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Theoretical Essay

How Much Is It Worth to Be a Subject?: Effects of Subject on the Constitution of the Archive of/in X

Thiago César da Costa Carneiro

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https://orcid.org/0000-0001-9631-3981

thiago.costacarneiro@ufpe.br


Keywords

Archive
Subject
Reading
X
Grok

Abstract

In this work, which is part of the theoretical-methodological-analytical framework of Pecheuxtian materialist discourse analysis, I aim to comparatively analyze the functioning of automated discourses linearized by Grok, X's artificial intelligence, with a view to questioning the imaginaries (re)produced about the subject-user and their sustaining effects. To this end, I start with the statement-command “What is dictatorship?” asked under different circumstances: in a personal profile and in a profile created for research, using both the free and paid versions of X. From a theoretical point of view, I mobilize notions such as archive and subject, which guide the way the corpus is viewed, articulating theoretical notions with analytical reflections. Throughout the analyses, I identify that Grok makes distinct gestures of reading about the subject-user and about the archive it mobilizes for the statement-command, in order to strain the limits of repetition and paraphrase in its formulations.

Resumo para não especialistas

Neste trabalho, objetivo analisar como o Grok, inteligência artificial do X, responde à pergunta “O que é ditadura?”. Para isso, organizo os dados gerados pelas versões paga e gratuita do X e também pelo dispositivo em que foi feita a busca. Na análise dos dados, encontro três formas possíveis de o Grok responder: a primeira é a extensão das respostas; a segunda é a paráfrase (isto é, diz-se o mesmo de outra forma); e a terceira é a repetição. Essas três formas indicam como o Grok compreende o que se pergunta.

No principio, eram os dados

Constituindo-se como uma mídia social digital, o X – nomeação que hoje se dá ao que conheci como Twitter, trata-se de um site/aplicativo muito utilizado por sujeitos de diversas filiações ideológicas, com o objetivo de interagir com outros sujeitos, ou de falar sobre questões próprias dentro de alguns caracteres. Sua fama, no Brasil, teve início por volta dos anos de 2010 e subsequentes, sendo explicado por enunciados como “microblog”. A designação em questão, afetada ideologicamente, produz-se como um deslizamento de sentido, nos termos de Pêcheux ([1969] 2019), de blog, meio pelo qual sujeitos que se utilizavam da internet nos anos 2000 escreviam sobre assuntos diversos. Os blogs se constituíam como uma das formas mais produtivas de estabelecer interlocução com outros sujeitos, o que, se pensarmos no X hoje, se assemelha de determinada forma.

A mudança de Twitter para X não se formula, tomando a espessura da linguagem, apenas como uma substituição sinonímica, em que um é tomado pelo outro, estando numa relação de paráfrase. Conjugar essa troca no âmbito da Análise de Discurso materialista de orientação pecheuxtiana, dispositivo teórico-metodológico em que essa pesquisa se insere, implica dar conta das condições de produção, tanto em sua forma imediata quanto histórica. E pensar as condições de produção implica considerar a relação contraditória entre linguagem e história. A troca de nome se deu em função da venda do Twitter para o bilionário Elon Musk, cujo processo financeiro decorreu por semanas, com idas e vindas, novas decisões, questões que se apresentaram às mídias sociais digitais como um dos tópicos sobre os quais se falava constantemente.

Após a concretização da venda do Twitter, tornando-se X, o site/aplicativo passou por uma série de mudanças, as quais, no objetivo técnico, visavam à sua melhoria, implementando novas formas de interação do sujeito com a máquina. Essas alterações apontavam para um discurso do progresso, de que a atualização representaria, sempre, um avanço. Empiricamente, os sujeitos, utilizando-se do site/aplicativo, passaram a discordar das atualizações, especialmente sobre o sistema de recomendação de conteúdos, que sugeria publicações diversas, como o é no TikTok por exemplo, em que a página inicial é a For You, a qual sugere conteúdos similares aos que o sujeito já assiste, ou recomenda outros que possam ser produtivos.

A questão da produtividade esbarra em um efeito interessante discursivamente: ao apresentar para o sujeito conteúdos relevantes para ele, o sujeito, consequentemente, passaria mais tempo nas telas, assistindo a vídeos, lendo publicações. Esse funcionamento técnico das mídias sociais digitais está respaldado no fato de que, a cada visualização ou a cada segundo de tempo de tela, as grandes empresas, responsáveis pelas mídias sociais digitais, recebem maior retorno financeiro. Quanto mais visualiza, mais se pode mostrar publicidades, mais se pode vender[1].

Dentre as atualizações no X, tem-se o Grok, inteligência artificial do X. Do ponto de vista técnico, o Grok tem duas principais funções, que se assemelham ao funcionamento de outras inteligências artificiais generativas, como o ChatGPT. Em primeiro lugar, há uma aba no X própria do Grok, por meio da qual os sujeitos podem abrir uma conversa com a IA e fazer perguntas ou dialogar; o outro funcionamento está no fato de que o Grok funciona como um perfil no X. Em outras palavras, muitos sujeitos no X marcam o Grok em publicações diversas e pedem, por exemplo, para verificar se aquela informação é verdadeira, ou pedem que explique novamente o que foi dito em outros termos. Até então, um uso que pode auxiliar o sujeito com práticas diversas.

Além disso, após o processo de atualização do X, o site/aplicativo passou a ter uma versão paga, nomeada X Premium, com a qual se poderia ter direito a outros benefícios, como utilizar mais caracteres na escrita (já que o Twitter originalmente só permitia 140 caracteres), ter o selo de verificado, não ter tantas propagandas no feed, dentre outras. No Grok, o X Premium permitiria um maior refinamento das informações, o que, em termos discursivos, atrairia o sujeito para a assinatura.

Tendo isso em vista, nas leituras que tenho feito, a questão que se mostra como central tem feito se articularem duas noções: sujeito e arquivo. Justifico essa tomada de posição teórico-analítica por perceber que o sujeito nas mídias sociais digitais se subjetiva de uma outra forma (Gallo, 2019) e por compreender que a noção de arquivo, e de acesso ao arquivo, é tensionada de forma que se produz uma ilusão de tudo poder acessar e tudo poder ler nas redes (Grigoletto, 2017). Portanto, neste trabalho, objetivo analisar comparativamente o funcionamento de discursividades automatizadas linearizadas pelo Grok, inteligência artificial do X, com vistas a questionar os imaginários (re)produzidos sobre o sujeito-usuário e seus efeitos de sustentação.

Na próxima seção, recorto as noções teóricas a fim de, por meio delas, observar o funcionamento nas discursividades analisadas em seguida.

1. Sujeito, Arquivo, X: uma dispersão supostamente homogênea

Nesta seção, visando ao objetivo delimitado na seção anterior, intento produzir uma mobilização de natureza teórico-analítica em que, por meio do batimento entre descrição e interpretação das materialidades linguístico-discursivas, recorto teorizações do campo da Análise de Discurso materialista de orientação pecheuxtiana, sobretudo as noções de sujeito e de arquivo.

No artigo As massas populares são um objeto inanimado?, Pêcheux ([1978] 2015a) discorre sobre a forma experimental de conceber o movimento de leitura, isto é, entrega-se o mesmo texto, informando que a autoria fosse de economistas de esquerda ou de direita, provocando nos(as) estudantes outros efeitos sobre a leitura. Para Pêcheux ([1978] 2015, p. 255), “O que queríamos determinar era como as palavras, expressões, enunciados funcionavam em cada um dos corpora, com referentes ideológicos e políticos diferentes e eventualmente antagônicos”. Nesse sentido, compreendo que essa forma de conceber o gesto de leitura sobre o corpus aponta para uma questão de natureza experimental.

No campo da Análise de Discurso materialista, há, de maneira recorrente, uma discussão sobre a constituição do corpus, normalmente em sua forma de arquivo. Courtine ([1981] 2014), em sua tese de doutorado, intitulada na edição brasileira como Análise do Discurso Político: o discurso comunista endereçado aos cristãos, apresenta uma proposição acerca da forma do corpus. Segundo o autor,

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[...] [o] Corpus constituído a partir de arquivos (ou “corpora pré-existentes”, conforme o termo de Gardin & Marcellesi, 1974, p. 241)/corpora experimentais (produzidos a partir de pesquisas empíricas por questionário, por respostas a certas regras...). Essa dimensão trata da natureza do modo de produção das sequências discursivas reunidas. Os corpora de segundo tipo são raros em AD. (Courtine, [1981] 2014, p. 58, destaques do autor).

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Seguindo as pistas deixadas por Courtine ([1981] 2014), antes de apresentar a proposta que faço neste artigo, retomo o modo como Pêcheux ([1982a] 2014a) compreende a noção de arquivo. Para Pêcheux ([1982a] 2014a, p. 59),

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[...] a questão da leitura permaneceu quase sempre implícita: há, entretanto, fortes razões para se pensar que os conflitos de explícitos remetem em surdina clivagens subterrâneas entre maneiras diferentes, ou mesmo contraditórias, de ler o arquivo (entendido no sentido amplo de “campo de documentos pertinentes e disponíveis sobre uma questão”). (Pêcheux, [1982a] 2014a, p. 59, destaques do autor).

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Partindo dessa discussão, Romão, Leandro Ferreira e Dela Silva (2011, p. 12) assinalam que “[...] o arquivo se constitui a partir de uma conjuntura sócio-histórica em que certas interpretações podem ser tomadas como únicas pelo efeito ideológico de evidência, enquanto outras precisam ser apagadas, tidas como indesejáveis”. A partir dessa proposição, ao pensar o corpus de arquivo, é necessário admitir que o arquivo não seria um todo, homogêneo, cujo gesto de arquivamento é de natureza unicamente técnica, empírica. Pensar o corpus de arquivo na Análise de Discurso implica considerar a dimensão do não-todo, da incompletude, que também é constitutiva do sujeito e dos sentidos. Nesse sentido, as autoras, tomando o texto de Pêcheux ([1982a] 2014a) como fundamento, questionam: “[...] documentos “pertinentes” para quem e “disponíveis” para quem, em que condições sócio-históricas e ideológicas?” (Romão; Leandro Ferreira; Dela Silva, 2011, p. 13).

A partir desse questionamento, compreendo que as autoras põem em tela a relação do arquivo com a ideologia, fundadora do arquivo. A respeito da ideologia, retomo Pêcheux ([1975] 2014b, p. 139, destaques do autor):

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[...] o caráter comum das estrutura-funcionamento designadas, respectivamente, como ideologia e inconsciente é o de dissimular sua própria existência no interior mesmo do seu funcionamento, produzindo um tecido de evidências “subjetivas”, devendo entender-se este último adjetivo não como “que afetam o sujeito”, mas “nas quais se constitui o sujeito” [...].

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Considerando os recortes teórico acima mobilizados, compreendo que pensar o arquivo, e sua constituição enquanto uma forma de corpus, está ligado a uma forma de funcionamento da ideologia, ou seja, ao mobilizar o dispositivo teórico e o dispositivo analítico, o(a) analista produz sobre o grande arquivo da internet (Romão; Leandro Ferreira; Dela Silva, 2011) um recorte, convocando ao gesto de análise um segmento, que, metonimicamente, produz um efeito sobre a ilusão de completude do arquivo.

Voltando para a citação de Courtine ([1981] 2014), o autor afirma que há uma segunda forma de constituir o corpus, nomeada por ele como corpora experimentais, a qual ele afirma ser uma forma rara na Análise de Discurso. Compreendo, tomando a citação de Courtine ([1981] 2014), que a raridade a que se refere o autor se justifica por serem numerosos os trabalhos em Análise de Discurso que recortam, por exemplo, o discurso político, os discurso sobre o corpo, os discursos jornalísticos, entre outros, que “já estão prontos”, isto é, já foram enunciados em condições de produção específicas e que, no gesto de análise do(a) analista, em outras condições de produção, ou até nas mesmas, são analisados, visando a discutir os efeitos de sentidos produzidos e seus efeitos de sustentação. Nessa perspectiva, ainda que Courtine ([1981] 2014) afirme ser raro em AD, proponho, neste trabalho, fazer um deslocamento das noções apontadas pelo autor, articulando com o que Pêcheux ([1978] 2015a) assegura sobre os gestos de leitura feitos do Relatório Mansholt, tomando como referencial o gesto de composição do corpus deste trabalho, o qual descrevo a seguir.

Para compor o corpus deste trabalho, utilizo-me do Grok, inteligência artificial do X, realizando a seguinte pergunta “O que é ditadura?”. A pergunta feita segue os seguintes direcionamentos: i) no meu perfil pessoal, valendo-me da versão gratuita do X; ii) no meu perfil pessoal, valendo-me da versão paga do X; iii) em um perfil criado para a pesquisa, valendo-me da versão gratuita do X; e iv) em um perfil criado para a pesquisa, valendo-se da versão paga do X. Para fins metodológicos, utilizo-me das seguintes abreviações: DP (Dispositivo Pessoal), DNP (Dispositivo Não Pessoal), G (Gratuito) e NG (Não Gratuito). Antes de dar seguimento à apresentação dos resultados, julgo necessário sustentar teoricamente o que proponho designar como enunciado-comando. No artigo Reflexões sobre a situação teórica das ciências sociais e, especialmente, da psicologia social, Herbert/Pêcheux ([1966] 2015) faz menção a algumas noções, das quais destaco duas: a prática técnica e a demanda/comanda social. A respeito da prática técnica, o autor sinaliza que esta se funda como necessidade externa à própria prática, isto é, responde a uma demanda social que requer a prática técnica. Em suas palavras,

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As práticas técnicas, dissemos, recebem demandas às quais elas fornecem respostas: a interdeterminação aqui é flagrante. Com efeito, as práticas técnicas são determinadas, uma vez que elas recebem de algum lugar uma demanda, e determinantes de vez que é o leque das respostas possíveis por elas propostas que torna possível a existência da demanda. (Herbert/Pêcheux, [1966] 2015b, p. 34).

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Nesse sentido, observo que, fora do campo discursivo-materialista, especialmente no escopo da ciência da computação, utiliza-se a designação prompt para se referir à orientação dada às inteligências artificiais generativas para a realização de atividades diversas, designação que tem sido retomada em diversas áreas do conhecimento. Ainda que produtiva, entendo ser preciso um deslocamento da noção de prompt para fazer trabalhar esse efeito na Análise de Discurso materialista de orientação pecheuxtiana. Em vista do que retomo acima de Herbert/Pêcheux ([1966] 2015), entendo que o prompt funciona sob a forma de um enunciado dirigido às IAs generativas a fim de responder à demanda/comanda do sujeito. Dessa forma, o enunciado se caracteriza como uma forma de o sujeito, duplamente determinado pela ideologia e pelo inconsciente, demandar, comandar à máquina uma tarefa a ser realizada. Assim, se constituindo com uma prática técnica, as IAs generativas respondem à demanda/comanda do sujeito, materializada em um enunciado, atendendo à forma como o seu processo de (retro)alimentação de dados que “[...] vem preencher um desejo, uma falta, uma demanda que se define fora da própria prática técnica” (Herbert/Pêcheux, [1966] 2015b, p. 28). Assim, no enunciado-comando, materializa-se o imaginário do sujeito-usuário pelo funcionamento do ideológico, e, consequentemente, do capital nas práticas discursivas, justamente por se caracterizar como prática técnica de suposta resolução da demanda/comanda social em uma necessidade-criada no modo de produção capitalista.

A seguir, apresento, na Tabela 1, os resultados gerados a partir do enunciado-comando.

Figure 1. Tabela 1. Corpus empírico. Fonte: O autor (2025) a partir de dados gerados pelo Grok.

Antes de dar início ao gesto de leitura deste corpus, passo à descrição do material. De maneira generalista, por partir de um enunciado-comando que busca a definição de um significante, sem delimitar outros fatores condicionantes ao que se espera da resposta, o Grok apresenta textos que se assemelham a verbetes de dicionário, em que se apresenta uma definição normalmente iniciada pelo verbo de ligação “é” seguido de predicativos que caracterizam o sujeito oracional. Também comparecem, nas respostas, exemplos do que pode ser caracterizado como ditadura e, nas versões pagas do DP e do DNP, aparecem principais características de sistemas ditatoriais. A definição, ao longo das respostas, se repete, podendo ser retomada, de maneira parafrástica, como “Ditadura é um regime político autoritário em que o poder é concentrado em uma pessoa, grupo ou instituição, geralmente sem respeito às liberdades democráticas.”. A partir dessas definições, outros enunciados são linearizados, produzindo outros efeitos de sentido. Saliento que o DP é um perfil de minha propriedade há alguns anos e é de uso exclusivo, à medida que o DNP foi criado unicamente para a realização da pesquisa, não havendo dados de navegação no X registrados como no DP.

A fim de proceder ao gesto de interpretação proposto neste trabalho, produzo um recorte (Orlandi, 1984), a partir de diferentes movimentos possíveis de leitura. Cada recorte feito será um tempo de análise

No primeiro tempo de análise, o primeiro recorte trata-se de leitura comparativa entre as versões gratuitas do DP e do DNP. Em primeiro lugar, destaco a extensão dos textos. No DP, a resposta oferecida pelo Grok é mais ampla, detém outros elementos linguístico-discursivos que não são apresentados no DNP, e é sobre esses elementos que encaminho a minha análise. Destaco, a seguir, as seguintes sequências discursivas, entendidas como “[...] sequências orais ou escritas de dimensão superior à frase [...]” (Courtine, [1981] 2014, p. 55):

SD 1 – DP – G: O governo ditatorial não costuma permitir oposição política significativa, eleições livres ou participação popular genuína na tomada de decisões. [...] Augusto Pinochet no Chile (1973-1990). Se quiser detalhes sobre algum caso específico ou aspecto, é só pedir!

SD 2 – DNP – G: [...] Hitler na Alemanha nazista.

Com os recortes acima, no plano descritivo, observo que, no DP, o Grok sugere detalhes que não constam na resposta do DNP, apresentando uma descrição mais específica sobre o que é ditadura, por meio do enunciado “O governo ditatorial” com predicação que se liga ao efeito de sentido dominante sobre o que seria a ditadura. Ao final da resposta, destaca que o período de Pinochet, no Chile, caracteriza-se como um governo ditatorial. Em contrapartida, no DNP, o único acréscimo feito à resposta diz respeito ao período em que Hitler comandava o Partido Nazista na Alemanha.

Ao olhar, então, para essas SDs, considerando-os por suas espessuras materiais, entendo que neles intervém a materialidade técnica como produto do real da história (Mittmann, 2023), isto é, no DNP, em que não há dados de navegação subsidiando o controle dos/pelos algoritmos, o Grok aponta para um efeito dominante em uma formação social capitalista. Explica-se, de maneira similar a um verbete, o que é ditadura, para, em seguida, recortando a história política, mencionar, como forma diferencial, o regime nazista na Alemanha. Esse efeito exemplificativo, associado ao enunciado-comando, aponta para um funcionamento que busca, além de responder ao enunciado-comando, dar conta do que não fora pensado, teoricamente, pelo sujeito. Eis, aí, então, quando se tensionam o técnico e o discursivo: “[...] parece útil sublinhar que existe uma diferença de essência entre a produção, por um dispositivo artificial, de uma resposta cuja estrutura aí está pré-inscrita, e aquela de um resultado cuja construção não está prefigurada em nenhuma parte [...]” (Gadet et al., [1982] 2015, p. 68).

Assim, a máquina produzir-se-ia como uma entidade autônoma, independente do sujeito. Independência, em verdade, relativa, já que, para conseguir exemplificar, é preciso que haja sujeito. Herbert/Pêcheux ([1966] 2015, p. 35, destaque do autor) afirma que

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[...] produzir (um produto técnico) é sempre produzir para alguém; em outros termos, a demanda que emana das relações sociais determina de uma só vez, não somente a produção do objeto, mas também a maneira pela qual ele será consumido, de tal forma que podemos dizer: as condições de existência do produto técnico são também o seu destino.

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Ao articular o que afirma o autor com o funcionamento acima exposto, compreendo que, na atual forma do capitalismo, determinada pelo funcionamento das redes que dele são produto, as grandes empresas, controlando os algoritmos das redes, criam nos sujeitos a demanda do saber, do perguntar, à medida que cria também a forma como se buscará esse saber. Em outras palavras, ao se utilizarem das IAs, como o Grok, os sujeitos são determinados pelo modo como a formação social capitalista entende o uso das tecnologias, pelo excesso, pela dispersão. Perguntar tudo a uma IA simboliza uma de suas formas de dominação, ou seja, recorrer à IA significa como uma forma fácil, rápida de acesso aos arquivos inscritos no digital. Rapidez que é característica da conjuntura sócio-histórica em que nos inscrevemos, o que também se marca quando se diz, no final da resposta no DP, “Se quiser detalhes sobre algum caso específico ou aspecto, é só pedir!” (destaque meu), momento em que a máquina é colocada como funcionando a serviço do sujeito.

No segundo tempo de análise, considero a leitura comparativa entre as versões G e NG do DP e do DNP. No entanto, em relação à análise anterior, nesta que segue observo outro movimento de resposta à pergunta: a paráfrase.

SD 3 – DP – G: [...] Caracteriza-se pela supressão de direitos individuais, como liberdade de expressão, imprensa e reunião, além do controle rigoroso sobre a sociedade, muitas vezes com uso de repressão, censura e violência. O governo ditatorial não costuma permitir oposição política significativa, eleições livres ou participação popular genuína na tomada de decisões.

SD 4 – DP – NG:

· Supressão de liberdades: Restrições à liberdade de expressão, imprensa, reunião e associação política.

● Repressão e controle: Uso de forças de segurança, censura, vigilância e, frequentemente, violência ou prisões arbitrárias contra opositores.

● Ausência de participação popular: Eleições inexistentes ou fraudulentas, e limitação do pluralismo político.

SD 5 – DNP – G: Ditadura é um regime político autoritário em que o poder é concentrado em uma pessoa, grupo ou instituição, sem respeito às liberdades democráticas. Caracteriza-se pela supressão de direitos individuais, como liberdade de expressão, imprensa e associação, além de perseguições políticas, censura e uso da força para manter o controle. Geralmente, não há eleições livres ou, se existirem, são manipuladas.

SD 6 – DNP – NG: Uma ditadura é um regime político autoritário em que o poder é exercido de forma absoluta por uma pessoa, grupo ou partido, sem mecanismos efetivos de controle democrático, como eleições livres, separação de poderes ou respeito aos direitos humanos fundamentais. [...]

Supressão de liberdades: Inclui censura à imprensa, restrições à liberdade de expressão, proibição de protestos e perseguição a dissidentes.

Uso da força: Manutenção do regime por meio de polícia secreta, exército ou propaganda para reprimir dissidências.

Falta de accountability: Não há alternância pacífica de poder; transições ocorrem por golpes, sucessão hereditária ou colapso interno. [...]

Ditadura de Adolf Hitler na Alemanha nazista (1933-1945): Extremamente totalitária, com genocídios e propaganda massiva.

Considerando as respostas em sua integralidade, há, como apontado no primeiro tempo de análise, elemento de distinção, alguns dos quais até se repetem nessas SDs. Todavia, analiticamente, observo que outro movimento regular de resposta ao enunciado-comando é o de produzir paráfrases. Nas SDs acima, o efeito de sentido que se produz é o de caracterização de regimes ditatoriais por meio de predicações que os explicam. A materialidade da língua aqui convocada ao gesto analítico apresenta duas formas de dizer o mesmo: primeiro por uma estrutura impessoal (“caracteriza-se”) seguida das características; segundo por uma estrutura topicalizalizadora. Empiricamente, ao visualizar essas duas formas de resposta, ao olhar do(a) leitor(a) sugere-se uma distinção, que se justificaria pelo pagamento, já que a resposta NG foi condicionada ao pagamento da versão premium do X. Entretanto, considerando que esta forma linguístico-discursiva é uma forma material, compreendo que, funcionando como paráfrase, os enunciados se apresentam dessa forma em função de um efeito erigido pelo capital. Em outras palavras, ainda que a promessa no Grok seja a de apresentar conteúdos com maior refinamento em função do pagamento pelo Premium, o que se produz é uma paráfrase. A esse respeito, retomo Pêcheux ([1975] 2014b, p. 161, destaques do autor), ao sinalizar que

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Concordamos em chamar esquecimento nº 2 ao “esquecimento” pelo qual todo sujeito-falante “seleciona” no interior da formação discursiva que o domina, isto é, no sistema de enunciados, formas e sequências que nela se encontram em relação de paráfrase – um enunciado, forma ou sequência, e não um outro, que, no entanto, está no campo daquilo que poderia reformulá-lo na formação discursiva considerada.

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Nessa passagem, Pêcheux ([1975] 2014b) trata, de maneira articulada, de três noções: esquecimento nº 2, sujeito e formação discursiva, entendendo que o sujeito, determinado ideologicamente, “seleciona” enunciados que estão em relação de paráfrase em uma mesma formação discursiva, por ser afetado por este esquecimento. Todavia, aproximando o que Pêcheux ([1975] 2014b) afirma e o material em análise, questiono: por se tratar de uma resposta automatizada, pode-se pensar em um sujeito do discurso, inscrito no sistema simbólico da linguagem, interpelado ideologicamente, atravessado pelo inconsciente? Entendo, nessa perspectiva, não ser possível, já que a programação, ainda que tenha origem em sujeitos, portanto constituindo-se como prática no âmbito do ideológico, não é um sujeito, mas sim uma prática técnica.

Em trabalho anterior, teorizo, utilizando-me de outro corpus, a noção de sujeito-usuário. No trabalho, admito que

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[...] o sujeito-usuário seria uma posição entre esses significantes, não sendo o sujeito-empírico tampouco o sujeito do discurso, fazendo, funcionar, desse modo, as formações imaginárias acerca do que seria o sujeito que poderia se utilizar do aplicativo. Assim, estando entre posições, jogando com o imaginário, o sujeito-usuário trata-se de uma projeção imaginária feita pelos sujeitos que fazem a programação do aplicativo, de forma que esta posição, mesmo sendo projetada pelos sujeitos-programadores, é, antes de tudo, atravessada por um funcionamento da ideologia. (Costa Carneiro, 2023, p. 163-164).

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Dessa maneira, entendo que a projeção, programada na máquina, sobre os sujeitos implica a existência de um sujeito do discurso, o qual funciona como matéria-prima e seu destino, como em Herbert/Pêcheux ([1966] 2015b), aproximando-o por uma projeção do possível. O possível, primeiro, se marca pelo que o sujeito precisa para se subjetivar nessas condições; segundo, pela possibilidade, pela programação, prática técnica, ser criada a ilusão de individualidade, de que somente o sujeito poderia dizer o que diz onde diz. Eis aí onde reside o movimento de paráfrase. A máquina não “seleciona” na FD que a domina os dizeres, tampouco os reformula; a máquina, tomando a matéria-prima-sujeito, calcula, busca efeitos finitos de completude, compara estruturas e, discursivamente, aponta para um mesmo, que é dissimulado pela paráfrase. Dizer o mesmo sob diferentes formas. Dizer diferente para dissimular a heterogeneidade. Nessa perspectiva, reitero o que dizem Léon e Pêcheux ([1982] 2015, p. 171) “[...] temos boas razões teóricas para considerar que aquilo que escapa a esse tipo de repetição do mesmo é tão interessante, ou até mais interessante, do ponto de vista da produção discursiva do sentido.”. Entendo, partindo desse ponto, que o que se produz é um deslizamento de sentido entre as reformulações. De acordo com Pêcheux ([1969] 2019, p. 54, destaques do autor), “Chamaremos de efeito metafórico o fenômeno semântico produzido por uma substituição contextual, para lembrar que esse “deslizamento de sentido” entre x e y é constitutivo do “sentido” designado por x e y”.

No terceiro tempo de análise, parto da leitura comparativa entre as versões G e NG do DNP, as quais apresento em seguida. As SDs analisadas são enunciados que, entre as duas versões, se repetem. Dentro dos colchetes, estão as variações das versões.

SD 7 – DNP – G e NG: [Uma/Ø] Ditadura é um regime político autoritário em que o poder é [concentrado/exercido] [em/por] uma pessoa, grupo ou [instituição/partido], sem [mecanismos efetivos de controle democrático/respeito às liberdades democráticas].

Na SD acima, que congrega a ordenação linguístico-discursiva do enunciado que define ditadura, ainda que haja movimentos parafrásticos que funcionam, os quais estão indicados entre colchetes, entendo que se produz uma paráfrase que tende à repetição do mesmo, isto é, que não produzem deslizamentos de sentido que caracterizariam o funcionamento técnico do algoritmo. Reitero, para encaminhar o processo analítico, o que Pêcheux ([1980] 2016, p. 23) afirma em Materialidades Discursivas: “[...] o fato de que há fala e de que há escrita – dito de outra forma, de que há discurso – não nos autoriza a considerar de entrada que, em certo nível de generalidade e autolimpante, nós todos falamos da “mesma coisa”.”.

Com essa passagem, parece-me, mais uma vez, funcionar a questão do sujeito. Os sujeitos, em sua produção discursiva, podem dizer o mesmo? Em Semântica e Discurso, Pêcheux ([1975] 2014b, p. 140, destaques do autor) alega que “[...] a questão da constituição do sentido se junta à constituição do sujeito [...], mas no interior da própria “tese central”, na figura da interpelação.”. Em um primeiro momento, poderia surgir a seguinte questão: se, então, produz sentido, é porque há sujeito, e, se há sujeito, há ideologia. Em certa medida, há sujeito, mas a que sujeito nos referimos? Certamente, não nos referimos ao sujeito-usuário sobre o qual discuti nesta seção, mas ao sujeito do discurso, presente por sua ausência. O sujeito que, por se subjetivar, produziu enunciados diversos, em distintas condições de produção, deixando nas mídias matéria-prima para aproveitamento. Em Grigoletto e Costa Carneiro (2025), entendemos que, nas mídias sociais digitais, subverte-se o funcionamento do pré-construído, repete-se não importando o quê. No corpus analisado, determinado pelas mesmas condições técnicas do X, entendo que, no fio do discurso, no nível intradiscursivo, a obviedade é simulada como efeito totalizante, simulando a origem do dizer e do sentido, sobretudo por quase não haver referências citadas textualmente. Assim, Courtine e Marandin ([1980] 2016, p. 48) ratificam que

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Na reformulação de um enunciado, algo vem jogar como causa dessa reformulação: [...]

- algo que está ao mesmo tempo presente/ausente na reformulação, ausente porque funciona no modo do desconhecimento e presente em seu efeito.

Um não sabido, um não reconhecido que todo discurso repete ocultando-o, ou melhor, porque o oculta, e ele o oculta necessariamente para se fazer repetir.

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Dessa forma, analisando o corpus, a leitura que empreendo se alinha ao que pontuam os autores, na medida em que a repetição dos elementos linguístico-discursivos é condicionada linguisticamente a substituições sintáticas, como a variação verbal, de determinantes ou de predicações adjetivas. A esse respeito, diferenciando-se da análise do segundo tempo, entendo que a paráfrase que aqui se produz equipara-se à retomada do mesmo sob diferentes formas linguístico-discursivas. No entanto, essa retomada causaria no sujeito-leitor o reconhecimento de que realmente seria a mesma definição, por ser o primeiro segmento da resposta ao enunciado-comando.

Nesse horizonte, o efeito discursivo produzido aponta para uma generalidade de reconhecimento autorizado. A distinção entre versões se produziria no que viria após a definição. A substituição sintática, discursivamente, marca o funcionamento da contradição, nos termos de Léon e Pêcheux ([1982] 2015, p. 173):

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Levar em consideração essa tensão constitutiva conduz a abordar a categoria da contradição por meio de um viés que deixa de privilegiar a contradição lógica, deslocando a análise em direção das formas materiais discursivas de contradição ligadas à alteração e à deriva. Isso reafirma que um uso materialista da noção de contradição na análise do discurso supõe necessariamente levar em consideração os espaços de heterogeneidades nos quais funciona essa contradição.

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A contradição, dessa forma, funciona sob duas faces: uma primeira que permite o reconhecimento por meio da repetição de uma estrutura sintática; a segunda que, ainda assim, busca mudar, alterar a ordenação sintática para que o reconhecimento não seja integral, para que a repetição se disfarce sob o véu da paráfrase. Estranheza, que é, contraditoriamente, familiar. O outro que, inversamente, é o mesmo; e o mesmo que é, diretamente, o seu espelho. Assim, “[...] um encontro com o outro, no interior de um dispositivo em que a reprodução do mesmo parece, por ora, estender-se aos limites da repetição.” (Courtine; Marandin, [1980] 2016, p. 27, destaques dos autores).

Na seção a seguir, teço observações que sintetizam os funcionamentos analisados acima e proposições teórico-analíticas sobre o corpus em análise.

2. Onde fica o sujeito?

Em função do exposto, observo, a título de realizar considerações (não) finais, que, no funcionamento do Grok, há, pelo menos, três funcionamentos discursivos. O primeiro, analisado no primeiro tempo de análise, sinaliza que as respostas produzidas pelo Grok apresentam singularidades para cada perfil, o que expõe ao olhar do(a) analista uma suposta heterogeneidade. A esse funcionamento, atribuo alguns fatores: i) ainda que sejam respostas para o mesmo enunciado-comando, as pesquisas foram realizadas em condições enunciativas estritas distintas, como descrito anteriormente; ii) essas condições são caracterizadas pela mudança de conta em que foi feita a pesquisa, apontando para um efeito de que, para cada perfil, seriam entregues diferentes respostas; e iii) mesmo com as diferenças, observo que as respostas com maior grau de detalhamento foram do DP, perfil com mais dados de navegação vinculados. Portanto, baseando-se nos dados de navegação, o Grok oferece a quem realiza enunciados-comando alinhados com a quantidade de dados, ou seja, quanto mais dados estiverem disponíveis, maior refinamento será possível. Refinamento, é claro, que é também determinado pela ideologia, de forma que haveria uma tendência ao alinhamento com as tomadas de posição sustentadas pelo sujeito do perfil.

O segundo funcionamento analisado foi o de que o Grok ao responder produz paráfrases das mesmas informações sobre diferentes formas linguístico-discursivas. A leitura que empreendo a esse respeito sinaliza que a sustentação desse funcionamento está na forma como, textualmente, as informações são dispostas. Na versão gratuita, uma estrutura de verbete; na versão paga, uma estrutura topicalizadora, que sugere maior detalhamento dos dados. Como observado, o funcionamento parafrástico está no âmbito do que é possível de simbolizar pelo sujeito, subjetivando-se como sujeito-usuário. Assim, a proposição de resposta reorganiza a mesma informação sob uma diferente forma discursiva. Na evidência do sentido, outra forma de produzir sentidos; na espessura material, uma repetição horizontal, retomada do mesmo.

No terceiro funcionamento analisado, proponho uma leitura sobre as similaridades que, quase, espelham os enunciados. No gesto definidor do Grok, a IA segue uma estrutura de definição já discutida anteriormente. Esse funcionamento caracteriza a contradição, já que se busca a singularidade, no entanto definições, como em dicionários e buscadores on-line (Freitas, 2020), tendem a buscar homogeneidade. Assim, buscar uma definição em uma IA apontaria para uma regularidade necessária, até requerida. Busca-se, por meio de definições, universalidade, como se os sentidos dos enunciados já fossem intrínsecos aos significantes, o que, de certa maneira, é buscado nos discursos dos universos logicamente estabilizados, na busca por um mundo semanticamente normal (Pêcheux, [1983] 2015).

Essas considerações sobre o funcionamento do corpus conduzem a uma reflexão sobre o seu modo de constituição. Considero, partindo do que discuto na seção anterior sobre corpus de arquivo e o corpus experimental, que a forma de compor o corpus de análise do trabalho caracteriza-se como um corpus de arquivo submetido a um tratamento experimental, entendido sob a forma de que o Grok mobiliza arquivos disponíveis na internet, reorganizando-os a partir do enunciado-comando. Assim, o caráter experimental se caracteriza pela maneira como os arquivos podem ser mobilizados por diferentes gestos metodológico-analíticos nas condições de produção do/no digital.

Em vista disso, em relação ao arquivo,

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[...] o gerenciamento de arquivos eletrônicos e do Arquivo dá-se justamente nos movimentos [...] e instalam modos de tornar naturais, discursivizar e desambiguizar sentidos, procedimentos e leituras de/sobre o que está dentro e fora dos arquivos digitais, fazendo parecer óbvio que a tecnologia funciona em si e por si mesma, sem uma instância política que a controle. (Romão, 2011, p. 145).

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O arquivo, nessa perspectiva, aliando-se com a discussão aqui proposta, é um arquivo determinado por uma outra forma de subjetivação, que é a do digital. O modo como a IA mobiliza os arquivos disponíveis e pertinentes a partir do enunciado-comando e a partir do modo como o sujeito se subjetiva pela projeção da máquina. Essa forma de subjetivação ratifica o funcionamento do ideológico, já que a prática técnica no X faz parte do real da história, determinada por suas contradições. Assim, subjetivando-se na/pela máquina, o sujeito é individua(liza)do pelos dados. Orlandi (2013, p. 81) pontua que

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Uma vez interpelado em sujeito, pela ideologia, em um processo simbólico, o indivíduo, agora como sujeito, determina-se pelo modo como, na história, terá sua forma individua(liza)da concreta: no caso do capitalismo, que é o caso presente, a forma de um indivíduo livre de coerções e responsável, que deve ser assim responder, como sujeito jurídico (sujeito de direitos e deveres), diante do Estado e de outros homens. Nesse passo, resta pouco visível sua constituição pelo simbólico, pela ideologia. Temos o sujeito individualizado é justamente o simbólico, o histórico e a ideologia, que tornam possível a interpelação do indivíduo em sujeito.

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Assim, na forma histórica do capitalismo em sua atual forma, o sujeito, ao perguntar por IAs, recebe uma forma de recorte do arquivo ilusoriamente proporcional à sua identificação ideológica. Todavia, o aliciamento do sujeito à compra determina os movimentos do sujeito no X. Para melhor ter resultados, que se assine a versão Premium. A assinatura traria melhores resultados. Como analisado, os resultados diferenciam-se pela extensão, mas, no segundo tempo de análise, que se volta à comparação entre as versões G e NG, observa-se que há uma grande tendência à paráfrase, a uma distinta organização textual que aponta para o mesmo. No título deste artigo, questiono-me: quanto vale ser sujeito? Ao final, a questão ainda ecoa em minhas reflexões. O valor pago para a composição do material (R$ 340,00) continua nos mostrando como se marcam os efeitos do capital no discurso. Os dados de navegação já são vendidos. Vende-se agora também o modo como uma prática já capitalizada (o acesso às redes) recorta o que é pertinente e disponível sobre uma questão. Ao fim e ao cabo, cessão de dados. Mesmo assim, ainda é possível resistir. Na resistência, o sujeito. O sujeito, que, como pensado por Pêcheux ([1975] 2014b), é um sujeito ardente nos frios espaços da semântica.

Agradecimentos

Agradeço à Maria Cristina Leandro Ferreira que, no XII Seminário de Estudos em Análise de Discurso, no debate do Simpósio VIII – Mídias, tecnologias, práticas políticas, questionou os(as) apresentadores(as) de trabalho sobre onde fica o sujeito nessas condições de produção. Esse questionamento me conduziu às reflexões feitas na seção 3.

Informações Complementares

Conflito de Interesse

O autor não tem conflitos de interesse a declarar.

Declaração de Disponibilidade de Dados

Os dados, gerados a partir do Grok, resultam de respostas automatizadas à pergunta “O que é ditadura?” feita por diferentes perfis e por diferentes modalidades de funcionamento do X. Os dados podem ser consultados no Zenodo, onde constam as capturas de tela identificadas por DP (Dispositivo Pessoal) e DNP (Dispositivo Não-Pessoal), em formato PDF.

Link para acesso: https://zenodo.org/records/17931195.

DOI: https://doi.org/10.5281/zenodo.17931195

Os dados estão disponíveis sob licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional (CC BY 4.0).

Declaração de Uso de IA

Neste trabalho, os materiais de análise foram gerados pela inteligência artificial Grok, do X, a fim de produzir a análise empreendida ao longo do artigo que toma a IA como objeto de reflexão. O uso teve como finalidade observar como funciona, do ponto de vista da Análise de Discurso materialista de orientação pecheuxtiana, o Grok a partir do enunciado-comando feita, contribuindo para que o objetivo de pesquisa pudesse ser atingido, isto é, analisar comparativamente as discursividades automatizadas linearizadas pelo Grok. A geração dos dados pela IA foi feita no dia 20 de outubro de 2025, tanta na modalidade paga quanto gratuita. As versões pagas do X foram custeadas pelo pesquisador, com auxílio da bolsa de Doutorado concedida pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Cada assinatura custou R$ 170,00 (cento e setenta reais), totalizando o montante de R$ 340,00 (trezentos e quarenta reais).

Fontes de Financiamento

O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Brasil (CAPES) – Código de Financiamento 001.

Referências

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COSTA CARNEIRO, Thiago César da; GALLI, Fernanda Correa Silveira; GRIGOLETTO, Evandra. Discursividades do/no cenário pandêmico: dizer, não dizer, contradizer no on-line. In: GRIGOLETTO, Evandra; NARDI, Fabiele Stockmans De; GALLI, Fernanda Correa Silveira; SILVA SOBRINHO, Helson (org.). Tensões entre o urbano e o digital: discursos, arte, política(s). Campinas: Pontes Editores, 2022. p. 92-105.

COURTINE, Jean-Jacques [1981]. Análise do discurso político: o discurso comunista endereçado aos cristãos. Tradução: Cristina de Campos Velho Birck, Didier Martin, Maria Lúcia Meregalli, Maria Regina Borges Osório, Sandra Dias Loguércio e Vincent Leclercq. São Carlos: EdUFSCar, 2014.

COURTINE, Jean-Jacques; MARANDIN, Jean-Marie [1980]. Que objeto para a Análise de Discurso? Tradução: Maria Onice Payer. In: CONEIN, Bernard; COURTINE, Jean-Jacques; GADET, Françoise; MARANDIN, Jean-Marie; PÊCHEUX, Michel (org.). Materialidades Discursivas. Campinas: Editora da UNICAMP, 2016. p. 33-54.

FREITAS, Ronaldo Adriano de. Instrumentação linguística em rede: análise discursiva de dicionários online. 2020. 216f. Tese (Doutorado em Estudos da Linguagem) – Programa de Pós-graduação em Estudos da Linguagem, Instituto de Letras, Universidade Federal Fluminense. Niterói, 2020. Disponível em: https://app.uff.br/riuff/bitstream/handle/1/23465/TESE%20RONALDO%20FREITAS%20-%20TEXTO%20FINAL.pdf?sequence=1&isAllowed=y. Acesso em: 2 jul. 2024.

GADET, Françoise; HAROCHE, Claudine; HENRY, Paul; PÊCHEUX, Michel. Notas sobre a questão da linguagem e do simbólico em Psicologia. Tradução: Pedro de Souza. In: ORLANDI, Eni Puccinelli. (org.). Análise de Discurso: Michel Pêcheux. 4. ed. Campinas: Pontes Editores, 2015. p. 55-71.

GALLO, Solange Leda. Sobre a materialidade digital. In: GRIGOLETTO, Evandra; DE NARDI, Fabiele Stockmans; SILVA SOBRINHO, Helson Flávio da (org.). Sujeito, sentido, resistência: entre a arte e o digital. Campinas: Pontes Editores, 2019. p. 185-200.

GRIGOLETTO, Evandra. Entre a dispersão e o controle: ler os arquivos da internet hoje. In: FLORES, Giovanna G. Benedetto; GALLO, Solange Maria Leda; LAGAZZI, Suzy; NECKEL, Nádia Régia Maffi; PFEIFFER, Cláudia Castellanos; ZOPPI-FONTANA, Mónica G (org.). Análise de Discurso em rede: Cultura e Mídia. Volume 3. Campinas: Pontes Editores, 2017. p. 145-169.

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HERBERT, Thomas/PÊCHEUX, Michel [1966]. Reflexões sobre a situação teórica das ciências sociais e, especialmente, da psicologia social. In: ORLANDI, Eni Puccinelli (org.). Análise de Discurso: Michel Pêcheux. 4. ed. Campinas: Pontes Editores, 2015b. p. 21-54.

LÉON, Jacqueline; PÊCHEUX, Michel [1982]. Análise sintática e paráfrase discursiva. Tradução: Cláudia Pfeiffer. In: ORLANDI, Eni Puccinelli (org.). Análise de Discurso: Michel Pêcheux. 4. ed. Campinas: Pontes Editores, 2015.

MITTMANN, Solange. O que não pode ser esquecido na leitura de arquivos digitais pela Análise do Discurso. In: GRIGOLETTO, Evandra; COSTA CARNEIRO, Thiago César da (org.). Diálogos com Analistas do Discurso: reflexões sobre a relevância do pensamento de Michel Pêcheux hoje/Dialogues avec des Analystes du Discours: réflexions sur la pertinence de la pensée de Michel Pêcheux aujourd’hui. Campinas: Pontes Editores, 2023. p. 384-389.

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PÊCHEUX, Michel [1975]. Semântica e Discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 5. ed. Tradução: Eni Puccinelli Orlandi, Lourenço Chacon Jurado Filho, Manoel Gonçalves Corrêa e Silvana Mabel Serrani. Campinas: Pontes Editores, 2014b.

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PÊCHEUX, Michel [1983]. O discurso: estrutura ou acontecimento. 7. ed. Tradução: Eni Puccinelli Orlandi. Campinas: Pontes Editores, 2015b.

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ROMÃO, Lucília Maria Sousa. O fora da rede: (co-mando de) arquivos no arquivo. In: MARIANI, Bethania; MEDEIROS, Vanise; DELA SILVA, Silmara. Discurso, arquivo e.... Rio de Janeiro: 7Letras, 2011. p. 141-149.

ROMÃO, Lucília Maria Sousa; LEANDRO FERREIRA, Maria Cristina; DELA SILVA, Silmara Cristina. Arquivo. In: MARIANI, Bethania; MEDEIROS, Vanise; DELA SILVA, Silmara. Discurso, arquivo e.... Rio de Janeiro: 7Letras, 2011. p. 11-21.

Avaliação

DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.V7.N3.ID944.R

Decisão Editorial

EDITOR 1: Silmara Cristina Dela da Silva

ORCID: https://orcid.org/0000-0001-5231-6662

AFILIAÇÃO: Universidade Federal Fluminense, Rio de Janeiro, Brasil.

EDITOR 2: Evandra Grigoletto

ORCID: https://orcid.org/0000-0003-1458-0491

AFILIAÇÃO: Universidade Federal de Pernambuco, Pernambuco, Brasil.

EDITOR 3: Solange Maria Leda Gallo

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-0243-4983

AFILIAÇÃO: Universidade do Sul de Santa Catarina, Santa Catarina, Brasil.

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CARTA DE DECISÃO: O artigo traz contribuições relevantes para os estudos do discurso, com foco na materialidade digital, ao se propor analisar, de forma comparativa, o funcionamento de discursividades automatizadas pelo Grok, inteligência artificial do X, nas versões paga e gratuita. O autor mobiliza, teoricamente, as noções de sujeito e arquivo, trazendo, para as análises, um recorte temático de forte interesse social na atualidade: a ditadura. De forma consequente, e com contribuições originais, o autor produz deslocamentos teóricos, ao propor, por exemplo, a noção de enunciado-comando no lugar de prompt. Também traz contribuições teóricas, nas análises, ao construir e analisar, de forma comparativa, um corpus experimental, produzido por IA, mostrando como o sujeito é individua(liza)do pelos dados. Pelo exposto, o artigo deve ser publicado.

Rodadas de Avaliação

AVALIADOR 1: Fernanda Correa Silveira Galli

ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4499-2908

AFILIAÇÃO: Universidade Federal de Pernambuco, Pernambuco, Brasil.

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AVALIADOR 2: Solange Mittmann

ORCID: https://orcid.org/0000-0001-7959-2894

AFILIAÇÃO: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil.

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RODADA 1

AVALIADOR 1

2026-01-29 12:03 PM

O artigo em tela apresenta grandes contribuições para o campo da linguagem e das tecnologias, ao apresentar uma reflexão sobre o funcionamento da inteligência artificial Grok na rede social X (antigo Twitter).

O artigo intitulado QUANTO VALE SER SUJEITO?: EFEITOS DE SUJEITO NA CONSTITUIÇÃO DO ARQUIVO DO/NO X tem como objetivo “analisar comparativamente o funcionamento de discursividades automatizadas linearizadas pelo Grok, inteligência artificial do X, com vistas a questionar os imaginários (re)produzidos sobre o sujeito-usuário e seus efeitos de sustentação”. A temática tem sua relevância sobretudo por apresentar uma reflexão sobre os efeitos de sujeito no/do espaço digital - mais especificamente em perfis diferentes (pessoal e não pessoal, gratuito e não gratuito) do X (antigo Twitter), bem como sobre os efeitos do capital no discurso. Do ponto de vista teórico-metodológico, o texto se destaca pela densidade da abordagem que revisita autores do campo discursivo francês materialista (Pêcheux, Orlandi, Courtine, dentre outros) e apresenta considerações autorais sobre as noções de sujeito e de arquivo. Do ponto de vista analítico, o texto traz gestos de leitura-interpretação sobre as discursividades do Grok em três tempos de análise, os quais apontam para três funcionamentos discursivos que, segundo Costa Carneiro, conduzem a uma reflexão sobre o modo tanto de constituição do corpus quanto das práticas capitalizadas de acesso às redes sociais digitais pelo sujeito.

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AVALIADOR 2

2026-03-01 01:05 PM

O artigo apresenta alta relevância para o campo da Análise do Discurso materialista e para os estudos da Inteligência Artificial e do aprendizado de máquina. A partir da construção de um corpus experimental, aciona o dispositivo teórico-metodológico da Análise do Discurso materialista, não só para analisar o corpus - o que o faz com bastante propriedade -, mas para trazer questionamentos e reflexões a respeito nas novas configurações de arquivos e de sujeitos diante das novas condições de existência da sociedade contemporânea marcada pelo avanço tecnológico.

O autor apresenta um corpus formado de sequências discursivas a partir de uma pesquisa experimental com uma Inteligência Artificial, lançando um enunciado comando. Descreve os gestos de construção desse corpus e analisa comparativamente as sequências discursivas, que se constituem de enunciados definidores e tópicos de distribuição de informação. E organiza a análise das sequências em três momentos de análise, que são também três funcionamentos: singularidades, paráfrases e similaridades.

Mobiliza os conceitos de arquivo e sujeito, mostrando a potencialidade de sua expansão às novas investigações e reflexões no atual contexto. Por exemplo, quando traz as noções de sujeito do discurso, sujeito-usuário, inscrição subjetiva e subjetivação digital. Assim, o trabalho de investigação exposto no artigo não se limita à aplicação do dispositivo teórico-metodológico em busca de resultados de análise. Abre janelas, cliva conceitos e mostra não só que o contexto das novas formulações pelos dispositivos tecnológicos contribui com a constante reconfiguração da teoria, mas que a teoria tem muito a questionar sobre seu próprio funcionamento e possibilidade de expansão, quando se depara com novas condições de produção de discurso e de objetos de investigação.

Assim, o principal mérito do artigo é questionar a própria teoria da Análise do Discurso materialista, em que a pesquisa se inscreve, sobre como abordar, teoricamente, as concepções e questões sobre sujeito e efeito de sujeito diante do estudo discursivo sobre a máquina, a tecnologia ou mesmo os enunciados produzidos e organizados pela máquina. Um questionamento pertinente e necessário diante de um debate social a que a Análise do Discurso é chamada. O que condiz com os princípios da fundação da teoria nos anos sessenta do século passado na França.

Resposta dos Autores

DOI: https://doi.org/10.25189/2675-4916.2026.V7.N3.ID944.A

RODADA 1

2026-03-26

Em primeiro lugar, cumprimento as pareceristas que, tão responsavelmente e atenciosamente, fizeram a leitura desta submissão e apontaram caminhos para o aprimoramento do trabalho e que também ressoam na maneira como as minhas pesquisas no campo discursivo-materialista, especialmente no que diz respeito às práticas discursivas do/no digital, ganham novos contornos teórico-metodológico-analíticos.

Nesse sentido, listo abaixo como o trabalho foi adequado após os pareceres:

· Foi citado um capítulo, de autoria de Romão, Leandro Ferreira e Dela Silva (2011), para dar sustentação à noção de grande arquivo da internet;

· Foi realizada uma adequação anterior às análises a fim de padronizar a maneira que me refiro às noções de recorte, sequência discursiva e enunciado;

· Foi incluída uma correção que diz respeito à padronização da apresentação do corpus (SD 7);

· Foi realizada a inserção de um trecho em proponho uma forma de compreender, no campo discursivo-materialista, a noção de prompt, deslocando para enunciado-comando;

· Foi realizada uma revisão linguística, a fim de resolver questões que, no momento da submissão do trabalho, não foram percebidas.

Com isso, agradeço, mais uma vez, às pareceristas pela atenção dada ao trabalho, que me trouxe novas questões, me desafiando a pensar em outras formas de compreender o funcionamento de discursos produzidos no digital.

How to Cite

COSTA CARNEIRO, T. C. da. How Much Is It Worth to Be a Subject?: Effects of Subject on the Constitution of the Archive of/in X. Cadernos de Linguística, Campinas, SP, Brasil, v. 7, n. 3, p. e944, 2026. DOI: 10.25189/2675-4916.2026.v7.n3.id944. Disponível em: https://cadernos.abralin.org/index.php/cadernos/article/view/944. Acesso em: 3 jun. 2026.

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