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Abstract

Neste artigo buscamos refletir sobre a dimensão política das práticas de produção e de disseminação de conhecimento, com enfoque na esfera acadêmica. A partir do âmbito das políticas linguísticas, debatemos o regime de produção de saberes legitimados, atentando para o papel da língua, especialmente aqueles localizados no Sul Global. O texto enfoca três elementos: (i) Em atenção aos movimentos #Rhodesmustfall e #Feesmustfall (2015-2017), buscamos refletir sobre o modelo de formação no ensino superior na África do Sul, incluindo políticas linguísticas a favor do multilinguismo e da a construção de horizontes que revertam a injustiça epistêmica. (ii) Além disso, em diálogo com o o Plano de Ação de Brasília (PAB) para a promoção, a difusão e a projeção da Língua Portuguesa, enfocamos a internacionalização da língua portuguesa, sinalizando para o papel desempenhado por essa língua em políticas tanto de inclusão, como de exclusão e invisibilização da diversidade cultural e linguística, especialmente na relação Sul-Sul; (iii) Em reconhecimento à importância da autoria na esfera de produção intelectual, discorremos sobre o conceito de lugar de fala e a política de citação com fins de problematizar a centralidade conferida aos pesquisadores, saberes e línguas do Norte, notadamente o inglês, na política de produção e disseminação. Finalmente, argumentamos que uma política que opere a favor da justiça epistêmica deve ser capaz de rever as regras do jogo, atentando para as relações históricas de poder que contribuiram para gerar geopolíticas e economias do conhecimento centrais e periféricas.