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Abstract

The aim of this study is to analyze the socio-rhetorical strategies used in the writing of introductions to scientific articles, produced by undergraduate students of the Arts/Linguistics and History courses in the context of the Institutional Program for Teaching Initiation Scholarship (PIBID), in a Higher Education Institution public. A pesquisa encontra-se ancorada nos pressupostos dos teóricos: Bazerman (2011) e Miller (2012) trazem discussão sobre gênero; Motta-Roth e Hendges (2010) e Bezerra (2006) apresentam reflexões alusivas à análise de gêneros acadêmicos; Silva (2020) faz uma abordagem sobre estratégias sociorretóricas nas introduções de artigos científicos de graduandos pibidianos das áreas de Letras / Linguística e História. The analysis methodology focuses on the CARS (Create a Research Space) Swales (1990) model. The corpus consists of ten article introductions, five from each area. Based on the results, it was possible to notice that the socio-rhetorical strategies mobilized by the students, in the introductions of the analyzed articles, present steps foreseen by the CARS model. It was observed, however, that each disciplinary area carries out strategies for organizing information that exceeds the aforementioned model, signaling the relevance of this model in guiding academic writing.

Introdução

Frente ao cenário atual, concernente às pesquisas relacionadas à análise de gêneros, percebe-se um crescente interesse de estudiosos por esse vasto e inesgotável campo de investigação. Esse aspecto vem revolucionando a forma de compreender os gêneros, indo de encontro à concepção que os entendia apenas como categorização literária ou como tipos textuais. Nesse contexto, a análise de gêneros pode ser realizada a partir de diferentes perspectivas teóricas, cujos enfoques contemplam desde a função social, a organização e a inter-relação entre os gêneros, até no âmbito da pedagogia sobre seu ensino. Percebemos, atualmente, as distintas abordagens linguísticas tanto no campo estrangeiro como em solo brasileiro.

Compreendendo a importância de estudar os gêneros em contextos específicos, conforme destaca a abordagem do Inglês para Fins Específicos (ESP), convém ressaltar a esfera acadêmica como um ambiente no qual se concentra um conjunto de práticas de letramentos específicos. Nessa perspectiva, torna-se pertinente refletir sobre as práticas de leitura e escrita, incluindo o papel dos gêneros nelas entrelaçados, haja vista as dificuldades com as quais os alunos convivem para inserção nesse novo contexto acadêmico. As reflexões sobre as referidas dificuldades serviram como motivação para realizar esta investigação.

O artigo científico, dentre os gêneros que comumente circulam no meio acadêmico, apresenta-se como mecanismo para mediar a participação de pesquisadores em eventos científicos, com apresentação de resultados de estudos em congressos e publicações em revistas científicas. Apesar de grandes avanços nas pesquisas sobre letramentos acadêmicos, ainda há muito a se explorar neste vasto campo de investigação. Assim, é imprescindível volver um olhar para a escrita de gêneros acadêmicos nas universidades, com vistas à didatização na perspectiva pedagógica.

Posto isso, convém ressaltar a relevância do artigo científico, por seu prestígio tanto para o processo de produção e publicação científica como para o engajamento de graduandos nas práticas discursivas universitárias. Nesse contexto, compreendemos a importância de implementar discussões alusivas à escrita da seção introdutória do artigo, a qual se figura como uma espécie de convite ao leitor para conhecer o artigo na sua totalidade. Destacamos que o objetivo deste estudo é analisar as estratégias sociorretóricas mobilizadas na escrita de introduções de artigos científicos, produzidas por graduandos dos cursos de Letras/ Linguística e História no contexto do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID), em uma Instituição de Ensino Superior pública.

Para a consecução do objetivo, buscou-se subsídio teórico nos postulados de pesquisadores estrangeiros como: Swales (1990); Bazerman (2011); Miller (2012). No contexto brasileiro, as discussões teóricas, aqui levantadas, foram amparadas nas pesquisas de Bezerra (2006); Motta-Roth e Hendges (2010); Biasi-Rodrigues e Bezerra (2012) e Silva (2020), dentre outros. Para esses estudiosos o gênero tem sido uma maneira de lidar com as características peculiares da escrita situada, constituindo-se como uma maneira de ir além do processo das particularidades da etnografia para entender o modo como o gênero é percebido e utilizado em situações reais de comunicação.

O corpus deste estudo é constituído por dez introduções de artigos produzidas pelos discentes bolsistas do PIBID, sendo cinco do curso de Letras/ Linguística e cinco do curso de História. A análise empreendida centra-se no modelo CARS (Create a Research Space), preconizado por Swales (1990), com foco nas estratégias sociorretóricas mobilizadas na seção introdutória dos artigos. Considera-se que esse total de amostras constitui um corpus, razoavelmente expressivo, para os propósitos desta pesquisa.

As discussões deste estudo são abordadas em três tópicos, quais sejam: o primeiro traz concepções sobre gênero; o segundo versa sobre o artigo científico, com enfoque na seção introdutória; o terceiro volve um olhar para os procedimentos metodológicos, com destaque ao cenário da pesquisa, ao modelo CARS, à análise e discussão dos resultados.

A partir das análises, foi possível perceber que as duas áreas disciplinares: Letras/ Linguística e História realizam estratégias de organização de informações afins, quais sejam: (Fazendo Generalizações sobre o Assunto) e (Esboçando os objetivos da pesquisa). Observamos também que os passos: (Incluindo informações sobre o Programa ao qual o estudo está vinculado) e (Descrevendo o procedimento metodológico) foram excedentes ao modelo CARS, o que sinaliza a maleabilidade e a relevância do modelo em tela na orientação de graduandos no processo da escrita acadêmica. Por fim, o artigo é finalizado com as conclusões do estudo. Torna-se pertinente salientar que os aspectos a serem tratados, no decurso deste artigo, estão expostos na ordem, conforme os três tópicos mencionados.

1. Concepções sobre gênero

Do ponto de vista de sua dinamicidade, “os gêneros não são entidades naturais como as borboletas, as pedras, os rios e as estrelas, mas são artefatos culturais construídos historicamente pelo ser humano” (MARCUSCHI, 2005, p. 30). Isso nos remete à compreensão de que os gêneros fazem parte das culturas humanas e variam conforme as mudanças sociais e o contexto histórico no qual se inserem.

É válido salientar que, na literatura especializada, há diferentes concepções no que se refere ao conceito de gênero, talvez devido ao fato de esse termo “veicular diferentes e difusos significados acumulados ao longo da história, especialmente, no âmbito dos estudos literários” (SILVEIRA, 2005, p. 36). Apesar dos distintos significados que o termo pode assumir, as concepções de gênero, nas abordagens teóricas contemporâneas, já parecem concordar com a compreensão desse conceito como maneira de agir através da linguagem e não meramente como entidade formal.

Nessa perspectiva, Bawarshi e Reiff (2013) realçam que os gêneros vêm sendo cada vez mais definidos como modos de reconhecer, responder e agir nas interações sociais. Esse entendimento é compatível com um estudo de gênero para além da caracterização de seus traços formais, que leve em conta, entre outros aspectos, o seu uso em determinado contexto, a construção de sentidos, os propósitos, os interlocutores e a comunidade na qual o gênero circula.

Aliado a essa compreensão, “os gêneros não são apenas formas. Gêneros são formas de vida, modos de ser. São frames para a ação social. São ambientes para a aprendizagem” (BAZERMAN, 2011, p. 23). O sentido se constrói por meio dos gêneros, os quais “moldam os pensamentos que formamos e as comunicações através das quais interagimos” (BAZERMAN, 2011, p. 23). Presentes em nossas ações diárias, na forma como nos organizamos, rotineiramente, formamos nossos atos discursivos e cognitivos, os gêneros se constituem como mecanismos para o convívio social, por meio deles, criamos nossas ações comunicativas.

Efetivamente, os gêneros “são propriedades de grupos de indivíduos que geram convenções e padrões que restringem as escolhas individuais” (BIASI-RODRIGUES; HAMAIS; ARAÚJO, 2009, p. 23). Sob essa ótica, os gêneros orientam o modo como os membros de uma comunidade discursiva estabelecem regras sociais, reforçam valores e compartilham seus objetivos. Nesse sentido, compreende-se o papel mediador dos gêneros em contextos específicos, em especial, contextos acadêmicos e profissionais.

Cabe ressaltar aqui a abordagem do ESP defendida por Swales (1990), com destaque à definição de gênero que explora, entre outros aspectos, o papel da comunidade discursiva e dos propósitos comunicativos compartilhados pelos membros dessa comunidade. A delineação desses aspectos encontra-se postulada pelo referido autor, conforme segue:

Um gênero compreende uma classe de eventos comunicativos, cujos membros compartilham um certo conjunto de propósitos comunicativos. Esses propósitos são reconhecidos pelos membros mais experientes da comunidade discursiva original e, portanto, constituem a razão do gênero. A razão subjacente delineia a estrutura esquemática do discurso e influencia e restringe as escolhas de conteúdo e estilo (SWALES,1990, p. 58).

Classe, nesse contexto, é entendida como uma categoria na qual se enquadram textos afins como pertencentes ao mesmo gênero. Já os eventos são utilizados pela comunidade discursiva para alcançar seus propósitos comunicativos públicos e compartilhados. Na compreensão do referido autor, o propósito comunicativo se torna “um critério privilegiado que opera no sentido de manter o escopo do gênero, (...) estreitamente ligado a uma ação retórica compatível ao gênero” (SWALES, 1990, p. 58).

O propósito comunicativo é entendido como “a força que estabelece o foco na ação retórica do gênero” (BIASI-RODRIGUES; HEMAIS; ARAÚJO, 2009, p. 26), sendo visto como o critério central para a identificação de gêneros, conforme salientam Biasi-Rodrigues, Hemais e Araújo (2009). Essa noção de propósito comunicativo é revista por Swales e Askehave (2001) e, posteriormente à revisão, o propósito comunicativo passa a ser entendido como critério relevante, mas não como único e fundamental na definição e no reconhecimento do gênero, visto que o propósito comunicativo nem sempre é claro.

Ao mesmo tempo em que os gêneros apresentam uma estrutura esquemática prototípica inspirada nos propósitos compartilhados pelos membros de uma comunidade discursiva e que permitem a inserção nas práticas comunicativas cotidianas, esses membros aprendem a reconhecê-los como “a chave para a compreensão sobre como participar das ações de uma comunidade” (MILLER, 2012, p. 39). É nesse sentido que os gêneros se destacam como ação social tipificada a partir de situações recorrentes, para além de suas regularidades formais.

Compreende-se, então, que os gêneros incorporam e refletem um contexto mais amplo, de caráter social e cultural, em que a linguagem é utilizada (BEZERRA, 2006), incluindo interesses, costumes, valores, hábitos de um grupo social em particular, estabelecendo regras sociais e relações entre escritores e leitores. Desse modo, a padronização dos gêneros está relacionada aos objetivos do texto, aos propósitos comunicativos, bem como a questões ideológicas e a convenções sociais, institucionais, onde os gêneros se desenvolvem e são organizados.

Diante disso, há de se considerar que os padrões característicos dos gêneros precisam ser entendidos e estudados a partir de aspectos sociocomunicativos e funcionais que levem em conta as ações retóricas que realizam (MARCUSCHI, 2008). Expostas essas discussões alusivas à noção de gênero, na sequência, são abordadas considerações sobre o artigo científico.

2. Artigo científico: gênero de prestígio no meio acadêmico

Os gêneros surgem, modificam-se e desaparecem ao logo do tempo, e “mudam quando um campo e o contexto histórico mudam” (BAZERMAN, 2011, p. 44). Essa mudança pode acontecer a partir da transformação de gêneros antigos “por inversão, por deslocamento, por combinação” (TODOROV, 2018, p. 64). Ao que se percebe, um gênero vem, simplesmente, de outros gêneros. Nessa perspectiva, convém destacar que “os primeiros artigos científicos pareciam mais carta do que qualquer coisa que vemos hoje na revista Physics Review” (BAZERMAN, 2011, p. 44).

Conforme Bazerman (2011), o artigo científico se desenvolveu partir das cartas informativas e muitas assumiram a forma narrativa, com descrição em primeira pessoa. Algumas até apresentavam saudação. Com o decorrer dos anos, os artigos deixaram de ter as marcas de carta e se tornaram comunicações autônomas. BAZERMAN, 2011, p. 31 declara que o artigo experimental, na ciência, “nasceu nos primeiros intercâmbios epistolares entre os filósofos naturais, em meados do século XVII”. Atualmente o artigo científico figura-se como um gênero de prestígio no meio científico, em diferentes áreas disciplinares, principalmente por sua função na divulgação dos conhecimentos produzidos pela academia.

A relevância desse gênero também se destaca por ter como um dos propósitos levar ao conhecimento e apreciação social as pesquisas desenvolvidas e os resultados encontrados. Enfatizamos que o artigo “é um texto de, aproximadamente, dez mil palavras, produzido com o objetivo de publicar, em periódicos especializados, os resultados de uma pesquisa desenvolvida sobre um tema específico” (MOTTA-ROTH; HENDGES, 2010, p. 66). Essas autoras dialogam com Swales (2004), ao associar o artigo a gêneros escritos que se referem a investigações com apresentação de descobertas e discussões de questões teóricas e metodológicas.

Esse gênero se constitui como uma ponte que estabelece a comunicação entre pesquisadores, por isso é muito conceituado na divulgação do saber especializado e “desfruta de um status especial como o gênero de maior visibilidade e centralidade em boa parte das universidades” (BEZERRA, 2015, p. 62). Além disso, o artigo científico também se faz presente, conforme (SILVA, 2020), nos cursos de graduação, seja como objeto de estudo e de análise nas diversas disciplinas, seja como produção escrita para avaliação curricular e/ou como forma de desenvolvimento dos letramentos de estudantes, em atividades supervisionadas por um professor/orientador.

Nessa compreensão, o domínio dos gêneros acadêmicos é crucial para a inserção dos estudantes nas práticas discursivas universitárias. Destacamos, assim, que no âmbito do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID, apesar de ter como foco a docência, segundo Silva (2020), o graduando integra essa experiência à escrita acadêmica, a partir da produção de diversos gêneros, inclusive de relatórios no formato de artigo. De acordo com Silva (2020), o sucesso na vida profissional e acadêmica dos estudantes tem muito a ver com domínio dos letramentos acadêmicos.

Pensando na relevância do artigo como mecanismo de comunicação entre pesquisadores e que a seção introdutória desse gênero se constitui como um convite à leitura na totalidade do texto, no tópico subsequente, volvemos um olhar para a introdução do artigo.

2.1. A seção introdutória do artigo científico

Um dos grandes dilemas de muitos escritores, sejam experientes ou iniciantes, consiste em saber por onde e como iniciar a escrita de um texto acadêmico, sobretudo, de um artigo. Essa tarefa, muitas vezes, é permeada de dúvidas e inseguranças. Isso porque “as introduções são problemáticas, e quase todos os escritores acadêmicos admitem ter mais dificuldade em iniciar uma redação acadêmica do que em sua continuação” (SWALES, 1990, p. 137-138). Às vezes, o escritor se encontra frente a um grande impasse: de um lado fluem ideias e opções, do outro, a necessidade de tomar decisões sobre a quantidade e o tipo de informações a serem incluídas ou excluídas no texto.

A escrita da introdução tem propósitos e segue passos que são combinados com os movimentos e estratégias que compõem a estrutura sociorretórica da introdução. O momento de escrever os parágrafos iniciais exige preparação, planejamento e longo desenvolvimento de habilidades. Nessa compreensão, cabe salientar que a atividade de escrita exige organização até mesmo no plano físico, como “reunir os materiais de escrita, encontrar um ambiente físico que possibilite escrever, focar nossa atenção visual em signos pequenos e manipular nossas ferramentas de escrita com habilidades motoras finais” (BAZERMAN, 2015, p. 13). São detalhes, aparentemente simples, mas que somam para uma escrita exitosa.

Convém realçar que o PIBIB vem acentuar o compromisso da IES com a formação acadêmica, dos pibidianos, sobretudo, como salienta Silva (2020, p.112), “no que tange à produção de gêneros acadêmicos como relatórios, projetos, plano de aula, sequências didáticas, resenhas e diferentes tipos de resumo”. Nesse contexto, a universidade recorre a novas metodologias direcionadas aos letramentos acadêmicos. Isso dá mais significado à escrita.

Pensando assim, a escrita de gêneros acadêmicos se configura como ação social (MILLER, 2012), assume uma função social e torna-se mais expressiva, mais viva e mais útil quando realizada em contextos reais e interativos. O momento de escrever, principalmente a seção introdutória do artigo, é o momento de pensar que a escrita é para o outro. Essa seção se constitui como uma espécie de apelo ao leitor para a leitura, sinalizando, inclusive, para o que é possível encontrar no corpo do artigo.

Nessa compreensão, a introdução é a parte do artigo que prepara o leitor para entender o que se aborda no artigo, por isso, essa seção tem, dentre outros propósitos comunicativos, despertar o sentimento de curiosidade para a leitura do artigo completo. É nesse espaço onde se informa sobre o que foi pesquisado, o objetivo da investigação e apresenta ao leitor possibilidades de compreender como foi realizada a pesquisa. Essa seção apresenta “uma proposta de leitura prévia, um convite à leitura da obra” (BEZERRA, 2006, p. 80). É uma espécie de guia que conduz os leitores que desejam saber se o texto contém informações que despertem sua atenção. É, pois, uma visão global do texto e orienta o leitor na compreensão do conteúdo, dentro de uma abordagem interativa que se estabelece entre escritor e leitor.

A seção introdutória também tem finalidades como: seduzir, convencer, impressionar, encorajar e instigar o leitor a prosseguir à leitura. Além de apresentar a justificativa para a elaboração do estudo, bem como expor a metodologia. O problema da pesquisa e os objetivos claros e bem delimitados definem a razão de ser de uma pesquisa. Na compreensão de Motta-Roth e Hendges (2010), a introdução busca apresentar ao leitor três momentos da pesquisa: levantamento de hipóteses ou problemas, metodologia de coleta dos dados, análise, interpretação, discussão e avaliação dos resultados. As autoras também destacam outros pontos, a saber: conclusão e generalizações, conectando-as aos estudos prévios dentro da área de conhecimento em questão.

Há de convir que existem informações básicas na estrutura da introdução do artigo as quais comumente se encaixam, basicamente, no início da introdução. Podemos citar como exemplo a contextualização ou um breve recorte temporal, o que pode remeter a estudos anteriores realizados na área da pesquisa, com informação sobre o que foi pesquisado e menção a pesquisas realizadas sobre a temática com possíveis lacunas.

Essas lacunas geralmente sinalizam para a relevância da pesquisa, como possibilidades que se abrem para investigação do problema e para a necessidade de novos estudos. Justificando-se, assim, a pertinência da pesquisa, como também as razões para realização do estudo. Uma breve explicação ou descrição sucinta do objeto está estreitamente relacionada aos objetivos os quais se materializam com a exploração dos pressupostos teóricos que ancoram a pesquisa.

Os pontos aqui expostos são constitutivos desse espaço para expor os propósitos da introdução. Há de se considerar também a flexibilização na forma de organizar a introdução, compreendendo, portanto, que a estrutura não é rígida. Os passos vão se encaixando ao longo da exposição, os quais não necessariamente, podem ser realizados na totalidade. Isso porque o processo de organização da introdução de um artigo é maleável e tem muito a ver com as peculiaridades das áreas disciplinares. Muitas vezes as introduções tendem a ser limitadas pela quantidade de páginas que os editores sugerem para o trabalho completo. Ademais, os escritores buscam seguir as convenções vigentes de cada contexto.

No decorrer dessas reflexões, foram expostos os seguintes aspectos: concepções sobre gênero, o artigo científico e a seção introdutória do artigo. Na abordagem a seguir, apresentamos os procedimentos metodológicos.

3. Procedimentos metodológicos

As discussões aqui expostas versam sobre o cenário da pesquisa, de onde procede o corpus, o qual é constituído por dez introduções de artigos científicos das áreas disciplinares de Letras/ Linguística e de História, sendo cinco de cada área. Os artigos, disponibilizados por professores coordenadores das referidas áreas, foram produzidos por estudantes bolsistas do PIBID, cursando o sétimo período, em uma Universidade da esfera pública estadual. No intuito de preservar a confidência dos colaboradores da pesquisa, são utilizados os códigos: ALL para as amostras de Letras/ Linguística e AH para as amostras de História, seguidos de uma numeração: ALL1 e AH1.

Para a obtenção dos resultados, fizemos uma análise minuciosa de cada introdução, verificando, cuidadosamente, a organização retórica – movimentos e estratégias, a partir do modelo CARS, na seguinte ordem: primeiro observamos se os artigos de cada área continham a seção introdutória; em seguida iniciamos as análises das amostras de Letras/ Linguística e, na sequência, das amostras de História. Posteriormente, observamos quais os movimentos e estratégias foram realizados, especificamente, em cada área, bem como as ocorrências comuns às duas áreas disciplinares.

É oportuno salientar que consideramos recorrentes os movimentos e estratégias que apresentaram frequência igual ou superior a 4, dentre as 10 introduções de artigos analisadas. Julgamos como pouco recorrentes aquelas que apresentaram frequência de 2 e 3 e como insuficientemente recorrentes as que apresentam frequência 1. Verificamos, ainda, os movimentos e estratégias que, em nossa pesquisa, excederam ao modelo CARS. Os resultados revelados encontram-se dispostos em quadros descritos na seção a seguir.

3.1. Descrição do modelo CARS e análises

O modelo CARS representa uma contribuição teórico-metodológica de Swales (1990) no campo de análise de gêneros, como ressaltam Biasi-Rodrigues, Hemais e Araújo (2009). Para a elaboração do referido modelo, em estudo seminal, Swales (1990) utiliza a metáfora da ecologia e parte do estudo de introduções de artigos de pesquisa de diferentes áreas disciplinares, no intuito de analisar as estratégias que os escritores/autores usavam para distribuir as informações nas introduções de artigos. Ver Quadro 1, a seguir.

Figure 1.Quadro 1- Modelo CARS para introdução de artigo de pesquisaFonte: Swales (1990, p. 141)

Swales (1990) faz uma representação esquemática da unidade introdutória do artigo, por meio de categorias denominadas como ‘movimentos’ (moves), as quais recobrem subcategorias identificadas como ‘passos’ (steps), com o objetivo de reconhecer a organização retórica da introdução a partir da distribuição de informações recorrentes. A análise do corpus centra-se no modelo em tela, no intuito de observar os movimentos e estratégias retóricas nas introduções dos artigos escritas pelos referidos graduandos. Esses aspectos encontram-se no quadro 2 a seguir.

Figure 2.Quadro 2: Movimentos e Estratégias Retóricos na Área de Letras/ LinguísticaFonte: Elaboração da autora, com base no modelo proposto por Swales (1990)

O quadro 2 expõe a realização dos movimentos retóricos nas introduções de artigos de Letras/Linguística. É possível perceber que os autores priorizaram, no Movimento 1, (Estabelecer um Território), o passo 1 (Estabelecendo a Importância da Pesquisa) e o passo 2 (Fazendo Generalizações sobre o Assunto), presentes em mais de três amostras. Isso demonstra a preocupação dessa área disciplinar em expor considerações gerais acerca da temática pesquisada, bem como apresentar a relevância da pesquisa, perceptíveis nos exemplos 1, 2, 3 e 4 a seguir.

[M1P1-LL2-LL3-LL4] - Estabelecendo a importância da pesquisa

(1) Quanto à relevância deste trabalho, destaca-se que esta pesquisa pode acrescentar ao curso de Letras Português possibilidades de inovação nas formas de ensino que abarcam o estudo dos gêneros textuais, uma vez que trata dos gêneros digitais como subsídios essenciais para um ensino.

(2) A relevância da pesquisa reside em estar vinculada às evoluções das formas de comunicação, que se apresentam evidentes no âmbito virtual.

(3) Dessa forma, entende-se que os gêneros são essenciais para a realização de toda prática comunicativa.

(4) Os gêneros textuais proporcionam a interação com o outro, por meio dos textos de uso cotidiano.

[M1P2-LL 1-LL3-LL-4] - Fazendo Generalizações sobre o Assunto

(5) [...] os gêneros digitais surgem como adaptação dos gêneros já existentes e têm sido crescentes os estudos nesta linha de pesquisa.

(6) Teóricos como Marcuschi e Xavier (2010), Rojo (2012); Fonte e Caiado (2014), têm desenvolvido trabalhos nesta perspectiva e demonstram a importância da contextualização dos gêneros com o ensino.

(7) Por ser um campo muito vasto e repleto de conceitos e definições [...]

Observamos que o Movimento 3 (Ocupar um nicho) foi realizado por meio do Passo 1A (Esboçando os objetivos da pesquisa – exemplos 8, 9 e 10) e do Passo 3 (Indicando a estrutura do artigo – exemplos 11 e 12). Os referidos passos estão presentes nos cinco exemplos a seguir.

[M3P1A-LL 2-LL3-LL5] - Ocupar um nicho

(8) O presente estudo tem como objetivo analisar os aspectos textual-interativos que organizam o diálogo entre alunos no aplicativo whatsApp.

(9) Este artigo tem como objetivo analisar os aspectos textuais que norteiam o gênero resumo escolar.

(10) O objetivo do presente estudo é trabalhar o gênero resumo como mecanismo no processo de ensino aprendizagem.

[M3P1A-LL 2-LL3- LL5] - Indicando a estrutura do artigo

(11) Retoricamente, este artigo encontra-se estruturado em três seções, assim delineadas: A primeira tece considerações sobre gêneros, [...] A segunda traz discussões sobre [...] A terceira apresenta a pesquisa de campo, com procedência e análise do corpus.

(12) Cabe destacar que o presente artigo subdivide-se em três seções, assim descritas: A primeira traz teorias de gêneros, [...] A segunda faz uma abordagem sobre Gêneros digitais como ferramenta [...] A terceira seção apresenta uma explanação acerca da estratégia de organização textual [...].

(13) A estrutura deste estudo compreende-se em três momentos. O primeiro traz uma abordagem sobre gêneros. O segundo faz uma discussão sobre o gênero resumo. O terceiro apresenta realização da sequência didática.

Os dois exemplos que seguem referem-se aos passos pouco recorrentes: 1B (Anunciando a pesquisa), com uma realização e 2 (Apresentando os principais resultados), apenas uma realização.

[M3P1B-LL4] - Anunciando a pesquisa

(14) O estudo ora apresentado, também observa os avanços nos estudos dos gêneros textuais, que vem ganhando proporção ao longo dos anos e apresentando reorientações para as análises deste objeto

[M3P2-LL4] - Apresentando os principais resultados

(15) Os resultados demonstram que as escolhas linguísticas são fundamentais para a organização de um texto, com isso, o balanceamento entre o explícito e o implícito apresentaram-se como estratégias textuais eficazes [...] Com efeito, pode-se perceber que os alunos da segunda série do ensino médio fazem uso de estratégias textuais de balanceamento entre o explícito e o implícito

No Movimento Retórico 2 (Estabelecer o nicho) houve apenas uma ocorrência. Isso nos leva a pensar se esses escritores têm maturidade suficiente para realizar esse movimento na escrita da introdução de seus artigos. O passo realizado, nesse movimento, foi P1C (Levantando questões), como se observa no exemplo que segue.

[M2P1C] - Levantando questões

(16) A pesquisa foi norteada através do questionamento: “Como os alunos da segunda série do ensino médio empregam o balanceamento entre o explícito e o implícito, para garantir a construção de sentidos no texto do aplicativo WhatsApp?”

Além dos movimentos e passos que constituem o modelo CARS, observamos a presença de mais quatro realizações: Incluindo informações sobre o Programa ao qual o estudo está vinculado, Descrevendo o procedimento metodológico, Apresentando embasamento teórico e Apontando a linha de pesquisa, como pode ser observado nos exemplos 17,18, 19,20,21.

[MEx-P1] - Vinculando o estudo a um projeto

(17) A pesquisa faz parte do subprojeto [...] vinculado ao programa Institucional de Bolsa de iniciação à docência PIBID/CAPES/UNEAL.

[MEx-P2] - Apresentando embasamento teórico

(18) A presente investigação se encontra amparada nos pressupostos dos autores: Marcuschi (2007 e 2008), [...] Bezerra (2017), Antunes (2003), Dolz e Schneuwly (2004) e Bakhtin (1997).

(19) Destaca-se a concepção de Bazerman (2011, p.23), demonstrando que os “gêneros não são apenas formas. Gêneros são formas de vida, modos de ser”.

[MEx P3] - Descrevendo procedimento metodológico

(20) É pertinente salientar que os dados desta pesquisa foram coletados por meio de sequência didática, a partir da leitura e discussão e produção do gênero textual Limerique.

(21) Os dados desta pesquisa foram analisados com base em Marcuschi (2007), analisando o gênero entrevista por focar a questão da oralidade.

Essas realizações adicionais observadas estão para além do modelo CARS, o que nos faz compreender a plasticidade do modelo e que é possível sua aplicabilidade em diferentes áreas disciplinares, considerando as peculiaridades de cada área. Expostas as observações de Letras/Linguística, apresentamos o quadro de História, a seguir.

Figure 3.Quadro 3: Movimentos e Estratégias Retóricos na Área de HistóriaFonte: Elaboração da autora, com base no modelo proposto por Swales (1990)

A partir do Quadro 3, foi possível perceber que os autores priorizaram no Movimento 1 (Estabelecer um Território), Passo 1 (Estabelecendo a Importância da Pesquisa) e Passo 2 (Fazendo Generalizações sobre o Assunto). Já o Passo 3 (Revisando itens de pesquisas prévias) foi pouco recorrente. Esses passos são apresentados nos exemplos 19,20, 21,22 conforme seguem.

[M1P1-H2] - Estabelecendo a importância da pesquisa

(22) Essa pesquisa é de grande importância considerar o trajeto histórico da educação no Brasil desde os avanços e desafios como também os percursos das teorias e práticas na efetivação dos direitos reservados à educação de jovens e adultos.

[M1P2 –H2-3-4-5] – Fazendo generalizações sobre o assunto

(23) Diferente do ensino básico regular, na EJA, a maioria dos alunos [...] precisa enfrentar uma jornada de trabalho durante o dia e estão, muitas vezes, cansados no turno noturno.

(24) A história do negro no Brasil, por exemplo, na maioria das vezes, é retratada de forma superficial, inclusive em livros didáticos, ligando-a apenas ao recorte temporal do início da escravidão até a lei áurea.

(25) LDBEN/9394 reserva um capitulo para a educação destinada a jovens e adultos que não tiveram acesso à escolaridade regular na infância e adolescência e que foi vetado o financiamento pelo então Presidente da República que alegava se tratar de uma modalidade – EJA – da qual o poder público não possuiria controle sobre as matrículas.

[M1P3–H5] - Revisando itens de pesquisas anteriores

(26) Partindo dessa metodologia, outro desafio foi conseguir visitar esses assuntos, abrindo possibilidades de diálogos que fossem bastante proveitosos, como afirma Fábio Delmonico

No Movimento Retórico 2 (Estabelecer o nicho) não houve ocorrência. Quanto ao Movimento 3 (Ocupar um nicho), foram realizados os Passos: P1A nos exemplos 27, 28; P1B nos exemplos 29, 30, 31; P2 no exemplo 32; P3 no exemplo 33, conforme seguem.

[M3P1A-H3-H3] - Esboçando os objetivos

(27) Objetivo pontuar algumas problemáticas presentes nos livros didáticos de diversas instituições brasileiras, trazendo seus prós e contras.

(28) O objetivo deste trabalho é refletir sobre a formação profissional do professor de história com foco na EJA através da oportunidade de iniciação na prática docente proporcionada pelo PIBID [...]

[M3P1B -H-1-H4-H5] - Anunciando a presente pesquisa

(29) Neste estudo iremos abordar sobre Mocambos e Quilombos Resistência Negra, em que para termos uma ideia a respeito da resistência negra faz-se necessário, em primeiro momento definir o que ela seria, isso sem necessariamente adentrarmos na temática, ou seja, a resistência de uma forma geral.

(30) Fazemos uma análise sobre a importância da capoeira no âmbito escolar, uma vez que além de ser patrimônio cultural expressa através, de sua luta, ginga, musicalidades e instrumentos, toda uma história de resistência dos afro-brasileiros no Brasil.

(31) Neste trabalho descrevemos a nossa atuação, por meio das atividades que denominamos de “SAINDO DA ROTINA: a presença do lúdico na assimilação de conteúdos”. Descrevemos também, a partir de como foi “o sair” da rotina escolar; de que maneira o conteúdo foi trabalhado pelos bolsistas e como o lúdico foi inserido nas intervenções feitas nas aulas das referidas turmas.

[M3P2-H5] - Apresentando os principais resultados

(32) As experiências adquiridas ao longo do desenvolvimento do projeto foram de tamanha riqueza para a nossa formação, pois nos proporciona a dimensão do que é ser professor.

[M3P3-H2] - Indicando a estrutura do artigo

(33) Este artigo é estruturado em três tópicos, no primeiro será discutido o período da década de 1930 até a metodologia educacional de Freire. No segundo será pontuada a modalidade que hoje está sendo aplicada na Escola Estadual M P de Lima e suas especificidades. No terceiro haverá uma discussão das atividades realizadas e os resultados obtidos com elas.

Além dos passos do Modelo CARS, a área de História também apresentou mais duas realizações recorrentes, quais sejam: Vinculando o estudo a um Projeto e Descrevendo o procedimento metodológico. Conforme exemplos 34 e 35, a seguir.

[MExP4] - Destacando o Procedimento Metodológico

(34) O referido trabalho é de cunho bibliográfico e por meio da observação de algumas aulas nas quais os bolsistas do PIBID – tiveram contato durante o primeiro semestre de 2019 com a Escola Estadual M. P. L., onde atuaram com roda de conversa, palestras e outras atividades.

[MExP5] - Vinculando o estudo a um Projeto

(35) Esta pesquisa está em consonância com o Subprojeto “Saberes e Práticas do ensino de história afro e indígena: memória, imagem, oralidade e patrimônio”, do curso de História da Universidade Estadual de Alagoas – Campus III.

4. Conclusões

A partir da análise do corpus, percebemos que, dos onze passos dispostos por Swales (1990) no modelo CARS, oito foram realizados na área de Letras /Linguística e sete na área de História, porém apenas quatro foram recorrentes nas amostras desta pesquisa, são eles: (Estabelecendo a importância da pesquisa), (Fazendo generalizações sobre o assunto), (Esboçando os objetivos e Indicando a estrutura do Artigo). Isso nos parece muito positivo, uma vez que estamos diante de áreas disciplinares distintas e, apesar disso, encontramos a mobilização de informações de modo que a seção introdutória possa realizar seus propósitos comunicativos e assim atingir o objetivo da pesquisa.

Além disso, a análise do corpus revelou cinco passos excedentes ao modelo CARS, sendo que três desses passos foram recorrentes. São eles: 1- (Incluindo informações sobre o Projeto ao qual a pesquisa está vinculada); 2- (Apresentando o embasamento teórico); 3- (Descrevendo os procedimentos metodológicos); 4- (Indicando e/ou descrevendo o objeto de estudo); 5- (Apontando a linha de pesquisa). Convém salientar que os dois passos, que estão em itálico, foram pouco recorrentes.

Isso sugere que o modelo proposto por Swales (1990) pode ser aplicado em diferentes áreas disciplinares a exemplo de Letras/Linguística e História, sendo relevante para demonstrar os movimentos e estratégias retóricas nas introduções dos artigos científicos, considerando as especificidades de cada área.

Com base nos resultados, percebemos que os autores das introduções dos artigos analisados caminham na direção do modelo CARS, mesmo sem o conhecimento do referido modelo. Observamos, no entanto, que cada área disciplinar apresenta estratégias de informações excedentes ao modelo em tela, sinalizando que o modelo é maleável e passível de aplicabilidade na orientação da escrita acadêmica de graduandos, nesta pesquisa, os pibidianos.

Frente aos resultados, pode-se compreender a relevância das estratégias para a realização dos movimentos retóricos na orientação da escrita de introduções de artigos. No que concerne às especificidades de cada área, observamos diferenças e semelhanças na forma de distribuição dos passos nos textos dos estudantes de Letras/Linguística e de História. Foi perceptível a mobilização de estratégias adicionais ao modelo CARS, nas duas áreas disciplinares referidas.

Consideramos que a pesquisa trouxe contribuições por duas razões: A primeira, por abordar o gênero artigo científico, com potencial para uma aplicação didática que parta da análise de exemplares reais do gênero e não de manuais com instruções gerais que não levam em consideração as especificidades de cada área. A segunda, por ter o mérito de eleger os textos dos graduandos, membros periféricos da comunidade acadêmica que estão buscando construir sua autoria ao se inserirem nessas práticas.

Uma vez que as investigações não param por aqui, mais do que respostas, este estudo suscita outros questionamentos, para trabalhos futuros. Pode-se observar se os movimentos pouco recorrentes estão contemplados em outras seções do artigo. Outra possibilidade é refletir sobre a relação entre a seção introdutória e outras seções, como o resumo e as conclusões/considerações finais. Temos ciência de que as discussões aqui implementadas não são compreendidas como acabadas, considerando-se a amplitude do campo de análise de gêneros, principalmente em se tratando da escrita acadêmica de pibidianos no âmbito da universidade.

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