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Research Report

Development of a Task to Assess Semantic Coactivation in Portuguese-English-German Multilinguals

Felipe Rodrigues Bezerra

Universidade Federal do ABC image/svg+xml

https://orcid.org/0000-0002-2574-6488

Marina Fernandes Neves Lameira

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https://orcid.org/0000-0003-1937-3408

Pâmela Freitas Pereira Toassi

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https://orcid.org/0000-0003-3273-639X

Maria Teresa Carthery-Goulart

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https://orcid.org/0000-0002-2751-4541


Keywords

Lexical Access
Multilingualism
Semantic Judgment
Interlingual Homographs
Portuguese-English-German Trilinguals

Abstract

Interlingual homographs are words that have identical spelling but distinct meanings between two or more languages. These stimuli are often used to evaluate lexical-semantic processing in bilinguals and multilinguals. However, a challenge in research on this topic is the preparation of the stimulus lists, and there is a lack of materials available to evaluate trilinguals with specific language combinations. The present study aimed to prepare two lists of stimuli containing interlingual homographs between English-German and English-Portuguese to investigate lexical-semantic coactivation using a semantic judgment task. Stimuli were characterized as to their frequency per million, concreteness, and number of letters. Using a 7-point Likert scale, 32 Portuguese-English bilingual individuals judged the semantic association between pairs of English words containing homograph primes and non-homograph primes and non-homograph control primes and non-homograph target words, semantically associated or not with the primes. As a result, we obtained a total of 258 English word pairs, of which: 50% are associated pairs and 50% are semantically unassociated pairs in the English language. Among them, 46 pairs present English-German homograph primes, 40 English-Portuguese homographs, and 162 consist of control pairs (non-homograph primes). We describe the process of preparing the task and make it available for investigation in studies with Portuguese-English-German trilinguals with English as the target language of the task.  The lists can be accessed at: https://osf.io/2a7qm

Resumo para não especialistas

É importante entendermos como duas (bilinguismo) ou mais línguas (multilinguismo) são processadas no cérebro. Este campo de pesquisa é conhecido como Neurociência Cognitiva do Bilinguismo ou do Multilinguismo e requer o preparo de materiais para testar diferentes hipóteses, dentre elas se acessamos uma língua de cada vez ou se todas as línguas conhecidas estão ativas simultaneamente na mente de quem usa duas ou mais línguas. Em muitas destas pesquisas são utilizadas palavras chamadas de “homógrafos interlinguísticos”, que possuem escrita exatamente igual em duas ou mais línguas, mas significados distintos entre elas. Não existem muitos materiais publicados contendo estes tipos de palavras e com medidas de validação em amostras bilíngues e multilíngues, quanto às características psicolinguísticas dos estímulos (ex. tamanho da palavra, frequência em cada língua). Com o intuito de colaborar na resolução deste problema, neste estudo, construímos e avaliamos as características linguísticas de listas de palavras que contém homógrafos interlinguísticos entre as línguas inglês e português e também entre inglês e alemão. As listas poderão ser utilizadas em estudos posteriores com bilíngues e multilíngues que falam estas línguas, facilitando a execução das pesquisas e homogeneizando os materiais de avaliação, o que possivelmente resultará em avanços mais rápidos nesse campo de pesquisa.

Introdução

Com o crescimento do aprendizado de idiomas ao redor do mundo, amplamente influenciado por uma sociedade cada vez mais globalizada, estima-se que aproximadamente metade da população mundial seja bilíngue (Poort e Rodd, 2019b). A partir disso, poderíamos sugerir que o bilinguismo ou multilinguismo não é mais uma exceção, mas uma “nova configuração linguística” da maior parte da população (Auer e Li, 2008). Paralelo a isto, o número de estudos que utilizam participantes bilíngues ou multilíngues também aumentou significativamente, tornando-se necessária a produção e validação de ferramentas adequadas para investigar este fenômeno linguístico (Pinto e Fontes, 2020).

No nível da leitura, a hipótese da coativação lexical vem sendo estudada há mais de 20 anos e traz um grande número de evidências a favor do acesso lexical não-seletivo, em que o falante exposto a uma determinada tarefa ou tipo de estímulo linguístico utiliza de forma involuntária a informação proveniente da língua não-alvo (ex: Lameira et al., 2020; Lameira et al., 2023). Um modelo amplamente citado nos estudos sobre coativação é o BIA+ (Bilingual Interactive activation plus) de Dijkstra e Van Heuven (2002), o qual assume que as informações tanto da L1 (Língua 1) quanto da L2 (Língua 2) são armazenadas em um léxico integrado e são acessadas de forma não-seletiva, ativando ambas as representações lexicais simultaneamente. A maior parte da literatura sobre coativação léxico-semântica foca na influência da L1 sobre a L2 ou vice-versa em amostras bilíngues (Dijkstra et al., 2000; Durlik et al., 2016; Gadelha e Toassi, 2022; Jouravlev e Jared, 2013; Poort e Rodd, 2022; Van Heuven et al., 2008; Zhang et al., 2019). No entanto, com a popularização do multilinguismo, mais recentemente as pesquisas também têm se dedicado a verificar a influência da L1 sobre línguas adicionais (Van Hell e Dijkstra, 2002; Lemhöfer et al., 2004; Pinto e Fontes, 2020; Toassi et al., 2020) e a influência da L2 sobre a L3 (Pickbrenner, 2017; Zhu e Mok, 2018; Limberger 2018; Barcelos e Fontes, 2021; Lameira et al., 2023).

Para investigar a coativação lexical entre línguas no nível da leitura, utilizam-se estímulos que possuem sobreposição ortográfica parcial (ex. false friends) ou mesmo total entre duas línguas ou mais línguas (cognatos idênticos e homógrafos interlinguísticos) que possibilitam avaliar a interação entre elas (De Groot, 2011). No caso dos homógrafos interlinguísticos (HIs), estes compartilham ortografia idêntica entre as línguas, mas não apresentam o mesmo significado. Por exemplo, a palavra “pasta” em inglês é um tipo de comida, já em português é um objeto no qual guardamos documentos. Isto faz com que o mesmo estímulo possua simultaneamente um conteúdo similar (ortográfico) e distinto (semântico) entre as diferentes línguas, sendo assim, um recurso extremamente útil para este tipo de investigação.

Podemos utilizar os HIs por meio da tarefa de julgamento semântico (Hoshino e Thierry, 2012; Poort e Rodd, 2019b; Wu e Thierry, 2010; Zhu e Mok, 2018). Esta tarefa exige que o indivíduo julgue se há ou não associação semântica entre pares de palavras apresentadas de forma sequencial (ex. par associado: cachorro-latido, par não associado: cachorro-celular). A primeira palavra do par (prime) pode ou não ser um HI, que apresenta ortografia idêntica, mas significados distintos entre as línguas alvo e não alvo da tarefa. Já a segunda palavra (alvo ou, em inglês, target), pode estabelecer ou não relação semântica com o prime na língua-alvo da tarefa. Desta forma, nesta tarefa são avaliados dois fatores: o fator “homógrafo” (presença/ausência das palavras homógrafas na posição prime) e o fator “associação” (se o par de palavras apresentadas possui ou não associação semântica entre si).

Como os HIs possuem dois ou mais significados para um mesmo input ortográfico, a exposição conjunta a outra palavra pode gerar ambiguidade linguística, gerando uma possível associação semântica entre o HI e seu par. Podemos utilizar como exemplo o HI “boot”, que significa “bota” em inglês e “barco” em alemão. Ao utilizar o par de palavras “boot-lake” (sendo lake “lago” em inglês), teremos uma associação semântica entre o par se considerarmos o significado da palavra “boot” no alemão, caso contrário, não há associação entre esse par de palavras no inglês. Utilizar pares de palavras que possuem associação semântica na língua não alvo da tarefa gera um conflito semântico para o participante bilíngue/multilíngue, que precisará ser resolvido para responder ao teste, o que não ocorreria sem a presença do segundo estímulo. Este conflito semântico é observado de maneira comportamental, produzindo tempos de reação mais longos e menor acurácia nas condições com HIs e também foi demonstrado em estudos eletrofisiológicos (ex. Lameira et al., 2023).

Entretanto, poucos estudos se propõem a fazer a validação de listas que contenham esse tipo de estímulo (Pinto e Fontes, 2018; Poort, 2019a), o que faz com que os pesquisadores interessados em estudar bilíngues com uma combinação específica de línguas precisem construir seu próprio corpus e validá-lo previamente à sua aplicação, despendendo assim muito tempo com a elaboração do experimento. Especificamente falando do português brasileiro, foram realizados poucos estudos, a saber, alguns que utilizaram HIs para investigar a coativação lexical em bilíngues português-inglês (Gadelha e Toassi, 2022) e multilíngues com L2 inglês e diferentes L3 (Barcelos e Fontes, 2021, Pinto e Fontes, 2020, Pickbrenner et al., 2017). De igual modo, também há poucos estudos com bilíngues inglês-alemão (Von Studnitz e Green, 2002; Lemhöfer e Dijkstra, 2004; Elston-Güttler et al., 2005). Tanto o português quanto o alemão possuem um número considerável de HIs com a língua inglesa e que podem ser explorados para a realização de estudos que avaliam a coativação lexical. Nosso interesse é estudar o acesso lexical e semântico em multilíngues falantes de português-inglês-alemão, como no estudo de Lameira et al. (2023), sendo este o único estudo do qual temos conhecimento que utilizou o paradigma de julgamento semântico com esta combinação de línguas.

1. Presente estudo

O objetivo deste trabalho é elaborar duas listas de estímulos com HIs para estudos com multilíngues português-inglês-alemão. Nosso grupo de pesquisa em específico, utilizará essas listas para compor uma tarefa de julgamento semântico tendo como língua-alvo o inglês (Bezerra et al., em preparação). Nessa tarefa, avaliaremos participantes bilingues e trilíngues cuja L1 é o português brasileiro e estudaremos as seguintes hipóteses: (1) há coativação semântica entre L2 (inglês) e L3 (alemão), similarmente aos achados de Lameira et al., (2023) e (2) a coativação semântica entre L2 e L3 é mais forte quando comparada à coativação entre L1 e L2 (Bruin et al., 2023).

As listas de estímulos aqui elaboradas possuem as seguintes características: lista 1, que contém homógrafos interlinguísticos entre as línguas inglês-alemão (HI-IA) e a lista 2, com homógrafos interlinguísticos entre as línguas inglês-português (HI-IP). Além da elaboração da lista de homógrafos, coletamos informações a respeito da associação semântica entre os HIs e palavras alvo, que serão organizadas e divididas entre pares associados e não associados semanticamente na língua-alvo da tarefa (inglês). Apresentamos também pares controle (sem HIs) associados e não associados semanticamente na língua-alvo da tarefa. Os critérios de controle entre os pares com e sem HIs levaram em conta a frequência de palavra nas três línguas avaliadas, a concretude apenas em inglês e o número de letras (word extension) de cada palavra do par, isoladamente. Além disso, controlamos o grau de associação semântica entre os pares de palavras prime e alvo em todas as condições.

2. Método

Para construir as listas, foram necessárias três etapas, a saber: (1) Pesquisa dos estímulos prime candidatos; (2) Pesquisa dos estímulos-alvo e criação dos pares e (3) validação da associação semântica entre os pares por meio de escala Likert. Todos os pares foram caracterizados quanto às variáveis psicolinguísticas (concretude, frequência e número de letras) dos estímulos com o balanceamento destes parâmetros entre os pares.

2.1. Pesquisa dos estímulos prime

Na primeira etapa, foi realizada a identificação dos estímulos prime para a tarefa que, neste contexto, foram palavras homógrafas (ou seja, com ortografia idêntica entre duas línguas mas significados distintos) entre as línguas inglês-alemão e inglês-português, e seus respectivos controles (palavras que não apresentam sobreposição ortográfica ou semântica com demais línguas). Para este fim, extraímos as palavras duplicadas contidas nas línguas inglês-alemão (ou seja, com ortografia idêntica em ambas as línguas) retiradas da base de dados SUBTLEX-US (inglês) e SUBTLEX-DE (alemão) e entre inglês-português na base Brazilian Portuguese Lexicon (Brysbaert et al., 2011; Brysbaert e New, 2009, Estivalet e Meunier, 2015). Quanto ao controle semântico do prime entre as línguas, com o objetivo de evitar cognatos e palavras com tradução equivalente entre as línguas-alvo e não-alvo, dois pesquisadores realizaram de forma independente uma filtragem manual com auxílio dos dicionários online Collins, Duden, Macmillan e DWDS (Duden, 2022; Harpercollins, 2022; Macmillan, 2022; Dwds, 2023), mantendo assim somente os HIs. Quando houve discordância,um terceiro pesquisador foi consultado, atingindo-se um consenso sobre a adequação do estímulo. Pelo fato de os substantivos na língua alemã serem obrigatoriamente escritos de forma capitalizada, todas as palavras utilizadas no experimento foram apresentadas em caixa alta, para evitar uma possível facilitação na leitura dos participantes falantes do alemão.

Limitações originadas pela dificuldade no controle das variáveis psicolinguísticas na compilação dos estímulos de um corpus levam os pesquisadores a serem mais flexíveis quanto aos critérios de inclusão dos estímulos (Poort e Rodd, 2019b). Considerando esta dificuldade, evitamos ao máximo o uso de palavras com baixa frequência dentro da língua, isto é, frequência por milhão abaixo de 1 nas bases de dados utilizadas para suas respectivas línguas, e com acurácia acima de 85% em tarefas de decisão lexical e nomeação obtidas no English Lexicon Project (Balota et al., 2007). Como o uso exclusivo de apenas substantivos reduziria drasticamente o número de estímulos, optamos por também utilizar outras classes gramaticais em nossas listas. Por fim, para os estímulos controle (palavras em inglês, sem homógrafos no português e alemão, e não cognatas idênticas), foi feito um pareamento a partir da frequência por milhão tanto na língua-alvo inglês quanto nas línguas não-alvo alemão e português, gerando três tipos diferentes de controle:

(1) Controle por frequência no inglês (CFI), palavra não homógrafa em inglês que possui frequência em inglês similar a dos primes homógrafos considerando seu significado na língua inglesa (ex: se a frequência do HI em inglês for 50, a frequência do CFI também será 50);

(2) Controle por frequência no alemão (CFA), palavra não homógrafa em inglês que possui frequência em inglês similar à do prime HI-IA, considerando seu significado na língua alemã (ex: se a frequência do HI-IA em alemão for 120, a frequência do CFA também será 120) e

(3) Controle por frequência no português (CFP), palavra não homógrafa em inglês que possui frequência em inglês similar à do prime HI-IP em português, considerando seu significado na língua portuguesa (ex: se a frequência do HI-IP em inglês for 90, a frequência do CFP também será 90).

O objetivo da presença de dois tipos diferentes de estímulos controle para cada língua foi utilizá-los tanto para obtermos estímulos com frequências similares, tanto intralingual (inglês-inglês) quanto interlingual (inglês-língua não-alvo), e também para desbalancear a quantidade de estímulos, fazendo com que houvesse uma quantidade de estímulos experimentais menor que 50% (neste caso, temos 33,33%), reduzindo assim a possibilidade de o indivíduo perceber o aspecto que está sendo avaliado. Adicionalmente, cabe destacar que não há repetição de estímulos dentro da tarefa, isto é, o mesmo indivíduo não será exposto ao mesmo prime ou ao mesmo alvo duas vezes durante a tarefa. No Quadro 1, apresentamos a organização dos estímulos baseados na frequência do prime em cada língua e ilustramos os exemplos citados anteriormente.

Figure 1. Quadro 1 - Exemplos dos diferentes tipos de controle utilizados na composição das listas. HI-IA = homógrafo interlinguístico inglês-alemão; HI-IP = homógrafo interlinguístico inglês-português; CFI = controle de frequência em inglês; CFA = controle de frequência em alemão; CFP = controle de frequência em português. *Os controles CFI foram construídos tanto utilizando a frequência em inglês dos HI-IA quanto dos HI-IP. No exemplo, podemos ver o CFI em relação ao HI-IA. “ - “ = ausência de frequência em determinada língua.

2.2. Pesquisa dos estímulos-alvo e criação dos pares para validação

Após obtermos os estímulos prime, na segunda etapa identificamos os estímulos-alvo para formar os pares associados semanticamente ou não a seus respectivos primes, com o propósito de construir duas listas de estímulos, cada uma delas tendo 4 condições diferentes: (1) par associado na língua-alvo sem prime homógrafo; (2) par associado na língua-alvo com prime homógrafo (não associado na língua não-alvo); (3) par não associado na língua-alvo sem prime homógrafo e (4) par não associado na língua-alvo com prime homógrafo (associado na língua não-alvo). O Quadro 2 apresenta exemplos das quatro condições, na Lista 1 (coativação inglês-alemão) e na Lista 2 (coativação inglês-português). Exemplos adicionais podem ser vistos no Apêndice 1 e a lista completa pode ser acessada emhttps://osf.io/2a7qm.

Figure 2. Quadro 2: Exemplos dos pares nas 4 condições experimentais para as duas Listas de estímulos. n.a. = não se aplica, pois o prime não é homógrafo. “ + ” = par associado. “ - “ = par não associado. N.H = não homógrafo. H.I = homógrafo interlingual.

Para identificarmos as palavras alvo associadas semanticamente aos primes, utilizamos o site small world of words (Leuven, 2022), que possui dados contendo julgamentos de associação semântica entre pares de palavras realizados por 88,722 participantes na versão em inglês, que posteriormente foram classificados por meio de técnicas estatísticas e matemáticas (De Deyne et al., 2018). Além disso, utilizamos os dicionários online Collins, Duden, Macmillan e DWDS (Duden, 2022; Harpercollins, 2022; Macmillan, 2022; Dwds, 2023), citados na seção 2,1, para escolher as palavras para cada condição do experimento. Desta forma, foram escolhidos os estímulos-alvo associados semanticamente pelo seu significado no inglês, para serem utilizados nas condições 1 e 2, palavras-alvo não associadas por seu significado apenas no inglês para serem utilizadas na condição 3, e palavras-alvo associadas semanticamente pelo seu significado da língua não-alvo (alemão ou português) com a língua-alvo (inglês), porém, não associadas na língua-alvo, sendo este par utilizado na condição 4. As palavras-alvo consideradas “não associadas” (condição 3 e 4) foram escolhidas a partir da sua não associação com o prime e foram pareadas pela concretude, número de letras e frequência similares aos alvos associados.

2.3. Validação da associação semântica entre os pares na língua-alvo (inglês) por meio de escala Likert

Na terceira fase, foi feita a validação da associação semântica das listas de estímulos, com os pares de palavras obtidas nas fases anteriores. O julgamento foi feito por meio de escala Likert de 7 pontos quanto à associação semântica entre os pares na língua inglesa, em que pares julgados como 1 possuíam baixa ou nenhuma associação semântica entre o prime e alvo e os julgados como 7 possuíam alta associação entre o prime e alvo. Os participantes foram orientados a escolher 0, caso não soubessem como julgar um par específico, por não conhecerem uma ou as duas palavras do par. A plataforma utilizada para essa coleta foi o site Psytoolkit (Stoet, 2010; Stoet, 2017) onde os participantes realizaram os julgamentos de maneira remota em seu domicílio com a apresentação das palavras feita unicamente de maneira ortográfica. Previamente ao julgamento, foram realizados 5 trials de treinamento. Para esta finalidade, foram recrutados adultos bilíngues português-inglês que utilizam a língua inglesa diariamente em âmbito profissional ou acadêmico e que não possuem domínio na língua alemã.

Foram elaboradas duas listas com 269 pares cada (538 pares no total) de estímulos primes e alvos candidatos de acordo com o método citado anteriormente nas fases 1 e 2. As duas listas foram julgadas por 24 adultos utilizando uma escala Likert de 7 pontos (17 julgaram a lista 1 e 15 julgaram a lista 2, sendo que 8 indivíduos julgaram ambas as listas porém em dias diferentes). Os voluntários consistiram em 12 homens e 12 mulheres, com média de idade de 37,37 anos (DP=13,10), todos com nível de escolaridade superior, autodeclarados proficientes na língua inglesa e relatando uso frequente (diário) dela em seu meio profissional ou acadêmico principalmente na modalidade de leitura. Os participantes eram professores de inglês em escolas de idiomas, professores de pós-graduação e alunos tanto da graduação quanto da pós-graduação em neurociência da universidade federal do ABC (UFABC).

Consideramos, como nota de corte, média igual ou maior que 4,5 para os pares associados e média menor ou igual a 3,5 para os pares não associados. Excluímos 21 pares com médias entre 3,5 e 4,5 para reduzir a ambiguidade, por considerarmos que a associação semântica desses pares não estava clara o suficiente para os participantes. Também foram excluídos 2 pares em que 4 indivíduos julgaram não conhecer as palavras ou não saber qual a associação entre elas. Por fim, fizemos uma última filtragem na qual excluímos outros 257 pares para a formação final das listas, na qual mantivemos apenas os pares com médias mais próximas aos extremos 1 e 7, por serem mais “fáceis” de ser julgados e não utilizamos pares com primes repetidos, ou seja, se uma palavra prime aparece com um alvo considerado associado, este mesmo prime não irá aparecer com seu par não associado. A repetição do prime pode gerar facilitação, pois ao notar que a palavra já apareceu anteriormente, o participante pode lembrar do seu julgamento e desta vez escolher com mais facilidade a resposta oposta (ex., o prime aparece na condição de par associado primeiro, então na segunda vez que ele aparecer será julgado como não associado e vice-versa).

3. Resultados

Na análise dos dados, optamos pela utilização do teste não paramétrico Kruskall-Wallis por conta da não-normalidade dos dados (p<0,05 no teste Shapiro-Wilk). Além disso, essa análise utiliza a técnica de ranqueamento de dados, substituindo-se a necessidade de utilizar z-score para reduzir a influência dos outliers dentro das análises (essa necessidade ocorreu principalmente pela alta variabilidade da variável “frequência por milhão”.

3.1. Grau de Associação Semântica

As listas finais totalizaram 516 palavras, formando 258 pares (prime-alvo). Destes pares, 138 fazem parte da Lista 1, sendo 50% dos pares prime-alvo associados semanticamente e 50% prime-alvo não associados semanticamente, em que 46 pares têm primes homógrafos interlinguísticos inglês-alemão (HI-IA) e 92 têm primes controle (sem homógrafos), sendo 46 primes controle frequência em inglês (CFI) e 46 primes controle frequência em alemão (CFA). Os demais 120 pares fazem parte da Lista 2, também com metade dos estímulos prime-alvo associados ou não semanticamente, em que 40 têm primes homógrafos interlinguísticos inglês-português (HI-IP), 40 primes CFI e 40 primes controle frequência em português (CFP). Todos os pares considerados associados possuem média de associação entre 5 e 7 e os pares considerados não associados possuem média entre 1 e 2,91. Como esperado, tanto na Lista 1 quanto na Lista 2, houve diferença estatisticamente significativa no grau de associação semântica (teste Kruskal-Wallis, p<0,01). As comparações post-hoc evidenciaram diferença estatisticamente significativa entre os pares sem homógrafos associados e não-associados (condições 1 e 3) e com homógrafos, associados e não-associados (condições 2 e 4), p <0,001.

Na Lista 1, não houve diferença significativa no grau de associação semântica dos pares associados (condições 1 e 2, p= 0,07). No entanto, apesar de numericamente as médias serem muito próximas, houve diferença significativa entre os pares não associados (condições 3 e 4, p=0,002). Analisando separadamente os controles que compõem a condição 3, verificamos que os pares controles CFI não apresentam diferença significativa com os pares HI-IA (p=0,157). Assim, a diferença entre as condições 3 e 4 é explicada pelos pares controles CFA serem significativamente menos associados que os HI-IA (p=0,002).

Na Lista 2, houve diferença significativa entre as condições associadas (1 e 2) p<0,01, na qual o HI-IP é diferente dos controles CFI (p=0,021) e CFP (p=0,019). Não houve diferença significativa entre as condições não-associadas (3 e 4) no teste Kruskal-Wallis (p=0,062). A Tabela 1 descreve o grau de associação entre os pares que compõem a Lista 1 e a Lista 2 e sintetiza as diferenças estatisticamente significativas e que devem ser controladas em experimentos realizados com essas listas. O grau de associação de cada item das listas 1 e 2 (par de palavras) pode ser consultado nos materiais complementares.

Figure 3. Tabela 1: Grau de Associação Semântica das 4 condições experimentais. DP= Desvio-Padrão, CFA= Controle Frequência Alemão, CFI= Controle Frequência Inglês.

3.2. Características dos estímulos prime

Em relação às características dos primes, todas as palavras possuem de 3 a 8 letras, concretude mínima de 1,60 no inglês, acurácia acima de 85% (ambas verificadas por meio do English Lexicon Project), frequência mínima por milhão em inglês 0,31, no alemão 1,14 e no português 0,42. Para analisar os parâmetros na língua-alvo da tarefa (inglês), foram realizadas duas análises OMNIBUS do teste não paramétrico Kruskal-Wallis (uma para cada lista). Em ambas as listas, foram colocadas como variáveis independentes as condições (1 a 4) e como variáveis dependentes a concretude em inglês, a frequência por milhão na língua inglesa e o número de letras (Tabela 2).

O resultado da análise da Lista 1 demonstrou que não houve diferença significativa quanto à concretude (p=0,53), quanto ao número de letras (p=0,37) e quanto à frequência na língua-alvo (p=0,19). Quanto à Lista 2, o resultado da análise mostrou que não há diferença significativa quanto à concretude (p=0,07), ao número de letras (p=0,50) e à frequência (p=0,61).

Como os primes homógrafos também possuíam frequência nas línguas não alvo (alemão e português), foram realizados dois testes não paramétricos de Mann-Whitney para comparar a frequência do prime homógrafo na língua não-alvo (HI-IA ou HI-IP) com a frequência de seus controles (ex. frequência do prime CFA e frequência do prime CFP). O resultado de ambos os testes não demonstrou diferença significativa (lista 1 p=0,97, lista 2 p=0,57), confirmando que estes estímulos estão pareados pela frequência tanto na língua-alvo quanto não-alvo. A média de frequência dos primes HI-IA em alemão foi de 127,57 (DP= 286,81). A média de frequência dos primes HI-IP em português foi de 20,40 (DP= 66,64).

Figure 4. Tabela 2: Características Psicolinguísticas dos estímulos prime. Legenda: DP= Desvio-Padrão Nota: As diferenças não significativas ocorrem pelo uso do teste não paramétrico Kruskall-Wallis que utiliza a técnica de ranqueamento de dados que reduz a influência de outliers no resultado.

3.3. Características dos estímulos-alvo

Quanto às características dos alvos, assim como os primes, estes possuem de 3 a 8 letras e acurácia acima de 85% no English Lexicon Project, com concretude mínima no inglês de 1,25 e frequência mínima por milhão em inglês de 2,47. Realizamos dois testes OMNIBUS não paramétricos Kruskal-Wallis. Em ambas as listas, foram colocadas como variáveis independentes as condições (1 a 4) e como variáveis dependentes a concretude em inglês, a frequência por milhão na língua inglesa e o número de letras (Tabela 3). O resultado da análise da Lista 1 demonstrou que não houve diferença significativa quanto à concretude (p=0,23), quanto ao número de letras (p=0,32) e quanto à frequência na língua-alvo (p=0,97). Quanto à Lista 2, o resultado da análise mostrou que não há diferença significativa quanto à concretude (p=0,10), ao número de letras (p=0,92) e à frequência na língua-alvo (p=0,12).

Figure 5. Tabela 3: Características Psicolinguísticas dos estímulos-alvo. Legenda: DP= Desvio-Padrão Nota: As diferenças não significativas ocorrem pelo uso do teste não paramétrico Kruskall-Wallis que utiliza a técnica de ranqueamento de dados que reduz a influência de outliers no resultado.

4. Discusão

A hipótese da coativação lexical tem sido estudada por meio de tarefas como decisão lexical (Zhu e Mok, 2018; Peeters et al., 2019; Barcelos e Fontes, 2021) e julgamento semântico (Durlik, 2016; Khachatryan, 2018; Lameira et al., 2023), mas há escassez de materiais validados e uma necessidade de padronização (Pinto e Fontes, 2018). Apesar de os HIs serem utilizados com frequência nas pesquisas que estudam a hipótese da coativação lexical em bilíngues e multilíngues, há poucas listas de estímulos disponíveis para experimentos com combinações de línguas específicas (Poort, 2019a). Este trabalho teve como objetivo elaborar uma lista de estímulos que possa ser usada para esta finalidade com trilíngues Português, Inglês e Alemão. A lista e os estímulos estão disponibilizados para utilização em pesquisas, podendo-se optar por usar a tarefa de julgamento semântico, como descrita no presente estudo, ou selecionar alguns pares ou estímulos de interesse para compor outras tarefas. O banco de dados tem a associação semântica de cada par e as características psicolinguísticas de cada estímulo.

Alguns desafios na construção desse tipo de corpus são: (1) Baixo número de homógrafos interlinguísticos entre determinadas línguas; (2) Dificuldade em controlar adequadamente todos os aspectos psicolinguísticos como número de letras, concretude e classe gramatical; (3) Variabilidade cultural, em que a frequência de uma palavra dentro de uma língua pode ser maior quando comparada a outra, tornando-a mais “difícil” em uma delas e (4) Variabilidade entre os corpus (Toassi et al., 2023).

Como a língua alemã e o português brasileiro compartilham um número considerável de HIs com o inglês, podemos utilizá-los para compreender melhor o processamento léxico-semântico tanto de bilíngues (Von Studnitz e Green, 2002; Gadelha e Toassi, 2022) quanto multilíngues falantes dessas línguas (Barcelos, e Fontes, 2021; Lemhöfer e Dijkstra, 2004). Especificamente falando do português brasileiro, atualmente existem poucos estudos que avaliam participantes multilíngues. Tais estudos geralmente utilizam o inglês como L2 e uma língua europeia como L3 entre elas o italiano (Pinto e Fontes, 2020), o francês (Barcelos e Fontes, 2021) e o alemão, como Toassi et al. (2020), que utilizaram cognatos e Lameira et al. (2023) que utilizaram HIs. Ao compartilhar os estímulos, esperamos facilitar uma quantidade maior de estudos com multilíngues português-inglês-alemão. O alemão é uma língua estrangeira que possui muitos aprendizes no Brasil. Além disso, como língua minoritária, representa uma comunidade importante, especialmente na região Sul e Sudeste (Limberger e Klein, 2021).

Não encontramos estudos que aplicaram a tarefa de julgamento semântico utilizando simultaneamente homógrafos interlinguísticos inglês-alemão (HI-IA) e inglês-português (HI-IP) em brasileiros multilíngues falantes de português-inglês-alemão. Visando a estudar este tipo de amostra, construímos, avaliamos e disponibilizamos duas listas de estímulos contendo HI-IA e HI-IP. Além disso, coletamos informações sobre associação semântica entre pares de palavras tanto no nível intralingual (inglês-inglês) quanto interlingual (inglês-alemão e inglês-português) por meio de pares contendo estes homógrafos. Desta forma, este trabalho traz uma contribuição metodológica para o estudo da coativação lexical de falantes destas três línguas. Algumas limitações do presente estudo foram: a diferença no grau de associação entre pares com e sem homógrafo; o uso de diversas classes gramaticais e a alta dispersão da frequência por milhão principalmente nos estímulos prime, não permitindo um pareamento perfeito das listas e requerendo controle estatístico ainda mais rigoroso. Devido à alta complexidade dos estímulos interlinguísticos, controlar todas as variáveis psicolinguísticas e em especial a frequência é uma tarefa árdua. Alternativas precisam ser utilizadas a fim de evitar uma redução drástica no número de estímulos, o que acaba flexibilizando os critérios de inclusão e por consequência, afetando negativamente o controle estatístico. Como perspectivas futuras, pretendemos utilizar como medida de frequência para comparação de dados de diferentes corpora, a escala logarítmica Zipf (Van Heuven et al., 2014).

As listas desenvolvidas e compartilhadas por meio deste estudo estão sendo utilizadas em um experimento (Bezerra et al., em preparação), que dá continuidade aos estudos do nosso grupo de pesquisa a respeito dessa temática (Lameira et al., 2023). Com estes estímulos, podemos estudar a hipótese da coativação lexical e semântica considerando a língua materna e estrangeira (L1-L2); em duas línguas adicionais (L2-L3); a influência da L1 e da L3 sobre a L2 (em participantes com L2 inglês e L3 alemão) e a influência da L1 e da L2 sobre a L3 (em participantes com L2 alemão e L3 inglês). Entretanto, os HIs também podem ser utilizados para outras finalidades como o estudo dos processos de tradução (Freitas, 2023) ou sua influência no contexto de sentença (Elston-Güttler et al., 2005; Toassi et al., 2020).

Por fim, o presente trabalho propõe que sejam realizadas mais pesquisas de normatização e validação de estímulos linguísticos, com a disponibilização dos materiais para a comunidade científica, a fim de facilitar as pesquisas sobre o processamento léxico-semântico em multilíngues, especialmente em populações pouco ou ainda não estudadas.

Agradecimentos

Agradeço à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) por financiar este trabalho e a todos os envolvidos direta ou indiretamente na sua execução.

Informações Complementares

Conflito de Interesse

Os autores declaram que não têm interesses financeiros concorrentes conhecidos ou relacionamentos pessoais que possam parecer influenciar o trabalho relatado neste artigo.

Declaração de Disponibilidade de Dados

O material suplementar contendo a base de dados pode ser acessado em https://osf.io/2a7qm. O material suplementar contém as duas listas de estímulos produzidas a partir do método utilizado no presente artigo juntamente com suas análises estatísticas.

Pesquisa com Seres Humanos

Projeto aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Federal do ABC (CAAE: 43386215.9.0000.5594). Os participantes preencheram um termo de consentimento livre e esclarecido de maneira remota.

Fonte de Financiamento

Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Referências

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Apêndice

Figure 6. Apêndice 1: Exemplos dos itens que compõem as condições 1 a 4 das Listas 1 e 2. CFA - controle de frequência em alemão. CFI = controle de frequência em inglês. CFP - controle de frequência em português. HI-IA = homógrafo interlinguístico inglês-alemão. HI-IP = homógrafo interlinguístico inglês-português.

Avaliação

DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2023.V4.N3.ID695.R

Decisão Editorial

EDITORA: Amanda Post da Silveira

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9451-7005

AFILIAÇÃO: Universidade Federal de Jataí, Goiás, Brasil.

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CARTA DE DECISÃO: O multilinguismo faz parte de grande parte do mundo em que vivemos. No entanto, os mecanismos de representação e ativação do conhecimento linguístico no uso da língua, na troca de códigos, no reconhecimento lexical e na produção lexical, quer em estudos de laboratório, quer em ambientes reais de interação, estão apenas começando. para ser estudado e compreendido. Agradeço aos revisores e aos autores pelo seu trabalho em tornar este artigo uma importante contribuição para o conhecimento da coativação semântica na mente de um usuário multilíngue.

Rodadas de Avaliação

AVALIADOR 1: Bernardo Kolling Limberger

ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0192-0397

FILIAÇÃO: Universidade Federal de Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil.

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AVALIADOR 2: Marije Soto

ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4232-265X

FILIAÇÃO: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil.

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RODADA 1

AVALIADOR 1

2023-09-15 | 00:45

O estudo "Elaboração de uma tarefa para avaliar a coativação semântica em multilíngues português-inglês-alemão" teve como objetivo elaborar duas listas de estímulos contendo homógrafos interlinguísticos entre as línguas Inglês-Alemão e Inglês-Português para investigar a coativação semântica-lexical por meio de uma tarefa de julgamento semântico. O objetivo foi atingido, mas sugerimos uma pequena reformulação: "descrever e analisar o processo da elaboração ...". Os pontos fortes do artigo são a sua originalidade, a sua relevância para a psicolinguística do multilinguismo no Brasil e o rigor metodológico. Sugerimos que os autores apresentem na introdução mais detalhes (por exemplo, a hipótese) do estudo experimental que motivou a elaboração da tarefa, pois isso facilitará a compreensão. Além disso, a discussão poderia ser um pouco mais aprofundada, inserindo talvez os desafios da construção da tarefa e recomendações para estudos posteriores. Dessa forma, ficará mais evidente o impacto do trabalho para a área de conhecimento e a utilidade do estudo. O estudo oferece uma contribuição relevante para a área de multilinguismo no Brasil, porque descreve e analisa a seleção de estímulos para uma tarefa de julgamento semântico para multilíngues. A seleção de estímulos para essas populações é altamente desafiadora e, quanto mais estudos exporem os seus critérios e as suas justificativas, melhor pode se tornar o processo. A estrutura do relato da pesquisa cumpre com as exigências para a sua publicação, mas especialmente a discussão poderá ser aprofundada. O manuscrito poderá ser útil para psicolinguistas brasileiros ou estrangeiros.

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AVALIADOR 2

2023-10-30 | 05:54

This study presents an important methodological contribution by elaborating two bilingual lexical stimulus lists: one in Portuguese-English, and the other in German-English. The lists consists of potential stimuli for experiments of bilingual priming, during which bilingual participants engage in tasks such as semantic judgment or semantic categorizing, under the effect of priming. In the experimental paradigm of priming, researchers manipulate the relation between a word that is present first (i.e. the prime) and a word that is presented subsequently (i.e. the target). More specifically, the authors aim to examine the relationship between homographs, such as the English word 'boot' ('bota' in Portuguese), which is a homograph in German ('barco' in Portuguese). This word can then presented within an English semantically related priming pair, 'boot-shoes', as well as an unrelated pair in English ('boot-lake'), which at the same time is a possibly cross-linguistically related pair in German-English ('boot-lake'). The objective of this type of experimental manipulation is of course to study the dynamics of bilingual lexical processing, which is of great importance in order to better understand vocabulary acquisition in bilingual children, the loss of language in bilingual aphasics, or additional language learning. The authors present a methodologically sound procedure for compiling these type of stimuli, carefully controlling influential variables and possible confounds in lexical processing, such as frequency (in all languages), number of letters, concreteness and associative strength between the semantically related pairs. I applaud their scientific rigor and recommend that the authors continue data collection, ever increasing the number of participants, thus, consolidating this study as a normative source for bilingual studies.

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RODADA 2

AVALIADOR 1

2023-12-11 | 17:04

A versão final do artigo atende as expectativas.

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AVALIADOR 2

2023-12-21 | 08:07

Os autores incorporaram várias explicações que dão melhor embasamento às hipóteses propostas.

Resposta dos Autores

DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2023.V4.N3.ID695.A

RODADA 1

2023-11-28

Foram aceitas todas as correções ortográficas sugeridas pelos pareceristas;

Mencionado em 2.1 o uso de diferentes classes gramaticais;

Termo “trilíngues” substituído por “multilíngues”;

Acrescentada na introdução a citação sugerida (AUER, LI 2008) e incluída nas referências;

Incluída na sessão 1 a hipótese do experimento posterior;

Justificativa do uso das três línguas escolhidas (português-inglês-alemão) incluída na introdução;

Explicação a respeito da dificuldade na compilação de estímulos para compor o corpus incluída em 2.1;

Incluída explicação mais detalhada a respeito dos tipos de estímulos prime controle e homógrafos mencionados na sessão 2.1, também incluído um quadro (quadro 1) como foi sugerido;

Citada a fonte dos dados obtidos pelo Small world of words por meio do estudo de: DE DEYNE,S et al 2018 na sessão 2.2;

“Pane (PB), Panne (alemão) não seria falso cognato, sugiro explicar as diferenças nesses casos” – foi mencionado anteriormente na introdução que os homógrafos interlinguais possuem escrita idêntica em ambas as línguas, logo, havendo diferença de um único caractere já não pode ser considerado como homógrafo interlinguístico;

Mencionado em 2.1 a não repetição de estímulo aos participantes;

Explicação do uso de teste não paramétrico e valores não significativos na sessão 3;

Calculo de concretude citado que foi obtido pelo English Léxicon Project na sessão 3.2;

Na introdução e discussão foram acrescidos mais conteúdos para melhor compreensão teórica do fenômeno;

Ao longo do texto foram retomados os significados das siglas dos estímulos para maior compreensão.

How to Cite

BEZERRA, F. R.; LAMEIRA, M. F. N.; TOASSI, P. F. P.; CARTHERY-GOULART, M. T. Development of a Task to Assess Semantic Coactivation in Portuguese-English-German Multilinguals. Cadernos de Linguística, [S. l.], v. 4, n. 3, p. e695, 2023. DOI: 10.25189/2675-4916.2023.v4.n3.id695. Disponível em: https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/article/view/695. Acesso em: 28 feb. 2024.

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