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04.11.2026

Chamada: A polissíntese na América do Sul

Abralin / RALSAS / CIPL · 28–29 de maio de 2027

Escopo da chamada

As línguas indígenas da América do Sul — sobretudo as da região ocidental — são frequentemente descritas como polissintéticas. Em geral, isso significa que apresentam uma morfologia verbal muito rica. Essa caracterização, porém, não implica que as chamadas línguas polissintéticas sejam necessariamente semelhantes entre si: o termo “polissíntese” abrange uma variação estrutural considerável. Ainda assim, a distribuição geográfica de graus elevados de síntese sugere que esse parâmetro pode revelar indícios históricos: encontram-se graus baixos de síntese, por exemplo, no Sudeste Asiático e, em geral, graus elevados nas Américas (ver, por exemplo, Bickel e Nichols 2013; Fortescue et al. 2017). Na América do Sul, as estruturas polissintéticas são mais comuns na Amazônia ocidental do que entre as línguas da região oriental do continente (Payne 1990).

Este workshop concentra-se nas estruturas polissintéticas das línguas da América do Sul. Pesquisas anteriores indicam que, embora essas estruturas sejam, em geral, complexas, elas podem diferir consideravelmente entre si (Rowicka e Carlin 2006). As estruturas polissintéticas podem suscitar questões sobre o estatuto da palavra e sobre a distinção entre morfologia e sintaxe (por exemplo, van Gijn e Zúñiga 2014; Bickel e Zúñiga 2017; Tallman e Epps 2020), bem como sobre a distinção entre material lexical e gramatical (Zúñiga 2017; Zariquiey et al. 2023). Convidamos a submissão de resumos que se concentrem em línguas específicas ou adotem uma perspectiva comparativa e que possam contribuir para a compreensão da polissíntese nas línguas indígenas sul-americanas. Serão especialmente bem-vindos trabalhos que abordem as questões e os temas a seguir, embora o workshop não se limite a eles:

  • Determinação e mensuração da polissíntese

    O conceito de polissíntese admite diferentes interpretações e, consequentemente, pode ser compreendido de maneiras distintas pelos autores. Em que medida as línguas sul-americanas podem contribuir para a compreensão do conceito de polissíntese, de seus parâmetros e das formas de mensurar o grau de síntese?

  • Estatuto da palavra, estatuto do afixo e interface entre morfologia e sintaxe

    Quais são as consequências da presença de estruturas altamente sintéticas, possivelmente com incorporação, em uma língua ou em um grupo de línguas para a definição do estatuto da palavra e, consequentemente, para a distinção entre morfologia e sintaxe? Como podemos distinguir afixos de clíticos — e até que ponto essa distinção é necessária?

  • Estrutura morfológica interna das palavras polissintéticas

    A polissíntese informa sobre o número de categorias morfossemânticas que podem estar associadas a uma palavra — geralmente o verbo —, mas não determina como essas informações se organizam internamente. Em que medida as línguas diferem quanto às categorias semânticas que se gramaticalizaram? Como essas informações se distribuem na palavra (por meio de prefixos, sufixos, elementos não concatenativos etc.)? Em que medida morfemas lexicais podem ocorrer no interior de uma palavra? A complexidade se concentra sobretudo na estrutura sintagmática, na estrutura paradigmática ou em ambas? Quais são as diferenças entre a síntese nominal e a síntese verbal?

  • Desenvolvimento diacrônico da polissíntese

    Como surgem as estruturas polissintéticas e de que modo elas sofrem erosão ou desaparecem? Em que medida a polissíntese é genealogicamente estável e quão sensível é ao contato linguístico? Por exemplo, processos de gramaticalização induzidos pelo contato (Heine e Kuteva 2008) resultam em distribuições areais não acidentais?

  • A América do Sul em uma perspectiva mais ampla

    Há um tipo sul-americano de polissíntese que se diferencie das estruturas polissintéticas encontradas em outras partes do mundo? Essa questão pode estar relacionada a uma ou mais das questões apresentadas acima.

Envio de resumos

Resumos de até 500 palavras, incluindo as referências, devem ser enviados para miguel@fale.ufal.br até 15 de janeiro de 2027, inclusive. Serão aceitos textos em português, espanhol e inglês. A notificação de aceitação será enviada até 28 de fevereiro de 2027. A participação é gratuita.

Cronograma
  • 15 de janeiro de 2027: Prazo final para envio de resumos (inclusive)
  • 28 de fevereiro de 2027: Notificação de aceitação (até essa data)
  • 28–29 de maio de 2027: Workshop on-line
Referências

Bickel, Balthasar, and Johanna Nichols. 2013. ‘Inflectional Synthesis of the Verb.’ In World Atlas of Language Structures Online, edited by Matthew S. Dryer and Martin Haspelmath. Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology.

Bickel, Balthasar, and Fernando Zúñiga. 2017. ‘The “Word” in Polysynthetic Languages: Phonological and Syntactic Challenges’. In The Oxford Handbook of Polysynthesis, 1st edn, edited by Michael Fortescue, Marianne Mithun, and Nicholas Evans. Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/oxfordhb/9780199683208.013.52.

Fortescue, Michael, Marianne Mithun, and Nicholas Evans. 2017. ‘Introduction’. In The Oxford Handbook of Polysynthesis, 1st edn, edited by Michael Fortescue, Marianne Mithun, and Nicholas Evans. Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/oxfordhb/9780199683208.013.1.

Gijn, Rik van, and Fernando Zúñiga. 2014. ‘Word and the Americanist Perspective’. Morphology 24 (3): 135–60.

Heine, Bernd, and Tania Kuteva. 2008. ‘Constraints on Contact-Induced Linguistic Change’. Journal of Language Contact 2 (1): 57–90.

Payne, Doris L. 1990. ‘Morphological Characteristics of Lowland South American Languages’. In Amazonian Linguistics: Studies in Lowland South American Languages, edited by Doris L. Payne. University of Texas Press.

Rowicka, G. J., and E. B. Carlin. 2006. What’s in a Verb?: Studies in the Verbal Morphology of the Languages of the Americas. Occasional Series. LOT. http://books.google.de/books?id=PSwqAQAAIAAJ.

Tallman, Adam J. R., and Patience Epps. 2020. ‘Morphological Complexity, Autonomy, and Areality in Western Amazonia’. In The Complexities of Morphology, by Adam J. R. Tallman and Patience Epps. Oxford University Press. https://doi.org/10.1093/oso/9780198861287.003.0009.

Zariquiey, Roberto, Javier Vera, Simon J. Greenhill, Pilar Valenzuela, Russell D. Gray, and Johann-Mattis List. 2023. ‘Untangling the Evolution of Body-Part Terminology in Pano: Conservative versus Innovative Traits in Body-Part Lexicalization’. Interface Focus 13 (1): 20220053. https://doi.org/10.1098/rsfs.2022.0053.

Zúñiga, Fernando. 2017. ‘On the Morphosyntax of Indigenous Languages of the Americas’. International Journal of American Linguistics 83 (1): 111–39. https://doi.org/10.1086/689548.

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