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Abstract

I deal here with the Project for the grammar of Spoken Brazilian Portuguese, as well as the precedent NURC Project, indicating its participants, theoretical approaches, collective seminars, partial publications, and finally the consolidation of its outcomes in 7 volumes. This Project made the spoken cultivated Brazilian Portuguese the first language of the “Romania Nova” to be fully described.

Apresentação

Um conjunto de fatores desencadeados nos anos 70 e 80 favoreceram a eclosão do movimento científico de que resultou a Gramática do Português Culto Falado no Brasil: a expansão dos cursos pós-graduados de Linguística, o surgimento dos projetos coletivos de pesquisa e a insistência de vários linguistas em que passássemos a dispor de gramáticas descritivas que refletissem o uso brasileiro da língua portuguesa.

Em 1969 foi fundada a Associação Brasileira de Linguística, e a partir de 1972 passaram a ser implantados os Programas de Pós-Graduação em Linguística e Língua Portuguesa. Este fato novo na vida universitária brasileira teve diversas consequências: o surgimento da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Letras e Linguística, em 1984, a fundação de mais de doze revistas especializadas com publicação regular, a concessão de bolsas de estudo a dezenas de jovens brasileiros que partiram para o exterior, em busca de doutorado em áreas ainda não existentes no Brasil, a organização sistemática de seminários e congressos, e o estabelecimento de uma política de aquisição de bibliografia especializada.

A instalação da Linguística entre nós e a profissionalização dos linguistas brasileiros teve por efeito a busca de uma temática de interesse para o desenvolvimento da cultura nacional. Os linguistas sentiram o peso de suas responsabilidades sociais e políticas. Sem descurar de sua formação teórica, eles passaram a buscar assunto para suas pesquisas nas centenas de línguas indígenas brasileiras, na variabilidade do português brasileiro, e nas diversas situações de contato linguístico. Daí para a organização de projetos coletivos de investigação foi um passo, logo dado pelas seguintes iniciativas: Projeto de Estudo da Norma Linguística Urbana Culta (UFBa, USP, Unicamp, UFPE, UFRJ, UFRS, a partir de 1970); Projeto Censo Linguístico do Rio de Janeiro, hoje Programa de Estudos de Usos Linguísticos (UFRJ, desde 1972); Projeto de Aquisição da Linguagem (Unicamp, a partir de 1975). Já nos anos 90 surgiram o Projeto Variação Linguística do Sul do Brasil (UFPR, UFSC e UFRS, desde 1992), o Programa de História do Português (UFBa, desde 1991), o Projeto do Atlas Linguístico Brasileiro (UFBA, UFJF, UEL, UFRJ, UFRS, desde 1997), o Projeto para a História do Português Brasileiro (UFPe, UFBa, UFPB, UFMG, UFRJ, UEL, USP, Unicamp, Unesp / Araraquara, UFSC, a partir de 1997), entre tantos outros.

Outro fato que assinalou este período foi a crescente preocupação para que dispuséssemos de bons dicionários e de boas gramáticas, mais conformes ao uso brasileiro do português. No domínio dos dicionários, foram publicados Ferreira (1986), Borba (1990, 2002), Houaiss (2001). No domínio das gramáticas, cinco iniciativas assinalaram a busca da mudança: Cunha e Cintra (1985), Perini (1995, 2010), Bechara (1999), Neves (2000) e Castilho (2010).

No caso das gramáticas, deu-se uma notável coincidência, pois em 1985 são publicados no país quatro livros de caráter programático: Ilari (1985), Perini (1985), Luft (1985) e Bechara (1985). Mesmo partindo de perspectivas diferentes, seus autores confluíam na defesa da preparação de uma “nova gramática” do Português, mais atenta às alterações que se vinham notando na realidade linguística do país. O surgimento entre nós dos estudos sobre a língua falada daria uma resposta decisiva aos planos desses autores.

1. Estudos sobre a língua falada no Brasil

A partir dos anos 60, grupos de pesquisadores afiliados a várias universidades brasileiras se engajaram na tarefa de documentar, descrever e refletir sobre a língua falada.

Em toda a sua história, a Linguística sempre esteve atravessada pela ideia de que a língua falada é a manifestação primordial da linguagem e seu objeto primeiro de estudos. Mas esses belos propósitos só puderam se transformar em ações científicas efetivas depois de uma inovação tecnológica, a invenção do gravador portátil. Podia-se, finalmente, pôr em marcha um programa sistemático de investigação da oralidade.

A América Latina antecipou-se nesse movimento científico. Em 1964, Juan M. Lope Blanch, linguista espanhol radicado no México, obteve junto ao Programa Interamericano de Linguística e Ensino de Idiomas (PILEI) a aprovação de seu Proyecto de Estudio Coordinado de la Norma Lingüística Culta de las Principales Ciudades de Iberoamérica y de la Península Ibérica: Lope Blanch (1964/1967, 1986). Seu projeto representava uma notável mudança de rumo dos estudos dialetológicos: deixava-se de privilegiar o falar residual de pequenas comunidades rurais, “perdidas en los varicuetos de una sierra”, como ele dizia, partindo-se para a linguagem padrão das grandes metrópoles que iam surgindo, as quais alteraram a proporção “população rural x população urbana” até então vigente. Lope Blanch mostrava, por exemplo, que em vários países da América Latina metade da população habitava suas capitais, o que poderia afetar o conjunto linguístico do país, dada a previsível força de irradiação da variedade da capital.

Desde o começo, o Proyecto previa a inclusão da América Portuguesa, além da Espanha e Portugal. Convidado a opinar sobre o assunto, o Prof. Nélson Rossi, da Universidade Federal da Bahia, e delegado brasileiro junto ao PILEI, apresentou uma proposta ao Simpósio do México (1968). Ele pondera ali que, contrariamente à América Espanhola, a execução do projeto no Brasil não poderia limitar-se à capital do país, e nem mesmo ao Rio de Janeiro: “arrisco a impressão de que a cidade do Rio de Janeiro, apesar de sua excepcional significação como aglomerado urbano e como centro de irradiação de padrões culturais, não daria por si só a imagem do português do Brasil”: Rossi (1968/1969: 49). Apresenta então suas ideias sobre o policentrismo cultural brasileiro, e argumenta que por aqui o projeto deveria desenvolver-se em cinco capitais, sendo quatro fundadas no séc. XVI (Recife, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo), e uma no séc. XVIII (Porto Alegre). Dessa forma, estariam abarcados “doze milhões e meio de habitantes aproximadamente, o que equivale a um sétimo da população atual do país”: (ibidem).

Desconhecendo esses arranjos, e conhecendo o Proyecto de Lope Blanch, eu tinha proposto sua adaptação a parte do país, num texto intitulado “Descrição do Português Culto na Área Paulista”: Castilho (1968). Informado por Nélson Rossi das decisões tomadas no PILEI, e por ele convidado a integrar o projeto mais amplo, aceitei suas ponderações e desisti do plano anterior.

Finalmente, a 11 de janeiro de 1969, aproveitando a presença de vários professores brasileiros reunidos no III Instituto Interamericano de Linguística, promovido pelo PILEI na Universidade de São Paulo, juntamente com o II Congresso Internacional da Associação de Linguística e Filologia da América Latina (ALFAL), o Prof. Rossi convocou uma reunião de que participaram os futuros coordenadores das equipes do Projeto, que viria a ser conhecido entre nós como “Projeto NURC”: Albino de Bem Veiga (Porto Alegre), Isaac Nicolau Salum e Ataliba T. de Castilho (São Paulo), além do próprio Rossi, coordenador do Projeto em Salvador. Posteriormente, seriam indicados Celso Cunha (Rio de Janeiro) e José Brasileiro Vilanova (Recife). Reuni num livrinho editado pelo Conselho Municipal de Cultura de Marília os documentos então gerados: Castilho (Org. 1970).

Para discutir a metodologia da pesquisa e seus rumos no país, foram realizadas 14 reuniões nacionais do projeto: I, Porto Alegre, 1969; II, Capivari, 1970; III, Recife, 1971; IV, Rio de Janeiro, 1971; V, Salvador, 1972; VI, Porto Alegre, 1973; VII, São Paulo, 1974; VIII, Recife, 1974; IX, Rio de Janeiro, 1975; X, Rio de Janeiro, 1977; XI, Salvador, 1981; XII, Rio de Janeiro, 1984; XIII, Campinas, 1985. XIV, Porto Alegre, 1987. As Atas dessas reuniões estão depositadas no Centro de Documentação Linguística e Literária Alexandre Eulálio, do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp.

Escolhidas as equipes locais, cuja listagem aparece em Castilho (1990, pp. 147-149), teve início o trabalho de documentação da fala de 600 informantes de formação universitária, selecionados entre pessoas nascidas na cidade, filhas de pais igualmente nascidos na cidade, divididos por igual em homens e mulheres, distribuídos por três faixas etárias (25-35 anos, 36-55, e de 56 em diante).

A fala dos informantes foi gravada em três situações distintas: diálogo com o documentador (DID), diálogo entre dois informantes (D2) e aulas e conferências (EF). A equipe nacional desistiu de realizar as gravações sigilosas previstas no projeto original. As entrevistas eram tematicamente orientadas, fundamentando-se em cerca de 20 centros de interesse, abrangidos por mais de 4.000 quesitos.

As gravações foram realizadas entre 1970 e 1977, tendo-se apurado um corpus gigantesco, constante de 1.870 entrevistas com 2.356 informantes, totalizando 1.570 horas de gravações.

Começou então a árdua tarefa de transcrever parte desse corpus, organizando-se o “corpus compartilhado”, um conjunto de dezoito entrevistas por cidade, selecionadas de acordo com os parâmetros sociolinguísticos do projeto, e distribuídas a todas as cidades participantes.

Amostras do corpus começaram a ser publicados em 1986: São Paulo: Castilho; Preti (Orgs. 1986, 1987), Preti; Urbano (Orgs. 1988); Rio de Janeiro: Callou (Org. 1992), Callou; Lopes (Orgs. 1993, 1994); Salvador: Motta; Rollemberg (Orgs. 1994); Recife: Sá; Cunha; Lima; Oliveira (Orgs. 1996); Porto Alegre: Hilgert (Org. 1997). A publicação das amostras das duas últimas cidades ainda estão incompletas.

De acordo com a metodologia do Projeto, a análise dos materiais assim recolhidos se faria a partir de um Guia-Questionário, que forneceria um roteiro básico para as pesquisas, visando a assegurar a comparabilidade dos resultados. A comissão brasileira adaptou a versão espanhola já publicada desse roteiro: Cuestionario (1971, 1973). Os quesitos compreendiam três áreas: Fonética e Fonologia, Morfossintaxe e Léxico.

A partir de 1978 tiveram início as análises, que assumiram duas grandes direções: estudos gramaticais e estudos de pragmática da língua falada. Parte desses trabalhos foi publicada em coletâneas: Castilho (Org. 1989), Preti; Urbano (Orgs. 1990), Preti (Org. 1993, 1997, 1998). Outros textos foram publicados em revistas científicas e anais de congressos, alguns deles são teses de doutoramento, como Menon (1994). O estudo do léxico de São Paulo foi empreendido por Enzo Del Carratore e Jayme Laperuta Filho (2009). O do Rio de Janeiro foi concluído e publicado: Marques (1996). Para a história do Projeto NURC e a bibliografia gerada até 1990, ver Castilho (1990).

As análises gramaticais mostravam já em 1981 que haveria problemas para a continuação dos trabalhos, na forma como eles tinham sido concebidos no final dos anos 60 pelo projeto congênere do Espanhol da América, acolhido pelas equipes brasileiras: (1) não tinha havido uma discussão sobre a especificidade da língua falada, e os instrumentos de análise tomavam a língua escrita como ponto de partida; (2) o modelo teórico adotado, que combinava elementos da Gramática Tradicional com uma sorte de "Estruturalismo mitigado", não dava conta de uma série de fenômenos típicos da modalidade falada; (3) novas tendências da indagação linguística, surgidas posteriormente à concepção do projeto, mostravam-se mais sensíveis à modalidade falada, particularmente as aproximações entre a Sintaxe e o Discurso. Para uma análise dessas e de outras questões, v. Castilho (1984, 1990).

Apesar desses acidentes de percurso, comuns a iniciativas desse gênero, deve-se reconhecer que o projeto NURC se mostrou plenamente vitorioso em sua fase de coleta e organização dos dados. Graças a ele, a Linguística brasileira se manteve atualizada quanto à organização de inventários da língua falada, atividade que passava a ocupar um lugar importante na Linguística mundial.

2. Projeto de Gramática do Português Falado

O Projeto de Gramática do Português Brasileiro teve início em 1987. Naquele ano, a convite da Profa. Maria Helena de Moura Neves, coordenadora do Grupo de Trabalho de Descrição do Português da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Letras e Linguística, apresentei ao respectivo Encontro Nacional, realizado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, o “Projeto de Gramática do Português Falado”, voltado para a preparação coletiva de uma gramática do português falado, com base nos materiais do Projeto NURC.

Tendo havido boa receptividade à ideia, convoquei em 1988 o I Seminário desse projeto, realizado em Águas de São Pedro, SP, no qual se debateu o plano inicial, que era o de "preparar uma gramática referencial do português culto falado no Brasil, descrevendo seus níveis fonológico, morfológico, sintático e textual".

Reconheceu-se nesse primeiro encontro que seria impossível selecionar uma única articulação teórica que desse conta da totalidade dos temas que se espera ver debatidos numa gramática descritiva, numa gramática de referência como a que se planejava escrever. As primeiras discussões cristalizaram esse reconhecimento, tendo-se decidido dar livre curso à convivência dos contrários no interior do projeto. Como forma de organização, distribuíram-se os pesquisadores por Grupos de Trabalho (GTs), sob a coordenação de um deles. Cada GT traçaria o perfil teórico que pautaria suas pesquisas e organizaria sua agenda de pesquisas. Os textos que fossem sendo discutidos e preparados no interior de cada GT seriam posteriormente submetidos à discussão pela totalidade dos pesquisadores, reunidos em seminários plenos. O corpus a ser utilizado é uma seleção de entrevistas do Projeto NURC/Brasil, realizada de acordo com as características desse projeto.

Os Grupos de Trabalho decidiram proceder a um levantamento exaustivo dos dados na totalidade desse corpus, ou por um levantamento não exaustivo, naqueles casos em que a continuidade da investigação já não revelasse fatos novos.

Entre 1988 e 1998 foram realizados dez seminários plenos, terminados os quais os textos apresentados e debatidos eram reformulados e publicados em uma série própria, editada pela Unicamp: Castilho (Org. 1990, 1993), Ilari (Org. 1992), Castilho; Basílio (Orgs. 1996), Kato (1996), Koch (Org., 1996), Neves (Org. 1999), Abaurre; Rodrigues (Orgs. 2002). A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo financiou as atividades, também apoiadas vez e outra pelo Conselho Nacional de Pesquisas. Atuaram no PGPF cerca de 32 pesquisadores, ligados a 12 universidades brasileiras, distribuídos pelos seguintes GTs:

(1) Fonética e Fonologia, coordenado inicialmente por João Antônio de Moraes, e posteriormente por Maria Bernadete Marques Abaurre. (2) Morfologia Derivacional e Flexional, coordenado por Margarida Basílio e Ângela Cecília de Souza Rodrigues, respectivamente.

(3) Sintaxe das Classes de Palavras, coordenado inicialmente por Rodolfo Ilari, e posteriormente por Maria Helena de Moura Neves.

(4) Sintaxe das Relações Gramaticais, coordenado inicialmente por Fernando Tarallo, e posteriormente por Mary Aizawa Kato.

(5) Organização Textual-Interativa, coordenado por Ingedore Grunfeld Villaça Koch, e posteriormente por Clélia C. Spinardi Jubran.

Os seguintes pesquisadores atuaram na elaboração dos ensaios publicados nos 8 volumes da série Gramática do Português Falado:

Ângela Cecília de Souza Rodrigues (USP)

Antonio José Sandman (UFPR)

Ataliba Teixeira de Castilho (USP/Unicamp/CNPq)

Carlos Franchi (USP/Unicamp)

Célia Maria Moraes de Castilho (Doutora - Unicamp)

Célia Terezinha Guião da Veiga Oliveira (UFRJ)

Charlotte Galves (Unicamp)

Clélia Cândida A. Spinardi Jubran (Unesp-Assis / Saõ José do Rio Preto)

Dercir Pedro de Oliveira (UFMS)

Dinah Maria Isensee Callou (UFRJ)

Erotilde Goreti Pezatti (Unesp-São José do Rio Preto)

Esmeralda Vailati Negrão (USP)

Fernando Tarallo (Unicamp)

Giselle Machline de Oliveira e Silva (UFRJ)

Hudinílson Urbano (USP)

Iara Bemquerer Costa (UFPR)

Ieda Maria Alves (USP)

Ingedore Grunfeld Villaça Koch (Unicamp)

João Antônio de Moraes (UFRJ)

José Gaston Hilgert (UF-Passo Fundo)

Léa Gamarski (PUC-RJ)

Leda Bisol (PUC-RS)

Leonor Lopes Fávero (USP/PUC-SP)

Luiz Antonio Marcuschi (UFPe)

Luiz Carlos Cagliari (Unicamp)

Luiz Carlos Travaglia (UF-Uberlândia)

Marco Antônio de Oliveira (UFMG)

Margarida Basílio (UFRJ)

Maria Bernadete Marques Abaurre (Unicamp)

Maria Cecília Pérez de Souza e Silva (PUC-SP)

Maria do Carmo O. T. Santos (Universidade Estadual de Maringá)

Maria Guadalupe de Castro (Doutoranda - PUC-SP)

Maria Helena de Moura Neves (Unesp-Araraquara)

Maria Lúcia C.Vitcório de Oliveira Andrade (USP)

Maria Luiza Braga (UFRJ)

Maura Alves de Freitas Rocha (UF-Uberlândia)

Mary Aizawa Kato (Unicamp)

Mercedes Sanfelice Risso (Unesp-Assis)

Michael Dillinger (UFMG)

Mílton do Nascimento (PUC-MG)

Odette G.L.A.S. Campos(Unesp-Araraquara)

Paulo Galembeck (Unesp-Araraquara)

Roberto Gomes Camacho (Unesp-São José do Rio Preto)

Rodolfo Ilari (Unicamp)

Rosane de Andrade Berlinck (Doutoranda - Unicamp)

Sírio Possenti (Unicamp)

Zilda G.Oliveira Aquino (Doutoranda - PUC-SP)

Yonne de Freitas Leite (UFRJ)

A partir de 1990, solicitou-se ao Prof. Mílton do Nascimento que debatesse os problemas teóricos suscitados pelos trabalhos apresentados, na qualidade de Assessor Acadêmico do PGPF. Isso ocorreu sistematicamente a partir do IV Seminário, resultando daí alguns textos, um dos quais apresentado ao Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, em 1993, em reunião convocada pelos Drs. Maria Fernanda Bacelar do Nascimento e João Malaca Casteleiro: Nascimento (1993 a, b).

Encerrada a agenda do PGPF, deu-se início em 2000 à consolidação dos ensaios e teses publicados, de que resultou a versão em 7 volumes da Gramática do Português Culto Falado no Brasil. Essa obra, voltada para o público universitário, interessa aos professores de Português do curso médio, alunos e professores dos cursos de graduação e pós-graduação em Letras, e pesquisadores pós-graduados, além de interessados nos desenvolvimentos da Língua Portuguesa ocorridos no Brasil na segunda metade deste século:

Vol. IJubran – (Org. 2015).

Vol. IIKato; Nascimento (Orgs. 2015).

Vol. IIIIlari (Org. 2014).

Vol. IV - Ilari (Org. 2015).

Vol. V – Neves (Org. 2016).

Vol. VIRodrigues; Alves (Orgs. 2015).

Vol. VII - Abaurre (Org. 2013).

Cada um desses volumes foi precedido de uma apresentação teórica mais detalhada.

A seguir, vou sumariar as discussões teóricas sobre a língua falada e sua descrição que embasaram a gramática.

3. Articulação teórica da Gramática do Português Culto Falado no Brasil

Podem-se reconhecer dois momentos nas reflexões teóricas desenvolvidas pelo PGPF: (1) convivência dos contrários, (2) processamento do discurso e conhecimento sintático: um ponto de convergência?

3.1. A convivência dos contrários

Por ocasião do I Seminário do PGPF, não se chegou a um acordo nem quanto ao objeto empírico, nem quanto ao objeto teórico, cindindo-se as posições em pelo menos duas grandes direções, para cuja formulação valem até certo ponto as distinções entre uma teoria formal e uma teoria funcional da gramática. Mesmo correndo o risco da caricatura, assim formulei tais posições em Castilho (Org. 1990, 15):

(1) Quando ao objeto empírico:

A) A língua falada e a língua escrita integram um mesmo sistema, diferenciando-se na frequência dos processos ou das categorias de que dispõem.

B) A língua falada é um objeto autônomo em relação à língua escrita. Sobretudo, não é correto admitir a agramaticalidade dessa variedade.

(2) Quanto ao objeto teórico:

A) A língua é um conjunto de orações, cujo correlato psicológico é a competência, entendida como a capacidade de produzir, interpretar e julgar a gramaticalidade das orações. Segue-se que as orações devem ser descritas independentemente de sua localização contextual, e a Sintaxe é autônoma com respeito à Semântica e à Pragmática. Diferentes graus de idealização dos dados podem ser considerados, sendo indispensável seguir considerando uma Língua I, distinta de uma Língua E.

B) A língua é um instrumento de interação social, cujo correlato psicológico é a competência comunicativa, isto é, a capacidade de manter a interação por meio da linguagem. Segue-se que as descrições das expressões linguísticas devem proporcionar pontos de contacto com seu funcionamento em dadas situações. A Pragmática é um marco globalizador, dentro do qual deve estudar-se a Semântica e a Sintaxe.

No seguimento das pesquisas, os GTs de Fonética e Fonologia, Morfologia Derivacional e Sintaxe das Relações Gramaticais elegeram a percepção mais "formal" das tarefas, enquanto que os GTs de Sintaxe das Classes de Palavras e Organização Textual-Interativa se mostraram mais "funcionalistas". Convencionou-se, naquele momento, que os diferentes volumes da Gramática advertiriam o leitor a respeito das diferentes opções tomadas.

Num ponto estavam todos de acordo: o Projeto teria uma vocação empírica, buscaria realizar uma descrição exaustiva, controlando os dados quantitativamente, sempre que possível, limitando as pesquisas ao português brasileiro culto documentado pelo Projeto NURC/Brasil.

A fundamentação em dados idênticos acabaria por matizar as diferenças apontadas acima, abrindo caminho a uma possível convergência dos pontos de vista, alguns dos quais perceptíveis na segunda fase do debate teórico. Entretanto, nesta fase as diferenças ainda permaneceram bem visíveis.

Conforme apontei atrás, alguns GTs se inclinaram para uma abordagem mais formal dos dados, enquanto que outros buscaram uma abordagem funcional. O exame das respectivas propostas teóricas e dos trabalhos realizados mostra isso claramente. Passo a reproduzir trechos dos documentos por eles produzidos.

3.2. A Perspectiva Formal

(1) GT de Fonética e Fonologia

Segundo esse GT, "o componente fonológico de uma gramática é aqui entendido como um conjunto de princípios, parâmetros e convenções que organizam o sistema de oposições estabelecidas no plano fônico, e as possibilidades de escolha das atualizações dessas oposições, facultadas aos falantes em contextos específicos, linguísticos e extralinguísticos".

Trabalhos em Fonologia Métrica acompanham essa perspectiva. Entretanto, devem-se lembrar as pesquisas sobre Fonética Acústica e sobre o Ritmo, necessárias à caracterização do Português do Brasil.

(2) GT de Morfologia

Os pesquisadores do GT de Morfologia sustentam que "(...) uma abordagem gerativa para o estudo do componente morfológico, levando à procura de padrões que definiriam a competência lexical, (...) coloca a questão de como estudar a produtividade lexical no português falado, a partir de ocorrências verificadas no corpus mínimo do PGPF. (...) O conceito de produtividade lexical é de fundamental importância na teoria lexical [podendo ser definido] como a possibilidade que essa regra tenha de formar novas palavras no léxico da língua. Uma regra improdutiva, ao contrário, embora possa ser utilizada para reconhecimento de relações lexicais, tem sua distribuição limitada a uma lista de bases com que ocorre. (...). As condições de produtividade de uma regra devem ser distintas das condições de produção, que dependem de fatores de ordem paradigmática, discursiva e sociocultural. [Os fatores paradigmáticos são determinadas pela existência de regras em competição; o tipo de discurso utilizado permitirá ou estimulará certos tipos de formação; as condições culturais criam referentes a serem rotulados]. Tanto as condições de produtividade quanto as condições de produção estão ligadas a funções dos processos de formação. Temos sobretudo três funções na formação de palavras: a mudança categorial, a rotulação e a avaliação expressiva".

Um ponto a destacar nessas formulações reside em que nelas puseram em contacto, no nível teórico, os princípios constitutivos da estrutura e os princípios discursivos de processamento dessas estruturas, problema com os quais os pesquisadores se viram às voltas em seu trabalho diário, e que retornariam na segunda fase dos debates teóricos.

(3) GT de Relações Gramaticais

Esse GT estipulou "a utilização do quadro conceitual da Teoria de Princípios e Parâmetros da teoria gerativa, aliada a uma metodologia de manipulação e quantificação dos dados na linha laboviana. A metodologia justifica-se pelo fato da própria teoria chomskiana admitir que uma teoria de uso da língua inclui uma gramática da competência, que atua, no desempenho, com outros módulos da mente. A visão modular da gramática e de seu uso levou a uma metáfora metodológica de trabalho por camadas de representações: uma primeira, constituída de estruturas de predicação e complementação e a segunda de estruturas de adjunção e de elementos discursivos".

Deve-se reconhecer que esse GT apresentou ao PGPF uma grande inovação, que foi a de se estabelecer um “casamento” entre a Teoria Gerativa e a Teoria da Variação, promovido pelos Profs. Mary Kato e Fernando Tarallo. Mas um fato sem dúvida interessante foi que, munidos de hipóteses fortes, e de certa forma arrastados pelo charme dos dados, os linguistas aqui associados deixaram para um segundo momento o exame do "núcleo duro" da oração, ou "fundo", examinando prioritariamente "a camada mais extrema à gramática", ou "figura", constituída pelos elementos discursivos e pelos adjuntos, "que atuam como ruptores da gramática nuclear, mas que são justamente os elementos indispensáveis para a realização das relações gramaticais no discurso, ou na fala efetiva". Para uma discussão do par conceptual "fundo/figura", v. Nascimento (1993a).

Partindo do princípio de adjacência de caso formulado por Timothy Stowell, segundo o qual "o elemento que atribui caso deve estar adjacente ao receptor desse caso", esse GT verificou se as mesmas fronteiras são disputadas pelos mesmos elementos, constatando que, a despeito da não correspondência entre fronteira e função, é possível identificar preferências bem marcadas. As relações ambíguas estão sendo analisadas tanto do ponto de vista sintático quanto do fonológico-prosódico. Foi possível concluir que o Português Falado no Brasil é marcado negativamente no que diz respeito aos requisitos da adjacência entre a cabeça e o constituinte que dela recebe o caso.

3.3. A Perspectiva Funcional

(1) GT de Sintaxe das Classes de Palavras

Este GT descartou, desde o início, a aplicação de alguma teoria linguística importante, optando por levar a sério a metáfora de Neurath, sempre lembrada por Rodolfo Ilari, segundo a qual se vai "construir um navio ao mesmo tempo em que se está navegando nele". Assim, tentou-se desde logo explicar por que a estrutura do Português Falado é como ela é, partindo de abordagens intuitivas, que permitiram operar com critérios originários de uma literatura variada, que vai dos gramáticos antigos até a gramática gerativa, passando pela Análise da Conversação e pela Semântica. Mas tudo isso sem muito radicalismo, num raciocínio suaviter in modo, embora se reconheça que há um sabor mais vincadamente funcionalista naquilo que se fez.

O que unifica os pesquisadores reunidos neste GT, decerto o mais heterogêneo do PGPF, é tomar como objeto mais amplo de estudo a competência comunicativa, entendida, na formulação de Maria Helena de Moura Neves, como "a capacidade que os falantes têm não apenas de acionar a produtividade da língua (jogar com as restrições), mas também - e primordialmente - de proceder a escolhas comunicativamente adequadas (operar as variáveis dentro do condicionamento ditado pelo próprio processo de produção)".

As classes de palavras são o objeto empírico deste GT. As pesquisas começaram pelo estudo dos advérbios, vindo depois os adjetivos, os pronomes, os verbos e as conjunções. As Preposições foram agregadas posteriormente.

Partindo das propriedades habitualmente atribuídas a essas classes de palavras, examinou-se até que ponto elas são aplicáveis ao estoque de itens constantes do corpus. Atuando assim, os pesquisadores se deram conta de que nem todos os advérbios, por exemplo, podem ser realmente entendidos como tais. Para encaminhar o problema, foram postulados quatro processos básicos de constituição do enunciado: a referenciação, a predicação, a conjunção e a foricidade, que inclui a dêixis.

Na análise dos advérbios, três desses processos foram assim utilizados: (i) No que respeita à predicação, distinguiram-se advérbios predicativos (modalizadores, qualificadores, aspectualizadores) dos não predicativos (focalizadores, de inclusão / exclusão, de afirmação / negação). (ii) Quanto ao processo da conjunção, notou-se que muitos advérbios promovem "um amarramento textual das porções de informação progressivamente liberadas ao longo da fala", como Mercedes Risso reconheceu, ao estudar os empregos de agora, a que se seguiram estudos de outros itens tais como aí, então, etc. Esses conectivos textuais foram descritos pelo GT de Organização Textual-Interativa. (iii) Finalmente, no que toca ao processo da foricidade, notou-se a grande importância de itens tais como aqui, lá, agora, hoje, etc., solicitados pela função interacional na conversação, pela permeação de vozes na produção oral, e pela remissão textual.

O exame dos pronomes, dos adjetivos e das conjunções confirmou a relevância desses processos na descrição das expressões orais.

(2) GT de Organização Textual-Interativa

O GT de Organização Textual-Interativa parte de "uma concepção específica de linguagem, que passa a ser vista como uma forma de ação, uma atividade verbal exercida entre dois protagonistas, dentro de uma localização contextual, em que um se situa reciprocamente em relação ao outro, levando em conta circunstâncias da enunciação, de que fazem parte os entornos espaço-temporal e histórico-social que unem os interlocutores”.

O ponto forte da articulação deste GT está em sua "visão de linguagem como manifestação de uma competência comunicativa, definível como capacidade de manter a interação social mediante a produção e o entendimento de textos que funcionam comunicativamente".

Seus pesquisadores insistem em que essa competência comunicativa não tem, com relação à competência linguística, um caráter de exclusão ou de adição. Por outras palavras, não se trata de "ampliar o objeto de estudos da Linguística Estrutural, acrescentando-lhe componentes pragmáticos. Trata-se, na verdade, de um enfoque particular do heterogêneo fenômeno da linguagem, com o consequente estabelecimento de um objeto de estudos que leva a pesquisar a língua sob a forma com que ela comparece socialmente, e não sob a forma de um sistema abstrato de signos".

O texto enquanto objeto de estudo deve ser definido como um produto linguístico marcado pela dinâmica da atuação interacional. A Pragmática, a Análise da Conversação e a Linguística do Texto fornecem os marcos dentro dos quais se movimentam as análises: "a visão do texto falado como uma atividade estruturada, que apresenta regularidades próprias de organização, sustenta a possibilidade de uma abordagem gramatical do texto".

Para operacionalizar tais conceitos, este GT investigou a natureza e especificidade de produção do texto falado, sua organização tópica, as estratégias de construção textual e os marcadores discursivos, pondo em destaque as funções textuais e interacionais desempenhadas pelos processos e mecanismos de elaboração do texto falado.

3.4. Para um modelo de processamento do discurso: um ponto de convergência ?

A maior expectativa que as pessoas alimentam ao consultar uma gramática de referência é encontrar ali, devidamente hierarquizados, um conjunto de produtos linguísticos, o chamado enunciado, disposto em planos classificatórios mais ou menos convincentes.

O Projeto de Gramática do Português Falado deixou de lado essa estratégia, tendo buscado identificar nas descrições feitas os processos acionados para a produção do enunciado. Indo nesta direção, Nascimento (1993b) propõe que o texto é o lugar onde é possível identificar as pistas indicadoras das regularidades que caracterizam a atividade linguística do falante. A esse respeito, ele fez as seguintes afirmações, que gozam de certo consenso entre os pesquisadores:

a) Uma concepção da linguagem como uma atividade, uma forma de ação, a verbal, que não pode ser estudada sem se considerar suas principais condições de efetivação.

b) A pressuposição de que, na contingência da efetivação da atividade linguística do falante/ouvinte [na produção e recepção de textos] temos a manifestação de sua competência comunicativa, caracterizável a partir de regularidades que evidenciam um sistema de desempenho linguístico constituído de vários subsistemas.

c) A pressuposição de que cada um desses subsistemas constituintes do sistema de desempenho linguístico [o Discursivo, o Semântico, o Morfossintático, o Fonológico...] é caracterizável em termos de 'regularidades' definíveis em função de sua respectiva natureza.

d) A pressuposição de que um dos subsistemas constituintes desse sistema de desempenho linguístico é o subsistema Computacional, [entendido como uma noção mais ampla que a de Língua I], definível em termos de regras e/ou princípios envolvidos na organização morfossintática e fonológica dos enunciados que se articulam na elaboração de qualquer texto.

e) A pressuposição de que o Texto é o lugar onde é possível identificar as pistas indicadoras das regularidades que caracterizam o referido sistema de desempenho linguístico.

Pode-se reconhecer, portanto, que o texto é o ponto para onde convergem muitas das posições dos pesquisadores. Outros pontos de convergência foram assinalados por Mary Kato, na introdução ao vol. V, por ela organizado: a organização da gramática, a metodologia adotada, e os pressupostos teóricos, mesmo divididos como atrás mencionado: Kato (Org. 1996).

Conclusões

Os pesquisadores sabem que a obtenção de respostas a perguntas previamente formuladas desemboca sempre em novas perguntas.

Com o PGPF não foi diferente. Assim, já durante a fase de consolidação dos resultados nos volumes acima, surgiram muitas perguntas de caráter diacrônico: como teriam sido constituídas as estruturas aí descritas?

O encaminhamento das respostas deu origem ao Projeto para a História do Português Brasileiro, um novo projeto coletivo de pesquisas, consolidado em 2019.

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