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          <subject content-type="Tipo de Contribuição">Estudo Piloto</subject>
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        <article-title>ACESSO LEXICAL EM UNIVERSITÁRIOS COM TDAH</article-title>
        <subtitle>INVESTIGANDO O IMPACTO DO CONTROLE EXECUTIVO E DOS BLENDS NO PROCESSAMENTO LINGUÍSTICO</subtitle>
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        <date date-type="accepted" iso-8601-date="21/06/2024"/>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento resultante de déficits do controle executivo. O reconhecimento e o acesso lexical de palavras do tipo blends podem ser mais custosos nos universitários com TDAH. Em linhas gerais, os blends são palavras formadas pela junção de dois constituintes, isto é, pela combinação ou de partes denominadas <italic id="italic-1">Clipes</italic> (doravante C) ou de palavras inteiras das palavras-base. A literatura traz uma discussão acerca da estrutura das composições em português e, diante disso, enquanto alguns autores consideram que blends e palavras compostas possuem estruturas semelhantes, outros consideram que blends e palavras compostas possuem estruturas completamente diferentes. Em meio à análises controversas (e até contraditórias), Villalva e Minussi (2022) enveredaram pelo desafio de averiguar a estrutura morfológica dos blends e formularam um corpus intitulado de <italic id="italic-2">Portuguese Blend Corpus</italic> (doravante <italic id="italic-3">PBC</italic>). O objetivo geral deste estudo foi investigar se os blends são processados mais rapidamente que palavras morfologicamente complexas entre os grupos experimental (GE - com TDAH) e controle (GC - sem TDAH). Mediante a isso, buscou-se: i) verificar a influência do controle executivo no acesso lexical de palavras complexas e dos blends, ii) comparar o desempenho entre o GE e o GC para analisar se as distinções cognitivas repercutem no acesso lexical e constatar os tipos de palavras que facilitam e os que dificultam o processamento. A relevância desta pesquisa se dá pelo fato de contribuir para a formulação de modelos de processamento lexical a partir de fatores interessantes: o desafio de analisar o impacto dos blends em indivíduos com quadros cognitivos distintos como o do TDAH. Participaram 18 universitários do GE e 8 universitários do GC com idade entre 21 e 47 anos. Para testar o controle executivo, o design experimental englobou as condições congruente, incongruente e neutra nos blends e nas palavras morfologicamente complexas em uma Tarefa de Decisão Lexical com Simon Task. A hipótese proposta é a de que o GE teria mais dificuldades no reconhecimento e acesso lexical de blends e maior tempo na tomada de decisão lexical em comparação com o GC, pois essa tarefa exige uma maior demanda do controle executivo, algo que os sujeitos com TDAH possuem mais falhas. O GE iria cometer mais erros na condição incongruente e seriam mais lentos nos tempos de reação em comparação com a condição congruente. Os resultados preliminares revelaram efeitos principais de grupo, de tipo de palavra e de condição. Observou-se também que houve efeito de interação apenas entre grupo e tipo de palavra. O GE mostrou-se ser mais lento que o GC. Dessa forma, os resultados caminham na direção da hipótese proposta e, diante disto, pretende-se ampliar a amostra de voluntários para averiguar se estas tendências permanecem ou se modificam. Estes achados, mesmo que preliminares, contribuíram para a ampliação do entendimento sobre acesso lexical.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-b1f78b6399ed3e5f204e8c85d5ae9d2c">Attention Deficit/Hyperactivity Disorder (ADHD) is a neurodevelopmental disorder resulting from executive control deficits. The recognition and lexical access of word blends may be more costly in university students with ADHD. The general objective was to investigate whether blends are processed faster than morphologically complex words between the experimental (EG - with ADHD) and control (CG - without ADHD) groups. In addition, we sought to: i) verify the influence of executive control on lexical access to complex words and blends, ii) compare performance between the EG and CG to analyze whether cognitive distinctions have an impact on lexical access and verify the types of words that facilitate and hinder processing. The participants were 18 university students from the EG and 8 university students from the CG, aged between 21 and 47. To test executive control, the experimental design included congruent, incongruent and neutral conditions in blends and morphologically complex words in a Lexical Decision Task with Simon Task. The hypothesis put forward is that the EG would have more difficulties in recognizing and accessing lexical blends and a longer time in making lexical decisions compared to the CG, because this task requires a greater demand on executive control, something that subjects with ADHD are more deficient in. The EG would make more errors in the incongruent condition and would be slower in reaction times compared to the congruent condition. Preliminary results revealed Main Effects of Group, Word Type and Condition. It was also observed that there was an Interaction Effect only between Group and Word Type. The EG proved to be slower than the CG and, in view of this, the intention is to expand the sample of volunteers to see if these tendencies remain or change.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">Psicolinguística</kwd>
        <kwd content-type="">Acesso lexical</kwd>
        <kwd content-type="">Blends</kwd>
        <kwd content-type="">Controle executivo</kwd>
        <kwd content-type="">TDAH</kwd>
      </kwd-group>
    <pub-date pub-type="epub"><day>15</day><month>10</month><year>2024</year><volume>5</volume></pub-date></article-meta>
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    <sec id="heading-808dfe8354559c448eb49c15dea0211c">
      <title>Resumo para não especialistas</title>
      <p id="paragraph-6a04504366732ca2b315f8ff977b1cf9">A palavra<italic id="italic-7c68cc0d323c275562efd1ed2ca38707"> “blend”</italic> no inglês significa <italic id="italic-1e46f5497e099835f5565661ce32ba38">misturar</italic>. Quando trabalhamos com <italic id="italic-b63b197a8f4f593027733c98ba0465b1">blends</italic> na morfologia estamos tratando de uma junção de palavras ou fragmentos de palavras cujo significado é a soma dessas partes que são misturadas, como no caso de <italic id="italic-4">namorido</italic> (namorado + marido). O<italic id="italic-5"> blend </italic>pode causar estranhamento, mas tende a ser normalizado porque costuma compactar duas palavras que existem previamente dentro do vocabulário de uma determinada cultura. Para que seja processado e tenha seu significado compreendido, é necessário que se preste atenção às partes que o compõem. Portanto, a atenção é fundamental para o processamento desse tipo de palavra. A fim de investigar esse ponto, foi elaborada a presente pesquisa, a qual foi desenvolvida com base em universitários que têm o Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade e teve como objetivo observar o impacto da atenção no acesso lexical durante o processamento dos <italic id="italic-6">blends</italic>. Os resultados obtidos no experimento desta pesquisa confirmaram a hipótese inicial. Pessoas sem esse transtorno gastaram menos tempo para efetuar a mesma tarefa que foi requerida a pessoas com o transtorno, que tenderam a demorar mais a reconhecer os<italic id="italic-7"> blends</italic> devido, possivelmente, pela disfunção na região do lobo pré-frontal que afeta a sua atenção.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-ac5b9ebaf5848a2aebfab7263fa7a046">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-0d016efaa59c6508168ddc19a881ba3b">O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento que apresenta falhas no controle executivo (CE). A função do CE é coordenar vários processos envolvidos na realização das habilidades cognitivas, que são: <italic id="italic-faf109d522281e5a8ea12a0509bf15ac">controle inibitório</italic>, que é a capacidade de controlar a atenção, o comportamento e as emoções, <italic id="italic-cde79a63a0a060049737e4914556c48e">memória de trabalho</italic>, cuja função é armazenar e processar informações e, <italic id="italic-b216084ecb7c047c2ac01c1fc83ea60f">flexibilidade cognitiva, </italic>que envolve a flexibilização para se ajustar às novas demandas e prioridades (Baddeley; Hitch, 1974, Diamond, 2013). Esses processos são basilares para várias operações de produção e compreensão de linguagem, dentre as quais o acesso e a representação lexical. Com isso, por apresentarem déficit executivo, os sujeitos com TDAH podem apresentar mais falhas no reconhecimento e acesso lexical. No que se refere a palavras do tipo <italic id="italic-25df81e03302fa731d6aed24660caf07">blends </italic>(Barkley, 1997; Whipple; Nelson, 2016), tal dificuldade tende a ser maior. O <italic id="italic-1d34d64141caab30b8080f06e7bc3c78">blending</italic> é um mecanismo de cruzamento ou mesclagem vocabular formado prototipicamente pela junção entre a parte inicial da primeira palavra-fonte e a parte final da segunda palavra-fonte: resultado do uso produtivo da composição vocabular (Rosa, 2022; Marangoni Júnior, 2021). Para que sejam devidamente reconhecidos e acessados, ou seja, processados de modo a possibilitar a extração do seu significado, é preciso que as suas partes constituintes sejam identificadas, o que requer, dentre outras coisas, atenção e monitoramento constante.<bold id="bold-1"/></p>
      <p id="paragraph-2"><bold id="bold-2"> </bold>Diante disso, esta propositura parte dos seguintes questionamentos: Qual é o impacto da leitura dos <italic id="italic-f07c9d2d726535505c6238a4d90f95b2">blends </italic>no acesso lexical dos estudantes? Qual é a influência do controle executivo no acesso lexical dos <italic id="italic-2ad0554f1ad181eba4524df021f08097">blends</italic>? Será que existe diferença de desempenho entre o <italic id="italic-8">Grupo Experimental </italic>(alunos com TDAH) e o <italic id="italic-9">Grupo Controle</italic> (alunos sem TDAH)? </p>
      <p id="paragraph-3"> O presente trabalho trata-se de um estudo piloto, situado no âmbito da Psicolinguística Experimental. O objetivo geral foi investigar experimentalmente o impacto da leitura dos <italic id="italic-10">blends </italic>no acesso lexical de estudantes com TDAH e sem TDAH. Nesse intuito, buscou-se especificamente: i) verificar a influência do controle executivo no acesso lexical dos <italic id="italic-11">blends </italic>e ii) comparar o desempenho entre os participantes do Grupo Experimental (GE) e do Grupo Controle (GC) para averiguar se as distinções cognitivas repercutem no acesso lexical e constatar qual(is) tipo(s) de <italic id="italic-12">blend(s) </italic>tende(m) a ser(em) processada(s) mais rapidamente e as que são mais custosas ao processamento a depender do grupo analisado.</p>
      <p id="paragraph-4">As hipóteses e previsões aventadas para esta pesquisa partem do pressuposto de que o processamento de palavras formadas por blending é afetado por falhas no controle executivo, o que repercute no acesso lexical dos sujeitos, principalmente no que se refere a sujeitos com TDAH. Nossa hipótese é de que quanto menor o material linguístico (<italic id="italic-13">blends</italic> do tipo CLIP-CLIP ou CC) e a relação entre os constituintes desafiar a ordem canônica (<italic id="italic-14">blends</italic> do tipo MODIFICADOR-NÚCLEO ou MN), maior seria a dificuldade de processamento para o GE. Diante disso, as tendências esperadas foram: a) quanto ao GE - mais lentos em termos de tempos de reação no processamento de blends com grau de dificuldade <italic id="italic-15">alta</italic> (tipo CLIP-CLIP<ext-link id="external-link-1" xlink:href="#_ftn1"><sup id="superscript-1"><sup id="superscript-2">[1]</sup></sup></ext-link> e MODIFICADOR- NÚCLEO<ext-link id="external-link-2" xlink:href="#_ftn2"><sup id="superscript-3"><sup id="superscript-4">[2]</sup></sup></ext-link>) e mais erros na condição <italic id="italic-16">incongruente</italic> em comparação com a condição <italic id="italic-17">congruente</italic> e <italic id="italic-18">neutra </italic>na<italic id="italic-19"> Tarefa de Decisão Lexical com Simon (TDL) </italic>em comparação com o GC, possivelmente por mais dificuldades no reconhecimento e acesso lexical de blends numa tarefa que exige uma maior demanda do controle executivo, algo que os sujeitos com TDAH possuem mais falhas; b) quanto ao GC - processamento mais rápido em <italic id="italic-20">blends</italic> de dificuldade <italic id="italic-21">alta</italic> na condição <italic id="italic-22">incongruente</italic> e quanto à acurácia, mais acertos nestes <italic id="italic-23">blends</italic> de dificuldade <italic id="italic-24">alta</italic> e em posição <italic id="italic-25">incongruente</italic>. </p>
      <p id="paragraph-5">Em virtude de literatura escassa acerca do processamento linguístico em estudantes universitários com TDAH e da recente discussão acadêmica sobre os <italic id="italic-26">blends</italic>, a presente propositura se justifica pela necessidade de ampliar essas discussões por meio de uma pesquisa de caráter exploratório.</p>
      <p id="paragraph-6">Este artigo está organizado da seguinte forma: a seção 2 mostra a fundamentação teórica que embasa esta propositura, a seção 3 engloba o percurso metodológico deste estudo, a seção 4 engloba as considerações finais seguido das referências bibliográficas. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-65e0ae3f896c924677908ccf0684f591">
      <title>1. Fundamentação teórica</title>
      <p id="paragraph-7ba26d5c46a0b460fa1c75f22794221b">Nesta seção, discutiremos tópicos pertinentes que embasam a nossa pesquisa e que serão melhor explorados nos resultados e discussão.</p>
      <sec id="heading-e72f63390b6bce56efb04b29fb86dcd4">
        <title>1.1. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH)</title>
        <p id="paragraph-c298f43bbfdbb87446ef6a25e6068512">O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) é um dos transtornos do neurodesenvolvimento que traz maiores problemas clínicos e de saúde pública devido às dificuldades que afetam de modo direto na qualidade de vida do indivíduo que possui esta psicopatologia. O TDAH é caracterizado por um padrão persistente de déficit de atenção e ou hiperatividade-impulsividade. De acordo com o <italic id="italic-3227618f3428e15de275ab6f51bf9d76">Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais</italic> (DSM-V tr, 2023), o sujeito é diagnosticado com TDAH quando apresenta seis ou mais sintomas persistentes de <italic id="italic-a6f9745cfa037a53a0a9f1e4bfa90c1f">desatenção </italic>de forma negativa na vida social, acadêmica e laborativa expresso no relato do paciente num período de seis meses antes de procurar ajuda profissional, bem como a persistência de seis ou mais sintomas de hiperatividade e impulsividade seis meses depois do primeiro relato. Os sintomas começam a ser manifestados na infância e podem persistir na idade adulta, com a prevalência dos sintomas de 60% dos casos em adultos já diagnosticados na infância (Rotta; Ohlweiler; Riesgo, 2016). </p>
        <p id="paragraph-adb4534d2b6e2a0194e76558a28df013">O TDAH é resultante de uma disfunção do córtex pré-frontal, região cerebral associada às habilidades cognitivas superiores que impulsionam os mecanismos do Controle Executivo (CE). As funções do CE são fundamentais para o processo de leitura, pois abrangem diversas estratégias a serem utilizadas durante a manipulação de vários estímulos linguísticos, como: letras, palavras e frases (Filipek, <italic id="italic-ae2ddbc435b10d01590882a273b48dec">et al</italic>., 1997; Rodrigues, 2011).</p>
        <p id="paragraph-521dd00abc580261ef1c7256175b4400">Os mecanismos do CE mais envolvidos no processo de leitura são a atenção e a memória de trabalho. A atenção exerce o papel de inibir os estímulos distratores durante o processo de decodificação, reconhecimento de palavras e compreensão da leitura. A memória de trabalho, por sua vez, possibilita o processamento das capacidades cognitivas mais complexas envolvidas na leitura, que são: transformação de grafemas e fonemas, acesso às redes sintáticas e semânticas de forma fluente (Medina.; Souza; Guimarães, 2018, Smith; Geva, 2000).</p>
        <p id="paragraph-84129204814f2fcc8358f0d8776e4c95">Os sujeitos com TDAH apresentam mais dificuldades na capacidade de leitura em comparação aos sujeitos que não possuem este transtorno. Isso pode ser justificado devido às falhas no CE. O estudo de Ferrari-Neto, Estivalet e Almeida (2022) verificou a influência da memória de trabalho na compreensão leitora de estudantes universitários com TDAH. Os resultados obtidos revelaram que o GE (com TDAH) teve uma acurácia menor e um tempo maior na tomada de decisão lexical em comparação ao GC (sem TDAH). Percebeu-se que o déficit de atenção e a pouca capacidade de memória de trabalho dos universitários com o referido transtorno dificultam a capacidade de leitura. </p>
        <p id="paragraph-50f357970502fca68755a00c1cb430b0">Tarefas que envolvem tomada de decisão lexical que exigem uma maior velocidade de processamento podem ser mais custosas para quem possui TDAH, pois requerem manipulação de informação fonológica, atenção seletiva e memória de trabalho visuoespacial. Tais tarefas podem ser mais custosas devido ao déficit executivo (Barkley, 2002, Dupaul; Stoner, 2007). Diante disso, discorreremos a seguir sobre os blends e a sua relação com o acesso lexical. </p>
      </sec>
      <sec id="heading-788be26427c258a56ae5d82df49fea4f">
        <title>1.2. Blending e acesso lexical</title>
        <p id="paragraph-4632229c28170207037bd121b1cb7b40">A formação de palavras engloba basicamente dois processos: a derivação e a composição (Rosa, 2022). Este último, por sua vez, a partir de usos produtivos da linguagem pressupõe um mecanismo específico de cruzamento ou mesclagem vocabular conhecido como <italic id="italic-15b5bbff0ea7562c97ad6442b07f5745">blending</italic>: as palavras são compostas por meio da junção de segmentos das palavras-base, tais como em <italic id="italic-6d5478bd3ffdb5d0891d3fa67c7668fe">sacolé</italic> (<bold id="bold-91d59fb4c6760622ebda4d61aa0c728a">saco</bold> + pi<bold id="bold-1c72d06bb3ca5050540c512fee7d95e4">colé</bold>), <italic id="italic-92eeabf17e045e864876bffcf27ac9e4">cantriz</italic> (<bold id="bold-815c0fa2adfdbbb8de69083a2bef1503">cant</bold>ora + a<bold id="bold-f6566b0e7cff1adad7242ac48c09a938">triz</bold>) e <italic id="italic-6e1902af6b87b16325e3483b7909c89b">apertamento</italic> (<bold id="bold-f21c74f00ecbe57475d6cf9527e6695c">apert</bold>o + apar<bold id="bold-7b449ed0e8a4fcd6e14bd4f6f3c2807b">tamento</bold>). O<italic id="italic-4b1698ab9661c6243a856aebede77162"> blending</italic>, esse fenômeno linguístico e cognitivo relacionado ao uso da linguagem, cria novos termos com significado único. Embora o fenômeno seja mais antigo, a discussão acadêmica é recente, principalmente no que se refere à exploração de cunho psicolinguístico, haja vista que sua compreensão é fundamental para a ampliação das descobertas sobre o reconhecimento e acesso lexical das palavras na mente humana. </p>
        <p id="paragraph-175cf82eeaf2a9d16e909c906f278b75">Os <italic id="italic-51cc5aa5d86572fdd902187e05df3886">blends</italic> são o resultado de um processo de fusão das partes de, pelo menos, duas palavras-fonte nas quais uma delas tende a ser reduzida ou apresentar algum tipo de sobreposição de ordem gráfica ou fonológica (Marangoni Junior, 2021). De maneira prototípica, os<italic id="italic-5a3f1213026621050e13332e430109d9"> blends</italic> são formados pela junção entre a  parte inicial da primeira palavra-fonte e a parte final da segunda  palavra-fonte. Além disso, há outros mecanismos produtivos para este autor  (mantendo ou a completude de uma das palavras-fonte ou a sobreposição total nas  palavras-fonte), tais como em: A B + C  D → A D: <italic id="italic-03d1d33f5b9eafea6eb90a78922ddd4d"><bold id="bold-35d22c754111238dd14a87d0f7af8840">Nescau</bold></italic> &lt; <bold id="bold-06042646ca5d171637e55e284624a2f3">Nes</bold>tlé + ca<bold id="bold-e06a40bd28d506d7c836ea90166fb737">cau</bold>; A B + C D → A B D: <italic id="italic-f5cc86eb91947ae21dd70b1d303e57d5"><bold id="bold-62bcc3b8ede94b1f7bead12f2c2b60b9">sedanapo</bold></italic> &lt; <bold id="bold-03ff7b7daaa6cffca97939eedf6de406">seda</bold> + guarda<bold id="bold-34e0192ca278fc95df12843280e0744c">napo</bold> e A B + C D → A C D: <italic id="italic-8351d620faea67b9d069f5030ea2ea45"><bold id="bold-cd6f886d723bbe827a69c5a51d0e5336">almojanta</bold></italic> &lt; <bold id="bold-c395e757374b2767d8bf1de34a6bfb30">almo</bold>ço + <bold id="bold-d4609bafecf2e6256ebbd10a06280db5">janta</bold>.</p>
        <p id="paragraph-44109c2c839c1dafce01f2535edf1fb0">Minussi e Villalva (2020) elaboraram um estudo para analisar o impacto dos blends no reconhecimento e no acesso lexical de falantes nativos do Português Brasileiro (PB) e Português Europeu (PE) e, nesse sentido, o design experimental englobou dois testes <bold id="bold-936ebf171109e28695916ec9ebc88c6f">– </bold>um teste <italic id="italic-e131c1f73fb8adec2086a27cac4d9539">off-line</italic> de reconhecimento lexical e um teste <italic id="italic-afd527711950f0e6dde3054dfffbb49c">on-line</italic> de decisão lexical <bold id="bold-d7a249006c87c2094d5123b655ba9007">– </bold>aplicados em estudantes universitários. No que se refere ao teste <italic id="italic-b1c2dda7874e20f74a106636d342f99f">off-line</italic>, este contou com 56 palavras com o intuito de averiguar se os falantes de PE reconheceriam blends oriundos do PB e se os falantes do PB, por sua vez, reconheceriam blends oriundos do PE. No que tange ao experimento <italic id="italic-fe71ce76e88665ff64a25aae6b2d8612">on-line</italic>, este contou com a testagem de 80 palavras, 40 <italic id="italic-f7003ae9c90fc733a25b559c821a0c95">blends</italic> com três tipos de estrutura (palavra-clip ou PC, clip-palavra ou CP e clip-clip ou CC) e 40 distratoras para computar os tempos de reação e a acurácia das respostas. Os resultados mostraram, essencialmente, que houve maior facilitação no processamento de blends do tipo CC (como <italic id="italic-c723777d8090fe4f3eb74a27de32f146">‘namorido’</italic> e <italic id="italic-e89079f0a18d26ebb2e9539ded1de582">‘portunhol’</italic>), pois a explicação estaria nas sobreposições das bases nos outros tipos de blend (tipos PC, como em <italic id="italic-cc345361c3f1267a95e08abc4ce51d33">‘chafé’</italic> e CP, como em <italic id="italic-77a545f7d8195863c0a4eb4f5434cd82">‘caipifruta’</italic>), o que poderia tornar o processamento mais custoso: achados contrários à hipótese inicial dos autores de que, quanto mais as bases fossem transparentes, maior seria o reconhecimento e a facilitação no processamento. </p>
        <p id="paragraph-8261920e2003325c8c221eb9e836cbc9">Os resultados obtidos por Minussi e Villalva (2020) fornecem <italic id="italic-2a069f5fcde695ef826081b32a220abc">insights</italic> sobre o processamento dos <italic id="italic-1a5b30230d19c38e53db275938b5867f">blends</italic> no acesso lexical. A maior facilidade no reconhecimento dos blends do tipo CC sugere que a transparência das bases pode ser um fator interveniente na ativação e reconhecimento das palavras na mente dos falantes. Por outro lado, a maior dificuldade no processamento dos <italic id="italic-4cd349d50ca91b4f71981a5dbf1888bf">blends</italic> PC e CP pode estar relacionada à necessidade de integrar e mapear as partes das palavras-fonte de forma mais complexa, uma sobreposição que pode exigir um esforço cognitivo adicional (Minussi; Villalva, 2020). Esses achados ressaltam a relevância de estudar o fenômeno do <italic id="italic-49ad3b32188ae9e00e2b397bc1dc9abc">blending </italic>no contexto do acesso lexical, uma vez que o processamento eficiente das palavras é de suma importância para uma comunicação mais fluida e bem-sucedida. </p>
        <p id="paragraph-22e0edf854501a4dba01507d977eb8ba">Além disso, compreender como a mente humana lida com a formação e o reconhecimento de novos termos através deste fenômeno pode repercutir na aquisição e aprendizagem linguística, bem como no desenvolvimento de modelos teóricos mais abrangentes sobre a organização lexical na mente humana (Marangoni Júnior, 2021). Esta pesquisa propôs-se a investigar como se dá o reconhecimento e o acesso lexical de blends em estudantes universitários com TDAH e sem TDAH. Neste sentido, a seção seguinte delineará a trajetória metodológica desta pesquisa. </p>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-eb9d59403fbb711a195c62bd07459f21">
      <title>2. Metodologia</title>
      <p id="paragraph-98efd15c82c35d9056fd33e6d000b02b">O presente estudo é uma pesquisa experimental de caráter quantitativo, exploratório e comparativo, haja vista que as hipóteses levantadas acerca dos <italic id="italic-469a688f3f33bf336591892652b1a990">blends</italic> e do controle executivo foram averiguadas por meio de análises estatísticas comparativas entre grupos distintos de voluntários. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (CEP/CCS/UFPB), conforme a Resolução n.510/2016 do CNS/MS, emitida em 26 de março de 2020. Este estudo é uma extensão da dissertação de mestrado sobre a influência da memória de trabalho na compreensão leitora de estudantes universitários com TDAH, realizada por Almeida (2020), pois surgiu da necessidade de verificar se haveria diferenças significativas no acesso lexical de palavras do tipo <italic id="italic-d4487fbbb3913339f38e297255e53a96">blends</italic> entre os grupos: GE e GC.</p>
      <sec id="heading-59823308e203b0938aa99a96dea5c4cb">
        <title>2.1. Participantes</title>
        <p id="paragraph-98e86c328c7586bb9db39b4675eba564">A pesquisa contou com dois grupos de voluntários, a saber: (i) <italic id="italic-74497712856b304c7248daf1a383e102">Grupo Experimental</italic> (GE)<bold id="bold-deec3299de0846120eb8b7c56fe48d30"> </bold>e (ii) <italic id="italic-15c2535baf1d91f0f823a47871b4ea39">Grupo Controle</italic><bold id="bold-de7beb5a40107bef9e2e48e34b8ff602"> </bold>(GC). O GE contou com a participação de 18 estudantes universitários (9 graduandos e 9 pós-graduandos) com diagnóstico de TDAH dado por um médico psiquiatra ou neurologista. Eram 5 mulheres e 13 homens, com idade entre 21 e 47 anos (m = 36a8m), majoritariamente destros, majoritariamente destros, 18 estudantes destros e 1 estudante canhoto, com visão normalizada ou corrigida. </p>
        <p id="paragraph-a8b2672a1fdfbc8871c49e1224c5c966">O GC teve a participação de 8 estudantes universitários sem sintomas associados ao TDAH. Estes, por sua vez, submeteram-se a testes psicométricos para descartar a possibilidade de déficit de atenção e outros sintomas associados ao TDAH, como: <italic id="italic-e8e0bed8865e0d27e93957eb30ba1d2f">Bateria Psicológica para Avaliação da Atenção - BPA</italic> (Javier; Monteiro, 2013). Espera-se, no futuro, desenvolver estudos em que este grupo esteja mais pareado, seja por fator idade ou por fator sexo. Para fins desta pesquisa não foi possível em decorrência da dificuldade de achar participantes que atendessem aos critérios de inclusão, mas certamente é um cuidado metodológico pretendido para outros estudos a serem elaborados com esta temática. </p>
        <p id="paragraph-6d516f23fea6e8ed8086975601e86965">Os resultados dos <italic id="italic-f16b09c1764bd7766a8ce56fb4e0988e">scores </italic>os situou entre <italic id="italic-4650310d108ae9aff6f3b1a2b06da662">médio superior</italic> e <italic id="italic-fafded41c44c0c1fdb991ee97a8b00f6">superior </italic>(categorias indicativas de ausência de déficit atencional) e a <italic id="italic-ddf4479bc4b68e3d9a5429d990567d1a">Escala de Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade </italic>ou <italic id="italic-50548928344ea99bb96e0ef6232d6a88">ETDAH-AD</italic> (Benczic, 2013). Selecionou-se os que tiveram como escores<italic id="italic-8c8c2801cf5c091b56c39ffd86680cc5">: inferior, médio-inferior </italic>ou <italic id="italic-b089e96778973e09c2b2b12da1afdaa8">médio</italic>.<italic id="italic-24efeefd0748c22cc0e8d7caf269f3cf"> </italic>O GC totalizou 8 universitários, sendo 5 graduandos e 3 pós-graduandos. Quanto ao gênero: 2 mulheres e 6 homens. Idades entre 25 e 37 anos (m = 31a1m), majoritariamente destros, majoritariamente destros, 6 participantes destros e 2 participantes canhotos, com visão normalizada ou corrigida.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-497f8c588c5b78d1e816b269d9e13af5">
        <title>2.2. Design experimental</title>
        <sec id="heading-d1842670683eb2361eff299d23510b57">
          <title>2.2.1. Variáveis </title>
          <p id="paragraph-15b9238e76dcb391a755e86d3d8e615f">A presente propositura contou com as seguintes variáveis, a saber: (i) <italic id="italic-b7b0d98d53ebc362484fecd09ea3fc6b">independentes – tipo de palavra</italic> (<italic id="italic-d21dbb84b31eb5e1f669f108b074c84d">blends</italic> de alta, média e baixa dificuldade),<bold id="bold-6738d7d28b2fba5bf00f60bafcaa3e96"> </bold><italic id="italic-3968a858c5c45201bdd38f06c0030a96">fator grupal</italic> (alunos com TDAH e alunos sem TDAH) e <italic id="italic-d11c07a85e3ff107cec1d971de5f9b82">congruência</italic> (congruente, incongruente e neutro); (ii) <italic id="italic-06c598464ef050271b2ce7200ec3a845">dependentes</italic><bold id="bold-fc38f9eb3eea96c8f9f1e3ed2ae53bbe"> </bold>– tempo de reação e acurácia. </p>
        </sec>
        <sec id="heading-e1b97e6eff500943814f6b660b573a2e">
          <title>2.2.2. Material</title>
          <p id="paragraph-48eab5b8c9ed56f1b71ae56900b936fc">O material aventado para<bold id="bold-4dd6b435656e2fafc4168814da5a72ab"> </bold><italic id="italic-621dd87e0229c5f6b1cc213f31ddff6e">Tarefa de Decisão Lexical com Simon <ext-link id="external-link-22c9dbad1916f4b0453f0f9f9bd19ac3" xlink:href="#_ftn1"><bold id="bold-a50f230ced5306c391f109620ec62474"><sup id="superscript-d01e06d7e922ce00b8dcac4696f996a8"><sup id="superscript-054312b29eb6b81acec78fb2cbac79ac">[1]</sup></sup></bold></ext-link></italic>(TDL) possibilitou verificar o tempo de reação que os participantes teriam mediante a um conflito cognitivo entre a posição espacial da palavra apresentada e a sua informação semântica. A TDL foi composta por: 60 blends distribuídos em três níveis de dificuldade (alta, média e baixa), 60 palavras complexas e 120 pseudopalavras. No que tange especificamente aos <italic id="italic-b0dd62a671caf19945428a6a9ced1321">blends</italic>, estes foram compilados a partir de um corpus elaborado por Villalva e Minussi (2022). Num artigo publicado pela <italic id="italic-f17f470eb2458b73ed992fa6075e0ddc">OpenEdition Journals, </italic>os autores tecem uma descrição e análise do corpus de blends para o português que, de acordo com eles, é um pré-requisito fundamental para futuras pesquisas que permitirão uma análise mais aprofundada deste tipo de palavra e o impacto dela no processamento de texto e no acesso lexical.</p>
          <p id="paragraph-99c10099c29c3eabf43e61fe12f99379"> O <italic id="italic-03002bd41c44e62c6d961f45fb8dc457">Portuguese Blend Corpus</italic> (doravante <italic id="italic-606bfbea4cb6a3ae0284067c99ecbabd">PBC</italic>) consiste num arquivo <italic id="italic-4c8e5cbdfed1fe6e72776c1d0c90e54d">excel</italic> formado por cerca de 300 blends oriundos do <italic id="italic-9825de7d964d073907ba9ff971b75855">Português Brasileiro (PB)</italic>, como também do <italic id="italic-6d7af7371246bafe489b3d54639261d1">Português Europeu (PE)</italic>, <italic id="italic-3951125ed2efa7210a6ae2b930c9d079">Português Angolano (PA)</italic> e <italic id="italic-37f676499a0ff1cd9186e745dd760870">Português Moçambicano (PM)</italic> e, em sua formulação, houve o descarte de blends originários de nomes próprios devido à opacidade para não-falantes residentes. O intuito inicial foi discutir a análise morfológica entre <italic id="italic-c63ae093a007bc333b50af1ba4a8f632">Blends</italic> e <italic id="italic-446c48f4a3a0f03af04a98bedbc308b1">Palavras Compostas</italic> e averiguar se teriam estruturas lexicais similares ou totalmente diferentes. Algumas informações importantes acerca do PBC valem ser ressaltadas: i) cada entrada do PBC incorpora um link que atesta o contexto de uso do blend em questão; ii) os blends são palavras de frequência muito baixa (quase nula) por serem oriundos de gestos criativos e não para atender a exigências semânticas específicas, por isso o PBC tem o registro apenas do valor de frequência das palavras-base e não dos blends em si; iii) o contexto sociocultural é um fator que contribui para a seleção das palavras-base. </p>
          <p id="paragraph-6afc14d7a449e78e71a7f4cb609a0dea">Mediante ao desafio de elencar e compreender blends, os estudiosos estabeleceram duas pesquisas experimentais: um <italic id="italic-f34a9affad799be59d56f017c077fa3a">Teste de Familiaridade</italic> (com graduandos da Universidade de Lisboa - ULisboa e da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP que tiveram acesso a um subconjunto de 56 estímulos e estes forneciam um significado para cada estímulo apresentado) e um <italic id="italic-0025104ffb0eaba19f7ba8993b5c902a">Teste de Decisão Lexical</italic> (analisou-se o <italic id="italic-4608d64ab7820bd5f351f5275fe7ef28">Tempo de Reação</italic> destes alunos durante a leitura dos mesmos blends que eles deram significado e, num comparativo entre PB e PE, observou-se que: blends constituídos de PALAVRAS-CLIP ou PC são lidas e acessadas no léxico mental mais lentamente que CLIP-PALAVRA ou CP e estas, por sua vez, foram mais lentas que blends do tipo CLIP-CLIP ou CC, isto é, blends com estrutura linear CC tendem, a partir das análises deste estudo, ser acessadas mais rapidamente que as demais estruturas). Estas análises foram fundamentais para a formulação de um subcorpus de 184 blends que possibilitou o levantamento de hipóteses e a classificação destes blends a partir de três critérios que serão melhor delineados a seguir. </p>
          <p id="paragraph-e181b344a939178be80ef818bcc19ab9">Após as análises experimentais, o <italic id="italic-218e57310040115f1a4c0283e5790f3d">PBC</italic> foi compilado com base em três critérios essenciais: (i) <italic id="italic-68555d7f047659eadaffe88b61b19bfe">o status lexical dos constituintes dos blends e as suas relações lineares</italic>; (ii) <italic id="italic-c584a871a9ff50c642ffa7e70dfb0ba1">o papel gramatical dos constituintes que compõem os blends</italic>; (iii) <italic id="italic-05661ab600e9233dedfa0aeeebade8c3">a relação fonético-prosódica entre os constituintes dos blends com as palavras-base</italic>. No que tange ao primeiro pilar, os pesquisadores focaram na estrutura morfológica: os constituintes dos blends são formados ou pela combinação de <italic id="italic-acc32ceb14c41c81183f1c74f4715f09">pedaços</italic> ou <italic id="italic-182f297a890dd4e6640be96c3f057d73">raízes</italic> das palavras-base que recebem o nome de <italic id="italic-515fb7e22e1eb98b3d07a064a9fb412e">clipes </italic>(como em “<italic id="italic-07917ec10807d185174886955110d3f1">arrumário”</italic> &lt;<bold id="bold-9eb6be5c9fc05d73a8337fdad1fb0b69">arrum</bold>ar + arm<bold id="bold-28f3926f9ee9ad9ff167823e1757b753">ário</bold>&gt;) ou por palavras inteiras (como em “<italic id="italic-e9565fbd1e6f9e1f40f38d28c6756b79">sapatênis”</italic> &lt;<bold id="bold-86ad1abc1588c9f19bd00f50a63fdc9c">sapato</bold> + <bold id="bold-bfd048b0337560ea66239d06afcfa827">tênis</bold>&gt;). No que se refere ao segundo pilar, os autores focaram nas relações gramaticais entre as partes constituintes dos blends que podem estabelecer ou<italic id="italic-c71554c278e43880255e56799fe7fda7"> estruturas de modificação</italic> (quando um constituinte exerce uma modificação sobre outra parte constituinte do <italic id="italic-e3bc3532bb4b83d7f10fd491d309770d">blend</italic>, como em “<italic id="italic-2a5b590dec66b4eeaf3a40a0799be39f">aborrescente</italic>” &lt;<bold id="bold-889bdfd0f3a5118524f4f28b9b751a4c">aborr</bold>ecido + adol<bold id="bold-ca0ef582f4d962db4564246c57f392bf">escente</bold>&gt;, em que o clip “<italic id="italic-aa81126d5cb4f40231ba0fd17cee5463">aborr</italic>” atua como modificador do núcleo “<italic id="italic-3c4e133770f95256a529aac26eab8e7d">escente</italic>”, isto é, o significado final do blend não é apenas de uma adolescente qualquer, mas sim de um <italic id="italic-d97426aabdb77aec9985fc0d2aebcc43">“adolescente aborrecido”</italic>) ou <italic id="italic-58822172b9c01190d8000addb765c4c1">estruturas coordenadas</italic> (em que as partes constituintes não exercem qualquer modificação de sentido umas sobre outras, apenas coexistem e atuam como núcleos justapostos: é o que acontece em “<italic id="italic-518841cb5ebf0ac68f45fd3393e80085">temedroso</italic>” &lt;<bold id="bold-b3f933914e984082e090d2f002572e8d">teme</bold>roso + <bold id="bold-3b032d78ee00827f9f022646797dd1dc">medroso</bold>&gt;). No que tange ao último pilar, os autores focaram no mecanismo de concatenação fonética, bem como na proeminência prosódica dos constituintes dos blends (como ocorre em “<italic id="italic-7e89d8d88d7823a81309c487e6c984a7">namorido</italic>” &lt;namorado + marido&gt;, “<italic id="italic-64e58c3d220c9b7b4b5fd35aebeb2788">tristemunho</italic>” &lt;tristeza+ testemunho&gt; e “<italic id="italic-d99f6f43045f59fdb19c724bd2cb833e">portunhol</italic>” &lt;português + espanhol&gt;).</p>
          <p id="paragraph-2458de7ec8ed9a8a77d11def78902926">O quadro 1 permite especificar os <italic id="italic-3ab242ea240a90c6b044953c341415b2">blends </italic>quanto a <italic id="italic-0bf21ffca748ce69d0d76fa75e72d964">estrutura</italic> dos constituintes (clip-clip ou CC, clip-palavra ou CP e palavra-palavra ou PP) e quanto a <italic id="italic-0bf7c6c23c0684612ceb87e632bf1883">relação</italic> entre os constituintes (modificador-núcleo ou MN, núcleo-modificador ou NM e núcleo-núcleo ou NN) e as bases das palavras que os compõem. O quadro 2, por sua vez, apresenta exemplos de <italic id="italic-847c15a24969908a0b8ca78979c658fc">palavras complexas</italic> (substantivos derivados de substantivos primitivos com 6 a 10 letras como em ferrugem &lt; ferro) e <italic id="italic-6958a1466f9b72ad68e499251057acb3">pseudopalavras</italic> (criados a partir da troca de letras de palavras previamente existentes como la<bold id="bold-bd2cac74f57bd7a4e591f4c2bf101465">m</bold>arto &lt; lagarto contendo também de 6 a 10 letras). </p>
          <fig id="figure-panel-ed7c3272d1847738fe86b151e627a6bb">
            <label>Figure 1</label>
            <caption>
              <title><bold id="bold-124fb64ef107fa7607e4bdf226bf631f">Quadro 1 </bold>Amostra dos Blends usados no Experimento de Decisão Lexical (TDL)</title>
              <p id="paragraph-b8704bbe4566d05bd6b77435ca490361"><bold id="bold-3d0435746e2cdfe5b8a708024137811c">Fonte: </bold>Os autores.</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-68115aa6dc42d98fa909f3e5c55931ea" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="q1_2.png"/>
          </fig>
          <fig id="figure-panel-a60e6ad315f165c849f032728c7a0257">
            <label>Figure 2</label>
            <caption>
              <title><bold id="bold-dac11dfa1a06c341b2680b20c71c99b1">Quadro 2: </bold>Amostra de Palavras Complexas e Pseudopalavras usadas no Experimento TDL</title>
              <p id="paragraph-f670e134e8db1ac6cd7ec567777aa377"><bold id="bold-1150a75766f2bdd414ca686fdb591de5">Fonte: </bold>Os autores.</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-29b6af2e3f4b0bd5aeeec82e0b1435cd" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="q2_2.png"/>
          </fig>
        </sec>
        <sec id="heading-47909f0c8b01c34fc4de0da7f7e1b74c">
          <title>2.2.3. Procedimentos</title>
          <p id="paragraph-51b47508f48e2be36817f9b0a20d26db">A TDL com <italic id="italic-e5d4470493c8bc2772b14d2e83af3ac1">Simon</italic> foi veiculada para os voluntários via plataforma <italic id="italic-7a924a828806e71f49474b3669bc1c14">web-based</italic> jsPsych e durou, aproximadamente, 10 minutos. Ao acessar o link no navegador, o aluno se deparava com os estímulos que foram apresentados de forma randomizada e em diferentes posições na tela do computador: <italic id="italic-c754363eefeb5decde274f4506611740">congruente</italic>, <italic id="italic-8edfdf78fb809bb2a62c387d53f02bf8">incongruente</italic> e <italic id="italic-2adeb03cbe6c0a7307ecbc0b6610a48c">neutra</italic>. Na condição <italic id="italic-37d5823cb969b2c6ec49a35d892bb5eb">congruente</italic><bold id="bold-3c32f7e314a6d8ae74f52f63c3acf46d">,</bold> o estímulo <italic id="italic-227e71a31e226cae9b3dbebb635c4dfd">palavra </italic>(no caso, um <italic id="italic-3bcd7241031d41df63096d4227f45257">blend</italic> de alta, média ou baixa dificuldade ou <italic id="italic-b67d24ff0936cf206688118756feb2b8">palavra complexa</italic>) aparecia na posição homolateral da tela e tecla <italic id="italic-c5e2d049d3f492af885a3a582b3a9665">Q</italic>, correspondente à resposta <italic id="italic-bfd5d20f3dbdaabb822fdb7df9890b16">SIM</italic>, ou quando o estímulo <italic id="italic-eab7efd50d1197fc1dc20a5093373fb7">pseudopalavra aparecia </italic>na posição<italic id="italic-6119d00c6d49b7c387d29dc2c94e4c91"><bold id="bold-95e458080da4eeeb056fde3dcc81ec5e"> </bold></italic>homolateral a tecla <italic id="italic-b43a2f5598c107b2da33278c4db21c39">P</italic>, que correspondia com a resposta <italic id="italic-158a9321595483a5dc16ea5f58cbc78c">NÃO</italic>. Na condição <italic id="italic-175a6257eebd6b05611a94a1a71955e0">neutra, </italic>o estímulo <italic id="italic-4f7c09c0869a0891dd46a0a6b7194cd0">palavra (blend </italic>ou <italic id="italic-fd1869b80d9c4f735dc8f11aae31bc95">palavra complexa)</italic> ou <italic id="italic-2c57a3e537e9c9aa946ebc924857b984">pseudopalavra </italic>aparecia no centro da tela e o participante precisava pressionar a tecla <italic id="italic-1788eeae15ca2a4d29b5cb9eeded8917">Q</italic> para <italic id="italic-bc5fa495812d403dc4f4196b05647418">SIM</italic> e a tecla <italic id="italic-465bb5c9c4143844404f4ce0388f7301">P</italic> para <italic id="italic-496e8f4a57e4626ebdc1fa55545baef8">NÃO</italic>. Na condição <italic id="italic-c0c5be11547ac478a290cba1d0887c79">incongruente, </italic>o estímulo palavra (<italic id="italic-8ffd062aea8a55d7584f373079cc5af9">blend </italic>ou <italic id="italic-ab1e82135b71782462b18343276e3bc7">palavra complexa) </italic>e ou <italic id="italic-27">pseudopalavra</italic><bold id="bold-15d9fa6679a4ee120cc9847ec2e061b6"> </bold>aparecia na posição<bold id="bold-9f0958d74566e90a6c3b71c41c79e8e6"> </bold>contralateral a tecla <italic id="italic-28">Q, </italic>SIM, ou tecla <italic id="italic-29">P,</italic> NÃO. O estímulo ficava na tela do computador durante 3000 milissegundos (ou 3 segundos), o aluno lia o estímulo e decidia com SIM ou NÃO se a palavra é ou não é do Português Brasileiro (PB). A figura 1 mostra, esquematicamente, as etapas do experimento on-line e o modo como os estímulos eram apresentados na tela do computador para os alunos. </p>
          <fig id="figure-panel-69fbe6cea7da095cea93f54ccdd19507">
            <label>Figure 3</label>
            <caption>
              <title><bold id="bold-706a9c39a744b4313864350c001bf8f4">Figura 1:</bold> Esquema das Etapas da Tarefa de Decisão Lexical com Simon</title>
              <p id="paragraph-fac2cc01810f0eb35347b6851f9b17ad"><bold id="bold-d0ceaac1f5db6ec891cc528a38a62c99">Fonte: </bold>Os autores.</p>
            </caption>
            <graphic id="graphic-d06c173cd24f14d6def17d1dcf5da7c8" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="f1_2.png"/>
          </fig>
        </sec>
      </sec>
    </sec>
    <sec id="heading-e24a40daef19e4ac51e8b09d5a847deb">
      <title>3. Resultados e discussão</title>
      <p id="paragraph-af20ed76f456ac515848c3b7f00f6f59">As variáveis dependentes testadas neste estudo foram <italic id="italic-c042e5197440d991a532ead47a779ead">Tempo de Reação</italic> e <italic id="italic-af18a0b330370619f07864bca697a0a7">Acurácia</italic>. Os dados foram analisados através do programa estatístico <italic id="italic-d56e4d7410cdce88e1c3c8159418baad">Jamovi</italic> e considerou os seguintes fatores: <italic id="italic-3607a455d573a3249acd3e0848cf0c86">Tipo de Palavra </italic>(blends em três níveis de dificuldade - alta, média e baixa), <italic id="italic-d80ff8bdb4dccd2f1f0b0e609b48174d">Grupo </italic>(estudantes com e sem TDAH<italic id="italic-719a1ac2521e3b9f0ba7f508afb97274">)</italic> e <italic id="italic-48559cd6c11aee5a59b2ce96dd4895ac">Congruência</italic> (posições congruente, neutra e incongruente).</p>
      <p id="paragraph-be4ea77d5a2e16f5aa0c484aeeef44e7">A mensuração do tempo de reação foi analisada a partir do <italic id="italic-8e24e09761a7aa855b1f307fdcb91e04">Modelo de Regressão Linear </italic>da análise da variância (ANOVA). Os resultados preliminares obtidos são apresentados na tabela 1 e ilustrados no gráfico 1: </p>
      <fig id="figure-panel-f480b05f85c31c178465587725cfbcc3">
        <label>Figure 4</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-743d7a7e0a123735e774268b941b19e9"> TABELA 1</bold>: Análise da Variância (ANOVA) – tempo de reação da TDL.</title>
          <p id="paragraph-17d7295fb1d5305b127168642d96a8d7"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-c497e4aa379a9fd5560d39da1afd6f6a" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="t1_2.png"/>
      </fig>
      <fig id="figure-panel-289e56a093b9627808a38797ab05d5a0">
        <label>Figure 5</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-b3652149cb9db99af4bf2f847c9b8986"> Gráfico 1</bold>: tempo de reação da TDL entre os grupos.</title>
          <p id="paragraph-124367d00237c91b4bef42f04f6943cf"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-57016ef71514d1252193d1bdc8da4046" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="g1_2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-bfe8f3be8871347a29745bc231267b92">Os resultados preliminares indicaram efeito principal de <italic id="italic-b2f467bd0098a812593921160fa9a4ed">Grupo</italic>. Os participantes com TDAH foram mais lentos em comparação com os participantes sem o referido transtorno<italic id="italic-3cdcffa69eca1439761a60d830a7a4c0"> </italic>(GE = 1394 ms, <italic id="italic-4db353c876e7703bdc8e63a50735102b">dp </italic>= 485 e GC = 1276ms, <italic id="italic-8781b77895d13fe5f0d9729b5d4c969f">dp </italic>= 404)<italic id="italic-8d27e950a0cdaf5b6c37eab66bfaca18"> </italic>(F = 93,6721, p &lt; 0,001). Esse resultado confirma a nossa hipótese de que o GE teria maior tempo na tomada de decisão lexical e corrobora com os achados de Ferrari-Neto, Estivalet e Almeida (2022) no qual os sujeitos com TDAH demandaram um tempo maior de processamento em tarefas que exigiam um esforço maior do CE em comparação com os participantes que não tinham este transtorno. A tarefa de decisão lexical é um instrumento que requer mais controle atencional e de memória de trabalho, algo em que os sujeitos com TDAH apresentam mais dificuldades devido a falhas no CE. </p>
      <p id="paragraph-51667e62a8efcc3174ff63787aa22e8f">Os resultados também indicaram que houve efeito principal de <italic id="italic-25faa0b7d0eb8deec1bc1b9d82fc2615">Tipo de Palavra</italic> (cf. gráfico 2). Para ambos os grupos (GE e GC), os <italic id="italic-93bb67a0e57e9afd7b70ac1487799c55">blends</italic> foram processados muito mais lentamente (1527ms, <italic id="italic-f3ad986b52160a7767e7a5ae4d4578a2">dp = </italic>499) que as <italic id="italic-0b4ea751c8307cd5b510f91c28c14a0d">pseudopalavras</italic> (1291ms, <italic id="italic-8ab81899a5446b8bf4b3d740569e39c7">dp = </italic>451) e estas, por sua vez, foram mais lentamente que as palavras complexas (1186ms, <italic id="italic-1768249b3cacbcf9f8e6c75dd8a98709">dp = </italic>372) ( F = 231,5383, p &lt;0,0001). A possível explicação para os <italic id="italic-4c4d92a08c52a1f9ac41ab420eefab30">blends</italic> terem sido mais lentos que os demais estímulos testados <italic id="italic-fc63c6c1b186b939eb9ac01e0c830376">palavras complexas </italic>e <italic id="italic-6701474948057898bed8d0bf5a89b98e">pseudopalavras</italic> foi a dificuldade de reconhecer e integrar as partes das palavras-base, o que pode ter gerado um custo maior no processamento lexical: os voluntários demandaram maior esforço cognitivo para decidir se o blend seria melhor enquadrado em uma palavra ou em uma pseudopalavra, enquanto que as palavras complexas estariam melhor delineadas no léxico mental e, por isso, acessadas e reconhecidas sem tanta dificuldade, o que corrobora com as contribuições de Minussi e Villalva (2020), Marangoni-Júnior (2021), Barkley (2002), Dupaul e Stoner (2007).</p>
      <fig id="figure-panel-6471fc11e16accbfc3492461e5546662">
        <label>Figure 6</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-f797383fb8384d6fa52e4f4df5abc475">Gráfico 2</bold>: Tempo de reação quanto ao Tipo de Palavra (Palavra Complexa, Pseudopalavra e Blend). </title>
          <p id="paragraph-a4303b126c9395f72ab37126007880eb"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-309ce7a0456e79c1ee7cbb6d3b85ebd6" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="g2_2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-7c666aca6511778e2156e625599ca3af">A tabela 2 e o gráfico 3 indicam o tempo de reação dos participantes quanto a condição congruência:</p>
      <fig id="figure-panel-4c7c88a86f6345f3189dce33d4463bc8">
        <label>Figure 7</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-277aeab0563781306a475b870a378bb6">Tabela 2</bold>: Tempo de reação quanto a condição Congruência (Congruente, Incongruente e Neutra). </title>
          <p id="paragraph-50084ec878cbba4a6f846d03b5bb9cfa"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-c1daf711842c1d2bd016a8f9a5155795" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="t2_2.png"/>
      </fig>
      <fig id="figure-panel-b3767252f8990a7b7e6295e0de366037">
        <label>Figure 8</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-217f22419eb0e1532883f2f8f4ad951a">Gráfico 3</bold>: Tempo de reação quanto a condição congruência (Congruente, Incongruente e Neutra).</title>
          <p id="paragraph-a8bbc9c677363d173b3a9e548cfd7c6c"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-cf97dfb008b019c29ae9dbd4f0f1be12" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="g3_2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-f63238edefb29e604bde51dcd0b7ab10">Observa-se que as condições: <italic id="italic-70d23581bb4158ec3fa703da32eb1cfd">congruente</italic> (1381ms, <italic id="italic-fe71395e0cb227344d5b69b3c08f43c3">dp = </italic>446) e <italic id="italic-b96bb523b61360f7cdda5f6d5e44f829">incongruente</italic> (1394ms, <italic id="italic-8ab5c16424276413db7941333b5dce3a">dp</italic> = 450) não diferiram entre si e ambas foram mais lentas que a condição Neutra (1229ms, <italic id="italic-35b0eb5e3b5b3340c017dfac38518034">dp = </italic>480) (F = 76,2959, p &lt; 0,001). De acordo com o resultado obtido, a condição neutra foi processada mais rápida em ambos os grupos (GE e GC). A hipótese sugestiva é que a condição neutra não exigiu muito esforço do CE, diferentemente da condição incongruente em que os estímulos apareceram na posição contralateral da tela do PC. Isso exigiu dos participantes uma demanda atencional e de memória de trabalho bem maior (Ferrari-Neto; Estivalet; Almeida, 2022). </p>
      <p id="paragraph-6080f5f730bb6adc8bd009b816828bae">No que tange aos Efeito de Interação, o gráfico 4 mostra que houve efeito na relação entre <italic id="italic-958dfdb86649d9a0ba421f5484bf125c">Grupo</italic> e <italic id="italic-fcafd6838fdce7f95edf149d94142e90">Tipo de Palavra</italic>:</p>
      <fig id="figure-panel-bf881d8d1332a181098dc61bf313c774">
        <label>Figure 9</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-6660f3d625c67e6daa856585004665cf"> Gráfico 4</bold>: Efeito de interação entre Grupo e Tipo de Palavra. </title>
          <p id="paragraph-e22550f50393a5a270c13ced4642337a"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-b0200c3fcdbb3f486c8733c6a2996d6b" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="g4_2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-bd0545024a26d679a931318f0ccfe05e">Nota-se que, em ambos os grupos, o processamento de blends foi mais lento ((GE = 1609ms, <italic id="italic-2a67691ce6e24efa77d91dbfae5a5097">dp </italic>= 524) e (GC = 1445ms, <italic id="italic-fd1bf300554e5456e154b2c173b589f0">dp </italic>= 423)) em comparação com as palavras complexas (PC) e pseudopalavras (PP). Diante disto, há algumas considerações: para os participantes sem TDAH, observa-se que as retas das PP e das PC tendem a se encontrar, um indicativo de diferença no tempo de reação entre esses dois tipos de palavras (GC = PP (1223ms, <italic id="italic-df421628f354eac1a347a4f86d7d7666">dp </italic>= 393) e PC (1158ms, <italic id="italic-d90305c95aa0b25756730e2868e8f937">dp </italic>= 318)). Para os participantes com TDAH, por sua vez, a tendência é que as PC (1214ms, <italic id="italic-8955a1de66dabf08af005a509342f107">dp </italic>= 388) sejam mais rápidas que as PP (1358ms, <italic id="italic-a81200d1387ad3441da1b8a2e8bf943f">dp </italic>= 470).Vale salientar que houve efeito de interação Grupo e Tipo de Palavra, mas não é relativo aos blends, e, sim, às diferenças entre pseudopalavras e palavras complexas no GC.</p>
      <p id="paragraph-85a6e896d9a0182700c202bb445dd818">O reconhecimento do <italic id="italic-27e629686fdb76bbc39fb38eb0619e6c">blend</italic> como um tipo de palavra resultante da fusão de duas palavras-fonte requer do participante uma maior atenção e capacidade de memória de trabalho. Além disso, a sobreposição e a transparência das partes dos <italic id="italic-c8a720258c9528f275314a082275feae">blends</italic> oriundas das palavras-base são fatores que podem dificultar o mapeamento e a integração destas partes e, por conseguinte, exigir um esforço cognitivo ainda maior. Isso pode justificar porque os participantes com TDAH tiveram o desempenho inferior em comparação com os participantes sem TDAH, haja vista que estes apresentam falhas no CE (Marangoni-Júnior, 2021, Minussi; Villalva, 2020; Barkley, 2002, Dupaul; Stoner, 2007). </p>
      <p id="paragraph-942fe4bcb49dd750bc7d3ee9df6bab8e">O gráfico 5 mostra o tempo de reação na interação entre <italic id="italic-3d7581c60b63191e5227c970c4f4a9bf">Grupo</italic> e Congruência:</p>
      <fig id="figure-panel-627d5fa3d46edfb431f4861a302cce0e">
        <label>Figure 10</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-09bf67f56b0b842ff13dc5797658db7a">Gráfico 5</bold>: Efeito de Interação entre Grupo e Congruência (Congruente, Incongruente e Neutra).</title>
          <p id="paragraph-edeecb42bde21323975bbb7886f860fb"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-bde0191c13751e3fd419b4fb2c1a5979" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="g5_2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-4ed103f627162d4c6a19c9be39332d22">Observa-se que não houve efeito de interação entre <italic id="italic-a76c6887f69b647e319fe0922383efd3">Grupo</italic> e <italic id="italic-3e302e74d4eb05f407c98dcf18a717f0">Congruência</italic>. Os grupos GE e GC foram mais lentos nas condições <italic id="italic-34f5f07397acd3050c0d161288763f0f">congruente</italic> (GE (1438ms, <italic id="italic-78875af282cb0ddc16017d5b2f88caa7">dp = </italic>463) e GC (1323ms, <italic id="italic-91d9ce96cfe0720a18ec48b7a905be94">dp = </italic>396)) e <italic id="italic-72cf32a1be35e016b55a40bfb04892bb">incongruente</italic> (GE (1455ms, <italic id="italic-3b7533a43f62aa204ab2766ea4d57ce1">dp </italic>= 472) e GC (1334ms, <italic id="italic-f4c4a47a640ebd89003d9aec13b07c8c">dp = </italic>385)) em comparação com a <italic id="italic-86dfa3c7cb0c72cb31de31c7e97613a3">neutra</italic> (GE (1288ms, <italic id="italic-a599c9ef6b90b2954a8a204cbb24756f">dp = </italic>503) e GC (1169ms, <italic id="italic-9d9a91b35f9f7368f7b833e074b59bdb">dp = </italic>413)). Este resultado corrobora com o ilustrado no gráfico 3. Como discutido anteriormente, a condição neutra não exige muito esforço cognitivo e, por isso, tende a facilitar o reconhecimento e acesso lexical dos estímulos apresentados na tela do PC. </p>
      <p id="paragraph-2b8fc39f52d26a490df2be8e6a07b388">O gráfico 6 ilustra o efeito de interação entre <italic id="italic-f244ec20c8122531e13a93f7158efb1e">Tipo de Palavra </italic>e <italic id="italic-4a4e0f0548b2f731807bc584523c8a2b">Congruência</italic>:</p>
      <fig id="figure-panel-f4305a36e89f1e88d3d6c0c86ba2b777">
        <label>Figure 11</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-5ed3f636faa0c67e4e0677058fa7cd9a">Gráfico 6</bold>: Efeito de interação entre Tipo de Palavra (Pseudopalavra, Palavra Complexa e Blend) e Congruência (Congruente, Incongruente e Neutro).</title>
          <p id="paragraph-e016c229a08e32a4bc359fe62385b4a3"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-40ce9909b03c4b2ff5e660e5a7037998" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="g6_2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-d656445a9841b135fc703a36998d54f4">Os resultados revelaram que não houve efeito de interação entre <italic id="italic-146aba2ed683c17f5a2858ce16be6a02">Tipo de Palavra</italic> e <italic id="italic-435298077f4572ec77f705241243c2e3">Congruência</italic>, pois os participantes com TDAH e sem TDAH tiveram um comportamento similar. As <italic id="italic-3fc51f89b02ee33474605d5dd8cddbc2">palavras complexas</italic> foram processadas mais rapidamente na condição <italic id="italic-8d09b1ff23f78c9f85c7a58160bdafb8">neutra</italic> (1047ms, <italic id="italic-922c58a93cf7381e4f5227cef02e5701">dp = </italic>359) do que nas <italic id="italic-018b3f01710f7381d7947d0b13ef0c91">pseudopalavras</italic> na condição <italic id="italic-0a6c10bcd335e8d7784dff3a9cecf577">congruente </italic>(1328ms, <italic id="italic-0620e03123cfff23e8f1920b680fd509">dp = </italic>427). Os <italic id="italic-ae46c649bbf960a83cf7cb178800e763">blends</italic> foram processados mais lentamente na condição <italic id="italic-0e115fb5c4a0f7fef2a6b5e9fc2e253d">incongruente </italic>(1577ms, <italic id="italic-9b6d1eeebf019a2fde06015de99747c4">dp = </italic>472). A possível explicação estaria em aspectos discutidos anteriormente: o impacto do CE (principalmente no que tange ao foco atencional e a capacidade da memória de trabalho) atrelado à dificuldade de reconhecimento dos Blends (devido ao maior custo cognitivo para o mapeamento e a integração das partes oriundas das palavras-base). Diante disso, o indivíduo despenderia maior tempo para decidir se o blend se enquadraria melhor ou na categoria <italic id="italic-561014bd961b689b60d8271db5754ded">palavra</italic> ou na categoria <italic id="italic-278b0068991d946ddd57523e1e5aa7ab">pseudopalavra</italic>. Essa junção de fatores pode indicar o motivo pelo qual as palavras morfologicamente complexas serem processadas mais rápido que as demais palavras testadas: elas estariam presentes no léxico mental e, por isso, seriam ativadas e reconhecidas mais rapidamente.</p>
      <fig id="figure-panel-fbda7ffed55be3888bd8222304d13f00">
        <label>Figure 12</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-c10a476cb9262f0c33eac3bc5f5d28a0">Gráfico 7: </bold>Acurácia dos blends quanto ao Grupo</title>
          <p id="paragraph-d325265bc655bb99a510dd360bf4b6f5"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-a8a1cd477dfa893e1e2089629b8ff618" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="g7_2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-6579c26bddb7caf6b4fcae3f2439ad84">A partir do número de acertos, percebe-se que houve um efeito de grupo. Os participantes com TDAH acertaram menos em comparação aos participantes sem TDAH. Esse resultado confirma a nossa hipótese de que os participantes com TDAH teriam mais dificuldades no reconhecimento e acesso lexical dos <italic id="italic-68d7cf64f2a172d8dbc3ae786762f3fe">blends</italic>. Como comentado anteriormente, o acesso lexical de <italic id="italic-f7db5b6d14ce188388a1b4ad71e61264">blends</italic> exige a plena capacidade de atenção e memória de trabalho. Por isso, os participantes do GE tiveram mais custo no reconhecimento e acesso lexical dos <italic id="italic-7720f802706039e34c16113835404c63">blends</italic> em comparação ao GC que teve mais acertos. </p>
      <p id="paragraph-9267253873882db49f8518e73b88c95d">O gráfico 8 ilustra a acurácia quanto ao fator<italic id="italic-907d04471ab990a078a834d354c20093"> Grau de Dificuldade dos Blends</italic>:</p>
      <fig id="figure-panel-41bc9b12286bb5f1a28bf1d2b25ceb3b">
        <label>Figure 13</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-2dd9eae3c22d972ef4fe0e31ffdea3bd">Gráfico 8: </bold>Acurácia quanto ao Grau de Dificuldade dos Blends.</title>
          <p id="paragraph-7455d5f2cc9554881ea86c07732b5c32"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-fbcefd161dafb730f4fa7f770b826027" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="g8_2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-a7c84d03ab993eead48eb37136c4adc6">Observa-se que não houve diferença no grau de dificuldade <italic id="italic-d98bac4a8a92e722a2ef94618630938a">média</italic> e <italic id="italic-4c3195b7976c4d2d58950a0982267237">baixa</italic>, pois houve número de acertos similares. A condição de dificuldade <italic id="italic-1f1344ad1437a52d9fb01bb594e3fbea">alta</italic>, por sua vez, teve menos acertos. Este resultado confirma também a nossa hipótese de que os participantes com TDAH acertariam menos <italic id="italic-20e3faa90b1ce06a9581df4c96ff6a50">blends</italic> com grau de dificuldade alta. Vale salientar que o mesmo ocorreu entre os participantes do GC. A possível explicação estaria na estrutura e na relação entre os constituintes que compõem os <italic id="italic-ff2845faf65e0c7e8e3c21fde78bdb78">blends</italic>: enquanto <italic id="italic-7e8ed9f71ae9c3a0716576ea4af50511">blends</italic> de dificuldade alta possuem menor material linguístico (<italic id="italic-1ef8467f9b6f691b9ab2de9467b9c0d8">blends</italic> tipo clip-clip ou CC) e a relação entre as partes constituintes desafiam a ordem canônica (<italic id="italic-6542d7799a1450eee5ab50ff731a2782">blends</italic> do tipo modificador-núcleo ou MN), os <italic id="italic-e0613edf7861628d0b83d243c3dee4cf">blends</italic> de dificuldade média possuem uma mescla estrutural e numa ordem que favorece a ordem canônica (<italic id="italic-33120a341e453ba7ed97aa7155736a7a">blends</italic> do tipo clip-palavra ou CP e núcleo-modificador ou NM), os <italic id="italic-d0681f9e010197a1b6b1f3643dd0065a">blends</italic> de dificuldade baixa possuem mais material linguístico transparente e menos sobreposto numa ordem que favorecem totalmente a ordem canônica da Língua Portuguesa (<italic id="italic-4bcaac5f82ae30309fdac2509f125957">blends</italic> do tipo palavra-palavra ou PP e núcleo-núcleo), o que facilita o reconhecimento lexical. Em suma, quanto maior material linguístico disposto em ordem canônica, mais rápido é a ativação no léxico mental e, por isso, os voluntários acertaram mais <italic id="italic-dc3861bf20bf8555124c4998320e3b78">blends</italic> de baixa dificuldade, seguido da média e baixa dificuldade.</p>
      <p id="paragraph-e7d182cd80b8ce1f19eb7e30f4dd08a8">O gráfico 9 mostra a acurácia das respostas considerando a condição <italic id="italic-f3ff6f63eac2a917903bad42d909a4b3">congruência</italic>:<bold id="bold-ac5c66b91004c9aa26a95f2a2972889d"/></p>
      <fig id="figure-panel-d3d01ee4c3811b9c1016bfb47e74e40b">
        <label>Figure 14</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-3ce23061cd3788a3f0a18df4d80f05f2"> Gráfico 9</bold>: Acurácia quanto à congruência (congruente, incongruente e neutro). </title>
          <p id="paragraph-29cad42d3c4ee969900b1d4749d8a323"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-9a8a06b30521594c5feb095785e6eba8" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="g9_2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-03ae864b24c093c2eceb838cdc34642d">Observou-se também que os participantes, tanto do GE quanto do GC, acertaram mais <italic id="italic-e4735703b03461a90e02ec93a45d071b">blends </italic>quando estes eram apresentados na posição c<italic id="italic-c39d23ec5ba9f69d7c0ee8a406ecac80">ongruente</italic> em comparação quando aos <italic id="italic-3b5ec7ff05d0a6478c2fdd2e32105f25">blends</italic> apresentados na posição <italic id="italic-15e18d41d734bef1afe2f7e38258409a">neutra</italic> da tela do computador. Além disso, não houve diferença significativa de acertos na comparação entre a condição <italic id="italic-735420af0ef71d468e0479b99b607e3b">neutra</italic> e a <italic id="italic-fc981ae67c6f8c621d5aced505792668">incongruente</italic>. Estes resultados indicam que o que favorece a acurácia, em termos de congruência, é o que pressupõe menor esforço cognitivo, por isto a condição Incongruente teve mais erros. </p>
      <p id="paragraph-681df1ee7927131dcb6d8168ec76ad7d">A seção seguinte compila os achados e discussões da presente pesquisa e pressupõe apontamentos futuros.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-f3bb0c5b2e69586ceb34e99395e7ae37">
      <title>4. Considerções finais</title>
      <p id="paragraph-60cf988b1ca6b9198d312dc5e0ccfc38">Nosso estudo buscou investigar se os <italic id="italic-828d2702f67a3303430586ad7d1147f1">blends</italic> são processados mais rapidamente que palavras morfologicamente complexas entre os grupos experimental (GE - com TDAH) e controle (GC - sem TDAH). Este trabalho procurou verificar a influência do controle executivo no acesso lexical de palavras complexas e dos <italic id="italic-931c995b7b2866fefdcf4117cad712c5">blends</italic>, além de comparar o desempenho entre o GE e o GC para analisar se as distinções cognitivas repercutem no acesso lexical e constatar os tipos de palavras que facilitam e os que dificultam o processamento. Buscou-se fornecer dados que contribuíssem para a compreensão sobre o processamento de <italic id="italic-4e9d26f11d0505d4608e8ec2162bed97">blends</italic> em dois grupos distintos e, diante dos resultados preliminares, considerou-se que: o grupo com TDAH revelou-se ser mais lento que o Grupo Controle. Diante de uma leitura acerca de um fenômeno linguístico usado com menos frequência no nosso cotidiano, como é o caso dos <italic id="italic-110fa7d50842fd48deb4134a6aad3498">blends</italic>, pressupôs-se que os sujeitos com TDAH teriam mais dificuldades para reconhecer os <italic id="italic-9b668f23a957cc5a51cc3e53d4e4e7b8">blends </italic>e, consequentemente, dificultaria a compreensão leitora destes indivíduos. Embora a condição <italic id="italic-1fa90117096b7015e9cda635a5b35db5">Neutra</italic> tenha gerado um tempo de reação menor dos participantes com TDAH e os que não possuem este transtorno, a condição <italic id="italic-0acf200ffdefb7f34d05ac41d6953418">Congruente</italic> foi a que gerou mais acertos. </p>
      <p id="paragraph-4fdccb79707fb44a88df96e58fa3dd58">Devido ao fato dos resultados serem preliminares e diante da necessidade de ampliação do entendimento acerca do acesso lexical dos <italic id="italic-4b60e98056a99f8b5f002b9188e0a89f">blends</italic> em estudantes universitários com TDAH e sem TDAH, pretende-se fazer um novo experimento com uma amostra maior de voluntários do grupo controle e do grupo experimental, se possível, e mediante a equiparação amostral dos grupos analisados, averiguar se as tendências dos efeitos principais e dos efeitos de interação permanecem ou se modificam.</p>
      <p id="paragraph-8a606a754c28f314a0788978c5e0d601">Futuras pesquisas podem explorar ainda mais as nuances do blending em diferentes línguas e contextos linguísticos, bem como investigar suas relações com outros aspectos da psicolinguística, a saber, em interface com a saúde, a fim de aprofundar nosso conhecimento sobre este fenômeno tão fascinante e complexo. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-dab18c6df084d5ddb8871ac5ba2c62e4">
      <title>Agradecimentos</title>
      <p id="paragraph-4e7ab6ce2df497fd066f2fac975d9904">Agradecemos a todos os participantes voluntários desta pesquisa do grupo experimental (estudantes universitários com TDAH) e do grupo controle (estudantes universitários sem sintomas associados ao TDAH), bem como a Douglas Medeiros por ter nos ajudado gentilmente na elaboração do experimento <italic id="italic-df60d58282325c3bf2fd0102ca2d0f30">on-line</italic> deste estudo. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-b20215e7a7fdc36844d18267e348e041">
      <title>Informações Complementares</title>
      <p id="paragraph-23dd0c3904537938e3fdb528caed87b2">
        <bold id="bold-76c1b36dda72b7b2dbffff389071ce3e">Conflito de Interesse</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-4e7f00371eff2c37cda26692b6c88322">Os autores declaram não ter interesses conflitantes.</p>
      <p id="paragraph-042952b5d314d1ad6e7bcee3527145c4">
        <bold id="bold-f36b4ddaf89ed48c3e3d8df42c5afd7c">Declaração de Disponibilidade de Dados</bold>
      </p>
      <p id="heading-b2b19cb0c06468aaa80831c38736e335">Os dados, códigos e materiais que apoiam as conclusões deste estudo estão disponíveis abertamente em Open Science Framework - OSF em https://osf.io/d27pn </p>
      <p id="paragraph-8ee63a4c371223606aa23af50570794f">
        <bold id="bold-5cd248abbe11da98c8dd70fb0a7bd7b9">Consentimento e ética</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-0c638f78a113b348bca3c79bf70b9504">O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba (CEP/CCS/UFPB), conforme a Resolução n.510/2016 do CNS/MS, emitida em 26 de março de 2020. <bold id="bold-8ef52336abad65175c2152b5e95026ac"/></p>
      <p id="paragraph-e9ba709e97b05c4de950c8e7ee8ab0fc">
        <bold id="bold-0136c61f24bfbc54769fd499dfd4a26b">Fonte de Financiamento</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-ffbeb444aecc122528679b25db96a822">Este estudo foi financiado pelas Agências de Fomento: CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e FAPESQ-PB (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado da Paraíba). <bold id="bold-4c13d0b057075f36bc2873e44ccbc709"/></p>
    </sec>
    <sec id="heading-ef908ce5688792bd1fef9a8d4102ffa8">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-816c8d392f8a35353503f6e70afc81a7">AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. <bold id="bold-32f17cb7909bb2afbd099cbe3ffbec17">Referência rápida aos critérios diagnósticos do DSM-5-TR</bold>. 5.ed. Porto Alegre: Artmed, 2023.</p>
      <p id="paragraph-e1077cb56e16e28645d38d75be115140"><ext-link id="external-link-7ecca35966f7ad9bb6bf587f562f7eed"/>BARKLEY, Russel Alan. <bold id="bold-7cea94a332c79b093639884291aac217">ADHD and the nature of self-control</bold>. 1.ed. New York: Guilford Press, 1997.</p>
      <p id="paragraph-80f28bedbad1bf0642b946bc50a06dae">BARKLEY, Russell Alan. <bold id="bold-3">Transtorno do déficit de atenção/hiperatividade – TDAH: </bold>guia completo para pais, professores e profissionais da saúde. 1.ed. Porto Alegre: Artmed, 2002.</p>
      <p id="paragraph-7">DIAMOND, Adele. Executive functions.<bold id="bold-4"> Annual review of psychology</bold>, Vancouver, v.64, p.135–168, set. 2013. DOI https://doi.org/10.1146/annurev-psych-113011-143750. Acesso em: 26 de janeiro de 2024. </p>
      <p id="paragraph-8">DUPAUL, George J.; STONER, Gary. <bold id="bold-5">TDAH nas escolas</bold>: estratégias de avaliação e intervenção. 1.ed. São Paulo: M. Books, 2007. </p>
      <p id="paragraph-10">FILIPEK, Pauline A.; SEMRUD-CLIKEMAN, M.; STEINGARD, R. J., RENSHAW, P. F.; KENNEDY D.N.; BIEDERMAN J. Volumetric MRI analysis comparing subjects having attention-deficit hyperactivity disorder with normal controls. <bold id="bold-6">Neurology</bold>, California, v.48, p.589-601, dez.1995/ago.1996, 1997. DOI https://doi.org/10.1212/WNL.48.3.589. Acesso em: 20 de janeiro de 2024. </p>
      <p id="paragraph-12">FERRARI NETO, José; ESTIVALET, Gustavo Lopez.; ALMEIDA, Priscilla de Albuquerque. Dificuldades de leitura de estudantes universitários com TDAH: um estudo da influência da memória de trabalho na compreensão leitora. <bold id="bold-7">Diacrítica</bold>, Minho, v.36, n.1, p.163–182, 2022. DOI https://doi.org/10.21814/diacritica.4779. Acesso em: 20 de janeiro de 2024. </p>
      <p id="paragraph-14">MARANGONI JUNIOR, César Elídio. A Interface Morfologia-Fonologia no Blending: uma Análise pelo Modelo da Teoria da Otimidade. <bold id="bold-8">Letras</bold>, Curitiba, v.103, n.1, p.28-53, jan./jun. 2021. DOI http://dx.doi.org/10.5380/rel.v103i1.84111. Acesso em: 17 de janeiro de 2024.</p>
      <p id="paragraph-16">MEDINA, Giovanna Beatriz Kalva; SOUZA, Fabíola Fleischfresser de; GUIMARÃES, Sandra Regina Kirchner.<bold id="bold-9"> </bold>Funções executivas e leitura em crianças brasileiras com dislexia do desenvolvimento.<bold id="bold-10"> Revista da Associação Brasileira de Psicopedagogia</bold>, São Paulo, v.35, n.107, p. 168-179, abr./maio. 2018. Disponível em: https://cdn.publisher.gn1.link/revistapsicopedagogia.com.br/pdf/v35n107a05.pdf. Acesso em: 17 de janeiro de 2024.</p>
      <p id="paragraph-19">MINUSSI, Rafael Dias; VILLALVA, Alina Maria Santos Mártires. Reconhecimento e acesso lexical dos blends em português europeu e português brasileiro. <bold id="bold-11">Todas as Letras – Revista de Língua e Literatura</bold>, São Paulo, v.22, n.1, p.1-14, jan./abr. 2020. DOI 10.5935/1980-6914/eLETDO2012839.</p>
      <p id="paragraph-21">ROSA, M. C. “As Subdivisões da Morfologia”. <italic id="italic-b30467759d1687c11238efd45b1dfe9f">In</italic>:______.<bold id="bold-12">Introdução à Morfologia</bold>. Contexto: São Paulo, 2022, p.147-178.</p>
      <p id="paragraph-23">ROTTA, Newra Tellechea; OHLWEILER, Lygia; RIESGO, Rudimar dos Santos. <bold id="bold-13">Transtornos da aprendizagem</bold>:<bold id="bold-14"> </bold>abordagem neurobiológica e multidisciplinar. 2.ed. Porto Alegre: Artmed; 2016.</p>
      <p id="paragraph-24">SMITH, Edward E.; GEVA, Anat. “Working Memory and Its Connections to Language Processing”. In: GRODZINSKY, Y.; SHAPIRO, L. P.; SWINNEY, D. <bold id="bold-15">Language and the Brain-representation and Processing</bold>. San Diego: Academic Press, 2000, p.123-141.</p>
      <p id="paragraph-25">VILLALVA, Alina Maria Santos Mártires; MINUSSI, Rafael Dias. <bold id="bold-16">Description and analysis of a Portuguese blend corpus</bold>. Corpus [online], conectado desde março de 2022. DOI: https://doi.org/10.4000/corpus.6436. Acesso em: 14 de maio de 2024.</p>
      <p id="paragraph-27">WHIPPLE, Brittany; NELSON, Jason M. Naming Speed of Adolescents and Young Adults with Attention Deficit Hyperactivity Disorder: Differences in Alphanumeric Versus Color/Object Naming. <bold id="bold-17">Archives of Clinical Neuropsychology</bold>, v.31, p.66–78, 2016. DOI https://doi.org/10.1093/arclin/acv061. Acesso em: 14 de janeiro de 2024. </p>
    </sec>
    <sec id="heading-4af611fdc9d4b24b08c5e75d1c0a5c66">
      <title>Avaliação</title>
      <p id="paragraph-d1b922294c520ee67706e310b86632c7"><bold id="bold-16b6df8fe79d54d398b717750483b40f">DOI:</bold> https://doi.org/10.25189/2675-4916.2024.V5.N2.ID767.R</p>
      <sec id="heading-ee9fb74bd93a11eddd691becbadbd6c0">
        <title>Decisão Editorial</title>
        <p id="paragraph-b415f0dfb0325c17c66076ecfbce99b9">EDITOR: Elena Ortiz Preuss</p>
        <p id="paragraph-fb285d573046baaf370d257448c8c23c">ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8149-7738</p>
        <p id="paragraph-a092515db5934848818fe7dc341a0463">AFILIAÇÃO: Universidade Federal de Goiás, Goiás, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-b703e08406315f74390c89d9a170292e">-</p>
        <p id="paragraph-e5f28fe6097fa68a4841c1c903efd0e6">CARTA DE DECISÃO: O artigo "Acesso lexical em universitários com TDAH: investigando o impacto do Controle Executivo e dos blends no processamento linguístico" de Priscilla de Albuquerque Almeida, Nathália Leite de Sousa Soares, Karla Araújo Pinheiro e José Ferrari Neto oferece uma contribuição significativa para a área da neuropsicologia e linguística aplicada, ao explorar a interseção entre o processamento lexical de palavras blends e as dificuldades executivas características do TDAH. Este estudo inovador combina dois tópicos pouco investigados em português brasileiro: a formação e processamento de palavras blends, como "namorido", e o impacto do déficit de controle executivo em indivíduos com TDAH. Embora de caráter exploratório, os resultados preliminares fornecem evidências robustas de que universitários com TDAH apresentam maior lentidão e maior taxa de erros no reconhecimento e acesso lexical de blends, especialmente em condições de alta demanda executiva, como as incongruentes. Este achado ressalta a influência significativa do controle executivo no processamento linguístico, oferecendo novas perspectivas para a formulação de modelos de processamento lexical que considerem as particularidades cognitivas de indivíduos com TDAH. Além disso, a intenção de expandir a amostra sugere um compromisso contínuo com a validação e aprofundamento das descobertas, o que poderá enriquecer ainda mais o campo de estudo.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-2ac61bb44e1108ff376902b04fb02d70">
        <title>Rodadas de Avaliação</title>
        <p id="paragraph-1f24fd5e1a33ed716ea0c41098d4aa85">AVALIADOR 1: Marije Soto</p>
        <p id="paragraph-d6e2e29f0b0e0bb1df67433ba27d571d">ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4232-265X</p>
        <p id="paragraph-e78c3b368dab306b9d6d74147fc49d45">AFILIAÇÃO: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-0891aed0ef804a1c9347f71192e5f8e0">-</p>
        <p id="paragraph-29cbdc07d5e81566e5259913c15329b8">AVALIADOR 2: Angela Inês Klein</p>
        <p id="paragraph-d70e0ba22758d95c576dcd6c6e4619cd">ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6230-7938</p>
        <p id="paragraph-2da57df1aaca92a4b4be3d564fadd710">AFILIAÇÃO: Universidade Federal de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-4a7ca398b84dd24bdcd903277a178737">-</p>
        <p id="paragraph-8775a6ba29c6dadb3de477c7edb8db98">
          <bold id="bold-476d9c2d36462b20ba9b93fb2b28a7c1">RODADA 1</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-c378147f797e08c2e88469ed04f1f513">AVALIADOR 1 </p>
        <p id="paragraph-372d7ac32a2560beb1d089e6d13bb88e">2024-04-19 | 03:57 PM</p>
        <p id="paragraph-3cca91f89eade49a2191c6ed2e1f244b">Este estudo investiga o efeito do controle executivo sobre o processamento das palavras do tipo blend (ex. namorido) em universitários com TDAH. A hipótese é que o processamento desse tipo de palavra requer um esforço de controle executivo (CE) maior comparado a palavras formadas por outros processos derivacionais. Esse esforço adicional geraria um impacto maior em participantes com TDAH, visto que a deficiência no CE é uma das características principais do quadro de TDAH. O estudo investiga essa hipótese isso por meio de uma metodologia interessante: um experimento com a Tarefa de Decisão Lexical com Simon, que mistura aspectos de demanda de CE com a apresentação de palavras experimentais, comparando o desempenho do grupo experimental com grupo controle (sem TDAH). Os resultados confirmam a hipótese, mostrando ainda uma dificuldade gradual entre os tipos diferentes de blends, com impacto da manipulação de congruência na tarefa Simon, com peso maior para o o grupo de participantes de TDAH. Este estudo traz ao mesmo tempo dados empíricos de duas áreas pouco investigadas em PB: o processamento de palavras do tipo blend e o processamento de pessoas com TDAH. Portanto, o estudo, embora talvez ainda no estágio preliminar, consegue trazer achados importantes para a área de psicolinguística.</p>
        <p id="paragraph-4c1aa3c9e691d95cfa779a6706e91e69">-</p>
        <p id="paragraph-fa79ab2fca4e6a427df46ec2491290d3">AVALIADOR 2</p>
        <p id="paragraph-179f85f8836aaa492075b0dd6e7fc379">2024-04-22 | 04:25 PM</p>
        <p id="paragraph-52133749d371c555aeed9e631234d17b">O presente artigo científico objetivou investigar se os blends são processados mais rapidamente que palavras morfologicamente complexas ou pseudopalavras. Para tanto, foi criada uma Tarefa de Decisão Lexical com Simon, composta por 60 blends distribuídos em três níveis de dificuldade (alta, média e baixa), 60 palavras complexas e 120 pseudopalavras nas condições congruente, incongruente e neutra. Participaram da pesquisa 18 estudantes universitários com diagnóstico de TDAH e 8 sem sintomas associados ao TDAH, de acordo com dois testes psicométricos. A metodologia apresenta informações relevantes sobre os participantes bem como sobre o design experimental, mas permanecem algumas incertezas sobre o material utilizado e os procedimentos. Nos resultados e discussão são apresentados 9 gráficos e 2 tabelas com informações esclarecedoras, comparando grupo, tipo de palavra e condição. De forma geral, os dados mostraram que o grupo com TDAH revelou-se ser mais lento que o grupo sem o transtorno. No entanto, uma discussão mais aprofundada, em que outras pesquisas são citadas, seria bem vinda. Nas considerações finais, embora seja apresentado o resultado geral que contemple o objetivo principal, seria interessante uma retomada dos objetivos específicos e de como os resultados desta pesquisa podem ajudar pessoas com TDAH. </p>
        <p id="paragraph-06ecabaa350b1c5eda349499e33975da">-</p>
        <p id="paragraph-48f8b5c7e65c142741c8878e638231f4">
          <bold id="bold-1eb39dc2a1f4646db0b62f04c5fefd1e">RODADA 2</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-fe67bcd0ed2d04a9b0c4e2da105a59f3">AVALIADOR 2</p>
        <p id="paragraph-b9e493a30ded521450c2ceeb06ea68be">2024-06-20 | 01:47 PM</p>
        <p id="paragraph-9b81688ea25771f13a4165be980b397a">Acabei de ler os comentários dos autores no novo manuscrito. Todas as minhas sugestões foram consideradas. Acho que o texto pode ser publicado agora. </p>
      </sec>
    </sec>
  </body><back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-f0ecd757fd7fc925aa874771fae4684f">
        <p id="paragraph-06f6f820d598643591d92fdf66ddfbdc"/>
      </fn>
    </fn-group>
  </back></article>
