic> sedia <italic id="italic-6ed4e62b75f773d0bb45618cdf7a0364">Axỹga</italic> durante a festa, o que é fundamental para os Apyãwa produzirem seus alimentos e que, com isso, <italic id="italic-21cf11ce7009263e0867373cba8c0b2a">Wyrã</italic> é beneficiado. Os espíritos têm poder de atrair os animais, como porco queixada, caititu e jabuti para mais próximo da aldeia, assim se tornam fáceis de serem caçados logo perto. É com essas caças que são alimentados os espíritos que eles mesmos trouxeram para serem abatidas. Quando não tem ritual Apyãwa, os espíritos vão ficar bravos, como o Korako também tinha mencionado. <italic id="italic-92147ebc3fa00e8307c1451c1457585f">Xane’yga</italic> pode provocar e agravar doenças como diarreia, febre alta, entre outras.</p>
        <p id="paragraph-fc53e460692adb0099b3ebc75089af55">Quando entrevistei Korako, ele estava muito preocupado com a não realização de <italic id="italic-cce467137100d761891edf34696293ba">tarywa</italic> ‘rituais’ na <italic id="italic-9db4ba0ef5df4710aae58ef8081597e8">Takãra</italic>. Ele demonstrou realmente que o povo Apyãwa depende muito da <italic id="italic-da7a570c107d94e6dbff06583c3fb483">Takãra,</italic> porque sem a <italic id="italic-c6e7894532b8b87e755c9d08b148dc57">Takãra</italic> não acontece <italic id="italic-6c53e660c39883f7092fa9b9129879a7">tarywa</italic>. E se não acontece <italic id="italic-5c7a10e82b6b228c697d2d544fdd186f">tarywa</italic>, os espíritos ficam bravos. </p>
        <p id="paragraph-ab2bd8b99bffd90fa3c11a6e59bbe5ad">Os anos de 2021 e 2022 foram anos de paralização total de <italic id="italic-6a5afe861659f3a8cca29f731645c852">tarywa,</italic> ou seja, não estavam acontecendo. A cobertura da <italic id="italic-bc71bbf36ecf094866a2acc6cca5b302">Takãra</italic> já estava ficando ruim também. Por isso que Korako estava muito preocupando.<italic id="italic-6f60a46984deabf5ff9360e309827c76"> “A ika maja kwi. Mõ pã ‘a ika maja wã. Apyrõg kwakaj amõ ee Xiwyga kwi. Maja axokã maapyt. A’e ramõ kwi aoxekato xerexepaanõga. </italic>‘A cobra está aqui. Está aqui muito perto. Xiwỹga (esposa dele) já pisou numa cobra. Matei três cobras. Por isso temos que convocar <italic id="italic-621f96566e18decb98880ee0cadc0772">Xepaanogãwa</italic>’<italic id="italic-09ba185270170c7796855b7cbd03c9e8">. (</italic>KORAKO<italic id="italic-1daca070002ab8d30d8999614f53fbc2">, </italic>novembro, 2021)<italic id="italic-50ec85b845421e0599c258a47bde7f66"> </italic></p>
        <fig id="figure-panel-47c2b602d8d650d3a03863f33121aedb">
          <label>Figure 4</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-3198fc344e28738082878133719a1bd9">Figura 3.</bold><italic id="italic-9106ccb39c47551887a5aeb9fc924f16"> Tawã </italic>‘Cara grande’.<italic id="italic-1390ffa51de0e66588cd0a2f1de83269"/></title>
            <p id="paragraph-3d1f56fda4b1546ec3cb8594f6504ba7"><bold id="bold-b084920d2eb60998c5c60176d5a6da9a">Fonte:</bold> Serge Guiraud, 2017.</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-7630c50bf4569e3d82460d25d03780f0" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="f3_2.png"/>
        </fig>
        <p id="paragraph-a6aeefdbbf14f07e2db1600ee7e54d2a">Nesse dia, ele estava comentando que a presença de <italic id="italic-95e7e85945c735d467a2845f4b370daa">maja</italic> ‘cobra’ venenosa não era normal. A família da casa estava passando perigo de ser picada pela cobra. A cobra já foi pisada pelas pessoas. Xiwỹga, como ele chama sua esposa Iparewã, quase foi picada e eles mataram três cobras venenosas na casa do fundo que usam para cozinhar. </p>
        <p id="paragraph-47ab9839e10ce142d8553b7cb826c326">É por isso que o Korako recomendava a realização de <italic id="italic-049ba5397f74a16e44556b6ccda3eaa0">Xepaanogãwa</italic> para acalmar os <italic id="italic-6f37ce3958e5825b9e24c31ff36dfbba">Axỹga</italic> ‘espíritos da festa’ e <italic id="italic-ad90037f500f602cb0c98437a04bda46">Xane’ỹga </italic>‘os espíritos dos nossos antepassados. Ele tinha muita preocupação porque ele foi uma pessoa que saiu várias vezes com <italic id="italic-832e47000b8b1007059cf116f1227bb1">tawã </italic>‘ritual de cara grande’ e, ao mesmo tempo, foi dono de <italic id="italic-bcdbc17f2cf9666d684c1a003bb4513a">tawã</italic>. Ele não pode ficar muito tempo sem comer <italic id="italic-ea22c116604e930899d1a21388bbfa45">Xepaanogãwa</italic> porque é muito perigoso. </p>
      </sec>
      <sec id="heading-06584a92d116dd6bb78a9ce6acfdbf74">
        <title>2.3. <italic id="italic-cdbff9cd0f9547a71dc7ae5fbd8523d5">Xaneramõja</italic></title>
        <p id="paragraph-26a6619c99c8d4ce5140d6610357c9c6">Logo que a <italic id="italic-7974edf8ea8f2c166b7c341b99181b05">Takãra </italic>fica pronta, é realizado o ritual denominado <italic id="italic-a6179803a1f0378838a6572717e9987f">Xaneramõja</italic>: ‘nosso avô’. São espíritos ancestrais dos Apyãwa e há uma narrativa mítica que relata que um irmão assassinou seu sobrinho para defender a <italic id="italic-b63000af00c8e8e4907cb6ea1a5ce1ca">Takãra</italic> porque, antigamente, os meninos não entravam na <italic id="italic-f98ee04c30d3dc8c551a8bfeaba1adc0">Takãra.</italic> O irmão mais velho assassinou seu sobrinho quando seu irmão mais novo estava saindo com <italic id="italic-39517c324d4cf18f21208c254a36406c">Axyga </italic>num ritual. Depois, o irmão mais novo assassinou também o sobrinho do irmão mais velho, vingando, assim, o seu filho. Estes fatos aconteceram depois da chegada do ritual <italic id="italic-864e2600db6bda6758e2ed82878d7509">Awara’i. </italic>Dessa forma, <italic id="italic-f81e97ec0828f416b0f14bac55a7566c">Topaxo</italic> e <italic id="italic-a4b19ff76a1045c7f7cad57f7bf39d04">Xyreni, </italic>os dois irmãos, representam as duas metades da sociedade <italic id="italic-74bf108f53004cd56edb89a11ddec166">Wyrã </italic>dentro da <italic id="italic-ad9c011e63042a186c73b6b2d0da7014">Takãra</italic>. </p>
        <p id="paragraph-1dd0231b38ca29e9fb537ea27a8ec64f">O ritual <italic id="italic-28f70422052941e2d0057e193837cf4b">Xaneramoja </italic>acontece no interior da Takãra. Um senhor idoso assume a identidade do <italic id="italic-e3c0209e24fa9be04c1763bad9ba0356">Axyga Xaneramoja</italic>. Ele se senta junto a uma coluna da Takãra e, acima dele, é colocada uma máscara do espírito. Através dos anúncios simbólicos, ele faz oferendas dos animais de caça para serem abatidos pelos <italic id="italic-b2c53f16b032446ece40ae0fd1c6680c">Wyrã, </italic>para, depois, serem comidos dentro da <italic id="italic-949fba2fcb049033ece7f086c0c11af8">Takãra</italic> no evento que se chama <italic id="italic-9f1a57af75216f172290ae10db6c75a8">takãra mamieawa</italic> ‘perfumação da <italic id="italic-1db844563be77248b945ac3b80d0e9a8">Takãra’</italic> com a fumaça das caças sendo assadas. O espírito <italic id="italic-e191ebb4e93bb822778832d49a769886">Xyreni</italic> oferece porco queixada, cateto, jabuti, mutum. Todas as caças abatidas têm que ser consumidas na <italic id="italic-47db6c96d4222a578c54ab0e2a4e11f2">takãra</italic> durante um ou dois dias porque o <italic id="italic-aff8bf8e48e5ccb66b2b93825aee6c91">Xyreni</italic> ofereceu. </p>
        <p id="paragraph-8f0272309d31720eec912addc845d9fc">Através deste ato, <italic id="italic-a469fae527c98b0e123a40f95deb7762">Xyreni </italic>conversa com os donos das caças para serem oferecidas aos <italic id="italic-1dd4284c6e43c247794769b7b454d200">Wyrã</italic> durante o ritual de <italic id="italic-e752426ea38630a2d4d860a3628e2423">Takãra mamieãwa<bold id="bold-28b9e8e9deab54d899c071000ba873a0"><ext-link id="external-link-10fe15ccfb862f864413cf06560434b4" xlink:href="#_ftn1">[1]</ext-link></bold></italic> Com este ato, os espíritos também se alimentam e ficam satisfeitos com todo mundo. É uma ação importante, na qual acontece a interação dos espíritos vivos com os espíritos dos ancestrais e dos rituais para que possa ocorrer tudo bem com todo mundo. Geralmente, o mais idoso de <italic id="italic-ac2d13aadf2fa971e10d0f77e1fa1e61">Wyraxigoo</italic> ou <italic id="italic-121c730b2136ed335c9f6161e6d1fdc2">Tarawe</italic> representa <italic id="italic-c3c398518b4b1863a4c6c0e0d235f079">Xyreni</italic> e os caçadores, em fila, com suas armas nas mãos, se apresentam para conversar com ele pedindo caça. O espírito <italic id="italic-4f3cc7d8de5f84c41be2645bbec5ba4d">Xaneramõja</italic> tem o poder de atrair animais para serem caçados pelos homens.</p>
        <fig id="figure-panel-c356210b2b9c12f98c632141c6b227f0">
          <label>Figure 5</label>
          <caption>
            <title><bold id="bold-69fcd9d7b1a7bed414ffd0edfdba5bac">Figura 4.</bold> <italic id="italic-3345c7731beb83fa649acde2037ca490">Takãra mamieãwa</italic> ‘perfumando a <italic id="italic-e9f2dcc0265a54cf5bfffa964c79d269">Takãra</italic>’</title>
            <p id="paragraph-1b4005231ea74235c9a13925f96f6324"><bold id="bold-4cc672d56fedddbe35ce30197208507c">Fonte:</bold> Nivaldo Korira’i Tapirapé, 2022.</p>
          </caption>
          <graphic id="graphic-b65a60cba03a9b6b1680325bf601ee04" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="f4.png"/>
        </fig>
        <p id="paragraph-e8733d0d4bfd228271fbb9a38261cf3c">No dia seguinte ao ritual de <italic id="italic-7c2cfd9ba124529d7cf928f932596970">Xaneramõja</italic>, os <italic id="italic-0a45cdd2d780a5afd51121bde247ff2a">Wyrã </italic>começam a caçar para ajuntar mais caças para o ritual de <italic id="italic-0705f08ff530fc2e36d46b1ec22074c5">Iraxao</italic>, no qual sai uma dupla de <italic id="italic-17ca8f766461926c8c5705fb949a5eac">Axyga</italic>. Somente as mulheres é que dançam para este <italic id="italic-0c158b8a362fc0a6c0db4a8486068454">Axyga</italic>. Outro momento importante é a convocação de <italic id="italic-f5ba238a6594faceec500f795d981676">Xepaanogãwa</italic>, depois da saída de <italic id="italic-8565ff6543134fa580013c9ccb6f55ed">Iraxao.</italic> À noite, de madrugada, <italic id="italic-4f17ce48e3ad898c9e932788263a5aec">Xaneramoja</italic> passa dando uma volta inteira na aldeia para convocar a preparação de comidas para serem consumidas na <italic id="italic-d248ce228fc646b96075620d0a3cd261">Takãra. </italic>Ele e seus filhos cantam e jogam nas casas <italic id="italic-6ce3783fa3e57718af5952040682c077">tapi</italic>, uma rodinha trançada com palha de buriti, que formaliza o convite.<italic id="italic-688d2dd7314ca25fc1c853a1769ed910"> </italic>Durante o dia, o líder de<italic id="italic-0eb176061aaee24d6cdd3d10acde4bba"> Xaneramõja </italic>confecciona a máscara que fica pendurada na forquilha do centro da <italic id="italic-ac037c050e784659662b90d604197cd0">Takãra </italic>e, nesse local, participa de todas as refeições.</p>
        <p id="paragraph-77d5cd7546fb3ef2c750ae4c12500e49">Ao final, os grupos de <italic id="italic-c47127f06be35e5d4b2516cac1c36220">Wyrã</italic> agradecem ao <italic id="italic-670eead4a4b9e67d597fbc076a9cfcb2">Xyreni </italic>que ofereceu abundância de alimentos para serem consumidos na <italic id="italic-83d1b1972aa90a812dcb232fa6aa82d8">takãra. </italic>Todos os<italic id="italic-18ef93f4d15916687c547d8f20bf70c7"> Wyrã </italic>se levantam juntos e fazem um grito<italic id="italic-47114a3436e768fb6286660f1fa94265"> Hyyy! </italic>e falam:<italic id="italic-053e929e32fa9a10bea67e6692b42dfb"> _Ma’e aiwa pa’õ pa’õ ropi</italic> <italic id="italic-aaa2c6619babdc0f67fa7b430f05da0b">tã ka ne </italic>‘Eu, com certeza, vou passar longe das doenças’. _<italic id="italic-191dc37a9cb8fb03576022fdb66dda9d">T</italic><italic id="italic-59aeab733932c232bd4f4a08b80d2449">axe’apapywine</italic> ‘Eu quero ficar bem’ _<italic id="italic-34bfaf19e2b116f8383a5b334ddca1f6">Emamarao xewi xemama’eay</italic>. ‘Tire de mim as doenças’. </p>
        <p id="paragraph-b826e5062ee5c2bf9f424721af3abc65">Através desta oferenda de fartura de comidas, trazemos alegrias para os espíritos de vários rituais que moram na <italic id="italic-a56196f0de78587052ef728d5ced94e8">Takãra. </italic>É um momento especial em que entramos em contato com o mundo espiritual celebrado nos momentos festivos.</p>
        <p id="paragraph-de7c0c911e6052a130b1d84ea1977d5b">A maior parte da linguagem milenar dos rituais não é escrita, mas, é recebida como uma mensagem que todos os membros entendem nas práticas dos rituais. Essa comunicação é compreendida há milênios pelas diferentes gerações como a forma de sobrevivência de rituais que acontecem na <italic id="italic-0927cc9955009bec5bd015e9fb045d81">Takãra. </italic>Considera-se uma linguagem essencial para enriquecimento e para a sobrevivência das expressões linguísticas que só são praticadas nos momentos dos rituais. Ao celebrar estas práticas, estamos vivenciando e vitalizando saberes que trazem só benefícios para a nossa cultura. </p>
        <p id="paragraph-0ddbc3c34ab42b56147813ae3745d591">Para os Apyãwa, a <italic id="italic-11b0f4a8d3ce86b07667443d86249044">Takãra</italic> é símbolo de fartura de alimentos que são oferecidos para os grupos que chamamos <italic id="italic-97a7ec8c1aa2be16256bbf9e0c40006e">Wyrã</italic>. Através dela é que chegam as caças mais próximas das aldeias e quem oferece as caças são os espíritos dos rituais que moram nessa casa durante o período da sua atividade ritualística. Estamos falando sobre diálogos espirituais dos nossos antepassados com os espíritos que configuram uma ritualística própria.</p>
        <p id="paragraph-db235a703435f6bb1660cd2d930ddb4e">Os mais idosos também dizem que o espírito atua como <italic id="italic-5c2568361a784dc6b01687b211d9d142">py’aatyãwa</italic>, ou seja, oferece alegria e alimento em abundância que sacia os <italic id="italic-cba1391f294954b63d3406332115c044">Wyrã</italic>. <italic id="italic-30">Tawã</italic> é tão poderoso que, com sua força espiritual, consegue caças para serem abatidas, porque não se alimenta de outra caça, somente de porco queixada. É por isso que todos os homens são obrigados a caçar para ele.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-81077aa589dd83c73bc150d3da2b8539">
        <title>2.4. <italic id="italic-4747d23faea6b2402d11b08f027147d9">Tataopãwa </italic></title>
        <p id="paragraph-9e7f670e7ead390b226c169b33cf47f4">Este ritual também é muito importante para o povo Apyãwa, porque a convocação para ele tem o objetivo de amenizar os sofrimentos de<italic id="italic-5530254854e02d76749a7ac9bbb8a8ca"> xane’yga</italic> ‘nossos espíritos’. “As diferenças em relação aos <italic id="italic-b1ea5783f9996e082067d2ae4a05d9b6">Xepaanogãwa</italic> consistem no fato de que mulheres e crianças participam das duas refeições, que agora são feitas pelos ‘grupos de comer<italic id="italic-fb2eb98540da3a8e8b7d02b796482ff1">”</italic> (PAULA, 2014, p. 198). Podemos compreender que a linguagem expressada é uma convocação dos grupos de comer direcionada aos <italic id="italic-119652dcca83996335fd79910c003208">Xane’yga </italic>ou seja, oferenda feita especificamente para os espíritos dos nossos mortos, que viveram antes de nós. É uma linguagem que nos leva a fazer conexões espirituais dos vivos com os mortos. </p>
        <p id="paragraph-aadcd9b6074a7e68b0caa0191601097e">Os sábios Apyãwa sempre recomendam que todas as famílias e os casais são obrigados a participar de <italic id="italic-bfe0ac31feb34eec58ac3cd33edd080f">Tataopãwa</italic>. Esse é o momento ímpar para fazermos, espiritualmente, contatos diretos com nossas raízes ancestrais. É importante dizer que <italic id="italic-98ab1fc9659b231ec66ec589e0d7c974">Xane’yga</italic> continuam presentes nos meios dos familiares somente com a realização desses rituais. Nesse sentido, o ritual permite que a família continue mantendo contato espiritual com suas raízes e com seus ancestrais. Entende-se que assim os Apyãwa valorizam seus familiares do presente e do passado. É por isso que as famílias nunca se esquecem dos seus entes queridos: pai, avós, filhos e filhas que se foram para as aldeias dos mortos. Com a celebração deste ritual, os espíritos retornam para o espaço dos vivos.</p>
        <p id="paragraph-852e0022ddac801ba61deec7f3ef81fc">Segundo a narrativa de origem contada pelos Apyãwa, a origem de nosso povo é resultado de união de vários grupos que se originaram do fundo da terra, da água e da floresta. Conforme o que os mais idosos vêm passando de geração em geração, o primeiro a sair do subsolo foi o grupo de <italic id="italic-1531ec7ed58f32054d1fe9f49d9fefad">Apirape</italic>, em seguida outros grupos foram surgindo conforme o tempo, por exemplo, <italic id="italic-13adbfaefb22a8bbfdb1a46b9901514d">Mani’ytywe</italic>, ‘grupo de mandioca’ que estava debaixo das raízes de <italic id="italic-dc56ce1bf3aa1fe33854db133085a728">Mani’ywa </italic>‘mandioca’. Assim como <italic id="italic-0c049c1e701587d71b7553c4f0f5563e">Kawaro’i</italic>, que habitava o oco da árvore chamada <italic id="italic-4fb6dc4f82b82047fd7920552db64a1d">ywytãtyo</italic>. Eles comiam o fruto <italic id="italic-2f47244925f5e13e5f29353bc6bc113f">emoywã </italic>e estavam varrendo embaixo da fruteira, deixando limpinho. <italic id="italic-6eeee62fd20f5a48ec048edcf5be8814">Kawaro</italic> estava habitando dentro do oco de um pau. O grupo de <italic id="italic-059755c3866a31296ceedb4e8ca4f058">Tawaopetywa</italic> habitava embaixo da <italic id="italic-09df265662460ec6a8ad6977fb545f48">tawaawa</italic>. <italic id="italic-2278e81241cbf277ecc26b5de69ddc8f">Tawaãwa</italic> é uma espécie de folha rasteira igual à de banana brava que fica bem fechada. Havia também o grupo do <italic id="italic-fafec4dea8c769ee4d82ec85c55bc1e0">Paranỹ</italic>, que surgiu do rio chamado <italic id="italic-69932c3ec1c8b67472c71007de64f516">Paranỹ</italic>. O grupo de <italic id="italic-0141787ed1ed7a880d030de2fa9b8424">Xakarepera</italic> também habitava na nascente do rio onde morava <italic id="italic-55ec53b44fcfa91fb0ac9b78ab2cc685">Xakare</italic>, ‘Jacaré’. <italic id="italic-f9bdd599f4c23d37898b2e4276142773">Awajky </italic>morava no fundo da terra, <italic id="italic-de4ad5d7f6aac527d70c88c458c23dd7">Ywyroare,</italic> também. Essa história foi contada pelos mais idosos como Xako’iapari e Taywi e estão registradas no Projeto Político Pedagógico da Escola Indígena Estadual Tapi’itãwa (2009, p. 08-10). </p>
        <p id="paragraph-3acbfc94fa0ac953b6a0f843b2dc501b">A maioria destes grupos citados ainda é celebrada no ritual de <italic id="italic-3bf27307ac565d3cb24b07d320010dc0">Tataopãwa</italic>, “grupo de comer”, como dizia Baldus (1970). Cada grupo que surgiu recebeu um nome para si. Esses são todos os grupos mantidos nos rituais de <italic id="italic-6a395bb69746577ed3c616dccbf16430">Tataopãwa</italic> até hoje.</p>
        <p id="paragraph-ff2e0053c60566c266a36b0dd2ba6f3d">As mulheres levam comidas para <italic id="italic-652ba5bf8791c6b1ecad74bd3898a0be">Takawytera </italic>‘pátio da <italic id="italic-8ad34ffb058c55fb933b5fc392b38829">Takãra</italic>’, para servir aos grupos de comer. Todos participam do ritual de comer, adultos e crianças também participam da refeição. Existe <italic id="italic-6cb5e697a49bd871c0c37807e037192c">Tataopãwa ma’exiro’oãwa </italic>‘comida diversificada’<italic id="italic-e0e88c4f6f7c340ea63a48f22b4fd3f3"> </italic>no qual<italic id="italic-266b96605fd78e5fde8213a0965ec303"> </italic>cada grupo oferece comidas diversificadas como, por exemplo: alimento produzido na roça, caça e pesca. Os homens pescam o dia inteiro para conseguir alimentos para <italic id="italic-bd9c8ad82025fc085c30466485abcc99">Tataopãwa</italic>. Assim, as mulheres preparam peixe assado com farinha, peixe cozido, <italic id="italic-31">matãwa</italic> ‘pirão de peixe’ e até peixe frito. No dia seguinte, acontece <italic id="italic-32">Tataopãwa</italic> de <italic id="italic-33">Kawi</italic> ‘cauim com mel’, quando os homens vão caçar mel para adoçar <italic id="italic-34">kawi.</italic> Cada grupo de <italic id="italic-35">Tataopãwa</italic> caça mel para seu grupo. Em casa, todas as mulheres fazem <italic id="italic-36">kawi</italic> enquanto os homens procuram mel na mata. Quando chega a hora de comer <italic id="italic-37">Tataopãwa</italic>, ao entardecer, as mulheres levam <italic id="italic-38">kawi</italic> no seu grupo para adoçar com mel e todo mundo come <italic id="italic-39">kawi. </italic></p>
        <p id="paragraph-95520341734fe06d5f54ebc2fa64e491">O canto convocatório para o <italic id="italic-40">Tataopãwa </italic>é:</p>
        <p id="paragraph-d2ddcc7856a1954ecd6575a02ea631fc">
          <italic id="italic-4d8fdab7323334bfd59def68387834d4">Xere'yga we taka ma'e pe'awyky!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-ff93978519d1c0af0841d864614b9666">
          <italic id="italic-6429e4cf78956dbceb59784658b885fa">Karaxatywetyyyyyyý!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-b952ab6fc2034830c683dd97be5f786c">
          <italic id="italic-04591592b47f0be3a2c763bee4aea5be">Apirapeeeeeeeeee!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-94f89686d132ed5d28c38fe76f42a31a">
          <italic id="italic-c18b2710d0a2cccdc01cbf5404ec5606">Kawaroooooooo!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-fca1d381011f9399e6846265cea5ff20">
          <italic id="italic-2f17b98eaef0afdc5147f24f57240807">Kawaro'iiiiiiiiiiii!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-d3446ec6bb58a465b3999b934a4f6bff">
          <italic id="italic-ccb3be9f4b7b08edb9be7378d9fed8ea">Paranyjwatyyyyyyy!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-f611fe4432e2b6f65411d1552e623eef">
          <italic id="italic-57bb70e0424cb5236f5247aa710811e2">Xakarepetyyyyyyy!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-635d76e76438f1d948078bf52672730a">
          <italic id="italic-be1aef53a742c24689d3719e5d252130">Awaopetyyyyyyyy!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-2a8413c29d44413a703d2019e7533ecc">
          <italic id="italic-c436390f5d981f7a840df8d26abe51d7">Xere'yga we takaaaaaa!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-bc141cc206faa11dd5eeb501530e34f2">
          <italic id="italic-c56039ee5ad4cd35b38dd97df57734ee">Xere'yga we takaaaaaa!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-8cdf34fef665f3ce0ca59741b8ffa140">
          <italic id="italic-2982c7440d68d27a9b6cbfbff2613e8b">Kooooooooooooo!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-ad5a9b5fdf3137bf5b387d8f51f0ac89">O líder cerimonial convoca todos os “grupos de comer” que existem ou aqueles que não existem mais como grupo. Na atualidade, quem convoca os grupos de <italic id="italic-7b99a87ee8fb00f6c6472951b94891b0">Tataopãwa</italic> é Xario Domingos Tapirapé, que pertence ao grupo de <italic id="italic-119d7451c22b06ff77ec9bb2829f6a3e">Apirape,</italic> o grupo mais numeroso no momento.</p>
        <p id="paragraph-835e58b9026f88266b98dd61a3afdb56">Quando o líder diz <italic id="italic-14dd4993fb4b3da9464494f3d5ca6e40">Xere'yga we taka ma'e pe'awyky!, </italic>ele está convidando para que os grupos de comer ofereçam abundâncias de comida para alimentar os espiritos, principalmente <italic id="italic-eda4a296b6d333283d7a5f242074e1b8">xere’yga</italic> ‘espírito do nosso antepassado’. Assim ele convoca todos os grupos de comer: Karaxatywera, Apirape, Kawaro, Kawaro’i, Parany, Xakarepera, Tawaopetywa. Tataopãwa geralmente acontece no início da chuva, de setembro a outubro. Esse período também marca o início do novo cíclo festivo do povo Apyãwa.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-7c697bfd2b4f5663a2dce73296c1858c">
        <title>2,5. Ritual de nominação</title>
        <p id="paragraph-a3c377e5c26a6de4806b763f496d4f55">Todo ritual de nominação é anunciado pelos líderes cerimoniais no pátio da <italic id="italic-7f4c2c58998a9ec2bf6d950e7f57f2d8">Takãra </italic>para ambos os sexos. Quando os meninos passam para a segunda fase de iniciação, no segundo dia todos eles são nominados no centro da aldeia e todos participam do ritual de nominação que acontece na <italic id="italic-4750f29ca5be284b58f4a55bbee431d7">Takawytera</italic> ‘pátio da <italic id="italic-3b3e2487c7cf0385d077d72e89425c3a">Takãra</italic>’. As pessoas também podem ficar escutando o anúncio dos novos nomes nos terreiros das casas. Todos os meninos que passaram por ciclos de iniciação receberam novos nomes e, a partir daquele momento, deixam de ser chamados pelos nomes de criança.</p>
        <p id="paragraph-ce0268b3ef5554921b4456aac1a19c3d">Quem entoa o canto de nominação é uma pessoa idosa.</p>
        <p id="paragraph-828347ae8050d47ffdbc640124e62b90">
          <italic id="italic-26383cf7fd51516564166bf18191114b">Peapyakaa, peapyakaa! </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-bcc7375e9c0214fc5dc11d8d3a1a76c5">
          <italic id="italic-9fc6b4b3baca0a4583be7d03a7040987">A'eteweee! A'eteweee! </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-866ade78fd83e83902a79aa1ad85d574">
          <italic id="italic-c5f7fc3d41aebfb87ebffb8f893eaa58">Paroo'i wetymymino'i re nanogi! </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-05d8e46f17e0b2502f6292b13bc940a8">
          <italic id="italic-4f88484511f6fdfb363c9e1e3fbce229">Tawie amamat ixowi! </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-0a02949798efc37d2066d8e20ec88c2c">
          <italic id="italic-8b5e555cda730a0f9d03be42a47b986e">Paroo'i pexe ixope ranõ!" </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-7fa6f5680757c43e3abc54582676905b">
          <italic id="italic-40c1ef24c99b12c537a193d0c8b4f24e"/>
        </p>
        <p id="paragraph-269bf5ea592db2221d006f3cb5894f8d">
          <italic id="italic-233f5c3b171821b7999d580974bb83ba">Amo rano, amõ ranõ!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-c3962c028a59b2661d74d8ea330b8370">
          <italic id="italic-9d816ea45266c68b25d71f32336433fb">A'eteweeeeee!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-510c0d3bc6423b33a004fa8d0445ca55">
          <italic id="italic-29ada15e30ec2c3706fc6d2a39476bb9">Tawy teweeeeee!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-8cc32fa6c1fe13c1083214d85c36b905">
          <italic id="italic-5dff9856d813eacf4612f31c6f2b1ff9">Tawy anogi wexymymino'i re!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-bb0662115739568fbe390c6bc0806b8d">
          <italic id="italic-b4048dcef6e7084fae1064904d005d7c">Teriãra amamat ixowi!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-70d23b359ffe070cc9cee828d86da08c">
          <italic id="italic-4b7f43c3834a7f7f04312eee21c606f8">Tawy pexe ixope ranõ!</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-541fc0b7e10a08895ec42b4e96383581">O público presente na <italic id="italic-8a4ef32a5b4321d53652a07c1fbfc273">Takawytera</italic> aplaude os novos nomes anunciados.</p>
        <p id="paragraph-7ba7603185cc3eb604184e5b4184e450">Quando a menina sai da reclusão, no segundo dia, depois da menstruação, recebe também um novo nome anunciado na <italic id="italic-9bb6dc9823028fb90cb60479f0c64de2">Takawytera.</italic> Assim como acontece com os meninos, também acontece com a nova moça <italic id="italic-3c8f69d58ab4d8ddb668b12b1bf1fa2e">Koxamoko.</italic> A partir daquele momento, não pode ser chamada com o nome de criança por toda a comunidade, com exceção do namorado ou esposo quando ela se casar. O esposo da moça é a única pessoa que a chama com nome de criança, e outros membros da comunidade não podem usar o nome de criança por respeito a ela, principalmente, os familiares próximos.</p>
        <p id="paragraph-9babf917b4d178a60189fda1e99ceffe">Todas as trocas de nomes só são feitas na <italic id="italic-2d3c77b0f1d61616f54576e954652643">Takawytera </italic>para ambos os sexos, durante toda vida. Este é um ato de grande importância para o povo Apyãwa. Só os mais "velhos", os avós, é que podem ser os cantores-anunciadores dos novos nomes no do ritual de nominação dos rapazes e moças.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-fab1a759dc91699f81603850a356b260">
        <title>2.6. <italic id="italic-fd1bc69c9f9e6b7401790ceeec6fcfc6">Takãra rawajxakãwa</italic><bold id="bold-9b3a2f7efe924b36104af6c8833d3def"> <italic id="italic-05b49930f757ae2a2f10655335a0c524"/><bold id="bold-6ee63338e34e025d27df99f9e75a0d19"/></bold></title>
        <p id="paragraph-ce073f20898a64d21322061546b0d89f">Esse é outro ritual convocatório muito significativo para os Apyãwa, que é dirigido aos <italic id="italic-a6f0548c0c5b2440fefad4f1f153e89e">Wyrã,</italic> especialmente às mulheres donas de rituais. Quem executa esta oratória é o próprio <italic id="italic-2cedd79dd1b8ea3120ce4c2f7492c2c7">Ata’ywa, </italic>líder maior da aldeia, em outras palavras o “cacique”. Nesse dia especial, o líder convoca todos para participarem da refeição oferecida pelos donos de rituais. É o momento privilegiado do líder demonstrar suas qualidades de orador no meio da multidão de <italic id="italic-aff3995c8be938ef40c26553b5c80231">Wyrã,</italic> depois da finalização do ritual <italic id="italic-4d3e1a635568e575986e640ae42b9868">Xiwewexiwe</italic> e dos <italic id="italic-67e4a83aa10c0b07836264089a3dfa41">Axỹga Awawarema</italic> e <italic id="italic-78bf9855a14bf586dfaebd321e79e8c7">Anyrã.</italic> </p>
        <p id="paragraph-27bc36219ddc459086bdf843b995b09a">Segundo Xakareo’i, os <italic id="italic-3d4748794882180e32cacaf8ae6bb279">Axỹga Awawarema</italic> e <italic id="italic-66a6c85579e8a6abf81c21b85304f250">Anyrã</italic> pertencem à metade de <italic id="italic-4cc8cdcdb9198312bfefab577c881249">Araxã</italic>, por isso sempre saem na porta de <italic id="italic-0e3d97fdb7abccdb38712f89f0a6c096">Araxã</italic>. Os <italic id="italic-f3517ab3adf4de98a31b49b304df867e">Xiwewexiwe</italic> organizam-se em fila formando duplas de cantores e encabeçadas por dois <italic id="italic-fc4d2dd9e97813759fd46e0ede0df247">Kapitãwa ‘líderes’ Awawarema</italic> e <italic id="italic-39d3ad2f5d99d3d0e5e141f913e1c5ad">Anyrã.</italic></p>
        <p id="paragraph-71bbcf3a5db05c96c5830d0764c719ce">
          <italic id="italic-53bfe861cc9999b3d12a7a6e1b119c82">Ma'e awyky axykywynawe; </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-95ef48aee0dd936b2cd1cc8ae5018a83">
          <italic id="italic-dead1d9fde589db20c3841f39d7319c6">Tarawe ratyyyyyyyyyy; </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-cdc537f5f056a3ed25436f100612454f">
          <italic id="italic-48feea7961db426ab921da0646a73ed4">Wyraxigio ratyyyyyyyyyy; </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-d2643050a7e494bf9e42ac096cf15127">
          <italic id="italic-7adc6c07902f7855bf4f3e3ee404caa6">Araxã ratyyyyyyyyyy; </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-70117559ed3b5b8a8e4f995d9b742366">
          <italic id="italic-0eb815b36e0374373069d3ae33547873">Wyraxiga ratyyyyyyyyyy; </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-8cea4749eb4f8740b626820d15ba9ce4">
          <italic id="italic-124cefae75d158a3a21de14a477fe75e">Warakorã ratyyyyyyyyyy; </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-d5395f727034dfaa657c30963bb2f884">
          <italic id="italic-4067dc5dc4bfca49995a9292ab527dd5">Wyraxigoo ratyyyyyyyyyy; Awykynaheeeee; </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-89a5166b49da8e4445bbb04f2793473e">
          <italic id="italic-611e621f50531b68db3ac44f86a8db2e">Awykynaheeeee; </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-cc357af1b6bc1e18ea79463dc9c7f9ae">
          <italic id="italic-35d79977f7e38edfd243c7fc10ef4134">Axyga keawere'yma re ma'e awyky irota axygiaratyyyyy; </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-a35cb3c18108f6619d97e8e7ffa317de">
          <italic id="italic-37a2aae056081a475f3de4b417b1f85d">Axyga keawere'yma re ma'e pe'awyky irotaaaaa; </italic>
        </p>
        <p id="paragraph-75bc6efc5e724fa4c7bc064dc32b726b">
          <italic id="italic-665d78953745a062849d61ca22a1e54d">Koooooooooo.</italic>
        </p>
        <p id="paragraph-234110ade21b1a750355001ec1b3e220">O cacique grita no meio de <italic id="italic-e0c1c230c5e2998d035c8179a9566481">Wyrã:</italic> <italic id="italic-60776fe7fa420ddfe85fbb19dc757924">Ma’e awyky axykywynawe; </italic>‘tragam muita comida para’ <italic id="italic-2dfc27164146b22cce37a06b090da23b">tarawe, wyraxigio</italic>...todos os grupos que se constituem dentro da <italic id="italic-37495640fd424d60afe3d07cded8a9b2">Takãra</italic>. Cita todos os grupos na sequência, conforme a faixa etária, dos mais adultos para os mais novos. No final do seu discurso convida: <italic id="italic-ecad00bf825152d817b2824d300a7d87">Axyga keawere'yma re ma'e awyky irota axygiaratyyyyy; </italic>‘tragam abundância de alimento, pagamento da noite que <italic id="italic-eff5c03e8746b79a35b006adc7288a33">axyga</italic> não dormiu’. Ele se refere aos <italic id="italic-1742dade5e7f8175b54652fdf00384dc">Xiwewexiwe </italic>que cantaram a noite toda em companhia de cantos de <italic id="italic-f84ab30632b22d48a3a2555c42b2f1f0">ka’o</italic>. Os homens e as mulheres pernoitam no pátio da <italic id="italic-34248bf4bba305271727cb5d4c336076">Takãra </italic>até o começo do dia. Com esse discurso especial, o líder também oficializa o término dos rituais do ano. Os atos simbólicos ritualizados podem apenas ser presenciados nas festividades Apyãwa que acontecem a partir da <italic id="italic-c10965d1f394b926ccdc574de636063f">Takãra, </italic>caso contrário, isto é, se não houver a casa cerimonial, não podem ser realizados.</p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-504dad5356662046b5e98b047eadbb14">
      <title>3. Considerações Finais</title>
      <p id="paragraph-60cf988b1ca6b9198d312dc5e0ccfc38">Neste trabalho demonstramos que para manter viva a linguagem dos rituais, para os Apyãwa, é necessário ter sempre na aldeia a <italic id="italic-cdd9f83dd6ce2c4f46842d95f950c122">Takãra. </italic>Este espaço é essencial para produzir conhecimentos e saberes milenares a partir do espaço tradicional que é indispensável e insubstituível para povo Apyãwa, uma vez que, dependemos dela para a sobrevivência epistemológica do nosso povo (Korako, 2022). O que nos preocupa de imediato em nosso cotidiano é a forte interferência da cultura <italic id="italic-c777541ecc1c95beed247a40ea1dee50">Maira</italic> ‘não indígena’, que é fator desestruturador da sabedoria sócio-cultural da <italic id="italic-057595e3e563187083cdb35adccbeb42">Takãra</italic>, em outras palavras, que substitui os conhecimentos milenares que vem sendo transmitido de geração em geração até os dias atuais. </p>
      <p id="paragraph-e0be272cb8ee93d6dac3d156fc1d68f8">Neste trabalho, elencamos alguns rituais importantes que vitalizam a prática de conexão com espírito mal que apenas acontece na <italic id="italic-bb3f3120a84a77e4e47295200763f3b7">Takãra. </italic>Podemos dizer que, para os Apyãwa, segundo os sábios, não existe outro espaço adequado para celebrar <italic id="italic-2bf5d841b28151bfadcf5ee5c60c63ef">Tataopãwa</italic> e <italic id="italic-1354e85435f740761de0a08aa476e2b6">Xepaanogãwa </italic>que servem para apaziguar os espíritos. Sem a construção da <italic id="italic-5a40b7bc9a5ea80a8d6d93572e4cce4c">Takãra</italic>, não acontecerão esses momentos especiais que não podem ser realizados na casa comum. Como também sem <italic id="italic-282d48db8fa128f573574d3d3e2f9ad1">Takãra</italic> não pode acontecer ritual de nominação, ou seja, trocas de nome da criança para nome de <italic id="italic-8c8a0b6b4bf33abc6a8091bc1585395c">Awa’yao’i</italic> ‘rapazinho’, porque acontece no ritual da nova construção da <italic id="italic-183fd32eee1c65c7362945d828c15d03">Takãra</italic> e no ritual de <italic id="italic-a7ef78a5b8225107e0e30b77793417f4">Xiwewexiwe </italic>que acontece no final da festa Apyãwa.</p>
      <p id="paragraph-879adb0ddb58d725ef88c93d4de03ee0">Sendo assim, considero de grande importância a contribuição dos sábios na concretização da pesquisa, uma vez que, essa informação viva e rica foi de suma importante para a pesquisa. Tokyna (2020), Xakareo’i (2021), Korako (2021), os quais são anciões e anciãs do povo Apyãwa que contribuíram diretamente com este trabalho. </p>
      <p id="paragraph-ea6728f24af2ed06e0a4791ac3bcd235">Por fim, consideramos que este tema pode ser pesquisado e aprofundado por outros pesquisadores Apyãwa, uma vez que o assunto é de grande relevância. Este assunto merece ser mais aprofundado porque sentimos que precisamos dá mais atenção a ele. Reafirmamos que não existe “outro” melhor que eu e melhor que nós pesquisadores Apyãwa, para pesquisar com profundidade os nossos saberes e vivências. Dessa forma, concluímos a minha participação em conjunto com meu povo Apyãwa na realização desse trabalho, a <italic id="italic-bad88a022b18f442a52a2afd340bf6d4">Takãra como c</italic>entro de difusão da linguagem ritualizada.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-b20215e7a7fdc36844d18267e348e041">
      <title>Informações Complementares</title>
      <p id="paragraph-ec5be9b16220d12f5c92f870d6202f49">
        <bold id="bold-39303ef51c8ccf02ce72905ea7fdd9ac">Conflito de Interesse</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-69369de35fc8f051531f91f664c8a9c0"> O autor não tem conflitos de interesse a declarar.</p>
      <p id="paragraph-21021c4ba6727b0f7afe699307ca92aa">
        <bold id="bold-2">Declaração de Disponibilidade de Dados</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-81ef9b14d2ffdae79c8c86cf6c4d30b0"> O compartilhamento de dados não é aplicável a este artigo, pois nenhum dado novo foi criado ou analisado neste estudo.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-ef908ce5688792bd1fef9a8d4102ffa8">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-816c8d392f8a35353503f6e70afc81a7">BALDUS, Herbert. <italic id="italic-54b9fa815dfbde5628a53033d2f13797">Tapirapé </italic>– Tribo Tupi no Brasil Central. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1970.</p>
      <p id="paragraph-c450265b31fd6a34301fcbc17fbe45d4">ESCOLA INDÍGENA ESTADUAL TAPI’ITÃWA<bold id="bold-9f041e922ea9b10550f456a32d6b7acb">. Projeto Político Pedagógico</bold>, 2009.</p>
      <p id="paragraph-a9ed4c9c7b7efaa8ffcfa30c4aaad92a">PAULA, Eunice Dias de. <bold id="bold-3">A Língua dos Apyãwa (Tapirapé) na perspectiva da Etnossintaxe. </bold>Campinas-SP: Editora Curt Nimuendajú, 2014.</p>
      <p id="paragraph-a29a4bf57d7b6b7583dcb86fec2a0bfc">RODRIGUES, Aryon Dall’Igna. <bold id="bold-4">Línguas Brasileiras. Para o conhecimento das línguas indígenas.</bold> São Paulo: Loyola, 1986.</p>
      <p id="paragraph-8">TAPIRAPÉ, Nivaldo Korira’i (Org.). <bold id="bold-6">Festas e rituais Tapirapé</bold><italic id="italic-a20c522c5208db19ec9f6af7a394813e">. </italic>Faculdade Indígena Intercultural, UNEMAT, Barra do Bugres, MT, 2009.</p>
      <p id="paragraph-10">TAPIRAPÉ, N.K. <bold id="bold-7">Os Rituais Apyãwa Mantêm e Preservam a Língua e Suas Histórias</bold>. I Seminário Internacional de Viva Língua Viva, Rio de Janeiro, 2019.</p>
      <p id="paragraph-12">TAPIRAPÉ, N.K. <bold id="bold-8"><italic id="italic-3720a174caf5dbbf167b20e202b29cda">Takãra, </italic>a casa da sapiência <italic id="italic-1029ed64102feeab30434bd2a25efba2">Apyãwa</italic></bold>. Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Ensino em Contexto Indígena e Intercultural, PPGECII, da Universidade do Estado de Mato Grosso, Unemat, 2022. </p>
      <p id="paragraph-14">TAPIRAPÉ, G. I. <bold id="bold-9"><italic id="italic-b73acc0778ecd1239d36d56c9c998ddd">Takãra</italic>: centro epistemológico e sistema de comunicação cósmica para a vitalidade cultural do mundo Apyãwa</bold>. Dissertação de Mestrado. Goiânia: UFG/FL, 2020.</p>
      <p id="paragraph-16">TAPIRAPÉ, Kaorewygi/Korako: Sábio e especialista da cultura Apyãwa, morador de Tapi’itãwa, tem 84 anos de idade. (Novembro, 2021).</p>
      <p id="paragraph-18">TAPIRAPÉ, Xakareo’i. Sábio Apyãwa, morador da aldeia Tapi’itãwa, 84 anos de idade (Outubro, 2021).</p>
      <p id="paragraph-20">WAGLEY, Charles. <italic id="italic-c5b464897d210e46640687ab6626548f">Lágrimas de boas-vindas– </italic>os índios Tapirapé do Brasil Central. Belo Horizonte, Itatiaia/EDUSP, 1988.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-4af611fdc9d4b24b08c5e75d1c0a5c66">
      <title>Avaliação</title>
      <p id="paragraph-d1b922294c520ee67706e310b86632c7"><bold id="bold-16b6df8fe79d54d398b717750483b40f">DOI:</bold> https://doi.org/10.25189/2675-4916.2023.V4.N2.ID700.R</p>
      <sec id="heading-ee9fb74bd93a11eddd691becbadbd6c0">
        <title>Decisão Editorial</title>
        <p id="paragraph-02cb328222435827fc88d8d3ba77c0f9">EDITOR 1: Ana Vilacy Moreira Galucio</p>
        <p id="paragraph-c2c516460030cf3d02cad71c23a76023">ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0168-1904</p>
        <p id="paragraph-ccf3f9ef4bd721ebb8cce2a7921a21ac">FILIAÇÃO: Museu Paraense Emílio Goeldi, Pará, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-522919765ba7aef1b975793cbb35d6b0">-</p>
        <p id="paragraph-0a8d009cb509f6b3b5ac91b71b3f0939">EDITOR 2: Ângela Fabíola Alves Chagas </p>
        <p id="paragraph-bfe69799b34337b2fb4e3f196780f0d9">ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4925-1711</p>
        <p id="paragraph-8056c0577aa7a9a73021430bfb05963e">FILIAÇÃO: Universidade Federal do Pará, Pará, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-b703e08406315f74390c89d9a170292e">-</p>
        <p id="paragraph-e5f28fe6097fa68a4841c1c903efd0e6">CARTA DE DECISÃO: O trabalho consiste em um relato de experiência do autor a partir da pesquisa que desenvolveu sobre a importância da Takãra (casa cerimonial) como espaço central de difusão da linguagem ritualizada presente nas regras de organização de eventos culturais do povo Apyãwa. O artigo mostra quanto o conhecimento dessa linguagem ritualizada é fundamental para a manutenção e o fortalecimento da epistemologia sociocultural do povo Apyãwa. Por ser um tema de grande relevância para outros pesquisadores, indígenas e não indígenas, da área da Linguística e afins, o artigo deve ser publicado na Revista Cadernos de Linguística.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-2ac61bb44e1108ff376902b04fb02d70">
        <title>Rodadas de Avaliação</title>
        <p id="paragraph-6a218691ee502116a4a7e33f409f3bce">AVALIADOR 1: Beatriz Protti Christino</p>
        <p id="paragraph-b7f216412bbd67246d00978d3017f1f8">ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6997-6499</p>
        <p id="paragraph-ad35cb77378773e759f643039b1f92de">FILIAÇÃO: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-9899eb110ad23ce8893dde9af68160e2">-</p>
        <p id="paragraph-e04d58973f0904a6c377eaa7cc125c12">AVALIADOR 2: Cristina Martins Fargetti</p>
        <p id="paragraph-e552517c4bd8912a6c7de3763ec4eded">ORCID: https://orcid.org/0000-0001-8999-8601</p>
        <p id="paragraph-7bf4909ae65b287ee8723c4031a79e61">FILIAÇÃO: Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, São Paulo, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-4b3fa0aa8f9b956db92a1606fd9f3478">-</p>
        <p id="paragraph-8775a6ba29c6dadb3de477c7edb8db98">
          <bold id="bold-4d6fea4a6345f184cfe0095b02e4036e">RODADA 1</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-c6b03d0de1f88fe01996ae255d212556">AVALIADOR 1 </p>
        <p id="paragraph-ea92f3343c20dabae3d033276fb75bab">2023-08-26 | 23:54</p>
        <p id="paragraph-ee9c4b5a761ac09f8d029ccf0cdac25f">É bastante importante revisar as referências bibliográficas, de forma que não haja obras repetidas na listagem (caso da obra de Eunice Dias de Paula), nem autores mencionados no corpo do texto e ausentes na listagem de referências bibliográficas (caso de Baldus (1970), Rodrigues (1986) e Wagley (1988)).</p>
        <p id="paragraph-b4a72ac1e4a74aa5ed6cbaa8b8d0079c">Para facilitar a compreensão dos leitores, seria recomendável fornecer paráfrases em língua portuguesa de todos os cantos apresentados. Sendo assim, sugiro a inclusão de explicações breves em língua portuguesa para cantos como o do ritual de nominação.</p>
        <p id="paragraph-c35bcc51a439973052b1c9317998e785">No que se refere à sua redação, o texto apresentado é claro, bem organizado e bem escrito. Com a intenção de colaborar para a revisão final, faço as seguintes recomendações: </p>
        <p id="paragraph-5e49a2f3e7a11a85b4a223ab9a62012d">1) Procurar substituir a expressão “epistemologia sociocultural do povo Apyãwa” por palavras mais acessíveis, de mesmo sentido, no Resumo para não-especialistas;</p>
        <p id="paragraph-9132573f8f80ee58718e46415c318cfe">2) Substituir “religiosas” por “religiosos” em “saberes tradicionais e religiosas do povo Apyãwa”;</p>
        <p id="paragraph-e8369045d2a4d12ad135d5e7cd82d033">3) Colocar uma ou duas sentenças de introdução a ela, antes da Tabela 1;</p>
        <p id="paragraph-a78405c9a2d9a9a162c4f3e2c306b2d6">4) Não seria “dos idosos” em “por último grupo do idoso Tarawe”</p>
        <p id="paragraph-adfcbb81a1d05763a25a0f5a62ea71f3">5) Sugestão alterar para “As carnes dos animais caçados” em A carne do caçado, serão assadas e trazidas para a festa de Tawã e retirar a vírgula;</p>
        <p id="paragraph-43fa0a5cf1cdeb76773e8b04551bc088">6) Verificar se citações devem em língua portuguesa figurar em itálico, como algumas que se encontram no texto;</p>
        <p id="paragraph-22">7) As palavras “cateto” e “catitu” se referem ao animal “caitetu”? Não seria bom unificar a grafia.</p>
        <p id="paragraph-24">8) Retirar “de” em “os grupos de que chamamos de Wyrã”;</p>
        <p id="paragraph-26">9) Rever a expressão “e com os espíritos ritualística”. Seria “ritualísticos”?</p>
        <p id="paragraph-28">10) Escrever um breve parágrafo de fechamento, retomando as ideias centrais do texto.</p>
        <p id="paragraph-30">AVALIADOR 2</p>
        <p id="paragraph-31">2023-09-06 | 19:27</p>
        <p id="paragraph-33">O texto é escrito por autor indígena, da etnia Tapirapé, e traz importantes conhecimentos sobre a linguagem ritualística de seu povo. Encontra-se bem estruturado, com referência a obras pertinentes. Apesar de não apresentar a tradução do enunciados em Tapir´apé, o sentido é compreendido parcialmente pela explicação posterior. Poderia ter uma conclusão ao final e uma revisão das referências bibliográficas.</p>
        <p id="paragraph-06ecabaa350b1c5eda349499e33975da">-</p>
        <p id="paragraph-48f8b5c7e65c142741c8878e638231f4">
          <bold id="bold-d251cd07f7ca9de8060ad65d2961f3c5">RODADA 2</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-636b18c80fe178afe1cf0ff1eddae194">AVALIADOR 1 </p>
        <p id="paragraph-ec1d55f6da55b1d7e5f22dbe2915cbd1">2023-10-14 | 17:08</p>
        <p id="paragraph-5c784cd9ca0087dfa1c3d3c1c0466e67">Uma vez que foi atendida a solicitação de adequação das referências bibliográficas indicada no parecer anterior, recomendo, apenas, que seja realizada uma revisão final cuidadosa da redação para a publicação do texto.</p>
        <p id="paragraph-2a81b9a2711a207535ca3f9b000898c1">São pontos a observar durante esse processo de revisão final:</p>
        <p id="paragraph-de6dc8031f8d44693e0706aba3801808">1) a numeração das figuras;</p>
        <p id="paragraph-9">2) corrigir "a tardezinha" para "à tardezinha";</p>
        <p id="paragraph-d11b760c1856e8343022b58ced035935">3) retirar o itálico do primeiro parêntese na indicação da referência de Korako acerca da presença das cobras;</p>
        <p id="paragraph-11">4) corrigir "espiritos" para "espíritos";</p>
        <p id="paragraph-6369b84d386497cae6fb960cb027f6f5">5) reformular o trecho "dos novos nomes no do ritual de nominação";</p>
        <p id="paragraph-13">6) corrigir "foi de suma importante" para "foi de suma importância";</p>
        <p id="paragraph-1955254126f4b3b67a1dd673c259f7ac">7) colocar itálico em todo o trecho final do texto que retoma o título.</p>
        <p id="paragraph-15">-</p>
        <p id="paragraph-5b7757db42913acad63cc349b7313075">AVALIADOR 2</p>
        <p id="paragraph-17">2023-10-16 | 16:53</p>
        <p id="paragraph-19">O artigo está bem constituído e merece ser publicado.</p>
      </sec>
    </sec>
  </body><back/></article>
