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Abstract

This article presents aspects of Portuguese linguistic variation in the state of Amapá. As a theoretical discussion, Meyerhoff (2006) and Calvet (2002) are used to locate the sociolinguistic presupposed, as well Cardoso (2010) to locate the dialetological presupposed. Then, the variationist investigations carried out on the Portuguese spoken in Amapá are presented, seeking to contemplate the following levels of linguistic variation: phonetic-phonological, semantic-lexical, morphosynthetic and prosodic. In this way, 22 works were identified that deal with phonetic-phonological variation, 21 on semantic-lexical variation, 5 on morphosynthetic variation and only 2 on prosodic variation. From these studies, it is possible to draw a preliminary linguistic profile of Portuguese spoken in Amapá in different points of the region, how to know the lexical denominations, for example, for garoa, conjuntivite, nuca, cambalhota etc., used in Portuguese spoken in Amapá. It is also possible to visualize how the /S/ e /R/ phonemes behave in syllabic coda, as posterior and anterior middle vowel and palatalization of two phonemes /t/ e /d/ before /i/ e /e/, besides to identify the linguistic and extralinguistic influences for nominal concord of the number of people from Oiapoque and to observe the entoational variation of people from Macapá.

Introdução

Entre o período de 1900 a 1943, a região onde se localiza o estado Amapá encontrava-se anexada ao estado do Pará. A partir de 1943 até 1988 foi considerado Território Federal do Amapá, desmembrando-se do estado vizinho, Pará. Após quatro décadas, com a promulgação da Constituição de 1988, o Amapá  tornou-se estado brasileiro, dispondo, assim, de autonomia política.

A história recente de criação do estado do Amapá tem relação direta com o processo de ocupação populacional da região. Na década de 1990, por exemplo, o estado recebeu muitos migrantes de diversas regiões do Brasil, sobretudo dos estados do Pará e Maranhão. Atualmente, essa convergência de migrantes para o Amapá, além dos grupos étnicos já existentes na região (indígenas, quilombolas, caboclos etc.), tem refletido em diferentes manifestações cultuais e linguísticas.

Com base nesse contexto, pretende-se neste artigo focalizar as diferentes manifestações linguísticas, isto é, a variação linguística presente no português brasileiro falado no Amapá. Assim, esta pesquisa fornece um panorama geral sobre o andamento dos estudos variacionistas na região, além de mostrar, preliminarmente, o perfil linguístico amapaense em níveis fonético-fonológico, semântico-lexical, morfossintático e prosódico.

1. Variação e mudança linguística como objeto de estudo da Sociolinguística e da Dialetologia

A natureza heterogênea das línguas naturais tem sido discutida amplamente e investigada pela Linguística moderna. De modo mais específico, a variação e mudança linguística têm sido o objeto de estudo da Sociolinguística e da Dialetologia. A seguir apresenta-se brevemente o campo de investigação da Sociolinguística e, posteriormente, da Dialetologia.

A Sociolinguística é uma das subáreas da Linguística que tem como objetivo descrever diferentes aspectos linguísticos em seu uso real, levando em consideração as estruturas linguísticas e o contexto sociocultural envolvidos na produção da fala. Para Mollica (2013), a Sociolinguística se faz presente num espaço interdisciplinar, na fronteira entre língua e sociedade, focalizando principalmente os empregos linguísticos concretos, em especial os de caráter heterogêneo.

Segundo Calvet (2002) e Meyerhoff (2006), o escopo da Sociolinguística engloba diferentes interesses, tais como: a maneira como os falantes usam a língua individualmente e coletivamente; como as pessoas usam a língua em diferentes cidades ou regiões; como uma nação decide quais línguas serão reconhecidas em diferentes espaços e esferas sociais; o contato entre as línguas; questões relativas ao surgimento e extinção de línguas; contextos de multilinguismo; e mudança linguística.

Para além dos temas elencados acima, Calvet (2002) distingue dois tipos de abordagens da Sociolinguística: a microssociolinguística e a macrossociolinguística. Para ele, essas abordagens, ditas opostas, na verdade são complementares, uma vez que a microssociolinguística está inscrita na macrossocioliguística.

A microssociolinguística aborda temas como etnografia da comunicação, discurso, pragmática, implicaturas conversacionais, variedades crioulas e pidgins, além dos tipos de variação linguística. O foco é analisar o efeito dos fatores sociais sobre a língua e entender quais os processos envolvidos na mudança e variação de uma língua.

Já a macrossociolinguística aborda temas como multilinguismo, bilinguismo, diglossia, atitudes linguísticas, manutenção linguística, bem como planejamento e estandardização de línguas vernaculares. O foco é analisar as relações entre sociedade, língua e política.

Desde o surgimento da Sociolinguística, especificamente a laboviana (LABOV, 2008), vários estudiosos tomaram os estudos de William Labov como modelo para novos estudos sociolinguísticos, com isso, a área foi se implantando como campo de pesquisa, tendo objeto de estudo e método bem definidos.

Labov (2008) propôs como objeto de estudo da Sociolinguística a variação e mudança da língua, levando em consideração o caráter heterogêneo, a estrutura e a evolução da língua no contexto social de uma comunidade de fala. Conforme o autor, a variação e mudança linguística podem ser evidenciadas cientificamente por meio de instrumentos e métodos estatísticos (Sociolinguística quantitativa).

Outra subárea da Linguística, também com foco na variação e mudança linguística, é a Dialetologia que se ocupa de “identificar, descrever e situar os diferentes usos em que uma língua se diversifica, conforme a sua distribuição espacial, sociocultural e cronológica” (CARDOSO, 2010, p. 15).

Dentro do escopo da Dialetologia, encontra-se a Geolinguística, entendida como método linguístico que busca auxiliar na pesquisa de campo dialetal e na confecção de cartas/cartogramas/mapas linguísticos. É o método usado para registrar aspectos fonéticos, fonológicos, morfológicos, sintáticos, lexicais, prosódicos, estilísticos etc., de uma comunidade de fala e em determinado espaço geográfico previamente delimitado. Com isso, o resultado da aplicação do método geolinguístico culmina, em sua maioria, em um conjunto de mapas linguísticos denominado atlas linguístico.

Por muito tempo a Dialetologia priorizou o registro de aspectos linguísticos e sua localização geográfica, por isso passou a ser chamada de Dialetologia tradicional. Com o advento da Linguística moderna, sobretudo da Sociolinguística, os dialetólogos ampliaram seu campo de observação e análise, que até então se restringia ao registro da variação diatópica (geográfica), passando a controlar variáveis sociais mais complexas, tais como a variação diastrática (classe social), variação diafásica (estilística), variação diagenérica (sexo), variação diageracional (faixa etária), dentre outras.

Essa contribuição dada ao campo da Dialetologia deve-se, em boa parte, aos pressupostos teórico-metodológicos da Sociolinguística. Atualmente, passou-se a problematizar o objeto de análise de ambas as áreas, isso porque tanto a Dialetologia como a Sociolinguística preocupam-se com dois aspectos fundamentais: (i) o reconhecimento das diferenças ou das igualdades que a língua reflete; e (ii) o estabelecimento das relações entre as diversas manifestações linguísticas documentadas entre elas e a ausência de dados registrados, circunscritos a espaços e realidades prefixados (cf. FERREIRA; CARDOSO, 1994).

Para Silva-Corvalán (1988), o aspecto diverso da língua fez com que a Dialetologia e a Sociolinguística se confundissem como a mesma área de estudo:

[...] ambas as disciplinas estudam a língua falada, o uso linguístico e estabelecem as relações que existem entre certos traços linguísticos e certos grupos de indivíduos. Assim como a Sociolinguística, a Dialetologia reconheceu desde cedo a existência da heterogeneidade linguística (SILVA-CORVALÁN, 1998, p. 8).

O principal aspecto que diferencia as duas disciplinas não está no seu objeto de estudo e sim na metodologia utilizada por elas. Em sua maioria, as pesquisas sociolinguísticas empregadas no Brasil, por exemplo, fazem uso de programas estatísticos específicos (Sociolinguística quantitativa), selecionam um número elevado de colaboradores e sua delimitação geográfica para seleção da comunidade de fala é mais restrita. No caso das pesquisas dialetais e geolinguísticas, o uso de programas estatísticos não é uma regra, a seleção do número de colaboradores é menor e a seleção do espaço geográfico a ser estudado é mais amplo.

Apesar das diferenças metodológicas, o objetivo maior de ambas as disciplinas é estudar a diversidade linguística presente nas línguas naturais, conforme observam Ferreira e Cardoso (1994, p. 19):

Na verdade, definir objetivo e metas dos vários ramos da ciência da linguagem, como aliás em qualquer ciência, é sempre muito difícil porque são fluidos ou pouco nítidos esses limites, mais fluidos e pouco nítidos se tornam quando se fala de Dialetologia e Sociolinguística que têm – ambas – como objetivo maior o estudo da diversidade da língua dentro de uma perspectiva sincrônica e concretizado nos atos de fala.

Nessa confluência teórica e metodológica entre Dialetologia e Sociolinguística foi possível observar novas abordagens sendo implementadas por diversos pesquisadores que se interessam pela variação e mudança linguística, ressalta-se aqui a chamada Dialetologia Pluridimensional e Relacional (RADTKE; THUN, 1996; THUN, 1998; 2005), Geolinguística multidimensional (CARDOSO, 2010), Geossociolinguística (RAZKY, 2003), Sociodialetologia (GUY, 2012) e Sociogeolinguística (SANTOS, CRISTIANINI, 2012).

De fato, ambas as disciplinas têm a variação e mudança linguística como objeto de estudo e ambas buscam controlar variáveis linguísticas e extralinguísticas para explicar os fatos. Entretanto, em termos gerais, entende-se que a Dialetologia e a Sociolinguística são duas perspectivas de observação e análise linguística que não se opõem, mas que se entrecruzam e se complementam.

2. Pesquisas variacionistas no Amapá

No contexto brasileiro, a pesquisa variacionista na perspectiva da Sociolinguística começa a ser estimulada na década de 1970, como lembram Scherre e Roncarati (2008). O Projeto Censo da Variação Linguística do Estado do Rio de Janeiro, do Programa de Estudos sobre o Uso da Língua - Peul, foi o primeiro a adotar o modelo da Sociolinguística variacionista no Brasil, objetivando estudar o português falado no Rio de Janeiro. A partir disso, novos projetos e grupos de pesquisa voltados para a descrição do português brasileiro foram implantados em diversas universidades do país, sobretudo na Região Sudeste.

No que tange à pesquisa dialetal no Brasil, Cardoso (2010) afirma que a primeira manifestação dessa natureza sobre o português brasileiro, deve-se a Domingos Borges de Barros, visconde de Pedra Branca, em 1826, escrita a pedido do geógrafo vêneto Andrien Balbi. Com isso, outros trabalhos dialetais foram publicados como O dialeto caipira (AMARAL, 1920) e O linguajar carioca (NASCENTES, 1953).

A respeito dos estudos variacionistas de natureza geolinguística, Cardoso (2010) aponta o Atlas Prévio dos falares baianos - APFB (ROSSI; FERREIRA; ISENSEE, 1963), como o primeiro atlas linguístico produzido em terras brasileiras. O APFB constitui-se de um conjunto de 209 mapas linguísticos que recobre todo o estado da Bahia, com 50 localidades investigadas. Após a publicação desse primeiro atlas, outros foram elaborados e publicados como Esboço de um atlas linguístico de Minas Gerais - EALMG (RIBEIRO et al., 1997), o Atlas linguístico de Sergipe - ALS (FERREIRA et al., 1983), o Atlas Linguístico da Paraíba - ALPB (ARAGÃO; BEZERRA DE MENEZES, 1984), o Atlas Linguístico do Paraná - ALPR (AGUILERA, 1994) etc.

Nesse contexto, o que se observa na Região Norte é uma inexpressiva quantidade de trabalhos variacionistas na perspectiva sociolinguística, sobretudo os de natureza geolinguística, que até a década de 1990 e início dos anos 2000, não apresentavam nenhum atlas linguístico. Os primeiros atlas publicados sobre o falar da Região Norte foram o Atlas Linguístico do Amazonas – ALAM (CRUZ, 2004) e Atlas Linguístico Sonoro do Pará – ALiSPA (RAZKY, 2004).

Quando se trata de estudos variacionistas (Sociolinguísticos e Dialetais) sobre o falar do estado do Amapá, registra-se a pesquisa de campo realizada em 2003 pela equipe do Atlas Linguístico do Brasil - ALiB, coordenada pela professora Vanderci Aguilera, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A visita consistiu em encontrar informantes para o ALiB e aplicar os questionários (em forma de entrevistas) elaborados pelo comitê nacional do projeto. Vale lembrar que na rede de pontos do ALiB constam duas localidades do Amapá: Macapá (Capital) e Oiapoque (cidade que faz fronteira com a Guiana Francesa).

Após essa primeira investida da pesquisa variacionista em território amapaense, os estudos começam a se tornar mais evidentes a partir de 2008, seguindo até o presente momento. A seguir, apresenta-se uma lista de trabalhos sobre o português falado no Amapá. O Quadro 1 indica os trabalhos sobre variação fonético-fonológica que ao todo foram identificados 22 estudos: 12 artigos científicos, quatro Dissertações de Mestrado, três capítulos de livro, duas Monografias e um livro1.

Título da pesquisa Autores Gênero Ano
1. A variável (r) pós-vocálica medial nos estados do Amapá e Pará: um estudo Geossociolinguístico Celeste Ribeiro Dissertação 2008
2. Distribuição geo-sociolinguística da lateral palatal /lh/ nos estados do Amapá e Pará Maria Eneida Fernandes Dissertação 2009
3. A produção palato-alveolar de /S/ nas vozes do Amapá Renata Monteiro Dissertação 2009
4. As vozes do Amapá: uma análise variacionista do falar jovem Renata Monteiro e Dermeval da Hora Artigo 2009
5. Atlas Linguístico do Brasil: a palatal /lh/ nos estados do Amapá e Pará Abdelhak Razky e Maria Eneida Fernandes Artigo 2010
6. Perfil linguístico do (r) pós-vocálico medial no Amapá Celeste Ribeiro Capítulo 2011
7. A variável (s) pós-vocálica no falar de Laranjal do Jari. Aldiane Palheta, Hanna Line Silva e Sarah Gibson Guedes Monografia 2013
8. As realizações do ditongo decrescente [ej] no falar amapaense Jéfter Gonçalves Amorim e Maurício Araújo da Costa Monografia 2014
9. O comportamento variável da lateral palatal /lh/ em Amapá e Pará Maria Eneida Fernandes Artigo 2014
10. Atlas Linguístico do Brasil-Região Norte: a variável (r) pós-vocálica medial nos estados do Amapá e do Pará Abdelhak Razky e Celeste Ribeiro Capítulo 2014
11. A Realização do onset complexo nos dados do Projeto atlas linguístico do Amapá - Projeto ALAP Celeste Ribeiro Artigo 2015
12. Atlas Linguístico do Amapá Abdelhak Razky, Celeste Ribeiro e Romário Sanches Livro 2017
13. O /S/ em coda silábica externa no falar Oiapoquense Celeste Ribeiro Artigo 2017
14. Monotongação na comunidade quilombola Mel da Pedreira no estado do Amapá Helen Coelho Capítulo 2018
15. Palatalização de d diante de /i/ e /e/ no falar amapaense Romário Sanches e Jamille Nascimento Artigo 2019
16. Variação fonético-fonológica no Amapá uma proposta de análise geossociolinguística Romário Sanches Artigo 2019
17. O rotacismo na fala de amapaenses Romário Sanches e Rosilene Gonçalves Artigo 2019
18. Ditongação de vogais diante de /S/ no português falado no Amapá Romário Sanches e Andreina Pereira Artigo 2019
1. Mapeamento fonético do português falado em comunidades indígenas do Oiapoque-AP Amanda Carvalho Dissertação 2019
19. O perfil do /S/ em coda silábica em posição interna e externa no falar amapaense Romário Sanches e Lizandra Fumelê Artigo 2020
20. Palatalizacao de (nh) na fala de amapaenses Romário Sanches e Geovane Lemos Artigo 2020
21. Perfil do fonema /R/ em coda silábica no falar amapaense Romário Sanches e Loerhana Camarão Artigo 2020
Table 1.Quadro 1. Estudos sobre variação fonético-fonológica no português falado no Amapá.Fonte: Elaborado pelo autor.

Além dos trabalhos elencados acima, há também os de variação semântico-lexical do português falado no Amapá. A maior parte trata do léxico documentado para o Atlas Linguístico do Amapá. Deste modo, conforme o Quadro 2, foi possível identificar 15 artigos científicos, duas Dissertações de Mestrado, duas Monografias, uma Tese de Doutorado e um livro. Esses trabalhos datam de 2013 a 2021.

Título da pesquisa Autores Gênero Ano
1. Variação lexical para libélula no Atlas Linguístico do Amapá Romário Sanches e Celeste Ribeiro Artigo 2013
2. Variação semântico-lexical no Amapá Romário Sanches e Maria do Socorro Silva Artigo 2014
3. Variação Lexical nos dados do Projeto Atlas Geossociolinguístico do Amapá Romário Sanches Dissertação 2015
4. Variação lexical para o item prostituta no Amapá Abdelhak Razky e Romário Sanches Artigo 2015
5. Variação Linguística para Cigarro de Palha e Toco de Cigarro no Atlas Linguístico do Amapá Abdelhak Razky e Romário Sanches Artigo 2015
6. Variação lexical do português falado no Amapá Romário Sanches Artigo 2017
7. Esboço de inventário lexical da língua falada no Amapá a partir dos estudos geolinguísticos Romário Sanches Artigo 2017
8. O Projeto Atlas Linguístico do Amapá (ALAP): caminhos percorridos e estágio atual Abdelhak Razky, Celeste Ribeiro e Romário Sanches Artigo 2017
9. Atlas Linguístico do Amapá Abdelhak Razky, Celeste Ribeiro e Romário Sanches Livro 2017
10. Mapeamento lexical do português falado pelos Wajãpi no estado do Amapá: uma abordagem geossociolinguística Maria Doraci Rodrigues Dissertação 2017
11. Atlas Linguístico do Amapá: um recorte da variação lexical no falar amapaense Celeste Ribeiro e Cássia Ferreira Artigo 2018
12. Gambá ou mucura? Como falam os amapaenses Romário Sanches Artigo 2019
13. Variação Lexical no Atlas Linguístico do Amapá – ALAP Celeste Ribeiro Artigo 2019
14. Dialetologia contatual variação lexical do Português e do Kheuól na área indígena dos Karipuna do Amapá. Romário Sanches Artigo 2020
15. Microatlas linguístico (Português-Kheuól) da área indígena dos Karipuna do Amapá Romário Sanches Tese 2020
16. Variação lexical para os itens calcinha e rouge: um estudo sobre o léxico do Português falado pelos Karipuna do Amapá Romário Sanches Artigo 2020
17. Variantes lexicais para cigarro de palha no Português falado por indígenas na Amazônia brasileira Romário Sanches Artigo 2020
18. Variação lexical na Amazônia Setentrional: um estudo comparativo à luz do Atlas Linguístico do Amapá Sara Matos Monografia 2020
19. Variação lexical em Macapá: um estudo comparativo com o Atlas Linguístico do Amapá (ALAP) Helen Coelho e Sara Matos Artigo 2020
20. De pouca telha a mão de neném: fraseologismos nos dados do Atlas Linguístico do Amapá Romário Sanches e Carlene Salvador Artigo 2020
21. A variação semântico-lexical no falar dos moradores da vila de Serra do Navio: um estudo geolinguístico Cássia Ferreira Monografia 2021
Table 2.Quadro 2. Estudos sobre variação semântico-lexical no português falado no Amapá.Fonte: Elaborado pelo autor.

Em menor frequência, têm-se os trabalhos sobre variação morfossintática no português falado no Amapá. O Quadro 3 mostra dois artigos científicos, uma Tese de Doutorado, uma Monografia e um capítulo de livro.

Título da pesquisa Autores Gênero Ano
1. Contato linguístico em Oiapoque: algumas considerações sobre a língua portuguesa L2 dos falantes franceses Celeste Ribeiro Artigo 2017
2. Contato linguístico e a concordância de número no sintagma nominal no português de Oiapoque/AP Celeste Ribeiro Tese 2018
3. Metaplasmos contemporâneos na fala de amapaenses uma análise geossociolinguística Michele Carvalho Monografia 2019
4. O português brasileiro falado por franceses em Oiapoque Celeste Ribeiro Capítulo 2019
5. Processos fonológicos por substituição ou transformação na fala de amapaenses: uma abordagem geossociolinguística Romário Sanches e Michele Carvalho Artigo 2020
Table 3.Quadro 3. Estudos sobre variação morfossintática no português falado no Amapá.Fonte: Elaborado pelo autor.

De modo recente, vem sendo estudada a variação prosódica no português falado no Amapá. Até o momento foram identificados dois artigos publicados no ano de 2020, conforme Quadro 4.

Título Autores Gênero Ano
1. Prosódia de enunciados interrogativos totais e declarativos neutros nas variedades amapaenses de Macapá e Oiapoque Suzana Santo e Regina Cruz Artigo 2020
2. Estudo sociofonético do português falado na Amazônia: uma comparação interdialetal entre Belém e Macapá Rosinele Lemos e Camila Brito Artigo 2020
Table 4.Quadro 4. Estudos sobre variação prosódica no português falado no Amapá.Fonte: Elaborado pelo autor.

Em síntese, o que se pode observar nos quadros acima são pesquisas de caráter variacionista no Amapá, seja por meio do aporte sociolinguístico ou geolinguístico. Constatou-se que há um número elevado de estudos sobre variação fonético-fonológica (22) e semântico-lexical (21), quando comparados aos estudos sobre variação morfossintática (cinco) e variação prosódica (dois). Para finalizar esse levantamento, o Gráfico 1 mostra, de modo cronológico, o número de pesquisas variacionistas publicadas em 14 anos.

Figure 1.Gráfico 1. Produção de estudos variacionistas no Amapá (2008-2021).Fonte: Elaborado pelo autor.

Com base no Gráfico 1, a pesquisa de caráter fonético-fonológica inicia-se no ano de 2008 com apenas um estudo e se intensifica em 2019 com cinco. Já a pesquisa de cunho semântico-lexical se inicia em 2013 com um trabalho e se intensifica em 2020 com sete. A pesquisa morfossintática variacionista inicia em 2017 com um estudo, segue em 2018 também com um e em 2019 o número se eleva para dois. Por último, a pesquisa prosódica aparece somente no ano de 2020 com dois estudos.

Apesar de uma quantidade ainda incipiente de pesquisas sobre o português falado no Amapá, principalmente em relação ao aspecto morfossintático e prosódico, acredita-se que essa situação deva ter relação direta com o recente interesse pela pesquisa variacionista iniciado em 2008 com a Dissertação de Mestrado de Celeste Ribeiro, orientada pelo Professor Abdelhak Razky. Ressalta-se que esses dois professores/pesquisadores têm contribuído para formação de novos pesquisadores que, consequentemente, tem resultado em novas pesquisas. Um dos trabalhos mais importantes, idealizado por eles, é o Atlas Linguístico do Amapá - ALAP, publicado em 2017, composto por cartas linguísticas sobre variação fonético-fonológica e semântico-lexical do português falado em dez localidades do estado.

3. Aspectos da variação linguística no português falado no Amapá

Nesta seção apresenta-se uma amostra da variação linguística com base em pesquisadas já realizadas e publicadas. Em vista disso, será utilizado o ALAP (RAZKY; RIBEIRO; SANCHES, 2017) para evidenciar aspectos da variação fonético-fonológica e semântico-lexical, apresentando dados referentes a dez cartas fonéticas (F012, F02 F03 F04, F05, F06, F07, F12, F13 e F16) e a dez cartas lexicais (L08, L14, L18, L29, L32, L34, L36, L40, L44 e L55) sobre diferentes fenômenos linguísticos do português falado no Amapá. Em seguida, apresentam-se aspectos da variação morfossintática com base no estudo de Ribeiro (2018), e por fim, aspectos da variação prosódica com base em Lemos e Brito (2020). É necessário ressaltar que o ALAP é resultado de uma pesquisa geolinguística, já a Tese de Ribeiro (2018) tem como pressupostos a Sociolinguística quantitativa, e o artigo de Lemos e Brito (2020) caracteriza-se como um estudo Sociofonético, todos na perspectiva variacionista.

3.1. Variação fonético-fonológica

Em relação às vogais médias anteriores e posteriores no português falado no Amapá, o ALAP apresenta três cartas fonéticas (cartas F01, F02 e F16). Na carta F01, os dados sobre a vogal média pretônica posterior /o/ mostram que os amapaenses tendem a usar a vogal fechada [o], com 84% de frequência, quando comparada com a vogal aberta [ɔ], com 16% de frequência, em vocábulos como colher, tomate, bonito, orelha etc.

Na carta F02 sobre vogal média pretônica anterior /e/, os dados apontam que os amapaenses tendem a usar a vogal fechada [e], com 57% de frequência, quando comparada com a vogal aberta [ɛ], com 43% de frequência, em vocábulos como terreno, elétrico, peneira etc.

Na carta F16 sobre o alteamento da vogal média anterior /e/ em contexto final, os dados apresentam que na fala de amapaenses a tendência é usar a vogal alta [i], com 91% de frequência, quando comparada com a vogal média anterior [e], com 9% de frequência, em vocábulos como peixe, deve, perfume etc.

Sobre a realização da lateral /l/ em tepe [ɾ], a carta F03 apresenta que 94% dos informantes amapaenses tendem a manter a lateral do que a substituí-la pelo [r], com 6% de frequência, em vocábulos como clara, planta, placa e bicicleta.

A respeito da realização de grupo (nd), a carta F04 mostra que 94% dos informantes realizam o gerúndio em vocábulos como fervendo, remando e dormindo, em contrapartida apenas 6% não o realizam.

Em relação ao perfil do fonema /R/ em coda silábica, em posição interna, a carta F05 mostra que 86% dos informantes realizam as fricativas glotais [h, ɦ] em vocábulos como torneira, fervendo, árvore, tarde, certo, esquerdo etc. Já a não realização dessas variantes fonéticas na fala de amapaenses aparece com 14% de frequência. Vale ressaltar que essa não realização, segundo Sanches e Camarão (2020), diz respeito ao apagamento do fonema /R/, à substituição do rótico por uma semivogal /w/ e à substituição das fricativas glotais [h, ɦ] pelo tepe [ɾ], em processo de metátese.

Outro aspecto fonético-fonológico também apresentado nos dados do ALAP refere-se ao fonema /S/ em coda silábica em posição interna (carta F06) e externa (carta F07). Em posição interna, o fonema foi realizado com 94% de frequência para forma palatal [ʃ, ʒ] e 6% de frequência para forma alveolar [s, z], como exemplos dos vocábulos investigados têm-se casca, estrada, desvio, rasgar, desmaio etc. No que tange à realização do fonema /S/ em posição externa, os dados mostram a mesma frequência encontrada para posição interna, isto é, 94% de frequência para forma palatal [ʃ, ʒ] e 6% de frequência para forma alveolar [s, z], em vocábulos como três, colegas, giz, voz, paz, etc.

As últimas cartas fonéticas apresentadas aqui correspondem à palatalização dos fonemas /d/ e /t/ diante de /i/ e /e/, respectivamente à carta F12 e F13. A primeira mostra que 89% dos informantes realizam a africada [dʒ] em vocábulos como dia, tarde, desvio e perdida. E 11% realizam com a dental [d] nos mesmos vocábulos. Já a segunda carta mostra que 85% dos informantes realizam a africada [tʒ] em vocábulos como prateleira, tesoura, tomate, noite, dente e tio. E 15% realizam com a dental [t] nos mesmos vocábulos.

3.2. Variação semântico-lexical

No cerne da variação semântico-lexical no português falado no Amapá, o ALAP apresenta 73 mapas lexicais, no entanto, para amostragem dessa variação, foram selecionadas apenas dez cartas lexicais supracitadas (seção 4) sobre diferentes campos semânticos.

No campo semântico fenômenos atmosféricos, por exemplo, encontra-se a carta L08 que busca registrar as denominações para “uma chuva bem fininha”. Com isso, as respostas registradas no atlas foram: chuvisco, garoa, chuva fina, chuva de molhar besta e chuva passageira.

No campo semântico atividades agropastoris, têm-se a carta L14, a respeito das denominações para o “objeto, de vime, de cipó, trançado, usado para levar batatas, mandiocas etc.”; assim, os informantes entrevistados elicitaram as seguintes variantes lexicais: paneiro, cesto, balaio e jamanxi.

Já no campo semântico fauna, encontra-se a carta L18, em que registra as denominações usadas para nomear “um cachorro de rabo cortado”; dessa forma, as seguintes variantes lexicais cartografas foram: bicó, cotó, tocó, toró e soró.

No campo semântico corpo humano, encontram-se as cartas L29, L32, L34, L36 e L40. Na primeira, L29, registram-se as denominações para “a inflamação no olho que faz com que o olho fique vermelho e amanhece grudado”; deste modo, as variantes encontradas foram: conjuntivite, dor-de-olho e sapatão. Na carta L32, sobre as denominações para “a pessoa que parece falar pelo nariz”, as respostas obtidas foram: fanhoso, fom-fom e fanho. Na carta L34, assinalam-se as denominações para “a parte de trás do pescoço”; as respostas obtidas foram: nunca, cangote e toutiço. Na carta L36, descrevem-se as denominações para “o mau cheiro embaixo dos braços”, em que os informantes mencionaram as variantes lexicais: catinga, inhaca, odor, sovaqueira e barrão. Na carta L40 registram-se as denominações para “uma pessoa de pernas curvas”; as variantes lexicais encontradas para essa pergunta foram: perna torta, cambota e perna de alicate.

No campo semântico convívio e comportamento social, no que diz respeito à carta L44 foram registradas as denominações para “a pessoa que não gosta de gastar seu dinheiro e, às vezes, até passa dificuldades para não gastar”. Para esta pergunta os informantes mencionaram as seguintes variantes: mão de vaca, jarãna, mão fechada, miserável e rocha.

Por fim, no campo semântico jogos e diversões infantis, encontra-se a carta L55 com as denominações para “a brincadeira em que se regira o corpo sobre a cabeça e acaba sentado”, deste modo as respostas obtidas foram: carambela, cambalhota, mortal, pirueta e vira-vira.

3.3. Variação morfossintática

Como exemplo de estudo variacionista de aspecto morfossintático, tem-se a Tese de Doutorado intitulada “Contato Linguístico e a Concordância de Número no Sintagma Nominal no português de Oiapoque/AP”, de Celeste Maria da Rocha Ribeiro, defendida em 2018, na Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ.

Trata-se de uma pesquisa na área da Sociolinguística quantitativa, sob a perspectiva do contato linguístico, em que a autora investiga a concordância de número (Sintagma Nominal - SN) no português como L1 e L2 falado por oiapoquenses (Amapá), franceses (Guiana Francesa) e indígenas da região do Oiapoque (Karipuna do Amapá e Galibi Marworno).

Sobre o português como L1 falado pelos oiapoquenses, Ribeiro (2018) constata que há influência de variáveis linguísticas e sociais na realização de sintagmas de concordância nominal de número, como nos exemplos a seguir:

(1) as pessoaØ
(2) nas minhaØ atividadeØ
(3) essas coisas todaØ
(4) algumas divergênciaØ
(5) outroØ meus irmãoØ
(6) certos amigoØ meuØ
(7) muitos lugares grandeØ
Table 5.Quadro 5: Exemplos da amostra de concordância nominal Fonte: Ribeiro (2018, p. 127), adaptado pelo autor.

Em relação à variável faixa etária, a autora verifica que os oiapoquenses mais jovens tendem a realizar mais a marcação de plural no SN, com 82,6 % de frequência, do que os mais velhos, com 63,2 % de frequência, o que pode indicar um possível quadro de mudança linguística no Oiapoque. No que tange ao sexo do falante, os resultados também apontam para diferença no emprego das marcas de plural, mostrando que homens (64,7%) tendem a marcar menos o plural do que as mulheres (74%). Em relação à escolaridade, a marcação de plural está presente com maior ênfase no grupo de falantes com ensino médio (72%), quando se compara ao perfil de falantes com o ensino fundamental (66%). Esta situação, segundo a autora, pode indicar que quanto mais escolarizado for o falante, mais se empregam as marcas de plural.

Em síntese, Ribeiro (2018) afirma que a marcação de plural ocorreu mais na fala de mulheres com maior nível de escolarização; e que a taxa geral de uso da concordância nominal em Oiapoque se aproxima da encontrada em áreas urbanas. Para a autora, isso pode indicar que a comunidade observada encontra-se em processo de destituição dos traços rurais e aquisição de traços mais urbanos.

3.4. Variação prosódica

Em relação ao aspecto da variação prosódica no português falado no Amapá, cita-se o artigo de Lemos e Brito (2020), em que apresentam uma comparação interdialetal entre as variedades de Belém (PA) e Macapá (AP). Trata-se de um estudo geoprosódico do português falado na Amazônia Oriental sob o viés da Sociofonética, isto é, compreende uma análise acústica da fala dentro do contexto social dos informantes.

Os dados dessa pesquisa fazem parte do Projeto AMPER-Amazônia (Universidade Federal do Pará), vinculado ao AMPER-POR (Universidade de Aveiro). As autoras analisam vocábulos oxítonos presentes em sentenças declarativas neutras como: O pássaro gosta do bisavô; O Renato gosta do bisavô; e o bisavô gosta do bisavô. E em sentenças interrogativas totais como: O pássaro gosta do bisavô? O Renato gosta do bisavô? e O bisavô gosta do bisavô?

O objetivo das autoras foi observar a variação entoacional da frequência fundamental (F0) em posição nuclear dos enunciados. No que diz respeito à fala dos macapaenses, os resultados revelam características prosódicas semelhantes na última sílaba tônica dos vocábulos oxítonos. De acordo com Lemos e Brito (2020), essa similaridade ocorre no contorno melódico das sentenças investigadas, sendo mais regular nas sentenças interrogativas totais.

Com relação às variáveis sociais, os informantes macapaenses do sexo feminino, do ensino médio, não realizam o contorno ascendente nas interrogativas totais na frase O bisavô gosta do bisavô?

Diante dos resultados, as autoras sustentam a hipótese de que essas características prosódicas têm relação direta com a formação sócio-histórica da região onde se localizam as cidades pesquisadas (Belém e Macapá), ou seja, é provável que a colonização portuguesa tenha influenciado os falares dessas localidades, tendo em vista os resultados de Cruz, Seara e Moutinho (2015) que também constatam similaridade prosódica de origem açoriana. Por fim, os dados de Lemos e Brito (2020) apontam que o padrão entoacional de sentenças declarativas no português falado em Macapá está em consonância com o falar do Rio de Janeiro.

4. Considerações finais

Este artigo evidencia, ainda que de forma preliminar, o acervo de pesquisas variacionistas sobre o português falado no Amapá. Entre esses trabalhos encontram-se artigos, capítulos de livros, Teses, Dissertações e Monografias. Em relação aos estudos sobre variação fonético-fonológica foram identificados 22 trabalhos, já sobre variação semântico-lexical somam-se 21. Em menor frequência, têm-se os estudos sobre variação morfossintática, com cinco trabalhos, e variação prosódica, com dois trabalhos.

No campo científico, acredita-se que saber da existência dessas pesquisas poderá auxiliar no desenvolvimento de novos trabalhos e projetos, de forma expressiva, auxiliando na descrição do perfil linguístico das variedades faladas no Amapá. No campo social, essas pesquisas fornecem à sociedade conhecimento científico sobre o falar amapaense, além de registrar “fotografias linguísticas” da língua, como patrimônio cultural.

Tendo em vista a recente implementação do primeiro Programa de Pós-Graduação em Letras do Amapá, o PPGLET, da Universidade Federal do Amapá - UNIFAP, esse número de pesquisas provavelmente deverá aumentar nos próximos anos e com isso um novo levantamento deverá ser realizado. Espera-se em breve poder usufruir dessas novas pesquisas e atualizar as informações contidas neste artigo.

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