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Replication

The Lexical and Phonological Variation in Libras in the Expression of the Concept ‘Elevator’

Katherine Fischer

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https://orcid.org/0000-0003-0113-5444

André Xavier

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https://orcid.org/0000-0002-8464-1977


Keywords

lexical variation
phonetic-phonological variation
stability
iconicity
Libras

Abstract

O presente trabalho objetiva (1) investigar a variação lexical e fonético-fonológica na libras através da reanálise de 21 produções referentes ao conceito ‘elevador’, originalmente coletadas por Xavier e F. Barbosa (2017) de 12 sinalizantes surdos do estado de São Paulo, e (2) comparar nossos resultados com os dos referidos autores. Para isso, diferentemente do estudo anterior, as produções reanalisadas foram primeiramente agrupadas por uma sinalizante surda usuária de libras como primeira língua em diferentes variantes lexicais com base em sua iconicidade (motivação) e não na sua semelhança formal. Posteriormente, foram analisados os aspectos fonético-fonológicos variantes e estáveis nas produções de cada variante lexical por meio de sua comparação. Como resultado, observou-se diferença em relação no número de variantes lexicais nos dois estudos, mas semelhanças nos resultados relacionados à variação e à estabilidade fonético-fonológicas.

Resumo para não especialistas

O presente trabalho objetiva, primeiramente, investigar a variação lexical (uso de diferentes palavras para referir-se a um mesmo conceito) e fonético-fonológica (diferentes “pronúncias” de uma mesma palavra” na libras através da reanálise de 22 produções, coletadas por Xavier e P. Barbosa (2014), referentes ao conceito ‘elevador’ de 12 sinalizantes surdos do estado de São Paulo. Em segundo lugar, objetivamos comparar nossos resultados com os de Xavier e F. Barbosa (2017). Para isso, diferentemente do estudo de Xavier e F. Barbosa (2017), as produções reanalisadas foram primeiramente agrupadas por uma sinalizante surda usuária de libras como primeira língua em diferentes variantes lexicais com base em sua iconicidade (motivação) e não na sua semelhança formal (“pronúncia”). Posteriormente, foram analisados os aspectos fonético-fonológicos variantes e estáveis (iguais em todas as produções) nas produções de cada variante lexical por meio de sua comparação. Como resultado, observou-se diferença em relação no número de variantes lexicais nos dois estudos, mas semelhanças nos resultados relacionados à variação e à estabilidade fonético-fonológicas.

Introdução

Os estudos sobre a variação linguística, tanto em línguas faladas quanto em línguas sinalizadas, conforme explica Xavier (2019), mostram que sua motivação pode ser de ordem linguística (ou interna) e/ou social (ou inter-sujeito) e/ou estilística (ou intra-sujeito). O referido autor ainda explica que a variação pode se manifestar em diferentes níveis da organização linguística, a saber, no fonético-fonológico, no morfossintático, no lexical e no discursivo.

A diferenciação entre variações lexical e fonético-fonológica, por exemplo, pode ser entendida como uma variação relacionada à magnitude da unidade linguística variante. Enquanto na variação lexical as variantes correspondem ao uso de diferentes palavras/sinais com o mesmo significado, na variação fonético-fonológica as variantes são sublexicais, ou seja, correspondem a diferentes realizações, no caso das línguas faladas, de vogais, consoantes, e, no caso das línguas sinalizadas, da configuração de mão, da orientação da palma, etc.

Romano e Aguilera (2014), em sua pesquisa acerca da variação lexical no português falado no sul do Brasil, identificaram oito variantes para designar o objeto retratado na Figura 1, a saber, ‘bolinha de gude’, ‘bolita’, ‘búlica/búrica’, ‘bolinha de vidro’, ‘burca/burquinha’, ‘bulica’, ‘quilica/clica’ e ‘peca’.

Figure 1. Figura 1. Objeto cujo nome foi explorado no estudo de variação lexical de Romano e Aguilera (2014) Fonte: https://istoedinheiro.com.br/empreendedores-e-suas-bolinhas-de-gude/

Seu estudo se baseou em um corpus que abrange respostas de 168 informantes naturais de 39 municípios do interior do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, bem como de suas respectivas capitais. Como resultado, Romano e Aguilera (2014) reportam que em Santa Catarina e no Paraná predomina a variante ‘bolinha de gude’ em 44,83% e 42,99% das respostas, respectivamente, enquanto que no Rio Grande do Sul a variante ‘bolita’ foi a mais frequente nos dados (65,15%). A segunda variante lexical mais frequente foi, no Paraná, ‘búlica/búrica’ (21,52%); em Santa Catarina, ‘bulica’ (17,2%); e no Rio Grande do Sul, ‘bolinha de gude’. Na Figura 2, reproduzimos um mapa com a distribuição de sete das oito variantes lexicais levantadas por Romano e Aguilera (2014). A variante bolinha de gude não foi incluída no mapa pelos autores, porque das 42 localidades abrangidas, em apenas oito, ela não foi observada.

Figure 2. Figura 2. Distribuição das variantes lexicais para o conceito investigado por Romano e Aguilera (2014) Fonte: Romano e Aguilera (2014, p. 582)

Embora o trabalho de Romano e Aguilera (2014) não trate também da variação fonológica, pelos dados que eles levantam e documentam, podemos ver sua ocorrência também. Vemos, por exemplo, variação na produção da consoante medial: [l] ‘búlica’ e [r] ‘búrica’; na posição do acento: proparoxítono em ‘búlica’ e paroxítono em ‘bulica’; e no número de sílabas: três em ‘qui.li.ca’ e duas em ‘cli.ca’.

O objetivo deste trabalho é (1) investigar a variação lexical e fonético-fonológica na expressão do conceito ‘elevador’ em libras por meio da reanálise de dados originalmente coletados por Xavier e P. Barbosa (2014) e (2) comparar a análise de um estudo subseqüente realizado por Xavier e F. Barbosa (2017), dois pesquisadores ouvintes e usuários da libras como segunda língua, com os resultados obtidos neste estudo através da análise realizada pela primeira autora, surda e usuária de libras como L1. Para isso, organizamos o presente artigo da seguinte maneira. Na seção 1, sumarizamos os principais pontos do estudo de Xavier e F. Barbosa (2017). Na seção 2, descrevemos nosso método. Na seção 3, apresentamos nossos resultados. Por fim, na seção 4, fazemos algumas considerações finais.

1. Revisão de Literatura

Objetivando mapear os estudos sociolinguísticos sobre a libras, Xavier (2019) realizou uma busca de trabalhos sobre o tema no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES. Para isso, o autor utilizou as palavras-chave “libras+variação+sociolinguística”. Ele reporta ter encontrado duas teses e cinco dissertações. Reporta ainda que 90% delas focam em fatores sociais associados à variação, majoritariamente relacionados à região de origem do sinalizante. No que diz respeito ao nível estrutural em que se manifesta a variação, Xavier (2019) relata que quatro trataram da variação lexical e fonético-fonológica (Temóteo, 2008; Schmitt, 2013; Dantas, 2018; Espíndola, 2018) e três trabalhos se concentraram exclusivamente no nível fonético-fonológico (Andrade, 2013; Silva, 2013; Oliveira, 2017).

Xavier e P. Barbosa (2014) também analisaram a variação fonético-fonológica na produção de 60 sinais da libras. Os autores explicam que selecionaram esses sinais, pois os observaram variando em produções espontâneas na configuração de mão, na orientação da palma, na localização, no movimento, nas marcações não manuais e no número de mãos. A produção isolada desses sinais foi coletada de 12 sujeitos surdos (seis homens e seis mulheres) do estado de São Paulo por meio de estímulos visuais combinados com glosas (Figura 3).

Figure 3. Figura 3. Imagem utilizada por Xavier e P. Barbosa (2014) como estímulo para eliciar o conceito ‘elevador’c Fonte: Xavier e P. Barbosa (2014)

Como resultado, Xavier e P. Barbosa (2014) reportam variação na frequência das variantes de cada sinal em relação aos seis parâmetros fonético-fonológicos considerados. Para alguns casos, como a variação na configuração de mão relacionada ao número de dedos selecionados, os autores consideram a facilidade de articulação como possível explicação para a maior frequência das variantes com menos dedos selecionados. Somando-se a isso, eles reportam também a ocorrência de variação na produção de um mesmo sinal em mais de um parâmetro de forma simultânea ou entre as produções coletadas.

Em um estudo posterior, Xavier e F. Barbosa (2017) reanalisaram seis dos 60 sinais, entre o quais ELEVADOR, originalmente coletados e analisados por Xavier e P. Barbosa (2014). Como se verá nas subseções seguintes, nesse estudo, os autores objetivaram investigar não apenas os aspectos fonético-fonológicos variáveis na produção desses sinais da libras, mas também os estáveis, ou seja, aqueles que se mantêm constantes em todas as realizações consideradas.

1.1. Variabilidade e estabilidade fonológica na Libras

Xavier e F. Barbosa (2017) classificaram os 60 sinais coletados por Xavier e P. Barbosa (2014) com base no número de parâmetros articulatórios (configuração de mão, orientação da palma, localização, movimento, marcações não manuais e número de mãos) nos quais apresentaram variação nas produções dos 12 participantes. Com isso, como se pode ver na Figura 4, os autores identificaram desde sinais que não apresentaram variação (zero) até aqueles que apresentaram, como ELEVADOR, variação em cinco parâmetros.

Figure 4. Figura 4. Número de sinais por número de parâmetros em que sofrem variação Fonte: Xavier e F. Barbosa (2017, p. 990)

A variação no sinal ELEVADOR foi tamanha que Xavier e F. Barbosa (2017) relatam que, numa análise preliminar das suas produções coletadas, chegaram a considerar que cada sinalizante empregou uma forma própria para expressar o conceito ‘elevador’ e que pareciam estar, portanto, diante de 12 variantes lexicais e não de 12 pronúncias diferentes do mesmo sinal. Como se verá a seguir, no entanto, a análise tanto dos aspectos fonético-fonológicos variantes e principalmente dos estáveis nas produções apresentadas na Figura 5 sugeriu seu agrupamento como diferentes realizações ou pronúncias, variantes fonético-fonológicas, de quatro ou três variantes lexicais.

Figure 5. Figura 5. Conceito ‘elevador’ expresso por diferentes sujeitos Fonte: Xavier e F. Barbosa (2017, p. 1000)

1.1.1. Variação fonético-fonológica

Como já dito, nas produções que expressam o conceito ‘elevador’ apresentadas na Figura 5, foi observada variação em cinco parâmetros articulatórios. Na Figura 6, ilustramos a variação em um deles, a saber, na configuração de mão. Nesse caso, vê-se que o sinalizante 1 exibiu na mão ativa do sinal ELEVADOR a configuração em A (1), enquanto o sinalizante 3 exibiu a configuração em = (i)[1].

Figure 6. Figura 6. Exemplos de variação fonológica na configuração de mão na produção de uma das variantes lexicais de ELEVADOR Fonte: Xavier e F. Barbosa (2017, p. 1000)

Além de variação na configuração, observa-se também variação na localização da mão ativa (Figura 7). O movimento realizado duas vezes pelo sinalizante 1 percorre toda a superficie do antebraço e da palma da mão passiva. Na produção do sinalizante 6, diferentemente, o movimento da mão ativa se dá apenas sobre a palma da mão passiva.

Figure 7. Figura 7. Exemplos de variação fonológica na orientação da palma na produção de uma das variantes lexicais de ELEVADOR Fonte: Xavier e F. Barbosa (2017, p. 1000)

Entre as produções apresentadas na Figura 5, veem-se também casos de variação na orientação da palma. O sinalizante 1 orienta a palma da mão passiva para o lado, enquanto o sinalizante 6 a orienta para a frente (Figura 8).

Figure 8. Figura 8. Exemplos de variação fonológica na localização na produção de uma das variantes lexicais de ELEVADOR Fonte: Xavier e F. Barbosa (2017, p. 1000)

Observa-se nas mesmas produções variação no movimento, precisamente na ocorrência de sua repetição ou não. Enquanto o sinalizante 2 apresenta apenas um movimento para cima, o sinalizante 6 move a mão para cima e para baixo duas vezes (Figura 9).

Figure 9. Figura 9. Exemplos de variação fonológica no movimento na produção de uma das variantes lexicais de ELEVADOR Fonte: Xavier e F. Barbosa (2017, p. 1000)

Por fim, na Figura 10 temos um caso de variação no número de mãos. Como se pode ver nas imagens, o sinalizante 5 produziu o sinal ELEVADOR com duas mãos, ao passo que a sinalizante 9 o realizou com apenas uma.

Figure 10. Figura 10. Exemplos de variação fonológica no número de mãos na produção de uma das variantes lexicais de ELEVADOR Fonte: Xavier e F. Barbosa (2017, p. 1000)

1.1.2. Estabilidade fonético-fonológica

Apesar dessa considerável variação fonético-fonológica na expressão de um mesmo conceito, Xavier e F. Barbosa (2017) notaram que alguns aspectos articulatórios se mantêm constantes na produção de conjuntos de sinais. Para evidenciar isso, apresentamos no Quadro 1 uma descrição, nos moldes do que os referidos autores fizeram para outros sinais, de quatro produções que expressam o conceito ‘elevador’. Essas produções, referidas pelo número dos sujeitos da Figura 5, são descritas em relação a sua configuração (CM) e a sua orientação (OR) tanto na mão dominante (md) quanto na mão não dominante (mnd), bem como no que diz respeito à sua localização (LOC), à ocorrência ou não de contato, ao seu movimento (MOV), às suas marcações não manuais (MNM) e ao seu número de mãos (NM).

Figure 11. Quadro 1. Variabilidade, indicada em branco, e estabilidade, indicada em azul, nas diferentes pronúncias de uma das variantes lexicais de ELEVADOR Fonte: Criado com base em Xavier e F. Barbosa (2017)

O Quadro 1 permite mais facilmente a comparação entre as quatro produções e, consequentemente, a identificação dos aspectos fonético-fonológicos variantes e estáveis. Em relação aos primeiros, observam-se diferentes manifestações na configuração de mão, na orientação da mão dominante, na ocorrência de contato e no movimento. Já em relação aos últimos, destacados em azul, vê-se uma certa estabilidade na configuração da mão da não dominante, sempre em B (x); da orientação dessa mesma mão, sempre para o lado; da localização das mãos, sempre no espaço em frente ao corpo do sinalizante, ou seja, no espaço neutro; da ausência de marcações não manuais como bochechas infladas, por exemplo; e, finalmente, do emprego das duas mãos. Cabe ressaltar que estabilidade fonético-fonológica não equivale a dizer que as produções foram realizadas de forma completamente igual. Microvariações, tais como o grau de adução/abdução dos dedos, a distância entre as mãos, etc, são atestadas, mas para fins da análise desenvolvida por Xavier e F. Barbosa (2017) consideradas irrelevantes, uma vez que não parecem afetar a percepção global dos sinais.

1.2. Variação lexical

Por meio da análise da semelhança articulatória, ou, como discutido na subseção anterior, da estabilidade fonético-fonológica observada entre as 12 produções apresentadas na Figura 5, Xavier e F. Barbosa (2017) propõem que elas devem corresponder à realização de três ou quatro variantes lexicais para a expressão do conceito ‘elevador’ em libras (Figura 11).

Figure 12. Figura 11. Diferentes sinais da libras para o conceito ‘elevador’ e suas respectivas variantes fonológicas Fonte: Xavier e F. Barbosa (2017, p. 1.001)

Na Figura 11 acima, essas variantes são indicadas por círculos sólidos de diferentes cores, a saber, azul marinho, vermelho, amarelo e preto, e por um círculo azul claro tracejado. A razão pela qual as produções circuladas em vermelho e amarelo aparecem envoltas do círculo azul claro pontilhado se vincula, de acordo com os autores, à sua semelhança articulatória ser maior do que a observada entre as produções circuladas em azul escuro e preto. Por meio desse recurso, os autores indicam a falta de clareza quanto ao tratamento mais adequado a tais produções, ou seja, como diferentes realizações ou pronúncias de um mesmo sinal, indicado pelo círculo azul claro tracejado, ou de sinais independentes, mas com o mesmo significado (variação lexical), indicados pelos círculos vermelho e amarelo.

2. Método

2.1. Fonte de dados

Com já dito anteriormente, foram reanalisadas produções referentes à expressão do conceito ‘elevador’ em libras. Essas produções foram originalmente coletadas em vídeo por Xavier e P. Barbosa (2014) de 12 sinalizantes surdos (seis mulheres e seis homens) do estado de São Paulo, sendo a maioria residente na capital paulista. Dado que cada sujeito foi solicitado a produzir 60 sinais por três vezes, em ordem aleatória e de forma isolada, o número de produções traduzíveis como ‘elevador’ em português deveria ser 36 (12 sujeitos x 3 vezes). No entanto, alguns dados foram produzidos, resultando em 22 produções.

A seleção de formas referentes ao conceito ‘elevador’ em detrimento dos outros também coletados pelos referidos autores se baseou no fato de que, em estudo posterior desenvolvido por Xavier e F. Barbosa (2017), tais produções já foram analisadas em relação à sua variação lexical e à sua variação e estabilidade fonético-fonológicas, o que permite uma comparação com os nossos resultados, obtidos através de procedimentos metodológicos diferentes. Precisamente, enquanto o agrupamento das produções referentes ao conceito ‘elevador’ em variantes lexicais realizado por Xavier e F. Barbosa (2017), dois pesquisadores ouvintes usuários de libras como segunda língua, se deu com base em sua semelhança formal, nossa reanálise se baseará no agrupamento dessas produções com base na iconicidade (motivação) (Klima e Bellugi, 1979), realizado pela primeira autora deste trabalho, sinalizante surda e usuária de libras como primeira língua.

2.2. Procedimentos de análise

Diferentemente de Xavier e F. Barbosa (2017), a identificação de variantes lexicais, uma etapa anterior à análise da variação fonético-fonológica, seguirá Fischer et al. (2022), que consideraram como critério para determinar se duas produções são diferentes realizações de um mesmo item lexical ou itens lexicais diferentes, a iconicidade (motivação), ou seja, a relação entre a forma do sinal e o significado que expressa (Klima e Bellugi, 1980).

Entretanto, adotaremos aqui os mesmos procedimentos de análise empregados por Xavier e F. Barbosa (2017) no que diz respeito à descrição da variação e à identificação da estabilidade fonético-fonológicas. Precisamente, para a descrição da variação, como ilustramos na Figura 11, as produções serão anotadas em termos da sua configuração (CM) e orientação (OR) da palma tanto da mão dominante (md) quanto da mão não dominante (mnd), da sua localização (LOC), do seu movimento (MOV), das suas marcações não manuais (MNM), do seu número de mãos (NM) e da ocorrência ou não de contato (CONT) entre a mão dominante e alguma outra parte do corpo, incluindo a mão não dominante. O diagrama na Figura 12 a seguir sintetiza nossos procedimentos analíticos.

Figure 13. Figura 12. Procedimentos de análise baseados em Fischer et al. (2022) e Xavier e F. Barbosa (2017) Fonte: Elaborada pelos autores (2023)

3. Resultados

3.1. Variação lexical

A reanálise das 22 produções originalmente coletas por Xavier e P. Barbosa (2014) nos levou a excluir 11 produções: 3 compostos e 8 produções que apresentaram variações fonético-fonológicas muito sutis. A exclusão dos primeiros se deveu ao fato de que algumas partes dos compostos apareceram isoladamente. Já a exclusão dos últimos seguiu a mesma justificativa apresentada por Xavier e F. Barbosa (2017), de acordo com quem detalhes articulatórios finos não afetam a percepção global dos sinais, logo são irrelevantes para o tipo de análise que se pretende fazer aqui. Como resultado, nos concentramos em 11 produções agrupadas, com base em sua iconicidade, em cinco variantes lexicais, designadas doravante como ELEVADOR-1, ELEVADOR-2, ELEVADOR-3, ELEVADOR-4 e ELEVADOR-5.

A forma do sinal ELEVADOR-1, por exemplo, remete às portas e à subida da cabina do elevador (Figura 13). A forma do sinal ELEVADOR-2, por sua vez, representa o piso, a parede traseira e a subida da cabina (Figura 14). Já a forma do sinal ELEVADOR-3 se refere à forma da cabina, à parede lateral e à subida da cabina (Figura 15). A forma do sinal ELEVADOR-4 representa a porta do elevador e a parede lateral (Figura 16). Por fim, a forma do sinal ELEVADOR-5 remete à parede e à subida da cabina e, ao mesmo tempo, à letra inicial da palavra ‘elevador’ do português (Figura 17).

Figure 14. Figura 13. Sinal ‘ELEVADOR-1’ referente às ‘portas’ e à subida da cabina, elaborados pelos autores (2023)

Figure 15. Figura 14. Sinal ‘ELEVADOR-2’ referente ao piso, à parede e à subida da cabina, elaborados pelos autores (2023)

Figure 16. Figura 15. Sinal ‘ELEVADOR-3’ referente à forma da cabina, à parede e à subida da cabina, elaborados pelos autores (2023)

Figure 17. Figura 16. Sinal ‘ELEVADOR-4’ referente à forma da cabina, à parede e à subida da cabina, elaborados pelos autores (2023)

Figure 18. Figura 17. Sinal ‘ELEVADOR-5’ referente à subida da cabina com a letra “E” como empréstimo linguístico, elaborados pelos autores (2023)

Comparando a classificação feita por Xavier e F. Barbosa (2017), repetida na Figura 18a, das produções analisadas em quatro ou três variantes lexicais com a classificação proposta neste trabalho, apresentada na seção 3.1 e ilustrada na Figura 18b, observamos uma diferença no número de categorias. Enquanto Xavier e F. Barbosa (2017) propuseram, com base na semelhança formal, quatro (ou três) variantes lexicais, em nossa análise, que parte da iconicidade de cada forma, propusemos cinco variantes lexicais.

Figure 19. Figura 18. Diferentes sinais para ‘elevador’ e suas respectivas variantes, elaborados pelos autores (2023)

3.2. Variação e estabilidade fonético-fonológicas

No Quadro 2, são apresentadas as duas realizações do sinal ELEVADOR-1. Nesses dados, são estáveis a configuração de mão (CM) da mão dominante (MD), sempre em B (x), a locação (LOC) no espaço neutro, no movimento (MOV) e no número de mãos (NM): a md está sempre presente. Essa estabilidade reforça a análise baseada na iconicidade apresentada na seção anterior e de acordo com a qual todas as produções em discussão, apesar da variação formal, são diferentes realizações do mesmo sinal e não sinais independentes. Entre os aspectos variantes, observamos diferentes realizações da OR de ambas as mãos, nas marcações não manuais (MNM), no número de mãos (NM) e na ocorrência de contato (CONT).

Figure 20. Quadro 2. Variabilidade e estabilidade nas diferentes pronúncias do sinal ELEVADOR-1 elaborado pelos autores (2023)

Diferentemente do Quadro 2, os dados no Quadro 3, que apresentam as duas produções do sinal ELEVADOR-2, revelam uma predominância de estabilidade nas diferentes pronúncias. Observa-se estabilidade na produção da CM (w) da MD e da mão não dominante (MND) (x); a orientação da palma da md, sempre voltada para baixo; na LOC no espaço neutro; no MOV retilíneo para cima na md; na ausência de MNM; NM, sempre dois, e na realização do CONT. A única variação ocorre na OR da MND.

Figure 21. Quadro 3. Variabilidade e estabilidade nas diferentes pronúncias do sinal ELEVADOR-2 elaborado pelos autores (2023)

Os dados do Quadro 4 se referem às cinco produções do sinal ELEVADOR-3. Semelhantemente ao sinal ELEVADOR-2, observa-se estabilidade na maior parte dos parâmetros. Precisamente, vê-se em todas as produções a MND com CM em B (x) e com OR para frente, a LOC no espaço neutro, o MOV retilíneo para cima, ausência de MNM e constante emprego das duas mãos (NM). Os únicos aspectos fonético-fonológicos variantes foram observados na CM da MD, que apareceu em A (1) ou em = (i), na OR dessa mesma mão, lateral para baixo ou exclusivamente lateral, e na ocorrência ou não de CONT.

Figure 22. Quadro 4. Variabilidade e estabilidade nas diferentes pronúncias do sinal ELEVADOR-3 elaborado pelos autores (2023)

A análise da variação e da estabilidade fonético-fonológica não pôde ser feita para as variantes lexicais ELEVADOR-4 (Quadro 5) e ELEVADOR-5 (Quadro 6) em razão de só ter sido identificada uma produção de cada entre os dados.

Figure 23. Quadro 5. Variabilidade e estabilidade nas diferentes pronúncias do sinal ELEVADOR-4 pelos autores (2023)

Figure 24. Quadro 6. Variabilidade e estabilidade nas diferentes pronúncias do sinal ELEVADOR-5 elaborado pelos autores (2023)

Apesar disso, concluímos que, a despeito das diferenças metodológicas entre o presente estudo e o de Xavier e F. Barbosa (2017), uma combinação de fatores – iconicidade e semelhança formal – pode contribuir para a distinção, nem sempre clara, entre diferentes realizações de um mesmo sinal (variação fonético-fonológica) e diferentes itens lexicais que remetem a um mesmo conceito (variação lexical). Como evidenciamos nesta subseção, as diferentes realizações de ELEVADOR-1, ELEVADOR-2 e ELEVADOR-3 compartilham entre si não somente a mesma iconicidade, mas também um certo conjunto de aspectos formais que lhes garante uma unidade.

4. Considerações finais

A presente pesquisa objetivou investigar a variação lexical e fonético-fonológica na libras por meio a reanálise de produções referentes ao conceito ‘elevador’ de 12 sinalizantes surdos do estado de São Paulo, originalmente coletadas e analisadas por Xavier e P. Barbosa (2014). Essa reanálise se diferenciou da análise realizada posteriormente por Xavier e F. Barbosa (2017) (1) por partir da iconicidade das formas e não da semelhança formal e (2) por ter sido realizada por uma sinalizante surda usuária de libras como primeira língua.

Os resultados deste estudo divergiram dos reportados por Xavier e F. Barbosa (2017) no que tange ao número de variantes lexicais. Aqui propomos a existência de cinco itens lexicais que expressam na libras o conceito ‘elevador’, enquanto no estudo anterior foram reportados quatro (ou três) variantes lexicais.

Entendemos o uso da iconicidade (motivação) para distinguir diferentes pronúncias de uma mesma palavra, variantes fonético-fonológicas, de diferentes palavras que têm o mesmo significado, variantes lexicais, não se restringe a línguas sinalizadas como a libras. Podemos aplicar esse mesmo critério às línguas orais. Como vimos, nos dados de Romano e Aguilera (2014), foram coletadas as formas ‘búlica’ e ‘búrica’. ‘Búlica’ ou ‘búrica’ designa o buraco feito no chão para a ‘bolinha de gude’ entrar. Muito provavelmente por um processo metonímico tal palavra passou a ser empregada também para designar a bolinha (ou o contrário). Sendo assim, podemos tratar tais formas como diferentes pronúncias da mesma palavra, variantes fonético-fonológicas, uma vez que a motivação para empregá-la para designar bolinhas de gude é a mesma.

Por fim, o trabalho possui uma importante contribuição para o avanço na análise da variação lexical e fonético-fonológica na libras. Primeiramente, porque se soma a outros trabalhos que vêm se baseando na proposta metodológica de Xavier e F. Barbosa (2017) para o estudo da variação lexical e fonético-fonológica em sinais para ‘cores’ (Fischeret al., 2022; Fischer, 2024)e sinais para ‘Youtube’ e ‘Whatsapp(Arzua e Xavier, submetido).Em segundo lugar porque, com base em Fischer et al. 2022, reanalisa dados do trabalho de Xavier e F. Barbosa (2017), empregando a iconicidade e não apenas a semelhança formal como critério para distinguir variantes fonético-fonológicas de variantes lexicais. Com isso, demonstra a necessidade de ir além de critérios puramente formais para o estabelecimento da distinção entre a variação lexical e a variação fonético-fonológica.

Informações Complementares

Conflito de Interesse

Os autores não têm conflitos de interesse a declarar

Declaração de Disponibilidade de Dados

Os dados são oriundos de trabalhos já publicados Xavier e P. Barbosa (2014) e Xavier F. Barbosa (2017).

Pesquisa com Seres Humanos

Não se aplica a este trabalho, pois fizemos uso de dados coletados Os dados são oriundos de trabalhos já publicados Xavier e P. Barbosa (2014) e Xavier F. Barbosa (2017).

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TEMÓTEO, J. G. Diversidade linguístico-cultural da língua de sinais do Ceará: um estudo lexicológico das variações da libras na comunidade de surdos do sítio caiçara. Dissertação (Mestrado), Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2008.

XAVIER, A. N.; BARBOSA, F. V. Variabilidade e estabilidade na produção de sinais da libras. Domínios da Linguagem, v. 11, p. 983-1006, 2017.

XAVIER, A. N.; BARBOSA, P. A. Diferentes pronúncias em uma língua não sonora? Um estudo da variação na produção de sinais da libras. DELTA: Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada, v. 30, p. 371-413, 2014.

XAVIER, A. N. Panorama da variação sociolinguística nas línguas sinalizadas. Claraboia, v. 12, p. 48-67, 2019.

Avaliação

DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2024.V5.N2.ID728.R

Decisão Editorial

EDITOR: Alexandre Melo de Sousa

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-2510-1786

FILIAÇÃO: Universidade Federal de Alagoas, Alagoas, Brasil.

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CARTA DE DECISÃO: O artigo apresenta contribuições relevantes para os estudos linguísticos aplicados às línguas de sinais, especialmente ao investigar a variação lexical e fonético-fonológica na Libras por meio da reanálise de 22 produções referentes ao conceito ‘elevador’. Recomendo a publicação.

Rodadas de Avaliação

AVALIADOR 1: Jair Barbosa da Silva

ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6161-2287

FILIAÇÃO: Universidade Estadual de Campinas, São Paulo, Brasil.

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AVALIADOR 2: Anderson Almeida da Silva

ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4369-4885

FILIAÇÃO: Universidade Federal do Delta do Parnaíba, Parnaíba, Brasil.

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RODADA 1

AVALIADOR 1

2024-03-18 | 07:17 AM

Trata-se de importante trabalho sobre variação lexical e fonético-monológica da Libras, com os seguintes objetivos:

(1) investigar a variação lexical e fonético-fonológica na libras através da reanálise de 21 produções referentes ao conceito ‘elevador’, originalmente coletadas por Xavier e F. Barbosa (2017) de 12 sinalizantes surdos do estado de São Paulo;

(2) comparar nossos resultados com os dos referidos autores.

Considerando que a as línguas de sinais, como porto por Tang e Lau (2012) são línguas novas, a estabilidade linguística é algo ainda em curso. Dessa forma, estudos como o ora proposto têm contribuição em dois caminhos: 1) descrever a língua e si; e 2) mostrar os percursos de variação por que passa a língua, no caso em tela, a Libras.

Destaque-se no artigo a reanálise realizada com a participação de uma pesquisadora surda. O "olhar para língua", Libras, a partir de seus usuários surdos é um diferencia para as pesquisas de descrição linguística. O estudo em pauta demostra isso ao postular que o conceito de ELEVADOR pode ser expresso por 5 variantes lexicais e não por 3 como em estudo anterior (2017) realizado por pesquisadores ouvintes.

No geral o texto encontra-se bem estruturado, com linguagem, metodologia e fundamentação teórica adequados. Sugere-se uma breve revisão no texto, pois há pequenos desvios de linguagem a serem corrigidos.

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AVALIADOR 2

2024-03-22 | 01:14 AM

Há alguns detalhes a serem corrigidos do inglês, no abstract. Erros de ortografia da língua inglesa.

O resumo para não-especialistas não difere do resumo padrão.

No trecho “Enquanto na variação lexical as variantes correspondem a palavras/sinais com o mesmo significado, na variação fonológica as variantes são sublexicais, ou seja, correspondem a diferentes realizações, no caso das línguas faladas, de vogais, consoantes, e, no caso das línguas sinalizadas, da configuração de mão, da orientação da palma, etc.” è necessário diferenciar melhor os tipos de variação, uma vez que não fica claro que na variação fonológica o significado também não exerça alguma relevância para a diferenciação, acredito que é importante pontuar a diferença entre os critérios. Acredito que falta a palavra ‘diferentes’ depois de ‘palavras/sinais’. Rever redação.

Acredito que uma nota de rodapé sobre o que se considera ser uma ‘microvariação’, o texto ganharia em explicitude.

Na seção “Fonte dos dados” eu não inseriria informações sobre dados perdidos, já que a informação não é relevante para a análise.

A referência de Klima e Bellugi é 1979? Ou é 80 mesmo?

Acredito que a análise é bastante interessante pois oferece uma novidade para a análise a distinção da variação lexical em LS não somente a partir de critérios fonológicos, mas também dos mapeamentos icônicos.

Senti falta da teoria que dá suporte a este tipo de análise em que a mão, neste caso, como unidade fonológica, comporta uma significação icônica, mapeando conceitos e não somente combinando fonemas visuais.

Uma outra questão que me ocorre na leitura é sobre uma possível análise das variações nas configurações de mão como consequência dos fenômenos da depicção e demonstração, mormente nas construções classificadoras. O que não invalida a análise lexical, uma vez que classificadores também são itens lexicais, mas talvez menos sujeitos à quantidade de variações observadas. Isto não é uma correção, é somente um comentário.

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RODADA 2

AVALIADOR 1

2024-04-23 | 07:54 AM

Material revisto e ajustado pelos autores proponentes a partir das sugestões dos revisores, logo apto à publicação.

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AVALIADOR 2

2024-04-28 | 01:32 AM

Prezados, estou completamente satisfeito com as respostas oferecidas pelo autor do artigo. Sou de parecer favorável a publicação, após constatado que as revisões e comentários foram aceitas e incorporadas.

Resposta dos Autores

DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2024.V5.N2.ID728.A

RODADA 1

2024-04-22

Respostas ao parecerista Prof. Dr. Jair Silva

Trata-se de importante trabalho sobre variação lexical e fonético-fonológica da Libras, com os seguintes objetivos:

(1) investigar a variação lexical e fonético-fonológica na libras através da reanálise de 21 produções referentes ao conceito ‘elevador’, originalmente coletadas por Xavier e P. Barbosa (2014) de 12 sinalizantes surdos do estado de São Paulo;

(2) comparar nossos resultados com os de Xavier e F. Barbosa (2017).

Considerando que a as línguas de sinais, como posto por Tang e Lau (2012), são línguas novas, a estabilidade linguística é algo ainda em curso. Dessa forma, estudos como o ora proposto têm contribuição em dois caminhos: 1) descrever a língua e si; e 2) mostrar os percursos de variação por que passa a língua, no caso em tela, a Libras.

Destaque-se no artigo a reanálise realizada com a participação de uma pesquisadora surda. O "olhar para língua", Libras, a partir de seus usuários surdos é um diferencial para as pesquisas de descrição linguística. O estudo em pauta demonstra isso ao postular que o conceito de ELEVADOR pode ser expresso por 5 variantes lexicais e não por 3 como em estudo anterior (2017) realizado por pesquisadores ouvintes.

No geral o texto encontra-se bem estruturado, com linguagem, metodologia e fundamentação teórica adequados. Sugere-se uma breve revisão no texto, pois há pequenos desvios de linguagem a serem corrigidos.

Primeiramente, agradecemos a leitura cuidadosa e os comentários gentis e generosos do parecerista. Realizamos uma releitura cuidadosa do manuscrito e acreditamos ter corrigido as falhas identificadas pelo parecerista.

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Respostas ao pareceristas Prof. Dr. Anderson Almeida

Primeiramente, agradecemos a leitura cuidadosa e os comentários gentis e generosos do parecerista. Respostas abaixo:

Há alguns detalhes a serem corrigidos do inglês, no abstract. Erros de ortografia da língua inglesa.

Resumo em inglês revisado e corrigido.

O resumo para não-especialistas não difere do resumo padrão.

Resumo para não especialistas refeito.

No trecho “Enquanto na variação lexical as variantes correspondem a palavras/sinais com o mesmo significado, na variação fonológica as variantes são sublexicais, ou seja, correspondem a diferentes realizações, no caso das línguas faladas, de vogais, consoantes, e, no caso das línguas sinalizadas, da configuração de mão, da orientação da palma, etc.” è necessário diferenciar melhor os tipos de variação, uma vez que não fica claro que na variação fonológica o significado também não exerça alguma relevância para a diferenciação, acredito que é importante pontuar a diferença entre os critérios. Acredito que falta a palavra ‘diferentes’ depois de ‘palavras/sinais’. Rever redação.

Incorporado.

Acredito que uma nota de rodapé sobre o que se considera ser uma ‘microvariação’, o texto ganharia em explicitude.

Optamos por explicar isso no corpo do texto.

Na seção “Fonte dos dados” eu não inseriria informações sobre dados perdidos, já que a informação não é relevante para a análise.

Fizemos uma alteração no texto. Acreditamos que seja importante explicar por que analisamos 21 e não 36 produções (12 sujeitos x 3 repetições).

A referência de Klima e Bellugi é 1979? Ou é 80 mesmo?

É 1979 mesmo.

Acredito que a análise é bastante interessante pois oferece uma novidade para a análise a distinção da variação lexical em LS não somente a partir de critérios fonológicos, mas também dos mapeamentos icônicos.

Senti falta da teoria que dá suporte a este tipo de análise em que a mão, neste caso, como unidade fonológica, comporta uma significação icônica, mapeando conceitos e não somente combinando fonemas visuais.

Optamos, neste artigo, por nos ancorar na definição de iconicidade de Klima e Bellugi (1979), deixando uma discussão mais aprofundada para trabalhos futuros. Contudo, embasamos nossos procedimentos metodológicos relativos ao uso da iconicidade para a diferenciação de variantes lexicais em Fischer et al. (2022).

Uma outra questão que me ocorre na leitura é sobre uma possível análise das variações nas configurações de mão como consequência dos fenômenos da depicção e demonstração, mormente nas construções classificadoras. O que não invalida a análise lexical, uma vez que classificadores também são itens lexicais, mas talvez menos sujeitos à quantidade de variações observadas. Isto não é uma correção, é somente um comentário.

Agradecemos a leitura cuidadosa e os comentários extremamente pertinentes e instigantes. Assim como no caso da iconicidade, optamos por não incluir uma discussão sobre construções classificadoras (apesar de vermos sua total relevância para nossos dados), em razão da sua complexidade. Tratar desse tema poderia, em alguma medida, desviar-nos de nossos objetivos originais.

How to Cite

FISCHER, K.; XAVIER, A. The Lexical and Phonological Variation in Libras in the Expression of the Concept ‘Elevator’. Cadernos de Linguística, [S. l.], v. 5, n. 2, p. e728, 2024. DOI: 10.25189/2675-4916.2024.v5.n2.id728. Disponível em: https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/article/view/728. Acesso em: 13 jul. 2024.

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