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Introduction

Media, Technologies, Artificial Intelligence: Analyses of Political-Discursive Practices

Evandra Grigoletto

Universidade Federal de Pernambuco image/svg+xml

https://orcid.org/0000-0003-1458-0491

evandra.grigoletto@ufpe.br

Silmara Dela Silva

Universidade Federal Fluminense image/svg+xml

https://orcid.org/0000-0001-5231-6662

silmaradela@gmail.com

Solange Maria Leda Gallo

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https://orcid.org/0000-0002-0243-4983

solangeledagallo@gmail.com


Keywords

Media
Technologies
Artificial Intelligence

Abstract

This is the presentation of the dossier Media, technologies, artificial intelligence: analyses of political-discursive practices, organised by Professors Evandra Grigoletto (UFPE), Silmara Dela Silva (UFF) and Solange Maria Leda Gallo (UNISUL).

Apesentação do Dossiê

A organização deste dossiê surge a partir da proposta de simpósio temático, de mesmo título, que submetemos ao 14º INTERAB, Congresso Internacional da Associação Brasileira de Linguística, que ocorreu na Universidade Federal de Pernambuco, entre os dias 02 e 06 de março de 2026. Para a ocasião da submissão da proposta do dossiê à revista CadLin, convidamos colegas pesquisadores/as de diferentes instituições do Sul, Sudeste e Nordeste do país, regiões também representadas por nós, como organizadoras. Entre os/as autores/as convidados/as estavam pesquisadores/as em formação (5 doutorandos), recém-doutores/as e doutores/as com trajetórias já consolidadas de pesquisa. Assim, desde a sua proposição, o dossiê buscou atender a diferentes quesitos de diversidade: geográfico, institucional, de gênero e nível de carreira.

Neste momento da publicação do dossiê, ressaltamos que os quesitos de diversidade não só foram cumpridos, como se ampliaram, uma vez que, como lançamos uma chamada pública, outros/as pesquisadores/as se interessaram pela discussão da temática proposta e submeteram seus textos para avaliação. O dossiê Mídias, tecnologias, inteligência artificial: análises de práticas político-discursivas conta com oito contribuições originais que contemplam diferentes aspectos - em termos teóricos, analíticos e também de objetos - das práticas político-discursivas que consideramos essenciais para se pensar o enlace entre mídias, tecnologias e inteligências artificiais e(m) seus impactos para os sujeitos, neste momento da formação social brasileira, e também francesa.

Entre as contribuições que ampliaram a diversidade teórica, geográfica e de nível de formação, destacamos os seguintes artigos: i. o relato de pesquisa "Réseaux socio-numériques et frontières du lire/écrire dans la modération des commentaires" (Redes sociais digitais e fronteiras da leitura/escrita na moderação de comentários), das pesquisadoras Aude Seurrat (Université Paris-Est Créteil) e Maria Inés Laitano (Université Paris 8); ii. o relato de uma pesquisa de Iniciação Científica, intitulado “A representação discursiva de Yglésio Moysés (PRTB) no podcast “Abrindo o verbo”: uma análise sob a ótica da ACD”, de autoria de Ramon de Almeida Miranda e Ana Maria Sá Martins, ambos da Universidade Estadual do Maranhão; iii. o ensaio teórico “IA generativa e construção de sentido: abordagem semiótica a partir do Sul Global”, de autoria das pesquisadoras Letícia Moraes (Universidade Federal da Paraíba) e Sílvia Maria de Sousa (Universidade Federal Fluminense).

Tratando de práticas que envolvem questões da Inteligência artificial, temos os seguintes textos:

i. o ensaio teórico “IA para o bem de todos”? Discurso, sujeito, contradição”, de nossa autoria, no qual analisamos, a partir da perspectiva teórico-metodológica da Análise do Discurso materialista, tanto o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), quanto os discursos jornalísticos sobre ele, por ocasião da sua apresentação, em 2024. As análises focam nos sentidos de soberania e no título do plano, escancarando as contradições que atravessam o PBIA e os discursos sobre as tecnologias. Em nossas reflexões, concluímos que, ao contrário do que prega o plano e anunciam as notícias jornalísticas, a soberania (e o bem) não é “de todos os brasileiros”; é de quem detém o capital, sendo a tecnologia de IA importada de outros países. Afirmamos, ainda, que há “um silenciamento, na proposta do Plano, de que só podemos falar em soberania tecnológica, de um Brasil tecnologicamente soberano na medida dessa submissão. [submissão ao capital e à tecnologia importada]. Está aí o nó da contradição.” Então, contraditoriamente, o objetivo da “IA para o bem de todos”, é “a inclusão de mais brasileiros no sistema capitalista e neoliberal de consumo.” (Grigoletto; Dela Silva; Gallo, 2026, p. 17, acréscimo nosso). O texto pode ser acessado e lido na íntegra através do DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id939;

ii. o ensaio teórico “Sujeito-Avatar em espaços enunciativos informatizados: entre normatizações técnicas e práticas de resistência”, de autoria dos doutorandos Thomas Falconi e Lucas Alves Selhorst, ambos da Universidade do Sul de Santa Catarina. Tomando a noção de sujeito-avatar, os autores propõem uma análise comparativa entre dois navegadores da internet: o Tor e o Chrome. As análises apontam que ambos agenciam/individualizam o sujeito. No caso do Tor, produz-se um processo de resistência à prática de colonialismo de dados, enquanto o Chrome produz um processo de individualização que transforma o sujeito em dados, enquanto prática colonialista. O texto pode ser acessado e lido na íntegra através do DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id980;

iii. o ensaio teórico “Quanto vale ser sujeito? Efeitos de sujeito na constituição do arquivo do/no X”, do doutorando Thiago César da Costa Carneiro, da Universidade Federal de Pernambuco, no qual o autor analisa, de forma comparativa, o funcionamento de discursividades automatizadas pelo Grok, inteligência artificial do X, nas versões paga e gratuita. Costa Carneiro mobiliza, teoricamente, a partir da Análise do Discurso materialista, as noções de sujeito e arquivo, trazendo, para as análises, um recorte temático de forte interesse social na atualidade: a ditadura. De forma consequente, e com contribuições originais, o autor produz deslocamentos teóricos, ao propor, por exemplo, a noção de enunciado-comando no lugar de prompt. Também traz contribuições teóricas nas análises, ao construir e analisar, de forma comparativa, um corpus experimental, produzido por IA, mostrando como o sujeito é individua(liza)do pelos dados. O texto pode ser acessado e lido na íntegra no DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id944;

iv. o ensaio teórico “Efeito-Rumor em tempos de IA: “Agora é a vez do povo”?, de autoria de Juliana da Silveira, da Universidade do Sul de Santa Catarina, no qual a autora retoma uma noção desenvolvida em sua tese de doutorado - efeito-rumor - e a ressignifica neste texto, a partir do funcionamento da IA, mais especificamente, em materialidades visuais produzidas pela inteligência artificial. Nas simulações imagéticas analisadas pela autora, o corpo do povo metaforiza o político e o corpo político metaforiza o povo. Ao propor esse deslocamento da noção de efeito-rumor, analisando vídeos produzidos por IA, o artigo oferece um arcabouço conceitual para compreender fenômenos contemporâneos das/nas redes sociais digitais. A partir das análises realizadas, a autora conclui que, em tempos de IA, “o efeito-rumor já não opera apenas pela apropriação e midiatização dos dizeres ordinários, mas pela construção visual de corpos que simulam o “corpo do povo”, enunciando aquilo que se diz nas ruas.” (Silveira, 2026, p. 14) O texto pode ser acessado e lido na íntegra no DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id999;

v. o relato de pesquisa “IA generativa e construção de sentido: abordagem semiótica a partir do Sul Global”, das pesquisadoras Letícia Moraes, da Universidade Federal da Paraíba, e Sílvia Maria de Sousa, da Universidade Federal Fluminense, no qual as autoras analisam exemplos de textos gerados pelo Sabiá (IA desenvolvida no Brasil) e pelo ChatGPT (IA com modelo global), de forma comparativa, para compreender como diferenças na constituição de datasets repercutem na construção de sentido, reproduzindo vieses discriminatórios e reforçando desigualdades e estereótipos, sempre a partir de uma visão dominante do Norte Global. A partir de uma perspectiva semiótica, as autoras discutem o que vem a ser o big data e o processo de dataficação. Concluem, a partir dos testes realizados no Sabiá e no ChatGPT, que datasets “assumem a função de operadores que selecionam, reiteram e estabilizam isotopias presentes nos objetos semióticos que compõem essas grandes coleções. Tal operação, ao privilegiar conteúdos oriundos do Norte Global, instaura padrões hegemônicos que se apresentam como universais, apagando ou exotizando práticas, línguas e formas de vida do Sul.” Portanto, “a natureza dos dados de treinamento incide diretamente na significação.” (Moraes; Sousa, 2026, p. 20). O texto pode ser acessado e lido na íntegra no DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id925.

Refletindo sobre práticas midiáticas, com análises de materialidades vindas das redes sociais digitais, temos os seguintes textos:

i. O relato de pesquisa "Réseaux socio-numériques et frontières du lire/écrire dans la modération des commentaires" (Redes sociais e fronteiras da leitura/escrita na moderação de comentários), das pesquisadoras Aude Seurrat, da Université Paris-Est Créteil, e Maria Inés Laitano, da Université Paris 8, no qual as autoras analisaram comentários sobre as eleições presidenciais francesas de 2022, em quatro plataformas diferentes: X, YouTube, Twitch e Instagram. O artigo propõe uma reflexão original e sólida, do ponto de vista teórico, sobre as práticas de moderação nas redes sociais, as quais são tomadas não como simples filtro de conteúdo, mas como uma orquestração ativa das atividades de leitura e de escrita. Segundo conclusão das autoras, “As mídias digitais, longe de se reduzirem a espaços neutros de expressão ou simples circulação de conteúdos, impõem-se como dispositivos técnicos e semióticos que reconfiguram, sem cessar, as fronteiras do debate público.” (Seurrat; Laitano, 2026, p. 17, tradução nossa). O texto pode ser acessado e lido na íntegra no DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id935;

ii. O relato de pesquisa “Análise de Discurso digital e a língua de bruma”, de autoria de Mônica Ferreira Cassana, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, traz importantes contribuições para o campo da análise de discurso materialista, ao discutir o modo como as noções de língua e sujeito são afetadas pelo digital na produção de sentidos. Tomando um corpus ainda em construção, a autora analisa alguns exemplos de trends de cortes de palavras que “viralizam” no TikTok, além das diretrizes de conteúdo para circulação da linguagem no YouTube. A partir das análises, propõe a noção de língua de bruma, que está fortemente determinada pelo capital. Em suas possíveis conclusões, a autora afirma que “Há um atravessamento ideológico presente no digital, que revela um confronto da língua que se pretende transparente com a língua de bruma, que opacifica os sentidos e põe o sujeito à deriva do dizer.” (Cassana, 2026, p. 13);

iii. O relato de pesquisa “A representação discursiva de Yglésio Moysés (PRTB) no podcast “Abrindo o verbo”: uma análise sob a ótica da ACD”, de autoria de Ramon de Almeida Miranda e Ana Maria Sá Martins, ambos da Universidade Estadual do Maranhão, traz contribuições importantes para os estudos do discurso, especialmente para a corrente da Análise Crítica do Discurso. Neste artigo, que resulta de uma pesquisa em nível de iniciação científica, os autores analisaram as representações discursivas numa entrevista de um candidato a prefeito de São Luís, no podcast “Abrindo o verbo”, no período das eleições de 2024. No percurso empreendido, os autores trazem reflexões importantes para a compreensão dos discursos nas esferas do poder político, o modo como funcionam discursivamente o silenciamento de vozes marginalizadas e a mobilização de conservadorismos sociais no discurso. O texto pode ser lido na íntegra no DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id947.

Considerando esse conjunto de textos, entendemos que o dossiê Mídias, tecnologias, inteligência artificial: análises de práticas político-discursivas caracteriza-se por reunir contribuições que, por um lado, apresentam impacto científico e, por outro, impacto social. No que concerne à contribuição científica, os artigos nele reunidos fazem avançar, teórica e metodologicamente, o campo teórico dos estudos discursivos, ao apresentar práticas discursivas que dão a ver o funcionamento da contradição, as relações entre sujeitos e tecnologias, bem como os efeitos ideológicos implicados nestas práticas. Com relação ao impacto social, temos que a relação entre mídia, tecnologias e inteligência artificial não acontece sem efeitos para as práticas de leitura, escrita e autoria na atual conjuntura sócio-histórica. Pensar tais práticas discursivamente implica, assim, pensar os seus efeitos sobre o social e os sujeitos nele inscritos.

Informações Complementares

Conflito de Interesse

As autoras não têm conflitos de interesse a declarar.

Declaração de Uso de IA

As autoras declaram que não utilizaram ferramentas de inteligência artificial generativa na elaboração desta apresentação.

Referências

CASSANA, M. F. Análise de discurso digital e a língua de bruma. SciELO Preprints, 2026. DOI: https://doi.org/10.1590/SciELOPreprints.14049.

GRIGOLETTO, E.; DELA SILVA, S.; GALLO, S. M. L. “IA para o bem de todos”? discurso, sujeito, contradição. Cadernos de Linguística, Campinas, SP, Brasil, v. 7, n. 3, p. e939, 2026. DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id939.

MORAES, L.; DE SOUSA, S. M. IA generativa e construção de sentido: abordagem semiótica a partir do Sul Global. Cadernos de Linguística, Campinas, SP, Brasil, v. 7, n. 3, p. e925, 2026. DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id925.

SEURRAT, A.; LAITANO, M. I. Réseaux socio-numériques et frontières du lire/écrire dans la modération des commentaires. Cadernos de Linguística, Campinas, SP, Brasil, v. 7, n. 3, p. e935, 2026. DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id935.

SILVEIRA, J. da. Efeito-rumor em tempos de IA: “Agora é a vez do povo”?. Cadernos de Linguística, Campinas, SP, Brasil, v. 7, n. 3, p. e999, 2026. https://doi.org/ 10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id999.

How to Cite

GRIGOLETTO, E.; DELA SILVA, S.; GALLO, S. M. L. Media, Technologies, Artificial Intelligence: Analyses of Political-Discursive Practices. Cadernos de Linguística, Campinas, SP, Brasil, v. 7, n. 3, p. e1039, 2026. DOI: 10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id1039. Disponível em: https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/article/view/1039. Acesso em: 18 aug. 2026.

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