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Abstract

The work “Boosco Deleitoso” presents several challenges for scholars of the so-called “archaic” period of the Portuguese language. The most apparent is the dating of its writing. When comparing the year of its printing, 1515, with the linguistic marks of the text, several authors, such as Vasconcelos (1956) and Caravalho (2002) point out the “Boosco Deleitoso” as belonging to a much earlier linguistic period. In the open, there is a more precise dating than the end of the 14th century or the beginning of the 15th, as both authors propose. In this article, we chose the phenomenon of rotacism to seek more information about the time of its writing. As will be seen, the high incidence rates of this phenomenon in the “Boosco Deleitoso” provide important information when compared with those obtained in works such as “A Visão de Túndalo” and “Orto do Esposo”. To do so, we will use a semi-diplomatic edition that we have carried out and will be openly available to the academic community. The opposition between what we found in the work in focus, on the one hand, and in the two compared, on the other, allows us to draw more precise timelines about when the “Boosco Deleitoso” was probably not written. Qualitative analyzes of the rotacism rates raise doubts about the process of composition of the printed version, indicating (mis)paths for a more adequate understanding of a more precise dating of the “Boosco Deleitoso” when considering other linguistic phenomena as parameters.

Introdução (adentrando o ‘Boosco’)

O ano de 1515 testemunhou a impressão na tipografia de Hermão de Campos, em Portugal, de uma obra que, mais de quinhentos anos depois, suscita questões de cunho moral, filosófico e linguístico. Nesta seção, abordaremos detalhes do “Boosco Deleitoso”, iniciando com discussões a respeito de seu conteúdo, para em seguida focalizar os aspectos formais dessa obra que, como se verá, merece o epíteto de singular.

Que matéria nos traz um livro que serve como base para um escritor português do século vinte nomear seu romance a partir dele (a saber, “O bosque harmonioso”, ABELAIRA, 1982) e um dos expoentes do movimento concretista brasileiro inserir seu título em meio a seu poema “Origo Vitae” (a saber, “(...)crua e nua / brasonada / de riçados cabelos / boosco deleitoso (…)”, CAMPOS, 1997)? Seus 153 capítulos contêm uma estrutura tripartite: uma primeira parte totalmente original, perfazendo os primeiros quinze capítulos; uma segunda parte que bebe na fonte petrarquista do “De Vita Solitaria”, se estendendo até o capítulo cento e dezessete; e uma parte final, novamente original, nos trinta e seis capítulos restantes. A presença da obra do escritor italiano ocupando praticamente dois terços do conteúdo, havendo trechos, alguns curtos outros extensos, sendo dela traduções literais, fez com que alguns estudiosos, entre eles o Conde de Sabugosa, segundo conta Martins (1956), desmerecessem o “Boosco Deleitoso” como alvo de pesquisas1.

No entanto, uma leitura atenta dessa parte permite entrever a “mão” do narrador, uma vez que não apenas deixa de inserir trechos do “De Vita Solitaria”, como quando o faz, altera a ordem de inserção, substitui a voz de um personagem original por outro; e para além disso, traz para a narrativa os personagens apresentados nos primeiros capítulos da obra. Seguindo os passos de obras como “Le Pèlerinage de la vie humaine”, de Guillaume de Digulleville, composta na terceira década dos 1300, o narrador do “Boosco” encontra donzelas que simbolizam valores. A acompanhá-lo estão a Misericórdia, a “fremosa donzella”, e a Justiça, a “dona espantosa”, uma a sustentá-lo com palavras de incentivo, a outra a ralhar com ele, advertindo-o que não conseguirá o que almeja em sua jornada: sua redenção. Sendo isso ainda não suficiente para desmerecer o “Boosco” como plágio (aliás, como pode um plagiador nomear um personagem, Dom Francisco, que nada menos é seu guiador nesse percurso de pouco mais de cem capítulos com o nome do autor da obra que se supostamente pretendeu plagiar?), como observam Martins (1979) e Cardoso (1992), abundam citações de versículos bíblicos de diversos livros do Antigo Testamento. Para encerrarmos o elogio à originalidade do “Boosco”, destacamos a parte final da obra, já independente do texto latino de Petrarca, em que a presença do Cântico dos Cânticos é notada no término da jornada do narrador, que se iniciou na cidade, passou pelo ermo e pelo ‘boosco’ e acabou em um jardim, em que acontece um encontro no estilo do livro bíblico, cheio de sutilezas amorosas e, por que não?, eróticas, com o amado Jesus Cristo. A redenção do mesquinho pecador, após ser admoestado por dezenas de personalidades, seja de filósofos, quanto de papas e santos, é, enfim, obtida e o elogio à vida apartada das cidades e do pecado se sobrepõe, fornecendo ao leitor matéria para reflexão.

É essa matéria, ao mesmo tempo produto e produtora de ideias e costumes medievais, que fornece conteúdo para trabalhos tão distintos e tão distantes no tempo, como os do já citado Martins (1956), até o de Gonçalves e Lima Neto (2021), passando por Santos (1989), Rosa (1998) , Maleval (2010) e Neto (2014), este uma dissertação de mestrado exclusivamente sobre o caráter místico do “Boosco”. O trabalho de Martins (1975) sobre alegorias na literatura medieval portuguesa certamente inspirou muitos outros, que constam da extensa lista elaborada pelo site PhiloBiblon2, que exploram detalhes dos pontos de vista moral, religioso e filosófico da obra. Outros trabalhos, mas em menor número, e logo se verá o motivo, focalizaram os aspectos linguísticos do “Boosco”. Antes de descrevê-los, cabe uma digressão sobre esses aspectos, levantando-se questões sobre a data em que a obra teria sido escrita.

Vasconcelos (1956), a contar pelas citações em diversos trabalhos posteriores, que serão abordados a seguir, parece ser o primeiro a elencar características linguísticas do “Boosco Deleitoso” que apontam para sua singularidade: ainda que impresso em 1515, há traços que pertencem a um período linguístico anterior. Esse período é delimitado entre fins do século XIV e começo do XV a partir das pistas listadas por Vasconcelos, que fazemos questão de reproduzir em sua totalidade para que seja possível não apenas analisar a que nível de descrição elas pertencem, como também para suscitar perguntas sobre sua pertinência. É dessa lista que trata o Quadro 1 abaixo:

- eu som, que, se ainda vem no Leal Conselheiro, já no séc. XVI é posto pelos cómicos na bôca dos plebeus

- om e õe (tribulaçom, estavom, disserom, entom, multidoem, mansidõoe) cessam de existir no séc. XV;

- de, -des nos verbos (sodes, cobrode, aueredes, dedes, consoledes, seredes, pidyde, receberedes) , que duram até à 1ª metade do séc. XV;

- sey, imperativo de seer;

- escolheytos «escolhidos»;

- para mẽtes ( «atende»);

- sabe por çerto; - fuy tam coytado;

- muy boo sembrãte e ja quanto ( «um pouco» ) doroso, cap. v;

- cousas simprezes;

- chegamos a huũ virgeu ( «vergel» ) comprydo («cheio») de aruores muy fremosas, cap. v;

- entõ tiue mẽtes ( «olhei» ) aa minha parte deestra, e vy;

- graue me he de veer toda criatura;

- formas muito arcaicas, como: assessego «sossego», cap. VI (cf. D. Carolina Michaëlis, in Misc. di Filolog., pág. 155) ; congradoar (l. congratular i), cap. VII; dor masc., como em latim (todo o dor luxurioso, cap. 1; [in Mod. Lang. Notes, 1912, p. 168, nota 4, publica Pietsch vários exemplos hespanhois de nomes em -or, já masculinos, já femininos]); goyvo (l. gaudium), cap. VII; grillanda «grinalda», capp. II e V (cf. ital. ghirlanda, fr. guirlande) ; mana f. «o manná» (ha mana, cap. VI; lat. manna, f.); mezquindade «mesquinhez» (arab.); segur f. (lat. securis «machadinha»).

Quadro 1 - Vasconcelos (1956, p. 126-7)

Boa parte dos elementos da lista são formas lexicais e observações ortográficas. Apenas os cinco primeiros itens da lista, além de “graue me he de veer toda criatura” se nesse caso se estiver referindo à posição do pronome, fogem desse padrão, apontando para razões morfológicas para argumentar que o “Boosco” pertence a um período muito anterior ao início do século XVI. Para tanto, Vasconcelos precisaria demonstrar não somente que essas formas já existiam antes, mas também que não eram mais utilizadas, ou eram de forma marginal, por volta de 1515. A primeira parte da demonstração não é difícil: basta verificar sua presença em obras como a citada “Leal Conselheiro”. A segunda parte demandaria investigar a ausência dessas formas em literatura contemporânea ao “Boosco Deleitoso”. Para ilustrar como essa é uma árdua tarefa, trazemos exemplos da obra “Ho flos sanctorum em lingoajẽ português”, impressa pela mesma tipografia do “Boosco”, a de Hermão de Campos, em 1513. A forma “eu som” aparece nas página 13 (“O mestre e som eu por ventura:”) e 15 do fac-símile3 (“Tu disseste que eu som”), primeiro na boca de Judas e depois na de Jesus. “Alegrarom se elles ouuindo aquesto e prometerom de lhe dar”, na página 11, são mostras de que verbos terminados em “-om” aparecem em um texto do século XVI. Trazemos esses casos para mostrar a dificuldade de afirmações que podem se tornar categóricas, se repetidas sem reflexão, e como o trabalho com um corpus que seja extenso é uma necessidade para quem trabalha com o período medieval da língua portuguesa. A existência de um corpus assim poderia auxiliar na verificação das formas lexicais e ortográficas notadas no “Boosco” em demais textos.

Carvalho (2002) realizou um trabalho comparativo de oito textos, abrangendo quatro séculos, iniciando no final do XIII e terminando no começo do XVI justamente com o “Boosco Deleitoso” como fonte para esse período. A pesquisadora elegeu cinco critérios, todos de base morfológica para a comparação e os resultados estão na Figura 1, reproduzida do original (p. 22):

Figure 1.Figura 1: Carvalho (2002, p.22)

O que une as obras do século XV são a síncope de ‘-d-’ nos verbos na segunda pessoa do plural, os particípios em ‘-ido’ de verbos da segunda conjugação, a uniformização dos possessivos femininos, a ausência dos plurais modernos de lexema em ‘-l’ precedido de ‘e’ tônico e o plural moderno do lexema ‘mal: males’. Já o texto que representa a passagem do século XIV para o XV se diferencia dos anteriores pela manutenção do ‘-d-’ nos verbos. Já o “Boosco Deleitoso”, ainda que cronologicamente situado no começo do século XVI, tem o mesmo perfil de “Visão de Túndalo”, o representante do limiar entre os séculos XIV e XV, o que confirmaria a orientação de Vasconcelos (1956) sobre o período de escrita do “Boosco”. No entanto, em nota à página 23, a autora observa que a manutenção do “-d-” nos verbos deveria vir acompanhada das formas antigas dos pronomes e dos particípios e conclui: “Tal situação revela, indubitavelmente, uma diferente “avaliação” social das variantes antigas destas variáveis.” Porém, a “Visão de Túndalo” traz exatamente esse perfil e a comparação do “Boosco” deveria ter sido feita com essa obra e não com as de fases anteriores. Por fim, se interpretamos corretamente o gráfico de Carvalho, em que a taxa de plural moderno de “mal: males” é 100% no “Boosco”, permitimo-nos apresentar uma discordância, pois há mais ocorrências do plural antigo, sendo “tu essoberuoso e leuantado achador de maães sem sisso”, cap. X e “quando se lemnbram dos pecados e maaes que passarõ”, cap. XLIII dois dos trinta e um casos, do que do plural moderno, do qual há apenas quatro ocorrências, sendo “saberas por çerto ẽ quãtos males e em quãtos periguos”, cap. XI, um exemplo.

Outros critérios para delimitar um período para a escrita do “Boosco Deleitoso” podem ser o explorado por Galves (2012) a respeito da posição do clítico em diferentes contextos sintáticos. Para dar conta da análise dos dados do “Boosco” e comparar com os obtidos pelas fontes da autora, seria necessário um extenso trabalho quantitativo que, se no momento não se encontra iniciado, está em planejamento para estudos futuros. Por outro lado, um aspecto que chama a atenção do leitor estudioso do português medieval no “Boosco” é o alto índice de rotacismo em palavras que atualmente, mas assim são desde o século XVI, são pronunciadas e grafadas, em registro padrão, com ‘l’. Empreendemos uma pesquisa quantitativa no texto do “Boosco Deleitoso” e no “Orto do Esposo” e na “Visão de Túndalo”, dadas as aproximações que podem ser feitas da primeira obra com estas duas, sendo com a última justificada pelo trabalho de Carvalho (2002) e com a outra, como se verá, por afinidades de conteúdo e forma. A “candidatura” de único autor para o “Orto do Esposo” e “Boosco Deleitoso” foi lançada e o estudo do rotacismo trará luz para resolver essa “disputa”?

1. Rotacismo: descrição e historicidade (ou: “no Boosco, encontramos a groria”)

O fenômeno do rotacismo, que pode ser descrito brevemente como a substituição do fonema /l/ pelo /r/, tem atraído a atenção de diversos estudiosos. Isso pode ser motivado pelo forte estigma que carrega o falante que emprega tal fenômeno no português brasileiro, sendo formas como “framengo” em vez de “flamengo” ou “prástico” em vez de “plástico” banidas de registros cultos.

Costa (2006) escolhe a Teoria dos Traços Fonológicos Distintivos juntamente com a Teoria da Variação para descrever e explicar o rotacismo, concluindo pelo seu caráter de variação estável, condicionado a fatores linguísticos e extralinguísticos. Já Gayer e Dias (2018) utilizam o arcabouço da Teoria da Otimidade, propondo uma hierarquia de restrições para analisar o fenômeno em questão. Ainda que ambos os estudos tenham mencionado o caráter histórico do rotacismo, é em trabalhos como os de Menon (2013) e Barreto e Massini-Cagliari (2020) que esse caráter assume papel central. A primeira autora busca respostas para uma situação intrigante que é não só a troca de /l/ por /r/ mas também por uma nasal. Cita exemplos como “Maicon” para a troca de /l/ pela nasal e “Vou vim” para a troca de /r/ pela nasal. O trabalho se encerra sem conclusões detalhadas, ainda que os exemplos trazidos para a discussão tenham, centralmente, vindo de dados diacrônicos. O “Boosco” é citado pois sua data de impressão, começo do século XVI, e a presença de rotacismo são incompatíveis, uma vez que a essa época, a pressão normativa pela manutenção do /l/ já se via bem forte. Menon faz a observação de que a data de escrita original do “Boosco” é bem anterior, citando e corroborando o que propõe Vasconcelos (1956). A pressão normativa também é observada por Barreto e Massini-Cagliari (2020) ao analisarem a variação entre as grafias de palavras (“frolida-florida”) e discutirem como através dos séculos da Idade Média aquilo que era tido como natural em diversos textos, a saber a versão com /r/, foi sendo suplantada pela versão apenas com /l/.

Gomes (2021) traz uma análise sincrônica e diacrônica do fenômeno do rotacismo. A parte que focaliza os dados históricos se baseia em parte em trabalho anterior da autora e nos interessa particularmente por conta da abordagem utilizada. O primeiro passo foi a realização de um estudo quantitativo em textos do período arcaico, sendo o “Livro da Ensinança de Cavalgar toda sela”, a “Crestomatia Arcaica” e “Textos Arcaicos” as fontes da autora, que encontrou 75 casos de rotacismo em um total de 241 palavras. Gomes observa que nos 75 dados obtidos, há rotacismo em encontros consonantais com ‘c’, ‘p’, ‘f’ e ‘g’, não havendo nenhum caso com ‘b’. Além disso, nota que, dos 75 dados, 29 são do item “exemplo”. Quando esses 29 dados são retirados da análise quantitativa, conforme está exposto no Anexo III do trabalho, com exceção do ponto de articulação das consoantes, nenhum outro fator foi relevante em um teste de qui-quadrado – o mesmo perfil obtido nos dados sincrônicos. Tal resultado corrobora observações da autora a respeito do fundamento da variação ser lexical e não fonológico, quando descreve a situação diversa do encontro consonantal ‘pl’, que teve destinos diferentes no português, a saber, a palatalização (“plenu-cheio”), o rotacismo (“placere-prazer”) e a ausência desse fenômeno (“planta”). Assim, Gomes conclui pelo Modelo Exemplar de fonologia como o mais adequado para lidar com os resultados sincrônicos e diacrônicos.

Conforme apontado acima, o modelo de pesquisa de Gomes (2021) pode ser útil para investigar o rotacismo no “Boosco” pois, para além da visão quantitativa, abre a possibilidade de uma análise qualitativa, a ser realizada no nível lexical. Uma primeira observação dos dados obtidos nos levou a optar por essa linha e, argumentaremos com os dados completos, isso trouxe informações relevantes para esse fenômeno. Antes de apresentar os dados e suas análises, detalharemos alguns aspectos metodológicos da investigação.

O pesquisador que se interessar pelo “Boosco Deleitoso” tem duas opções: acessar o fac-símile disponível no site da Biblioteca Nacional de Portugal4 ou trabalhar com a edição realizada por Magne (1950). Em nenhum dos dois casos pode o pesquisador se beneficiar das vantagens de um texto digitalizado, que permite buscas e seleção de dados. Ainda que se pudesse, em tese, digitalizar o livro de Magne (1950), algumas decisões do editor dificultam, se não impossibilitam, um trabalho de análise linguística sem cotejar com o fac-símile da obra. Na parte fonética e ortográfica, por exemplo, há modernizações evidentes com troca de ‘y’ por ‘i’ em muitos casos e o uso de diacríticos, ausentes do fac-símile, e também maiúsculas em não-início de frase. Uma primeira leitura indicava que os casos de rotacismo haviam sido preservados. No entanto, outras alterações realizadas chamam a atenção do pesquisador para tomar cuidado com a edição de Magne. À página 103, no parágrafo 297, que corresponde ao fólio ‘23 a’, encontramos: “e o fogo e o enxufre e os espritos das tormentas som parte e quinhom”, com o verbo “ser” em itálico, indicando divergência do original, que, de fato, está no singular: “e o fogo e ho emxufre e os espritos das tormẽtas he parte e quinhom”. No entanto, à página 221, parágrafo 549, da edição de Magne (1950) o plural do verbo em “Nom me prazem as casas ricas e pintadas” não traz nenhuma indicação de alteração do original, em que se lê, ao fólio ‘48 c’: “Nom me praz as casas ricas e pintadas”.

Com isso, tomamos a decisão de, a partir da digitalização da edição de Magne (1950), cotejando com o fac-símile da obra, produzir uma edição semidiplomática do “Boosco Deleitoso”5. A partir desse material, pudemos realizar buscas fidedignas ao original, e automatizar boa parte das tarefas que precedem a análise dos dados. Utilizando o editor de texto Notepad++, realizamos a busca por palavras com encontro consonantal com ‘l’ ou ‘r’ por meio de uma expressão regular: \b\w*[bcdfgptv][lr]\w+\b , onde \b indica as bordas, inicial e final, de uma palavra; \w* indica que o encontro consonantal pode estar no começo ou no meio da palavra; o conjunto de consoantes nos colchetes indicam os possíveis encontros consonantais; e por fim, \w+ requer que haja pelo menos uma letra após o encontro consonantal. Após analisar a lista de resultados, decidimos fazer uma expressão regular para cada segundo elemento, e com isso as consoantes ‘d’ e ‘v’, além de ‘u’ que no original muitas vezes representa o ‘v’, não fizeram mais parte da busca do encontro consonantal com ‘l’, uma vez que não há palavras com ‘dl’ ou ‘vl’ em português; fizemos o mesmo para o encontro consonantal com ‘r’, pois buscas por ‘dr’, ‘vr’ ou ‘ur’ levariam a palavras que não são resultado de rotacismo.

Com as listas de palavras com os encontros consonantais, utilizamos um código em Python6 para gerar listas das palavras em ordem alfabética e com a contagem de ocorrências. Por conta de como foi feita a edição, não tivemos o trabalho de separar os casos de rotacismo (‘groria’, ‘afriçõ’) dos que são apenas a versão com ‘r’ das palavras (‘grande’, ‘fraco’), uma vez que na edição já havia a indicação do rotacismo; assim, ‘groria’ foi editado como ‘gr<l>oria’ e ‘grande’ como ‘grande’. A lista gerada já continha apenas os casos de rotacismo. Após isso, criamos a lista das palavras com encontro consonantal com ‘l’. A seguir, trazemos as duas listas, separadas pela primeira consoante do encontro e com as ocorrências de cada lema. Utilizamos esse conceito de morfologia (ver LEVELT, 1989), que corresponde, grosso modo, à forma dicionarizada da palavra (sendo assim, o lema de ‘meninas’ é ‘menino’; o de ‘sou’ é ‘ser’), pois havia em muitos casos poucas ocorrências de itens lexicais. Na lista de rotacismo, foi utilizada a versão modernizada da palavra, para permitir a comparação com a lista dos lemas sem rotacismo. A lista dos lemas, que vêm em maiúsculas como se tem estabelecido, com rotacismo: BLASFEMA (2), PÚBLICO (6), SEMBLANTE (20), CLAMOR (2), CLARO (80), CLAUSTRO (3), CLÉRIGO (7), DECLARAR (7), MESCLA (5), AFLIGIR (22), FLOR (35), FLORESTA (2), GLÓRIA (69), GLORIAR (2), GLORIFICAÇÃO (1), GLORIOSAMENTE (3), GLORIOSO (112), NEGLIGÊNCIA (17), CONTEMPLAÇÃO (64), CONTEMPLAR (21), CONTEMPLATIVO (19), DISCIPLINA (9), EXEMPLO (31), EXPLANAR (1), MULTIPLICAR (1), PLANTA (4), PLEITO (7), PLUMA (1), RESPLANDECENTE (17), RESPLANDECER (7), RESPLENDOR (15), SIMPLES (13), TEMPLO (4). A lista dos lemas em que o ‘l’ foi mantido no encontro consonantal, com lemas sublinhados quando pertencem também à lista anterior: CLAUSTRO (1), CONCLUIR (2), ESCLARECER (1), INCLINAR (6), FLAMA (4), INFLAMAR (9), GLÓRIA (4), GLORIAR (1), GLORIOSO (2), CONTEMPLAÇÃO (22), CONTEMPLAR (5), CONTEMPLATIVO (10), DISCIPLINA (3), IMPLICAR (1), MULTIPLICAR (2), SUPLICAR (1).

Começando pela análise quantitativa, obtivemos 74 ocorrências de palavras com encontro consonantal com ‘l’ e 609 ocorrências com rotacismo, o que resulta em uma taxa bruta de 89,17% de aplicação. O rotacismo aconteceu em 33 lemas, enquanto apenas 16 lemas apresentaram a versão com ‘l’, sendo que desses, apenas sete são exclusivamente grafados com ‘l’, os demais apresentando a versão com rotacismo, e com exceção de MULTIPLICAR, todos os demais apresentam quantitativo menor com ‘l’ do que com rotacismo. Tais números apontam para uma predominância não apenas quantitativa como lexical do rotacismo no “Boosco Deleitoso”.

Quanto às consoantes que antecedem o ‘l’ ou o ‘r’, observamos, assim como Gomes (2021), que não há casos de ‘bl’; em seguida, o encontro com ‘gl’ teve 96,68% de casos de rotacismo; ‘cl’, 91,23%; ‘pl’ (82,95%) e ‘fl’ (81,94%), por fim, representam as consoantes com as taxas menos altas. Digna de nota é a situação de ‘fl’, em que não há lemas em comum: alguns aparecem apenas com ‘l’, outros apenas com ‘r’.

Ainda que estejamos guardando algumas análises qualitativas sobre esses dados para o final, acreditamos ser o momento, uma vez que levantamos a questão da relevância do item lexical para o fenômeno do rotacismo, de expor os dados com nomes próprios. Oliveira (1991), no âmbito da hipótese da Difusão Lexical, propõe que nomes próprios estariam menos propensos a mudanças espraiadas por itens lexicais de uso mais comum e corriqueiro. Ainda que contando com poucos dados do “Boosco Deleitoso”, trazemo-los para que se tenha o registro das ocorrências nessa obra. Encontramos oito nomes próprios contendo encontro consonantal com ‘l’ ou sua versão com rotacismo, totalizando 19 ocorrências: Platão (3 com ‘l’, 4 com rotacismo); Plotino e Florentino, ambos apenas com uma ocorrência com rotacismo; Plócio, com uma ocorrência com ‘l’; Sinclética, Diocleciano e Claudino, com duas ocorrências cada, todas com ‘l’; e Clímaco, com as três ocorrências com ‘l’. A taxa de rotacismo nos nomes próprios ficou em 31,5% muito abaixo do registrado nos nomes comuns. No entanto, devemos notar a assimetria relacionada à primeira consoante do encontro: quando é ‘c’, há sempre manutenção do ‘l’; quando é ‘p’, o rotacismo tem cinco ocorrências contra quatro com ‘l’.

Cumpre-nos registrar que a situação do rotacismo no “Boosco Deleitoso” difere radicalmente de outra obra contemporânea, a saber, o livro de “Vita Christi”, impresso em 1495, vinte anos antes do “Boosco”. Na edição, em três volumes, de Machado (2011), não há sequer uma ocorrência de rotacismo frente às mais de mil ocorrências do lema ‘GLORIA’; contamos apenas seis ocorrências de rotacismo de ‘EXEMPLO’, um número nada significativo comparado às centenas de ocorrências com manutenção do ‘l’; o lema ‘CONTEMPLAÇÃO’ possui o mesmo perfil de ‘GLÓRIA’, ainda que com quantidade bem menor. Com isso, nossos achados corroboram o que Vasconcelos (1956) afirmava sobre o período de escrita original do “Boosco Deleitoso”. Poderiam esses achados jogar mais luz ainda sobre um período mais específico de escrita do “Boosco” do que fins do século XIV e começo do XV?

Escolhemos o texto “A Visão de Túndalo”, primeiramente por conta da comparação apontada por Carvalho (2002) entre esse texto e o “Boosco Deleitoso”. Puerto (2020) analisa as edições de “A Visão de Túndalo” realizadas por Esteves Pereira (1895) e Nunes (1903-1905), cotejando-as com os manuscritos, respectivamente, o Alc_211 e o Alc_462. Após fazer uma série de comparações de aspectos fonéticos, ortográficos e morfológicos, a autora conclui pela datação do manuscrito Alc_211 como pertencente a no máximo o começo do período que ela, a partir de vários autores, denomina de “médio” do português antigo, que tem por data 1350. Já o Alc_462 pertenceria a esse período médio, em algum momento posterior a seu início. Por isso, analisaremos os encontros consonantais com ‘l’ na edição de Esteves Pereira (1895). Por se tratar de um texto com apenas algumas páginas de extensão, o número de casos é bem menor: são 42 ocorrências, todas com a manutenção do ‘l’, sendo essa a lista de lemas: CLAMOR (2), CLARO (7), CLARIDADE (10), CLÉRIGO (3), INCLINAR (2), FLOR (1), GLÓRIA (8), GLORIOSO (1), EXEMPLO (2), PLANTAR (1), RESPLANDECER (1), RESPLANDECENTE (2), RESPLENDOR (2). Uma situação que inexiste no “Boosco Deleitoso”, que é o lambdacismo, o fenômeno oposto do rotacismo, quando se substitui o /r/ pelo /l/, acontece 25 vezes em “A Visão de Túndalo”: CRAVO (5), ENCRAVADO (1), COMPRIDAMENTE (1), REGRA (1), PRAZER (16), PRAÇA (1).

A situação do rotacismo no manuscrito Alc_211 “A Visão de Túndalo”, que foi datado em meados do século XIV, é a mesma do livro de “Vita Christi”, ou seja, inexistente. Seria o “Boosco Deleitoso”, então, anterior a “A Visão de Túndalo”? Se sim, quanto? Devemos lembrar que “De Vita Solitaria” foi escrito entre 1346 e 1356. Bonomini (2008, p.17-8) alega que o “Boosco Deleitoso” deve ser anterior a 1372, pois é dessa data o Suplemento Romualdino, assim chamado porque Petrarca inclui no seu texto a vida de São Romualdo, o que não aparece no “Boosco”. Situando-se, portanto, entre 1356 e 1372, o mesmo período apontado para “A Visão de Túndalo”, como o perfil de rotacismo dessas duas obras pode ser tão distinto? Terminamos essa seção com números obtidos nas “Cantigas de Santa Maria”, na edição de Mettman (1981), utilizada pelo CIPM7: o lema GLORIOSO tem 43 ocorrências em sua forma com ‘l’, contra 330 com rotacismo, resultando em uma taxa de 88,6% desse fenômeno; com o lema FLOR a taxa é de 80,7%. O fato de as “Cantigas” serem datadas consensualmente no século XIII e o “Boosco Deleitoso”, por conta do uso da obra de Petrarca, ser de, pelo menos, 1356, e terem taxas de rotacismo tão semelhantes apenas aponta para o que indicamos no título desse trabalho: no “Boosco”, encontramos não apenas caminhos para análises linguísticas, mas também descaminhos. Essa situação será explorada na seção final.

2. Conclusões (ou: entrando no boosco nevoso)

Foi nossa intenção, neste trabalho, apresentar um estudo piloto que seja ilustrativo tanto das potencialidades quanto das dificuldades de investigações do “Boosco Deleitoso”. Um livro impresso em um século, escrito com a linguagem de outro; de cujo autor nada se tem a não ser elucubrações; uma datação genérica, baseada em critérios morfológicos genéricos e lexicais pouco extensos traz desafios que apenas um extenso e interdisciplinar projeto pode resolver essas questões. O estudo do rotacismo trouxe algumas pistas – e, não surpreendentemente para um livro com tais características, pistas sobre as quais ainda há incertezas se levarão a caminhos produtivos ou a descaminhos na construção de um projeto tal como o descrito.

Ter cumprido a missão de distinguir o “Boosco” de outras impressas contemporâneas, corroborando o já proposto há quase um século por Vasconcelos (1956) não é exatamente o que se pode chamar de mérito, era o que se esperava. Já a comparação com a situação do rotacismo em “A Visão de Túndalo”, livro que se consideraria contemporâneo à escrita do “Boosco Deleitoso” o mérito que traz é o da reflexão sobre o que motiva uma taxa tão alta de rotacismo na obra singular que está sob investigação. Não utilizamos o “Orto do Esposo” como material de comparação tendo em vista que, ainda que se afixe como data de sua escritura a mesma do “Boosco”, final do século XIV e começo do XV, o manuscrito que tem servido de fonte para edições e estudos é de meados do século XV (MAGNE, 1956), data que não se imagina ser a do “Boosco” – e um exame do lema GLORIA revela mais de uma centena de casos com a manutenção do ‘l’ contra nenhum caso de rotacismo.

Uma informação que deixamos de fornecer quando da apresentação dos resultados do rotacismo no “Boosco Deleitoso” diz respeito ao local na obra das ocorrências seja da palavra com a manutenção do ‘l’ seja com o rotacismo. Há apenas sete casos de manutenção do ‘l’ quando precedido pela consoante ‘g’. Três aparecem com poucas linhas de distância e o mesmo acontece com outros dois. O trio está no capítulo sete e a dupla no vinte e cinco, ou seja, um pertence ao texto original do “Boosco”, o outro a um trecho traduzido do “De Vita Solitaria”. O que chama atenção dos três casos no capítulo sete é que eles aparecem justamente em um dos raros locais em que há palavras com terminação em “-çam”, uma característica do século em que o “Boosco” foi impresso – fora esse local, há apenas mais dois, além da Dedicatória e da informação sobre o impressor, local e data, locais evidentemente em que a escrita se realizou quando da impressão. No capítulo oito, também da parte original do “Boosco”, as duas ocorrências de palavras com “-çam” acompanham… uma das sete ocorrências do lema GLORIA com manutenção do ‘l’. Por fim, oito das dez ocorrências do lema CONTEMPLATIVO aparecem em poucas linhas do capítulo cento e vinte e cinco, na parte final, e original, do “Boosco Deleitoso”.

Expusemos essas informações para que se tenha uma ideia mais prática do que foi apresentado no começo dessa seção: são muitos os caminhos que o “Boosco Deleitoso”, um livro cheio de caminhos (o segre, o ermo, o boosco, o jardim) pode nos fornecer; ao mesmo tempo, assim como o narrador do livro, não podemos nos deixar perder por descaminhos que se nos apresentem. Esses, precisamos trilhar e desbravar para que possamos obter futuras descobertas mais claras (ou ao sabor do “Boosco”, “craras).

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