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      <article-id pub-id-type="doi">10.25189/2675-4916.2025.V6.N3.ID796</article-id>
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          <subject content-type="Tipo de Contribuição">Ensaio Teórico</subject>
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        <article-title>Empréstimos linguísticos: conceitos centrais e o caso do <italic id="italic-1">wasei eigo</italic></article-title>
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          <trans-title>Loanwords: core concepts and the case of wasei eigo</trans-title>
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            <given-names>Júlia Cristina Valverde da</given-names>
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            <surname>Amarante</surname>
            <given-names>Dirce Waltrick do</given-names>
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        <institution content-type="orgname">Programa de Pós Graduação em Linguística - Universidade de Brasília (UnB), Brasília, Distrito Federal, Brasil</institution>
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        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina, Brasil</institution>
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      <volume>6</volume>
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        <date date-type="accepted" iso-8601-date="2025-10-28"/>
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      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Este ensaio se propõe a delinear, em linhas gerais, o fenômeno conhecido por "empréstimo linguístico" e apontar os principais procedimentos por meio dos quais itens estrangeiros são integrados a outro sistema linguístico. Ademais, como um caso em estudo, a questão do <italic id="italic-2">wasei eigo</italic> e de sua tipologia serão tratados a fim de enquadrar os empréstimos como fatos da cultura e da língua de chegada.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000001">This essay aims to define the linguistic phenomenon known as "loanwords" and identify the main processes through which foreign elements are integrated into a different linguistic system. Additionally, as a case study, the linguistic typology of <italic id="italic-3">wasei eigo</italic> will be discussed to contextualize loanwords within the receiving culture and language.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd>Empréstimo Linguístico</kwd>
        <kwd><italic id="italic-4">Wasei Eigo</italic></kwd>
        <kwd>Inglês do Japão</kwd>
      </kwd-group>
      <kwd-group xml:lang="en">
        <kwd>Loanwords</kwd>
        <kwd><italic id="italic-5">Wasei Eigo</italic></kwd>
        <kwd>Japanese-English</kwd>
      </kwd-group>
    <pub-date pub-type="epub"><day>31</day><month>12</month><year>1969</year></pub-date>
    <pub-date pub-type="pub"><day>30</day><month>12</month><year>2025</year></pub-date></article-meta>
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    <sec id="heading-00000000000000000000000000000001">
      <title>Resumo para não especialistas</title>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000002"><bold id="bold-29">Título:</bold> Por que usamos palavras de outras línguas? O caso do inglês e japonês</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000003">Este breve trabalho busca entender como uma língua "pega emprestadas" palavras de outros idiomas. O foco está em como esse fenômeno se desenrola no contexto do Japão e nas expressões únicas conhecidas como <italic id="italic-6">wasei eigo</italic>.</p>
    </sec>

    <sec id="heading-00000000000000000000000000000002">
      <title>Introdução</title>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000004">A integração de palavras estrangeiras a uma dada língua é dos meios pelos quais o sistema linguístico é ampliado em termos expressivos, referenciais e formais. Os contatos linguísticos, facilitados e exponenciados pelo advento tecnológico, são as forças motrizes da circulação e da adoção de novas formas lexicais estrangeiras. Nesse sentido, o fenômeno do empréstimo se torna basilar para a constituição das línguas, seja ele resultado do intercâmbio cultural, das trocas linguísticas em ambientes virtuais ou da proximidade territorial e geográfica entre duas ou mais línguas. Uma viagem diacrônica, ancorada na gramática histórica, revela, assim, como a adoção de empréstimos é um processo não apenas de ampliação do léxico de uma língua, mas também de diversificação de produção literária, científica e cultural.</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000005">Os empréstimos emergem de situações em que os falantes tentam reproduzir padrões linguísticos na tentativa de lidar com as demandas de novas situações enunciativas. Dessa maneira, no centro da definição de empréstimo está a tentativa de reprodução "em uma língua de padrões anteriormente encontrados em outra<sup><xref ref-type="fn" rid="footnote-00000000000000000000000000000001" id="external-link-1">[1]</xref></sup>" (<xref ref-type="bibr" rid="ref-haugen-1950">Haugen, 1950, p.212</xref>, tradução nossa). Também denominados "estrangeirismos", os empréstimos deixam uma marca indelével na língua, até se integrarem completamente ao novo sistema, gerando as mais diversas reações, desde a aceitabilidade acrítica a um purismo linguístico com traços de xenofobia<sup><xref ref-type="fn" rid="footnote-00000000000000000000000000000002" id="external-link-2">[2]</xref></sup> (<xref ref-type="bibr" rid="ref-bagno-2017">Bagno, 2017, p.107</xref>).</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000006">Em sua leitura de <xref ref-type="bibr" rid="ref-haugen-1950">Haugen (1950, p.212)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref-alves-2008">Alves (2008)</xref> sustenta que as unidades lexicais advindas de outras línguas podem adentrar o novo sistema por dois processos, a saber, o de importação ou substituição. No primeiro, as unidades são aceitas como elementos do novo sistema e consideradas como inovações; enquanto o segundo processo abarca as instâncias de decalque e de empréstimo semântico. A entrada de estrangeirismos, contudo, não acontece de forma uniforme, sendo os processos de integração variados em espécie e linguisticamente motivados pelo sistema receptor. Ademais, a "travessia" de uma palavra de um sistema a outro não garante sua integridade semântica, sendo comum que o empréstimo passe a deter sentidos diferentes da palavra da qual partiu (<xref ref-type="bibr" rid="ref-bagno-2017">Bagno, 2017, p.107</xref>). Nesse sentido, este breve ensaio terá por enfoque precisamente a alteração semântica em um caso particular de estrangeirismo, isto é, um fenômeno em que anglicismos são manipulados e ressignificados na língua japonesa, ocasionando o que linguistas denominam de <italic id="italic-7">wasei eigo</italic> (和製英語). Antes de adentrar o tópico, contudo, delinearemos os principais processos a partir dos quais empréstimos são geralmente integrados a uma língua e, posteriormente, indicaremos o que torna o caso do <italic id="italic-8">wasei eigo</italic> tão peculiar em termo de processos de estrangeirização de um idioma.</p>
    </sec>

    <sec id="heading-00000000000000000000000000000003">
      <title>1. Processos usuais de integração de empréstimos linguísticos</title>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000007">Por fazerem parte do processo formativo das línguas, os empréstimos são um meio pelo qual o conteúdo lexical, expressivo e referencial de um sistema linguístico é expandido ao se adotar e adaptar termos de uma língua estrangeira à de chegada (<xref ref-type="bibr" rid="ref-carvalho-2002">Carvalho, 2002</xref>). A ampliação sistemática, empreendida pela integração de empréstimos, atua de forma mais significativa em determinados estratos da língua do que em outros. Ou seja, o que <xref ref-type="bibr" rid="ref-carvalho-2002">Carvalho (2002)</xref> denomina de "lexemas" (ou palavras lexicais) -palavras que representam o universo extralinguístico nomeando atividades, coisas e qualidades-são os itens mais passíveis de receberem influência dos estrangeirismos, já que são classes de palavras abertas com forte componente semântico, incluindo em seu arsenal os verbos, adjetivos, substantivos e advérbios nominais. Em contraposição aos lexemas, haveria, ainda a categoria de gramemas, relativamente estáveis, constituindo a parte formal e interna da língua, sendo pouco receptiva a neologismos ou inovações e atuando como "palavras-ferramenta", classe na qual estariam presentes os artigos, preposições, pronomes relativos e alguns advérbios.</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000008">Apesar de serem usados de forma intercambiável em certos contextos, <xref ref-type="bibr" rid="ref-carvalho-2002">Carvalho (2002)</xref> estabelece uma distinção entre "estrangeirismo" e "empréstimo" e, a partir de uma visão saussuriana dicotômica, define o estrangeirismo como um fenômeno da <italic id="italic-9">parole</italic>, ou seja, decorrente de usos concretos individualizados, e o empréstimo enquanto a socialização e o uso difundido, integrante da <italic id="italic-10">langue</italic>.</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000009">Seja como for, ao adentrar um sistema receptor, o termo estrangeiro passa por certos processos de normatização para se conformar fonológica, morfossintática e semanticamente à língua-alvo. A primeira adaptação é de cunho fonológico e visa a adequar o elemento estrangeiro ao sistema fonético do idioma receptor. Anglicismos de ampla circulação no Brasil como <italic id="italic-11">McDonalds, Facebook, crush, cringe</italic> são pronunciados diferentemente em língua portuguesa, considerando as restrições fonéticas estabelecidas pelo sistema que tende a exigir, por exemplo, que vogais de apoio (<italic id="italic-12">Facebook</italic> → Feicibuqui) sejam utilizadas caso uma palavra termine em consoante. Enquanto processo de incorporação de empréstimos, a adaptação fonológica também abarca a substituição fônica, quando um dado fonema não existe no inventário fonêmico da língua receptora e é substituído por um fonema "nativo"; e encurtamento, quando palavras originalmente longas são condensadas (e.g <italic id="italic-13">appatomento</italic>, empréstimo do inglês para a língua japonês, torna-se <italic id="italic-14">apaato</italic>).</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000010">A segunda categoria normativa pela qual alguns estrangeirismos passam é de caráter morfossintático, tornando os itens lexicais passíveis de serem flexionados em número e gênero, ou conjugados, no caso de verbos, tais como os demais componentes do sistema linguístico de chegada (e.g duas katanas; três Méquis; bloggar), sujeitando-os, assim, a comportamentos morfossintáticos da língua receptora (<xref ref-type="bibr" rid="ref-harmon-1994">Harmon, 1994, p.468</xref>). Essas adaptações na dimensão morfossintática, que vão desde flexões morfológicas, verbalizações e marcação de caso até reduções morfológicas, são necessárias devido às restrições estruturais intrínsecas à língua receptora e visam a garantir inteligibilidade e aceitação da comunidade em que o novo item circulará.</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000011">Um outro processo de integração de empréstimos diz respeito ao decalque, que consiste na tradução literal de um item para a língua receptora, constituindo um caso de empréstimo semântico, como arranha-céu (<italic id="italic-15">skycraper</italic>) e alta-costura (<italic id="italic-16">haute couture</italic>) (<xref ref-type="bibr" rid="ref-carvalho-2002">Carvalho, 2002</xref>).</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000012">Cumpre mencionar, ainda, que o processo de adaptação ortográfica, que pervade outros procedimentos de incorporação de empréstimo, atua como um mecanismo de absorção do item, padronizando-o, dicionarizando-o e firmando seu status na língua. Entre exemplos de adequação ortográfica, citam-se bife (<italic id="italic-17">beef</italic>); pudim (<italic id="italic-18">pudding</italic>); esporte (<italic id="italic-19">sport</italic>)-que resultam da adaptação fônica (<xref ref-type="bibr" rid="ref-borceda-2006">Borceda, 2006, p.40</xref>). Em língua japonesa, que faz uso de vários sistemas de escrita, o <italic id="italic-20">katakana</italic>, é o silabário mais associado à escrita de palavras estrangeiras não chinesas e é a forma mais comum de adaptação ortográfica (<xref ref-type="bibr" rid="ref-irwin-2011">Irwin, 2011</xref>), como em コーヒー (kōhī)- café; ページ (pēji)-página.</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000013">No que concerne os aspectos semânticos, o item estrangeiro pode ser significativamente restrito durante a transferência, tendo apenas parte de suas acepções originais transplantadas para a língua receptora. Nesse sentido, o empréstimo seria, inicialmente, monossêmico e referencial; contudo, tendo em vista seu novo ambiente sociolinguístico e cultural, a palavra tenderia à polissemia, perdendo ou modificando seu significado primeiro. Um exemplo de restrição semântica é <italic id="italic-21">reduce</italic>, do inglês, que, em japonês, <italic id="italic-22">ridyūsu</italic>, passou a significar apenas reduzir lixo como meio de proteção ambiental ((<xref ref-type="bibr" rid="ref-hosokawa-2023">Hosokawa, 2023</xref>).</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000014">Essa alteração semântica, representativa dos fenômenos de empréstimos, é socialmente motivada e vinculada. Isto é, a motivação por trás da adoção de um estrangeirismo pode ser cultural, com a transferência de padrões de ação, procedimentos técnicos, práticas beligerantes, ritos religiosos e condutas, conforme propõe <xref ref-type="bibr" rid="ref-bloomfield-1933">Bloomfield (1933, p.445)</xref>; no entanto, a integração do empréstimo não visa a servir interesses da língua/cultura de origem. Entende-se, dessa forma, que, apesar da denominação "empréstimo" remeter à tomada de um objeto de forma obsequiosa, o fenômeno em si revela, na verdade, a autonomia de que as línguas gozam para se renovar constantemente, conforme veremos com o caso do <italic id="italic-23">wasei eigo</italic>, na seção seguinte.</p>
    </sec>

    <sec id="heading-00000000000000000000000000000004">
      <title>2. Do <italic id="italic-24">Wase eigo</italic> ou inglês do Japão: Falsos anglicismos ou palavras japonesas?</title>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000015">Pode-se dizer que o processo de importação de termos ingleses à língua japonesa teve como gênesis oficial a abertura do país asiático ao ocidente, durante a Restauração Meiji, no século XIX. O advento da 2ª guerra mundial, contudo, gerou uma série de políticas linguísticas restritivas quanto ao uso da língua inglesa, as quais caíram por terra durante a ocupação estadunidense, após o fim do conflito mundial, em 1945 (<xref ref-type="bibr" rid="ref-stanlaw-1992">Stanlaw, 1992, p.61</xref>). Os empréstimos linguísticos de origem inglesa, então, resistiram à passagem do tempo, adentrando as mais diversas áreas chegando, inclusive, a representar 10% dos itens lexicais usados diariamente por japoneses, segundo uma pesquisa realizada entre 1970 e 1974, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Linguísticas do Japão (<xref ref-type="bibr" rid="ref-stanlaw-1992">Stanlaw, 1992</xref>).</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000016">Tendo em vista a posição ainda ocupada pelo inglês como língua franca, é de se imaginar que se houve alguma modificação no cenário sociolinguístico do Japão foi apenas no sentido de incluir ainda mais anglicismos. Além dos empréstimos diretos (ver quadro 1), que passam pelos processos de integração anteriormente citados (e.g adequação fonológica), há também aqueles "quase-empréstimos", produzidos no Japão para uso doméstico, fenômeno sobre o qual nos deteremos a seguir.</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000017">O quadro 1 abaixo lista nove palavras de origem inglesa, suas transliterações para o japonês (em <italic id="italic-25">katakana</italic> e em alfabeto romano) e os respectivos itens dos quais se originaram. Os dados são organizados em duas colunas: "Palavra/transliteração" e "Item original".</p>

      <table-wrap id="table-figure-00000000000000000000000000000001">
        <label>Quadro 1</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-1">Quadro 1. </bold>Lista de empréstimos das palavras em inglês mais frequentes no Balanced Corpus of Contemporary Written Japanese.</title>
          <p id="paragraph-00000000000000000000000000000018"><bold id="bold-2">Fonte: </bold>Elaboração a partir dos dados do Balanced Corpus of Contemporary Written Japanese (2025).</p>
        </caption>
        <table id="table-00000000000000000000000000000001">
          <tbody>
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              <th id="table-cell-00000000000000000000000000000001"><bold id="bold-3">Palavra/ transliteração</bold></th>
              <th id="table-cell-00000000000000000000000000000002"><bold id="bold-4">Item original</bold></th>
            </tr>
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              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000003">センター/ senta</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000004"><italic id="italic-26">center</italic></td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000003">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000005">サービス/sabisu</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000006"><italic id="italic-27">service</italic></td>
            </tr>
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              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000007">システム/shisutemu</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000008"><italic id="italic-28">system</italic></td>
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              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000016"><italic id="italic-31">blog</italic></td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000009">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000017">エネルギー/enerugi</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000018"><italic id="italic-32">energy</italic></td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000010">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000019">グループ/gurupu</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000020"><italic id="italic-33">group</italic></td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>

      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000019">O léxico da língua japonesa é constituído pelo estrato nativo, pelo sino-japonês e pelo estrato estrangeiro (<xref ref-type="bibr" rid="ref-shimada-2019">Shimada, Nagano, 2019, p.1</xref>), incluídas na última categoria as palavras de língua inglesa, de grande difusão e de uso diários por nativos de japonês, como <italic id="italic-34">back-mirror</italic>, <italic id="italic-35">high-tension</italic> e <italic id="italic-36">one-pattern</italic>, as quais fazem parte de um fenômeno denominado <italic id="italic-37">wasei eigo</italic>. As palavras há pouco ilustradas são, inegavelmente, de origem inglesa, contudo, essas expressões não são de uso frequente de nativos da língua inglesa que, por sua vez, empregariam, em seu lugar, <italic id="italic-38">rear-view mirror</italic>, <italic id="italic-39">energetic/lively</italic> e <italic id="italic-40">repetitive/predictable</italic>, ou itens lexicais similares e de uso corrente. Esse fenômeno, caracterizado por <xref ref-type="bibr" rid="ref-shimada-2019">Shimada e Nagano</xref> como o resultado de interpretações e usos errôneos da língua inglesa por não nativos, é denominado de <italic id="italic-41">wasei eigo</italic> (tradução literal: Inglês do Japão/Inglês feito no Japão).</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000020">Ao discorrer sobre a natureza dos empréstimos realizados na língua japonesa, <xref ref-type="bibr" rid="ref-irwin-2011">Irwin (2011, p.154)</xref> aponta que concomitante à adoção de estrangeirismos ocorrem também processos de mudança semânticas, os quais podem ser de estreitamento (<italic id="italic-42">narrowing</italic>) ou de ampliação (<italic id="italic-43">broadening</italic>). Nos exemplos de palavras cujos significados foram reduzidos, incluem-se <italic id="italic-44">cunning</italic>, que em japonês significa "colar em uma prova"; <italic id="italic-45">yell</italic>, que passa a significar "torcer, apoiar um time"; e <italic id="italic-46">bonus</italic>, pagamento adicional. Entre os anglicismos cujos significados ganharam matizes semânticas adicionais, encontram-se <italic id="italic-47">handle</italic> (que passa a significar também volante, guidão de bicicleta) e <italic id="italic-48">jinx</italic> (superstição). Diferentemente desses exemplos de empréstimos, que passam apenas por um movimento de redução ou ampliação semântica, o grupo de itens lexicais complexos que formam o <italic id="italic-49">wasei eigo</italic> é constituído por dois elementos estrangeiros-quase sempre anglicismos- que se unem para formar uma expressão que se distancia de itens lexicais existentes na língua de origem e que seriam normalmente usados para articular os significados expressivos e referenciais almejados pelo <italic id="italic-50">wasei eigo</italic>.</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000021">Esse processo de criação de itens lexicais compostos, cujos equivalentes na língua de origem ocorrem por meio do uso de outras lexias, se dá por meio de um remodelamento semântico (<xref ref-type="bibr" rid="ref-irwin-2011">Irwin, 2011, p.155</xref>), o qual é comumente ocasionado pela tentativa de atenuação discursiva ou eufemismo já que, de acordo com Irwin, muitas das palavras do <italic id="italic-51">wasei eigo</italic> se referem a tabus relacionados ao sexo, à indústria sexual e a funções corporais, conforme o quadro abaixo, adaptado de <xref ref-type="bibr" rid="ref-irwin-2011">Irwin (2011)</xref>, <xref ref-type="bibr" rid="ref-stanlaw-1992">Stanlaw (1992)</xref> e <xref ref-type="bibr" rid="ref-miller-1998">Miller (1998)</xref>. O quadro em questão apresenta quatro colunas. A primeira contém os elementos lexicais em inglês que deram origem aos termos do <italic id="italic-52">wasei eigo</italic>; a segunda, a transliteração para o alfabeto romano; a terceira, o anglicismo equivalente; e a quarta, o significado em português.</p>

      <table-wrap id="table-figure-00000000000000000000000000000002">
        <label>Quadro 2</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-5">Quadro 2. </bold>Lista de <italic id="italic-53">wasei eigo</italic> relacionados sexo, à indústria sexual e funções corporais.</title>
        </caption>
        <table id="table-00000000000000000000000000000002">
          <tbody>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000011">
              <th id="table-cell-00000000000000000000000000000021"><bold id="bold-6">Elementos lexicais</bold></th>
              <th id="table-cell-00000000000000000000000000000022"><bold id="bold-7">Romanização</bold></th>
              <th id="table-cell-00000000000000000000000000000023"><bold id="bold-8">Anglicismo equivalente</bold></th>
              <th id="table-cell-00000000000000000000000000000024"><bold id="bold-9">Significado em português</bold></th>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000012">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000025"><italic id="italic-54">Cherry+ boy</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000026">Cherībōi</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000027"><italic id="italic-55">Male virgin</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000028">Homem virgem</td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000013">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000029"><italic id="italic-56">Baby +stop</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000030">Beibīsutoppu</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000031"><italic id="italic-57">Abortion</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000032">Aborto</td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000014">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000033"><italic id="italic-58">Sex +friend</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000034">Sekkusufurendo</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000035"><italic id="italic-59">Sex buddy</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000036">Amigo com benefícios</td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000015">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000037"><italic id="italic-60">Pillow+friend</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000038">Pirōfurendo</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000039"></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000040"></td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000016">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000041"><italic id="italic-61">Stick+ girl</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000042">Sutikkugāru</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000043"><italic id="italic-62">Female escort</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000044">Acompanhante</td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000017">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000045"><italic id="italic-63">Love+ hotel</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000046">Rabuhoteru</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000047"><italic id="italic-64">Hotel renting rooms by the hour</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000048">Motel</td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000018">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000049"><italic id="italic-65">Out+ sex</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000050">Autosekkusu</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000051"><italic id="italic-66">Extramarital sex</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000052">Sexo extraconjugal</td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000019">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000053"><italic id="italic-67">Pipe+ cut</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000054">Paipu katto</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000055"><italic id="italic-68">Vasectomy</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000056">Vasectomia</td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000020">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000057"><italic id="italic-69">Soap + land</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000058">Sōpu rando</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000059"><italic id="italic-70">Brothel which offers sex in the setting of a turkish bath</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000060">Bordel com tema de banho turco</td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000021">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000061"><italic id="italic-71">Soap +lady</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000062">Sōpu redī</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000063"><italic id="italic-72">Soapland prostitute</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000064">Prostituta que trabalha no <italic id="italic-73">soapland</italic></td>
            </tr>
            <tr id="table-row-00000000000000000000000000000022">
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000065"><italic id="italic-74">Health+massage</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000066">Herusu massaji</td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000067"><italic id="italic-75">Masturbation</italic></td>
              <td id="table-cell-00000000000000000000000000000068">Masturbação</td>
            </tr>
          </tbody>
        </table>
      </table-wrap>

      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000022">Dado o caráter pervasivo do inglês, contudo, o <italic id="italic-76">wasei eigo</italic> também se manifesta em muitos outros campos semânticos como os do estilo pessoal, do <italic id="italic-77">status</italic> social, de propriedade e da comunicação, como nas palavras:</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000023">a) Hai sensu (<italic id="italic-78">high sense</italic>), que significa "bom gosto em moda";</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000024">b) Surariman (<italic id="italic-79">salaried man</italic>), que significa "homem assalariado";</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000025">c) Kyariā ūman (<italic id="italic-80">career woman</italic>), que se refere a "mulher de carreira ambiciosa";</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000026">d) Mai-ka (<italic id="italic-81">my car</italic>), que significa "carro próprio" (<xref ref-type="bibr" rid="ref-irwin-zisk-2019">Irwin; Zisk, 2019</xref>);</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000027">e) Raibu tōku (<italic id="italic-82">live talk</italic>), que se refere a "programas de vídeo online" ((<xref ref-type="bibr" rid="ref-hosokawa-2023">Hosokawa, 2023</xref>).</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000028">O ponto a se discutir, no entanto, é o que ocasiona a geração de palavras <italic id="italic-83">wasei eigo</italic> e sob que categoria tipológica elas se encontram, isto é, seriam empréstimos linguísticos, estrangeirismos, neologismos, ou palavras autenticamente japonesas? <xref ref-type="bibr" rid="ref-miller-1998">Miller (1998, p.125)</xref> define o <italic id="italic-84">wasei eigo</italic> como a combinação de dois lexemas para a criação de uma nova palavra ou conceito, em que os lexemas originais em inglês passariam por um processo considerável de reformulação semântica e fonológica. Complementarmente, <xref ref-type="bibr" rid="ref-tomoda-2005">Tomoda (2005, p.13)</xref> define <italic id="italic-85">wasei eigo</italic> como palavras que passaram por transformações em termos de pronúncia e significado a tal ponto que não são mais reconhecidas como pertencentes à língua inglesa.</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000029">Apesar do pertencimento linguístico dos <italic id="italic-86">wasei eigo</italic> permanecer na penumbra, <xref ref-type="bibr" rid="ref-ariefandi-2024">Ariefandi e Hariri (2024, p.2)</xref> lançam luz a essa questão, defendendo que esse grupo de palavras se constitui, na verdade, como "pseudo-empréstimos" (<italic id="italic-87">pseudo-loanwords</italic>), isto é, se originam de palavras estrangeiras, inglês em sua maioria, que são adaptadas por processos morfológicos e ortográficos para criar novas palavras, com novos significados subjacentes ou não. Em sua leitura de <xref ref-type="bibr" rid="ref-hidayat-2016">Hidayat</xref> <italic id="italic-88">et al</italic>. (2006), <xref ref-type="bibr" rid="ref-putri-2018">Putri (2018)</xref> e Adriani (2019), <xref ref-type="bibr" rid="ref-ariefandi-2024">Ariefandi e Hariri (2024, p.3)</xref> atestam a existência de quatro tipos de <italic id="italic-89">wasei eigo</italic>, quais sejam:</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000030">(1) <italic id="italic-90">Imizuretakata</italic>: palavras que parecem inglês, mas têm significados e contextos de uso distintos (e.g <italic id="italic-91">viking</italic>, que significa <italic id="italic-92">buffet</italic>, em japonês);</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000031">(2) <italic id="italic-93">Tanshukukata</italic>: palavras criadas a partir da redução daquelas em inglês (e.g <italic id="italic-94">pasokon</italic> → <italic id="italic-95">personal computer</italic>);</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000032">(3) <italic id="italic-96">Junwaseikata</italic>: expressões que incluem termos em inglês, mas que não são usadas na língua inglesa padrão (e.g <italic id="italic-97">Office lady</italic>, usado para se referir a secretárias);</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000033">(4) <italic id="italic-98">Eigohyougen fuzaikata</italic>: palavras produzidas por meio da combinação livre de morfemas para a criação de novos significados (e.g <italic id="italic-99">skin +ship =skinship</italic>, usado para se referir ao afeto entre membros da família ou entre amigos próximos).</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000034">Essa pletora de processos de criação de <italic id="italic-100">wasei eigo</italic> corrobora a visão de <xref ref-type="bibr" rid="ref-tomoda-2005">Tomoda (2005, p.120)</xref>, para quem os estrangeirismos presentes na língua japonesa não resultam apenas da atividade de copiar anglicismos, mas sim de genuínos procedimentos inovadores que se manifestam em "jogos de palavras sofisticados"<sup><xref ref-type="fn" rid="footnote-00000000000000000000000000000003" id="external-link-3">[3]</xref></sup> (tradução nossa). <xref ref-type="bibr" rid="ref-miller-1998">Miller (1998)</xref>, por exemplo, aponta como os estrangeirismos já integrados à língua japonesa são base para experimentação e combinações linguísticas das quais o <italic id="italic-101">wasei eigo</italic> resultam. Contrariamente às críticas acerca do caráter incoerente e errôneo do <italic id="italic-102">wasei eigo</italic>, <xref ref-type="bibr" rid="ref-tomoda-2005">Tomoda</xref> defende que essas formas de criação linguística e de enriquecimento lexical não ocorrem para benefício da língua de origem, e sim para a língua receptora e seus usuários.</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000035">Em linhas similares, <xref ref-type="bibr" rid="ref-stanlaw-1992">Stanlaw (1992)</xref> aponta para o caráter também individual do fenômeno <italic id="italic-103">wasei eigo</italic>, que pode ensejar a criação de itens por indivíduos, de forma autônoma, para expressão do pensamento em contextos de comunicação pontuais, constituindo singularmente seus idioletos. Complementarmente, o mesmo autor defende que um outro ponto de vista deveria ser adotado ao se tratar de episódios de contatos linguísticos que culminam na adoção de estrangeirismos em uma dada língua. <xref ref-type="bibr" rid="ref-stanlaw-1992">Stanlaw (1992)</xref> propõe que, em vez de tomar a perspectiva da língua de partida, neste caso o inglês, e arguir questões de deturpação linguística, deve-se adotar as lentes japonesas na investigação de como esse sistema constrói e dá significação nova a palavras e expressões inglesas. Nesse sentido, as palavras do <italic id="italic-104">wasei eigo</italic> seriam o que o autor denomina de "item vocabular inspirado pelo inglês", já que o léxico advindo desse fenômeno é cultivado no Japão e para o Japão, havendo poucas coincidências referenciais, fonológicas ou conotativas entre o item nipônico e aqueles que inspiraram sua criação, em inglês.</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000036">Percebe-se, dessa maneira que o emprego do <italic id="italic-105">wasei eigo</italic> não resulta apenas de uma "lacuna" terminológica, referencial ou expressiva, já que sua criação é conscientemente empregada e motivada por valores estéticos, expressivos, humorísticos e eufemísticos (conforme ilustrado no quadro 2). Depreende-se, assim, que a denominação oferecida por Stanlaw, ampliando a compreensão dos processos de inovação linguística que ocorrem internamente a um sistema, revela as dimensões dinâmicas e orgânicas do cenário sociolinguístico de um país, dissociadas de rótulos que perpetuam a superveniência de uma língua sobre a outra.</p>
    </sec>

    <sec id="heading-00000000000000000000000000000005">
      <title>3. Conclusão</title>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000037">Um estudo diacrônico de uma língua escolhida ao acaso revelaria que seus componentes internos foram, em menor ou maior medida, afetados pelos contatos e variações entre dialetos e outras línguas. Esse fenômeno, conhecido como "empréstimo linguístico" revela, assim, como a história de desenvolvimento de uma língua está associada a processos de contatos e intercâmbios linguístico-culturais. Contudo, ao se integrar itens estrangeiros a um novo sistema, eles devem ser normatizados para se adequar às regras morfológicas, sintáticas e fonológicas que regem a língua de acolhida. Essa adaptação favorece a adoção do estrangeirismo pelos falantes, facilitando sua difusão e inteligibilidade. Todavia, ao ser transplantado, o item estrangeiro deve se adequar também ao novo ambiente sociolinguístico e pode passar, inclusive, a apresentar significados distintos daqueles que motivaram sua integração. Essa alteração semântica está manifestamente presente nas criações lexicais que compõem a categoria de <italic id="italic-106">wasei eigo</italic>, um fenômeno de composição de palavras da língua japonesa a partir de estrangeirismos em inglês, os quais passam pelos mais diversos processos de adequação fonológica e semântica. As motivações por trás dessa ocorrência linguística são múltiplas, podendo ser ocasionadas por fatores estéticos ou pela tentativa de atenuação discursiva ao se tratar de questões sensíveis ou de tabus.</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000038">A reflexão aqui proposta buscou apontar para uma perspectiva alternativa ao tratar dos empréstimos linguísticos. Isto é, em vez de considerar esse fenômeno a partir das lentes da língua "doadora", em que a língua receptora necessitaria integrar itens lexicais por uma deficiência expressiva ou referencial, cumpre analisar essa transplantação pelo viés do sistema receptor. A língua integradora não adota estrangeirismos de forma passiva; pelo contrário, opera uma série de processos que demanda adequação morfológica, ortográfica, sintática e fonológica, além de estabelecer novos contextos de uso e novas significações. Como um caso em estudo, o <italic id="italic-107">wasei eigo</italic> demonstrou precisamente o aspecto autônomo do estrangeirismo que, depois de adentrar um novo sistema, serve à nova língua os propósitos delimitados pelos seus falantes e por suas necessidades expressivas e contextuais.</p>
    </sec>

    <sec id="heading-00000000000000000000000000000006">
      <title>Informações Complementares</title>

      <sec id="heading-00000000000000000000000000000007">
        <title>Conflito de interesses</title>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000039">A autora declara não haver conflitos de interesses financeiros, profissionais ou pessoais de qualquer natureza que possam influenciar a elaboração ou os resultados apresentados neste trabalho.</p>
      </sec>

      <sec id="heading-00000000000000000000000000000008">
        <title>Declaração de Disponibilidade de Dados</title>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000040">Este estudo é baseado em análise linguística de materiais de acesso público. Os exemplos de <italic id="italic-108">wasei eigo</italic> analisados estão contidos no próprio artigo. Outras informações complementares estão disponíveis mediante solicitação ao autor correspondente.</p>
      </sec>

      <sec id="heading-00000000000000000000000000000009">
        <title>Pré-registro da pesquisa</title>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000041">Conforme requisição da revista, o trabalho foi previamente registrado no <italic id="italic-109">link</italic>: <ext-link id="external-link-4" ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.22541/au.172746370.04328798/v1">https://doi.org/10.22541/au.172746370.04328798/v1</ext-link></p>
      </sec>

      <sec id="heading-00000000000000000000000000000010">
        <title>Declaração de Uso de IA</title>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000042">A utilização de ferramenta de inteligência artificial (Deepseek) se circunscreveu à correção da formatação das referências. A autoria intelectual do manuscrito é de responsabilidade da autora.</p>
      </sec>

      <sec id="heading-00000000000000000000000000000011">
        <title>Avaliação e Resposta dos Autores</title>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000043">Avaliação: <ext-link id="external-link-5" ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.25189/2675-4916.2025.V6.N3.ID796.R">https://doi.org/10.25189/2675-4916.2025.V6.N3.ID796.R</ext-link></p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000044">Resposta dos Autores: <ext-link id="external-link-6" ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.25189/2675-4916.2025.V6.N3.ID796.A">https://doi.org/10.25189/2675-4916.2025.V6.N3.ID796.A</ext-link></p>
      </sec>
    </sec>

    <sec id="heading-00000000000000000000000000000013" sec-type="open-peer-review" specific-use="collapsible">
      <title>Avaliação</title>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000062"><bold id="bold-25">DOI:</bold> <ext-link id="external-link-7" ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.25189/2675-4916.2025.V6.N3.ID796.R">https://doi.org/10.25189/2675-4916.2025.V6.N3.ID796.R</ext-link></p>

      <sec id="heading-00000000000000000000000000000014">
        <title>Decisão Editorial</title>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000063">EDITOR: Dirce Waltrick do Amarante</p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000064">ORCID: <ext-link id="external-link-9" ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-5246-6844">https://orcid.org/0000-0002-5246-6844</ext-link></p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000065">AFILIAÇÃO: Universidade Federal de Santa Catarina, Santa Catarina, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000066">-</p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000067">CARTA DE DECISÃO: O tema do ensaio e a sua abordagem são pertinentes. A linguagem parece direcionada sobretudo aos leitores iniciantes. Concordo com uma das avaliadoras que aponta o seguinte: "O detalhamento acerca dos métodos de incorporação de estrangeirismos poderia ser mais aprofundado". Contudo, a minha avaliação é favorável à publicação do texto.</p>
      </sec>

      <sec id="heading-00000000000000000000000000000015">
        <title>Rodadas de Avaliação</title>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000068">AVALIADOR 1: Marileide Dias Esqueda</p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000069">ORCID: <ext-link id="external-link-10" ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0002-6941-7926">https://orcid.org/0000-0002-6941-7926</ext-link></p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000070">AFILIAÇÃO: Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000071">-</p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000072">AVALIADOR 2: Silvana Maria de Jesus</p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000073">ORCID: <ext-link id="external-link-11" ext-link-type="uri" xlink:href="https://orcid.org/0000-0003-2261-1956">https://orcid.org/0000-0003-2261-1956</ext-link></p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000074">AFILIAÇÃO: Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000075">-</p>

        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000076"><bold id="bold-26">RODADA 1</bold></p>

        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000077">AVALIADOR 1 </p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000078">2025-05-23 | 01:20 PM</p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000079">O texto demonstra uma abordagem clara e organizada em sua explanação sobre os empréstimos linguísticos. A escolha do wasei eigo como estudo de caso é pertinente, uma vez que enriquece a análise ao estabelecer uma relação intrínseca entre língua e cultura. Não obstante as qualidades supracitadas, identificam-se algumas lacunas. O detalhamento acerca dos métodos de incorporação de estrangeirismos poderia ser mais aprofundado. Adicionalmente, a limitação do estudo a um único exemplo específico (relacionado a sexo) restringe a amplitude da análise, não explorando potenciais impactos ou debates críticos inerentes ao tema. É possível que tal concisão se justifique pela categorização do trabalho como ensaio. Embora a estrutura geral do texto seja satisfatória, observam-se ocorrências de repetição de ideias, bem como questões pontuais de coerência e coesão textuais, assinaladas em amarelo no manuscrito original. Tais aspectos, uma vez corrigidos, contribuirão para aprimorar a fluidez e a clareza da argumentação. Recomenda-se a publicação do texto após a implementação dos ajustes mencionados.</p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000080">-</p>

        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000081">AVALIADOR 2 </p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000082">2025-08-18 | 03:28 PM</p>
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000083">O artigo é interessante, está bem escrito e bem fundamentado. Esclarece com explicações teóricas e exemplos reais sobre o empréstimo linguístico inglês-japonês. É um trabalho de interesse de linguistas, em geral, e falantes e estudiosos do japonês, em particular. O artigo descreve o fenômeno do wasei eigo ou empréstimo linguístico inglês-japonês. Discute a importância do empréstimo enquanto mecanismo de renovação linguística e trata de um caso especial, o "inglês feito no Japão". O trabalho apresenta várias visões sobre o fenômeno do wasei eigo, desde "usos errôneos" até "jogos de palavras sofisticados"", trazendo uma reflexão importante sobre a autonomia e o dinamismo cultural da língua. Seria interessante atualizar a lista de empréstimos apresentados na Figura 1 (Morito 1978). O trabalho contribui ricamente para a discussão sobre empréstimos, sendo de interesse de linguistas e professores, em geral, e falantes e estudiosos do japonês, em particular.</p>
      </sec>
    </sec>

    <sec id="heading-00000000000000000000000000000016" sec-type="author-response" specific-use="collapsible">
      <title>Resposta dos Autores</title>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000084"><bold id="bold-27">DOI:</bold> <ext-link id="external-link-8" ext-link-type="uri" xlink:href="https://doi.org/10.25189/2675-4916.2025.V6.N3.ID796.A">https://doi.org/10.25189/2675-4916.2025.V6.N3.ID796.A</ext-link></p>

      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000085"><bold id="bold-28">RODADA 1</bold></p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000086">2025-11-02 | 11:29 AM</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000087">Conforme solicitado, envio arquivo revisado de acordo com os ajustes requisitados pelos pareceristas. Confirmo que:</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000088">1. Aprofundei um pouco mais a seção sobre os processos de incorporação de empréstimos na língua receptora. No entanto, tendo em vista que cada processo, por si só, poderia ensejar estudos singulares e autônomos, ressalto que a visão panorâmica oferecida era o obejtivo do trabalho;</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000089">2. Atualizei a lista de empréstimos (quadro 1);</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000090">3. Considerei os itens sublinhados em amarelo pelo parecerista e fiz os ajustes respectivos;</p>
      <p id="paragraph-00000000000000000000000000000091">4. Segui as diretrizes da revista quanto à formtação e aos itens de acessibilidade (<ext-link id="external-link-12" ext-link-type="uri" xlink:href="https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/formatting">https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/formatting</ext-link>).</p>
    </sec>

  </body>
  <back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-00000000000000000000000000000001">
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000092">[...] borrowing is then THE ATTEMPTED REPRODUCTION IN ONE LANGUAGE OF PATTERNS PREVIOUSLY FOUND IN ANOTHER (ênfase do original).</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-00000000000000000000000000000002">
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000093">BBC News Brasil. Portugueses falando 'brasileiro'? Como variante do idioma usada no Brasil influencia Portugal. Disponível em: <ext-link id="external-link-13" ext-link-type="uri" xlink:href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c6pkzze6484o">https://www.bbc.com/portuguese/articles/c6pkzze6484o</ext-link>. Acesso em 20/06/2024.</p>
      </fn>
      <fn id="footnote-00000000000000000000000000000003">
        <p id="paragraph-00000000000000000000000000000094">[...]sophisticated plays on words.</p>
      </fn>
    </fn-group>
    <ref-list>
      <title>Referências</title>
      <ref id="ref-alves-2008">
        <mixed-citation publication-type="confproc">ALVES, I.M. Integração de estrangeirismos à língua portuguesa. In: SIMPÓSIO MUNDIAL DE ESTUDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA, 1., 2008, São Paulo/SP. <italic>Anais</italic> [...]. São Paulo: FFLCH/ USP, 2008. Disponível em: <ext-link ext-link-type="uri" xlink:href="https://biblio.fflch.usp.br/Alves_IM_125_1723514_IntegracaoDeEstrangeirismosALinguaPortuguesa.pdf">https://biblio.fflch.usp.br/Alves_IM_125_1723514_IntegracaoDeEstrangeirismosALinguaPortuguesa.pdf</ext-link>. Acesso em: 15 dez. 2025.</mixed-citation>
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