<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<!DOCTYPE article PUBLIC "-//NLM//DTD JATS (Z39.96) Journal Archiving and Interchange DTD v1.2 20190208//EN" "JATS-archivearticle1.dtd">
<article xmlns:xlink="http://www.w3.org/1999/xlink" xmlns:ali="http://www.niso.org/schemas/ali/1.0">
  <front>
    <article-meta>
      <article-categories>
        <subj-group>
          <subject content-type="Tipo de Contribuição">Relato de Experiência</subject>
        </subj-group>
      </article-categories>
      <title-group>
        <article-title>Linha Verbal Infantil</article-title>
        <subtitle>21 meses de expressão verbal de uma criança brasileira</subtitle>
      </title-group>
      <contrib-group content-type="author">
        <contrib id="person-3c3c60556173f8d573eb113c2d6e07bd" contrib-type="person" equal-contrib="no" corresp="yes" deceased="no">
          <name>
            <surname>Perini-Santos</surname>
            <given-names>Pedro</given-names>
          </name>
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-59e5a1663c487e892bc737b74328acd6"/>
        </contrib>
      </contrib-group>
      <contrib-group content-type="editor">
        <contrib id="person-f6e93de22d5a621eea9c13c16a4230ff" contrib-type="person" equal-contrib="no" corresp="no" deceased="no">
          <name>
            <surname>Ko Freitag</surname>
            <given-names>Raquel Meister</given-names>
          </name>
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-cacaa336e1c0380ea054bce3cbeed908"/>
        </contrib>
        <contrib id="person-fe10b9dfc438839068ed90b123a691d5" contrib-type="person" equal-contrib="no" corresp="no" deceased="no">
          <name>
            <surname>Barbosa</surname>
            <given-names>Juliana Bertucci</given-names>
          </name>
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-1bc624f0f9b1bcfb1ab1912f682c072f"/>
        </contrib>
        <contrib id="person-3f3cf478749ef00ca4e4ea7ef6f7146e" contrib-type="person" equal-contrib="no" corresp="no" deceased="no">
          <name>
            <surname>Vieira</surname>
            <given-names>Marcia dos Santos Machado</given-names>
          </name>
          <xref ref-type="aff" rid="affiliation-0b1feef88aed81dc14920f5c0cd02f37"/>
        </contrib>
      </contrib-group>
      <aff id="affiliation-59e5a1663c487e892bc737b74328acd6">
        <institution content-type="orgname">Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM)</institution>
      </aff>
      <aff id="affiliation-cacaa336e1c0380ea054bce3cbeed908">
        <institution content-type="orgname">Universidade Federal de Sergipe</institution>
      </aff>
      <aff id="affiliation-1bc624f0f9b1bcfb1ab1912f682c072f">
        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Triângulo Mineiro</institution>
      </aff>
      <aff id="affiliation-0b1feef88aed81dc14920f5c0cd02f37">
        <institution content-type="orgname">Universidade Federal do Rio de Janeiro</institution>
      </aff>
      
      <volume>7</volume>
      <issue>1</issue>
      <elocation-id>e872</elocation-id>
      <history>
        <date date-type="accepted" iso-8601-date="12/02/2026"/>
        <date date-type="received" iso-8601-date="22/07/2025"/>
      </history>
      <permissions id="permission">
        <license>
          <ali:license_ref>http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/</ali:license_ref>
        </license>
      </permissions>
      <abstract>
        <p id="_paragraph-1">Esta publicação disponibiliza 21 meses de registros da expressão verbal de uma criança brasileira coletada em um corpus oral. Os dados empíricos são provenientes do corpus do grupo de pesquisa CIL (Corpus Infantil Longitudinal) compilada em uma cidade do nordeste de Minas Gerais, Brasil. O CIL dedica-se à compilação e à descrição de dados orais naturalísticos de crianças monolíngues brasileiras desde 2015. Para o presente estudo, a fala da criança protagonista foi registrada entre março de 2016 e fevereiro de 2018. A análise dos dados baseia-se em uma proposta taxonômica sobre os verbos do português brasileiro ainda não publicada. O objetivo deste trabalho é compartilhar esse material empírico<bold id="bold-1"> </bold>com a comunidade acadêmica, contribuindo para novas pesquisas e interpretações sobre a aquisição e uso das diáteses verbais.</p>
      </abstract>
      <abstract abstract-type="executive-summary">
        <title>Abstract</title>
        <p id="paragraph-b1f78b6399ed3e5f204e8c85d5ae9d2c">This study presents a longitudinal corpus of 21 months of verbal production from a monolingual Brazilian child, compield from naturalistic speech data. The empirical dataset originates from the Longitudinal Child Corpus, compiled by a research team in northeastern Minas Gerais, Brazil. Since its inception in 2015, the CIL project has documented the spontaneous speech of Brazilian Portuguese-speaking children. The present dataset spans March 2016 to February 2018 and is analyzed through an unpublished, taxonomic framework for Brazilian Portuguese verbs. This paper aims to share data to explored by further empirical investigations into the acquisition and deployment of verbal diatheses in early child language.</p>
      </abstract>
      <kwd-group>
        <kwd content-type="">corpus<italic id="italic-1"> </italic>infantil</kwd>
        <kwd content-type="">uso verbal</kwd>
        <kwd content-type="">diálogo</kwd>
        <kwd content-type="">diáteses verbais</kwd>
        <kwd content-type="">taxonomia</kwd>
      </kwd-group>
    <pub-date pub-type="epub"><day>18</day><month>05</month><year>2026</year><volume>7</volume></pub-date></article-meta>
  </front>
  
  
<body id="body">
    <sec id="heading-808dfe8354559c448eb49c15dea0211c">
      <title>Resumo para não especialistas</title>
      <p id="paragraph-6a04504366732ca2b315f8ff977b1cf9">Este texto é resultado de uma pesquisa que acompanhou a fala de uma criança do interior de Minas Gerais durante vinte um meses desde quando ela usou a primeira forma verbal. O que a gente fez foi gravar e destacar os verbos presentes em suas conversas com a mãe. Foram coletados mais de 680 ocorrências. Dos verbos que apareceram nas conversas entre mãe e filho, 364 foram descritos de acordo com uma proposta bem interessante que era, até aqui, inédita. O que se apresenta aqui é uma linha cronológica composta por esses verbos, apelidada como “21 meses de expressão verbal de uma criança brasileira”.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-ac5b9ebaf5848a2aebfab7263fa7a046">
      <title>Apresentação</title>
      <p id="paragraph-0d016efaa59c6508168ddc19a881ba3b">O corpus aqui publicado disponibiliza e descreve 21 meses do uso verbal de uma criança brasileira.São 587 usos verbais infantis distribuídos ao longo de 210 excertos ocorridos durante as conversasentre a criança protagonista, a mãe e a avó, entre março de 2016 e dezembro de 2017. 1 Das 587ocorrências compiladas, 431 foram descritas e interpretadas à luz do inédito Valency Dictionary ofBrazilian Portuguese Verbs, de Mário Perini (inédito).<ext-link id="external-link-2" xlink:href="#_ftn2"/></p>
      <p id="paragraph-2">Esta publicação se inicia com uma sucinta contextualização sobre o uso verbal infantil. Sãoelencadas pesquisas que discorrem sobre a emergência do uso verbal na aquisição da línguamaterna. Em seguida, apresenta-se o corpus de onde provêm os excertos descritos: quemparticipou dos diálogos, quando, onde e como foram eles compilados. Em seguida, o texto lista ostraços considerados na descrição dos verbos reconhecidos na fala do informante infantil. A cada uso verbal descrito, foi associado um boxe com informações sobre a diátese do verbo, a funçãodiscursiva, a forma fonológica, o tempo e a pessoa gramatical. Os excertos em que ocorrem usosverbais infantis são disponibilizados em ordem cronológica, constituindo, assim, um corpus oralinfantil longitudinal, uma Linha Verbal Infantil.</p>
      <p id="paragraph-bd9b8ba55bcf03cbfb401781aab3df02">Esta publicação compartilha um extenso corpus oral infantil inédito para novas descriçõese interpretações.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-65e0ae3f896c924677908ccf0684f591">
      <title>1. Contextualizando o tema da pesquisa</title>
      <p id="paragraph-7bbd096140fff3c76bbb28b6ba6d44e5">O uso verbal infantil é um tema recorrente nas pesquisas linguísticas dedicadas à aquisição da língua materna. Quando a criança começa a usar verbos, por que seu uso é antecedido pelas formas nominais, como deve ser reconhecido, como deve ser interpretado e como se realizam as valências verbais são tópicos presentes na literatura que investiga a aquisição da língua materna.</p>
      <p id="paragraph-ee2e54bdd41af68a5cbe49b1a5b3276f">Os trabalhos de Goldin-Meadow, Seligman e Gelman (1976), Gentner (1978, 1981, 2006), Gentner e Boroditsky (2001), Maldonade (2003), Befi-Lopes, Cárceres e Araújo (2007), Tonietto et al. (2007) e Bassano (2010) buscam respostas para essas perguntas. O que se intentou nos referidos estudos foi compreender o momento em que se dá a aquisição dos verbos e como ocorre sua relação com outras categorias lexicais. Por sua vez, Tomasello (1992), Figueira (1996, 2019), Salomo, Lieven e Tomasello (2012), Mumford e Kita (2014), Blything, Ambridge e Lieven (2018), Aussems e Kita (2021) e Perini-Santos (2019) estudam a aquisição da língua materna por um viés interativo e discorrem sobre a especificidade do uso verbal infantil.</p>
      <p id="paragraph-8d7c53bc75bd828f9777ef0f6f725b4c">Esta publicação se enquadra neste cenário de interação. Aqui, não serão apresentadas discussões procedimentais e conceituais sobre as relações de dialógica. O que se pretende, como já foi dito, é disponibilizar uma extensa série cronológica de usos verbais infantis – algo como um collatio de contextos textuais em que há uso verbal infantil – ocorridos ao longo de 21 meses de gravação em áudio. São excertos provenientes de um corpus oral naturalístico compilado pelo grupo Corpus Infantil Longitudinal. Mais adiante, falarei sobre os dados da pesquisa, mas já se adianta que o referido corpus é todo ele dialógico. Por isso, uma parte muito significativa dos uso verbais infantis é responsiva, o que não invalida a descrição da fala infantil proposta pela pesquisa, mas a insere em um cenário conceitual interacionista (Figueira, 2019) e dialógico (Orvig-Salazar et al., 2021) ou, em outros termos, em um contexto de “habitat comunicativo” familiar (cf. Morgenstern et al., 2021).</p>
    </sec>
    <sec id="heading-eb9d59403fbb711a195c62bd07459f21">
      <title>2. Sobre o corpus do grupo CIL</title>
      <p id="paragraph-b46b0d0f1c83d54f60a7538b1dc6fc2e">O grupo de pesquisa Corpus Infantil Longitudinal (UFVJM/Fapemig) se dedica à compilação e àdescrição de dados orais e gestuais produzidos por crianças brasileiras desde 2015, quando foifundado. O corpus oral infantil do CIL foi compilado em 47 sessões de gravação com duração média de 30 minutos. Na primeira sessão de gravação, realizada em maio de 2015, a criança protagonista tinha 5 meses de vida; na última sessão de gravação, em março de 2019, 53 meses. O informante infantil é brasileiro e monolíngue. Foi a mãe-pesquisadora quem gravou e anotou as interações discursivas ocorridas com o filho. A participação da avó da criança nas conversas é muito frequente. Avó, mãe e filho moram juntos. Em passagens esparsas, também é registrada a participação de outro informante familiar.</p>
      <p id="paragraph-ccdf336423f2d39726741e66325cb65b">Os 47 registros do corpus do grupo CIL são identificados pelo acrônimo atribuído à criança,acrescido dos números das gravações, G.01, G.02, G.03, e assim por diante. A transcrição dosregistros orais foi feita em alfabeto latino e seguiu o padrão usado pelo Projeto CHILDES (MacWhinney, 2000). Não se trata de uma transcrição fonética, mas, na medida do possível, forammantidas as formas sonoras usadas pelos informantes; em especial, aquelas usadas pela criança.Precedem a transcrição os devidos protocolos de registro do momento de interação entre osparticipantes: acrônimos em três letras, idade, gênero, local, língua, data, tempo de gravação esituação de ocorrência. Durante a coleta dos dados, não houve mudança na dinâmica cotidiana dafamília. Não houve inclusão ou exclusão de objetos dos ambientes de gravação. Não houveorientação discursiva ou temática para as conversas. Não houve risco ou qualquer constrangimento para os participantes da pesquisa, que foram devidamente informados sobre o sigilo de identificação, sobre as eventuais limitações de compartilhamento dos dados e sobre o direito de abandoná-la a seu grado. Os dados coletados nesta empreitada podem, portanto, ser considerados como um corpus oral infantil naturalístico. A compilação do corpus foi autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFVJM, instituição à qual o grupo de pesquisa é associado, com o registro CAAE 57714216.5.0000.5108.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-504dad5356662046b5e98b047eadbb14">
      <title>3. As informações que a Linha Verbal oferece em seus boxes descritivos</title>
      <p id="paragraph-2b8fc39f52d26a490df2be8e6a07b388">Os traços descritivos apresentados nos boxes são os seguintes.</p>
      <fig id="figure-panel-0a0d5e98393793d09b7204597560c140">
        <label>Figure 1</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-4fe4c4ced9fb1ffadf1d3a2e4e19b7b3"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-a2e1acd6153fd4795482b4adda007c67" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="i1.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-9d032299cd6652fbd76b9b735b31f78a">A Figura 1 traz um exemplo de box descritivo da Linha Verbal Infantil.</p>
      <fig id="figure-panel-1e4abeadbf9b9181b23d79b28ae14fc4">
        <label>Figure 2</label>
        <caption>
          <title><bold id="bold-fe2880e1ed05f51b95042c256450a8cd">Figura 1. </bold>Como ler a Linha Verbal Infantil: exemplo do box descritivo da ocorrência [5]</title>
          <p id="paragraph-85ee5afdb617dee8e07b68f175c267bf"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-be87b7040d39149840d0111e1b34820f" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="f1.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-0db0bc6b8d73c82f3befcded66ecdfaf">A ocorrência verbal [5] destacada em negrito na Figura 1 se deu aos 16 minutos e 34 segundosdo registro G.14. No dia desta gravação, G tinha 1 ano, 6 meses de vida. Os turnos de fala queantecedem e sucedem o uso verbal destacado ladeiam a fala de G, porque foram interpretadoscomo pertinentes para a sua compreensão. Na ocasião do uso da forma “chô” por G, mãe e filhoprocuravam por uma “tampinha” que fazia parte do jogo em curso. Essa breve narração contextualtambém foi considerada pertinente para a interpretação da fala da criança. G usou o verbo [achar]no pretérito perfeito na forma reduzida “chô” como resposta à pergunta feita pela mãe, “achô”, que se deu na mesma forma e na pessoa verbal gramatical produzida pela criança. Aplicando acategorização do Valency Dictionary of Brazilian Portuguese (Perini, inédito) a este uso verbal, arealização diatésica do verbo [achar] foi interpretada como tipo C1 e pode ser esquematizada como:</p>
      <fig id="figure-panel-1a5961e768d081aed20db0b0bb8249c0">
        <label>Figure 3</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-25661532bd565b79c3f03ac392e33e26"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-4f90a3db190067371e92a88fc060559b" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="c1.1.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-2bdad3df26c9329e96eade390eee8c91">O esquema acima é lido da seguinte forma. A diátese verbal tipo C1 se realiza com um SN-sujeitona função Agente e um SN pós-verbal na função Paciente. Apesar de os complementos pré-verbale pós-verbal não serem foneticamente realizados, o uso presente no excerto [5] foi interpretadocomo realização da diátese verbal do tipo C1.</p>
      <fig id="figure-panel-06d0cc45514217a204257683e8648680">
        <label>Figure 4</label>
        <caption>
          <p id="paragraph-9d04fd618f54e5da6ba8cf167565eda5"/>
        </caption>
        <graphic id="graphic-fecc6e6945f0520c3e60b5780b575e44" mimetype="image" mime-subtype="png" xlink:href="c1.2.png"/>
      </fig>
      <p id="paragraph-efdbf2367b32c644cef26ebd95b1aecd">“Chô” é um exemplo de uso verbal nu. Em alusão à distinção funcional entre sintagmas nominaisplenos “constituídos do nome, no singular ou plural, acompanhado de determinantes e/oumodificadores diversos” e seu corolário sintagma nominal nu “constituído somente do nome comum (núcleo)” (Saraiva, 1997, p. 16), o uso verbal nu é aquele que não é acompanhado por complementos pós-verbais de qualquer natureza.4 A categoria C1 e as demais categorias reconhecidas no corpus serão listadas no anexo.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-f3bb0c5b2e69586ceb34e99395e7ae37">
      <title>4. Interpretando as categorias descritivas </title>
      <p id="paragraph-158dffd23cbe9c2f8ac9d8ddef37da0e">Convido o leitor e a leitora a interpretar as funções discursivas e a produção fonológica dos verbosdescritos nos boxes de forma direta, ou seja, (3.1) Resposta quer dizer que G respondeu àinterlocutora com texto próprio ou com formas ressoantes; (3.2) Pergunta refere-se a umaindagação; (3.3) a Pergunta de Verificação é um pedido de confirmação sobre aquilo que oprotagonista acabou de escutar e, finalmente, ocorrem casos avaliados como (3.4) Usos iniciais,quando é G que abre o momento dialógico e se serve de alguma forma verbal inexistente na fala damãe ou da avó. Sobre os traços fonológicos, assume-se que (4.1) as Formas Ressoantes são asproduções textuais equivalentes aos enunciados propostos pelos adultos nos turnos de falaanteriores; (4.2) a Redução é o apagamento entre sílabas, como a expressão [olhei] produzida pelacriança como /oˈej/, o apagamento inicial como [acabou] &gt; /kaˈbow/ e o apagamento final em[vendo] &gt; /ˈvẽ.nu/ e em [saber] &gt; /sa.ˈbe/, (4.3) a Substituição refere-se a casos como a expressãolexical [celular] produzida pela criança como /se.nuˈla/, por (4.4) Forma Criativa, compreendem-seexpressões lexicais infantis, cujos significantes não constam do léxico português, como [machuca] &gt;/ka.ˈku.kɐ/ e [caber] &gt; /de.ˈde/, mas aos quais G atribui significado durante o dialógico com a mãee a avó, e, finalmente, (4.5) o Uso Convencional são as produções infantis semelhantes àquelasproduzidas por adultos. Além disso, os verbos produzidos por G que (4.6) não constam no dicionário,como os verbos machucar e soltar, por exemplo, serão indicados com a sigla sobrescrita NC.</p>
      <p id="paragraph-81cb65b8f63c325cc493f5c567a4eb33">As transcrições foram feitas em alfabeto latino. Na produção verbal dos interlocutores adultos e em especial na fala da criança, buscou-se, na medida do possível, propor uma transcriação fiel. Ostrechos inaudíveis foram preenchidos com [xxx].</p>
    </sec>
    <sec id="heading-d0a2f20645c1d7ec909e2f953e219b62">
      <title>5. A Linha Verbal Infantil: uma proposta de cronologia descritiva</title>
      <p id="paragraph-60cf988b1ca6b9198d312dc5e0ccfc38">A Linha Verbal Infantil é a apresentação longitudinal dos usos verbais produzidos pelo informante ao logo de 21 meses. Em sua a confecção, considerou-se o período do corpus compreendido entre o registro G.11, quando se reconheceu o primeiro uso verbal do informante aos seus 15 meses de vida, em marco de 2016, e o registro G.32, quando a criança tinha 36 meses, em dezembro de 2017. Os 210 excertos sequenciados na Linha são numerados entre colchetes e seguem a ordem das datas de registro. </p>
      <p id="paragraph-3cfbbdeb66ccad82188403327ad2fd97">Em função de sua metodologia de compilação, a exposição longitudinal de dados aqui proposta não tem relevância estatística. Não obstante, se não são todos os tokens que integram a Linha, pode-se dizer que a quase totalidade dos types verbais por ele produzidos nesses 21 meses de registro a integram. G usa 131 verbos distintos. Ao todo, a Linha Verbal descreve 241 dos 623 usos verbais produzidos pela criança. Por serem formas redundantes ou repetidas, os demais 382 usos verbais de G, o que equivale a 61% das ocorrências, não foram descritos. </p>
      <p id="paragraph-b192eff76df6cdcd9a1c98efea014f9c">Além das formas convencionais, esta pesquisa reconhece como verbos casos como o pretérito perfeito de [achar] em “chô” e “chei”, o gerúndio de [ver] em “tô veno” e de [fazer] em “fazeno xixi”, os infinitivos dos verbos [trabalhar] em “vô trabaiá”, [morder] em “não pode mordê” e [pular] em “pulá alto” e outras formas reduzidas como “oei” [orar] e “qué” [querer]. Ainda vale esclarecer que o foco da descrição de formas verbais compostas como “vai sonhano” [sonhar] e “vai voltá” [ir] foi direcionado ora para a forma flexionada e ora para a forma nominal. Sobre a forma verbal “é”, também se faz necessário um esclarecimento. Quando essa exerce função responsiva, equivalente à expressão sim, “é” não foi considerado verbo. Assim, o uso da forma “é” que responde à indagação da mãe “é vovó tá te olhando?” não foi contabilizada como verbo. Por sua vez, a mesma forma verbal produzida por G nas sentenças “é a cola da vovó” e “é isso” foi interpretada como a forma presente da 3ª pessoa do verbo [ser]. </p>
      <p id="paragraph-cbc0e730b4ad8415d91a75fab0177996">Casos em que há ocorrem verbos auxiliares, como “vai sonhano”, “vem tá”, “tá chuvento” e “vô matá ela”, as duas formas são contadas como verbos. Casos em que ocorre repetição como “tem di madurá tem di madurá” e hesitações como “doa doeu” também foram considerados tokens independentes.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-dd17d748305c7d961efbb71437e637be">
      <title>6. O corpus: sobre a Linha Verbal Infantil</title>
      <p id="paragraph-7a6c8904c33b7075b5d96d03e22a113e">Em função do volume de dados, o corpus que suporta os resultados deste estudo está disponível no portal zenodo.org, https://doi.org/10.5281/zenodo.19699288, em formato que permite ser lido e processado automaticamente por computador.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-b20215e7a7fdc36844d18267e348e041">
      <title>Informações Complementares</title>
      <p id="paragraph-23dd0c3904537938e3fdb528caed87b2">
        <bold id="bold-76c1b36dda72b7b2dbffff389071ce3e">Conflito de Interesse</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-4e7f00371eff2c37cda26692b6c88322">O autor não tem conflitos de interesse a declarar.</p>
      <p id="paragraph-042952b5d314d1ad6e7bcee3527145c4">
        <bold id="bold-f36b4ddaf89ed48c3e3d8df42c5afd7c">Declaração de Disponibilidade de Dados</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-1afcd6dd9a95e20524e26840a545e7cc">Os dados desta pesquisa estão disponíveis no portal Zenodo: https://doi.org/10.5281/zenodo.19699288, em formato que permite ser lido e processado automaticamente por computador. Os dados, os códigos e os materiais que suportam os resultados deste estudo podem ser solicitados ao coordenador da pesquisa, em seu formato transcrito, através do e-mail institucional, pedro.perini@ufvjm.edu.br.</p>
      <p id="paragraph-db3201a769364231c45b75a6597a5bb1">
        <bold id="bold-3fdc2dd3cc69dd3fa15566f4ba8e1692">Declaração de Uso de IA</bold>
      </p>
      <p id="heading-b2b19cb0c06468aaa80831c38736e335">Nenhuma ferramenta de IA foi utilizada na criação deste artigo nem em qualquer aspecto dostrabalhos realizados, cujo resultado está aqui reportado.</p>
      <p id="paragraph-8ee63a4c371223606aa23af50570794f">
        <bold id="bold-521e8767128c656e72a33ba1a4f1bf82">Consentimento e Ética (se aplicável)</bold>
      </p>
      <p id="paragraph-0c638f78a113b348bca3c79bf70b9504">A compilação do corpus foi autorizada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFVJM, instituição à qual o grupo de pesquisa se associa. A instituição revisou todos os protocolos de pesquisa que envolve humanos, aí incluso o consentimento da responsável legal pela criança envolvida, que assinou o devido TCLE. A referida autorização foi devidamente registrada junto à instituição como CAAE 57714216.5.0000.5108. Os dados aqui publicados são inéditos e primam pelo caráter anônimo. O acesso à totalidade do material gravado e transcrito do corpus CIL pode ser solicitado ao autor do artigo através de seu e-mail institucional.</p>
    </sec>
    <sec id="heading-ef908ce5688792bd1fef9a8d4102ffa8">
      <title>Referências</title>
      <p id="paragraph-35d2ac1267c552b8bbb5d44fe665f153">AUSSEMS, S.; KITA, S. Seeing Iconic Gesture Promotes First- and Second-Order Verb Generalization in Preschoolers. Child Development, v. 92, n. 1, p. 124–141, 2021. DOI: https://doi.org/10.1111/cdev.13392</p>
      <p id="paragraph-c15a5ffc561fcab89e9cb5a559ef551b">BASSANO, Dominique. L'acquisition des verbes en Français: un exemple de l'interface lexique/grammaire. Synergies France, n. 6, p. 27-39, 2010. https://hal.science/hal-00601103v1</p>
      <p id="paragraph-db183bfc981dd53a74ff3bc20fe73c78">BEFI-LOPES, Debora Maria; CÁCERES, Assíria Maria; ARAÚJO, Karina. Aquisição de verbos em pré-escolares falantes do português brasileiro. Revista CEFAC, v. 9, n. 4, p. 444-452, 2007. https://doi.org/10.1590/S1516-18462007000400003.</p>
      <p id="paragraph-134966d9057c65a52a027dcfeab2729b">BLYTHING, Ryan; AMBRIDGE, Ben; LIEVEN, Elena. Children's acquisition of the English past-tense: evidence for a single-route account from novel verb production data. Cognitive Science, v. 42, n. 2, p. 621-639, 2018. DOI: https://doi.org/10.1111/cogs.12581.</p>
      <p id="paragraph-52a3d5ada67c7769d02e068eb5de0876">FIGUEIRA, Rosa. “O Erro como dado de eleição nos estudos de aquisição da linguagem”. In CASTRO, Maria Fausto (ed.), O Método e o Dado no Estudo da Linguagem. Campinas: Unicamp, p. 55-86, 1996.</p>
      <p id="paragraph-cc3b00ccf1e66c24439603de78210587">FIGUEIRA, Rosa. Inovações na expressão da agentividade: episódios marcantes da trajetória linguística da Criança. Linguística, v. 35, n. 2, p. 105-127, 2019.</p>
      <p id="paragraph-202edb0d26bfd3edefd0a9f73aebcc30">GENTNER, Dedre. On relational meaning: the acquisition of verb meaning. Child Development, v. 49, n. 4, p. 988-998, 1978. https://doi.org/10.2307/1128738.</p>
      <p id="paragraph-e32067a7b85280e4753e5f356016607d">GENTNER, Dedre. Some interesting differences between verbs and nouns. Cognition and Brain Theory, v. 4, n. 2, p. 161-178, 1981.</p>
      <p id="paragraph-06ad403ab71c4807489ff0501674163e">GENTNER, Dedre. Why verbs are hard to learn. In: HIRSH-PASEK, Kathy; GOLINKOFF, Roberta (ed.). Action meets word: how children learn verbs. Oxford: Oxford University Press, p. 544-564, 2006. DOI: https://doi.org/10.1093/acprof:oso/9780195170009.001.0001.</p>
      <p id="paragraph-c52aa8f14866996545bc9133f824033b">GENTNER, Dedre; BORODITSKY, Lera. Individuation, relativity, and early word learning. In: BOWERMAN, Melissa; LEVINSON, Stephen (ed.). Language Acquisition and Conceptual Development. Cambridge: Cambridge University Press, p. 215-256, 2001. https://doi.org/10.1017/CBO9780511620669.010.</p>
      <p id="paragraph-55b49f3abc28c8fa71dc42097610f9a9">GOLDIN-MEADOW, Susan; SELIGMAN, Martin; GELMAN, Rochel. Language in the two-year-old. Cognition, v. 4, n. 2, p. 189-202, 1976. https://doi.org/10.1016/0010-0277(76)90004-4.</p>
      <p id="paragraph-3547ecea1e1a82763dfa4a54f4d562b9">MACWHINNEY, Brian. The CHILDES Project: tools for analyzing talk. London: Lawrence Erlbaum Associates, 2000.</p>
      <p id="paragraph-822ce8686214da589cf4bf4e8c6b4e6f">MALDONADE, Irani. Erros na aquisição da flexão verbal: uma análise interacionista. Tese de Doutorado – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2003.</p>
      <p id="paragraph-a621c622c40995b6a8b9d77026c698d5">MORGENSTERN, Aliyha; CAËT, Sthéphanie; DEBRAS, Camile; BEAUPOIL-HOURDEL, Pauline; GUIGOURÈS, Marine. “Children’s socialization to multi-party interactive practices”. In: CARONIA, Letizia (ed.) Language and Social Interaction at Home and School. Amsterdam: John Benjamins, p. 45-85, 2021. https://doi.org/10.1075/ds.32</p>
      <p id="paragraph-f9a57583d46a349520daddacb570e8d5">MUMFORD, Katherine; KITA, Sotaro. Children Use Gesture to Interpret Novel Verb Meanings. Child Development, v. 85, n. 3, p. 1181–1189, 2014. https://doi.org/10.1111/cdev.12188.ORVIG-SALAZAR, Anne; DE WECK, Geneviève; HASSAN, Rouba; RIALLAND, Annie (ed.). The Acquisition of Referring Expressions: a dialogical approach. Amsterdam: John Benjamins, 2021.</p>
      <p id="paragraph-3d6c83b5d0a2d131ee45b15b5ae0b7d0">PERINI, Mário. Estudo de Gramática Descritiva: as valências verbais. São Paulo: Parábola, 2008.</p>
      <p id="paragraph-384cc425f73c8b8e453bbaf796f48d7d">PERINI, Mário. Thematic Relations: a study in the grammar-cognition interface. Cham: Springer, 2019.</p>
      <p id="paragraph-9ed63a9fa52f52a77ef79ce864baf7d5">PERINI, Mário. Function and Class in Linguistic Description: the taxonomic foundations of grammar. Cham: Palgrave Macmillan, 2021.</p>
      <p id="paragraph-5b17f714c6dccd614c729cbb936317ac">PERINI, Mário. Linguagem e Cognição: esquemas, gramática e os limites da língua. Petrópolis: Vozes, 2024.</p>
      <p id="paragraph-c9493fb2d7038efe76b624a626c0b3f0">PERINI, Mário. Valency Dictionary of Brazilian Portuguese Verbs. [Manuscrito inédito]. Departamento de Linguística, Universidade Federal de Minas Gerais, [s/d]</p>
      <p id="paragraph-9c5679e3b56ab6429c788020663eeeae">PERINI-SANTOS, Pedro; FERREIRA-SANTOS, Luciana; BODOLAY, Adriana; LEAL, Juliana. Pesquisa longitudinal: a evolução do uso lexical de uma criança dos 5 aos 22 meses de vida em um diário parental. Revista de Estudos da Linguagem, v. 27, n. 1, p. 73-104, 2019. https://doi.org/10.17851/2237-2083.27.1.73-104.</p>
      <p id="paragraph-9b97e3e4f59d2f5b0003d78a23c794b5">PERINI-SANTOS, Pedro; FERREIRA-SANTOS, Luciana; BODOLAY, Adriana; FABRI, Tatyane. Sobre o reconhecimento dos dados linguísticos de um corpus infantil: a comunicação como fator relevante. Revista de Estudos da Linguagem, v. 30, n. 1, p. 351-375, 2022. https://doi.org/10.17851/2237-2083.30.1.351-375.</p>
      <p id="paragraph-0e469b4bc4cee5ad7fa47af8da075046">PERINI-SANTOS, Pedro. O uso infantil dos verbos acabar, sair e saber: uma descrição léxico-gramatical. Revista D.E.L.T.A., v. 42, n. 2, p. 1-26, 2026. https://doi.org/10.1590/1678-460X202642271108</p>
      <p id="paragraph-ff982c8566d6cb917df9b6ef9f51dd1f">SALOMO, Dorothé; LIEVEN, Elena; TOMASELLO, Michael. Children's ability to answer different types of questions. Journal of Child Language, v. 40, n. 2, p. 469-491, 2012. https://doi.org/10.1017/S0305000912000050.</p>
      <p id="paragraph-4e999503de8604c0a5971d4fd426ae8e">SARAIVA, Maria Elizabeth. “Buscar menino no colégio”: a questão do objeto incorporado em português. São Paulo: Cortez, 1997.</p>
      <p id="paragraph-96220ab717a5d9f7c1939f233e7388c9">TOMASELLO, Michael. First Verbs – a case study of early grammatical development. Atlanta: Cambridge University Press, 1992.</p>
      <p id="paragraph-d50fcff0c904443c52dc48fdcb0608d8">TONIETTO, Lauren; PARENTE, Maria Alice; DUVIGNAU, Karine; GAUME, Bruno; ROSA, Caroline. Aquisição inicial do léxico verbal e aproximações semânticas em português. Psicologia: reflexão e crítica, v. 20, n. 1, p. 114-123, 2007. https://doi.org/10.1590/S0102-79722007000100015</p>
    </sec>
    <sec id="heading-4af611fdc9d4b24b08c5e75d1c0a5c66">
      <title>Avaliação</title>
      <p id="paragraph-d1b922294c520ee67706e310b86632c7"><bold id="bold-16b6df8fe79d54d398b717750483b40f">DOI:</bold> https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.V7.N2.ID872.R</p>
      <sec id="heading-ee9fb74bd93a11eddd691becbadbd6c0">
        <title>Decisão Editorial</title>
        <p id="paragraph-48128b2bf29558c0012c275741291e3e">EDITOR 1: Raquel Meister Ko Freitag</p>
        <p id="paragraph-60669dca3809c2605cc06681d33e963b">ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4972-4320</p>
        <p id="paragraph-df27ba38e022a35846ef029f0ba45d02">AFILIAÇÃO: Universidade Federal de Sergipe, Sergipe, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-f6781b9d696d37431973e9ae5b6de556">-</p>
        <p id="paragraph-86ed5d3553948a2cb35a8a02557f56f0">EDITOR 2: Juliana Bertucci Barbosa</p>
        <p id="paragraph-6">ORCID: https://orcid.org/0000-0002-1510-633X</p>
        <p id="paragraph-7">AFILIAÇÃO: Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Minas Gerais, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-8">-</p>
        <p id="paragraph-9">EDITOR 3: Marcia dos Santos Machado Vieira</p>
        <p id="paragraph-10">ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2320-5055</p>
        <p id="paragraph-11">AFILIAÇÃO: Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-b703e08406315f74390c89d9a170292e">-</p>
        <p id="paragraph-e5f28fe6097fa68a4841c1c903efd0e6">CARTA DE DECISÃO: O trabalho disponibiliza dados longitudinais de expressão verbal cobrindo 21 meses de desenvolvimento de uma criança brasileira. Os dados preenchem uma lacuna na pesquisa linguística nacional, considerando a carência de dados de aquisição da linguagem no português brasileiro. A curadoria do material, com eliciação da fala, garante a qualidade dos registros. O material apresenta potencial de reutilização, podendo subsidiar estudos sobre diáteses verbais, produtividade morfológica, interface sintaxe-semântica na aquisição, variação regional e pesquisas com outros corpora do português brasileiro ou de outras línguas. A metodologia longitudinal permite observar trajetórias de desenvolvimento e identificar padrões de emergência das estruturas verbais. O trabalho se alinha aos objetivos do dossiê, promovend o transparência, reprodutibilidade e colaboração.</p>
      </sec>
      <sec id="heading-2ac61bb44e1108ff376902b04fb02d70">
        <title>Rodadas de Avaliação</title>
        <p id="paragraph-a23f0beee762044219512016345c2055">AVALIADOR 1: Ronaldo Mangueira Lima Júnior</p>
        <p id="paragraph-1b3a89898f419da3d838839617a31881">ORCID: https://orcid.org/0000-0002-8610-0306</p>
        <p id="paragraph-67a16671062787c29f2287e38cfca9f1">AFILIAÇÃO: Universidade de Brasília, Brasília, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-0891aed0ef804a1c9347f71192e5f8e0">-</p>
        <p id="paragraph-0356840b5f71dd086b79a91ac2ff03ab">AVALIADOR 2: Ricardo Tavares Martins</p>
        <p id="paragraph-4d7b63d95cd4aad3ef517f3272c62fdc">ORCID: https://orcid.org/0000-0002-5276-2678</p>
        <p id="paragraph-0194968af7edad2bab4ecd04d16f2db2">AFILIAÇÃO: Instituto Federal do Sertão Pernambucano, Pernambuco, Brasil.</p>
        <p id="paragraph-4a7ca398b84dd24bdcd903277a178737">-</p>
        <p id="paragraph-8775a6ba29c6dadb3de477c7edb8db98">
          <bold id="bold-476d9c2d36462b20ba9b93fb2b28a7c1">RODADA 1</bold>
        </p>
        <p id="paragraph-c378147f797e08c2e88469ed04f1f513">AVALIADOR 1 </p>
        <p id="paragraph-372d7ac32a2560beb1d089e6d13bb88e"> 2025-12-01 | 07:26 AM</p>
        <p id="paragraph-3cca91f89eade49a2191c6ed2e1f244b">O texto submetido apresenta um corpus longitudinal que documenta 21 meses de uso verbal na fala de uma criança brasileira. Embora não se trate de um estudo experimental, com testagem de hipóteses e respostas a perguntas de pesquisa, o trabalho oferece um recurso revelante, sobretudo pela organização clara dos dados e pela adição de uma taxonomia verbal ainda não publicada, cumprido seu objetivo de ser uma publicação documental. O manuscrito será especialmente útil para pesquisadores em aquisição da linguagem. </p>
        <p id="paragraph-c1b683252c230b4b88927d06362a457e">O manuscrito apresenta um corpus longitudinal de 21 meses de uso verbal infantil, obtido a partir de interações naturalísticas entre uma criança e seus cuidadores. O objetivo central é disponibilizar dados anotados, incluindo um versão ortográfica da forma fonológica, função discursiva, tempo verbal, pessoa gramatical e categoria diatésica. O texto oferece aos leitores um material empírico para estudos sobre aquisição verbal, desenvolvimento fonológico e uso de diáteses verbais no português brasileiro. A descrição clara do contexto de coleta e a aplicação de uma proposta taxonômica ainda não publicada adicionam potencial de (re)uso do corpus. Embora não proponha hipóteses analíticas nem apresente conclusões generalizáveis, o manuscrito cumpre seu objetivo documental, e fornece um recurso relevante para pesquisas futuras. Seu impacto esperado reside na ampliação do acesso a dados naturalísticos de fala infantil e na criação de condições para análises comparativas e novas interpretações sobre a emergência do uso verbal em crianças brasileiras.</p>
        <p id="paragraph-4c1aa3c9e691d95cfa779a6706e91e69">-</p>
        <p id="paragraph-fa79ab2fca4e6a427df46ec2491290d3">AVALIADOR 2</p>
        <p id="paragraph-179f85f8836aaa492075b0dd6e7fc379">2026-01-10 09:20 PM</p>
        <p id="paragraph-c4e0488ed57868eeae55163b64cd56a6">Trata-se de um artigo científico que aborda a construção de um corpus linguístico infantil na aquisição de alguns aspectos verbais da língua portuguesa. O objetivo do artigo é compartilhar material empírico com a comunidade acadêmica, contribuindo para novas pesquisas e interpretações sobre a aquisição e uso das diáteses verbais. O documento apresenta muitos pontos fortes. Dentre eles, é possível destacar um bom tamanho para o corpus (cerca de 30 páginas) com a presença de uma boa gama de verbos; o corpus está bem estruturado e explicado, o que facilita bastante a leitura, inclusive para leigos. No entanto, alguns pontos fracos precisam ser ajustados. Dentre eles, um discussão teórica mais aprofundada do tema e ajustes em informações que ora faltam ou estão incompletas; a formatação, por vezes, dificulta a leitura com trechos encobertos por caixas de textos abertas para explicar o corpus. Porém, são pontos fáceis e rápidos de ajustar. </p>
        <p id="paragraph-14fa998cd042bd0bd2add2b5d1f46fc0">O artigo carece de uma seção conclusiva ou de considerações finais, pois após a discussão do tema, dos objetivos, a metodologia, a apresentação de como fazer a leitura do corpus, e por fim o próprio corpus, o artigo deixa a sensação de fim abrupto. No gênero textual escolhido, um seção final (como a "conclusão" ou "considerações finais") é sempre esperada pelo leitor.</p>
        <p id="paragraph-ba3f20dd08bfc3b755527bd6e2ca1469">O material coletado é de grande serventia para a pesquisa em aquisição da linguagem (e pode servir a outros propósitos como pedagógicos, por exemplo) e serve a outros pesquisadores que atuam nessa área e podem contar com um corpus registrado, bem explicado e que pode servir de modelo. A metodologia utilizada também poderá ser replicada na construção de outros corpus com temáticas semelhantes ou até mesmo distintas.</p>
        <p id="paragraph-c0e71a570a126f71e3f40f6036895fbe">Em suma, o artigo cumpre bem seu papel primordial e após alguns ajustes servirá a seus propósitos.</p>
      </sec>
    </sec>
  </body><back>
    <fn-group>
      <fn id="footnote-f0ecd757fd7fc925aa874771fae4684f">
        <p id="paragraph-06f6f820d598643591d92fdf66ddfbdc"/>
      </fn>
    </fn-group>
  </back></article>
